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A Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (CNSMCA) propôs a elevação do Serviço de Pediatria da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda a unidade de Nível IIa, reconhecendo a qualidade, diferenciação e mérito deste serviço no contexto da Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria.
Segundo informação divulgada pela ULS da Guarda, o parecer emitido pela Comissão destaca que nunca esteve em causa a idoneidade, a qualidade assistencial ou o investimento continuado realizado no Serviço de Pediatria, que assegura uma resposta abrangente e diferenciada à população infantil e juvenil da região da Guarda.
O Serviço de Pediatria da ULS da Guarda disponibiliza consultas externas, hospital de dia, internamento e urgência pediátrica, além de Unidade de Cuidados Intermédios Neonatais e apoio permanente à sala de partos; o serviço conta "com um corpo clínico altamente qualificado, cumprindo os rácios recomendados de pediatras gerais e subespecialistas".
Para a CNSMCA, este reconhecimento "reflete a equidade territorial e a valorização das equipas regionais, sublinhando o mérito científico, a capacidade formativa e a diferenciação funcional" da Pediatria da ULS da Guarda.
Na nota informativa da ULS da Guarda a instituição considera a proposta um marco de prestígio e confiança no trabalho desenvolvido. “Este reconhecimento confirma a qualidade e dedicação das nossas equipas pediátricas e reforça o compromisso de garantir cuidados de saúde de excelência e proximidade às crianças e famílias da região”.
A proposta de elevação a Nível IIa resulta do estudo e contributos apresentados pelo Conselho de Administração e pela equipa da Pediatria, no âmbito da Revisão da Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria.
Como aqui tínhamos referido, a Unidade Local de Saúde da Guarda (ULSG) manifestou-se há dias contra a proposta da nova Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria, atualmente em consulta pública, que atribui ao Hospital da Guarda o nível I. “Esta proposta não reflete a realidade assistencial, técnica e científica do Serviço de Pediatria e da Maternidade da ULS da Guarda e foi elaborada sem qualquer contacto, pedido de contributos ou reunião prévia com a instituição.” Para a ULS da Guarda, que serve 13 concelhos, “uma decisão com impacto tão relevante no acesso aos cuidados de saúde das crianças e famílias da região não pode ser tomada sem diálogo, sem análise territorial e sem avaliação dos recursos existentes.”. Acrescentava ainda que “há mais de duas décadas, a ULS da Guarda assegura um Serviço de Pediatria e uma Maternidade em funcionamento permanente, 24h por dia, 7 dias por semana, com especialistas em presença física contínua. Este compromisso distingue a instituição a nível regional e nacional, garantindo acesso próximo e seguro a milhares de crianças e recém-nascidos.”
Desde o passado mês de junho que o Serviço de Pediatria funciona “numa unidade moderna, fruto de um investimento público significativo, com renovação tecnológica, requalificação de infraestruturas e reforço de valências.

Também a Câmara Municipal da Guarda manifestou a sua oposição à classificação (Nível I) atribuída ao Serviço de Pediatria da ULS da Guarda no documento "Rede de Referenciação Hospitalar – Pediatria" que se encontra em consulta pública e solicita a sua revisão.
O presidente município guardense, em documento enviado à Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, manifesta profunda preocupação e firme oposição à proposta, considerando que ao desclassificar o Serviço de Pediatria para nível I, um patamar que providencia apenas "cuidados pediátricos essenciais", o documento ignora o investimento recentemente realizado, o vigor do seu quadro de pediatras e inverte o princípio da coesão territorial, sinalizando às jovens famílias da maior área de influência da Beira Interior que não terão acesso a cuidados diferenciados de proximidade.
Sérgio Costa lembra que a ULS da Guarda presta cuidados a cerca de 140 mil pessoas e que a maternidade da Guarda, que regista o maior número de partos e urgências obstétricas na região, é a única que garante o acesso em menos de 60 minutos à população dos 13 concelhos da sua área de influência. "O acesso a outra maternidade mais próxima, aumenta o tempo de deslocação para a população daqueles concelhos. O autarca considera que não se pode aplicar a esta faixa territorial o mesmo modelo de concentração usado em áreas densamente povoadas e com acessos facilitados e que a decisão de desclassificar um serviço que acabou de ser alvo de um investimento transformador é economicamente irracional e constitui um claro desperdício de dinheiros públicos."

Entretanto, está agendada para a próxima segunda-feira, 17 de novembro, uma caminhada que pretendende manifestar-se como manifestação em defesa do Serviço de Pediatria e da Maternidade da Guarda. O início da caminhada terá lugar pelas 18 horas, junto à Câmara Municipal da Guarda e levará os participantes até ao Hospital Sousa Martins/Unidade Local de Saúde da Guarda.
Rita Sofia Figueiredo é, desde ontem, a Presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Guarda (ULSG), substituindo João Barranca.
Na nova equipa dirigente da ULSG estão Imaculada Ponciano (vogal que ficará com a área financeira), Nuno Soares (como Diretor Clínico e, provisoriamente acumulando o cargo de diretor clínico para os cuidados de saúde primários) e Hugo Terras (enfermeiro diretor). O vogal em falta será indicado pela Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela.
A nova Presidente do Conselho de Administração desempenhava, até agora, as funções de coordenadora do departamento jurídico e contencioso da ULS.

O Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Guarda (ULSG) anunciou, para hoje, a abertura da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Figueira de Castelo Rodrigo.
De acordo com uma nota de imprensa, está assim concluído “o seu processo de criação e implementação de UCC’s em toda a área de abrangência da ULSG. Concretiza-se o objetivo de alargar e concluir a rede de cuidados na comunidade, que permite beneficiar a população dos 13 concelhos da sua área de abrangência.”
De acordo com a informação divulgada, a UCC Figueira de Castelo Rodrigo vai dar cobertura a toda a população daquele concelho, “que agora pode contar com os cuidados de saúde prestados por este tipo de unidade funcional, designadamente: apoio psicológico e social, de âmbito domiciliário e comunitário, especialmente às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis, em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença que requeira acompanhamento próximo; atuam, ainda, na educação para a saúde e na integração em redes de apoio à família.”
De referir que estas unidades funcionais (UCC’s) têm como missão contribuir para a melhoria do estado de saúde da população da sua área geográfica de intervenção, “visando a obtenção de ganhos em saúde e contribuindo assim, de um modo direto, para o cumprimento da missão da ULS em que se integra.”
As UCC’s asseguram respostas integradas, articuladas, diferenciadas e de grande proximidade às necessidades em cuidados de saúde da população onde estão inseridas e regem-se pelos princípios de: cooperação; solidariedade e trabalho de equipa; autonomia; articulação com as outras unidades funcionais da ULS e parcerias com estruturas da comunidade local.
Hoje, 31 de maio, completam-se 71 anos após a inauguração do denominado Pavilhão Novo do Sanatório que constitui, hoje, o mais antigo bloco do Hospital da Guarda.
Este ato, previsto inicialmente para 28 de maio de 1953, ocorreu três dias depois, com a presença dos Ministros do Interior e das Obras Públicas.
A imprensa da cidade deu especial relevo ao ato, apresentando o novo pavilhão como “um edifício gigantesco com 250 metros de comprido e com 350 leitos destinados exclusivamente a doentes pobres”.
Com a construção deste novo pavilhão, o Sanatório Sousa Martins procurou aumentar a capacidade de resposta às crescentes solicitações das pessoas afetadas pela tuberculose, ampliando assim o seu papel na luta contra essa doença.
O elevado número de doentes com fracos recursos há muito fazia sentir a necessidade de dotar esta conhecida unidade de saúde com novas instalações; pretensão que os responsáveis pelo Sanatório Sousa Martins tinham já manifestado ao Ministro das Obras Públicas, aquando da sua visita, à Guarda, em 1947. As obras do novo pavilhão foram iniciadas quatro anos depois.

A entrada em funcionamento deste pavilhão era aguardada com compreensível expectativa, mormente por quem trabalhava no Sanatório Sousa Martins.
O seu diretor, Dr. Ladislau Patrício – que nesse mesmo ano deixaria essas funções, bem como a atividade clínica – definiu o edifício como “um novo e valioso instrumento na luta em defesa da saúde pública do país”.
Na Guarda viveu-se mais um dia festivo. “Cerca do meio-dia, a estrada que conduz ao Sanatório tornara-se um rio de gente”, noticiou o jornal A Guarda. O Pavilhão Novo constitui, de facto, um marco importante na história do Sanatório Sousa Martins, instituição que não pode, de forma alguma, ser dissociada da Guarda do século XX.
Recordar esta efeméride é sublinhar quanto é fundamental a salvaguarda desta memória viva onde, no presente, prossegue a atividade hospitalar. Conciliar os rumos exigidos pelo progresso com a especificidade deste edifício será contribuir para o reencontro com décadas em que a Guarda conquistou, justamente, a designação de Cidade da Saúde.
Hélder Sequeira

O Dia Mundial da Tuberculose é hoje (24 de Março) assinalado. Este dia comemora a data em que Robert Koch, no ano de 1882, anunciou a descoberta do Mycobacterium tuberculosis, o bacilo que causa a tuberculose (TB).
Apesar de ser uma doença evitável e curável a TB “permanece como um importante problema de Saúde Pública". Recorde-se que o Sanatório Sousa Martins, inaugurado na Guarda em 18 de Maio de 1907, foi uma das principais unidades de saúde de Portugal no combate contra a tuberculose.
A designação de “Cidade da Saúde”, atribuída à Guarda, em muito se fica a dever a uma instituição que a marcou indelevelmente, ao longo de sete décadas, no século passado. Embora a situação geográfica e as especificidades climatéricas associadas tenham granjeado à Guarda esse epíteto, a construção do Sanatório Sousa Martins certificou e rentabilizou as condições naturais da cidade para o tratamento da tuberculose, doença que vitimou, em Portugal, largos milhares de pessoas.
A Guarda foi, nessa época, uma das cidades mais procuradas de Portugal, afluência que deixou inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural. A apologia da Guarda como localidade “eficaz no tratamento da doença” foi feita por distintas figuras da época. Esta cidade começou a ser “a montanha mágica” junto à Serra, envolta ainda na bruma da atração e do desconhecido, palco frequente do magnífico cenário originado pela neve, que bem se podia transpor para o quadro descrito por Thomas Mann, no seu conhecido romance. Muitas pessoas vinham para a Guarda com o objetivo de usufruírem do clima de montanha, praticando, assim, uma cura livre, não sendo seguidas ou apoiadas em cuidados médicos. As deslocações para zonas propícias à terapêutica “de ares”, e consequente permanência, contribuíram para o aparecimento de hotéis e pensões, dado não haver, de início, as indispensáveis e adequadas unidades de tratamento.
Esta situação desencadeou fortes preocupações nas entidades oficiais da época. Em 20 de Outubro de 1897, o Governador Civil da Guarda, José Osório de Gama e Castro, tornou público um Edital/Regulamento relativo às “Providências Prophiláticas contra o contágio da Tuberculose”. O referido regulamento ditava normas concretas para os “donos ou gerentes das hospedarias,” bem como para aos proprietários de casas alugadas, onde não podiam ser recolhidos “promiscuamente indivíduos sãos e doentes”.
Em 1895, realizou-se o primeiro Congresso Português sobre Tuberculose, dirigido por Augusto Rocha. Nesse congresso, Lopo de Carvalho (que viria a ser o primeiro Director do Sanatório Sousa Martins), já uma eminente figura da Medicina, discursou sobre os processos profiláticos usados na Guarda. Lopo de Carvalho foi um dos mais fervorosos defensores da criação do Sanatório – de que, aliás, viria a ser o primeiro diretor – o que aconteceu por decisão da Rainha D. Amélia, Presidente da Assistência Nacional aos Tuberculosos (ANT), instituição criada em 26 de Dezembro de 1899.
A história da luta contra a tuberculose, em Portugal, cruza-se, assim, com a história da Guarda; um registo que deixamos a propósito da comemoração do Dia Mundial da Tuberculose.
Hélder Sequeira

Os acompanhantes de doentes que entrem, a partir de hoje, no serviço de urgência da Unidade Local de Saúde da Guarda (ULSG) vão receber SMS a informar quais o exames efetuados e o local em que se encontram, definindo o seu trajeto na estrutura hospitalar.
A informação divulgada, na tarde de hoje, pela ULSG. De acordo com a nota difundida sobre este assunto pela ULSG assim que "o número de telemóvel seja adicionado ao processo do utente, o acompanhante recebe informação através de SMS sobre indicação do estado do episódio de urgência."

“É como uma Santuário, a Guarda. Vêm aí acolher-se milhares de crentes da Religião da Esperança, pedindo o restabelecimento da saúde e da vida; a volta do seu sonho interrompido”. Assim escrevia José Augusto de Castro no início do século XX, a propósito da mais alta cidade portuguesa, numa alusão ao Sanatório guardense, que foi referência nacional e mesmo além fronteiras.
Hoje, os decrépitos e abandonados pavilhões do antigo Sanatório Sousa Martins, que agonizam no Parque da Saúde, são bem o símbolo de um período difícil durante o qual decorreu a dura batalha contra a tuberculose e outrossim do lamentável estado em que se encontra esta cidade no campo assistencial…
A Guarda já não é, definitivamente a Cidade da Saúde e corre o risco de a ela ficarem associados dramáticos epítetos se a capacidade de resposta por parte da principal estrutura da saúde continuar a ser a que tem existido nos últimos anos, e sobretudo nos últimos meses…
Esta é uma realidade muito preocupante e com consequências que há muito tempo são previsíveis, sem que tenha havido as medidas adequadas, a coragem de serem assumidas decisões, o indispensável apoio do poder central que – como se tem visto noutras áreas – não tem apoiado (na justa e adequada dimensão) o interior em setores que são fundamentais para incentivar a fixação de pessoas, mantendo um discurso oscilante em função de calendários eleitorais.
Quem tem tido a necessidade de recorrer aos serviços hospitalares certamente não divergirá muito do que aqui dizemos…
Assim, é urgente e primordial uma estreita cooperação de todos para se ultrapassarem os problemas do presente, preparando sem demagogia o futuro desta região, de forma a recuperar “o sonho interrompido”, na expressão de José Augusto de Castro, o republicano que dirigiu “O Combate”.
H.S.
A Associação Católica de Enfermeiros e Profissionais de Saúde ( ACEPS) vai realizar na Guarda, nos dias 31 de março e 1 de abril, o seu V Congresso Nacional (III Internacional).
Este Congresso terá como tema central "Cuidar a Dignidade com Esperança".
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) volta a consciencializar para o enfarte agudo do miocárdio.
A iniciativa, integrada na Campanha Cada Segundo Conta, surge no âmbito do Dia Nacional do Doente Coronário, que se assinala a 14 de fevereiro, e visa alertar a população para a importância do diagnóstico atempado e tratamento precoce desta doença.

“Em Portugal, o enfarte agudo do miocárdio é uma das principais causas de morte e incapacidade. Todos os anos mais de 12.000 portugueses sofrem um enfarte agudo do miocárdio. É primordial que o tratamento ocorra o mais rapidamente possível, após o início dos sintomas. Acreditamos que reduzir o risco de mortalidade, a reincidência de enfarte e as complicações associadas, é uma responsabilidade dos profissionais de saúde e de uma população bem informada. É nesse sentido que surge esta ação nacional de consciencialização”, explica Eduardo Infante de Oliveira, presidente da APIC.
“Atualmente, as pessoas já identificam os sintomas do enfarte agudo do miocárdio, mas muitas vezes não atuam com a rapidez necessária. Os sintomas mais comuns de enfarte são a dor no peito, por vezes com irradiação para o braço esquerdo, costas e pescoço, acompanhada de suores, náuseas, vómitos, falta de ar e ansiedade. Na presença destes sintomas é importante ligar imediatamente para o número de emergência médica – 112 – e esperar pela ambulância. A pessoa deve evitar tentar chegar a um hospital pelos seus próprios meios”, alerta João Brum Silveira, Coordenador Nacional da iniciativa Stent Save a Life e da Campanha Cada Segundo Conta (APIC).
O enfarte agudo do miocárdio ocorre quando uma das artérias do coração fica obstruída, o que faz com que uma parte do músculo cardíaco fique em sofrimento por falta de oxigénio e nutrientes.
Para evitar um enfarte é importante adotar um estilo de vida saudável: não fumar; reduzir o colesterol; controlar a tensão arterial e a diabetes; fazer uma alimentação saudável; praticar exercício físico; vigiar o peso e evitar o stress.
Com os objetivos de promover o conhecimento e a compreensão sobre o enfarte agudo do miocárdio e os seus sintomas; e alertar para a importância do diagnóstico atempado e tratamento precoce, a APIC desenvolveu a campanha de consciencialização “Cada Segundo Conta”, que conta com o apoio do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), do Alto Patrocínio do Presidente da República e da iniciativa Stent Save a Life, da APIC. Mais informações aqui.
“É como um Santuário, a Guarda. Vêm aí acolher-se milhares de crentes da Religião da Esperança, pedindo o restabelecimento da saúde e da vida; a volta do seu sonho interrompido”. Escrevia José Augusto de Castro, no início do século passado, a propósito desta cidade e do seu Sanatório, que foi uma referência nacional.
A história, as sucessivas reivindicações de salvaguarda de um património ímpar têm merecido um impressionante alheamento ao longo de décadas; no passado ano foi dado a conhecer que os investimentos a realizar no Hospital Sousa Martins estavam centrados nas obras mais urgentes; na mesma altura a autarquia guardense mostrou a disponibilidade de colaboração com o objetivo de se conseguir-se a recuperação dos centenários pavilhões do Sanatório. Ao longo dos meses outras intenções, governamentais ou de responsáveis hospitalares, têm sido expressas, balizando promessas…
Os referidos pavilhões são símbolos de um período difícil em que se travou a luta contra a tuberculose. “Foram anos de luta pavorosa, /porém um dia o triunfo canta e reza”, anotou José Augusto de Castro num dos seus poemas.
Evocamos esta personalidade a propósito da passagem, amanhã (22 de janeiro) do 161º aniversário do seu nascimento.
Natural do concelho da Meda, concretamente da freguesia da Prova, José Augusto de Castro nasceu em1862; foi uma das principais figuras republicanas da Guarda
Durante a meninice aprendeu com o seu progenitor o ofício de alfaiate, profissão que lhe granjeou o sustento, a par do apoio à família, quando – com apenas 14 anos – foi para o Porto. Nessa cidade, fruto dos contactos que manteve, e do ambiente político que se vivia, foi crescendo a sua simpatia e interesse pela causa republicana.

Em 1886 José Augusto de Castro voltou para junto da família, que residia, então, na aldeia do Vale (Meda), mas ali ficou por pouco tempo; decidiu partir para o Brasil, onde estava estabelecido o seu irmão mais velho. Os seus primeiros trabalhos jornalísticos são escritos na Baía, cidade onde singrou no ramo comercial.
Atingido pela tuberculose veio para a Guarda. “A crueldade do Destino não impediu que me envolvesse a bondade de amigos de nobilíssimo coração, a começar pelo Dr. Lopo de Carvalho, o ilustre médico, especialista da tuberculose, que tomou a peito arrancar-me da garra dilaceradora doença temerosa”. Grato ficou também ao Dr. Amândio Paul, segundo diretor do Sanatório Sousa Martins.
Este foi um período que o marcou profundamente, dele tendo ficado numerosas referências na sua produção literária. Na Guarda fundou, em 1904, “O Combate”; este jornal (que dirigiu até 1931) consubstancia a sua personalidade, o ideal republicano, o espírito combativo e a expressividade da sua escrita.
Tendo desempenhado as funções de Secretário da Câmara Municipal da Guarda (a par de outras atividades nesta cidade), José Augusto de Castro, após deixar de dirigir aquela publicação periódica, foi viver mais tarde para Coimbra, onde morreu a 13 de maio de 1942. Os seus restos mortais foram transladados, em setembro do ano seguinte, para a Guarda, a cidade que ele sempre distinguiu. “Outras terras mais lindas há, de certo…/Porém nenhuma fica assim tão perto/ do puro azul do céu de Portugal”.
Anotando, assim, uma efeméride, concluiremos dizendo que mesmo em tempo de céu cinzento e de enormes preocupações não devemos perder a serenidade, capacidade reivindicativa e o sentido das nossas responsabilidades, consentâneas com a gratidão para quantos pensaram, executaram e fizeram da Guarda a cidade da saúde.
É importante a salvaguarda da memória dos profissionais de saúde que ali trabalharam, mas também é justo honrar e valorizar – pensando o futuro, melhores condições, a preservação e o aproveitamento adequado das estruturas físicas, a fixação de clínicos – os atuais.
Hoje, mais do que nunca, é fundamental a cooperação de todos, para ultrapassarmos os problemas do presente, prepararmos (sem demagogia) o futuro da Guarda, recuperarmos o “sonho interrompido”.
Hélder Sequeira
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