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A propósito de Ernesto Pereira

por Correio da Guarda, em 09.02.22

 

Jornalista, advogado e jurista, Ernesto Pereira nasceu na Guarda a 9 de fevereiro de 1903.

Para a posteridade deixou múltiplos, quanto dispersos, testemunhos das suas observações, análises; sustentadas numa inteligência lúcida e brilhante, num trabalho determinado em prol do desenvolvimento da sua cidade.

Embora o seu espólio não seja muito vasto, legou-nos textos de excelente recorte literário, a par de outros onde emergem as suas convicções, a postura moral, uma personalidade forte, uma cultura vasta.

Licenciado em Direito, a paixão pelo jornalismo cresceu progressivamente, e em paralelo, com a sua dedicação à causa da Guarda; no início de 1926, fundou o jornal a Actualidade, projeto que prosseguiu um ano depois em Pinhel, onde se radicou por motivos de ordem profissional.

Naquela cidade integrou a Comissão Orientadora da Frente Única Republicana, empenhando-se, por outro lado, na revitalização da corporação dos Bombeiros Voluntários. Fundou, na cidade falcão, o Colégio, do qual não pôde ser diretor porque o Ministério da tutela o considerava da oposição ao sistema político vigente.

Como por várias vezes deixou claro, o causídico guardense não era pessoa para desistir perante as contrariedades. “Por mil vezes que a pedra se despenhe, voltarei, com muitos esforços, canseiras e sacrifícios, a empurrá-la. E nunca desistirei – porque nunca desiste o homem verdadeiramente digno desse nome”; uma predisposição que demonstrava também na barra do Tribunal, independentemente da complexidade dos processos, servindo-se das suas qualidades oratórias, em tantas ocasiões postas ao serviço de casos que sabia, à partida, dificilmente seriam remunerados.

Num processo julgado no Tribunal da Guarda, em que eram acusados alguns estudantes por desrespeito a um agente da autoridade, Ernesto Pereira assumiu a defesa dos jovens, sem indagar ou avaliar as possibilidades económicas dos mesmos; dirigindo-se ao Juiz, sustentou que “tão digna é a toga que V. Exª usa como a capa negra de um estudante”.

Depois de uma passagem, profissional, pelo Porto voltou à Guarda onde, a partir de 1942, foi editor da Revista Altitude. Lutou pela criação do Museu da Guarda onde viria a assumir funções diretivas.

Ernesto Pereira -.jpg

Empossado no cargo de Presidente da Câmara Municipal da Guarda em 1946, empenhou-se, desde logo, na construção do Hotel de Turismo, na linha dos argumentos que há muito vinha divulgando acerca da urgência de a cidade se desenvolver do ponto de vista turístico.

Por certo seria a pensar nos potenciais visitantes que, junto da Direção Geral da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, defendeu a “justa regalia de que a Guarda sempre gozou por poder dispor de uma carruagem direta Guarda/Lisboa – regalia que certamente não lhe será negada”.

Os problemas urbanísticos estiveram, igualmente, no rol das preocupações do edil guardense. A localização do Colégio Feminino, o novo Cine Teatro, a regularização do Bairro do Bonfim (e da entrada da cidade por esse lado), a abertura dos arruamentos de acesso à Sé, bem como a urbanização da Guarda-Gare foram assuntos devidamente equacionados junto das entidades por quem passava a sua resolução.

No ano seguinte foi nomeado Governador Civil da Guarda, cargo no decorrer do qual procurou afirmar o distrito e incrementar o seu desenvolvimento através de eixos rodoviários e ferroviários; neste último plano, para além das atenções que dedicou às linhas da Beira Alta e Beira Baixa, defendeu a “necessidade urgente de prolongar até Barca de Alva a marcha do comboio diário que sai do Porto, cerca das 15.55 até ao Tua (...). Levar tal comboio até Barca de Alva representa um valioso benefício para as populações do Douro, tanto do lado da Beira e distrito da Guarda, como do lado de Trás-os-Montes e distrito de Bragança”.

Ao longo do período em que desempenhou as funções de Governador Civil, o relacionamento com as autoridades espanholas da província de Salamanca inscreveu-se nas suas prioridades de atuação, procurando incrementar contactos oficiais e pessoais, certo de que seria uma excelente fórmula para resolver muitas questões resultantes da convivência fronteiriça.

Na cidade, o seu círculo íntimo de amigos integrava o Dr. João de Almeida e o Dr. João Gomes (advogado, democrata convicto, opositor ao regime e que foi, como é do domínio público, uma das mais prestigiadas e consideradas personalidades políticas no pós-25 de Abril).

Em 1952, Ernesto Pereira deixou a Guarda para tomar posse como Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas, passando a residir em Lisboa, onde, com frequência, recebia os amigos mais chegados, como António Andrade, Ladislau Patrício, e José Domingues Paulo (uma das grandes amizades dos seus últimos anos).

O seu irmão Abel Pereira (conhecido jornalista do Diário Popular) era outra das presenças, frequentes, na sua casa, onde viria a falecer em Julho de 1966.

A figura deste guardense não se pode analisar fora do contexto da sua época, e desarticulada de um conjunto de determinantes pessoais e familiares. Ernesto Pereira é, sem dúvida, um nome grande da Guarda, cidade onde deixou obra feita ou definida; os regulares contactos ou o convívio com personalidades politicamente posicionadas, não significaram, necessariamente, o partilhar de ideias e objetivos, sobretudo quando se tinha um rigoroso conceito de amizade e um espírito de permanente defesa da liberdade de expressão e pensamento.

Era um homem que procurou sempre a verdade, “essa doce miragem que perpetuamente fascina”, como escreveu em 1926.

A cidade de Pinhel tem o seu nome consagrado na toponímia local, o mesmo acontecendo, desde o passado ano, na Guarda; cidade que não deve esquecer esta carismática personalidade do passado século (como advogado, como jornalista, como autarca, como Governador, como Juiz) .

 

H.S.

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publicado às 12:00

GNR deteve 19 pessoas

por Correio da Guarda, em 17.08.17

 

     O Comando Territorial da Guarda, através do Destacamento Territorial de Gouveia deteve, nos dias 7, 8, 11 e 14 de agosto, no concelho de Seia, 19 pessoas, 16 por tráfico de droga e três por posse ilegal de armas, no decorrer de operações de combate à criminalidade.

     Para além das 19 detenções, foram apreendidas diferentes substâncias estupefacientes e armas, e elaborados 25 autos de contraordenação por consumo de estupefacientes, tendo as operações sido materializadas em ações de fiscalização rodoviária.

    Entre o material apreendido constavam 265 doses de haxixe; 23 doses de cocaína; 208 doses de MDMA; 246 gramas de anfetaminas; 59 gramas de liamba; 140 comprimidos de ecstasy; 17 gramas de ketamina; 40 selos de LSD; quatro gramas de cogumelos mágicos; dois aerossóis de defesa; três armas brancas e uma soqueira.

    Presentes ao Tribunal de Seia, os detidos, 15 homens e quatro mulheres, com idades compreendidas entre os 20 e os 50 anos, ficaram sujeitos a termo de identidade e residência

 

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publicado às 20:59

Culpado da crise vai ser julgado na Guarda

por Correio da Guarda, em 29.01.13

 

     Na Guarda vai decorrer, no próximo dia 11 de Fevereiro, o Julgamento e Morte do Galo do Entrudo

     Este espectáculo, anual (que tem atraído milhares de espectadores) decorrerá entre o Jardim José de lemos e a Praça Luís de Camões, a partir das 21h30.

     O ritual expiatório contará uma vez mais com a participação das colectividades do concelho da Guarda e com um conjunto de actores e artistas convidados.

    Sob a coordenação de Américo Rodrigues, o Julgamento e Morte do galo do Entrudo terá os textos de Helder Sequeira e a interpretação de Daniel Rocha, Valdemar Santos, Ivo Bastos, Antónia Terrinha, José Neves e Filipa Teixeira.

Este ano a música original é de José Tavares, o Galo será concebido e construído por Rui Miragaia e o videomapping estará a cargo de Hugo Moreira, Mecca, João Pires e Pedro Baía.

    No final da noite, e após o julgamento e morte do galináceo, a organização distribuirá a habitual canja... de galo.

    De referir que, nesta edição de 2013, a Culturguarda, em colaboração com o FotoClube da Guarda e com a autarquia, vai promover um concurso de fotografia no âmbito do Julgamento e Morte do Galo do Entrudo, cujo regulamento pode ser consultado aqui.

     A Culturguarda lançou, entretanto, um desafio a todos quantos tenham bicicletas para se mascarem e juntarem-se, pelas 21 horas, junto ao Jardim José de Lemos (Guarda), onde a organizaçã0 integrará esses participantes no cortejo que seguirá para a Praça Velha.

    Estão já disponíveis, para venda, os crachás do Julgamento e Morte do Galo do Entrudo para apoiantes e opositores ao galináceo. Podem ser adquiridos na Galeria do Paço da Cultura, no Turismo Guarda, no Café Concerto e na Bilheteira do TMG pela módica quantia de 50 cêntimos!

     O Julgamento e Morte do Galo do Entrudo, que pode ser visto gratuitamente por todos os interessados,  é uma produção da Culturguarda Guarda para a Câmara Municipal da Guarda.

 

 Fonte: Culturguarda

 

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publicado às 00:05

Julgamento do Galo do Entrudo realiza-se na Guarda

por Correio da Guarda, em 10.01.13

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publicado às 13:24


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