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Em Sortelha (Sabugal) vai ter lugar, a partir de amanhã e até domingo ( 21 de setembro), a décima terceira edição do evento “Muralhas com História”.
Este ano serão evocadas as vivências do reinado de D. Afonso IV (1325-1357”, cognominado de “O Bravo”.
Trata-se de uma organização da Câmara Municipal do Sabugal que pretende proporcionar uma “viagem ao quotidiano medieval”, complementada com recriação histórica, mercado medieval, acampamento militar, ofícios e vivências, cetraria e animais da quinta, ritmos medievais, artes circenses, torneios de armas a pé e a cavalo, jogos medievais e animação infantil.
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Em Sortelha (Sabugal) vai ter lugar, entre 19 e 21 de setembro, a décima terceira edição do evento “Muralhas com História”.
Este ano serão evocadas as vivências do reinado de D. Afonso IV (1325-1357”, cognominado de “O Bravo”.
Trata-se de uma organização da Câmara Municipal do Sabugal que pretende proporcionar uma “viagem ao quotidiano medieval”, complementada com recriação histórica, mercado medieval, acampamento militar, ofícios e vivências, cetraria e animais da quinta, ritmos medievais, artes circenses, torneios de armas a pé e a cavalo, jogos medievais e animação infantil.

No apontamento de hoje recordamos Jesué Pinharanda Gomes, ilustre ensaísta, historiador, filósofo e investigador.
Natural de Quadrazais, concelho do Sabugal, onde nasceu em 16 de julho de 1939, Pinharanda Gomes comentou-nos um dia que, literariamente falando, era da Guarda; embora realizado em Lisboa.
Isto porque, como nos disse, foi na cidade mais alta de Portugal que lançou as primeiras raízes. Numa das suas muitas obras, Pinharanda Gomes escreveu que lhe for concedida a graça de permanecer “fiel à mátria».
Essa fidelidade foi constante, exemplar, de uma grandeza própria de personalidades de enorme saber e erudição, mas simultaneamente simples, humanas e profundamente solidárias com a sua terra de origem.
A sua frequente presença em iniciativas realizadas na Guarda ou no interior, a par das muitas intervenções proferidas sobre temáticas e personalidades ligadas à nossa região comprovaram isso mesmo.
Pinharanda Gomes foi exemplo «(…) de um estudioso desinteressado, sem prebendas nem honras institucionais, fazendo do estudo erudito uma vocação de vida», como escreveu Miguel Real.
No conjunto vasto de títulos publicados por Pinharanda Gomes avultam três áreas: os contributos na História da Filosofia; as monografias da história da Igreja e os estudos regionais. Afirmou-se, sempre, um defensor convicto, e incansável, do nosso património histórico-cultural e outrossim dos valores humanos, mormente desta zona raiana.
Numa entrevista que nos concedeu para a revista cultural “Praça Velha” Pinharanda Gomes dizia que era «um hermeneuta da cultura”.

Este pensador evidenciava, no seu labor, a área da «historiografia filosófica» por ser neste âmbito onde produziu «maior quantidade de trabalhos de fundo”.
Contudo, a sua produção, nesta matéria, não se circunscreveu às edições já conhecidas, pois houve muito trabalho que não veio a público, pelo menos diretamente; vejam-se às centenas de verbetes escritos para dicionários e enciclopédias, quase sempre assinados, ou com as letras P.G.
Como eminente autodidata erudito, Pinharanda Gomes deixou vastíssima bibliografia iniciada em finais da década de 50 do passado século. Em 20 de março de 2018, e num justo reconhecimento à sua obra, a Universidade da Beira Interior atribuiu a Pinharanda Gomes o Doutoramento Honoris Causa
No Sabugal funciona o Centro de Estudos Pinharanda Gomes, onde está reunido todo a acervo documental particular, que o autor doou à autarquia local. Na Guarda o seu nome integra a toponímia citadina desde 30 de agosto de 2021.
Jesué Pinharanda Gomes faleceu a 27 de julho de 2019. Como alguns dos estudiosos da sua obra têm destacado, Pinharanda Gomes foi um inquestionável «historiador do pensamento português de todos os tempos».
Hélder Sequeira
No Sabugal vai decorrer de 3 a 5 de julho a quinta edição do Simpósio Nacional da Castanha, organização da Associação Portuguesa da Castanha, do Município do Sabugal, da Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.
Este evento vai reunir investigadores, técnicos e produtores "na procura de soluções para uma cadeia de valor mais sustentável, competitiva e resiliente, essencial para o futuro das regiões do interior."

O peograma inclui palestras e conferências com profissionais e investigadores, uma área expositiva, saídas de campo para soutos locais e sessões técnicas para produtores.
No Sabugal vai ter lugar, nos próximos dias 25 e 26 de abril, o espetáculo/caminhada Aurora “Um percurso teatral até ao nascer do sol”,
Este espetáculo tem início, pelas 6 horas, no Museu do Sabugal, tendo uma duração de setenta e cinco minutos.

A nova criação dos Gambozinos e Peobardos - Grupo de Teatro da Vela celebra a revolução de Abril, propondo ao público o desafio de “se deixarem guiar através de um caminho que começa na escuridão e que se dirige aos primeiros raios de luz, ao “dia inicial inteiro e limpo” de que nos falava Sophia de Mello Breyner.”
No final da caminhada/espetáculo as vozes cantadas e a música “acompanharão a aurora solar, a luz espantosa e efémera.”
Fonte e foto: CM Sabugal
Soito. Sabugal
No passado ano, a décima segunda edição do evento “Muralhas com História”, promovido em Sortelha pela Câmara Municipal do Sabugal, foi dedicado ao reinado de D. Dinis. A autarquia sabugalense sublinhou, então, que o sexto rei de Portugal “é um dos responsáveis pela criação da nossa identidade nacional e pelo alvor da consciência de Portugal enquanto estado-nação. Durante o seu reinado, ele procurou reorganizar a administração interna, elaborando um conjunto de leis baseadas na realidade política, económica e social do país, marcando de forma inequívoca e permanente este território de fronteira.”
O rei D. Dinis (cujo reinado foi o mais longo de todos os monarcas da primeira dinastia, 46 anos) nasceu em Lisboa a 9 de outubro de 1261; era o filho mais velho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela (sua segunda esposa), tendo sido aclamado rei (em Lisboa) no ano de 1279. Em 24 de junho de 1282 casou com Isabel de Aragão (a Rainha Santa Isabel), sendo o casamento celebrado em Trancoso; na cerimónia estiveram presentes o Bispo da Guarda, D. Fr. João Martins, Mestres de Ordens de Cavalaria e destacados elementos da nobreza de Portugal e Aragão.

O monarca, de que falamos, deu particular atenção às fortalezas destas terras raianas, valorizando-as e reforçando as suas funções defensivas. As terras de Riba Côa começaram por estar sob o domínio militar de D. Afonso Henriques e mais tarde foram ocupadas por Fernando II de Leão, constituindo um território onde as oscilações dos limites fronteiriços eram constantes. O Tratado de Alcanices, assinado a 12 de setembro de 1297 naquela localidade espanhola, é considerado “um dos suportes da identidade de Portugal”.
“E outro si eu El Rey Dom Fernando, entendendo, e conocendo, que vós aviades direito en aluns lugares dos Castellos, e Villas de Sabugal, e de Alfayates, e de Castel Rodrigo, e de Villa Mayor, e de Castel Boom, e de Almeida, e de Castel Melhor. e de Monforte, e dos outros Lugares de Riba Coa, que vós Rey Dom Diniz teendes agora en vossa mão, e por que me vós partades do direito, que aviedes en Vallença, e em Ferreira, e en no Sparagal, que agora tem a Ordem d’Alcantara asá maão, e que aviades en Ayamonte, e en outros Lugares dos Reinos de Leon e de Galiza”.
Assim era referido no texto daquele tratado, que estabeleceu a transferência para o domínio português dos castelos do Sabugal, Vilar Maior, Alfaiates, Castelo Rodrigo, Castelo Bom, Almeida e a localidade de San Felices de los Gallegos, além de Olivença, Ouguela e Campo Maior. O rei D. Dinis, de acordo com o estabelecido nesse tratado, desistia da posse de Aiamonte, Esparregal, Valência e Aracena. A conjuntura interna espanhola (nomeadamente as divergências profundas dos tutores do rei castelhano) não deixou de se refletir neste tratado, bem como a visão estratégica do monarca português.
San Felice de los Gallegos
Com o objetivo de serem acentuados os compromissos assumidos, firmou-se a promessa de casamento do rei espanhol, D. Fernando IV, com a filha de D. Dinis (a infanta D. Constança), enquanto D. Beatriz, infanta de Castela, foi prometida ao príncipe D. Afonso (filho de D. Dinis).
A importância do Tratado de Alcanices para a formação da nacionalidade portuguesa – voltamos a sublinhar – é inquestionável, evidenciando Portugal como o país europeu com fronteiras mais antigas; o Tratado fixou, de forma clara, a fronteiras portuguesas deste território de Riba Côa, limitado pelos rios Côa e Águeda e pela ribeira de Tourões. Era, como escreveu Pinharanda Gomes, uma “terra de ninguém”. O Rio Côa abandonou, na altura, o seu papel de fronteira física e sobre ele se lançaram novas pontes que favoreceram a circulação de pessoas e produtos; veja-se o caso do Porto de S. Miguel (assinalado no Foral de Castelo Mendo, de 1228, como Portum Mauriscum) ou de Rapoula do Côa.
Segundo Miguel Ladero Quesada, foi o espírito diplomático de D. Sancho IV “nos últimos anos do seu reinado, sobretudo, a sua morte prematura e a gravíssima crise política castelhana na menoridade de Fernando IV que permitiram a D. Dinis jogar, alternativamente, as cartadas da guerra e da aliança para conseguir mais territórios dos que havia esperado e fixar as fronteiras em limites muitos favoráveis aos seus interesses”.
Para aquele investigador, é de supor que “algumas cláusulas do tratado seriam inconcebíveis em circunstâncias normais para os reis castelhano-leoneses, como as que se verificaram até 1295”. Contundo, no quadro conjuntural da época D. Dinis terá tido a perceção de como era importante não deixar escapar a oportunidade de alargar o território português através de uma faixa em relação à qual Castela atribuía um interesse menor face às questões oriundas do reino de Aragão e da área peninsular sob domínio islâmico, a sul. Assim, Alcanices traduz, como muitos reconhecem, um protagonismo inteligente da diplomacia portuguesa, evidenciado mais tarde por vários historiógrafos, cuja interpretação relativamente à passagem de Riba Côa para a Coroa lusitana assentava não na conquista territorial mas na justa restituição de terras, onde se erguia – por exemplo – o Mosteiro de Santa Maria de Aguiar (junto à histórica localidade de Castelo Rodrigo). Por outro lado, e numa leitura dos discursos historiográficos e geográficos sobre Alcanices, Luís Carlos Amaral e João Carlos Garcia realçam que “a História precede a Geografia no debate do tema, mas é uma certa Geografia que fixa em imagem cartográfica Alcanices como marco final de um processo. Também nem todos os historiadores se preocuparam particularmente com este facto diplomático e político do reinado de D. Dinis”.
Este rei impulsionou a coesão nacional, reorganizou o exército e a marinha, incrementou a defesa da língua e da escrita, preocupou-se com o exercício e administração da justiça; manifestou uma grande preocupação pelo desenvolvimento da agricultura (o cognome de O Lavrador não surgiu por acaso), mas não esqueceu a importância das florestas e dos rios, bem como a necessidade de aumentar o povoamento das terras, de dinamizar as trocas comerciais (concedeu um elevado numero de cartas de feira e instituiu as primeiras feiras francas), desenvolvendo a economia.
A D. Dinis se deve a fundação do Estudo Geral, em Lisboa, instituição inicial da formação universitária em território português; é também com ele que os documentos régios passam a ser redigidos em português. Como escreveu Helena da Cruz Coelho, “no contexto dos reinos peninsulares, a monarquia portuguesa reconhecia-se, agora, também pela sua individualidade linguística, pelo português.”Dinis faleceu em Santarém, a 7 de janeiro de 1325. Como bem sintetizou a investigadora que acabámos de citar, “(…) delimitar, identificar, defender, povoar, valorizar, administrar parecem ter sido os princípios norteadores” da atividade deste rei.

No corrente ano assinala-se o sétimo centenário da morte de D. Dinis, de quem ultimamente muito se falou, a propósito da apresentação da reconstituição facial (em 3D), daquele monarca, fundamentada em dados arqueológicos, antropológicos e genéticos. Este estudo, inédito em Portugal, representa mais um eminente contributo para o conhecimento de um rei que deixou uma forte marca da sua atividade governativa e administrativa nesta região raiana.
Assim, era oportuna a realização de iniciativas que nos levassem a (re)visitar os territórios de Riba Côa, as localidades referenciadas no Tratado a que temos estado a aludir; incrementando o conhecimento da História, do papel desempenhado pelos monumentos de arquitetura militar desta região, fomentando novos roteiros turísticos, abrindo novas investigações e estudos, viabilizando um maior conhecimento da personalidade e do papel do Rei D. Dinis. Iniciativas que valorizem, promovam a região e reforcem a nossa identidade regional.
Hélder Sequeira

O trabalho de Nuno Miles, “Touro Raiano”, foi eleito Melhor Mural do Ano, pela plataforma Street Art Cities. Este mural foi executado na localidade de Alfaiates, concelho do Sabugal.
De referir que Nuno Miles era o único português a participar neste concurso, competindo com mais 49 artistas.
No Museu do Sabugal está patente a exposição ‘Linhas do Tempo’, de Nuno Miles, mostra através da qual o “público é convidado a conhecer um percurso visual que ilustra a trajetória criativa” deste artista guardense.
No próximo dia 1 de março vai decorrer, no Sabugal, o XV Capítulo da Confraria do Bucho Raiano.
O programa, para além do tradicional almoço, integra música, performance teatral, animação de rua, desfile de confrarias. A cerimónia capitular terá lugar no Auditório Municipal do Sabugal; a oração de sapiência será proferida pelo juiz conselheiro Cipriano Nabais, natural de Quadrazais.
No jardim fronteiro ao auditório haverá uma degustação de enchidos, queijos e outros sabores da gastronomia raiana. A animação cultural na sessão solene de entronização de novos confrades estará a cargo do músico sabugalense João Nunes e do grupo de animação cultural Badagoneiros.
No final da cerimónia haverá um desfile do Confrarias, animado por um grupo de tocadores de concertina. O almoço de bucho acontecerá no restaurante Casa da Esquila, do chef Rui Cerveira, no Casteleiro.

As inscrições estão já abertas e “a direção da Confraria espera juntar no Sabugal algumas centenas de convivas, entre confrades, familiares e amigos, em boa parte vindos de vários pontos do país”, como é referido em nota informativa enviada ao CG.
O Bucho Raiano é um produto gastronómico de excelência, constituído por várias carnes de porco temperadas numa mistura especial, envolvida num invólucro natural (o bucho) e fumadas ao calor da lareira. As carnes do bucho têm origem nas terras raianas, sendo temperadas com pimentão, que, noutro tempo, era contrabandeado pelos homens que se afoitavam na travessia da fronteira.
Segundo a tradição, o bucho é cozido ao lume em panela de ferro, durante três horas, indo à mesa em travessa de barro, ladeado por grelos de nabo, batata cozida, morcela e farinheira e acompanha com um bom vinho tinto.
O bucho come-se no inverno, mas, segundo a tradição, é obrigatório ir à mesa na época do Entrudo, servido para toda a família reunida.
A Confraria do Bucho Raiano, fundada em 2009, vem promovendo o bucho e outros sabores gastronómicos raianos, contribuindo para a afirmação desse produto como uma das maiores imagens de marca das nossas terras.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.