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Elisabete Gonçalves: a imprensa tem de ser criativa

por Correio da Guarda, em 15.09.22

 

“A imprensa regional terá de ser criativa para se poder continuar a afirmar”. A afirmação é da jornalista Elisabete Gonçalves que em 1997 não hesitou em trocar Lisboa pela Guarda, onde exerce, desde então, a sua atividade profissional.

Reconhecendo que está numa zona com potencialidades, considera, em entrevista ao CORREIO DA GUARDA que é “preciso evidenciar o que tem de melhor o nosso território e criar riqueza na região. Devíamos ser mais ambiciosos e mais reivindicativos”.

Natural da Guarda, estudou na Escola Secundária Afonso de Albuquerque, no Instituto Superior de Administração Comunicação e Empresa (ISACE) e na Escola Superior de Jornalismo do Porto. Iniciou a profissão no Grupo Fórum Estudante, em Lisboa; passou pelo Grupo Ferreira & Bento e regressou à Guarda para integrar a equipa do Jornal Terras da Beira (em 1997). Em finais de 1999 participou na fundação do jornal O Interior, mas ainda nesse ano regressou à redacção do semanário Terras da Beira, onde continua a trabalhar.

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Como ocorreu a sua entrada no jornalismo?

Os primeiros contactos aconteceram ainda estava a estudar jornalismo no ISACE. Tinha um professor que era chefe de redacção do jornal Terras da Beira e comecei a colaborar com pequenos trabalhos.

Foi uma experiência gratificante que me deu ferramentas para ingressar no mercado de trabalho. Tive grande ajuda da parte dos jornalistas que na altura estavam no Terras da Beira.

 

Quais foram as dificuldades iniciais?

Não consigo identificar grandes dificuldades. Quando fiz o estágio profissional no Grupo Fórum Estudante já tinha noções de como me movimentar para procurar informação. As publicações onde eu colaborava lidavam muito com jovens, alguns pouco mais novos do que eu, e com instituições de Ensino Superior. Conhecia um pouco do meio académico e sentia-me segura.

Ainda que estivesse na cidade grande onde quase tudo era desconhecido, o meu espírito explorador e a vontade de conhecer o meio que me rodeava permitiram-me estar bem à vontade.

A experiência foi tão positiva que acabei por ficar a trabalhar por lá.

 

O que acha do atual panorama da imprensa regional? A imprensa regional tem vindo a perder a influência?

Nos últimos anos, a imprensa regional perdeu um pouco do seu espaço. Não só pela evolução do mundo digital, mas também porque fruto das condicionantes económicas tem havido menos investimento nos recursos humanos e materiais dos órgãos de comunicação social. As redacções são cada vez mais reduzidas.

O mercado da publicidade também se alterou e em vez do investimento ser feito na imprensa aposta-se noutro tipo de plataformas. A imprensa regional terá de ser criativa para se poder continuar a afirmar. De uma maneira geral, os mais novos não têm o hábito de ler jornais e muito menos regionais.

 

As redes sociais desviam as atenções tradicionalmente centradas na imprensa?

Sim. A informação está disponível de forma quase instantânea nas redes sociais. Não há que procurar muito. É o facilitismo que afasta os leitores.

Os cidadãos são pouco exigentes e não filtram o que lhes chega através do ecrã. Além de que hoje qualquer pessoa publica informações e não há cuidado de ver se a origem é fidedigna.

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Quais são os principais problemas com que se debatem os profissionais que trabalham na imprensa regional?

A falta de meios e de recursos humanos impede os profissionais de se dedicarem de forma mais profunda a determinados temas.

Há poucas pessoas nas redacções e são necessárias para assegurar aquilo que é essencial nas publicações.

 

Tem havido, em sua opinião, um rejuvenescimento das redações dos jornais?

Não tanto como seria desejável. São necessárias novas ideias, novas perspectivas para que os jornais também acompanhem a realidade e possam ir de encontro às expectativas de outros públicos.

 

Quais os melhores momentos, da sua atividade jornalística, que recorda? E os piores?

Os melhores momentos são sempre aqueles em que vemos que o nosso trabalho tem algum impacto e é reconhecido. Ter a noção de que o nosso artigo suscitou alguma discussão ou contribuiu para que determinado problema tenha sido resolvido é sempre gratificante.

Vivi os piores momentos quando já estava na imprensa regional, mas a experiência ainda era pouca. Na investigação que fazia sobre o caso do falecimento de idosos num lar sem que fosse dado conhecimento aos familiares, acabei por ser eu a dar a notícia a uma das famílias do sucedido.

Outra situação esteve relacionada com maus-tratos a crianças que residiam numa instituição de acolhimento do distrito. Tocou-me muito ouvir o relato das vítimas. Confesso que guardei aquelas lembranças por alguns dias.

 

E qual o trabalho jornalístico que mais gosta de fazer?

Gosto de fazer reportagens. De andar no terreno e de ir à procura de informação sem ter um guião. No meu dia-a-dia gosto especialmente de abordar temas da área da sociedade, nomeadamente as áreas da saúde e da educação.

 

Houve algum projeto que idealizou e não concretizou ainda? E novos projetos?

Tenho alguns sonhos, mas fora da área do jornalismo.  O turismo e a natureza são dois temas que me têm suscitado grande interesse nos últimos anos.

 

Gosta também da fotografia. Esse gosto era anterior à entrada no jornalismo ou iniciou-se com a atividade informativa?

Nunca tinha pensado nisso. Mas de facto o meu interesse pela fotografia está ligado à profissão. Quando comecei a fotografia que acompanhava os trabalhos era da responsabilidade de fotógrafos.

Tanto no Grupo Fórum como depois na imprensa regional as tarefas estavam completamente separadas. A partir de certa altura e fruto também da redução de meios humanos, comecei também a ter de tirar as fotografias para acompanhar os meus artigos.

 

Qual o tipo de fotografia (para além da fotografia documental relacionada com o seu trabalho profissional) prefere?

Gosto de fotografia de paisagem e de património. A natureza e a história são dois temas pelos quais tenho especial interesse.

A fotografia para mim é uma paixão, mas não tenho conhecimentos técnicos. É o gosto genuíno de registar aquele momento, que me parece perfeito e depois também poder partilhar o que vi.

 

Que análise faz do trabalho da comunicação social sediada na região?

Acho que devia ser mais provocadora.

 

O que tem faltado? E o que tem sido positivo?

A comunicação social tem tido um papel importante em determinados assuntos relacionados com o quotidiano das populações do distrito. Trazer à discussão temas esquecidos pelos governos e pelos políticos tem ajudado a pressionar para a sua resolução.

 

Que conselho daria aos jovens que queiram seguir a atividade jornalística, mormente no interior?

Devem seguir essa vontade, tendo a noção de que vão encontrar alguns constrangimentos a nível de recursos. Mas podem também contar com uma actividade gratificante porque vão exercer um jornalismo de proximidade e vão sentir que podem fazer a diferença na vida das populações.

Eu vim de Lisboa para exercer a profissão no interior. Na altura, em 1997, pareceu-me a melhor opção em termos pessoais. Reconheço que poderia ter tido outras oportunidades na carreira, ou não, mas em ponto pequeno acredito que tenho dado o meu contributo.

 

Gosta também de fazer caminhadas. Isso tem levado à descoberta de recantos e encantos da nossa região?

A nossa região tem trilhos e locais fantásticos. É só ter vontade de explorar. A natureza é um bom local para nos ouvirmos. A nós próprios e aos outros. E há sempre algo para descobrir.

No tempo da pandemia a zona do Castro do Tintinolho era das minhas favoritas. Descer a calçada romana desde o Chafariz da Dorna, passando pela nascente do Rio Diz e subir até à zona das eólicas. Depois descer até ao Castro, podendo fazer algumas variantes.

Às portas da cidade é uma óptima área para explorar. É pena que os percursos não estejam devidamente identificados com informação sobre os espaços e locais, nomeadamente sobre o Castro e os troços da calçada romana que ainda existem.

Poderia criar-se um trilho histórico muito interessante. A zona de Vila Soeiro é outra das zonas fantásticas. Nem seria necessário a existência dos Passadiços do Mondego. Os caminhos existentes levam-nos a locais recônditos, encaixados na rudeza do granito e envolvidos pelo curso do rio Mondego.

No distrito há um grande conjunto de locais que merecem uma visita. Entre as novidades está o Miradouro da Faia, no concelho de Pinhel e os Passadiços do Côa, junto ao Museu do Côa. Em Seia, a zona da Mata do Desterro e a praia fluvial dr. Pedro, bem como a zona da Lapa dos Dinheiros são áreas em que a natureza nos envolve em absoluto.

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Que sugestões, ao nível de caminhadas, gostaria de deixar?

Infelizmente, os incêndios de Agosto causaram estragos na paisagem da região e alguns trilhos tornaram-se mais tristes.

Dos trilhos que fiz recentemente destaco a Rota do Vale da Cadela, em Gouveia. Um percurso de experiências diversificadas, que se desenvolve na natureza e que atravessa a malha urbana.

Sugiro também a subida ao baloiço da Rapa pela Serra da Lomba. A paisagem tanto para o lado de Celorico da Beira como para o lado da Guarda é soberba. É das melhores opções para se apreciar o Vale do Mondego. Nesta altura, a paisagem está negra pelo incêndio que ali lavrou recentemente, mas a natureza não tardará a recompor-se.

Com o aproximar do Outono, a Rota das Faias em Manteigas é passagem obrigatória para os amantes das caminhadas e da natureza. O incêndio de Agosto afectou a zona, mas as faias ficaram intactas.

A Serra da Estrela oferece uma panóplia de percursos com variados pontos de interesses, ambientais, históricos e paisagísticos.

 

Como vê o futuro da Guarda e região? O que falta?

Quero acreditar que há futuro. Creio que falta pensar o futuro de uma maneira diferente. É preciso reinventar. Não podemos aspirar a vida de grandes empresas para fixar pessoas. Não se pode projectar o futuro como se projecta para outras zonas do país. Temos de fazer diferente e ser criativos para que os jovens de cá queiram ficar e se fixem novas pessoas.

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As nossas aldeias estão a ficar desertas e perder-se muito do património. Não só o construído. A bandeira tem de ser a qualidade de vida. Se há muitos estrangeiros a fixarem-se na região atrás da qualidade de vida que o território oferece por que é os portugueses não podem seguir o exemplo.

Não temos sabido “vender” as qualidades da nossa região. É preciso evidenciar o que tem de melhor o nosso território e criar riqueza na região. Devíamos ser mais ambiciosos e mais reivindicativos. Somos muito comodistas com aquilo que nos atribuem. Esta região tem valores e devemos não só protegê-los mas também promovê-los. Nós, os que estamos por cá, somos os melhores embaixadores do território.

 

 

 

 

 

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publicado às 22:31

Carlos Martins: a Rádio na vida e na memória

por Correio da Guarda, em 01.02.22

 

 

Embora o trabalho na Rádio não tenha sido a sua atividade principal, Carlos Martins não esquece a marca que as emissões radiofónicas lhe deixaram. “Na rádio fiz sempre o que gostava de fazer. Senti-me realizado. A grande marca teve a ver com as pessoas que faziam a rádio… uma grande família.” Hoje, afastado desse meio, considera que “uma rádio sem pessoas que a escutem é uma rádio com fim à vista”.

Natural da Vela (concelho da Guarda) veio estudar para a cidade quando tinha dez anos; no final da década de 70 iniciou a sua colaboração na Rádio Altitude (RA) , antes de, no início dos anos 80, ter começado a sua atividade profissional no ramo dos Seguros. “Atualmente continuo a exercer a minha atividade como independente e acumulando a situação de pré-reforma [da companhia a que esteve ligado]”, disse-nos Carlos Martins.

Olhando para a cidade onde reside, diz ao CORREIO DA GUARDA que “é urgente fixar empresas na Guarda para criarem empregos fixando os que cá estão e trazer outros do litoral.”

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Como surgiu a Rádio na tua vida?

Era presidente da Associação Estudantes da Escola Secundária Afonso Albuquerque e na altura decidimos propor à Rádio Altitude um programa semanal de 30m onde abordaríamos a actividade estudantil e outros assuntos de interesse para a classe.

Eram colaboradores habituais a Fátima Vitória, a Hermínia Whanon, o Américo Rodrigues e eu. Após um ano de emissões o programa “Rádio Estudantil” termina.

Algum tempo depois, e algures na cidade da Guarda, encontrei o Dr. Virgílio Arderius, elemento da direção da RA, que após uma troca de palavras me propôs fazer um programa sobre livros e literatura. Numa conversa, de corredor, (na Escola Secundária Afonso Albuquerque) com o António José Fernandes e com o António José Teixeira (actual diretor da Informação na RTP) abordei a proposta que me tinha sido apresentada; o António José Teixeira ficou entusiasmado com a ideia e assim, os três, decidimos fazer o programa “Nós e os Livros”.

Como tudo tem um fim também o “Nós e os livros” acabou, sendo que foi um projecto interessantíssimo que nos motivou e de que maneira… A partir daí eu passei para as emissões regulares e o António José Teixeira enveredou pela informação da Rádio Altitude.

 

Como foram as primeiras experiências radiofónicas?

Nas emissões regulares da Onda Média, do Altitude, lembro-me que o primeiro programa que coloquei no ar foi um espaço radiofónico com muita audiência e patrocinado por uma marca de automóveis. Os ouvintes pediam para ouvir as suas músicas preferidas através do telefone 232.

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Quem recordas desses tempos? E como era o ambiente de trabalho?

Nos anos 70 e 80 a rádio era tão importante como qualquer outra instituição da Guarda. O Altitude estava lá e tinha a informação pretendida.

A camaradagem, as relações pessoais eram como a de uma grande família. 

 

Os colaboradores da RA eram convidados, com frequência, para apresentação de espetáculos no distrito. Que lembranças dessa experiência?

As Festas da Cidade da Guarda, os Festivais da Canção de Manteigas, Festivais de Folclore e muitos outros espectáculos contaram com a minha colaboração e de muitos outros colegas da rádio. Ter um apresentador que fosse locutor da Rádio Altitude, na opinião dos organizadores, era sinal de um bom espectáculo em perspectiva.

Recordo aqui uma das peripécias com a “nossa 4L”… fazíamos uma deslocação a Manteigas para mais um festival. Na ida a viagem correu mais ou menos bem (?). No regresso, a altas horas da noite, a viatura movimentava-se, mas a uma velocidade reduzida na estrada sinuosa e em mau estado. Estávamos todos apreensivos com o facto de a gasolina estar a baixar muito rapidamente no reservatório estarmos longe da Guarda.

Depois de 2 horas de viagem conseguimos chegar à entrada da cidade e aí ficou o veículo sem pinga de combustível. No dia seguinte o Antunes Ferreira foi com a Renault 4L ao mecânico e este verificou que a mesma apenas estaria a trabalhar com um ou dois cilindros. A “máquina” tinha razão para não andar e gastar muito combustível...

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Qual foi o período mais desafiante na tua passagem pela RA?

Com a OM e com o FM nos anos 90, depois de ter passado algum tempo pela F, já com a direção do Helder Sequeira; acumulei as funções comerciais e as de locutor (animador de emissão).

 

A parte técnica era também uma das tuas preferências. Colaboravas, com frequência, com o Dr. Martins Queirós, sobretudo a partir de 1990, e também com o Antunes Ferreira. O que recordas? Que episódios gostarias de recordar para os leitores?

Com a frequência modulada no ar, o Dr. Martins Queirós entendeu que a mudança do emissor de Onda Média para um local mais próximo da antena era mais que urgente.

À noite, e depois das 21h, acompanhava o grande obreiro da RA nos trabalhos técnicos para a mudança do emissor. Este trabalho nocturno demorou alguns meses.

Finalmente foi possível mudá-lo e colocá-lo num local amplo e adequado para o efeito. Na altura estava apto a construir um emissor de raiz, tal foi a formação ministrada pelo médico Martins Queirós.

 

Que marca te deixou a Rádio Altitude?

Na rádio fiz sempre o que gostava de fazer. Senti-me realizado. A grande marca teve a ver com as pessoas que faziam a rádio… uma grande família.

 

Qual o programa que te deixou mais saudades?

Não podia ser outro, senão o “Sons da Madrugada”. Diariamente das 7 às 9h, inicialmente com o João Logrado, Helder Sequeira e eu, mais tarde o João foi substituído pelo Albino Bárbara.

Era o nosso despertar…

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Achas que hoje é difícil fazer rádio no interior? E nos tempos da onda média?

As ferramentas atuais são outras. Tudo é mais fácil. O problema está na publicidade, fonte de receita das rádios; esta é cada vez mais diminuta e os pequenos empresários estão com dificuldades económicas.

Não é de estranhar que algumas rádios tenham fechado.

Nos anos 70 e 80 a concorrência era menor. O Altitude não tinha dificuldade em encontrar clientes para publicitar. Em qualquer loja ou casa era a rádio preferida. Existiam audiências consideráveis das emissões.

 

Que desafios se colocam, atualmente, às rádios locais?

Os custos com o pessoal são o maior desafio, as taxas, os custos da energia e a falta de apoios também não ajudam.

Muitas são as rádios que tiveram de reduzir o pessoal, funcionando a maior parte do tempo de forma automática. O contacto com o ouvinte deixa de existir e como tal as audiências evaporam-se. Há tanto por onde escolher…

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Achas que rádio, em geral, tem futuro?

Tudo irá depender da ligação rádio/ouvinte. Uma rádio sem pessoas que a escutem é uma rádio com fim à vista.

É importante prender os ouvintes às emissões, ouvi-los e ter uma programação virada para os temas do quotidiano.

 

O que gostarias de ouvir nas rádios da região?

Pessoalmente gosto de estar informado. Gosto de uma informação credível, de qualidade.

 

O que fazes atualmente?

Afastei-me por razões pessoais da rádio. Depois de trinta e tal anos nos seguros, estou actualmente na situação de pré-reforma.

Como não sou pessoa para ficar parado, abri um escritório de Mediação de seguros na Rua Francisco Pissarra de Matos na Guarda, com a marca da empresa onde trabalhei a Ageas.

 

O que representa para ti a Guarda?

Desde os meus 10 anos que estou na Guarda. Foi aqui que fiz os meus estudos e desenvolvi a minha actividade profissional na área dos seguros. A rádio completava-me.

As pessoas da região cativaram-me. Apesar de fria, o calor humano, as amizades, os desafios, marcam-nos para sempre.

 

Como gostarias de ver a Guarda do futuro?

No futuro imediato é necessário criar condições para a fixação dos nossos jovens. Se estes forem embora para o litoral e para as grandes cidades, a Guarda fica a perder.

É urgente fixar empresas na Guarda para criarem empregos fixando os que cá estão e trazer outros do litoral.

A localização da Guarda, as duas auto estradas e as duas linhas férreas fazem da cidade um ponto estratégico de desenvolvimento, para isso o governo central tem de olhar pelo interior ou não fosse a Guarda a Porta da Europa!

 

 

 

 

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publicado às 11:48

Feliz 2022

por Correio da Guarda, em 31.12.21

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O CORREIO DA GUARDA deseja-lhe um Feliz 2022.

 

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publicado às 18:00

Vídeo Documental sobre o Jarmelo

por Correio da Guarda, em 19.12.21

 

O projeto Rostos da Aldeia acaba de lançar um vídeo documental sobre Jarmelo, no concelho da Guarda. Trata-se do quarto episódio de uma mini-série documental com a qual se pretende valorizar os chamados territórios de baixa densidade, promover o turismo em ambiente rural e estimular a fixação de gente nas aldeias portuguesas.

 

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Foto: Filipe Morato Gomes

O projeto “Rostos da Aldeia”, uma plataforma onde se publicam histórias positivas de todos aqueles que contribuem para que o despovoamento não seja uma tendência inexorável, acaba de lançar o quarto episódio da sua mini-série documental, desta feita sobre Jarmelo (concelho da Guarda), da autoria do multipremiado videógrafo Tiago Cerveira, com banda sonora original do músico e compositor Daniel Pereira Cristo, amante confesso dos instrumentos tradicionais de raiz.

Luísa Pinto, jornalista há mais de 20 anos e mentora do Rostos da Aldeia, afirma que o que se pretende é “documentar a vida nos territórios do interior, com especial enfoque nos habitantes impulsionadores da mudança ou criadores da diferença.”

Pessoas como “Bárbara Moreira, que tem o sonho de criar aldeias sustentáveis e comunidades intergeracionais e interculturais; Mateus Miragaia, o último artesão do país a fazer tesouras para tosquiar de forma artesanal; ou o ex-autarca Agostinho Silva, apaixonado confesso pelo Jarmelo”.

Para além do vídeo documental, a equipa produziu ainda relatos na primeira pessoa que revelam o quotidiano, a rotina, o labor e o amor de que se faz a vida das suas gentes; e ainda um guia prático com o que fazer em Jarmelo, da autoria de Filipe Morato Gomes, o rosto por detrás do conceituado blogue de viagens Alma de Viajante, na esperança que possa servir de inspiração para motivar mais pessoas a visitar a região e a aumentar a duração média das estadas.

Com o objetivo de ter impacto real positivo, a plataforma dispõe também de uma montra online, a partir da qual se direcionam os visitantes para produtos regionais, incluindo os doces e chutneys artesanais criados na aldeia de Ima pela equipa do projeto LAR - Love & Respect e as tesouras para tosquiar feitas pelo ferreiro Mateus Miragaia na aldeia de Donfins.

Depois de Jarmelo, os autores continuarão a percorrer o país de lés a lés, em busca de histórias de pessoas inspiradoras que promovam a divulgação dos seus territórios e motivem novos visitantes e potenciais moradores, estando a próxima paragem marcada para a região do Douro Vinhateiro.

 

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publicado às 00:02

Castelo de Sortelha

por Correio da Guarda, em 17.12.21

Castelo Sortelha - fot Helder Sequeira.jpg

 

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publicado às 23:43

Castelo de Sortelha

por Correio da Guarda, em 11.12.21

Castelo de Sortelha - Sabugal - HS.jpg

 

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publicado às 00:01

Castelo de Sortelha

por Correio da Guarda, em 28.11.21

Sortelha - foto HS.jpg

 

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publicado às 23:06

"Abeirar" a rocha na cidade mais alta

por Correio da Guarda, em 08.10.21

 

Na Guarda vai decorrer no próximo dia 16 de outubro, a partir das 9h30, mais uma atividade do ciclo de eventos “Abeirar” que, desde a Primavera, está a percorrer os 15 concelhos da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE). Esta iniciativa é desenvolvida está a ser desenvolvida numa sequência de três temporadas, cada uma dedicada a um tema central para este território: água, céu e rocha.

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À Guarda, através da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (BMEL), foi atribuído o tema “A Rocha”, desenvolvendo-se o projeto da BMEL ao longo de um percurso que se iniciará na Torre de Menagem a partir da qual será percorrida, em observação, a sua envolvente “e entender que fenómenos naturais estiveram na origem da ocupação humana através dos diferentes aspetos geológicos e geomorfológicos, históricos e literários.

“Este Roteiro – como foi referido pela Organização – pretende introduzir pela primeira vez, de forma simples e acessível a todos, uma primeira abordagem da Grande História da Guarda, contando acontecimentos importantes, muito antes da existência da Humanidade e até dos Dinossauros no Planeta que explicam a razão da Guarda estar onde está e ser como é. O percurso culminará no cemitério local, onde se irão identificar e compreender as diferentes rochas utilizadas na construção dos jazigos. Serão também homenageados poetas e escritores e abordada a história recente da cidade. Durante a caminhada seremos sempre inspirados por excertos literários de autores locais, pela observação e explicação da envolvente geológica do percurso e pela interpretação histórica dos espaços a percorrer.”

O roteiro será orientado  por Anabela Matias, Dulce Helena Borges e Elsa Salzedas, tendo um número limitado de inscrições.

De referir que o ciclo “Abeirar” é um “convite à curiosidade, à exploração e à descoberta dos recursos do território das Beiras e Serra da Estrela. É um trilhar pelo território, no cruzamento entre a literatura e a ciência. É um apelo à participação conjunta de cidadãos/ãs, artistas e cientistas, pela construção de conhecimento e pela preservação e valorização do território com o objetivo de transformar cada cidadão em embaixador e promotor de um bem comum, que é o território.”

 

Fonte: CMG

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publicado às 12:00

Portas do passado...

por Correio da Guarda, em 31.05.21

Portas do Passado - HS.jpg

 

 

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publicado às 23:39

Manuel Ferreira: paixão pela fotografia e pela Serra

por Correio da Guarda, em 06.05.21

 

 

De raízes nas profundezas da Serra da Estrela, Manuel Ferreira alia o gosto pelas paisagens da montanha aos registos fotográficos que vai realizando aquando das suas incursões, tendo como aliados a sua proximidade ao meio e o seu conhecimento científico, proveniente da licenciatura em geografia.

É na alma e no silêncio da serra, onde a natureza impera que Manuel Ferreira – com quem o CORREIO DA GUARDA conversou – encontra a sua inspiração, construindo dessa forma o portfólio exposto.

É um observador assumido, de olhar atento ao meio envolvente, que faz da fotografia a sua melhor forma de se expressar, refletindo um trabalho de paixão e evolução contínua, onde as redes sociais são o principal canal de divulgação e projeção.

A consagração surge através dos resultados alcançados nos diversos concursos fotográficos nacionais e internacionais, confirmando assim a qualidade dos registos efetuados. Embora não sendo a sua principal atividade, na Escola Profissional da Serra da Estrela Manuel Ferreira desempenha o papel de formador do módulo de fotografia e orienta diversos workshops no âmbito desta temática.

Fotógrafo oficial do Geopark Estrela, durante o primeiro ano da candidatura, publica em vários sites de referência na especialidade.

Manuel Ferreira - fotógrafo.jpg

Como e quando surgiu o interesse pela fotografia?

O interesse pela fotografia surge durante a formação académica, da necessidade de registar conteúdos programáticos em diversas cadeiras da Licenciatura de Geografia (2001-2005).

Entretanto, por motivos pessoais e profissionais, a fotografia passa para um segundo plano e só mais tarde no ano de 2013 volta a despertar esse meu interesse, quando numa noite por coincidência tive que ser “fotógrafo de serviço” na cobertura de um evento.

 

Que géneros de fotos prefere? Paisagem, retrato?...

Sem qualquer dúvida, paisagem e natureza com um gosto especial pela astrofotografia.

A fotografia social, tem surgido por vezes como um desafio e aprecio a oportunidade de captar as emoções e sentimentos que se fazem sentir durante os eventos.

 

A Serra da Estrela continua a ser cenário de inspiração?

A Serra da Estrela, com ou sem máquina é sempre inspiradora, pela ligação umbilical, pelas paisagens únicas, mas principalmente pela luz e a dinâmica que tem no relevo montanhoso. E claro, não esquecendo a serenidade que me transmite.

Serra - foto de Manuel Ferreira -.jpg

O que gosta mais de fotografar na Serra?

Prefiro a questão ao contrário: Só não gosto de fotografar na Serra se estiver céu totalmente azul, a luz muito intensa não permite mostrar certos detalhes.

No entanto, há duas épocas que me fascinam, o Outono pelos tons que as encostas da montanha ganham nessa altura do ano e o Inverno na expetativa que alguns dias de meteorologia mais agreste crie cenários únicos que permitam fazer trabalhos distintos de qualquer outro lugar de Portugal.

 

Qual tem sido a reação das pessoas às suas fotos?

Provavelmente as opiniões dividem-se, mas o que faço e como o mostro, é como eu o vi ou imaginei, no entanto as opiniões que me chegam são positivas e de agrado pela forma como retrato e divulgo a Serra.

 

Serra da Estrela - Fot Manuel Ferreira -2.jpg

 

Os prémios que tem recebido constituem um incentivo para novos trabalhos?

Os prémios acima de tudo geram uma maior responsabilidade, estimulam a vontade de fazer ainda mais e melhor e se forem monetários ajudam nas despesas.

 

Qual foi a distinção que mais gostou de receber?

Há sempre um sentimento especial e de gratidão em cada uma, não conseguindo distinguir, apenas diferenciar quando analiso os restantes trabalhos de outros fotógrafos que se propõem a essa distinção.

 

O digital incrementou, junto das pessoas em geral, o gosto pela fotografia?

Considero que há uma diferença entre imagens e fotografia, sendo que o digital facilitou o acesso à imagem, em relação à fotografia, o assunto é diferente, mas com certeza que estimulou um maior número de pessoas que o analógico, por ser muito mais económico e instantâneo. Mas não confundamos imagem com fotografia.

 

Fazer fotografia implica uma permanente atualização dos equipamentos?

Na minha opinião, não, metaforicamente falando, consoante o poder económico de cada indivíduo, é importante saber escolher a gama do veículo, para o género e tamanho da viagem que necessitamos de realizar.

As marcas e o mercado “criam-nos necessidades” que por vezes não temos assim tanta necessidade, é importante saber filtrar.

 

Os preços dos equipamentos são hoje mais acessíveis?

Da experiência que tenho em aquisições, os preços mantêm-se quando nos estamos a referir a equipamentos com o mesmo patamar de qualidade, ou seja os topos de gama entram no mercado com preços muito semelhantes aos lançados já anteriormente.

 

Para além das iniciativas que tem havido, na área de fotografia, o que podia ser ainda feito para aproximar o público em geral dos trabalhos fotográficos aqui produzidos?

Sem dúvida que é um grande desafio, mas passa pela sensibilização e motivação cultural das camadas mais jovens, porque na diversidade e qualidade de eventos que se realizam, não vejo motivos para existir esse afastamento.

 

Tem algum episódio curioso, ou que lhe tenha deixado boas recordações, no decorrer da sua atividade fotográfica?

Diversos, dos quais os que mais me entusiasmam são a convivência com os pastores que vou encontrando pela Serra, são pessoas cheias de histórias que me transportam para o Mundo deles, momentos esses em que troco a máquina pela conversa e me deixo levar pelas infindáveis histórias e sabedoria que me transmitem.

 

E episódio menos agradável?

Sentir que uma entidade relacionada com a Serra da Estrela com a qual colaborei na cedência de fotografias para a sua divulgação durante algum tempo, de forma gratuita, após ter conseguido financiamento, dispensaram a minha colaboração por discórdia em relação aos direitos autorais, mas que posteriormente não os verifiquei nos restantes trabalhos que divulgam.

foto de Manul Ferreira.jpg

 

Que projetos tem, no campo da fotografia?

Tenho dois a decorrer há já algum tempo, são projetos de longo prazo onde o mote principal é a componente humana relacionada com as “lides serranas”, mas que por enquanto não vou revelar.

 

 

 

 

 

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