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Rádio Altitude: prevenção altera programas

por Correio da Guarda, em 15.03.20

Estúdio da Rádio Altitude.jpgFoto: RA

 

A Rádio Altitude decidiu suprimir, até 12 de abril, todas as presenças em estúdio de convidados, entrevistados, comentadores, cronistas, intervenientes em rubricas ou programas temáticos e outros colaboradores externos.

Como explicou o diretor daquela estação emissora, Rui Isidro, “é uma medida de contenção da propagação do novo coronavírus SARS-CoV-2, tomada num pressuposto de responsabilização social e num momento em a Organização Mundial de Saúde decreta a situação de pandemia e Portugal entra em estado de alerta.”

Na informação divulgada pela Rádio Altitude, o diretor acrescenta que “para lá de outros procedimentos adotados internamente pelos profissionais da estação (reforço da higienização de zonas e equipamentos de trabalho; redistribuição de espaços e fixação de turnos; cancelamento da cobertura presencial de acontecimentos onde possa haver concentração de pessoas para além do razoável nas atuais circunstâncias), todas as participações de colaboradores passam a ser efetuadas por via telefónica ou outro meio que não exija a presença nos estúdios.”

Com esta decisão a emissora evita a “deslocação dos quase 60 cidadãos – dos mais diversos quadrantes profissionais, sociais e etários – que ajudam a fazer esta Rádio”, acrescentou Rui Isidro.

Assim, a Rádio Altitude irá proceder à suspensão temporária ou à adaptação de formatos de programas e rubricas, mantendo-se sem alterações os programas que têm produção autónoma dos seus autores, bem como outros cuja gravação não necessita de ser presencial.

 

 

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publicado às 00:28

Espaço de memória e diálogo...

por Correio da Guarda, em 21.02.20

 

A denominada imprensa regional tem, no nosso país, uma expressão muito particular. No passado século, ao longo do território nacional, floresceram os mais variados títulos que deram voz a múltiplas posturas e cuja influência deixou traços indeléveis na historiografia regional.

Muitos desses jornais evoluíram, como sabemos, em função das conjunturas políticas, sociais e económicas; os seus exemplares constituem, inquestionavelmente, importantes documentos para o estudo do perfil de cada região, das mentalidades, das instituições e das vivências.

Os jornais, se por um lado representam um rico espólio cultural são, por outro, um auxiliar precioso na investigação que se pretenda efetuar, em vários domínios, acerca da região em que foram editados ou à qual circunscreveram a sua cobertura, independentemente da periodicidade.

Imprensa Regional.jpg

A imprensa regional tem, por mérito próprio, um lugar de destaque na cultura portuguesa, constituindo um baluarte da forma de estar e de ser, das nossas gentes, das nossas terras; foi – e os jornais do interior assim o comprovam — um eminente elo de ligação com aqueles que residiam noutras regiões e com os nossos compatriotas radicados na Europa ou noutros continentes, mantendo ainda essa presença alargada hoje, sobretudo, através das plataformas digitais.

Trabalhar com profissionalismo e serenidade na imprensa regional não se pode dizer que, mesmo nos dias de hoje, seja tarefa fácil; só quem conhece e sente os seus problemas, o entusiasmo do ciclo do nascer e morrer de cada edição pode apreender verdadeiramente a vivência e peculiar dos jornais, barómetros permanentes dos factos e conjunturas das zonas em que são editados, outrossim um motor de energias e esperanças.

A imprensa regional tem sabido afrontar o seu destino, as suas vicissitudes, alimentando o direito à informação, desempenhando a sua função social. O número de publicações periódicas tem oscilado, mas a região da Guarda não perdeu, felizmente, a sua rica tradição jornalística e registou uma notória evolução gráfica e qualitativa da imprensa.

O distrito da Guarda, como bem evidenciou J. Pinharanda Gomes, foi “pioneiro da imprensa política regional e da imprensa católica nacional” continuando, no presente, a honrar a tradição no campo da comunicação social, tendo trilhado, em muitos casos, novas perspetivas e horizontes, como é o caso deste semanário que completa 20 anos de edições ininterruptas.

A história da imprensa e da cultura cruza-se com dos equipamentos tipográficos pois em tantas situações foi acertado “o passo espiritual pela celeridade mecânica” que se refletiu também noutros sectores da vida económica e social.

Como tem acontecido com outras parcelas do nosso património, o esquecimento atingiu as velhas peças das antigas tipografias, elementos primordiais para o conhecimento da evolução operada no sector gráfico.

Nesta região existem (por enquanto e se não houver atitudes/medidas de preservação e salvaguarda) testemunhos desse percurso, de uma época em que as máquinas de impressão não tinham o auxílio da energia elétrica, a composição era manual e as zincogravuras eram indispensáveis para ilustração dos textos. Estamos perante realidades tão próximas e simultaneamente tão distantes; espaços onde se cruzaram saberes, arte, experiências múltiplas, vidas, entusiasmos, dificuldades, episódios ímpares de que brotaram as mais diversas publicações ou trabalhos gráficos.

Continuamos alheios a um património que corre o risco de se perder irremediavelmente, face à marcha célere do progresso, da evolução técnica, do redimensionamento dos mercados ou das novas exigências empresariais e comerciais.

Num período em que as muitas atenções estão centradas no processo de candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura não seria totalmente despropositado equacionar a criação, nesta cidade, de um espaço de memória e diálogo, interpretativo, dedicado às Artes Gráficas (capaz de contribuir para salvaguarda, estudo e divulgação do espólio das tipografias de uma região foi rica em títulos de imprensa local) e à Comunicação Social (pois se houve pioneirismo na Imprensa não devemos, de forma alguma esquecer a radiodifusão sonora, mormente a Rádio Altitude cujas primeiras ondas hertzianas remontam ao longínquo ano de 1946).

É imperioso alertar/sensibilizar a comunidade, as instituições e entidades para que sejam desencadeadas as necessárias estratégias de forma a não se perderem os insubstituíveis valores existentes, assegurando o seu e conhecimento pelas gerações do presente e do futuro, facilitando e incentivando o seu estudo, honrando a imprensa e a rádio, intervindo culturalmente. (Hélder Sequeira)

 

In "O Interior", 20|02|2020

 

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publicado às 07:42

Dia Mundial da Rádio é assinalado hoje

por Correio da Guarda, em 13.02.20

 

 

Dia Mundial da Rádio - HS.jpg

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Rádio, este ano tendo como tema o poder da radiodifusão para refletir e promover a diversidade, em todas as suas formas.

Como refere a diretora geral da UNESCO, Audrey Azoullay, sem a rádio o mundo perderia a liberdade e a diversidade cultural.

A data de 13 de fevereiro foi escolhida, recorde-se, pelo facto de ter sido neste dia que a Rádio das Nações Unidas emitiu pela primeira vez, em 1946, um programa em simultâneo para um grupo de seis países.

Declarada esta data, pela UNESCO, em 2011, a primeira vez que se comemorou o Dia Mundial da Rádio foi em 2012.

Microfone de Estúdio  - HS.jpg

Desde então, e com propostas temáticas diferentes para se assinalar este dia, a rádio tem sido o meio de comunicação social que atinge as maiores audiências, demonstrando uma notória adaptação às novas tecnologias e comprovando a eficácia da sua intervenção informativa na hora.

Esta capacidade de estar presente é reforçada através das emissões suportadas na web, denotando um crescimento significativo.

 

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publicado às 07:05

Nos primórdios da Rádio Altitude...

por Correio da Guarda, em 24.10.19

 

De entre as figuras que se destacaram na Guarda, da primeira metade do século XX, sobressai o médico Ladislau Fernando Patrício, nascido, nesta cidade, a 7 de dezembro de 1883 (faleceu em Lisboa na noite de Natal de 1967).

Ladislau Patrício, depois de concluídos os estudos secundários na Guarda, frequentou o ensino superior em Coimbra, onde conviveu com alunos das diversas Faculdades, alguns dos quais se distinguiram mais tarde, “pela vida fora, no campo das ciências, das artes, das letras e da política: António Sardinha, Alfredo Pimenta, Hipólito Raposo, Veiga Simões, Alfredo Monsaraz, Vicente Arnoso, Carlos Amaro, Cândido Guerreiro, Ramada Curto, João de Barros e outros”.

Ladislau Patrício - Capa de Livro.jpg

 

Concluiu a formatura em Medicina a 30 de setembro de 1908. Depois de uma passagem por Loulé, no ano seguinte regressou à Guarda. Em 1910 desempenhou as funções de Vice-Presidente da Comissão Executiva do Centro Republicano da Guarda, presidida por seu cunhado, o poeta Augusto Gil. Em vários artigos publicados na imprensa, sobretudo no jornal Actualidade, Ladislau Patrício denotava o seu ideal republicano e alertava para algumas dificuldades ao nível da consolidação do novo regime.

Por altura da primeira guerra mundial, o médico guardense foi nomeado diretor de um sanatório para soldados tuberculosos, instalado no antigo colégio dos Jesuítas, em S. Fiel, nas proximidades de Louriçal do Campo, onde esteve entre 1917 e 1919. Regressando à sua terra natal e à atividade clínica, começou a trabalhar, três anos depois no Sanatório Sousa Martin, instituição de que foi diretor, a partir de 1932 e até 1953.

Neste Sanatório, para além da atividade como clínico e diretor, mostrou o seu empenhado em apoiar e desenvolver, em finais da década de quarenta, a radiodifusão sonora no seio daquela unidade de tratamento da tuberculose. As experiências radiofónicas que se desenharam a partir de 1946 foram ganhando nova forma, consistência, despertando interesse e apoios. A necessidade de comunicar, de partilhar o tempo e de o tornar menos cruel naquele ambiente da doença, era cada vez mais acentuada.

No ano seguinte, com data de 21 de outubro, foi estabelecido um regulamento para a estação emissora da Caixa Recreativa do Sanatório Sousa Martins, onde estavam contempladas regras precisas para as emissões radiofónicas.

É Ladislau Patrício que aprova, enquanto diretor do Sanatório, esse documento, que publicámos no livro “O Dever da Memória – uma Rádio no Sanatório da Montanha” (2003). A “estação emissora da Caixa Recreativa denomina-se Rádio Altitude e destina-se a proporcionar aos doentes do Sanatório certas distracções compatíveis com a disciplina do tratamento.” Definia esse documento, de grande significado para essa estação emissora que passou a funcionar “sob administração directa da Comissão Administrativa, que nomeará um dos seus membros para Director dos respectivos serviços.”

De acordo com o referido regulamento, fundamental para o desenvolvimento de emissões regulares (a inauguração oficial da Rádio Altitude ocorreu a 29 de julho de 1948), “os produtores, locutores e operadores serão pessoas em condições suficientes de saúde para exercerem as respectivas funções e os nomes serão apresentados à Direcção do Sanatório para aprovação”.

Numa grelha que, à época, tinha como principal programa o “Simpatia”, preenchido “com os discos pedidos pelos radiouvintes” era regulamentado que “não deve exceder metade da emissão total, enquanto for organizado diariamente. (…) As dedicatórias que acompanhem os pedidos devem ser escritas por forma a facilitar a locução e não poderão ir além de 50 palavras, tratando-se de prosa, ou de 16 versos, se os solicitantes adoptarem poesia. (…) As dedicatórias deverão ser correctas e de harmonia com o carácter de relações existentes entre pessoas decentes e serão apresentadas até às 14 horas (…)”.

O médico Ladislau Patrício, que se afirmou também como como ensaísta e escritor, está indissocialvelmente ligado à história da radiodifusão em Portugal e da Rádio Altitude em particular. Recordar este documento, setenta e dois anos depois, é lembrar um distinto guardense e o apoio que deu a um projeto radiofónico que continua a dar voz à Guarda e região…

(Hélder Sequeira)

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publicado às 12:45

O Dia da Rádio Altitude

por Correio da Guarda, em 29.07.19

Edifício RA -1990.JPG

     (Foto de Arquivo. 1990)

 

     Hoje é o dia da Rádio. De uma emissora muito especial não só pela sua génese solidária mas também pela sua longevidade, percurso ímpar, matriz beirã.

    A Rádio Altitude, que assinala hoje 71 anos de emissões regulares, tem sido uma lídima voz da região que na primeira metade do século passado foi procurada por milhares de pessoas, na procura de tratamentos para a doença que atingiu uma elevada percentagem da população; esta referência teria de ser feita para não se olvidar a profunda ligação a uma dos mais emblemáticos Sanatórios de Portugal.

   Neste contexto nasceu a Rádio que rapidamente alargou a sua área de influência, cativou colaborações, ultrapassou dificuldades, assumiu desafios, protagonizou criatividade, inovou e afirmou decisivas linhas de intervenção formativa e cultural.

    Da sua história já falamos, aqui, várias vezes. Daí que, nestas breves notas, seja de sublinhar o pioneirismo da estação emissora CSB 21 e os caminhos abertos através da onda média, inicialmente, depois em FM e hoje também nas plataformas digitais e redes sociais.

   Foram múltiplos os contributos pessoais (Jesué Pinharanda Gomes, falecido sábado, colaborou na RA) e coletivos que guindaram a Rádio Altitude a uma posição de destaque no panorama radiofónico português e, diria, mesmo europeu (pelas décadas de emissões contínuas, pela sua originalidade, subsistência e consciência da sua função social). Assinalar este 71º aniversário é evocar todas essas colaborações e apoios, imprescindíveis para uma evolução permanente, que se deseja continue no futuro.

RÁDIO ALTITUDE - Helder S.jpg

    A Rádio Altitude é uma marca informativa e cultural desta região que não a deve esquecer, antes valorizar pela sua história, pelo seu papel, pela sua presença quotidiana.

 

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publicado às 12:46

Emílio Aragonez homenageado pelo Rotary Clube

por Correio da Guarda, em 17.03.18

N.JPG

     O jornalista Emílio Aragonez foi hoje homenageado pelo Rotary Clube da Guarda. A homenagem no decorreu durante um almoço-palestra (numa unidade hoteleira) onde António José Teixeira falou sobre “Jornalismo e Democracia” e Helder Sequeira referenciou o percurso pessoal e profissional do homenageado.

    Durante décadas, Emílio Aragonez foi uma das vozes mais populares das emissões radiofónicas feitas, em onda média, a partir da cidade mais alta de Portugal.

   Emílio Aragonez, figura com profundas ligações à Rádio Altitude, nasceu em 1934 em Portalegre; para a Guarda veio com cinco anos. Posteriormente, face às contingências resultantes da atividade profissional do pai, foi viver para Cascais, Pinhel, Peniche e Seia, após o que ocorreu o regresso definitivo à Guarda.

    Com onze anos começou a trabalhar na Ourivesaria Correia, nesta cidade; as aulas no Liceu ficaram para trás, pois os horários não eram compatíveis com o trabalho; o estudo circunscreveu-se ao período da noite. Emílio Aragonez frequentou o Colégio de S. José, a Escola Comercial e Industrial e a Escola dos Gaiatos, nesta cidade.

   Aos dezoito anos abriu o seu primeiro estabelecimento comercial, na Rua 31 de Janeiro. Três anos depois mudou-se para a Rua do Campo, instalando-se no antigo espaço da Espingardaria Sport, que pertencera a um antigo chefe da Polícia; iniciava-se um ciclo de atividades na área da relojoaria e ótica; contudo, circunstâncias diversas contribuíram, muitos anos depois, para o abandono da vida comercial e empresarial. Ficou, deste modo, aberto o caminho para uma dedicação total ao jornalismo e à rádio.

    Desde os dezanove anos que mantinha, aliás, uma permanente paixão pela Rádio Altitude, onde começou a colaborar no início da década de cinquenta. “Foi aberto concurso para pessoas externas ao Sanatório, concorri e fui admitido. Para mim era um desafio. Trabalhava durante o dia e à noite ia para a Rádio, a apresentar discos pedidos, que eram imensos. Contudo isto representava o início da concretização de um sonho, de estar ligado à rádio e à informação”.

   Nessa época, as emissões da Rádio Altitude eram à noite, tendo depois passado a existir um espaço na hora do almoço. Predominavam os programas de discos pedidos, os quais registavam uma permanente avalanche de solicitações, cujo atendimento se ia prolongando por semanas sucessivas. “Eram tantos os pedidos e o espaço tão reduzido que era colocado um disco num dia e outros em programas posteriores. Por vez para se ouvirem quatro dedicatórias tinha de se esperar um mês”, lembra Emílio Aragonez, mais tarde rendido ao fascínio das reportagens.

    Por essa altura, e anos subsequentes, havia regras rígidas relativamente às emissões radiofónicas e, como aconteceu até ao 25 de Abril de 1974, a polícia política estava sempre atenta, e atuante. Mesmo assim, Emílio Aragonez desvaloriza essa interferência. “As notícias que eram transmitidas, nos primeiros tempos, eram baseadas nos jornais e estes já tinham passado pela censura”. O que não impediu diversas chamadas de atenção por parte do Administrador ou Diretor da Rádio, e a deslocação, por duas vezes, às instalações de P.I.D.E., contudo sem quaisquer consequências.

    Pessoa de improviso fácil, e anotações rápidas, Emílio Aragonez assegurava os diretos da rádio de uma forma atrativa, suscitando o interesse informativo, curiosidade e audição atenta. A Rádio foi, sem reservas, uma grande afeição da sua vida, feita de trabalhos, desencontros, incompreensões silêncios, amarguras e felicidade; vida simultaneamente enraizada em convicções e em princípios, passando ao lado, de eventuais críticas ou atitudes injustificadas.

    Ao longo de décadas, deu voz à notícia, trouxe à luz da ribalta questões tantas vezes ignoradas; desencadeou o confronto de opiniões, denunciou injustiças, foi porta-voz de múltiplas aspirações de terras e gentes.

    Emílio Aragonez assumiu o jornalismo e a rádio sem nunca esquecer a função social subjacente; o que, aliás, foi sempre reconhecido pelos ouvintes, a quem nunca negou a sua presença, e voz, mesmo em situações nas quais motivos de ordem pessoal, o cansaço ou a doença aconselhavam repouso.

    Sempre atento ao quotidiano, na sua memória circulam, volvidos estes anos, muitas imagens e sons que pertencem aos bastidores da rádio; fora do estúdio de emissão havia lugar a dramas individuais, sofrimentos, dificuldades a superar, batalhas contra o tempo, necessidade de discernir e graduar com rapidez aquilo que era matéria informativa e não mero adereço de projeções institucionais ou pessoais; ocorriam confrontos marcantes no percurso individual e profissional; impressões muitas vezes gravadas de maneira indelével, que não pactuam com o esquecimento.

    O nascimento de Emílio Aragonez para a rádio, e a projeção que alcançou através desta popular emissora, ocorreu na época das emissões em onda média, quando a frequência modulada estava longe de ser uma realidade na estação CSB-21, o indicativo atribuído à Rádio da mais alta cidade portuguesa. A sua voz aquecia as noites guardenses, esbatia a solidão, aumentava progressivamente o auditório, despertando incontidas manifestações de simpatia. “Diziam-me que a minha voz era agradável e depois, também pelo que me é dito, tinha uma maneira muito peculiar de falar. Isto começou, realmente, nos programas da noite, quando a cidade precisava de companhia e a companhia era a rádio. Foram anos, anos e anos com a minha voz a entrar pela casa das pessoas”.

   A Rádio Altitude representa para Emílio Aragonez “praticamente uma vida toda. Uma pessoa que entra para ali aos 19 anos e fica lá até aos 68 obviamente que representa tudo”.

   Emílio Aragonez é uma memória viva da Guarda e da sua emblemática estação emissora – das suas estórias e tradições – igual a si próprio, referência de um tempo cúmplice das ondas hertzianas, quais laços de solidariedade com a cidade e uma vasta região. (H.S.)

 

 

 

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publicado às 18:39

Aragonez homenageado na Guarda

por Correio da Guarda, em 16.03.18

Emílio Aragonez - foto H Sequeira.jpg

 

     O jornalista Emílio Aragonez vai ser homenageado, amanhã, pelo Rotary Clube da Guarda no decorrer de um almoço-palestra que contará com intervenções de António José Teixeira e Helder Sequeira.

    António Emílio Aragonez, figura com profundas ligações à Rádio Altitude, nasceu em 1934  em Portalegre, tendo vindo para a cidade da Guarda com cinco anos. Na estação emissora guardense começou a colaborar por volta de 1950 e desde então a paixão pela Rádio nunca o abandonou, bem como a atividade jornalística.

   Desligado, atualmente, da rádio e da imprensa, Emílio Aragonez  é um memória viva da Guarda – onde reside – igual a si próprio, referência de um tempo cúmplice das ondas hertzianas, quais laços de solidariedade com a cidade e uma vasta região.

 

 

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publicado às 17:45

Dia Mundial do Rádio

por Correio da Guarda, em 13.02.18

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     O Dia Mundial do Rádio é hoje assinalado. Desde 2012 que esta data se constitui como oportunidade para assinalar a importância da radiodifusão sonora, quer como meio de informação, quer como agente de educação e cultura.

    Este ano, a UNESCO dedicou o Dia Mundial do Rádio ao tema da “radiodifusão desportiva. A rádio é um instrumento muito eficaz para transmitir o entusiasmo dos eventos desportivos. É também um meio para veicular valores de fair play, de trabalho de equipa, de igualdade no desporto”, escreveu a diretora geral, Audrey Azoula.

 

 

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publicado às 07:50

Rewind It: canal cultural com vertente underground

por Correio da Guarda, em 14.01.18

 

Rewind It - Rádio.jpg

 

     “Rewind It deixou de ser um programa semanal e passou a ser um canal cultural direcionado numa vertente inteiramente underground que em breve terá transmissão contínua e mais surpresas por o meio”. A afirmação é de Luís Sequeira (que adotou nome artístico de B.Riddim), produtor/compositor e MC nascido na Guarda, e foi feita a propósito da evolução de um projeto radiofónico que iniciou há cinco anos atrás.

    Rewind It surgiu em Novembro de 2013 mas ideia germinava há mais tempo, como nos referiu Luís Sequeira que materializou o projeto após um convite da Rádio Altitude.

    “Sediado em Londres, o programa sempre teve o intuito de dar a conhecer essencialmente nomes nacionais através de entrevistas e Dj/Live Sets. Com o tempo tornou-se uma espécie de porto de abrigo para alguns nomes, caso de Diogo, Pedro Arruda, Eskerda e Techtouch entre outros, onde se começou a preparar o futuro. Sessões com um Line Up diversificado, curadoria de Labels/Promotores convidados. Tentar levar algo às pessoas que têm dificuldade em sair ou porque não podem ou porque não querem. Quando digo "preparar o futuro" significa que o objetivo sempre passou por tornar Rewind It uma editora mas antes disso criar eventos e conseguir unir um rooster sólido de forma a nos apresentarmos com maior coerência e consistência”.

   Um processo gradual, empenhado num contínua afirmação e crescimento, sem esquecer que a expansão não seria, de imediato, global “porque as redes sociais têm hoje em dia um impacto crucial no desenvolvimento de um nome ou marca e nesse contexto há muito a fazer.” Reconhece autor deste projeto.

    Para Luís Sequeira, “o feedback sempre foi positivo e muita gente tem demonstrado respeito e apreço por aquilo que se tem feito. Ao mesmo tempo verificámos que é fácil falar e difícil concretizar; neste contexto não posso deixar de lembrar que as pessoas viram as costas muito facilmente quando há obstáculos. Tenho a sorte de contar com uma equipa que acredita neste projeto e, gradualmente, tudo vai ganhando uma melhor definição e solidez”.

   Entretanto a criação do projeto Guarda Records, liderado igualmente por Luís Sequeira, cruza-se com Rewind It, associando o nome da cidade mais alta de Portugal. “Na verdade, como B.Riddim, a única coisa que acaba por estar mais interligada é o facto de ser um dos raros espaços onde faço Dj Sets. Recebo muita música, algumas coisas acho que devem ser partilhadas e foi como uma forma de não deixar isso ganhar pó; criei o projeto e fui host do show durante anos até conseguir ter as ideias mais organizadas.

   Tudo isso fez sentido quando comecei com os eventos em Londres. Inicialmente, com uma parceria com H30H, da  30porumalinha, foi criado Be Kind Rewind. Depois avancei sozinho, acabando por conhecer duas pessoas que são cruciais para isto ter mais cor: Sam Kirton e Angie Newton; juntos começámos a delinear um novo plano”, esclareceu Luís Sequeira.

    Assim, acrescentou, “criou-se uma editora que na prática surgia mais como um coletivo apoiando várias vertentes artísticas em Londres. Honrando as minhas raízes, foram eles que decidiram o nome. Toda a imagem é fruto do trabalho da Angie. O Sam é um ótimo programador e está responsável pela criação da plataforma de Rewind It na web e a App que já está disponível para Android e IOS.

   A finalidade é editar nomes que temos em mente mas neste momento, investir e unir forças em prol de Rewind It porque sentimos que pode ser um canal que permitirá, a muita gente, expor ideias e projetos.”

   De referir que a plataforma de Rewind It está aberta ao público, em geral, mediante um registo, permitindo o acesso a conteúdos exclusivos  e a determinadas ferramentas que vão ser de grande utilidade no âmbito artístico.  “Não nos circunscrevemos apenas à música apesar de ser a nossa primeira aparência”, esclarece Luís Sequeira.

    Questionado se  Guarda Records vai dar uma nova amplitude ao Rewind it este jovem guardense disse-nos que “para além do esforço do Sam e da Angie, isto permitiu-me focar em desenvolver novas ideias e incluir mais gente nesta família. Lacroixx entrou, Skalator também, Diogo permaneceu com uma residência mensal fazendo a linha entre Norte América e Europa. Eskerda deixou a sua rubrica como Dj Left mas seguiu numa vertente mais sua. Pedro Arruda está também aí! A família continua a crescer com Lorac, Nicson, Matt Wills, Jason Hogans, Genetically Modified Beats e Lynx Tungur, entre outros; gente da América Latina, Norte da América, Europa e África”.

    Luís Sequeira manifesta a sua convicção de que haverá uma evolução contínua ao nível de web “o que vai proporcionar maior dinâmica e melhor interação entre os colaboradores tendo em conta que muita gente nem se conhece pessoalmente. No futuro esperamos juntar todas estas caras! Quem sabe num mini-festival ou algo assim. O presente é o que conta e sabemos que estamos no caminho certo. Rewind It deixou de ser um programa semanal e passou a ser um canal cultural direcionado numa vertente inteiramente underground que em breve terá transmissão contínua e mais surpresas pelo meio.”

    Luis Sequeira nasceu na Guarda onde estudou e residiu (aqui impulsionou o projeto G-Ward) até iniciar, em Madrid, a sua formação na área de engenharia de som. A capital espanhola foi, aliás, o ponto de partida para novos rumos. A sua experiência passa, além de Portugal, por países como Espanha, Canadá, México e Reino Unido.

    "(In)Theory", "Magic My Ear" e “Bubble Clocks" são os vinis que tem já editados, com selo da editora londrina Third-Ear.

 

 

 

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publicado às 00:01

Memória da Rádio...

por Correio da Guarda, em 21.09.17

 

     Durante décadas, Emílio Aragonez foi uma das vozes mais populares das emissões radiofónicas feitas, em onda média, a partir da cidade mais alta de Portugal.

    Emílio Aragonez, uma figura com profundas ligações à Rádio Altitude, nasceu em 21 de Setembro de 1934, em Portalegre; veio para a Guarda com cinco anos. Posteriormente, face às contingências resultantes da atividade profissional do pai, foi viver para Cascais, Pinhel, Peniche e Seia, após o que ocorreu o regresso definitivo à cidade da Guarda, onde começou a trabalhar aos onze anos, na Ourivesaria Correia.

    Aos dezoito anos abriu o seu primeiro estabelecimento comercial, na Rua 31 de Janeiro. Três anos depois mudou-se para a Rua do Campo, instalando-se no antigo espaço da Espingardaria Sport, que pertencera a um antigo chefe da Polícia; iniciava-se um ciclo de atividades na área da relojoaria e ótica; contudo, circunstâncias diversas contribuíram, muitos anos depois, para o abandono da vida comercial e empresarial. Ficou, deste modo, aberto o caminho para uma dedicação total ao jornalismo e à rádio.

    Desde os dezanove anos que mantinha, aliás, uma permanente paixão pela Rádio Altitude, onde começou a colaborar no início da década de cinquenta.

    Pessoa de improviso fácil, e anotações rápidas, Emílio Aragonez assegurava os diretos da rádio de uma forma atrativa, suscitando o interesse informativo, curiosidade e audição atenta. A Rádio foi, sem reservas, uma grande afeição da sua vida, feita de trabalhos, desencontros, incompreensões silêncios, amarguras e felicidade; vida simultaneamente enraizada em convicções e em princípios, passando ao lado, de eventuais críticas ou atitudes injustificadas.

    Ao longo de décadas, deu voz à notícia, trouxe à luz da ribalta questões tantas vezes ignoradas; desencadeou o confronto de opiniões, denunciou injustiças, foi porta-voz de múltiplas aspirações de terras e gentes. Emílio Aragonez assumiu o jornalismo e a rádio sem nunca esquecer a função social subjacente; o que, aliás, foi sempre reconhecido pelos ouvintes, a quem nunca negou a sua presença, e voz, mesmo em situações nas quais motivos de ordem pessoal, o cansaço ou a doença aconselhavam repouso.

    A sua voz aquecia as noites guardenses, esbatia a solidão, aumentava progressivamente o auditório, despertando incontidas manifestações de simpatia.

Emílio ARAGONEZ - foto HS.jpg

     A Rádio representa para Emílio Aragonez “praticamente uma vida toda. Uma pessoa que entra para ali aos 19 anos e fica lá até aos 68 obviamente que representa tudo”, disse-nos há algum tempo. Emílio Aragonez é um memória viva da Guarda – das suas estórias e tradições – igual a si próprio, referência de um tempo cúmplice das ondas hertzianas, quais laços de solidariedade com a cidade e uma vasta região.

    É  mais do que justificado um reconhecimento público a este homem da Rádio e do Jornalismo; a este homem da Guarda que não esquecemos e felicitamos.

                                                                                                                                                     (Helder Sequeira)

 

 

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publicado às 21:38


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