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Prova de Enduro BTT em Cadafaz

por Correio da Guarda, em 03.06.21

 

Enduro_ Associação Solidariedade de Cadafaz © (

                                                                                                                                                                               Foto: ASC

A aldeia de Cadafaz, no concelho de Celorico da Beira, recebe nos próximos dias 5 e 6 de junho, a prova de Enduro BTT - Aldeias de Montanha, um evento desafiante com uma forte componente solidária e ambiental. Por cada participante, há uma árvore autóctone que vai nascer.

Este evento materializa o espírito solidário e comunitário dos habitantes de Cadafaz e Rapa que, através da Associação de Solidariedade do Cadafaz, promovem ações de limpeza nos trilhos e caminhos percorridos pela prova, atuando assim enquanto agentes de mitigação do risco de incêndio florestal e contribuindo para uma melhor mobilidade nos caminhos que servem os agricultores e pastores locais.

Para as entidades envolvidas, Associação de Solidariedade de Cadafaz, o Município de Celorico da Beira, União das Freguesia de Rapa e Cadafaz e Rede de Aldeias de Montanha, esta prova de Enduro BTT - Aldeias de Montanha deve ser mais de que um mero acontecimento desportivo, apenas se concretiza na sua plenitude se estiver verdadeiramente conectada com os valores ambientais presentes, respeitando a identidade da aldeia e a biodiversidade local.

Por esse motivo, a Rede de Aldeias de Montanha, numa iniciativa aberta à comunidade e aos participantes da prova, oriundos das diversas geografias nacionais, compromete-se a plantar nos baldios da freguesia, uma árvore da flora autóctone por cada participante.

Esta é uma iniciativa que visa envolver diretamente os participantes, uma vez que na próxima primavera, todos serão convidados a participar numa ação de reflorestação, que proporcionará um dia memorável numa Aldeia de Montanha em contacto com a natureza e as suas gentes.

Enduro 2.jpg

                                                                                                                                                                              Foto: ASC

A prova de Enduro BTT - Aldeias de Montanha, que integra o programa oficial da modalidade da Federação Portuguesa de Ciclismo, acontece no BIKEPARK Cadafaz -Rapa. Este compreende vários traçados off-road que, pela sua diversidade de trilhos, morfologia do terreno e altimetria, proporcionam uma experiência disruptiva e desafiante aos participantes. O traçado realça não só as qualidades técnicas e físicas do BTT / All-Mountain, mas também as arrebatadoras paisagens da Serra da Estrela.

Apostar num turismo regenerativo, capaz de transformar por via da interação do visitante no local, com impacto no território, é o propósito da Rede de Aldeias de Montanha e das entidades que, de forma integrada, definiram este verdadeiro Plano de Ação que tem como principal objetivo acrescentar valor ao território.

Esta ação integra o Plano de Animação da Rede de Aldeias de Montanha, no âmbito da Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE iNATURE, cofinanciado pelo Centro 2020.

 

 

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publicado às 09:30

Manuel Ferreira: paixão pela fotografia e pela Serra

por Correio da Guarda, em 06.05.21

 

 

De raízes nas profundezas da Serra da Estrela, Manuel Ferreira alia o gosto pelas paisagens da montanha aos registos fotográficos que vai realizando aquando das suas incursões, tendo como aliados a sua proximidade ao meio e o seu conhecimento científico, proveniente da licenciatura em geografia.

É na alma e no silêncio da serra, onde a natureza impera que Manuel Ferreira – com quem o CORREIO DA GUARDA conversou – encontra a sua inspiração, construindo dessa forma o portfólio exposto.

É um observador assumido, de olhar atento ao meio envolvente, que faz da fotografia a sua melhor forma de se expressar, refletindo um trabalho de paixão e evolução contínua, onde as redes sociais são o principal canal de divulgação e projeção.

A consagração surge através dos resultados alcançados nos diversos concursos fotográficos nacionais e internacionais, confirmando assim a qualidade dos registos efetuados. Embora não sendo a sua principal atividade, na Escola Profissional da Serra da Estrela Manuel Ferreira desempenha o papel de formador do módulo de fotografia e orienta diversos workshops no âmbito desta temática.

Fotógrafo oficial do Geopark Estrela, durante o primeiro ano da candidatura, publica em vários sites de referência na especialidade.

Manuel Ferreira - fotógrafo.jpg

Como e quando surgiu o interesse pela fotografia?

O interesse pela fotografia surge durante a formação académica, da necessidade de registar conteúdos programáticos em diversas cadeiras da Licenciatura de Geografia (2001-2005).

Entretanto, por motivos pessoais e profissionais, a fotografia passa para um segundo plano e só mais tarde no ano de 2013 volta a despertar esse meu interesse, quando numa noite por coincidência tive que ser “fotógrafo de serviço” na cobertura de um evento.

 

Que géneros de fotos prefere? Paisagem, retrato?...

Sem qualquer dúvida, paisagem e natureza com um gosto especial pela astrofotografia.

A fotografia social, tem surgido por vezes como um desafio e aprecio a oportunidade de captar as emoções e sentimentos que se fazem sentir durante os eventos.

 

A Serra da Estrela continua a ser cenário de inspiração?

A Serra da Estrela, com ou sem máquina é sempre inspiradora, pela ligação umbilical, pelas paisagens únicas, mas principalmente pela luz e a dinâmica que tem no relevo montanhoso. E claro, não esquecendo a serenidade que me transmite.

Serra - foto de Manuel Ferreira -.jpg

O que gosta mais de fotografar na Serra?

Prefiro a questão ao contrário: Só não gosto de fotografar na Serra se estiver céu totalmente azul, a luz muito intensa não permite mostrar certos detalhes.

No entanto, há duas épocas que me fascinam, o Outono pelos tons que as encostas da montanha ganham nessa altura do ano e o Inverno na expetativa que alguns dias de meteorologia mais agreste crie cenários únicos que permitam fazer trabalhos distintos de qualquer outro lugar de Portugal.

 

Qual tem sido a reação das pessoas às suas fotos?

Provavelmente as opiniões dividem-se, mas o que faço e como o mostro, é como eu o vi ou imaginei, no entanto as opiniões que me chegam são positivas e de agrado pela forma como retrato e divulgo a Serra.

 

Serra da Estrela - Fot Manuel Ferreira -2.jpg

 

Os prémios que tem recebido constituem um incentivo para novos trabalhos?

Os prémios acima de tudo geram uma maior responsabilidade, estimulam a vontade de fazer ainda mais e melhor e se forem monetários ajudam nas despesas.

 

Qual foi a distinção que mais gostou de receber?

Há sempre um sentimento especial e de gratidão em cada uma, não conseguindo distinguir, apenas diferenciar quando analiso os restantes trabalhos de outros fotógrafos que se propõem a essa distinção.

 

O digital incrementou, junto das pessoas em geral, o gosto pela fotografia?

Considero que há uma diferença entre imagens e fotografia, sendo que o digital facilitou o acesso à imagem, em relação à fotografia, o assunto é diferente, mas com certeza que estimulou um maior número de pessoas que o analógico, por ser muito mais económico e instantâneo. Mas não confundamos imagem com fotografia.

 

Fazer fotografia implica uma permanente atualização dos equipamentos?

Na minha opinião, não, metaforicamente falando, consoante o poder económico de cada indivíduo, é importante saber escolher a gama do veículo, para o género e tamanho da viagem que necessitamos de realizar.

As marcas e o mercado “criam-nos necessidades” que por vezes não temos assim tanta necessidade, é importante saber filtrar.

 

Os preços dos equipamentos são hoje mais acessíveis?

Da experiência que tenho em aquisições, os preços mantêm-se quando nos estamos a referir a equipamentos com o mesmo patamar de qualidade, ou seja os topos de gama entram no mercado com preços muito semelhantes aos lançados já anteriormente.

 

Para além das iniciativas que tem havido, na área de fotografia, o que podia ser ainda feito para aproximar o público em geral dos trabalhos fotográficos aqui produzidos?

Sem dúvida que é um grande desafio, mas passa pela sensibilização e motivação cultural das camadas mais jovens, porque na diversidade e qualidade de eventos que se realizam, não vejo motivos para existir esse afastamento.

 

Tem algum episódio curioso, ou que lhe tenha deixado boas recordações, no decorrer da sua atividade fotográfica?

Diversos, dos quais os que mais me entusiasmam são a convivência com os pastores que vou encontrando pela Serra, são pessoas cheias de histórias que me transportam para o Mundo deles, momentos esses em que troco a máquina pela conversa e me deixo levar pelas infindáveis histórias e sabedoria que me transmitem.

 

E episódio menos agradável?

Sentir que uma entidade relacionada com a Serra da Estrela com a qual colaborei na cedência de fotografias para a sua divulgação durante algum tempo, de forma gratuita, após ter conseguido financiamento, dispensaram a minha colaboração por discórdia em relação aos direitos autorais, mas que posteriormente não os verifiquei nos restantes trabalhos que divulgam.

foto de Manul Ferreira.jpg

 

Que projetos tem, no campo da fotografia?

Tenho dois a decorrer há já algum tempo, são projetos de longo prazo onde o mote principal é a componente humana relacionada com as “lides serranas”, mas que por enquanto não vou revelar.

 

 

 

 

 

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publicado às 00:01

CIMfonia na região

por Correio da Guarda, em 30.04.21

 

A CIMfonia será o primeiro grande evento de 2021 integrado nos projetos "Festival Cultural da Serra da Estrela, das Beiras e da Raia Histórica", que visam promover a itinerância cultural no território, dando assim continuidade à iniciativa “Cultura em Rede das Beiras e Serra da Estrela”, criada entre 15 municípios e a Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE).

Ao todo serão 17 concertos itinerantes dirigidos por orquestras nacionais e que irão percorrer todo o território das Beiras e Serra da Estrela e ainda nos municípios de Aguiar da Beira e Vila Nova de Foz Côa. Paralelemente irão decorrer masterclasses de artes performativas, como a fotografia, a literatura ou a arquitetura.

A CIMfonia é o culminar de todo um trabalho de cooperação e de construção de sinergias entre 15 Municípios e a CIM-BSE numa estratégia clara de afirmação cultural, de visibilidade e notoriedade externa do território e de divulgação de todo o seu potencial turístico e económico constante do projeto geral "Festival Cultural da Serra da Estrela, das Beiras e da Raia Histórica".

No âmbito da CIMfonia vão estrear 17 concertos dirigidos por orquestras nacionais que poderão ser vistos, em itinerância, nos 15 municípios da CIM-BSE e nos Municípios de Aguiar da Beira e Vila Nova de Foz Côa entre os meses de maio e novembro de 2021.

A Orquestra Filarmónica Portuguesa e Raquel Camarinha estreia na Guarda, a 9 de maio, o palco da CIMfonia. No dia 28 de maio será a vez do Toy Ensemble visitar Trancoso; a 10 de junho, em Gouveia, atuam João Barradas e o Quarteto de Cordas da Orquestra Sinfónica de Gouveia; 20 de junho Belmonte recebe Drumming Grupo de Percussão; 26 de junho, Pinhel conta com a prestação de Júlio Resende, Valéria Carvalho e a Banda Filarmónica de Pinhel; 6 de julho em Figueira de Castelo Rodrigo e dia 30 de julho, em Celorico da Beira, será a vez do concerto da Toy Ensemble; 31 de julho no Fundão atuam Les Secrets des Roys.

No mês de agosto a IAN e a Filarmónica de Manteigas marca presença dia 13 em Manteigas; dia 27 em Fornos de Algodres sobem ao palco da CIMfonia Filipe Raposo e Rita Maria e dia 28 Aguiar da Beira recebe Valéria com “Fado Português”.

O mês de setembro terá os seguintes concertos: Covilhã recebe dia 4 o maestro Rui Massena; Mêda a 9, Sabugal a 10, Seia a 11 e Vila Nova de Foz Côa a 12 do mesmo mês terão em palco a Orquestra Académica Filarmónica Portuguesa. O último concerto desta iniciativa acontecerá no dia 21 de novembro em Almeida com a atuação da Rare Folk.

A CIMfonia está diretamente associada à candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura 2027 e ao compromisso conjunto assumido por 18 parceiros, a CIM-BSE, os 15 Municípios da região das Beiras e Serra da Estrela e ainda os Municípios de Vila Nova de Foz Côa e de Aguiar da Beira na implementação de uma estratégia e plano de ação que contribua para fortalecer o posicionamento da candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura.

Pretende-se com esta ação projetar a nível nacional e internacional o Território, valorizar a identidade, a memória, a tradição e a história da região e projetá-la para uma dimensão europeia e mundial. Esta programação cultural visa a dinamização de parcerias com agentes e instituições culturais nacionais e internacionais, tendo na base a articulação de uma estratégia cultural que incentive o empreendedorismo, a inclusão social, o património histórico, o turismo, a educação na Região das Beiras e Serra da Estrela.

Paralelamente aos concertos serão dinamizadas masterclasses que irão privilegiar a interligação com outras artes performativas, como a literatura, o paisagismo, a arquitetura, a fotografia, numa vertente elucidativa e pedagógica na preservação do património cultural e histórico.

 

Bolsa artística para artistas e grupos locais

 

A “Bolsa Artística para a Itinerância Cultural” assenta num conceito de colaboração e cooperação entre os Municípios que compõem a Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela que se unem com o desígnio de afirmar a cultura identitária das Beiras e Serra da Estrela. Pretende-se assim projetar os artistas e a cultura local de cada território a uma escala intermunicipal, fomentar a retoma da fruição cultural e turística garantindo o cumprimento das normas emanadas pela DGS, estimular a dinamização da economia e da retoma turística das Beiras e Serra da Estrela.

image010.jpg

Estas bolsas artísticas não só visam incrementar a economia local e dar um novo alento aos agentes culturais locais, mas também promover uma maior participação da comunidade na vida cultural, na formação de novos públicos e na itinerância de espectadores que fortalecem os laços comunitários a nível intermunicipal.

Abrange três fases: a primeira de promoção e lançamento de um concurso de ideias que decorre entre 17 de maio e 31 de outubro em simultâneo nos 15 Municípios com seleção dos 15 melhores programas/projetos artísticos; a segunda fase para ensaios e preparação dos espetáculos; a última fase de apresentação dos 75 espetáculos, 5 espetáculos por município.

 

 

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publicado às 08:30

Serra da Estrela

por Correio da Guarda, em 23.01.21

Serra da Estrela - Portugal - foto Helder Sequeira

Serra da Estrela. 

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publicado às 14:32

As Cores da Estrela

por Correio da Guarda, em 15.12.20

 

No Posto de Turismo de Seia está patente até 31 de dezembro a exposição fotográfica "As Cores da Estrela".

Trata-se de uma exposição coletiva da Associação de Arte e Imagem.

As cores da Estrela.jpg

 

 

 

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publicado às 23:38

Serra da Estrela

por Correio da Guarda, em 07.11.20

serra da estrela HS.jpg

 

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publicado às 22:09

Cinema ambiental da Serra da Estrela

por Correio da Guarda, em 19.10.20

Cine ECO.jpg

Em Seia decorreu de 10 a 17 de outubro a  26.ª edição do CineEco - Festival Internacional de Cinema ambiental da Serra da Estrela.
“O Que Arde“, do realizador francês Oliver Laxe, foi o vencedor do Grande Prémio Ambiente – Município de Seia, na Competição Internacional de Longas-Metragens. A narrativa assenta na Natureza e é uma parábola rural vivida numa aldeia aninhada nas montanhas da Galiza, que se depara com um fogo florestal, após o regresso à comunidade de um condenado.
Na Competição Internacional de Curtas-Metragens, a animação portuguesa “O Peculiar Crime do Sr. Jacinto”, de Bruno Caetano, arrecadou o “Prémio Educação Ambiental – Associação Mares Navegados”.
A próxima edição do CineEco vai decorrer de 9 a 16 de outubro de 2021, na cidade de Seia.
 
Fonte e Foto: CMSeia
 
 

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publicado às 07:25

Festival Internacional de Cinema Ambiental

por Correio da Guarda, em 01.09.20

 

Em Seia vai decorrer de 10 a 17 de outubro a vigésima sexta edição do CineEco - Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela.

O CineEco é o único festival de cinema em Portugal, dedicado à temática ambiental, no seu sentido mais abrangente. Organizado pelo município de Seia decorre anualmente, naquela cidade, desde 1995.

De acordo com a organização, a Casa Municipal da Cultura de Seia, onde irá decorrer o festival, vai estar preparada para acolher o público seguindo as regras de segurança, distanciamento e lotação das salas. Os interessados podem obter mais informações aqui.

CineECO 2020.jpg

 

 

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publicado às 23:38

Repensar o "espírito da Guarda"

por Correio da Guarda, em 16.07.20

 

Agendada inicialmente para junho do passado ano e posteriormente com nova marcação para 2020, a próxima cimeira luso-espanhola será realizada na Guarda (como O Interior dava conta na sua última edição), “no final de setembro, princípio de outubro”.

A “estratégia comum de desenvolvimento transfronteiriço” será um dos pontos principais da ordem de trabalhos deste encontro para o qual foi anunciada a análise de medidas que possam robustecer os territórios transfronteiriços de forma a “podermos sair desta crise”, nas palavras do primeiro-ministro português.

Curiosamente, a Guarda volta a ser palco de um encontro luso-espanhol a realizar num contexto de crise; com perfil diferente é certo, mas que reporta de novo a uma associação da cidade mais alta de Portugal à definição de novos entendimentos e rumos por parte dos dois países ibéricos.

De recordar – tal como aqui assinalámos há dois anos atrás – que a Guarda recebeu em 1976 uma importante cimeira em que estiveram os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Espanha, respetivamente Melo Antunes e José Maria Areílza.

A cidade esteve no centro das atenções informativas, nacionais e internacionais, pois eram delicadas, à época, as relações luso-espanholas após a destruição da Embaixada em Lisboa, ocorrida em 1975.

Deste importante encontro deu conta o jornal A Guarda (este semanário e a Rádio Altitude eram os únicos órgãos de informação existentes na cidade) destacando-o na sua primeira página (edição de 20 de fevereiro de 1976) e descrevendo o ambiente que se vivia em 12 de fevereiro de 1976. “(...)O ministro espanhol foi aguardado em Vilar Formoso pelo ministro português. Eram 9,30 horas. Os dois diplomatas viajaram até à Guarda num helicóptero português que sobrevoou a cidade para logo em seguida aterrar na parada do R.I. 12 [Regimento de Infantaria 12]. (…) O encontro na Guarda fora mantido secreto até à meia-noite anterior. Até à tarde da véspera, nas duas capitais ibéricas constava que a reunião teria lugar em Estremoz. A Guarda escolhida para palco deste encontro, após os acontecimentos que toldaram as relações luso-espanholas, situa-se assim no ponto de partida de uma nova era de convivência peninsular. Já se fala, e com toda a razão, no “espírito da Guarda”. Afinal é desde há muito o “espírito” que domina as relações entre guardenses e espanhóis; espírito de concórdia e entendimento, de amizade, de compreensão mútua (…)”.

De acordo com o comunicado conjunto, divulgado após esta cimeira, “os dois ministros assinaram um acordo sobre a delimitação da plataforma continental, um acordo sobre a delimitação do mar territorial e da zona contínua, e, ainda, um protocolo adicionado ao acordo sobre o aproveitamento do troço internacional do Rio Minho. No decurso das conversações caracterizadas pelo espírito de amizade e boa vizinhança que os dois governos desejam dar às suas relações, foi passado em revista o estado das relações culturais entre os dois países (...). No domínio das questões fronteiriças, examinou-se, de modo especial o projeto de construção de uma ponte internacional sobre o Rio Guadiana entre Vila Real de Santo António e Ayamonte (...). Exprimiu-se o desejo mútuo de uma maior colaboração técnica e administrativa em matéria aduaneira, com o objectivo de facilitar o tráfego internacional entre os dois países (…)”.

Como observaria César Oliveira, “o espírito da Guarda mais não foi do que o esforço luso-espanhol para ultrapassar as tensões e a carga de potenciais conflitos entre os dois Estados, na segurança de que em Espanha parecia ser irreversível o caminho para a democracia e de que em Portugal as tentações esquerdistas e radicais estavam duradouramente afastadas”.

A Guarda ficou, desta maneira, como um marco de referência no processo de normalização das relações luso-espanholas e marcou, indubitavelmente, o segundo ano do pós-25 de Abril.

Nesta próxima cimeira o panorama político, económico e social é bem diferente, com outro tipo de problemas a exigirem uma leitura objetiva da realidade, soluções céleres, pragmatismo, cooperação e permanente solidariedade.

É mais do que tempo para terminar o esquecimento dos territórios transfronteiriços e do interior, planificando e desencadeando medidas que potenciem o seu desenvolvimento nas várias vertentes; não os reduzindo, conjuntura e estruturalmente, a meros refúgios geográficos em tempo de pandemia ou a episódicos fluxos de visitantes por insegurança noutras rotas turísticas.

GUARDA geral - cores .jpg

A nossa cidade que tem uma forte marca de cooperação, consubstanciada no Centro de Estudos Ibéricos (CEI), deverá, uma vez mais, evidenciar, “o espírito da Guarda” e olhar muito mais para além do que a sua altitude permite, aproveitando este momento para capitalizar maior projeção e protagonizar a defesa de toda uma região; sobretudo agora que (na sequência da aprovação, em 2 de setembro de 2019 da candidatura da região da Serra da Estrela) está oficializado, com a recente aprovação pelo Conselho Executivo da UNESCO, o Geopark Estrela.

Para que ocorra o robustecimento, a que aludimos nas primeiras linhas deste apontamento, é importante a decisão política, a eficácia das medidas, a perceção clara dos objetivos fundamentais e dos projetos mais adequados; mas é igualmente necessária uma permanente articulação de entidades públicas e privadas, o assumir de responsabilidades, o envolvimento de todos num período em que é primordial o empenho coletivo para se ultrapassar uma crise (com contornos ainda não definidos) para se consolidar o presente e ganhar o futuro.

Esperemos que a Guarda fique, de novo, sublinhada na história da cooperação ibérica e no desenvolvimento das regiões fronteiriças. (Hélder Sequeira)

 

In "O Interior" 16|07|2020

 

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publicado às 18:00

Estrela: Geopark Mundial da Unesco

por Correio da Guarda, em 11.07.20

GEOPARK.jpg

 

A Estrela é a partir de ontem, oficialmente, Geopark Mundial da UNESCO, integrando a lista dos 162 Geoparks Mundiais distribuídos por 44 países em todo o Mundo.

A Serra da Estrela obteve assim a sua primeira classificação UNESCO e Portugal o quinto Geopark. Localizado no centro de Portugal, o geoparque adota o nome da serra da Estrela.

No Pleistoceno, um campo de gelo desenvolveu-se no topo do planalto, criando os elementos que dotaram a região das suas características geológicas distintivas: depósitos glaciares como o campo de Moreias de Lagoa Seca, bem como aterros glaciares como o vale glaciar do Zêzere.

O geoparque apresenta também uma grande variedade de formas de alteração do granito, tais como as colunas de granito do Covão do Boi, um grande conjunto de colunas de granito natural, controladas por uma densa rede de fraturas ortogonais, bem como várias formas grandes, incluindo inselbergs (colinas isoladas ou montanhas subindo abruptamente de um plano) e formações menores em forma de cogumelo.

O Conselho Executivo da UNESCO aprovou ainda a designação de mais 14 novos geoparques mundiais da UNESCO, elevando a 161 o número de sítios participantes na Rede Mundial de Geoparques, em 44 países.

 

 

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publicado às 11:16


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