Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


António Arede: a Rádio é uma paixão

por Correio da Guarda, em 12.10.21

 

António Arede nasceu para a rádio (por quem continua a nutrir uma grande paixão) na Guarda; precisamente na estação emissora que em 1948 começou a emitir oficialmente na cidade mais alta de Portugal.

A sua atividade radiofónica começou em 1973/74 na Rádio Altitude, tendo passado depois pela Rádio Renascença entre 1975 e 1990. No tempo das rádios-piratas iniciou a colaboração no RCI desde a sua criação, projeto que acompanhou nas diversas fases de expansão até à passagem para as instalações atuais.

Respeitado no meio rádio e do jornalismo pela sua larga experiência e pela sua exigência em termos de rigor e qualidade dos trabalhos que produz, António Arede é igual a si próprio, com inquestionável competência e saber, elevado sentido de humanidade e grande cordialidade.

Do seu percurso profissional destaca-se ainda a passagem pela RDP/Centro (Antena 1) e, mais recentemente pelo grupo Media Capital Rádios - Rádio Clube Português, Rádio Clube e pela M80 Rádio.

Com 65 anos, António Arede continua a fazer e a viver a rádio, sempre com a mesma entrega e paixão, abrindo igualmente porta para outra atividade que o tem entusiasmado, de que fala ao CORREIO DA GUARDA. “Hoje passo música dos anos 80 em todo o lado. Cada noite é um sucesso!...”

António Arede - estúdio da Rádio Altitude .jpg

Quem é o António Arede?

Jornalista, 65 anos de idade, apaixonado pela rádio e comunicação, tendo também a atividade de Dj como complemento.

 

És um apaixonado pela rádio e pelo jornalismo. Quando começou essa vocação?

Em finais de 1973, então pela mão do correspondente da RTP em Viseu, José Ayres, que pelos seus conhecimentos no meio conseguiu a minha entrada como colaborador da Rádio Altitude para a área da animação, na altura locução.

 

Nos tempos do liceu o som e a música envolveram-te em atividades. Que recordações gostarias de deixar aqui?

A criação, em 1973, de um núcleo de rádio no liceu, que transmitia música nos intervalos das aulas, através de um sistema interno de som, com colunas instaladas nos recreios e sala dos professores.

Tratava-se do grupo Geração de 60, que também implementou no liceu um grupo de Teatro e um jornal com o mesmo nome (Geração de 60), que na época era impresso em tipografia.

Ainda fiz parte do grupo de Teatro como ator e mais tarde como sonoplasta, uma vez que sentia queda para essa área.

 

Nessa época a inclinação era mais para a Rádio ou para o Jornalismo?

Na época a inclinação era mais para a área da rádio (animação), visto que o conceito de jornalista de rádio ainda não estava criado, as notícias eram lidas de recortes de jornais por alguém que tivesse a melhor voz.

 

A imprensa não suscitou tanto a tua atenção? Porquê?

Na altura não sentia interessa pela imprensa escrita, também porque nunca pensei vir a ser jornalista, e mesmo como jornalista sempre privilegiei o sector rádio, tirando uma pequena experiência na imprensa (jornal Notícias da Tarde, do Grupo JN) e a Agência de Noticias ANOP.

 

Desde cedo tiveste o teu próprio estúdio, com equipamento diversificado, e já distinto na época. Fala-nos dessa época e do trabalho que foi desenvolvido.

Em 1973 estava mais virado para a locução em rádio…era um mundo para mim; depois com o avançar dos anos, em 1975/76, tornei-me correspondente da Rádio Altitude em Viseu.

Foi a partir daí que desenvolvi as minhas próprias instalações criando um sistema para envio do som para a rádio via telefone com mais qualidade, facto que veio a evidenciar-se mais tarde também com a minha entrada para a Rádio Renascença, em 1976; estação que viria a abraçar através da influência do Antunes Ferreira (da Rádio Altitude) e do José Ayres de Viseu.

António Arede - na Rádio Altitude .jpg

Há algum equipamento, adquirido, que te tenha deixado um entusiamo especial? Gravadores de bobines…?

Tenho ainda alguns gravadores de cassetes da época… uns funcionam, outros não; um pequeno OB (como se chamava na altura) para tratamento do som no envio pelo telefone e uma máquina de bobines, que pouco usava na altura, tirando a TANDBERG de fita, portátil, da Rádio Altitude ou a UHER da Rádio Renascença.

 

Recordas-te dos teus primeiros vinis? Quais eram os cantores ou grupos preferidos?

Tudo o que tocava na altura. Eu comprava muita música de vinil, singles e Lps…todo o dinheiro que os meus pais me davam eu investia em música…ainda hoje possuo uma discoteca de milhares de exemplares em vinil e também agora em Cds

Quanto aos grupos preferidos da época, não posso deixar de referenciar os Beatles, os Rolling Stones, Creedence Clearwater Revival, Led Zeepllin, Pink Floyd,entre outros .

 

 

Ainda conservas os teus primeiros vinis? E cassetes?

Conservo tanto os vinis como as cassetes. Aliás no estúdio de radiodifusão que possuo atualmente, embora seja um estúdio moderno já com equipamento digital, também tem gravadores de cassetes a funcionarem, de onde destaco os velhinhos Marantz profissionais portáteis PM222.

Estúdio de António AREDE.jpg

Por essa altura acompanhavas, com frequência o José Ayres (que além de distinto fotógrafo trabalhava para a RTP). Qual foi a influência dele na tua atividade no campo da comunicação social?

Teve toda a influência. Aliás foi através dele que entrei no mundo da rádio e da comunicação…Foi a sua influência que conseguiu a abertura de portas na Rádio Altitude, a minha porta de entrada na Comunicação Social.

Outro homem muito importante para a minha integração foi o Antunes Ferreira que, desde o primeiro momento, me deu a mão e me ensinou bastante, tendo sido a influência para a minha entrada na Rádio Renascença.

AREDE RADIO RENASCENÇA.jpg

 

Como surgiu, e quando, a tua ligação com a Rádio Altitude?

Como já expliquei a minha ligação com a Rádio Altitude surge em finais de 1973 princípios de 1974… recordo-me que o meu programa que era gravado, começou ainda no tempo da censura.

Na altura a RA tinha dois administradores, o Antunes Ferreira e o Carvalhinho que era quem censurava os textos dos programas, e as notícias que iam ao microfone, pela voz do Vaz Júnior

 

Quais foram os teus primeiros trabalhos informativos para a Rádio Altitude?

Não me recorda já bem do ano, mas talvez em 1976. Eu ficava fascinado com a forma como se trabalhava... as gravações dos RMs (registos magnéticos) na “Ferrograph” (máquina profissional de fita magnética), onde se inseriam sem qualquer critério de importância de alinhamento as gravações a incluir nos noticiários do RA.

FERROGRAPH - foto.jpg

Foi reformada a redação talvez pelo ano de 1977/78 e foi criada uma redação em Viseu. Na altura tomávamos conta das notícias o Helder Sequeira, o Francisco Carvalho, o Emílio Aragonez, o António Jose Teixeira e eu.

Viseu enviava um pequeno noticiário com notícias da região que era inserido no noticiário das 12h30. Como a Rádio emitia em Onda Média, ouvia-se bem na região de Viseu, o que justificou a criação de uma segunda redação.

Eu gravava em minha casa as intervenções dos correspondentes da região de Viseu e inseria nos noticiários da Guarda, com outras noticias de Viseu ....depois a redação da Guarda prosseguia o noticiário

radio altitude - edifício .jpg

Asseguravas a cobertura informativa, quase diária, para os noticiários da Rádio Altitude. Como tinhas estruturada a tua rede de correspondentes e as tuas fontes de informação?

Criei então uma rede, que contemplava um correspondente em cada concelho, embora na prática só intervinham com a sua voz gravada os correspondentes de zonas onde a rádio entrava e era ouvida.

Os correspondentes eram a minha fonte de informação...depois havia a imprensa regional da época e os contactos na polícia e no hospital…tudo era tido em conta.

 

Que equipamentos utilizavas e como era feito o envio para os estúdios na Guarda?

O envio era feito pelo telefone através de um OB, muito rudimentar, construído por mim, embora mais tarde utilizasse o Shure da Rádio Renascença, uma vez que estava a trabalhar também com eles na área da informação.

Aquilo era uma pequena caixinha que se ligava através de duas pinças à caixa do telefone…depois punha-se o gravador em formato de gravação para amplificar a voz e o som lá saia com qualidade, muito diferente do som normal de telefone…(também servia para gravar os correspondentes) porque recebia e enviava pelo mesmo modo …mais tarde vieram os híbridos telefónicos e tudo ficou mais simples

 

Asseguravas também a cobertura do desporto?

Penso também que sim, embora só as notícias…que eram depois escrutinadas pela equipa do desporto do RA, mas não fazia relatos

 

Em Viseu a tua atividade dinamizou várias iniciativas, que tiveram como palco o Rossio e a Feira de São Mateus. O que recordas desse período?

O aniversario do meu programa de rádio no Altitude…o “Tempo de Juventude” que era gravado em Viseu nos estúdios da Electro Carmo, que a empresa criou para eu poder gravar em Viseu as emissões.

Na festa da aniversário que decorreu no Pavilhão da Feira de S Mateus foram envolvidas várias associações de Viseu e contou com teatro, folclore e grupos musicais.

A Rádio Altitude decidiu, então, vir a Viseu nesse dia com o Antunes Ferreira e o Luís Coito para me entregarem pessoalmente nesse espetáculo a medalha dos 25 anos do RA.

 

Quais os/as colegas que recordas dessa época, em Viseu e na Guarda?

Na Guarda o Abel Vergílio, o Vaz Júnior, o António Pinheiro, o Emílio Aragonez, o Antunes Ferreira, o Luís Coito, o Luís Coutinho, o Padre Vergílio Arderius, o Francisco Carvalho e o Helder Sequeira, entre outros.

 

As pessoas identificavam-no no exterior, reconheciam a tua voz? Como era a reação das pessoas?

Tinha uma voz que era agradável, e as pessoas identificam-me pela voz …eu era o magrinho da voz forte

 

O teu percurso na Rádio passa também pela Guarda onde tiveste funções diretivas no Altitude. Era a época das novas estações de rádio e de novos desafios. O que significou para ti esse tempo?

Foi uma grande experiência para mim ter vindo da RDP para a direção da Rádio Altitude, a convite da então Governadora Civil da Guarda, Marília Raimundo e do Helder Sequeira… Na altura ainda funcionava a onda média, mas já tinham o FM, e eu criei duas programações distintas, uma para FM outra para Onda Média.

Vim também a dirigir a informação da rádio, criando uma agenda de serviços para cobertura de acontecimentos, mas os tempos eram outros… havia outras ferramentas…surgiram os primeiros computadores então oferecidos pela Governadora Civil que vieram facilitar em muito a missão.

Os jornalistas escreviam as notícias à mão, mais tarde na máquina de escrever e por fim nos computadores onde se podia guardar tudo…foi a revolução; na técnica também deixamos de gravar em fita para passar a gravar em computador o que simplificou as coisas.

 

Como vias a relação entre a Rádio e a Cidade/Região? Há algum episódio que te tenha marcado?

 

A Rádio Altitude tinha muito prestígio na cidade e na região. A voz do Altitude era respeitada por todos.

As pessoas ligavam para a rádio para dar a conhecer este ou aquele acontecimento…até nos acidentes era para nós que as vezes ligavam primeiro.

 

Para além do Altitude há também uma ligação profissional a outras estações, nomeadamente à Rádio Renascença? Fala-nos dessa atividade e das estações onde ocorreu o teu trabalho como jornalista.

 

Como já referi anteriormente a minha ligação à RR passa pelo Altitude…fui indicado pelo Antunes Ferreira, quando a RR criou a equipa nacional de correspondentes distritais.

A RA era o correspondente na Guarda da Rádio Renascença e eu era o Correspondente de Viseu.

 

Até agora qual foi a tua experiência mais positiva na rádio?

A mais positiva foi o ter de assegurar a direção geral de uma rádio em Viseu (Rádio No Ar) e reformatar toda a programação, criando tipologias de programas de acordo com o publico alvo /ouvintes do segmento rádio.

Ao organizar a equipa, consegui aperceber-me das vocações de cada um e todos foram colocados no lugar certo, executando as funções para as quais estavam vocacionados (animação, jornalismo/noticiários/ reportagem de rua, e entrevista em estúdio), pelo que o resultado final foi fabuloso. A rádio subiu as audiências e começou a faturar em publicidade.

António AREDE no estúdio .jpg

A rádio do passado e do presente: diferenças, semelhanças, desafios?

Eu penso que no meio rádio no passado havia mais criatividade.

Os programas eram de autor, pensados e idealizados com muito cuidado. Escolhia-se criteriosamente a música a passar e os textos para complementar a produção dos conteúdos. Hoje as rádios passaram a ser playlists musicais...e são quase todas iguais nos conteúdos, o que é mau…faltam os programas de autor

 

Hoje é mais fácil o acesso à produção de programas de rádio?

É tudo mais fácil, devido às ferramentas existentes… as novas tecnologias. Hoje pode fazer-se rádio na Web a partir de casa, com pouco equipamento e muita qualidade. A informática veio revolucionar o meio rádio.

 

Atualmente, e sem perderes a tua ligação à música dos anos da tua geração, tens também trabalhado como DJ. Como surge esta faceta?

A atividade de DJ surge numa altura em que entro para o Grupo Media capital rádios, - Rádio Clube Português – Rádio Clube (projeto de rádio informativa) e M80 Rádio. Foi aqui que despertei a vocação de DJ ao ver os colegas de Lisboa a passarem música em festas da Rádio.

Aproveitei a minha passagem por Lisboa e tirei lá o curso de Dj no Centro de Formação para DJs da Pioneer (i4DJ). Tirei dois cursos e hoje passo música dos anos 80 em todo o lado. Cada noite é um sucesso!... Sou requisitado para muitas atuações, tendo os meses quase sempre fechados com datas para tocar, aos fins de semana.

DJ AREDE FOTO.jpg

É um trabalho que gostas de fazer?

Adoro pelo contacto com as pessoas, …depois é o tipo de música que faz mexer toda a gente.

 

Que outras coisas gostas de fazer nos teus tempos livres?

Oiço muito rádios estrangeiras temáticas, para ver as tendências e os estilos, gosto muito de ler, procuro estar ao par das inovações tecnológicas do meio rádio, e ver televisão, noticias, filmes e música. 

 

Como vês hoje a Guarda? Acompanhas o que se passa aqui?

Não estou muito a par do que passa na Guarda atualmente, mas devo confessar que gosto muito das pessoas da Guarda… sempre me trataram muito bem e souberam respeitar o meu valor.

 

Achas que as cidades da Guarda e Viseu estão mais próximas?

Acho que sim, mas no campo político a aproximação devia traduzir-se em cooperações mais alargadas que fomentassem mais valias para ambas as cidades.

 

H.S.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:07

Uma data significativa...

por Correio da Guarda, em 29.07.21

ANIV.jpg

Uma simples nota para assinalar 13 anos de edição deste blogue. Continuam presentes os objetivos iniciais e são desenhadas, agora, novas ideias. Bem hajam pela vossa leitura...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:05

Descodificar a realidade...

por Correio da Guarda, em 20.03.20

 

Estamos a viver um tempo de incerteza, angústia e de novas experiências, mas também de afirmação de valores solidários face a uma ameaça real, inquietante, mortífera.

Há algumas semanas atrás, enquanto a presença do Covid 19 não se manifestava ainda em território nacional, alguns meios de comunicação enveredaram por um lamentável histerismo e ânsia de registo de casos, em vez de optarem por uma atitude pedagógica que servisse de alerta para os previsíveis cenários, suscitasse uma análise atenta das medidas a implementar, reduzisse a propagação do alarmismo.

Essa exagerada obsessão conduziu, desde logo, a uma inflamação noticiosa, arrastada, consequentemente, para as redes sociais; nestas, cresceu, diariamente, o número de especialistas em coisa nenhuma, debitando alarvidade e protagonizando dúbios e inconfessáveis aproveitamentos de uma realidade que merece uma abordagem diferenciada, serena, adequada.

A sensatez, o rigor e o equilíbrio informativo são fundamentais nesta como noutras situações de instabilidade, ameaça e perigo em que a credibilidade e objetividade das notícias devem constituir uma permanente preocupação de quem está nos media com verdadeiro sentido ético, deontológico e profissional.

Atitude que estabeleça uma fronteira precisa das falsas notícias veiculadas pelas redes sociais onde se ampliam a mesquinhez, a má formação, os ódios, a insolência, a preocupante falta de formação moral e cultural de muitas pessoas, tantas vezes escondidas atrás de um perfil falso; claro que há igualmente (e até em maior percentagem) posturas corretas, indicações insuspeitas, exemplos louváveis, iniciativas oportunas às quais, perante a quantidade de informação e comentários nem sempre é dada a atenção devida.

Redes Sociais -.jpg

Neste contexto de proliferação de falsas notícias é fundamental que os tradicionais meios de comunicação sublinhem a sua importante social e assumam, também nessas plataformas digitais, o seu papel de forma que o público os veja como referência informativa, credível.

É justo referir que no contexto local e regional tem existido essa preocupação, reconhecida pelo público mais atento aos textos produzidos. Contudo, as fake news, não sendo um fenómeno novo, nunca assumiram, como hoje, um contágio tão devastador que atinge mesmos os grandes e conceituados meios de comunicação; a natural tendência em dar em “primeira mão” uma notícia, antecipando-se à sua concorrência mais direta, leva à difusão de informação errónea…

Não é por acaso que tem vindo a aumentar por parte de instituições de ensino a preocupação em desenvolverem iniciativas destinadas a um melhor conhecimento dos mecanismos de informação e desinformação nas plataformas digitais, assim como a permitirem o uso de aplicações que viabilizam a validação da informação e descodificação das notícias falsas.

Assim, em situações como a que estamos a atravessar, com consequências ainda imprevisíveis, os media tradicionais lidam com dificuldades e responsabilidades acrescidas, tanto mais quanto por parte das estruturas/entidades nacionais nem sempre a gestão da comunicação tem sido a melhor, de forma a facilitar a recolha de dados precisos.

Sendo certo que a atual pandemia deve ser objeto de fundamentada preocupação, e suscitar as medidas e cuidados que exige, o alarmismo social deverá ser evitado. A comunicação social tem um papel importante a desempenhar, servindo esta experiência para se reformularem procedimentos e estratégias. (Hélder Sequeira)

in O Interior, 19|03|2020

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:55

Incrementar a cooperação

por Correio da Guarda, em 17.01.20

 

Ao longo do ano são múltiplos, e diversificados no perfil, os eventos que ocorrem nesta região do interior; iniciativas que incrementam, sem dúvida, fluxos de visitantes e contribuem para animação e desenvolvimento da economia regional.

Contudo, e tendo em conta, os indicadores das últimas décadas, a marca deixada por estas realizações poderia ser mais ampla se tivessem referenciada uma estratégia global, pensada a partir de um entendimento sério das organizações com vista a um trabalho em rede, objetiva e empenhadamente delineado.

A conjugação de esforços e de sinergias, as cedências necessárias para um planeamento consensual, a rentabilização de recursos humanos e financeiros, a rotatividade de algumas iniciativas, a promoção conjunta do território, a afirmação da matriz regional, a predisposição em pensar a construção do futuro, entre outras atitudes, permitiria um cenário substancialmente diferente; ao nível da procura da região, cativando novos visitantes, incentivando a sua permanência nas nossas terras por um período mais longo; assegurando argumentos sólidos e persuasivos…

Por várias vezes, e também aqui neste jornal, sublinhámos que continua a subsistir a tendência para pensar no imediato, circunscrevendo-o a áreas limitadas e numa lógica centrípeta de interesses pessoais, locais ou concelhios, teimosamente enfeudada no desconhecimento do que se passa nos territórios circunvizinhos; é certo que há alguns exemplos de boas práticas de cooperação mas, infelizmente, são raros e por vezes a sua desejada continuidade é interrompida.

Sem colocar em causa a prevalência de eventos que constituem cartazes dos centros urbanos onde são realizados, os quais têm demonstrado um contínuo crescimento e inequívoca adesão dos públicos a quem se destinam, será de equacionar um entendimento ao nível da calendarização, de forma a permitir uma maior abrangência dos projetos e realizações.

Todos os anos, e nomeadamente em épocas perfeitamente identificadas (o ciclo das feiras do queijo da serra pode ser um exemplo), se verifica uma pulverização de iniciativas, coincidindo com frequência nas mesmas datas e muito próximas geograficamente.

A implementação de uma agenda regional bilingue – alcançado que fosse o entendimento imprescindível para um equilibrado e eficaz planeamento – reunindo o máximo de contributos institucionais, associativos, pessoais resultaria num eficaz contributo para uma publicação onde estivesse, em cada ano, uma informação o mais completa possível dos eventos culturais, desportivos, económicos, sociais, científicos; a par de uma indicação clara de roteiros turísticos, locais a visitar, sabores a apreciar, unidades hoteleiras ao dispor, livros sobre a região/escritores ligados a esta zona, órgãos de comunicação existentes, museus, artesanato local, praias fluviais, tradições, coletividades, etc…

Embora o suporte tradicional – agenda impressa – seja adequado à distribuição em pontos estratégicos, nos eixos de circulação de visitantes nacionais ou estrangeiros, postos de turismo, unidades hoteleiras, feiras de promoção turística, o atual contexto tecnológico permite outras formas de consulta e disponibilização, mormente através de uma aplicação pensada para o telemóvel. A reunião e simplificação da informação facilitará a procura por parte dos vários escalões etários.

Nos tempos de hoje, a velha máxima de que “a união faz a força” tem mais sentido e o interior deve, urgentemente, acentuar a coesão se quiser superar os desafios do presente, reivindicar medidas de apoio, combater a ausências e o abandono de terras e lugares, onde prevalecem memórias, uma vasta riqueza patrimonial, cultural e paisagística.

É preciso passar, sem delongas, dos discursos retóricos sobre a importância da cooperação para compromissos sólidos e medidas práticas; visíveis e consequentes.

Naturalmente que neste processo de valorização do nosso território deverá estar, sempre, presente, a participação do cidadão, numa demonstração clara do seu empenho em intervir na promoção e desenvolvimento; não adianta ter manifestações enérgicas e palavras críticas nas redes sociais (como se elas fossem a solução…) e quando desafiado a colaborar remete-se à indiferença, ao afastamento, ao derrotismo…

Desejamos que 2020 seja um período de novos e profícuos entendimentos, da abertura de novos caminhos para a cooperação, para o desenvolvimento global e sustentado de uma região com muitas potencialidades por explorar. (Hélder Sequeira)

 

In "O Interior", 16/1/2020

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:00

Feliz Ano Novo

por Correio da Guarda, em 30.12.19

ANO 2020 Correio.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:01

Promover uma boa imagem...

por Correio da Guarda, em 19.09.19

 

O Cinema e a Fotografia vão estar em destaque na nossa região, nos próximos meses, denotando um interesse crescente e uma nova atitude em relação ao papel da imagem.

A consolidação de projetos nesta área, a sua continuidade e enriquecimento programático, a adesão de novos públicos, o empenho de pessoas e instituições contribuem, inquestionavelmente, para uma ativa vivência cultural com a consequente projeção dentro e fora das fronteiras nacionais.

Em Seia decorrerá de 12 a 19 de outubro de 2019 mais uma edição do CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela.

Recordamos que se trata do único festival de cinema em Portugal, dedicado à temática ambiental, “no seu sentido mais abrangente”; um festival, solidamente afirmado e consagrado, que desde 1995, e sem hiatos temporais, se realiza anualmente naquela cidade, organizado pelo município local.

Este certame, que decorrerá na Casa Municipal da Cultura de Seia e no Centro de Interpretação da Serra da Estrela, há muito conquistou um merecido prestígio internacional, recebendo, nas suas edições, centenas de obras a concurso, provenientes de diversos países.

Por outro lado, em Manteigas terá lugar, de 22 a 24 de novembro o VI Festival de Fotografia de Paisagem. Uma aposta da Câmara Municipal de Manteigas na promoção e valorização do património paisagístico, que ganha agora maior significado com a aprovação da candidatura da região da Serra da Estrela a Geopark Mundial da UNESCO; um processo que aguarda apenas o parecer do Conselho Executivo da agência das Nações Unidas.

Na Guarda, e como é do domínio público, o Centro de Estudos Ibéricos (CEI), promove, desde 2011, o projeto “Transversalidades - Fotografias sem fronteiras”. Tendo como objetivo promover, através da imagem, a cooperação entre pessoas e instituições, bem como a inclusão de territórios, sobretudo os mais votados “a processos de exclusão ou esquecidos pelos media que deixam em branco vastas áreas do planeta”, o Transversalidades suscitou, uma vez mais o interesse de fotógrafos de todo o mundo.

Recentemente foram divulgados os premiados nas categorias a concurso, distribuídas por: património natural, paisagens e biodiversidade; espaços rurais, agricultura e povoamento; cidade e processos de urbanização; cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social. Como acontece habitualmente, o início do mês de dezembro está no calendário e agenda da exposição do trabalhos premiados e consequente distinção dos autores das fotografias.

Em agenda estão também as III Jornadas de Fotografia da Guarda – uma organização do Instituto Politécnico da Guarda e do Fotoclube da Guarda – marcadas para o próximo dia 12 de outubro, nesta cidade. Com um programa tematicamente diversificado, no campo da fotografia, estas jornadas vão ter como intervenientes, entre outros, Alfredo Cunha, Luís Quinta e Leonel de Castro.

Cartaz Jornadas fotografia- 01-JPEG.jpg

Alfredo Cunha (natural de Celorico da Beira) iniciou a sua atividade de fotojornalista em 1971, tendo colaborado com o Jornal "O Século" e "O Século Ilustrado" a Agência de Notícias Português - ANOP e as agências de Notícias de Portugal e Lusa Foi fotógrafo oficial dos Presidentes da República, Ramalho Eanes e Mário Sores. Trabalhou no Jornal "Público" como fotógrafo e editor-chefe e foi fotógrafo e editor-chefe do "Jornal de Notícias", tendo sido também foi diretor fotográfico da "Global Imagens". Atualmente trabalha como freelancer desenvolvendo projetos editoriais. Do seu percurso destacam-se as emblemáticas séries de fotografias dedicadas ao 25 de Abril de 1974 e à descolonização portuguesa em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, S. Tomé, Timor-Leste e Cabo Verde. Tem publicados diversos livros de fotografia

Luís Quinta multipremiado fotógrafo é colaborador regular da National Geographic Magazine e da revista Visão. Publicou mais de um milhar de artigos e reportagens na imprensa nacional. Formador na área da fotografia, integrou o "Dream Team" do maior projecto fotográfico sobre natureza na Europa - "Wild Wonders of Europe” financiado pela National Geographic.

Muitas das imagens de Luís Quinta têm sido usadas por universidades e museus para várias publicações científicas e suporte pedagógico.

Leonel de Castro, desde sempre ligado ao fotojornalismo no Jornal de Notícias e no grupo onde se insere (Notícias Magazine, Volta ao Mundo, Evasões, Diário de Notícias e o Jogo), tem conquistado diversos prémios e distinções ao longo da carreira profissional.

Os seus trabalhos têm também dado corpo a várias exposições, quer individuais quer coletivas. A par do fotojornalismo, tem-se dedicado também à docência, no Instituto Português de Fotografia, na Escola Superior Artística do Porto e no Mestrado de Comunicação da Universidade do Minho.

Estes três nomes são, por si, um excelente cartaz destas III Jornadas de Fotografia que, à semelhança das iniciativas atrás mencionados, podem desenhar uma nova dinâmica, não só no plano formativo mas também ao nível da atratividade de participantes da região e de outros pontos do país.

A continuidade desta rede de eventos é extremamente importante e deve merecer a devida atenção e apoio por parte das comunidades locais e outrossim das entidades/organismos com responsabilidade na área cultural e social. (Hélder Sequeira)

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:01

O Dia da Rádio Altitude

por Correio da Guarda, em 29.07.19

Edifício RA -1990.JPG

     (Foto de Arquivo. 1990)

 

     Hoje é o dia da Rádio. De uma emissora muito especial não só pela sua génese solidária mas também pela sua longevidade, percurso ímpar, matriz beirã.

    A Rádio Altitude, que assinala hoje 71 anos de emissões regulares, tem sido uma lídima voz da região que na primeira metade do século passado foi procurada por milhares de pessoas, na procura de tratamentos para a doença que atingiu uma elevada percentagem da população; esta referência teria de ser feita para não se olvidar a profunda ligação a uma dos mais emblemáticos Sanatórios de Portugal.

   Neste contexto nasceu a Rádio que rapidamente alargou a sua área de influência, cativou colaborações, ultrapassou dificuldades, assumiu desafios, protagonizou criatividade, inovou e afirmou decisivas linhas de intervenção formativa e cultural.

    Da sua história já falamos, aqui, várias vezes. Daí que, nestas breves notas, seja de sublinhar o pioneirismo da estação emissora CSB 21 e os caminhos abertos através da onda média, inicialmente, depois em FM e hoje também nas plataformas digitais e redes sociais.

   Foram múltiplos os contributos pessoais (Jesué Pinharanda Gomes, falecido sábado, colaborou na RA) e coletivos que guindaram a Rádio Altitude a uma posição de destaque no panorama radiofónico português e, diria, mesmo europeu (pelas décadas de emissões contínuas, pela sua originalidade, subsistência e consciência da sua função social). Assinalar este 71º aniversário é evocar todas essas colaborações e apoios, imprescindíveis para uma evolução permanente, que se deseja continue no futuro.

RÁDIO ALTITUDE - Helder S.jpg

    A Rádio Altitude é uma marca informativa e cultural desta região que não a deve esquecer, antes valorizar pela sua história, pelo seu papel, pela sua presença quotidiana.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:46

Identificação de aves

por Correio da Guarda, em 19.06.19

 

     No concelho de Fornos de Algodres, vai ter lugar, nos próximos dias 20 e 21 de junho, nos dias uma ação de formação a todos que querem conhecer as nossas aves selvagens e contribuir para projetos de ciência-cidadã.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:56

Feliz Ano Novo

por Correio da Guarda, em 31.12.18

Feliz 2019 - Correio da Guarda.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 01:02

Natal 2015

por Correio da Guarda, em 20.12.15

Postal BF - Correio da Guarda-2015.jpg

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:58


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D

Contacto:

correio.da.guarda@gmail.com