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Ribeiro Sanches: uma personalidade a recordar

por Correio da Guarda, em 14.10.23

 

Uma cidade, para além dos seus cartazes monumentais e artísticos mais emblemáticos, pode projetar-se por múltiplas referências, nem sempre objetivamente valorizadas.

Desde logo pela identificação com personalidades, nascidas ou ligadas ao território urbano, com vínculos afetivos de diferente graduação.

Na toponímia guardense está referenciada uma das figuras mais relevantes da ciência e da cultura europeias do século XVIII: Ribeiro Sanches. Ouça aqui.

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publicado às 13:21

Ribeiro Sanches: na Guarda da cultura

por Correio da Guarda, em 06.03.23

 

Uma cidade, para além dos seus cartazes monumentais e artísticos mais emblemáticos, pode projetar-se por múltiplas referências, nem sempre devida e objetivamente valorizadas. Desde logo pela identificação com personalidades, nascidas ou ligadas ao território urbano, com vínculos afetivos de diferente graduação; factuais, contudo.

Na toponímia guardense (ainda que com uma diminuta e desproporcionada placa) está referenciada uma das figuras mais relevantes da ciência e da cultura europeias do século XVIII: Ribeiro Sanches. Este é o nome de uma artéria transversal da Rua Dr. Francisco dos Prazeres que liga esta à Rua Pedro Álvares Cabral e Monsenhor Alves Brás, permitindo também a circulação em direção à Rua António Sérgio.

Nascido em Penamacor, a 7 de Março de 1699, no seio de uma família de cristãos-novos, António Nunes Ribeiro Sanches viveu na Guarda, no período da adolescência, após ter concluído a formação escolar básica. Nesta cidade terá estudado música e, em particular, aprendeu a tocar cítara, seguindo as orientações paternas; alguns dos seus contactos citadinos possibilitaram-lhe a leitura de obras que o enriqueceram culturalmente, nomeadamente trabalhos de Damião de Góis.

Aos 16 anos foi estudar para Coimbra onde, mais tarde, cursou direito que, contudo, reconheceu não ser a sua vocação; o ambiente estudantil da cidade do Mondego provocou-lhe algum desagrado e em Novembro de 1720 matriculou-se na Universidade de Salamanca (Espanha); aí estudou medicina e granjeou a estima de vários mestres; foi mesmo convidado para ali ficar como assistente; naquela cidade espanhola viveu calmamente, sem a preocupação de o identificarem como cristão-novo.

No período em que estudou em Salamanca, Ribeiro Sanches passou várias épocas de férias na Guarda, tendo aqui praticado o exercício da medicina com um clínico desta cidade, seu amigo. Concluído o curso, em 1724, foi trabalhar para Benavente; os seus contactos familiares deram-lhe uma maior perceção da atividade, do peso e influência da Inquisição, a que foi denunciado como cristão-novo; facto que esteve, igualmente, na origem do impedimento de nomeação oficial como clínico, naquela localidade. Admite-se que esta situação, e o medo de vir a ser alvo da Inquisição, o tenham levado a sair de Portugal, nos finais de 1726. Terá partido, por via marítima em direção a Génova; em Itália frequentou, durante algum tempo, a Universidade de Pisa, visitando depois Montpellier e Londres (onde deu aulas e exerceu Medicina).

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Mais tarde, acompanhado por um irmão (que ficou a estudar cirurgia em Paris), saiu para Bordéus e daí para Leiden (Holanda). D. Luis da Cunha, representante de Portugal em Haia, intercedeu a favor de Ribeiro Sanches junto de um influente ministro de D. João V, sem nenhum acolhimento. Frequentou, a partir de 1730, a Universidade de Leiden onde recebeu ensinamentos de Bernhard Siegfried Albinus Hieronymus, David Gaubius e de Herman Boerhaav; este último terá contribuído para a ida de Ribeiro Sanches para a Corte de Moscovo, onde chegou em Outubro de 1731.

Nomeado médico do Senado e da cidade de Moscovo, foi transferido três anos depois para os serviços do exército russo. Em 1737 encontrava-se já em St. Petersburgo, como clínico do Corpo de Cadetes, uma estrutura de ensino e formação destinada à nobreza russa.

Ribeiro Sanches ingressou, por essa altura, na Academia das Ciências de Petersburgo, sendo nomeado em Março de 1740, médico da Corte e posteriormente segundo médico da Regente Ana Léopoldovna e do, ainda, jovem Imperador Joannn Antonovič, sendo muito apreciado nos círculos do poder russo.

Um ano depois, Isabel Petrovna (filha de Pedro o Grande) passou a dirigir os destinos do império e Ribeiro Sanches foi, igualmente, seu médico, bem como de Catarina II que curou em 1744, quando esta tinha apenas 15 anos; facto que a futura czarina não esqueceu.

Em 1747, invocando problemas de saúde, Ribeiro Sanches pediu a demissão das suas funções.

A Imperatriz Isabel Petrovna distinguiu-o com um certificado de bons serviços e Academia Imperial das Ciências, nomeando-o membro honorário. De acordo com alguns biógrafos, esta repentina partida terá sido originada por alguma intriga na corte czarina que avivou a sua ligação judaica. Após passar por Berlim, dirigiu-se a Paris onde passou a residir e a colaborar com os vultos mais eminentes do Iluminismo, escrevendo as suas principais obras: Dissertation sur la Maladie Vénérienne (1750), Tratado da Conservação da Saúde dos Povos (1756), Cartas sobre a Educação da Mocidade (1760), Método para Aprender e Estudar a Medicina(1763), Mémoire sur les Bains de Vapeur en Russie (1779).

Foi, até à sua morte, interlocutor de imensas figuras consideradas expoentes máximos da vida cultural e científica europeia, dessa época, sem ter tido a possibilidade de encontrar as condições para regressar a Portugal.

Ribeiro Sanches, um dos intelectuais portugueses que mais se distinguiu além-fronteiras e cuja vida passou pela mais alta cidade de Portugal, faleceu a 14 de Outubro de 1783. Esta será, sem dúvida, uma figura que bem se pode associar a uma Guarda culta e da ciência, merecendo adequado estudo e divulgação; figura que evocamos, hoje, a propósito da recente passagem de 324 anos após o seu nascimento.

 

Hélder Sequeira

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publicado às 08:20

Ribeiro Sanches: na Guarda da cultura

por Correio da Guarda, em 23.03.14

 

     Uma cidade, para além dos seus cartazes monumentais e artísticos mais emblemáticos, pode projetar-se por múltiplas referências, nem sempre devida e objetivamente valorizadas.

    Desde logo pela identificação com personalidades, nascidas ou ligadas ao território urbano, com vínculos afetivos de diferente graduação; factuais, contudo.

    Na toponímia guardense (ainda que com uma diminuta e desproporcionada placa) está referenciada uma das figuras mais relevantes da ciência e da cultura europeias do século XVIII: Ribeiro Sanches. Este é o nome de uma artéria transversal da Rua Dr. Francisco dos Prazeres que liga esta à Rua Pedro Álvares Cabral e Monsenhor Alves Brás, permitindo também a circulação em direção à Rua António Sérgio.

    Nascido em Penamacor, a 7 de Março de 1699, no seio de uma família de cristãos-novos, António Nunes Ribeiro Sanches viveu na Guarda, no período da adolescência, após ter concluído a formação escolar básica. Nesta cidade terá estudado música e, em particular, aprendeu a tocar cítara, seguindo as orientações paternas; alguns dos seus contactos citadinos possibilitaram-lhe a leitura de obras que o enriqueceram culturalmente, nomeadamente trabalhos de Damião de Góis.

    Aos 16 anos foi estudar para Coimbra onde, mais tarde, cursou direito que, contudo, reconheceu não ser a sua vocação; o ambiente estudantil da cidade do Mondego provocou-lhe algum desagrado e em Novembro de 1720 matriculou-se na Universidade de Salamanca (Espanha); aí estudou medicina e granjeou a estima de vários mestres; foi mesmo convidado para ali ficar como assistente; naquela cidade espanhola viveu calmamente, sem a preocupação de o identificarem como cristão-novo.

    No período em que estudou em Salamanca, Ribeiro Sanches passou várias épocas de férias na Guarda, tendo aqui praticado o exercício da medicina com um clínico desta cidade, seu amigo.

    Concluído o curso, em 1724, foi trabalhar para Benavente; os seus contactos familiares deram-lhe uma maior perceção da atividade, do peso e influência da Inquisição, a que foi denunciado como cristão-novo; facto que esteve, igualmente, na origem do impedimento de nomeação oficial como clínico, naquela localidade. Admite-se que esta situação, e o medo de vir a ser alvo da Inquisição, o tenham levado a sair de Portugal, nos finais de 1726. Terá partido, por via marítima em direção a Génova; em Itália frequentou, durante algum tempo, a Universidade de Pisa, visitando depois Montpellier e Londres (onde deu aulas e exerceu Medicina).

    Mais tarde, acompanhado por um irmão (que ficou a estudar cirurgia em Paris), saiu para Bordéus e daí para Leiden (Holanda). D. Luis da Cunha, representante de Portugal em Haia, intercedeu a favor de Ribeiro Sanches junto de um influente ministro de D. João V, sem nenhum acolhimento. Frequentou, a partir de 1730, a Universidade de Leiden onde recebeu ensinamentos de Bernhard Siegfried Albinus Hieronymus, David Gaubius e de Herman Boerhaav. Este último  terá contribuído ida de Ribeiro Sanches para a Corte de Moscovo, onde chegou em Outubro de 1731.

     Nomeado médico do Senado e da cidade de Moscovo, foi transferido três anos depois para os serviços do exército russo. Em 1737 encontrava-se já em St. Petersburgo, como clínico do Corpo de Cadetes, uma estrutura de ensino e formação destinada à nobreza russa.

    Ribeiro Sanches ingressou, por essa altura, na Academia das Ciências de Petersburgo, sendo nomeado em Março de 1740, médico da Corte e posteriormente segundo médico da Regente Ana Léopoldovna e do, ainda, jovem Imperador Joannn Antonovič, sendo muito apreciado nos círculos do poder russo.

    Um ano depois, Isabel Petrovna (filha de Pedro o Grande) passou a dirigir os destinos do império e Ribeiro Sanches foi, igualmente, seu médico, bem como de Catarina II que curou em 1744, quando esta tinha apenas 15 anos; facto que a futura czarina não esqueceu.

    Em 1747, invocando problemas de saúde, Ribeiro Sanches pediu a demissão das suas funções.

    A Imperatriz Isabel Petrovna distinguiu-o com um certificado de bons serviços e Academia Imperial das Ciências, nomeando-o membro honorário. De acordo com alguns biógrafos, esta repentina partida terá sido originada por alguma intriga na corte czarina que avivou a sua ligação judaica.

     Após passar por Berlim, dirigiu-se a Paris onde passou a residir e a colaborar com os vultos mais eminentes do Iluminismo, escrevendo as suas principais obras: Dissertation sur la Maladie Vénérienne (1750), Tratado da Conservação da Saúde dos Povos (1756), Cartas sobre a Educação da Mocidade (1760), Método para Aprender e Estudar a Medicina(1763), Mémoire sur les Bains de Vapeur en Russie (1779).

     Foi, até à sua morte, interlocutor de imensas figuras consideradas expoentes máximos da vida cultural e científica europeia, dessa época, sem ter tido a possibilidade de encontrar as condições para regressar a Portugal.

     Ribeiro Sanches, um dos intelectuais portugueses que mais se distinguiu além-fronteiras e cuja vida passou pela mais alta cidade de Portugal, faleceu a 14 de Outubro de 1783.

     Esta será, sem dúvida, uma figura que bem se pode associar a uma Guarda culta e da ciência, merecendo adequado estudo e divulgação; figura que evocamos hoje, nesta coluna, a propósito da recente passagem de 315 anos após o seus nascimento.

 

In O Interior, 20|3|2014

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publicado às 20:29

Toponímia . Guarda . 3

por Correio da Guarda, em 03.11.12

 

 

 

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publicado às 21:08

Desleixo na toponímia...

por Correio da Guarda, em 15.05.12

 

     Ribeiro Sanches foi uma das figuras mais relevantes da ciência e da cultura europeias do século XVIII. Residiu algum tempo na Guada, enquanto jovem, e mais tarde exerceu aqui, episodicamente, medicina, antes de ir rumar a Benavente e depois para o estrangeiro.

     A toponímia guardense recorda-o...de forma "pequenina", subjugada a outra informação e sinalética. Será que ninguém, com responsabilidade na "matéria", olhou para este pormenor?...Não há nada para cobrir a placa toponímica?... Ou Ribeiro Sanches ainda estará a penar por ter sido cristão-novo?...

 

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publicado às 23:17


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