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Património agonizante...

por Correio da Guarda, em 18.05.18

 

     O Ano Europeu do Património Cultural está a ser celebrado, pela primeira vez, por iniciativa da União Europeia, balizado pelos objetivos da promoção da diversidade e do diálogo interculturais e da coesão social.

     Como foi divulgado, esta é uma oportunidade para a “realização de iniciativas envolvendo as comunidades, os cidadãos, as organizações, as entidades públicas e privadas, contribuindo para uma maior visibilidade da cultura e do património e para o reconhecimento da sua importância e do seu caráter transversal em todos os setores da sociedade.” Se atentarmos numa especificação mais pormenorizada dos objetivos, verificamos que eles apontam para incentivar uma abordagem centrada nos cidadãos, inclusiva, prospetiva, integrada e transectorial; promover modelos inovadores de governação e de gestão a vários níveis do património cultural que envolvam diferentes partes interessadas; realçar o contributo positivo do património cultural para a sociedade e para a economia; promover estratégias de desenvolvimento local na perspetiva da exploração do potencial do património cultural através da promoção do turismo cultural sustentável.

    O conceito de património não se circunscreve, atualmente, à conceção que prevalecia há algumas décadas anos atrás, resumindo-o a monumentos, às coleções de pintura, às esculturas e a palácios. “A memória coletiva de uma determinada população estende-se aos territórios onde vive, aos seus monumentos, aos vestígios do passado e do presente, aos seus problemas, à cultura material e imaterial e às pessoas”.

    Assim, o património edificado é uma das várias abordagens que podem ser efetuadas de entre a definição mais lata de património cultural. É, aliás, a este nível que têm sido cometidos os maiores atentados, perante a indiferença e a impunidade de quem, por direito, tinha obrigação de atuar.

    Essa apatia começa, como tivemos já a oportunidade de escrever neste jornal, no próprio cidadão comum, conquistado por um doentio comodismo que orienta os seus padrões culturais no limitado horizonte do quotidiano profissional ou dos amenos diálogos e discursos (convenientes) dos círculos de convívio e lazer. Escasseia a sensibilidade cívica…

Saanório Sousa Martins - Pavilhão - foto HS.jpg

     Na Guarda, os pavilhões que outrora pertenceram ao Sanatório Sousa Martins são um exemplo dessa falta de sensibilidade cívica e outrossim do desleixo continuado de entidades oficiais ou da incapacidade reivindicativa (de sucessivas administrações) para contrariarem o caminho da ruína e destruição conducente a “um túmulo de memória”.

     Uma atitude tanto mais criticável quanto o Sanatório foi uma instituição que marcou o desenvolvimento da cidade durante a primeira metade do passado século; a passagem (hoje dia 18 de maio de 2018) de mais um aniversário da sua inauguração é um bom pretexto para voltarmos a sublinhar, uma vez mais, o estado de ruína deste património citadino.

     A inauguração (inicialmente prevista para 28 de abril e depois para 11 de Maio) dos três pavilhões que integravam o Sanatório ocorreu a 18 de maio de 1907, com a presença do rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia que materializou nesta instituição de tratamento da tuberculose a homenagem a Sousa Martins, atribuindo-lhe o nome daquele clínico, cuja ação e dinamismo ela tinha já evocado numa intervenção pública, no seio da Associação Nacional aos Tuberculosos, realizada em 1889.

    “Aos dezoito dias do mês de Maio de mil novecentos e sete, num dos edifícios recentemente construídos no reduto da antiga Quinta do Chafariz, situada à beira da estrada número cinquenta e cinco, nos subúrbios da cidade da Guarda, estando presentes Sua Majestade a Rainha Senhora Dona Amélia (...), procedeu-se à solenidade da abertura da primeira parte dos edifícios do Sanatório Sousa Martins e da inauguração deste estabelecimento da Assistência Nacional aos Tuberculosos, fundada e presidida pela mesma Augusta Senhora (...)”.

     Assim ficou escrito no auto que certificou a cerimónia inaugural da referida estância de saúde, da qual, por muitos e diversos motivos, resta hoje uma pálida imagem.

   O Sanatório foi, durante décadas, o grande cartaz de propaganda da Guarda, “a cidade da saúde”; hoje, o que resta, está com péssimo prognóstico e certamente nem os “ares” do Ano Europeu do Património Cultural, nem os objetivos anteriormente mencionados vão minorar a “doença” ainda com cura…

    Na Guarda do património e da cultura o estado de degradação dos Pavilhões D. António de Lencastre e Rainha D. Amélia exige e merece medidas concretas e eficazes de defesa e salvaguarda, pois fazem parte da história da cidade e da história da saúde em Portugal. (Helder Sequeira)

 

 

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publicado às 07:45

Fórum sobre toponímia vai decorrer na Guarda

por Correio da Guarda, em 27.03.18

 

     Evidenciar a toponímia como referência de valores históricos, culturais e memória coletiva de factos, personalidades, tradições ou legados identitários é o objetivo do “Fórum sobre Toponímia” que o Instituto Politécnico da Guarda vai promover a 26 de Outubro de 2018.

    “Se a toponímia tem uma importância inquestionável na delimitação de espaços, permite, por outro lado, apreender a matriz de um povo, a organização sócio geográfica, o desenho da malha urbana de épocas passadas, o conhecimento e investigação de sítios históricos ou arqueológicos, o papel do povo na salvaguarda da atribuição de nomes que a tradição consolido”, refere a Organização deste Fórum, que vai já na sétima edição.

    “O estudo e valorização da toponímia permitem, um melhor conhecimento de cada aldeia, cada vila e cada cidade. Assim, ao promover este Fórum, o Instituto Politécnico da Guarda pretende contribuir para um melhor conhecimento do País, dos valores históricos, culturais, sociais e políticos a ele associados” é ainda afirmado a propósito desta iniciativa que pretende ter um âmbito nacional.

    Os interessados em apresentar comunicações devem efetuar a submissão dos seus trabalhos até 25 de Julho de 2018  enquanto que as pessoas interessadas em participar devem fazer a sua inscrição (gratuita mas obrigatória) até 25 de Setembro.

    Outras informações complementares estão disponíveis em www.ipg.pt/toponimia

toponimia2018.jpg

 

 

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publicado às 07:34

Feliz Ano Novo

por Correio da Guarda, em 01.01.18

ANO NOVO - Correio da Guarda.jpg

 

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publicado às 00:01

Igreja da Misericórdia

por Correio da Guarda, em 17.12.17

Igreja da Misericórdia - HS.JPG

 

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publicado às 10:15

Catedral da Guarda

por Correio da Guarda, em 23.10.17

Catedral da Guarda - HS 2017.jpg

 

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publicado às 07:48

Cantos de cego da Galiza e Portugal

por Correio da Guarda, em 16.08.17

Canto 1.jpg

     César Prata continua a apresentar, ao lado do músico galego Ariel Ninas, o trabalho "Cantos de cego de Galiza e Portugal. O próximo espetáculo terá lugar no próximo dia 26 de Agosto, pelas 21h30, em Peso da Régua.

     “Cantos de cego da Galiza e Portugal” é um concerto temático sobre uma personagem singular na cultura musical ibérica: o cego, que desde a Idade Média povoava o universo sonoro das feiras e romarias, contando e cantando histórias de crimes, romances e feitos históricos.
Dois músicos, um galego e um português, lançando mão de diversos instrumentos (sanfona, guitarra, braguesa, guitalele, harmónio, harmónica, percussões), cantam e tocam canções de cego.

     A sanfona, instrumento de origem medieval e companheira certa dos cegos cantores, ocupa um papel central neste concerto que junta canções galegas e portuguesas recentemente gravadas no disco “Cantos de cego da Galiza e Portugal”, editado por a Central Folque da Galiza.

    "Cantos de cego da Galiza e Portugal" é "uma viagem pelo universo da transmissão oral e musical de notícias antes da massificação dos meios de comunicação. Ou, se se preferir, como ainda ouvir os romances de assassinatos, traições e outras coisas bizarras, importantes ou aterradoras ocorridas nos lados norte e sul da Ibéria Ocidental", como sublinhou "O Fado e Outras Músicas do Mundo". Leia mais, aqui.

 

 

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publicado às 23:06

Desenvolvimento de aplicações dermobiotecnológicas

por Correio da Guarda, em 30.07.17

 

      O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) obteve, recentemente, a aprovação e financiamento dos seis projetos submetidos ao Sistema de Apoio à Investigação Científica e Tecnológica (SAICT) dos quais é líder. O IPG obteve o pleno de candidaturas que a instituição se podia submeter e assegurou a participação em mais nove projetos com instituições de Ensino Politécnico congéneres. Uma das candidaturas aprovadas relaciona-se com o projeto “Desenvolvimento de aplicações dermobiotecnológicas com base nos Recursos Naturais da Região das Beiras e Serra da Estrela (DermoBio)”.

     A biotecnologia aplicada aos recursos naturais ganhou uma importância considerável nas últimas décadas, devido ao seu grande potencial para desenvolver produtos com aplicação na indústria alimentar, farmacêutica e cosmética. A principal vantagem de trabalhar com compostos naturais é a possibilidade da sua extração/purificação usando técnicas de “química verde”, para além de ser possível o screening de novos compostos/espécies menos estudadas com um enorme potencial biotecnológico e que irão responder e satisfazer os elevados requisitos da indústria contribuindo para o desenvolvimento sustentável do território.

     O interesse científico da Beira Interior advém do seu potencial de exploração para o desenvolvimento de novos produtos assente no conceito territorial de natureza, nomeadamente o uso de águas termais e óleos essenciais.

DermoBIO - projeto IPG.jpg

      Tendo por base as suas propriedades físico-químicas, a água termal do Cró tem diferentes indicações terapêuticas, nomeadamente em dermatologia, aprovadas pela Direção Geral de Saúde, a sua veiculação em formulações dermocosméticas recorrendo a micro e/ou nanotransportadores para promover a permeação através da pele é proposta como uma das mais relevantes ferramentas de inovação do sector com o desenvolvimento de produtos novos e competitivos de turismo termal.

    Por outro lado, o uso de compostos naturais (óleos essenciais) no desenvolvimento de novas formulações dermocosméticas tem sido referida como uma das mais interessantes apostas do setor quando consideradas as suas atividades biológicas extensamente descritas.

     Assim, serão destacadas as aplicações das águas termais e dos óleos essenciais característicos da região, em particular no campo do desenvolvimento de sistemas inovadores em cosmética e entrega direcionada de moléculas bioativas, após uma caracterização e avaliação da sua eficácia e segurança.

    Para André Araújo Pereira, investigador responsável do projeto, o seu desenvolvimento “permitirá explorar dois recursos endógenos da região da Beira Interior (água termal das Termas do Cró e os óleos essenciais produzidos pela empresa Planalto Dourado) para o desenvolvimento de produtos cosméticos, que poderão constituir produtos regionais, únicos e diferenciados, de impacto relevante nos mercados de saúde e de bem-estar”.

 

 

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publicado às 08:22

Projeto EuroAGE

por Correio da Guarda, em 18.07.17

 

     No Instituto Politécnico da Guarda decorreu, recentemente, a segunda reunião do grupo de trabalho do projeto EuroAGE - Iniciativas inovadoras para el impulso del envejecimiento activo en la región EuroACE (Alentejo, Centro e Extremadura-Espanha).

    Esta reunião contou com a presença de mais de uma dezena de investigadores oriundos de instituições espanholas (Centro de Cirugía de Mínima Invasión Jesús Usón, Universidad de Extremadura, Cluster sócio sanitário da Extremadura) e portuguesas (Instituto Politécnico da Guarda, Instituto Politécnico de Castelo branco e Universidade de Coimbra).

    Na agenda de trabalhos estiveram assuntos relativos à análise e discussão das estratégias em vigor para promoção do envelhecimento ativo na região euroACE e às diferenças de contexto, de leis e normativas existentes entre Portugal e Espanha no que concerne aos direitos, proteção e apoio ao idoso. No decorrer deste encontro foram ainda discutidos os desafios a ultrapassar na implementação de novas tecnologias como instrumentos auxiliadores na prevenção do declínio físico cognitivo e social observado nos idosos.

    “Os resultados desta reunião foram fundamentais para traçar o desenvolvimento das próximas ações em estreita relação com os agentes que se encontram no terreno”, como adiantou Carolina Chã, investigadora do IPG ligada a este projeto.

 

 

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publicado às 09:41

Jorge de Sena recordado na Guarda

por Correio da Guarda, em 09.06.17

 

jorge de sena . 1.jpg

     A Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço vai promover amanhã, pelas 17 horas, uma revisitação e reinterpretação, pelo ator do Teatro Nacional D. Maria, Manuel Coelho, do discurso sobre Camões e Portugal que o escritor Jorge de Sena proferiu na Guarda há 40 anos.
     Esta Iniciativa realiza-se no âmbito do destaque do mês que a biblioteca dedica a Jorge de Sena.

    A sessão será completada com a leitura de poemas de Camões e do próprio Sena.

 

    Fonte: BMEL

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publicado às 08:05

O dia da Rádio Altitude...

por Correio da Guarda, em 29.07.16

Rádio AL.jpg

     Hoje é dia da Rádio, da Rádio Altitude, de uma estação emissora muito particular originada no seio das experiências radiofónicas que ocorreram no Sanatório Sousa Martins, cerca de 1946. Nessa altura, as rudimentares emissões circunscreviam-se ao pavilhão onde estava concentrado o grupo de doentes pioneiros deste projeto; apenas com a construção de novo emissor foi ganhando dimensão a aventura radiofónica.

    No ano seguinte, Ladislau Patrício (cunhado do poeta Augusto Gil), diretor do Sanatório, assinou, a 21 de Outubro, o primeiro regulamento desta emissora, onde estavam definidas orientações muito objetivas sobre o seu funcionamento. Em finais de 1947 as suas emissões já eram escutadas na malha urbana da Guarda, que seguiu, com particular entusiasmo, o início oficial das emissões regulares, assinalado a 29 de Julho de 1948; um ano depois foi-lhe atribuído o indicativo CSB 21, identidade difundida por várias décadas, a partir do alto da serra, “eterna como o sol que alumia o mundo”,  na expressão Nuno de Montemor. Este escritor, diga-se, fez parte do grupo inicial de ouvintes da rádio. Sobre a rádio deixou, aliás, as suas impressões nas páginas de outro pilar informativo do Sanatório: o jornal Bola de Neve.

    A propriedade do primeiro emissor pertenceu, inicialmente, à Caixa Recreativa do Internados no Sanatório Sousa Martins e, mais tarde, com a sua extinção, ao Centro Educacional e Recuperador da unidade hospitalar vocacionada para o tratamento da tuberculose. Com a criação do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins (CERISSM) pretendeu-se auxiliar os doentes, especialmente no que dizia respeito “à sua promoção social e ocupação dos tempos livres”.

   Aliás, foi no seio dos sanatórios que surgiram interessantes projetos radiofónicos – como seja a Rádio Pólo Norte, no Sanatório do Caramulo, e a Rádio Pinóquio, no Sanatório das Penhas da Saúde, Covilhã, para referirmos os mais próximos.

    O CERISSM foi uma autêntica instituição de solidariedade; para além de viabilizar a afirmação e implantação da Rádio Altitude desenvolveu uma vasta obra assistencial, sob o impulso do médico Martins de Queirós, o quarto e último diretor do Sanatório da Guarda.

     Em 1961, mediante autorização oficial, o RA passou a ter como suporte económico-financeiro as receitas publicitárias que em muito contribuiriam para o auxílio dos doentes mais carenciados. As emissões evoluíram, ao longo das primeiras décadas em função das disponibilidades técnicas, dos recursos humanos e financeiros mas encontrando sempre no, crescente auditório, uma grande simpatia e um apoio incondicional.

    Até 1980 o Rádio Altitude emitiu na frequência de 1495 Khz, em onda média (abrangendo não só o distrito da Guarda mas igualmente os distritos de Viseu e Castelo Branco e algumas das suas áreas limítrofes), altura em que a sua sintonia passou a ser feita no quadrante dos 1584 khz.

Edifício da RA - década de 80.JPG

      Após 1986, e com a liberalização do espectro radioelétrico passou também a desenvolver as suas emissões em frequência modulada, em 107.7 Mhz, a qual foi alterada, em 1991, para os 90.9 Mhz.

     Em 1998,e depois de ter sido determinada a extinção do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins, foi decidida a realização de uma consulta pública, com vista à “transmissão da universalidade designada Rádio Altitude”, considerada a “única estrutura em funcionamento do ex-CERISSM”.

    A estação emissora entrou assim, com a sua aquisição por parte da Radialtitude–Sociedade de Comunicação da Guarda, num capítulo novo da sua existência, mantendo a ligação física ao antigo espaço sanatorial.

Helder.jpg

      Como dissemos, esta é uma rádio muito particular, de afetos, de memórias, vivências, amizades, dedicação, de serviço público, de criatividade, de formação, do interior das Beiras, hoje rádio global, de futuro.

    Parabéns, Rádio Altitude! Parabéns a todos quantos fizeram e fazem a Rádio! 

Estúdio.jpg

 

 

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publicado às 09:28


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