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Um dia de alerta e de memória...

por Correio da Guarda, em 23.03.19

 

     O Dia Mundial da Tuberculose é assinalado amanhã,  24 de março, comemorando a data em que Robert Koch, no ano de 1882, anunciou a descoberta do Mycobacterium tuberculosis, o bacilo que causa esta doença.
    O objetivo deste dia mundial de combate à tuberculose é alertar a população sobre a doença e contribuir para o seu completo desaparecimento. 
     No passado ano a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertava que os países não estão fazendo o suficiente para acabar com a tuberculose – a doença infeciosa mais letal do mundo – até 2030. Uma chamada de atenção feita a propósito da apresentação de um relatório global sobre este tema; documento em que era sublinhada a disparidade geográfica do aparecimento dos casos de tuberculose. O relatório evidenciava que quase um quarto da população mundial, ou 1,3 bilhão de pessoas, está sob risco de desenvolver tuberculose durante a vida, e cerca de 10 milhões de pessoas foram infetadas pela doença em 2017.
     No nosso país, e partindo da análise feita no passado ano num documento intitulado “Tuberculose em Portugal Desafios e Estratégias – 2018”, verifica-se uma redução da notificação e incidência da doença. Contudo, apesar dessa redução notou-se um aumento dos casos de tuberculose nas crianças com idade menor ou igual a 5 anos, particularmente das formas graves da doença. «Nos últimos 10 anos Portugal assistiu a uma diminuição de cerca 40% da taxa de notificação e de incidência de tuberculose, com valores de incidência abaixo dos 20/100.000 habitantes desde 2015. Até cinco de março de 2018, tinham sido notificados 1.741 casos de tuberculose referentes a 2017, dos quais 1.607 eram casos novos».
    A história desta doença tem na Guarda um capítulo incontornável, alicerçado na atividade do Sanatório Sousa Martins; inaugurado em 18 de maio de 1907, este sanatório foi uma das principais unidades de saúde de Portugal no combate contra a tuberculose.
    A Guarda, nessa época, foi uma das cidades mais procuradas de Portugal, afluência que deixou inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural. A apologia desta cidade como local «eficaz no tratamento da doença» foi feita por distintas figuras da época; era “a montanha mágica” junto à Serra, envolta ainda na bruma da atração e do desconhecido, palco frequente do magnífico cenário originado pela neve, que bem se podia transpor para o quadro descrito por Thomas Mann, no seu conhecido romance.
     Muitas pessoas vinham para a Guarda com o objetivo de usufruírem do clima de montanha, praticando, assim, uma cura livre, não sendo seguidas ou apoiadas em cuidados médicos. As deslocações para zonas propícias à terapêutica “de ares”, e consequente permanência, contribuíram para o aparecimento de hotéis e pensões, dado não haver, de início, as indispensáveis e adequadas unidades de tratamento.
     Em 1895, realizou-se o primeiro Congresso Português sobre Tuberculose, dirigido por Augusto Rocha. Nesse congresso, Lopo de Carvalho (que viria a ser o primeiro diretor do Sanatório Sousa Martins), já uma eminente figura da Medicina, discursou sobre os processos profiláticos usados na Guarda. 
    Lopo de Carvalho foi um dos mais fervorosos defensores da criação do Sanatório, o que aconteceu por decisão da Rainha D. Amélia, presidente da Assistência Nacional aos Tuberculosos (ANT), instituição criada em 26 de dezembro de 1899. 
    A história da luta contra a tuberculose, em Portugal, cruza-se, assim, com a história da Guarda; um registo que deixamos a propósito da comemoração do Dia Mundial da Tuberculose e do lamentável estado em que se encontram os antigos pavilhões do Sanatório Sousa Martins… 

    (Hélder Sequeira)

 

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