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O dia 25 de Abril está indelevelmente ligado à Liberdade e à Democracia. Entre estes marcos estão enquadradas importantes conquistas, valores e direitos que, durante décadas, estiveram submersos na prepotência de um regime totalitário.
Eleições livres, liberdade de expressão, poder local, liberdade de imprensa: toda uma terminologia que floresceu numa manhã de Abril, em 1974. Esta data representa um importante facto na História portuguesa contemporânea; a sua dimensão, contudo, não foi apreendida, por muitos, em toda a sua globalidade; noutros casos, as políticas e estratégias seguidas, os oportunismos registados contribuíram para um progressivo esmorecimento dos ideais proclamados, acentuarm um distanciamento de camadas sociais, traídas nas suas convicções e esquecidas nas suas realidades e anseios.

Consequentemente, o significado desta data foi-se afastando do pensamento e da prática quotidiana, pautada por outros padrões, comportamentos e atitudes; um quadro que não é original na história da nação...
Um facto histórico, complexo por natureza, desdobra-se em várias facetas, onde se entrelaçam aspetos políticos, económicos e sociais, refletindo a sua análise um cunho tanto mais acentuado quanto o seu enquadramento seja feito em termos de conjuntura ou estrutura.
Quarenta e sete anos após Abril de 1974, importa reter os ideais que animaram um movimento depressa convertido à escala nacional e abraçado por um sentir bem português, numa doação a que só a gente lusa se sabe entregar; sem se cristalizarem ideologias, dogmas ou extremismos. É fundamental que se apreenda o verdadeiro significado desta data, de forma a refleti-lo, a projetá-lo no presente, com o pensamento no futuro.
Abril foi o abrir de uma porta para o presente e para um Portugal europeu; interrogar o passado permitirá uma melhor compreensão do presente e permitirá aferir o rumo certo, as estratégias necessárias, as melhores soluções. .
Evocarmos a data de 25 de Abril de 1974 é assumirmos, individual e coletivamente, os deveres que nos inspiram a democracia e a liberdade, sem nos circunscrevermos apenas a dias assinalados no calendário...
H.S.
A Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (Guarda) vai assinalar a passagem de mais um aniversário do 25 de Abril de 1974, através de um conjunto de iniciativas que relembram o antes e o depois da revolução, na literatura, no cinema, na arte e na memória.
O programa comemorativo de Abril começa dia 4, com uma mostra de trinta e cinco livros de edição portuguesa, existentes na BMEL, cuja circulação esteve proibida durante o Estado Novo (1926-1974). De salientar que cinco dos títulos apresentados são edições originais proibidas.
Dia 13, às 18h00, realiza-se mais uma sessão de Guarda: a memória, este mês, dedicada ao 25 de Abril na Guarda.
José Pires Veiga, um dos participantes no 25 de Abril na Guarda, vem à biblioteca relembrar esse dia. Será uma conversa informal sobre como é que a Guarda recebeu a notícia da revolução e que histórias e episódios persistem na memória dos guardenses sobre esse período.
Abril no traço de João Abel Manta é o nome da exposição que começa no dia 22. Trata-se de uma exposição onde se podem ver históricos cartoons que João Abel Manta fez a seguir ao 25 de abril de 74.
Formado em Arquitetura, João Abel Manta dedicou grande parte da sua carreira à vertente de artista plástico, ao elaborar vários trabalhos nas áreas de pintura, cerâmica, tapeçaria, mosaico, ilustração, artes gráficas e cartoon.
Ainda no dia 22, às 18h00, realiza-se a conferência A censura na roda do medo, por Fernando Paulouro Neves.
Para além de ter sido chefe de redação e diretor do Jornal do Fundão, Fernando Paulouro tem colaboração diversa em jornais e revistas, prefaciou livros de ensaio, poesia e de ficção e participou em obras coletivas sobre questões da realidade transfronteiriça.
Já no dia 26, às 14h30, a biblioteca promove uma conferência seguida de uma oficina sob o tema Ditadura e Revolução contadas aos mais novos: o 25 de Abril na literature para a infância e a juventude, por Ana Margarida Ramos.
Esta iniciativa, pretende identificar o corpus literário infanto-juvenil que recria, sob diversas perspetivas, o 25 de Abril de 74, com vista a promover a sua divulgação junto de todos.
Ana Margarida Ramos leciona disciplinas da área da Literatura Portuguesa e da Literatura para a Infância, na Universidade de Aveiro. É ainda autora de várias obras de literatura para a infância.
A conferência Azuis ultramarinos - Propaganda e censura no cinema do Estado Novo, por Maria do Carmo Piçarra, encerra o ciclo dedicado ao 25 de Abril de 1974, no dia 28, às 18h00.
Maria do Carmo Piçarra, autora de Salazar vai ao cinema e de O cinema Ideal e a Casa da Imprensa: 110 anos de filmes, vai expor como, durante a ditadura, Portugal “imaginou” o seu colonialismo através da Sétima Arte.
Maria do Carmo Piçarra é doutorada em Ciências da Comunicação e está a desenvolver uma investigação de pós-doutoramento intitulada Cinema Império. Portugal, França e Inglaterra, representações do império no cinema.
Fonte: BMEL
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