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Um território sob o signo da oliveira...

por Correio da Guarda, em 21.12.23

 

A valorização da oliveira e do azeite de territórios como o do Vale da Teixeira, nas proximidades da Guarda, tem sido defendida em diversas iniciativas, algumas das quais recentemente realizadas.

Como foi sublinhado, nomeadamente nas Jornadas do Azeite que no passado mês foram realizadas na Vela (Guarda), a riqueza desta zona continua a estar nas suas terras, no fruto das suas oliveiras de onde é extraído o “ouro líquido”, cartaz de outras freguesias do Vale da Teixeira.

A oliveira, que tem já um dia no calendário, é indiscutivelmente, um ex-libris deste território do interior. O Dia Internacional da Oliveira foi assinalado a 26 de novembro, na sequência da recomendação da UNESCO (organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), na sua 206ª sessão realizada em Paris, no ano de 2020.

Azeitonas_oliveira_HS_.JPG

A importância do Dia Internacional da Oliveira vai muito para além do aspeto cultural, acentuando também o papel desempenhado por essa árvore na proteção ambiental; a sua presença no solo evita a desertificação, protege contra a erosão e aumenta a fixação do dióxido de carbono na atmosfera, contribuindo para proteção da camada de ozono.

É uma árvore cultivada em vários continentes e contribui, diretamente, para o desenvolvimento económico de 57 países, assim como para preservação de recursos naturais. De recordar que os ramos da oliveira estão presentes na bandeira da ONU, como simbolismo da união das nações.

Na Grécia antiga, a oliveira era respeitada como árvore sagrada, carregando significados como paz, sabedoria, abundância e glória dos povos. Em Portugal a oliveira mais antiga do país está situada em Mouchão, Mouriscas, perto de Abrantes; calcula-se que tenha cerca de 3350 anos.

A oliveira é uma árvore com história, marca de uma zona onde se cruzaram vários povos e civilizações, estando mesmo presente na heráldica, nomeadamente da Ramela, uma das freguesias envolvidas nas recentes atividades da sua evocação e do azeite.

Riqueza de um território onde podemos aliar a história, a tradição, uma cultura secular que encontra aqui novos desafios e caminhos. Estudos recentes indicam que Portugal pode ser uma referência na “olivicultura moderna”, estimando-se também que possa alcançar dentro de uma década o estatuto de terceiro maior produtor mundial de azeite. Importa, pois, ganhar o futuro e trabalhar em cooperação, sem adiamentos. “As pessoas e as ideias, como as árvores, são uma harmonia com a hora e o lugar”, como escrevia Vergílio Ferreira.

Dar continuidade a iniciativas como as que decorreram sob o signo da oliveira e do azeite, ampliando outras ações embrionárias e materializar projetos que não tiveram a desejada aplicação prática, mormente na área da olivicultura, é fundamental; sensibilizando proprietários, produtores, populações, instituições, associações com vista à valorização da origem do azeite, da salvaguarda e reforço da tradição, da defesa da qualidade e autenticidade, estimulando a produtividade, implementando plataformas e circuitos de comercialização. Estas iniciativas podem e devem articular-se com as outras atividades (aliadas a uma multiplicidade de ações culturais que se podem juntar, convocando os vários escalões etários e instituições públicas ou privadas), sempre num trabalho em rede. Há que ter determinação. “Tudo é ousado para quem a nada se atreve”, como escreveu Pessoa.

O Azeite é um elemento fundamental na “Dieta Mediterrânica” que recuperou as tradições alimentares dos habitantes da bacia do Mediterrâneo (Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia, entre outros). A investigação feita aponta para as vantagens de uma dieta rica em azeite, que pode explicar os baixos níveis de colesterol no sangue e reduzidos índices de doenças cardiovasculares dos povos mediterrânicos, comparativamente aos habitantes da América do Norte e da Europa Central. O azeite atua positivamente contra a gordura, diminui o risco de enfarte cardíaco, contribui para a prevenção de doenças cancerígenas; é importante para um bom equilíbrio alimentar.

Neste território de proximidade vivemos sob o signo da oliveira, árvore sobre a qual António Manuel Gomes escreveu um belíssimo texto, dado a conhecer num espetáculo integrado nas Jornadas do Azeite, realizadas na Vela. “Venho dos lugares mais distantes da memória. Agarrei-me à terra com uma esperança sem fim (…). Seguro uma identidade sábia e serena que retira a pressa ao tempo.” Uma localidade que teve e tem o seu tempo, páginas de história para conhecer.

A Vela já foi uma vila, ainda que por escasso tempo. Fez história, é história. Sucintamente, anotamos que em 2 de janeiro de 1459, D. Afonso V outorgou a jurisdição civil e criminal da Vela a Álvaro de Sousa, mordomo-mor do rei, como já o fora seu pai (Diogo Lopes de Sousa), e elevou esta localidade à categoria de vila. 

“Esta prerrogativa concedia-lhe o direito de a ter a “per si forca, picota como villa per si issemtamente a nenhu luguar sobieita”. Determinava o monarca que Álvaro de Sousa poderia colocar na nova vila os tabeliães que lhe aprouvesse e “que eles se chamem seus”, apesar de existirem algumas ordenações do reino que afirmassem encontrarem-se esses funcionários dependentes directamente da coroa. Este privilégio tinha apenas um carácter vitalício (…)”, como descreveu o historiador Humberto Baquero Moreno. “(…) A reação da cidade da Guarda à elevação da Vela à categoria de vila e à perca da jurisdição sobre a mesma, não se fez esperar por muito tempo. Representou uma viva e imediata contestação à deliberação tomada pela coroa (…)”, acrescentava num trabalho publicado sobre esta aldeia do concelho da Guarda.

Em 6 de junho de 1459 o Rei promulgou um diploma que anulou o documento assinado em 2 de janeiro de 1459. “Ficava assim a Vela privada da sua categoria de vila, situação em que permaneceu teoricamente durante uns escassos seis meses (…)”. E o referido investigador evidenciava que a reação das gentes da Guarda muito tinha a ver com a “riqueza do solo da aldeia (…). A emancipação da Vela conduziria inevitavelmente a um despovoamento da Guarda, na medida em que a maior parte dos residentes desta cidade possuía os seus bens nessa aldeia, sem os quais não poderia subsistir.”

Retomando as palavras iniciais, acrescentaremos que na zona referenciada, há vários caminhos para o desenvolvimento económico e social deste nosso território, onde existem potencialidades, condições climatológicas privilegiadas, campo para linhas de investigação histórica, sociológica e cultural.

Este é um território de esperança em que devemos acreditar, que devemos valorizar, que devemos viver e fruir sob o signo da oliveira, num cenário de harmonia entre passado, presente e futuro…

 

Hélder Sequeira

 

In O Interior | 20 dez 2023

 

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publicado às 22:27

Gambozinos e Peobardos no TMG

por Correio da Guarda, em 01.02.23

 

Os Gambozinos e Peobardos - Grupo de Teatro da Vela vão estrear na próxima sexta-feira, 3 de fevereiro, o espetáculo “O Dia Depois de Amanhã”.

Esta décima sétima criação dos Gambozinos e Peobardos resulta de “conversas com antigos combatentes da Guerra Colonial, narradas na primeira pessoa, com o olhar no capim, com o cheiro nas sanzalas, a voz ainda embargada e a memória a pregar partidas”, como é referido a propósito desta nova produção.

Trata-se de um espetáculo “criado com as estórias de quem viveu a Guerra Colonial nas três frentes, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. 60 anos passados”.

Gambozinos_n.jpg Foto: Gambozinos e Peobardos

 

O “Dia Depois de Amanhã” é uma “narrativa onde a realidade e a ficção se confundem, onde o passado é o presente e o presente é o passado e as lágrimas sabem a mar, sabem a despedida, sabem a partidas e a chegadas”.

Com dramaturgia de António Manuel Gomes e Pedro Sousa, que é também o encenador, este novo trabalho dos Gambozinos e Peobardos ( em coprodução com o Teatro Municipal da Guarda (TMG), com o apoio da Santa Casa da Misericórdia da Guarda – extensão do Lar da Vela e do Trigo Limpo Teatro ACERT de Tondela) é apresentado no Pequeno Auditório do TMG, pelas 21h30, sendo de novo levado à cena no sábado, 4 de fevereiro, pela mesma hora.

 

 

 

 

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publicado às 22:54

Carlos Martins: a Rádio na vida e na memória

por Correio da Guarda, em 01.02.22

 

 

Embora o trabalho na Rádio não tenha sido a sua atividade principal, Carlos Martins não esquece a marca que as emissões radiofónicas lhe deixaram. “Na rádio fiz sempre o que gostava de fazer. Senti-me realizado. A grande marca teve a ver com as pessoas que faziam a rádio… uma grande família.” Hoje, afastado desse meio, considera que “uma rádio sem pessoas que a escutem é uma rádio com fim à vista”.

Natural da Vela (concelho da Guarda) veio estudar para a cidade quando tinha dez anos; no final da década de 70 iniciou a sua colaboração na Rádio Altitude (RA) , antes de, no início dos anos 80, ter começado a sua atividade profissional no ramo dos Seguros. “Atualmente continuo a exercer a minha atividade como independente e acumulando a situação de pré-reforma [da companhia a que esteve ligado]”, disse-nos Carlos Martins.

Olhando para a cidade onde reside, diz ao CORREIO DA GUARDA que “é urgente fixar empresas na Guarda para criarem empregos fixando os que cá estão e trazer outros do litoral.”

Carlos Martins 4 .jpg

Como surgiu a Rádio na tua vida?

Era presidente da Associação Estudantes da Escola Secundária Afonso Albuquerque e na altura decidimos propor à Rádio Altitude um programa semanal de 30m onde abordaríamos a actividade estudantil e outros assuntos de interesse para a classe.

Eram colaboradores habituais a Fátima Vitória, a Hermínia Whanon, o Américo Rodrigues e eu. Após um ano de emissões o programa “Rádio Estudantil” termina.

Algum tempo depois, e algures na cidade da Guarda, encontrei o Dr. Virgílio Arderius, elemento da direção da RA, que após uma troca de palavras me propôs fazer um programa sobre livros e literatura. Numa conversa, de corredor, (na Escola Secundária Afonso Albuquerque) com o António José Fernandes e com o António José Teixeira (actual diretor da Informação na RTP) abordei a proposta que me tinha sido apresentada; o António José Teixeira ficou entusiasmado com a ideia e assim, os três, decidimos fazer o programa “Nós e os Livros”.

Como tudo tem um fim também o “Nós e os livros” acabou, sendo que foi um projecto interessantíssimo que nos motivou e de que maneira… A partir daí eu passei para as emissões regulares e o António José Teixeira enveredou pela informação da Rádio Altitude.

 

Como foram as primeiras experiências radiofónicas?

Nas emissões regulares da Onda Média, do Altitude, lembro-me que o primeiro programa que coloquei no ar foi um espaço radiofónico com muita audiência e patrocinado por uma marca de automóveis. Os ouvintes pediam para ouvir as suas músicas preferidas através do telefone 232.

CARLOS MARTINS 1 .jpg

Quem recordas desses tempos? E como era o ambiente de trabalho?

Nos anos 70 e 80 a rádio era tão importante como qualquer outra instituição da Guarda. O Altitude estava lá e tinha a informação pretendida.

A camaradagem, as relações pessoais eram como a de uma grande família. 

 

Os colaboradores da RA eram convidados, com frequência, para apresentação de espetáculos no distrito. Que lembranças dessa experiência?

As Festas da Cidade da Guarda, os Festivais da Canção de Manteigas, Festivais de Folclore e muitos outros espectáculos contaram com a minha colaboração e de muitos outros colegas da rádio. Ter um apresentador que fosse locutor da Rádio Altitude, na opinião dos organizadores, era sinal de um bom espectáculo em perspectiva.

Recordo aqui uma das peripécias com a “nossa 4L”… fazíamos uma deslocação a Manteigas para mais um festival. Na ida a viagem correu mais ou menos bem (?). No regresso, a altas horas da noite, a viatura movimentava-se, mas a uma velocidade reduzida na estrada sinuosa e em mau estado. Estávamos todos apreensivos com o facto de a gasolina estar a baixar muito rapidamente no reservatório estarmos longe da Guarda.

Depois de 2 horas de viagem conseguimos chegar à entrada da cidade e aí ficou o veículo sem pinga de combustível. No dia seguinte o Antunes Ferreira foi com a Renault 4L ao mecânico e este verificou que a mesma apenas estaria a trabalhar com um ou dois cilindros. A “máquina” tinha razão para não andar e gastar muito combustível...

Carlos Martins 5.jpg

Qual foi o período mais desafiante na tua passagem pela RA?

Com a OM e com o FM nos anos 90, depois de ter passado algum tempo pela F, já com a direção do Helder Sequeira; acumulei as funções comerciais e as de locutor (animador de emissão).

 

A parte técnica era também uma das tuas preferências. Colaboravas, com frequência, com o Dr. Martins Queirós, sobretudo a partir de 1990, e também com o Antunes Ferreira. O que recordas? Que episódios gostarias de recordar para os leitores?

Com a frequência modulada no ar, o Dr. Martins Queirós entendeu que a mudança do emissor de Onda Média para um local mais próximo da antena era mais que urgente.

À noite, e depois das 21h, acompanhava o grande obreiro da RA nos trabalhos técnicos para a mudança do emissor. Este trabalho nocturno demorou alguns meses.

Finalmente foi possível mudá-lo e colocá-lo num local amplo e adequado para o efeito. Na altura estava apto a construir um emissor de raiz, tal foi a formação ministrada pelo médico Martins Queirós.

 

Que marca te deixou a Rádio Altitude?

Na rádio fiz sempre o que gostava de fazer. Senti-me realizado. A grande marca teve a ver com as pessoas que faziam a rádio… uma grande família.

 

Qual o programa que te deixou mais saudades?

Não podia ser outro, senão o “Sons da Madrugada”. Diariamente das 7 às 9h, inicialmente com o João Logrado, Helder Sequeira e eu, mais tarde o João foi substituído pelo Albino Bárbara.

Era o nosso despertar…

Carlos Martins 3.jpg

Achas que hoje é difícil fazer rádio no interior? E nos tempos da onda média?

As ferramentas atuais são outras. Tudo é mais fácil. O problema está na publicidade, fonte de receita das rádios; esta é cada vez mais diminuta e os pequenos empresários estão com dificuldades económicas.

Não é de estranhar que algumas rádios tenham fechado.

Nos anos 70 e 80 a concorrência era menor. O Altitude não tinha dificuldade em encontrar clientes para publicitar. Em qualquer loja ou casa era a rádio preferida. Existiam audiências consideráveis das emissões.

 

Que desafios se colocam, atualmente, às rádios locais?

Os custos com o pessoal são o maior desafio, as taxas, os custos da energia e a falta de apoios também não ajudam.

Muitas são as rádios que tiveram de reduzir o pessoal, funcionando a maior parte do tempo de forma automática. O contacto com o ouvinte deixa de existir e como tal as audiências evaporam-se. Há tanto por onde escolher…

CARLOS MARTINS 2 .jpg

Achas que rádio, em geral, tem futuro?

Tudo irá depender da ligação rádio/ouvinte. Uma rádio sem pessoas que a escutem é uma rádio com fim à vista.

É importante prender os ouvintes às emissões, ouvi-los e ter uma programação virada para os temas do quotidiano.

 

O que gostarias de ouvir nas rádios da região?

Pessoalmente gosto de estar informado. Gosto de uma informação credível, de qualidade.

 

O que fazes atualmente?

Afastei-me por razões pessoais da rádio. Depois de trinta e tal anos nos seguros, estou actualmente na situação de pré-reforma.

Como não sou pessoa para ficar parado, abri um escritório de Mediação de seguros na Rua Francisco Pissarra de Matos na Guarda, com a marca da empresa onde trabalhei a Ageas.

 

O que representa para ti a Guarda?

Desde os meus 10 anos que estou na Guarda. Foi aqui que fiz os meus estudos e desenvolvi a minha actividade profissional na área dos seguros. A rádio completava-me.

As pessoas da região cativaram-me. Apesar de fria, o calor humano, as amizades, os desafios, marcam-nos para sempre.

 

Como gostarias de ver a Guarda do futuro?

No futuro imediato é necessário criar condições para a fixação dos nossos jovens. Se estes forem embora para o litoral e para as grandes cidades, a Guarda fica a perder.

É urgente fixar empresas na Guarda para criarem empregos fixando os que cá estão e trazer outros do litoral.

A localização da Guarda, as duas auto estradas e as duas linhas férreas fazem da cidade um ponto estratégico de desenvolvimento, para isso o governo central tem de olhar pelo interior ou não fosse a Guarda a Porta da Europa!

 

 

 

 

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publicado às 11:48

Pintura do século XVI descoberta na Vela

por Correio da Guarda, em 18.02.13

 

     Na freguesia da Vela, concelho da Guarda, foi descoberta uma pintura mural do século XVI, no decorrer das obras de restauro do altar de uma capela.

     De acordo com a notícia da agência LUSA, a pintura foi encontrada por um restaurador de arte durante os trabalhos de renovação do retábulo de madeira do altar da capela de Santo Antão

    Agora, a pintura está a ser conservada e restaurada para ficar acessível às pessoas interessadas em verem esta obra de arte, como adiantou o pároco local, José António Pinheiro, ao jornalista da LUSA.

    De referir que após esta descoberta, a paróquia da Vela (aldeia localizada a cerca de dez quilómetros da cidade da Guarda) decidiu pela recuperação da pintura a fresco.

     O trabalho está está a ser realizado por duas especialistas de conservação e restauro em pintura mural da empresa Atelier Samthiago, com sede em Viana do Castelo.

            Foto: Samthiago Conservação E Restauro

 

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publicado às 12:10

Vela. Guarda

por Correio da Guarda, em 09.12.12

 

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publicado às 21:12

Romagem teatral ao Cabeço das Fráguas

por Correio da Guarda, em 14.07.12

 

 

     Iniciou-se hoje, na Guarda, a romagem teatral ao Cabeços das Fráguas, no âmbito da iniciativa “Passos à Volta da Memória”, um produção da Culturguarda para a autarquia guardense.

     “A montanha sobe-se e os vales, antes caminhos, tornam-se horizontes aos olhos de todos. O Cabeço das Fráguas será transformado nesta migração de sensações. Da História à lenda. Do Teatro ao mito. Das palavras rigorosas às oníricas fantasias. As personagens históricas e contemporâneas, divinas ou humanas, misturam-se nesta caminhada, serra acima, até à inscrição lusitana com caracteres latinos, a célebre “Laje da Moura”. Aí, a 1015 metros, terá lugar o ritual de oferenda aos deuses que será partilhado por todos, actores e público, numa comunhão de memórias.” Refere a sinopse divulgada pela Culturguarda.

     Esta produção tem coordenação geral de Américo Rodrigues e encenação de João Neca (igualmente autor do texto), com interpretação de António Rebelo, David Ribeiro, João Neca, João Pereira, Luís Teixeira, Marco Cruz, Nuno Rebelo e Pedro Sousa (actores do grupo de teatro “Gambozinos e Peobardos”, da Vela).

     O Cabeço das Fráguas, sítio arqueológico de grande importância, referente a um antigo local de culto a divindades lusitanas, datado do séc. V a.C., é o destino desta romagem teatral.

     No topo do cabeço encontra-se uma escavação arqueológica que prova a existência de algumas edificações lusitanas possivelmente destinadas ao culto. A consubstanciar essa mesma ideia está a existência de uma das únicas inscrições em língua lusitana escrita com caracteres latinos. Nas imediações do cabeço foram encontradas 20 aras religiosas contemporâneas dos lusitanos, o que se reveste da maior importância já que, por comparação, em toda a província vizinha de Salamanca, Espanha, apenas existem 18 aras.

     O Cabeço das Fráguas Localiza-se junto da Quinta de S. Domingos, na zona este da freguesia de Benespera, no concelho da Guarda. A altitude do cabeço é de 1015 metros; no seu topo existe um planalto onde estavam implantadas as edificações religiosas. Em todas as portelas existem vestígios de muralhas.

    O acesso só é possível a pé mas esta visita é perfeitamente compensada pelo reencontro com o passado, com um património ímpar, com um bela e inebriante paisagem.

     Uma interessante e original proposta a não perder, todos os sábados (até 22 de Setembro).

           HS/ (Fonte: TMG)

 

 

 

 

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publicado às 22:46

Gambozinos e Peobardos na ribeira da Vela

por Correio da Guarda, em 02.09.11

 

     Na freguesia da Vela, concelho da Guarda, será hoje apresentado o espectáculo “Fronteira”, pelos Gambozinos e Peobardos, grupo de teatro daquela localidade.

     A partir de um conto de Miguel Torga, e versando a temática do contrabando, esta última encenação do grupo de teatro da Vela terá lugar a partir das 21h30, nas margens da ribeira daquela localidade.

 

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publicado às 17:45

Homenagem a José Carreira Amarelo

por Correio da Guarda, em 08.10.08

 

          Na Vela, concelho da Guarda, vai realizar-se, no próximo dia 26 de Outubro de 2008, uma homenagem ao Dr. José Miguel Carreira Amarelo, a qual terá início pelas 14 horas.

Com o seu falecimento, em 12 de Dezembro de 2000, a Guarda perdeu um incansável investigador, um dedicado estudioso da cultura regional.
Para além da sua, reconhecida e apreciada actividade como sacerdote, José Miguel Carreira Amarelo, com a sua simplicidade, com uma permanente disponibilidade e evidentes qualidades humanas, sobressaiu como docente e como homem de cultura.
 
 
Terá, para muitos, passado desapercebido; mas embora não se negasse à colaboração tantas vezes solicitada pelos orgãos de informação locais e regionais, declinava sempre os protagonismos mediáticos ou as luzes da ribalta, optando antes pela entrega ao trabalho quotidiano, nas várias frentes do seu labor.
No capítulo do ensino a sua presença ficou bem firmada, como podem confirmar múltiplos e insuspeitos testemunhos. Aliás, ao longo do seu percurso académico, José Miguel Amarelo deixou indeléveis marcas da sua forma de ser e outrossim do seu saber, entregando-se à descoberta constante dos valores e expoentes culturais desta região
O teatro popular foi uma das temáticas que o entusiasmou, com particular incidência nas tradições de Pousade, uma conhecida freguesia do concelho da Guarda. Com dois volumes editados sobre o Teatro Popular, procurou, como escreveu na apresentação do primeiro dos livros, “salvar do naufrágio do esquecimento e da perda uma pequena parcela da nossa cultura popular e regional.”
Num rápido esboço, recordamos o seu contributo para a divulgação da obra do autor da “Balada da Neve”; através de uma oportuna edição do Museu da Guarda, anotou o livro “Augusto Gil – Cartas de Amor”, revelando parte do espólio lírico daquele poeta, até então desconhecido.
Naturalmente que não cabe neste despretensioso apontamento, nem é esse o intuito, a descrição do perfil de José Carreira Amarelo.  Nestas breves anotações, aproveitamos para relembrar que depois de ter deixado a Direcção da Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico da Guarda, onde continuava a leccionar, centrava a sua particular atenção numa obra sobre “As Pastorais dos Bispos da Guarda”, a tese de doutoramento que iria discutir, e a qual constitui um importante documento histórico-cultural da região, mormente sobre o período temporal escolhido.
Este trabalho não pode ser olvidado e merece a adequada e merecida divulgação, pois, para além do seu valor específico, perpetuará a memória do seu autor e será um acto de justiça perante o demorado trabalho de investigação que precedeu a sua elaboração.
         Diremos, entretanto, que com a publicação da tese de doutoramento de Carreira Amarelo beneficiará, inquestionavelmente, esta região; a cultura e a história regional. Espera-se que este trabalho não tenha sido em vão e suscite a merecida e devida atenção.
                                                                                             Helder Sequeira

 

 

 

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publicado às 20:12


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