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Salvaguardar as tradições teatrais...

por Correio da Guarda, em 18.04.19

 

   A localidade de Pousade, no concelho da Guarda, revive esta semana a sua tradição do teatro religioso.

  Amanhã será representada “A última Ceia”, um espetáculo comunitário encenado por Daniel Rocha, que envolve muitos dos habitantes daquela aldeia. Recorde-se que ali foi desenvolvido um inegável e meritório esforço com vista à salvaguarda e divulgação do teatro religioso popular.

  Este género de teatro, com raízes profundas naquela localidade, foi alimentado ao longo de décadas pela imaginação e improvisação de algumas pessoas de Pousade, que concebiam peças para serem apresentadas em datas marcantes do calendário cristão, como sejam o Natal e a Páscoa.

    Muitas delas eram transmitidas oralmente e corriam o risco de se perderem; daí que, há anos atrás, se tenha pensado, e bem, em verter para o papel os conteúdos dessas produções, facilitando-se igualmente o respetivo conhecimento e a possibilidade de as tornar objeto de estudo e investigação.

   “A Paixão”, “Acto de Adão e Eva”, “O Nascimento de Jesus Cristo”, “A Morte de Antípatro”, “A Vingança de Enoe” e “Mártires da Germânia” são elucidativos exemplos dessas representações populares, onde “um enorme capital de esforço, de trabalho e dedicação”, como nos foi afirmado.

   Daí que tenha sido importante o trabalho, mormente de João Marques e outros seus conterrâneos, de “sensibilizar a população para que fosse retomada uma tradição que se perde no tempo” – há, naquela aldeia, manuscritos de 1898 com peças de cariz religioso e popular – objetivo conseguido, como a progressiva adesão do público a estas representações.

   O teatro popular foi uma das temáticas que entusiasmou José Miguel Carreira Amarelo que, como não poderia deixar de ser, olhou com particular atenção para as tradições de Pousade, editando dois volumes sobre o Teatro Popular. “O teatro popular é um continuum que nunca foi abolido pelo teatro erudito de qualquer movimento literário”.

  José Carreira Amarelo procurou, como escreveu na apresentação do primeiro dos livros, “salvar do naufrágio do esquecimento e da perda uma pequena parcela da nossa cultura popular e regional”, destacando, por outro lado, “a perenidade e prevalência do teatro de cariz popular a par de um outro de carácter institucional”.

   Nesse seu trabalho, Carreira Amarelo anotou que “de norte a sul do país, em Trás-os-Montes como nas Beiras, no continente e nas ilhas subsistem, ainda hoje, representações populares dramáticas, de carácter didáctico e formativo, de índole religiosa e profana, ora com objectivos apenas recreativos, ora com fins satíricos e moralizadores”.

   Nesta quadra da Quaresma em que são promovidas diversificadas encenações ou representações sobre a temática e tradições religiosas associadas, é oportuno não olvidar as especificidades locais e regionais, realçando-as as suas raízes ancestrais e a matriz cultural; assim como é justo evocar a investigação e a recolha atrás mencionadas que devem suscitar novos estudos e abordagens, conducentes a publicações que se afirmem com uma mais valia em prol da salvaguarda da nossa cultura regional.

 

 (in O INTERIOR, 18-04-2018)

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publicado às 22:59

Homenagem a José Carreira Amarelo

por Correio da Guarda, em 08.10.08

 

          Na Vela, concelho da Guarda, vai realizar-se, no próximo dia 26 de Outubro de 2008, uma homenagem ao Dr. José Miguel Carreira Amarelo, a qual terá início pelas 14 horas.

Com o seu falecimento, em 12 de Dezembro de 2000, a Guarda perdeu um incansável investigador, um dedicado estudioso da cultura regional.
Para além da sua, reconhecida e apreciada actividade como sacerdote, José Miguel Carreira Amarelo, com a sua simplicidade, com uma permanente disponibilidade e evidentes qualidades humanas, sobressaiu como docente e como homem de cultura.
 
 
Terá, para muitos, passado desapercebido; mas embora não se negasse à colaboração tantas vezes solicitada pelos orgãos de informação locais e regionais, declinava sempre os protagonismos mediáticos ou as luzes da ribalta, optando antes pela entrega ao trabalho quotidiano, nas várias frentes do seu labor.
No capítulo do ensino a sua presença ficou bem firmada, como podem confirmar múltiplos e insuspeitos testemunhos. Aliás, ao longo do seu percurso académico, José Miguel Amarelo deixou indeléveis marcas da sua forma de ser e outrossim do seu saber, entregando-se à descoberta constante dos valores e expoentes culturais desta região
O teatro popular foi uma das temáticas que o entusiasmou, com particular incidência nas tradições de Pousade, uma conhecida freguesia do concelho da Guarda. Com dois volumes editados sobre o Teatro Popular, procurou, como escreveu na apresentação do primeiro dos livros, “salvar do naufrágio do esquecimento e da perda uma pequena parcela da nossa cultura popular e regional.”
Num rápido esboço, recordamos o seu contributo para a divulgação da obra do autor da “Balada da Neve”; através de uma oportuna edição do Museu da Guarda, anotou o livro “Augusto Gil – Cartas de Amor”, revelando parte do espólio lírico daquele poeta, até então desconhecido.
Naturalmente que não cabe neste despretensioso apontamento, nem é esse o intuito, a descrição do perfil de José Carreira Amarelo.  Nestas breves anotações, aproveitamos para relembrar que depois de ter deixado a Direcção da Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico da Guarda, onde continuava a leccionar, centrava a sua particular atenção numa obra sobre “As Pastorais dos Bispos da Guarda”, a tese de doutoramento que iria discutir, e a qual constitui um importante documento histórico-cultural da região, mormente sobre o período temporal escolhido.
Este trabalho não pode ser olvidado e merece a adequada e merecida divulgação, pois, para além do seu valor específico, perpetuará a memória do seu autor e será um acto de justiça perante o demorado trabalho de investigação que precedeu a sua elaboração.
         Diremos, entretanto, que com a publicação da tese de doutoramento de Carreira Amarelo beneficiará, inquestionavelmente, esta região; a cultura e a história regional. Espera-se que este trabalho não tenha sido em vão e suscite a merecida e devida atenção.
                                                                                             Helder Sequeira

 

 

 

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publicado às 20:12


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