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Rua da Torre...

por Correio da Guarda, em 07.05.22

 Porta Torre de Ferreiros GRD .jpg 

 

 

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publicado às 23:10

A propósito de Ernesto Pereira

por Correio da Guarda, em 09.02.22

 

Jornalista, advogado e jurista, Ernesto Pereira nasceu na Guarda a 9 de fevereiro de 1903.

Para a posteridade deixou múltiplos, quanto dispersos, testemunhos das suas observações, análises; sustentadas numa inteligência lúcida e brilhante, num trabalho determinado em prol do desenvolvimento da sua cidade.

Embora o seu espólio não seja muito vasto, legou-nos textos de excelente recorte literário, a par de outros onde emergem as suas convicções, a postura moral, uma personalidade forte, uma cultura vasta.

Licenciado em Direito, a paixão pelo jornalismo cresceu progressivamente, e em paralelo, com a sua dedicação à causa da Guarda; no início de 1926, fundou o jornal a Actualidade, projeto que prosseguiu um ano depois em Pinhel, onde se radicou por motivos de ordem profissional.

Naquela cidade integrou a Comissão Orientadora da Frente Única Republicana, empenhando-se, por outro lado, na revitalização da corporação dos Bombeiros Voluntários. Fundou, na cidade falcão, o Colégio, do qual não pôde ser diretor porque o Ministério da tutela o considerava da oposição ao sistema político vigente.

Como por várias vezes deixou claro, o causídico guardense não era pessoa para desistir perante as contrariedades. “Por mil vezes que a pedra se despenhe, voltarei, com muitos esforços, canseiras e sacrifícios, a empurrá-la. E nunca desistirei – porque nunca desiste o homem verdadeiramente digno desse nome”; uma predisposição que demonstrava também na barra do Tribunal, independentemente da complexidade dos processos, servindo-se das suas qualidades oratórias, em tantas ocasiões postas ao serviço de casos que sabia, à partida, dificilmente seriam remunerados.

Num processo julgado no Tribunal da Guarda, em que eram acusados alguns estudantes por desrespeito a um agente da autoridade, Ernesto Pereira assumiu a defesa dos jovens, sem indagar ou avaliar as possibilidades económicas dos mesmos; dirigindo-se ao Juiz, sustentou que “tão digna é a toga que V. Exª usa como a capa negra de um estudante”.

Depois de uma passagem, profissional, pelo Porto voltou à Guarda onde, a partir de 1942, foi editor da Revista Altitude. Lutou pela criação do Museu da Guarda onde viria a assumir funções diretivas.

Ernesto Pereira -.jpg

Empossado no cargo de Presidente da Câmara Municipal da Guarda em 1946, empenhou-se, desde logo, na construção do Hotel de Turismo, na linha dos argumentos que há muito vinha divulgando acerca da urgência de a cidade se desenvolver do ponto de vista turístico.

Por certo seria a pensar nos potenciais visitantes que, junto da Direção Geral da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, defendeu a “justa regalia de que a Guarda sempre gozou por poder dispor de uma carruagem direta Guarda/Lisboa – regalia que certamente não lhe será negada”.

Os problemas urbanísticos estiveram, igualmente, no rol das preocupações do edil guardense. A localização do Colégio Feminino, o novo Cine Teatro, a regularização do Bairro do Bonfim (e da entrada da cidade por esse lado), a abertura dos arruamentos de acesso à Sé, bem como a urbanização da Guarda-Gare foram assuntos devidamente equacionados junto das entidades por quem passava a sua resolução.

No ano seguinte foi nomeado Governador Civil da Guarda, cargo no decorrer do qual procurou afirmar o distrito e incrementar o seu desenvolvimento através de eixos rodoviários e ferroviários; neste último plano, para além das atenções que dedicou às linhas da Beira Alta e Beira Baixa, defendeu a “necessidade urgente de prolongar até Barca de Alva a marcha do comboio diário que sai do Porto, cerca das 15.55 até ao Tua (...). Levar tal comboio até Barca de Alva representa um valioso benefício para as populações do Douro, tanto do lado da Beira e distrito da Guarda, como do lado de Trás-os-Montes e distrito de Bragança”.

Ao longo do período em que desempenhou as funções de Governador Civil, o relacionamento com as autoridades espanholas da província de Salamanca inscreveu-se nas suas prioridades de atuação, procurando incrementar contactos oficiais e pessoais, certo de que seria uma excelente fórmula para resolver muitas questões resultantes da convivência fronteiriça.

Na cidade, o seu círculo íntimo de amigos integrava o Dr. João de Almeida e o Dr. João Gomes (advogado, democrata convicto, opositor ao regime e que foi, como é do domínio público, uma das mais prestigiadas e consideradas personalidades políticas no pós-25 de Abril).

Em 1952, Ernesto Pereira deixou a Guarda para tomar posse como Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas, passando a residir em Lisboa, onde, com frequência, recebia os amigos mais chegados, como António Andrade, Ladislau Patrício, e José Domingues Paulo (uma das grandes amizades dos seus últimos anos).

O seu irmão Abel Pereira (conhecido jornalista do Diário Popular) era outra das presenças, frequentes, na sua casa, onde viria a falecer em Julho de 1966.

A figura deste guardense não se pode analisar fora do contexto da sua época, e desarticulada de um conjunto de determinantes pessoais e familiares. Ernesto Pereira é, sem dúvida, um nome grande da Guarda, cidade onde deixou obra feita ou definida; os regulares contactos ou o convívio com personalidades politicamente posicionadas, não significaram, necessariamente, o partilhar de ideias e objetivos, sobretudo quando se tinha um rigoroso conceito de amizade e um espírito de permanente defesa da liberdade de expressão e pensamento.

Era um homem que procurou sempre a verdade, “essa doce miragem que perpetuamente fascina”, como escreveu em 1926.

A cidade de Pinhel tem o seu nome consagrado na toponímia local, o mesmo acontecendo, desde o passado ano, na Guarda; cidade que não deve esquecer esta carismática personalidade do passado século (como advogado, como jornalista, como autarca, como Governador, como Juiz) .

 

H.S.

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publicado às 12:00

Rua Francisco de Passos

por Correio da Guarda, em 29.01.22

 

A Rua Francisco de Passos é uma das mais movimentadas artérias da zona histórica da cidade.

O seu nome evoca o Governador Civil da Guarda que desempenhou funções entre 11 de Junho de 1926 e 25 de Agosto do ano seguinte

Embora o nome do primeiro governador do período do Estado Novo lhe tenha sido atribuído, por decisão do executivo municipal da Guarda, é por Rua Direita que muitos a continuam a identificar, privilegiando assim a tradição.

Guarda - Rua Francisco de Passos - HS.jpg

Aqui está uma atitude que reforça, no quotidiano, a importância de uma informação, complementar nas placas toponímicas citadinas (em especial, como é óbvio, nas zonas mais antigas), referenciando a atual e as anteriores designações.

Pinharanda Gomes alertou, numa das suas obras (e igualmente em vários textos) para o facto de que “a conservação dos toponímicos incólumes constitui um ato de prudência e de sapiência porque, ao mudar-se o nome de um lugar, atribuindo-lhe outro nome, porventura aleatório, é como se o nome antigo fosse arquivado e lançado ao esquecimento, pelo que a mudança de nomes censura a memória e perturba os roteiros orientativos”, considerando assim a “restituição da toponímia” um ato “de honestidade cultural, de devolução do património à comunidade”.

Se percorrermos o roteiro citadino, encontramos os mais variados exemplos de mudanças que romperam com a memória do passado.

A Rua Francisco de Passos – Rua Direita – constituiu a principal ligação da urbe medieval, unindo a cidadela do Torreão (também conhecida por Torre Velha da fortaleza, edificada provavelmente no século XII) à Alcáçova existente junto às portas da Covilhã (na zona em frente da Escola de Santa Clara).

Atualmente, a sua extensão está substancialmente reduzida pois este arruamento compreende o troço entre o entroncamento da Rua do Comércio, Praça Luís de Camões, Rua Augusto Gil e o Torreão; estabelece ligação, nomeadamente, com as ruas de D. Dinis, São Vicente, Largo de São Vicente, Rui de Pina e D. Sancho I.

É, sem dúvida, uma rua com história onde encontramos habitações centenárias e o edifício que funcionou (séculos XV e XVI) como Paço Episcopal; ali pode ser apreciada uma janela renascentista, “obra executada pelos artistas que estiveram a decorar a estilização da Sé Catedral, nomeadamente a Capela dos Pinas, no interior deste templo”.

Uma rua que abre outras artérias aos transeuntes, remetendo-os para a (re)descoberta da zona histórica da mais alta cidade portuguesa, unindo passado e presente.

 

Helder Sequeira

 

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publicado às 23:25

Noite na cidade...

por Correio da Guarda, em 04.11.21

Guarda - à noite pb HS.jpg

Guarda. Rua Dom Miguel de Alarcão.

 

 

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publicado às 22:52

Recordar Carolina Beatriz Ângelo...

por Correio da Guarda, em 30.05.21

 

Fundadora da Associação da Propaganda Feminina, Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a exercer, em Portugal, o direito de voto, posicionando-se também num lugar de destaque no quadro europeu, ao nível da intervenção cívica.

Nascida na Guarda, a 20 de Maio de 1877, aqui frequentou o Liceu, a partir de 1891, antes de rumar para Lisboa onde estudou na Escola Politécnica e, dois anos depois, na Escola Médico-Cirúrgica, concluindo o curso de Medicina em 1902. Nesse mesmo ano casou com o médico Januário Barreto, natural de Aldeia do Souto (Covilhã).

Carolina Beatriz Ângelo, para além do facto que a tem envolvido em singularidade e distinção, é conhecida igualmente por ter sido a primeira mulher portuguesa a desenvolver actividade cirúrgica, no Hospital de São José, em Lisboa; naquela cidade teve consultório na Rua do Almada.

Carolina Beatriz Angelo -.jpg

Tendo abraçado desde cedo a causa feminista, onde pontuaram nomes como Maria do Carmo Lopes, Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório e Domitila de Carvalho, entre outras, Carolina Ângelo viria a aderir à Maçonaria; fundadora, e elemento activo, da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas afastou-se, por divergência de princípios com outras dirigentes, e empenhou-se na criação da Associação de Propaganda Feminista, a que, aliás, presidiu.

Foi um período de grande envolvimento na reivindicação do sufrágio feminino e na exigência do reconhecimento dos direitos das mulheres. Em 1911, no mês de Fevereiro, subscreve, juntamente com outras destacadas figuras feministas, um documento – entregue a Teófilo Braga – em que solicita o direito de voto para a mulher, com reconhecida independência económica. Recorde-se que a primeira lei eleitoral da República Portuguesa condicionava o direito de voto aos cidadãos “com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família”.

Em Tribunal argumentou, em favor do exercício do seu direito de voto, com o facto de ser viúva (o marido falecera em Junho de 1910) e “chefe de família”. Em 28 de Abril de 1911, o juiz João Baptista de Castro, considerando que excluir a mulher “é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e da justiça proclamada pelo partido republicano”, sentenciou que “a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral em preparação no lugar e com os requisitos precisos”.

Nesse mesmo ano, a 28 de Maio, e nas eleições para a Assembleia Constituinte, protagonizou o primeiro voto por parte da mulher portuguesa; acto que teve lugar na assembleia eleitoral de S. Jorge de Arroios (Lisboa).

Quando do seu papel de liderança e da sua combatividade em prol dos ideais feministas e republicanos muito havia a esperar, a notícia da morte – a 3 de Outubro de 1911 – de Carolina Ângelo colheu de surpresa mais diversos meios políticos, intelectuais e sociais.

Como escreveu Antonieta Garcia, no seu excelente trabalho “Carolina Beatriz Ângelo – Guarda(Dora) da Liberdade”, a médica guardense “na luta pelo direito ao sufrágio, pela educação feminina, pela emancipação, ergueu a voz, envolveu-se na regeneração do país, na utopia republicana”. Afirmando-se como “mulher de um tempo em devir, moderna, audaz, com talento, com coragem, sabedoria, intuiu que o feminismo não podia ter pressa mas, tacitamente, interveio cultural e politicamente nas res publica, abraçando a causa da igualdade entre os géneros”.

Pioneira do sufrágio feminino, em Portugal, o nome de Carolina Beatriz Ângelo faz parte da toponímia da Guarda e de outros centros urbanos, como Lisboa, Porto, Tavira ou Almada, e foi atribuído também à unidade hospitalar de Loures/Odivelas. A Guarda, contudo, é indissociável desta personalidade que “internacionalizou o feminismo português”.

 A toponímia guardense tem registado (há cerca de duas décadas)  o seu nome numa das ruas da zona outrora pertencente à Quinta do Pinheiro. (H.Sequeira)

 

 

 

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publicado às 23:05

Revista Sabucale

por Correio da Guarda, em 11.05.21

 

No próximo dia 18 de maio vai ser apresentado mais uma número da revista Sabucale, publicação anual do  Museu do Sabugal. A sessão terá lugar, pelas 16 horas, no salão nobre dos Paços do Concelho.

Revista SABUCALE .jpg

Esta edição integra trabalhos como A problemática em torno das estruturas em negativo descobertas no sítio da Matrema IV (Aldeia da Ponte) | Paulo Pernadas; A Vila e o castelo templário de Touro. A propósito dos 800 anos da atribuição do foral | Marcos Osório; Estelas medievais da freguesia da Ramela (Guarda) | António Sá Rodrigues; Os Expostos no concelho do Sabugal | Sara Margarida Vitória Pereira; Alminhas do concelho do Sabugal (novos dados) | Jorge Torres; As tradições da Quaresma no concelho do Sabugal | Armando Matos; A toponímia como Paisagem Linguística e Património Linguístico. Ruivós, no cruzamento de rotas para a Madeira? | Helena Rebelo; Colónia Agrícola de Martim Rei – a primeira experiência da Junta de Colonização Interna | Filipa de Castro Guerreiro e a  Geografia Física aplicada ao território do concelho do Sabugal: principais estudos e referências (ao longo de mais de um século) | Vítor Clamote.
 
A apresentação desta revista coincide com a comemoração do Dia Internacional dos Museus, assinalado a 18 de maio. 
 
 
 
Fonte: CMSabugal
 
 
 

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publicado às 18:00

Ruas da cidade

por Correio da Guarda, em 10.05.21

Guarda - Rua Miguel Alarcão - HS.jpg

Guarda. Rua D. Miguel de Alarcão.

 

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publicado às 22:44

Rua da Torre

por Correio da Guarda, em 08.05.21

Na Rua da Torre - GRD - HS.jpg

Guarda. Rua da Torre.

 

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publicado às 09:03

Rua da Fraternidade

por Correio da Guarda, em 28.11.20

Guarda - Rua da Fraternidade -hs.jpg

Guarda. Rua da Fraternidade

 

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publicado às 18:39

Noite na cidade...

por Correio da Guarda, em 15.11.20

Guarda - Rua D Miguel Alarcão - foto Helder Seque

Guarda. Rua D. Miguel de Alarcão.

 

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publicado às 22:06


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