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Francisco Carvalho: na Guarda da Rádio

por Correio da Guarda, em 30.06.21

 

 

Em 1973 Francisco Carvalho entrou para a Rádio Altitude (RA) e, desde então, tornou-se uma voz inconfundível da atividade radiofónica construída a partir da mais alta cidade de Portugal.

Juntamente com Luís Celínio, produziu a partir desse ano o programa “Escape Livre” o programa de com mais longevidade em Portugal. Francisco Carvalho entrou para os quadros da Rádio Altitude em 1978, “primeiro como animador de emissão e depois como jornalista”.

Saiu da RA 1990, “para integrar a equipa fundadora da Rádio F”, onde trabalhou quatro anos, após o que ocorreu o regresso à Rádio Altitude, onde esteve até há algumas semanas atrás.

Iniciado que está um novo ciclo na sua vida, não vai por de parte a sua voz, num tempo onde cabe também espaço para a escrita e memórias, como disse ao CORREIO DA GUARDA.

Sobre a cidade onde continua a residir, Francisco Carvalho considera que é preciso “menos invejas e mais gente empreendedora”, acrescentando que, na região, “houve uma evolução desorganizada. Tem faltado planeamento e visão de futuro. Diria que na grande maioria dos casos falta aos autarcas preparação adequada para o exercício dos cargos.”

F carvalho 2.jpg

Como e quando ocorreu a tua entrada para a rádio?

Como profissional aconteceu por mero acaso.

Tinha regressado de Lisboa, onde estudei no ISLA, e na altura dava aulas de geografia na Escola Secundária Afonso de Albuquerque quando fui convidado para fazer algumas horas de locução, como se dizia na altura.

Comecei, naturalmente, pelos discos pedidos que naquela altura preenchiam grande parte da programação.

Depois fui passando aos poucos para a informação e para os noticiários regionais.

 

Que nomes recordas dessa época?

Alguns dos que me convidaram e incentivaram na altura.

Antunes Ferreira, Emílio Aragonez, Luís Coutinho, Virgílio Ardérius, Luís Coito e José Domingos, entre outros.

Francisco Carvalho - 1984.jpg

Na Redação da Rádio Altitude, com Emílio Aragonez, início da década de oitenta

 

Nessa época o que havia de diferente na programação da(s) rádio(os)?

Era tudo muito diferente!

A informação era de certa forma “artesanal", feita sobretudo por colaboradores que iam à rádio algumas horas por dia fazer os noticiários e o resto da programação que era, em maioria, preenchida com discos pedidos.

Lembro que naquela época (década de 70) ainda não tinha acontecido o “boom" das rádios locais e não havia jornalistas profissionais no mercado – nem sequer possibilidade de os contratar porque o quadro da rádio só comportava três profissionais: o encarregado-geral, um locutor e um administrativo).

Hoje há mais gente profissional, mais rigor e o telefone foi substituído pelo computador.

 

Que música ou músicas estiveram/estão na tua preferência?

Pink Floyd, Genesis, Queen, Bruce Springsteen John Legend, Joe Cocker, Alicia Keyes, entre outros.

Por muitos motivos – e não apenas pela música – valeu a pena ter vivido intensamente os anos 80. Nunca mais haverá uma década assim (digo eu !!)

Edifício da Rádio Altitude -1982.jpg

Continuas a ouvir mais música ou notícias?

Música de vez em quando. Notícias sempre.

 

Quando começou a tua ligação ao jornalismo?

Como já disse, fui incentivado por alguns colegas mais velhos que na altura faziam a informação regional.

Aos poucos fui deixando a música e comecei a escrever e a apresentar noticiários

 

Qual foi notícia sobre a cidade que mais prazer te deu em transmitires aos ouvintes? E a pior?

No primeiro caso talvez tenha sido o anúncio da presidência aberta de Mário Soares na Guarda – que tive oportunidade de entrevistar em Belém, juntamente com o António José Teixeira.

Achei que poderia ser uma grande oportunidade para a Guarda começar a aparecer no mapa com o mediatismo de uma visita presidencial de vários dias.

As piores notícias tiveram naturalmente a ver com a morte de pessoas.

Por dever de ofício acorri a vários acidentes no antigo IP5 e cada vez que lá fui raramente trouxe boas histórias para contar. Tantas mortes que podiam ter sido evitadas se tivessem construído logo a auto estrada!

O grande acidente ferroviário de Alcafache (Mangualde) que cobri também a nível nacional (RR), com a ajuda do Carlos Martins, foi outro acontecimento que me marcou bastante assim como, mais recentemente, os incêndios de 2017 que fizeram várias vítimas mortais no distrito.

 

Que diferenças notas ao nível do jornalismo em Portugal, confrontando o passado com o presente?

Agora é mais rigoroso e interventivo.

Há profissionais muito mais qualificados e as novas ferramentas tecnológicas que temos à disposição também ajudam muito.

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Hoje o jornalista passa demasiado tempo na redação?

Talvez sim. Mas é preciso dizer que em relação por exemplo à investigação, com os meios disponíveis em redações geralmente pequenas, não há grande possibilidade de ter um ou dois jornalistas dedicados em exclusividade.

No resto acho que poderia haver mais sensibilidade para procurar histórias que interessem à generalidade das pessoas.

Mas lá está, se somos imprescindíveis na redação ou no estúdio não podemos estar noutras tarefas.

Francisco Carvalho - RA 2.jpg

O Desporto foi uma das áreas da tua preferência? Porquê?

Pratiquei desporto no liceu e essa área sempre me interessou, mais do que a política por exemplo.

Primeiro foi o automobilismo por via do programa Escape Livre – chegámos a ir ao rally de Monte Carlo e às 24 horas de Le Mans – e depois comecei a interessar-me mais pelo futebol.

 

Tiveste, também, uma colaboração com a imprensa desportiva. Fala-nos desse período?

Foi na altura em que a saudosa Associação Cultural e Desportiva da Guarda era um dos postais da cidade e o clube mais importante do distrito, com participações regulares no então Campeonato Nacional da Segunda Divisão.

Para além dos trabalhos para a rádio comecei nessa altura uma colaboração com o jornal O Jogo, com comentários e reportagens sempre que a equipa jogava em casa.

Mais tarde, a convite do Fernando Paulouro, iniciei uma colaboração com o Jornal do Fundão na altura em que começaram a editar um suplemento semanal de desporto.

O meu trabalho era coordenar e editar o trabalho de uma série de correspondentes desportivos que faziam o resumo dos jogos do campeonato distrital de futebol.

Sem as tecnologias que temos hoje era um funcionário do jornal que ao domingo à noite vinha do Fundão recolher o material à Guarda!

 

A recolha dos resultados desportivos era muito diferente do que acontece na atualidade. Era um trabalho difícil?

Não era fácil. Quando os campos de futebol não tinham telefone (e geralmente não tinham…) era preciso encontrar uma pessoa de confiança que ligava para a redação a dar o resultado final do jogo, ou então tínhamos de ligar para o café mais próximo!

 

Que confronto fazes entre o panorama desportivo de algumas décadas atrás e o de hoje?

Apesar de todas as limitações antigamente julgo que era mais saudável. Hoje já não tenho paciência para ver grande parte dos programas televisivos sobre futebol.

Pouco se discute o jogo e o que interessa são as polémicas.

Já nem falo dos critérios jornalísticos e das regras deontológicas!

Francisco Carvalho - RA .jpg

O que te levou a optares pela Guarda, em termos profissionais?

Não foi uma questão de opção foi uma questão de oportunidade.

 

Atualmente tomarias a mesma opção?

Se tivesse alternativa pensaria duas vezes.

 

O que pensas da evolução da Guarda, cidade e região, ao longo da tua vida de jornalista?

Houve uma evolução desorganizada. Tem faltado planeamento e visão de futuro.

Diria que na grande maioria dos casos falta aos autarcas preparação adequada para o exercício dos cargos.

Isto não vai lá só com os cartões partidários!

E também é evidente que os governos de Lisboa estão-se nas tintas para o resto do país.

 

O que falta na Guarda?

Menos invejas e mais gente empreendedora.

O problema é que somos cada vez menos!...

 

Achas que as pessoas conhecem ou valorizam a dimensão radiofónica que a Guarda teve, sobretudo antes do alargamento do espetro radioelétrico?

De uma vez por todas a cidade – e os decisores –  tem de saber valorizar essa importância. Cada vez que passo pelos pavilhões em ruínas do antigo sanatório não deixo de pensar que bem ali ficaria o museu da saúde e da rádio.

A Guarda tem a rádio local mais antiga do país e uma história importante para contar concentrada no atual Parque da Saúde.

 

A história da rádio, na Guarda, está ainda por fazer?

Já foi feita em boa parte graças também ao autor deste blogue (Hélder Sequeira). Mas sim, ainda há gente pouco informada sobre a importância da rádio no passado e no presente da cidade e da região.

Afinal temos a rádio local mais antiga do país e isso tem de ser valorizado, até para não deixar cair no esquecimento os pioneiros da Rádio Altitude com Martins Queirós, à cabeça.

 

Tens projetos em mente para este novo ciclo da tua vida?

Continuar a aproveitar a voz que Deus me deu, escrever, viajar e começar a organizar o baú das memórias.

 

 

 

 

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João Amaro: pensar e viver a Rádio

por Correio da Guarda, em 12.05.21

 

“As rádios locais continuam a ter futuro. Não deixando de se ancorar nas raízes que estiveram na sua génese, as rádios têm de se reinventar todos os dias, inovando sem perderem o essencial do seu carácter.”

Afirmou-nos João Amaro, um dos fundadores da Rádio Antena Livre de Gouveia (1984) e presidente da Assembleia Geral da Cooperativa de Radiodifusão que tem a titularidade do alvará da referida emissora.

João Amaro é hoje Presidente da Junta de Freguesia registando na sua atividade autárquica e política a passagem pelas funções de assessor do Presidente da Câmara Municipal de Gouveia (1986-2001) e de Chefe de Gabinete do Governador Civil da Guarda (2009-2011).

Antes da sua entrada para a vida política e autárquica, o nosso interlocutor de hoje, desenvolveu uma intensa e relevante atividade na área da comunicação social. Foi Chefe de Redação do extinto jornal “Voz de Gouveia” (1979-1982), delegado concelhio da ANOP e Agência LUSA (1980-1986); correspondente e colaborador de vários órgãos da comunicação social, regional e nacional, como o Jornal de Notícias, Jornal do Fundão, Rádio Altitude e Notícias da Guarda.

Contudo, a Rádio continua a merecer o seu entusiamo, evocando memórias, companheiros e considerando que os momentos mais difíceis “são apenas meros registos comparados com a felicidade que a rádio nos proporcionou.”

 

 

Joao Amaro-Rádio 2.jpg

 

Como começou a Rádio Antena Livre?

A Rádio Antena Livre de Gouveia foi um "sonho tornado realidade" por um grupo de jovens gouveenses, unidos pela paixão da rádio e tudo o que ela podia proporcionar: dos novos gostos e opções musicais à divulgação dos acontecimentos locais, do simples prazer de comunicar à necessidade de proporcionar uma maior e melhor informação das nossas realidades; no fundo, projectar Gouveia e a região através de um genuíno projecto de afirmação de cidadania, naquela que foi considerada, há quase 40 anos, uma das maiores aventuras levadas a efeito pela juventude gouveense.

Neste sentido, as motivações não terão sido muito diferentes daquelas que mobilizaram e estimularam o aparecimento de iniciativas semelhantes que se multiplicaram por esse País fora, numa época e num tempo marcado pelo aparecimento das chamadas "rádios piratas".

Já agora, a talhe de foice, permita-se-me esta oportunidade para fazer alusão e prestar a devida homenagem àqueles que, em 1984, juntamente comigo, foram o grupo fundador da nossa, então, “rádio pirata” (alguns deles infelizmente já desaparecidos): o José Carlos Saraiva, o Costa Simões, o António Sario, o Luís Figueiredo o Nuno Santos, o Carlos Bicker, Manta Luís, obreiros de uma das pioneiras rádios locais no nosso distrito e que tinha por máxima “a onda livre da nossa terra”.

 

Quais as principais dificuldades que encontraram?

A principal dificuldade, mas talvez a mais estimulante, era a de se saber que a actividade de radiodifusão, na altura, era proibida a outros operadores que não fossem os "institucionais" há muito autorizados e instalados no espectro radioeléctrico. E como facilmente se adivinha, não há nada mais estimulante para a saudável irreverência da juventude do que fazer jus ao velho adágio de que "o fruto proibido é o mais apetecido"...

Digamos que a luta pela legalização da actividade da radiodifusão de âmbito local, durante quase cinco anos, foi a "dificuldade" que mais nos mobilizou, na altura.

De resto, são fáceis de supor os constrangimentos dos primórdios duma aventura que começa em moldes "artesanais": o primeiro emissor, de apenas 5 Watts de potência, é de fabrico caseiro, as emissões, experimentais, são feitas de forma "ambulante": numa furgoneta onde é instalado o emissor, alimentado a baterias, bem como o leitor de cassetes (os programas eram pré-gravados), entre demais aparelhos, hoje emitindo daqui, amanhã de acolá, tudo no intuito de fugir à fiscalização dos "tenebrosos" Serviços Radioeléctricos.

Quando a actividade  -  por força das centenas de estações do mesmo género e da mesma  génese que se foram implantando por todo o País  -  apesar de proibida, passou a ser tolerada, a Antena Livre de Gouveia conheceu dois ou três lugares provisórios onde começou a fazer as suas emissões em directo, até que  -  com a legalização das Rádios locais, em 1989  -  assentou definitivamente  a sua actividade num espaço cedido pelo Município no Mercado Municipal e adaptado, para o efeito, graças a muito esforço e trabalho de muitos voluntários.

Obviamente que o apetrechamento técnico, para quem não dispunha de recursos financeiros - as únicas receitas provinham duma informal "liga de amigos da rádio" e do magro mercado da publicidade - foi a outra dor de cabeça permanente, já que pelo exercício da actividade ninguém era remunerado, todos trabalhavam "pro bono", todos colaboravam por "amor à arte".

João Amaro e Helder Sequeira (1984) - Gouveia .jp

Como foi a reação dos ouvintes ao projeto da Rádio?

Reação fantástica, como era previsível. Passar a ouvir na telefonia, assim de repente, vozes conhecidas que falavam do concelho de Gouveia, das coisas que aí aconteciam, dos desejos que queríamos que acontecessem, dar a vez e a voz a gente da comunidade, do artesão e do operário, ao sindicalista ao autarca, aos dirigentes associativos, às colectividades, criou um ambiente de audiência de tanta proximidade que eu até costumo dizer, por graça, que mais do que ouvintes, a rádio tinha "militantes".

E não imaginam a satisfação que me dava, ao sair de casa, ouvir os rádios da vizinhança sintonizados na "Livre", entrar no café e ouvir a mesma sintonia, em cada rua, cada bairro, cada lugar...

 

A programação manteve uma estrutura fixa ou foi ganhando novos contributos?

Depois da fase "rebelde", com a criação da Cooperativa que viria corporiza e enquadrar a atividade, com a legalização e instalação definitiva, o processo de afirmação e consolidação da Rádio obrigou ao cumprimento de determinados parâmetros, a começar por uma orientadora grelha de programação que desse coerência ao projeto.

Ou seja, a rádio deixou de ser o programa do João, da Rosa ou do António para passar a ter, apesar das especificidades de cada um, um fio condutor, uma oferta original, mas com compreensível uniformidade.

Foi, portanto, necessário adequar a atividade aos novos desafios que se lhe impunham, para além do seu enquadramento numa nova tipologia de gestão.

Por isso, também, a necessidade que houve de profissionalizar algumas áreas, nomeadamente a informação e a parte da manutenção técnica, sem se perder o cariz original do trabalho voluntário, com muitos “amadores” a desempenharem um papel muito profissional.

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Quais os programas que tiveram mais audição?

Eu não queria ser juiz em causa própria (risos), mas o programa "Domingo Livre", um programa em directo, de 3 horas, aos domingos de manhã, de entrevistas, debates, inquéritos de rua e cobertura de acontecimentos, aberto à participação dos ouvintes, pontuado e amenizado com uma criteriosa seleção de música portuguesa e que eu, o Manta Luís e a Maria José Trabulo idealizámos e conduzimos ao longo de mais de 20 anos foi – perdoe-se nos a presunção – paradigmático.

E não sei até que ponto não teria sido o programa mais longevo da radiodifusão portuguesa... De resto havia muitos e bons programas, das mais diversas temáticas, bem concebidos e realizados e, por isso, sempre de audição garantida.

 

A área cultural era também uma preocupação por parte da equipa da Rádio?

Sem dúvida. Nem faria sentido uma rádio local não dar ênfase e cobertura a uma área que se revelava fundamental, que mais não fosse pela atividade desenvolvida pelo vasto universo associativo do concelho de Gouveia que contava com quatro Ranchos Folclóricos federados, seis conceituadas Bandas Filarmónicas e escolas de música, grupos corais, grupos de teatro, etc., etc., para já não falar da oferta cultural  desenvolvida pelo Município através da Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira, do Museu Abel Manta, das exposições das Galerias João Abel Manta, do Teatro-Cine, entre outros.

 

Quais as melhores e as piores memórias?

O anúncio da aprovação do nosso projeto - quando estavam duas candidaturas a concorrer à única frequência disponível para o concelho de Gouveia - e a obtenção do competente alvará para o exercício da radiodifusão foi, estou certo, a maior das alegrias que guardo deste longo percurso.

Muitas outras recordações, de bons momentos, se não dessem um bom livro de memórias, dariam seguramente “pano” para um bom e alegre anedotário da rádio...

Memórias más, confesso, não há. As angústias financeiras com que nos habituámos a viver ou aquele vendaval que nos levou as antenas ou a trovoada que nos queimou uma válvula e nos deixou sem emissão por uns dias, faz parte..., são apenas meros registos comparados com a felicidade que a rádio nos proporcionou.

 

Há diferenças na Rádio que é feita atualmente? O que mudou mais radicalmente?

Se houve sector em que a evolução e inovação técnica e tecnológica mais rapidamente se notou, o da radiodifusão foi um deles.

Tudo aconteceu num ápice: dos pré-gravados da cassete e do cartucho, aos diretos com o vinil, substituído pelo CD e este pelo mini-disc e, depois, todos pelo digital, do mp3 até à informatização total do processo de produção e emissão.

A internet e as emissões on line passaram a ser uma nova potencialidade no mundo dos velhos e e novos operadores de radiodifusão. Tudo isto de há quarenta anos para cá e...parece que foi ontem…

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As rádios locais continuam a ter futuro?

Essa mesma pergunta já se fez aquando do aparecimento da televisão. Essa pergunta já se fez quando as exigências deste nicho de mercado, muito denso e competitivo, na natural separação do trigo do joio, obrigou ao encerramento ou à venda de muitas estações locais. Essa pergunta continua a fazer-se e quero acreditar que a resposta será sempre sim, apesar dos muitos constrangimentos.

Sim, as rádios locais continuam a ter futuro. Não deixando de se ancorar nas raízes que estiveram na sua génese, as rádios têm de se reinventar todos os dias, inovando sem perderem o essencial do seu carácter, pensar mais em redes de parcerias sem abdicar da natural e saudável concorrência a que a atividade obriga, primar por mais originalidade dentro da sua própria autenticidade, fugindo ao “mais do mesmo” que começa a ser tão comum no panorama da comunicação social.

No fundo, continuando a comprovar a velha máxima, perfeitamente insubstituível, de que “a rádio conta, a televisão mostra e o Jornal explica”.

 

 

 

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Uma vida nas ondas da rádio

por Correio da Guarda, em 27.04.21

 

José Luís Dias nasceu em Buffalo (EUA) em 1962 tendo vindo para a Guarda dez anos depois. Foi nesta cidade que fez as primeiras amizades e se entusiamou pela eletrónica, consolidando a sua paixão pela rádio e pelas comunicações. O Bonfim, na Guarda, é o seu bairro citadino de eleição, até pelo facto de aí ter vivido até 1986.

Fundador da Rádio Beira Alta (Seia), esteve também na génese da Rádio Cidade Oppidana (que emitiu na Guarda, no quadro das rádios livres) e colaborou com a Rádio Altitude, Rádio Clube de Monsanto e Rádio Mangualde.

 

Como surgiu a Rádio na tua vida?

É uma historia interessante; ainda criança, vivia nos Estados Unidos, fazia, com os meus amigos, muitos passeios de bicicleta e em várias ocasiões ia para as proximidades do local onde estavam as antenas emissoras de duas grandes rádios da cidade onde nasci: a WKBW, com 50 KW e a WGR com 10 KW (ambas em Onda Média)...

Uma boa meia dúzia de torres e um edificio monumental... espreitávamos pelas janelas e viam-se alguns dos equipamentos... fascinou-me esta visão da tecnologia.

Mais tarde, já em Portugal, enquanto frequentava a escola primária, bem antes da "Revolução dos Cravos", a minha professora de então resolveu levar-nos a duas visitas de estudo: em primeiro lugar, ao edifício da Emissora Nacional (hoje a RTP-Guarda), onde fomos recebidos pelo encarregado das instalações, que nos mostrou um estúdio com uma mesa de som bastante antiquada e depois os dois emissores (era um Collins de 1 KW e um Gates de 10KW)... Algumas semanas depois, foi a visita à Rádio Altitude... Aí, sim, se eu já tinha um fascino pela rádio e a sua tecnologia, foi o "click" definitivo.

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Como foram as primeiras experiências radiofónicas?

Possívelmente como a de todos os que fazemos ou fizemos rádio, na altura: umas experiências, num estúdio improvisado e equipamentos muito rudimentarers e amadores... eu, que já tinha queda para a electrónica, "engendrei" mais algumas coisas... Entre elas, um pequeno emissor de FM que emitia umas centenas de metros e um emissor de Onda Média, a válvulas, com peças reutilizadas de radios antigos...

 

E quando surgiu o primeiro contacto com a Rádio Altitude, e de que forma?

Como já referi, o primeiro contacto com a Rádio Altitude foi durante uma visita de estudo que decorreu ainda nos meus anos de escola primária; um primeiro contacto fascinante, considero-me feliz por ter acontecido, entrando no edifício, sendo-nos mostrado tudo, inclusivé, o emissor... Fascinou-me ver como se fazia rádio ao vivo, a rádio com gente dentro, ver o que já ouvia em casa quase diariamente.

 

Que marca te deixou a Rádio Altitude? Influenciou o teu percurso radiofónico?

Uma marca definitiva, forte, impulsionadora, foi na Rádio Altitude que, em 1978, aos 16 anos, pela "mão" daquele que considero o meu mentor, Emilio Aragonez, comecei a fazer rádio "a sério", foi o "Espaço Jovem", integrado na emissão da noite das 6ªs feiras, o "Intercâmbio 6".

Foi-me ensinado a trabalhar com equipamento de radiodifusão, a ter uma conversa natural e fluída com os ouvintes, a colocar a voz correctamente entre discos (sim, rodava discos, sabia fazer o "pre list"e "cue"), a respeitar quem nos ouve e, sobretudo, a manter os olhos bem abertos em relação aos níveis de áudio... não havia processamento, o único remédio era mesmo não deixar saturar os níveis, o "VUímetro” da consola não passava para o vermelho... algo que, ainda hoje, respeito.

 

Como surgiu o projeto da Rádio Beira Alta?

O projecto Rádio Beira Alta surge desse gosto pela rádio, por um lado, pelo facto de eu não ter sido integrado na Rádio Altitude, apesar dos esforços, o que, se tivesse acontecido, poderia ter alterado todo um projecto de vida... Também porque em Seia (e em praticamente todo o país) não havia nenhuma rádio e as existentes (A RA e a Emissora das Beiras (Caramulo)) não terem um sinal capaz, ainda não se falava de "rádio livre".

A génese da rádio ainda foi na Guarda, onde vivi até 1986; fui juntando meios rudimentares (2 gira-discos de categoria caseira, antigos, um gravador de cassetes e um painel com uns quantos botões e interruptores), mas no Verão, quando vinha de férias até Seia, lá acarretava tudo e fazia com que a RBA emitisse em Onda Média e FM, com esses meios rudimentares... a minha familia materna é daqui, a casa (onde moro e onde a Rádio esteve a emitir até ao seu fecho em 2003) está situada no alto da encosta, em Aldeia da Serra, local ideal para colocar antenas e obter um grande alcance.

O hábito manteve-se, entretanto mais meios foram sendo adquiridos (para o meu estúdio na Guarda e o estúdio daqui), até que em 1986, tudo se juntou...

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O que significou para ti o fim desse projeto?

O fim do projecto RBA foi triste, tendo em conta as circunstâncias; em 2003, a realidade social e economica do concelho e da região já era alarmante, tendo em conta o fecho das fábricas de lanifícios, onde milhares tinham o seu "ganha-pão" e, por consequência, a diminuição brutal da actividade economica, elevado índice de desemprego e a respectiva perda de mercado publicitário...

A rádio já estava a manter-se com dinheiros particulares, não era sustentável por muito mais tempo... Depois, o "embróglio" administrativo e legislativo que prejudicou a renovação do alvara... O fecho foi ordenado pela ANACOM em 30 de Junho, a RBA deixou de emitir... Mas não desapareceu... 18 anos depois, tudo existe, ainda, e funcional: os estúdios, os equipamentos, os arquivos musicais... Até a pequena torre onde estão ainda as antenas...

 

O que se seguiu, em termos radiofónicos?

Uma onda de sorte: soube, por dois amigos e ex-colaboradores, que a Rádio Mangualde, fruto de uma remodelação e entrada de uma nova direcção, estava no processo de admissão de colaboradores a tempo inteiro, enviei o meu currículo e fui chamado para uma entrevista...

Estavamos no dia 15 de Agosto de 2003, fui chamado à rádio, éramos 7 candidatos às diversas posições, os directores conversaram comigo, já era conhecido de alguns deles, coloquei as minhas condições e ficaram de me contactar posteriormente para me transmitirem a sua decisão.

Mal tinha chegado a casa, estava o telefone a tocar: eram eles, pensavam que ainda estava em Mangualde, voltei à rádio e fui convocado a estar presente no dia seguinte pelas 7 da manhã para começar a aprender o funcionamento. Para mim era tudo novo: um estúdio já sem gira-discos, sem gravadores, mas com um computador e um software de emissão... Tive apenas três dias para encaixar a "novidade" e depois disso... seguiram-se quase 10 anos nos 107.1, nas manhãs, mas também noutras tarefas, a cooperativa aproveitou-se do meu "know-how" para melhorar a casa e manter a manutenção dos equipamentos, inclusivé, cheguei a reparar o emissor, afectado por uma descarga atmosférica... infelizmente, também por motivos económicos (corria o ano de 2013) a rádio teve, também, o seu fim... Em 2014, fui contactado por um antigo colaborador da RBA, o Filipe Borges, que tinha celebrado um contrato com a cooperativa da Antena Livre (Gouveia), sabendo da minha situação e sabendo bem das minhas qualidades, convidou-me a fazer parte da equipa de arranque do novo projecto, não só para fazer rádio mas para o ajudar a coordenar toda a casa, no geral.

Aceitei o desafio e em Junho de 2014 já estava no ar a "nova" Antena Livre" e uma nova filosofia para a rádio: estúdios repartidos por vários concelhos, os meus, da RBA, tornaram-se no “Centro de Produção de Seia”...  infelzmente, não se pode realizar o alemejado e prometido contrato, tendo eu saído no final de um ano de colaboração, em Agosto de 2015... Considero esta data aquela em que “pendeurei em definitvo os auscultadores”.

Felizmente, a minha passagem deixou marcas, muito do que lá se faz, ainda hoje, é a continuidade das ideias implementadas durante a minha passagem .

 

Qual o programa que foi mais importante para ti?

Tenho vários que podem muito bem situar-se nessa categoria: o primeiro de todos, "Espaço Jovem" (ainda na Altitude), depois, ja na RBA mas também com emissão nas "Radios Livres" Radio Clube de Monsanto, Radio Cidade Oppidana e Rádio Elmo, o "Stereonoite", as emissões da manhã, na RBA, na Rádio Magualde e na Antena Livre e, o programa que tem a minha preferência, não só pela longevidade mas também pelo conteúdo musical que possui, "nascido" na RBA em 1983, depois levado por mim para a Rádio Mangualde e, depois, ainda antes de integrar a Antena Livre, para 3 emissoras de rádio (hoje são 11 FMs e 2 na internet), o "Filhos da Noite".

 

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É difícil fazer rádio no interior?

É. O interior é cada vez mais desertifacado, esquecido pelo governo central e penalizadado economicamente, não existem, logo à partida, muitas rádios para nos integrarmos profissionalmente... e nas que existem, os meios financeiros são escassos, longe vão os tempos da "carolice" que criaram esses projectos... por outro, devido ao envelhecimento das populações residentes, temos de fazer rádio para elas, muitas rádios não possuem arquivo suficiente de música desses tempos e algum desse material é proveniente da Internet, em arquivos de som com qualidade duvidosa, ou não têm ninguém para os passar... digo sempre.

Tive a felicidade de ter começado numa rádio que tem esses arquivos, ter trabalhado com eles, ter tido uma rádio que adquiriu arquivos semelhantes e ao longo destes anos me tenho servido desses arquivos para as minhas emissões, "obrigando-me" a conhecer as historias de quem canta, das canções, dos discos em si, porque quem ouve, nessas idades, quer mais do que música, quer companhia; as rádios locais são muitas vezes a sua única companhia, o locutor é, inúmeras vezes, a extensão da sua família.

 

Que desafios se colocam, atualmente, às rádios locais?

Imensos, direi mesmo, terríveis, pesados, alguns escusadamente impostos... O maior de todos é mercado publicitário, a sua maior é muitas vezes a única fonte de receitas, mesmo com rádios a fecharem, o mercado que fica não se direciona às que se mantém no ar... outro factor, talentos, sem finanças saudáveis, não há dinheiro para salários, logo, as vozes das rádios muitas vezes limitam-se a serem de gentes locais, não assalaridas ou um ou outro assalariado, mas mal pago (salário mínimo em quase todos os casos).

Os piores e mais temidos são os direitos a pagar: a "investida louca" das organizações que cobram os tão mal legislados "Direitos Conexos", usando-se de táticas de "bullying" para imporem as suas regras, igualmente da autoridade que nem devia existir (ERC) pelas mordormias pagas a quem detém cargos e executa funções que poderiam bem melhor, e mais economicamente, serem desempenhadas pela ANACOM.

Portugal não pode dar-se ao luxo de ter duas entidades com “quase” as mesmas funçõe... e, sem dúvida, a própria legislação da rádio, tantas vezes alterada, já, que impede a liberdade de decisão a quem dirige os projectos, obrigando a 24 horas de emissão, com o respectivo desgaste de equipamentos e avolumar de consumos de energia, as quotas de música portuguesa e a complicação da sua formatação (sub-quotas definidas, que obrigam a uma actualização constante dos dados), isto para não falar de que muita dessa musica é de facto "intragável" para a idade de quem ouve; por fim, a mudança de atitude das novas gerações, consumidoras de "playlists" pre-formatadas na Internet, numa pen ou cartão memória, sem intervalos, sem noticias, sem publicidades, afastando-as das realidades, tornado-as mais pobres na aquisiçao de informação daquilo que lhes rodeia... tudo somado, uma montanha de dificuldades... mas a "resilência" de quem dirige as rádios tem procurado resistir a todas estas contrariadades, com sucesso... até agora...

 

A rádio tem futuro?

Sim, tem, as novas tecnologias vão permitir melhorar qualitativamente a forma como se ouve rádio, sim, esse único meio gratuito e universal de difundir música, informação e cultura.

As "velhinhas" Onda Longa, Média e Curta podem ser renovadas com a utilização da tecnologia "DRM", aliando as qualidades destas frequências, de grande alcance, particularmente à noite, bem maior que o FM, permitindo uma escuta de qualidade FM em ondas que, até agora, têm um som de inferior qualidade motivado mais pelos regulamentos internacionais em vigor do que a tecnologia actual... por outro lado, a Internet, um meio não universal e "pago", mas que abre a janela das rádios ao mundo, com interação, em alguns casos, vários canais de rádio e, já em muito, aquilo que já se denomina de "radiovisão", aliando o vídeo ao áudio, neste caso, rádio.

 

Quais os teus atuais projetos?

De momento, o único grande projecto que mantenho com dedicação é um programa de duas horas, semanal, "Filhos da Noite", emitido em 10 rádios FM e duas rádios na Internet, mas que procuro ainda expandir, de distribuição gratuita, o seu conteúdo é de música dos anos 60, 70 e 80, não portuguesa por opção, mas inclui tudo aquilo que, não sendo inglês, também passou pela rádio nessa altura - gandes canções italianas, francesas, alemãs, holandesas - e, durante os meses de Abril e Maio, o destaque vai para o Eurovisão da Canção, desde inícios até meados dos anos 80.

Pela dedicação que tenho aos arquivos de música do passado, continuo a frequentar feiras de antiguidades e usados para continuar a adicionar material musical para o programa porque na Internet não se arranja e, se existe, tem fraca qualidade, sendo o disco o melhor suporte musical. Também, dar assitência em regime de “freelancer” a rádios que me solicitem apoio e o uso dos meus conhementos para resolver problemas (de momento, são os casos da Rádio Imagem e Antena Livre), por fim, no meu trabalho actual, na Fundação Aurora Borges, uma IPSS, em Santa Marinha (Seia), para além de outras tarefas que desempenho, a continuação da dedicação dada à produção de conteúdos de video das reportagens efectuadas para o Jornal de Santa Marinha e a continuidade do programa de rádio “A Voz da Solidariedade”, produzido semanalmente na própria Fundação, em estúdio construido para o efeito e onde tenho a responsabilidade da sonoplastia.

 

O que representa para ti a Guarda?

Tudo! É a minha terra adoptiva, a cidade que me acolheu, onde tive os meus primeiros amigos, onde frequentei o ensino e aprendi tudo o que sei de electrónica, onde se formou e consolidou o meu amor pela radiodifusão e pelas comunicações, onde ainda hoje volto sempre que posso nem que seja para ir à padaria do Bonfim (meu bairro do coração) comprar o meu pão espanhol e, sempre, quando regresso, cai uma lágrima de emoção à chegada, assim como cai outra, quando a deixo...

 

 

 

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publicado às 00:01

Ismael Marcos: um beirão no Alentejo

por Correio da Guarda, em 23.04.21

 

Ismael Marcos desenvolveu ao logo de algumas décadas a sua atividade profissional na Guarda, na área da comunicação. Inicialmente na rádio e depois na televisão, acompanhou o pulsar da região beirã, através de múltiplos trabalhos.

Hoje a sua atenção centra-se noutros territórios do país; mas nas suas memórias está a sempre a Guarda, como aliás expressou ao CORREIO DA GUARDA.

Ismael Marcos - RTP - 1.jpg

Onde está a desenvolver, atualmente, o seu trabalho?

Neste momento estou na delegação da RTP em Évora numa área de cobertura que vai de Portalegre a Ourique e Mértola

Porquê a opção por Évora?

Na altura era uma região que me fascinava e foi também juntar o útil ao agradável, pois o meu filho mais velho entrou esse ano2015 na universidade de Évora 

Que comparação ou diferenças acentua entre a Guarda e a cidade onde vive atualmente?

São cidades completamente diferentes, em todos os aspetos, desde a própria geografia delas à construção, à preservação, etc. ..

Guarda boas memórias da sua passagem pela Rádio? O que gostou mais de fazer?

Claro que guardo excelentes memórias da minha passagem pela Rádio Altitude, desde a aprendizagem à própria camaradagem e penso que também deixei algum contributo com os conhecimentos que trazia de outra grande casa que é a Rádio Renascença.

Tenho boas memórias dos diretos que fazia com o Emílio Aragonês, aos fim-de-semana, das diversas câmaras municipais.

O trabalho na televisão marcou um novo ciclo na sua vida?

Sim o trabalho em televisão é um trabalho mais desafiante muito diferente da rádio, na televisão temos que estar lá, não podemos fazer à distância, temos que tratar não só do som mas também da imagem, preparados para qualquer situação e qualquer tema, desde a sociedade à política, passando pelo desporto etc.

Como estou numa delegação tenho a vantagem da polivalência, ou seja desde a captação da imagem à edição da peça e depois ao envio prontinha para emissão tudo é feito por mim.

Ismael MARCOS - RTP.jpg

Que episódios positivos ou negativos regista do seu trabalho, em televisão?

São muitos os episódios positivos, que passam desde o conhecimento de pessoas novas e diferentes diariamente, assim como locais, às várias deslocações ao estrangeiro, cobertura de eleições em todo o território nacional, voltas a Portugal em bicicleta e muito mais…

Notas negativas, aquelas que inerentes à concorrência, as nossas chefias se vêm obrigadas a nos pedirem coisas que por vezes não tem qualquer interesse (basicamente as secas que muitas vezes apanhámos quer seja por exemplo à porta de um tribunal ou à porta de uma prisão, muitas vezes à chuva e ao frio ou ao calor tórrido do Alentejo)

Qual o evento que mais gostou de acompanhar?

Sem dúvida a cobertura dos jogos paraolímpicos em Pequim 2008

O seu futuro vai cruzar-se ainda com a Guarda?

Nunca podemos dizer desta água não beberei, mas não me importava, são as minhas raízes.

A Guarda tem potencialidades para um maior desenvolvimento? Qual a sua maior riqueza?

A Guarda tem todas as potencialidades, desde as pessoas que são trabalhadoras e empreendedoras, à própria localização geográfica da cidade, as vias de acesso e comunicação; tem todas as potencialidades para ser uma grande cidade e uma grande região, assim haja sinergias e vontade política!...

Tem pensado algum projeto pessoal que queira implementar?

Para já projetos...e com a pandemia à nossa volta, é viver o dia a dia!...

 

 

 

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publicado às 13:15

João Ferreira: memórias da Rádio e da Guarda

por Correio da Guarda, em 20.04.21

 

João Ferreira saiu da Guarda com 18 anos, mas a cidade continua a ser uma referência para ele. Segue à distância a vida e os acontecimentos citadinos, nomeadamente através das redes sociais, dos jornais e dos contactos com os amigos, “que deixei há 35 anos”.

Na sua memória continuam “os tempos da adolescência, com os cursos de fotografia, diaporama, teatro, xadrez, etc, elaborados no extinto FAOJ, nas instalações da Praça Velha; bem como a passagem para a Associação dos Jogos Tradicionais e do Lazer e os levantamentos fotográficos de fim de semana dos torneios de jogos tradicionais e as respetivas noites no laboratório para revelação e impressão dos filmes; das Festas da Cidade na cabine da Rádio Altitude e na noite da RA receber em casa a vedeta Marco Paulo para pagamento do cachet do espetáculo; as noites no Centro Cultural com alguns trabalhos de sonoplastia para o Grupo de Teatro Aquilo”.

joão Ferreira 3.jpg

Contudo é a Rádio Altitude que prevalece no topo das suas memórias, desde logo pela ligação familiar a um dos nomes incontornáveis daquela estação emissora: Antunes Ferreira, seu pai.

Há três grandes motivos me fazem seguir a Rádio Altitude, recorrentemente: o meu Pai, os amigos e conhecidos que ficaram ou seguiram, como eu, outros destinos e a própria Cidade da Guarda e as suas novas.”

Ao Correio da Guarda disse que “ainda garoto acompanhava o Antunes Ferreira para a Rádio; era uma aventura poder mexer nos discos, admirar as capas dos Singles e LP´s com imagens que, na altura, eram o equivalente a uma visita a um museu de arte moderna e, ainda que agora pareça estranho, conhecer cara a cara os autores/cantores dos registos fonográficos. Como compensação, podia ouvir qualquer música que me despertasse atenção, quer pela capa do disco, quer pelo título ou até porque podia ouvir tudo o que me despertasse a atenção”.

Do rés-do-chão da casa da Rádio evoca o tempo que passava “no meio do cheiro de uma cola de vidro, blocos de folhas de papel amarelas, excedentes de divisórias de radiografias do, na altura, Sanatório Sousa Martins e recortes de Jornais nacionais. À frente desse método quase artesanal de “fazer” notícias, o Sr. Manuel Vaz Júnior” pegava em mim, punha nas minhas mãos uma pesada tesoura, pincel de cola e ensinava-me os primeiros passos de “adjunto de redactor”...

Como nos referiu, a ele deve “o hábito de ler um jornal de ponta a ponta e encontrar uma notícia na necrologia ou nas farmácias de serviço. Quem passou por lá saberá do que escrevo”.

Do pai, Antunes Ferreira, ganhou o hábito de ler. “Desde muito novo que o via ler, de jornais a livros, e quando ganhei o conhecimento que por letras se podia viajar para qualquer lado fiquei viciado na capacidade de adquirir qualquer conhecimento com esse simples exercício que sempre me acompanhou.”

João Ferr3ira - 1.jpg

Com o tempo foi-se envolvendo na atividade da Rádio. “As gravações de programas, a colocação de microfones, o arquivo de fichas de registo dos temas da discoteca, a arrumação dos discos, as transmissões exteriores como a exaustiva tarefa de busca para ponto de telefone e respetiva ligação do cabo de rede, as longas noites de eleições e as chamadas telefónicas para os pontos eleitorais com os resultados à boca das urnas, as tardes de domingo com as chamadas para os Campos de Futebol ou cafés próximos, a gravação dos primeiros programas noturnos, enfim... um pouco da história da Rádio Altitude dos anos 70 e 80 que passava por todos os colaboradores porque era um curso abrangente a quem, na maioria dos casos, estava ali por carolice e gosto”.

João Ferreira lembra ainda os tempos em que foi “arquivista, dos discos e respetivas fichas, cobrador de anunciantes, sonoplasta de inúmeros de programas, realizador e co-autor de programas, inauguração do novo Estúdio de Gravação, Hi-Tec para a época, onde aprendi a lidar com a tecnologia mais recente de sonoplastia de Rádio”.

Nas imagens sobre o tempo passado nesta emissora guardense tem ainda presente o trabalho que desenvolveu “com programas de autores e co-autoria, com Luís Celínio (Escape Livre), Hélder Sequeira (Passado e Presente), Albino Bárbara, Jorge Barreto Xavier, Martins das Neves, etc.”

Sobre o seu pai sublinha que foi sempre uma referência “quer como a pessoa que definiu o carácter e exemplo a seguir, quer como exemplo profissional. Sempre o vi primar pela justiça, equidade, humildade, profissionalismo e independência.

Recordo com orgulho as palavras escritas por um grande profissional que por lá passou e cedo a vida levou, numa dedicatória registada na primeira edição da Constituição da República de 1976: “Ao amigo Antunes Ferreira, fazendo votos que faça cumprir o Artº 37º ”... Sempre cumpriu e garantiu que fosse cumprido.”

Instado a comentar alguns episódios vividos na rádio, João Ferreira disse que tinha dezenas deles. “Mas recordo principalmente nos pós-25 de Abril de 1974, ir com o meu pai para a RA e deparar ao cimo das escadas do primeiro piso, com uma G3 encostada e o respetivo titular a descansar na sala que mais tarde seria a biblioteca. Perante a minha interrogação o meu pai terá dito algo como:Aquele soldado está ali para nos defender”. Eu retorqui: “Mas a arma está ali, longe dele!”, ao que o meu respondeu: “ele sabe que eu já cheguei e nesta altura, como ninguém nos fará mal, foi descansar um pouco.” Dormi todo o PREC descansado!

João Ferreira 2.jpg

João Ferreira (sócio-gerente de empresa do ramo mobiliário e colchoaria, após ter passado à reserva no Exército, onde esteve cerca de 13 anos) vive, atualmente, entre Lisboa e Aroeira, “hábito que ganhei graças à pandemia e passei a repartir o meu tempo entre a habitação normal em dias de trabalho pleno e à casa de férias para os períodos de lazer e de confinamento.”

Partiu da Guarda para Lisboa em 1985 para cursar Direito; contudo, ao fim de quatro anos ingressou no Exército, “onde fiz o Curso de Sargentos e pausei, na altura sem prever, “ad eternum” a finalização do Curso de Direito, onde ainda fiz mais 2 anos já no novo milénio.”

Continua empenhado no estudo da História do Armamento do Exército Português e mantém a “paixão pela fotografia, apesar de muitas vezes, por inerência à atividade na área do turismo, deixe a mochila da máquina fotográfica em casa e use o telemóvel, com o défice óbvio.

 

 

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publicado às 19:00

Dia Mundial do Rádio 2021

por Correio da Guarda, em 13.02.21

 

Dia Mundial da Rádio 2021.png

Hoje assinala-se o Dia Mundial do Rádio. “Mais do que nunca, precisamos desse meio humanista universal, vetor da liberdade. Sem o rádio, o direito à informação e à liberdade de expressão e, com eles, as liberdades fundamentais seriam fragilizadas(...)". Assinala Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO.

Recorde-se que o 13 de fevereiro foi designado em 2011 pelos estados membros da UNESCO, e adotado em 2012 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, como Dia Internacional do Rádio. A escolha do 13 de fevereiro fica a dever-se ao facto de ter sido neste dia que o Rádio das Nações Unidas emitiu pela primeira vez, em 1946, um programa em simultâneo para um grupo de seis países.

Radio - vintage - Foto Helder Sequeira.jpg

A  celebração do décimo aniversário do Dia Mundial do Rádio é subordinada ao tema “Novo Mundo, Novo Rádio”, realçando a capacidade de adaptação deste meio às transformações sociais e tecnológicas, bem como na sua flexibilidade para responder às solicitações hodiernas dos seus ouvintes.

Uma temática que se desdobra, a propósito deste dia, nos subtemas “Evolução” (sublinhando a mudança da nossa realidade e evolução do rádio), “Inovação” (a propósito da transformação operada para que o Rádio aproveite e rentabilize os recursos oferecidos pelas novas tecnologias, inovando no sentido de consolidar a sua presença quotidiana e assegurar melhores condições de acesso às emissões) e “Conexão” (evidenciando o seu papel de meio rápido e eficaz de contacto, de agente informativo e formativo).

O Rádio tem sido o meio de comunicação social que atinge elevadas audiências e consegue estar presentes em zonas onde outros canais de informação não chegam, por diversificadas razões.

Dia Mundial da Rádio 2021  - foto Helder Sequeira

E nesta época de pandemia, isolamento, restrições várias, o rádio ajuda-nos a desconfinar, encarando o presente e o futuro com novo vigor; criando adaptações para um tempo diferente.

Jaime Marques de Almeida, jornalista com uma longa e ativa carreira radiofónica, escreveu que “este é o tempo de não nos tocarmos. Mas a Rádio toca-nos! Este é o tempo de tantas fronteiras afectivas. Mas a Rádio abraça-nos! Este é o tempo de todos os afastamentos. Mas a Rádio envolve-nos!”

Acrescentaremos que este continua a ser o tempo do rádio! Do rádio cada vez mais interventivo, com futuro.

O rádio é indissociável das nossas vidas.

(Hélder Sequeira)

 

 

 

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publicado às 00:05

Rádio Altitude: prevenção altera programas

por Correio da Guarda, em 15.03.20

Estúdio da Rádio Altitude.jpgFoto: RA

 

A Rádio Altitude decidiu suprimir, até 12 de abril, todas as presenças em estúdio de convidados, entrevistados, comentadores, cronistas, intervenientes em rubricas ou programas temáticos e outros colaboradores externos.

Como explicou o diretor daquela estação emissora, Rui Isidro, “é uma medida de contenção da propagação do novo coronavírus SARS-CoV-2, tomada num pressuposto de responsabilização social e num momento em a Organização Mundial de Saúde decreta a situação de pandemia e Portugal entra em estado de alerta.”

Na informação divulgada pela Rádio Altitude, o diretor acrescenta que “para lá de outros procedimentos adotados internamente pelos profissionais da estação (reforço da higienização de zonas e equipamentos de trabalho; redistribuição de espaços e fixação de turnos; cancelamento da cobertura presencial de acontecimentos onde possa haver concentração de pessoas para além do razoável nas atuais circunstâncias), todas as participações de colaboradores passam a ser efetuadas por via telefónica ou outro meio que não exija a presença nos estúdios.”

Com esta decisão a emissora evita a “deslocação dos quase 60 cidadãos – dos mais diversos quadrantes profissionais, sociais e etários – que ajudam a fazer esta Rádio”, acrescentou Rui Isidro.

Assim, a Rádio Altitude irá proceder à suspensão temporária ou à adaptação de formatos de programas e rubricas, mantendo-se sem alterações os programas que têm produção autónoma dos seus autores, bem como outros cuja gravação não necessita de ser presencial.

 

 

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publicado às 00:28

Espaço de memória e diálogo...

por Correio da Guarda, em 21.02.20

 

A denominada imprensa regional tem, no nosso país, uma expressão muito particular. No passado século, ao longo do território nacional, floresceram os mais variados títulos que deram voz a múltiplas posturas e cuja influência deixou traços indeléveis na historiografia regional.

Muitos desses jornais evoluíram, como sabemos, em função das conjunturas políticas, sociais e económicas; os seus exemplares constituem, inquestionavelmente, importantes documentos para o estudo do perfil de cada região, das mentalidades, das instituições e das vivências.

Os jornais, se por um lado representam um rico espólio cultural são, por outro, um auxiliar precioso na investigação que se pretenda efetuar, em vários domínios, acerca da região em que foram editados ou à qual circunscreveram a sua cobertura, independentemente da periodicidade.

Imprensa Regional.jpg

A imprensa regional tem, por mérito próprio, um lugar de destaque na cultura portuguesa, constituindo um baluarte da forma de estar e de ser, das nossas gentes, das nossas terras; foi – e os jornais do interior assim o comprovam — um eminente elo de ligação com aqueles que residiam noutras regiões e com os nossos compatriotas radicados na Europa ou noutros continentes, mantendo ainda essa presença alargada hoje, sobretudo, através das plataformas digitais.

Trabalhar com profissionalismo e serenidade na imprensa regional não se pode dizer que, mesmo nos dias de hoje, seja tarefa fácil; só quem conhece e sente os seus problemas, o entusiasmo do ciclo do nascer e morrer de cada edição pode apreender verdadeiramente a vivência e peculiar dos jornais, barómetros permanentes dos factos e conjunturas das zonas em que são editados, outrossim um motor de energias e esperanças.

A imprensa regional tem sabido afrontar o seu destino, as suas vicissitudes, alimentando o direito à informação, desempenhando a sua função social. O número de publicações periódicas tem oscilado, mas a região da Guarda não perdeu, felizmente, a sua rica tradição jornalística e registou uma notória evolução gráfica e qualitativa da imprensa.

O distrito da Guarda, como bem evidenciou J. Pinharanda Gomes, foi “pioneiro da imprensa política regional e da imprensa católica nacional” continuando, no presente, a honrar a tradição no campo da comunicação social, tendo trilhado, em muitos casos, novas perspetivas e horizontes, como é o caso deste semanário que completa 20 anos de edições ininterruptas.

A história da imprensa e da cultura cruza-se com dos equipamentos tipográficos pois em tantas situações foi acertado “o passo espiritual pela celeridade mecânica” que se refletiu também noutros sectores da vida económica e social.

Como tem acontecido com outras parcelas do nosso património, o esquecimento atingiu as velhas peças das antigas tipografias, elementos primordiais para o conhecimento da evolução operada no sector gráfico.

Nesta região existem (por enquanto e se não houver atitudes/medidas de preservação e salvaguarda) testemunhos desse percurso, de uma época em que as máquinas de impressão não tinham o auxílio da energia elétrica, a composição era manual e as zincogravuras eram indispensáveis para ilustração dos textos. Estamos perante realidades tão próximas e simultaneamente tão distantes; espaços onde se cruzaram saberes, arte, experiências múltiplas, vidas, entusiasmos, dificuldades, episódios ímpares de que brotaram as mais diversas publicações ou trabalhos gráficos.

Continuamos alheios a um património que corre o risco de se perder irremediavelmente, face à marcha célere do progresso, da evolução técnica, do redimensionamento dos mercados ou das novas exigências empresariais e comerciais.

Num período em que as muitas atenções estão centradas no processo de candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura não seria totalmente despropositado equacionar a criação, nesta cidade, de um espaço de memória e diálogo, interpretativo, dedicado às Artes Gráficas (capaz de contribuir para salvaguarda, estudo e divulgação do espólio das tipografias de uma região foi rica em títulos de imprensa local) e à Comunicação Social (pois se houve pioneirismo na Imprensa não devemos, de forma alguma esquecer a radiodifusão sonora, mormente a Rádio Altitude cujas primeiras ondas hertzianas remontam ao longínquo ano de 1946).

É imperioso alertar/sensibilizar a comunidade, as instituições e entidades para que sejam desencadeadas as necessárias estratégias de forma a não se perderem os insubstituíveis valores existentes, assegurando o seu e conhecimento pelas gerações do presente e do futuro, facilitando e incentivando o seu estudo, honrando a imprensa e a rádio, intervindo culturalmente. (Hélder Sequeira)

 

In "O Interior", 20|02|2020

 

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publicado às 07:42

Dia Mundial da Rádio é assinalado hoje

por Correio da Guarda, em 13.02.20

 

 

Dia Mundial da Rádio - HS.jpg

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Rádio, este ano tendo como tema o poder da radiodifusão para refletir e promover a diversidade, em todas as suas formas.

Como refere a diretora geral da UNESCO, Audrey Azoullay, sem a rádio o mundo perderia a liberdade e a diversidade cultural.

A data de 13 de fevereiro foi escolhida, recorde-se, pelo facto de ter sido neste dia que a Rádio das Nações Unidas emitiu pela primeira vez, em 1946, um programa em simultâneo para um grupo de seis países.

Declarada esta data, pela UNESCO, em 2011, a primeira vez que se comemorou o Dia Mundial da Rádio foi em 2012.

Microfone de Estúdio  - HS.jpg

Desde então, e com propostas temáticas diferentes para se assinalar este dia, a rádio tem sido o meio de comunicação social que atinge as maiores audiências, demonstrando uma notória adaptação às novas tecnologias e comprovando a eficácia da sua intervenção informativa na hora.

Esta capacidade de estar presente é reforçada através das emissões suportadas na web, denotando um crescimento significativo.

 

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publicado às 07:05

Nos primórdios da Rádio Altitude...

por Correio da Guarda, em 24.10.19

 

De entre as figuras que se destacaram na Guarda, da primeira metade do século XX, sobressai o médico Ladislau Fernando Patrício, nascido, nesta cidade, a 7 de dezembro de 1883 (faleceu em Lisboa na noite de Natal de 1967).

Ladislau Patrício, depois de concluídos os estudos secundários na Guarda, frequentou o ensino superior em Coimbra, onde conviveu com alunos das diversas Faculdades, alguns dos quais se distinguiram mais tarde, “pela vida fora, no campo das ciências, das artes, das letras e da política: António Sardinha, Alfredo Pimenta, Hipólito Raposo, Veiga Simões, Alfredo Monsaraz, Vicente Arnoso, Carlos Amaro, Cândido Guerreiro, Ramada Curto, João de Barros e outros”.

Ladislau Patrício - Capa de Livro.jpg

 

Concluiu a formatura em Medicina a 30 de setembro de 1908. Depois de uma passagem por Loulé, no ano seguinte regressou à Guarda. Em 1910 desempenhou as funções de Vice-Presidente da Comissão Executiva do Centro Republicano da Guarda, presidida por seu cunhado, o poeta Augusto Gil. Em vários artigos publicados na imprensa, sobretudo no jornal Actualidade, Ladislau Patrício denotava o seu ideal republicano e alertava para algumas dificuldades ao nível da consolidação do novo regime.

Por altura da primeira guerra mundial, o médico guardense foi nomeado diretor de um sanatório para soldados tuberculosos, instalado no antigo colégio dos Jesuítas, em S. Fiel, nas proximidades de Louriçal do Campo, onde esteve entre 1917 e 1919. Regressando à sua terra natal e à atividade clínica, começou a trabalhar, três anos depois no Sanatório Sousa Martin, instituição de que foi diretor, a partir de 1932 e até 1953.

Neste Sanatório, para além da atividade como clínico e diretor, mostrou o seu empenhado em apoiar e desenvolver, em finais da década de quarenta, a radiodifusão sonora no seio daquela unidade de tratamento da tuberculose. As experiências radiofónicas que se desenharam a partir de 1946 foram ganhando nova forma, consistência, despertando interesse e apoios. A necessidade de comunicar, de partilhar o tempo e de o tornar menos cruel naquele ambiente da doença, era cada vez mais acentuada.

No ano seguinte, com data de 21 de outubro, foi estabelecido um regulamento para a estação emissora da Caixa Recreativa do Sanatório Sousa Martins, onde estavam contempladas regras precisas para as emissões radiofónicas.

É Ladislau Patrício que aprova, enquanto diretor do Sanatório, esse documento, que publicámos no livro “O Dever da Memória – uma Rádio no Sanatório da Montanha” (2003). A “estação emissora da Caixa Recreativa denomina-se Rádio Altitude e destina-se a proporcionar aos doentes do Sanatório certas distracções compatíveis com a disciplina do tratamento.” Definia esse documento, de grande significado para essa estação emissora que passou a funcionar “sob administração directa da Comissão Administrativa, que nomeará um dos seus membros para Director dos respectivos serviços.”

De acordo com o referido regulamento, fundamental para o desenvolvimento de emissões regulares (a inauguração oficial da Rádio Altitude ocorreu a 29 de julho de 1948), “os produtores, locutores e operadores serão pessoas em condições suficientes de saúde para exercerem as respectivas funções e os nomes serão apresentados à Direcção do Sanatório para aprovação”.

Numa grelha que, à época, tinha como principal programa o “Simpatia”, preenchido “com os discos pedidos pelos radiouvintes” era regulamentado que “não deve exceder metade da emissão total, enquanto for organizado diariamente. (…) As dedicatórias que acompanhem os pedidos devem ser escritas por forma a facilitar a locução e não poderão ir além de 50 palavras, tratando-se de prosa, ou de 16 versos, se os solicitantes adoptarem poesia. (…) As dedicatórias deverão ser correctas e de harmonia com o carácter de relações existentes entre pessoas decentes e serão apresentadas até às 14 horas (…)”.

O médico Ladislau Patrício, que se afirmou também como como ensaísta e escritor, está indissocialvelmente ligado à história da radiodifusão em Portugal e da Rádio Altitude em particular. Recordar este documento, setenta e dois anos depois, é lembrar um distinto guardense e o apoio que deu a um projeto radiofónico que continua a dar voz à Guarda e região…

(Hélder Sequeira)

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publicado às 12:45


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