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José Domingos: rádio, jornalismo e cultura judaica

por Correio da Guarda, em 08.02.22

 

 

Com uma vida dedicada à comunicação social, José Domingos afirma ao CORREIO DA GUARDA que “o jornalista no interior teve e tem, aqui, um papel importante. Ele é o elemento-chave para mostrar e motivar a vitalidade deste interior, lutando contra desvantagens acrescidas”.

Natural da Guarda, onde nasceu em 1954, José Domingos fez o seu percurso académico na Guarda em Coimbra. Para o nosso entrevistado, “o jornalista deve ter um mínimo de cultura e saber onde está, saber escrever e bem falar português”, acreditando ainda em “jornalismo de qualidade em Portugal". Um país onde continua, de forma apaixonada, a estudar e a divulgar a presença da cultura judaica.

 

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Como aconteceu a tua ligação à rádio?

Tudo aconteceu ainda jovem, muito jovem. Era amigo - e sou- pessoal do Emílio Aragonez e do Dr. Joaquim Lopes Craveiro. Frequentava amiúde a ótica Aragonez, onde trabalhava também um antigo colaborador da Rádio Altitude (RA), o Pedro Claro, pessoa bem-humorada e antigo doente do Sanatório.

Certo dia, o Emílio Aragonez e o Dr. Lopes Craveiro, que ali se encontravam frequentemente em amena cavaqueira, acharam por bem sugerir que experimentasse qualquer coisa na RA porque, diziam, "o rapaz até tem uma voz jeitosa".

Andava eu no 7° ano do Liceu. Comecei a ir até à RA; era administrador o Sr. Carvalhinho e o saudoso Alberto Antunes Ferreira o encarregado geral. O diretor era o Dr. Martins Queirós, homem de alta estatura, conhecedor da técnica de "fazer uma rádio" de que foi obreiro o seu emissor Onda Média. Os técnicos eram o Clavier Bernardo Alves e o António Santos.

Comecei por preencher os boletins fase Felicitações com o Luís Matias de Almeida e o Elias Xastre. Por vezes aparecia o António Cardoso. Depois aprendi a mexer nas máquinas, montar equipamentos, fazer gravações, acompanhar as reportagens dentro e fora do estúdio com o António Pinheiro, o Aragonez, por vezes o desporto com o Vítor Santos, o Rebelo de Oliveira e Luís Coutinho. 

E chegou a altura de, numa tarde de junho, começar a falar ao microfone em estúdio, em direto. Recordo que nesse dia e me enganei a dizer as horas e o primeiro disco que passei foi "Yo y la Rosa" de Hector Cabreira. Fazia-se publicidade ao Omega 300 oferecido pelo Emílio Aragonez.

 

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Capa do disco "Yo e la rosa"

 

Quais os trabalhos iniciais da rádio? Os discos pedidos foram uma presença obrigatória?

Como disse, os primeiros trabalhos foram mais de secretariado, preenchendo boletins para o programa das Felicitações. Depois foi mais a aprendizagem. 

Comecei a fazer as Felicitações que eram imagem da Rádio, programa que ligava a RA as pessoas e entre elas mesmo. Era, diga-se, um espelho de uma rádio do povo para o povo, elemento de aproximação, mas também de divulgação das vilas, aldeias e lugarejos e, claro, da música onde se destacava a portuguesa.

Havia também outro programa as 17 horas que começou por ser o "Marque 232 e peça um disco" com publicidade à Toyota. O 232 era o antigo número telefónico da RA.

 

A esta distância como vês a importância e as características dos "discos pedidos"? Como era a audiência?

Entendo que, embora preenchendo uma grande parte da programação da tarde, eram elos íntimos entre as pessoas com a rádio, onde o povo participava na sua rádio através dos discos pedidos, fazia, se assim se pode dizer, o seu programa.

E curioso, era um programa transversal na audiência e uma marca. Os "Discos Pedidos " agarravam as pessoas a rádio até, diga-se, pela vaidade íntima dos ouvintes em escutarem seu nome ou da sua terrinha

 

Quais os colegas com que trabalhavas na altura? E como era o ambiente vivido na rádio?

Era um ambiente familiar. Por tudo, faziam-se convívios, festas, lanches. Lembro os lanches com os bolos da Ti Ritinha, os "Enfarta brutos", as conservas, quando alguém fazia aniversário, os magustos, as sardinhas assadas junto à garagem, os passeios ou excursões, os ralis automóveis onde o Sucena e o Celínio eram os organizadores, com o João Oliveira Lopes.

Trabalhei naquela época com vários colegas, muitos deles que já partiram: Alberto Antunes Ferreira, António Santos, Clavier Bernardo Alves, Elias Xastre, Vitorino Coelho, Luís Matias de Almeida, Joaquim Fonseca, António Pinheiro, Luis Celínio, Manuel Vaz Júnior (a quem chamávamos amigavelmente de "pena parda"), Luis Coito, Luis Coutinho, António Arede, Abílio Curto, Emílio Aragonês, Lopes Craveiro; mas também com o Carlos Martins, Helder Sequeira, Manuel Madeira Grilo (Língua e Linguagem e de que eu era colaborador também), João Gomes (Reflexões Políticas), António José Amaro, Aguinaldo Nave, Joana Paula, Margarida Andrade. Como correspondentes o Manta Luís (Gouveia), Amílcar Chéu e António Lourenço (Foz Côa), Carlos Fidalgo (Trancoso).

Uma pessoa que devo recordar: Manuel Pires Daniel, pessoa calma, culta e sensata, poeta e escritor, natural de Meda, mas residente em Foz Côa.

José Domingos 7.jpg Fausto Coutinho, José Domingos, Helder Sequeira e João Falcão Lucas (da esq. para a direita)

 

Que episódios te deixariam melhores recordações? E piores?

0 falecimento de António Pinheiro e Manuel Vaz Júnior foram momentos dolorosos dada a amizade que nutríamos reciprocamente. Não recordo momentos que me tenham deixado más recordações.

Momentos bons foram muitos. Sobretudo daquele programa que eu tanto amava de que fui um pouco de tudo desde produtor, realizador, locutor, animador, etc.: o clube GIROFLÉ dedicado às crianças, onde criei bases e mobilizei pessoas para a fundação da CERCIG.

Era necessário arranjar dinheiro para o então Centro Educacional e Recuperador de Crianças Inadaptadas da Guarda. Organizei então vários espetáculos com o apoio da Casa Cogumelo (de Eduardo e Filomena Espírito Santo e Armando Gil) e do Cine Teatro da Guarda dirigido por Abílio Curto.

Aqui vieram vários artistas de que destaco José Barata Moura, Paco Bandeira, Frei Vicente da Câmara, Vicente do Nascimento, Odette de Saint Maurice (poetisa e escritora), Orlando Dantés (palhaço), Serip (ilusionista) e outros. Com a Casa Cogumelo organizei Festas de Natal no Cine-Teatro da Guarda e no Auditório do Ex-sanatório Sousa Martins. O Pai Natal chegou a vir de Helicóptero e quem era? O Sr. Humberto, da Câmara Municipal.

Todas as crianças tinham seus brinquedos e lembranças, o seu lanche convívio e iogurtes com apoio de empresas da Guarda e outras nacionais como a Yoplait e Regina. Além disso promovi peditórios e campanhas, sobretudo no Natal, para angariação de géneros alimentícios, roupas, brinquedos para ajuda aos mais necessitados. Os "sócios" do GIROFLÉ tinham um cartão identificativo que lhes dava descontos em casas comerciais que aderiram e publicitavam seus produtos, mas o exclusivo era a Casa Cogumelo.

Foram os melhores tempos de alegria que tive na Rádio. Quando, por motivos profissionais, deixei a Altitude, o GIROFLÉ...acabou. 

Outro momento marcante que vivi na RA foi o espetáculo único, singular que em 1975, se realizou na Guarda com a participação de Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Francisco Fanhais e Fausto. Outro programa de que guardo boas recordações era o "Rádio e Informação" realizado por mim na Guarda e o António Arede. Tinha música, informação, recreação, novidades. Mas na generalidade foram bons momentos de rádio, camaradagem e convívio.

 

O Giroflé foi um programa para crianças, emblemático. Como surgiu e que impacto teve?

Como atrás disse, o GIROFLÉ foi um pouco de mim. A este programa me dediquei de alma e coração.

Se bem que havia uma lacuna na programação dirigida a crianças, o GIROFLÉ começou na sequência de uma ação de angariação de géneros para os mais necessitados que organizei creio que no programa da tarde. Surgiu então a ideia do programa a que inicialmente aderiram Abílio Curto e Margarida Andrade. Acabei por ficar sozinho. Mas consegui colocar as crianças a apresentar o seu programa em direto. Era lindo vê-los chegar até às Rádio antes das 18 horas de sexta-feira, a hora do programa. Uma "passarada" como dizia o meu saudoso amigo e ex-professor Manuel Madeira Grilo.

Hoje essas crianças cresceram, já são pais e alguns mesmo avós e é reconfortante abordarem-me por vezes e recordarem o GIROFLÉ.  Mas a grande realização foi a CERCIG. Quero aqui sublinhar a sempre pronta ajuda e colaboração dos também fundadores daquela organização de que destaco Alcino Bispo, D. Lisdália, António Melo, Júlio Antunes e ainda do Centro de Assistência Social da Guarda e das irmãs da instituição e educadoras de infância, sobretudo Olívia Rodrigues, Teresa Cardoso, Cristina Correia, a Lurdes e outras.

 

Que achas do trabalho do jornalista em terras do interior do país? Há mais dificuldades ou desafios diferentes?

O jornalismo tem grandes tradições no interior desde já muito. Panfletos, boletins, magazines, jornais e até rádio como é o caso da Altitude da Guarda surgiram como emanações da sociedade, uns com matriz religiosa, outros política, outros social.

Claro que não há Comunicação Social sem jornalistas e estes mesmo com raízes no interior projetaram-se a nível nacional e internacional, mas beberam aqui a sua essência. Jornais como A Guarda, Amigo da Verdade, Jornal do Fundão, Notícias da Covilhã, são órgãos que desde tempos recuados se afirmaram como referência na sua dimensão.

O jornalista no interior teve e tem, aqui, um papel importante. Ele é o elemento-chave para mostrar e motivar a vitalidade deste interior, lutando contra desvantagens acrescidas, desde os meios de trabalho, a economia e suporte, as comunicações sobretudo com órgãos da administração central que, no caso das suas representações regionais, só com autorização da tutela podem pronunciar-se.

Para ultrapassar as dificuldades, o jornalista no interior tem de ser atento, perspicaz, ser bom auditor e simultaneamente provocador, criar uma rede de fontes fidedignas e posicionar-se na neutralidade, quero dizer, isento. A pressão social quer política quer económica, sempre teve tendência para limitar a função do jornalista e no interior ainda mais por se tratar de um território com menos gente e como consequência um conhecimento mais próximo com os agentes dos diversos sectores e daí a tal pressão onde muitas vezes ocorre o "se não és por mim és contra mim".

Se bem que este facto ainda exista, o jornalista tem hoje outros meios ao dispor pois que a técnica evoluiu em todos os sectores – jornais, rádio, TV , bloggers, redes sociais – , criaram-se gabinetes de imprensa ou imagem muitos deles com jornalistas ou equiparados.

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Alguns anos depois de teres entrado para a Rádio Altitude ocorreu a tua ligação a agência de notícias ANOP. O que representou para ti esse novo trabalho, e como surgiu?

Entrei para a ANOP- Agência Noticiosa Portuguesa em 1977 e no quadro em 1 de julho de 1978.

Para mim foi uma mudança radical em termos profissionais e adoção de regras. A ANOP ia abrir uma delegação na Guarda, dirigida pelo malogrado vê amigo Armando de Sousa Fontes. Um dia à tarde estava eu a fazer a emissão na RA apareceu nos estúdios o Fontes a perguntar por mim. Eu não o conhecia pessoalmente então a não ser por referências no jornal O Século e Diário Popular.

Fez-me então a proposta de ir para a ANOP por indicação de João Tito de Morais, presidente vida Agência Noticiosa que eu conhecia via o pai, Tito de Morais que foi Presidente da Assembleia da República e este através do também ex-Presidente do Parlamento, Teófilo Carvalho dos Santos, natural de Almeida.  Deixei então a Rádio Altitude mantendo ainda o GIROFLÉ até a minha integração no quadro da ANOP.

A Agência tinha regras de redação estritas, era o único órgão de comunicação social que tinha Livro de Estilo. Estive em Lisboa, Coimbra (onde trabalhei com Marinho Pinto e Fausto Correia), depois Porto e depois regressei à Guarda. Entretanto o Armando Fontes regressou à sede por razões de saúde e fiquei sozinho na Delegação da Rua Pedro Álvares Cabral. Tinha a meu cargo a zona da Beira Interior e parte do distrito de Viseu. Criei uma rede de correspondentes.

Foi, entretanto, designado delegado o Mimoso de Freitas e eu voltei a Lisboa e daqui fui a Israel, Timor, Madrid e Brasil. Foi uma ausência prolongada da Guarda. Voltei a Lisboa e vim substituir o Mimoso de Freitas, que, entretanto, se reformara. Mas mesmo neste período ainda estive noutros locais deixando temporariamente os correspondentes ligados a Coimbra ou Lisboa. Foi uma caminhada grande.

 

Que balanço fazes do trabalho na ANOP e mais tarde Lusa?

Confesso que, como diz o povo, "ia a todas" em busca da notícia, visitando autarcas, serviços públicos e privados, associações empresariais, instituições sociais e religiosas, etc.

A ANOP e a LUSA conseguiriam ser referência e com imagem em toda a região

Olhando para trás, foi um trabalho positivo, com altos e baixos naturalmente, nunca tive desmentidos, ouvi sempre as partes em caso de conflito, participei em várias iniciativas (integrei a Comissão Organizadora das primeiras Jornadas da Beira Interior, por exemplo), não utilizava as fontes e depois as deixava sem criar laços de amizade, ou seja, construí amizades, fui interventivo na área social e cultural, sobretudo nos Bombeiros.

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José Domingos com o pintor guardense Luis Rebello

 

Qual o acontecimento, notícia, que mais te marcou enquanto jornalista da agência?

Foram vários os acontecimentos. O que mais me marcou foi o acidente Ferroviário de Alcafache onde fui jornalista, bombeiro, socorrista...tudo, perante um espetáculo dantesco, de morte.

Outro foi o julgamento do caso de alegada violação na Guarda, com a destruição e violência que gerou e onde levei com uma bala de raspão à porta do Hotel Turismo onde fui socorrido pelo Dr. Raul Gil Saraiva; também o julgamento do caso Raia Seca não tanto pelos factos, mas pelos nomes dos arguidos e suas alcunhas que faziam rir.

Curioso trabalho que fiz foi nos Foios, Sabugal, onde a população se revoltou contra o pároco, este levou (há quem diga que comeu) as hóstias e o sacrário ficou vazio; o pároco deixou os Foios e as missas eram celebradas pelo povo, por um dos seus membros com mais respeito. Faleceu na ocasião um familiar de um padre e o funeral foi civil. O assunto só foi resolvido com a visita do Bispo da Guarda, D. António dos Santos.

 

Como vês hoje o jornalismo em Portugal?

O jornalismo em Portugal evoluiu bem todos os sectores e novas formas de jornalismo surgiram assim como vás fontes, algumas perigosas por não credíveis principalmente nas redes sociais.

Eu comecei por uma máquina de escrever e uma folha, o "linguado" como lhe chamávamos, também com regras de linhas e batidas, depois o corfac, o telex e mais tarde os computadores. Não havia telemóveis, os gravadores eram grandes, hoje são por vezes minúsculos. 

A revolução informática e novas tecnologias de informação conferiram novas realidades em que, no caso da imprensa escrita, migrou para o digital em detrimento do suporte papel.  O aparecimento de vários canais TV e estações de rádio dão ao espectador uma variada possibilidade de escolha.

O jornalismo tem de adaptar-se às novas realidades. O mercado de emprego é restrito na área da Comunicação Social e as escolas continuam a formar potenciais jornalistas. E porquê? A crise económica tem impacto nos órgãos de comunicação social e muitos, sobretudo no Interior, lutam com enormes dificuldades de sobrevivência. Por outro lado, acho que o jornalista deve ter um mínimo de cultura e saber onde está, saber escrever e bem falar português para não se ouvirem calinadas como as que vemos e ouvimos por vezes.

Essa cultura pode ser nas áreas social, económica, geográfica, política, jurídica etc. Isto ajuda ao jornalista identificar-se com o meio em que se insere. Contudo acredito no jornalismo de qualidade em Portugal

 

Em simultâneo com a atividade jornalística teve lugar a atenção para com as questões judaicas, mormente para as marcas dos judeus neste território do interior. Fala-nos desta atividade.

É antiga a minha ligação a assuntos judaicos. A minha família vem de raiz judaica. Ainda no Liceu, embora pouco se falasse de Judeus a não ser sobre Inquisição e não muito e praticamente nada sobre o Holocausto, eu comecei a investigar. Era "cliente" habitual da Biblioteca Municipal ou da Biblioteca do Liceu e mesmo da Gulbenkian.

Mas o meu interesse efetivo começou sobretudo a partir de 1978 quando pela primeira vez visitei Israel onde passei núpcias.

Em alguns locais visitados escutei um português antigo, não o Ladino, e falei mesmo com pessoas que o falavam sobretudo na Galiléia, em Tiberíades , Rosh Pinah e Safed. Eram descendentes de portugueses que um dia fugiram as garras da Inquisição, á tortura e ou morte.

Isto despertou-me interesse. Contudo meu primo, o historiador Adriano Vasco Rodrigues e também Carlos Oliveira nos seus "Apontamentos para a Monografia da Guarda" já tinham abordado a presença dos Judeus na Guarda. Também Lopes Correia, em Trancoso e mais recente, José Guerrinha, em Gouveia.

Eu nasci na Judiaria. Ali fui criado pelos meus avós. O conhecimento das marcas nos umbrais das portas e seu significado eram conhecidas e eu bebi nesse conhecimento empírico das pessoas. Por outro lado, também meus avós me transmitiram esse conhecimento. De regresso desenvolvi estudos, organizei colóquios, mostras e a exposição itinerante " Crianças de Todo Mundo Pintam Jerusalém", patente no Museu da Guarda, entre outras.

Decidi então criar a Associação de Amizade Portugal-Israel (AAPI). Convidei Adriano Vasco Rodrigues, Sam Levy, Álvaro Estevão, Madeira Grilo, Itzhak Sarfaty (conselheiro da Embaixada de Israel em Lisboa, recém-criada), José Luis Nunes (deputado do PS, já falecido) para comigo assinarem a ata de constituição da AAPI e fazer-se o registo notarial que paguei de meu bolso. Os Estatutos foram feitos pelo Dr. Inácio Vilar.

Antes porém, em 1980, organizei na Guarda com Shifra Horn o Encontro Europeu de Jovens Judeus com representações de Portugal, Espanha, França, Bélgica e Inglaterra. Entretanto, vários Embaixadores de Israel com quem trabalhei próximo visitaram a Guarda e região com frequência, designadamente o primeiro Embaixador de Israel em Portugal, Ephraim Eldar, o seu sucessor Dov Halevy Milman, Gideon Ben-Ami, o conselheiro Itzak Sarfaty, entre outros. Realizaram-se vários encontros e conferências uma das quais com o professor Reis Torgal que encheu o salão dos antigos Paços do Concelho onde foi focada a participação dos cristãos-novos na Revolução de 1640.

Seguiu-se depois 17 fevereiro 1982 a assinatura do Acordo de Geminação entre os Municípios de Guarda presidido por Abílio Curto e Safed, presidido por Aaron Nahmias. Foi uma iniciativa minha que propus à Câmara Municipal da Guarda que prontamente aceitou a proposta. 

Este foi também o primeiro Acordo de Geminação ou de cidades irmãs entre Portugal e Israel. Esta iniciativa teve incidência no intercâmbio de experiências, turismo, cultura, sobretudo. E de facto a Guarda foi então pioneira no Turismo Judaico que ao longo dos anos aumentou até este surto de pandemia.

Razões várias basearam este acordo: ambas cidades são as mais altas nos respetivos países, o facto de Safed ser cidade de acolhimento de judeus portugueses sobretudo da Guarda e região em tempo de perseguições, expulsão e conversão forçada dos judeus e de Inquisição. Em Safed é possível escutar o português antigo ou arcaico, Ladino e memórias de judeus portugueses que aqui construíram a linda Sinagoga Abuhav, um dos ícones de Safed, em funcionamento. É a cidade dos Cabalistas. Sugiro a leitura do relato da visita de Frei Pantaleão que testemunha a presença da comunidade judaica portuguesa. 

O primeiro grupo de israelitas teve a minha colaboração com Jordan (Yarden) Horn como guia, tendo eu sido o guia em Portugal e principalmente na Guarda e região. Recordo ainda a recepção no Hotel Turismo da Guarda onde Abílio Curto esteve presente. Aliás este Hotel chegou a ficar lotado de turistas de Israel, por várias centenas de vezes. Era seu administrador o Sr. Nogueira. 

A visita foi depois retribuída com uma deslocação à Guarda de uma delegação de Safed integrada pelo Presidente do Município de Safed, Aaron Nahmias e o vice-Presidente e conselheiro, Samuel Arouch.  Delegação da Guarda que se deslocou a Safed: Abílio Curto (Presidente da Câmara da Guarda), Deolindo dos Santos (em representação da Assembleia Municipal da Guarda), José Domingos (Secretário-Geral da Associação de Amizade Portugal - Israel) e Almiro Lopes (representante dos serviços técnicos e administrativos do Município da Guarda).

Seguiram-se outras geminações: Celorico da Beira com Affula, Tomar com Hadera, Belmonte com Rosh Pinah, Fogueira da Foz com Ashdod.

Na Guarda organizei em 1981, com o Dr Adriano Vasco Rodrigues o "Primeiro Encontro para a História das Beiras e dos Judeus Peninsulares". Estiveram presentes vários estudiosos e professores universitários de Coimbra, Braga, Lisboa e Évora. As Atas foram publicadas na Revista Altitude, propriedade da Junta e depois Assembleia Distrital da Guarda de que eu era um dos responsáveis. Seguiram-se idênticas iniciativas em Trancoso, Gouveia, Santarém, Lisboa, Torre de Moncorvo, Castelo de Vide, entre outros locais. Face à minha ausência da Guarda a Associação de Amizade Portugal-Israel foi transferida para Lisboa.

Quero sublinhar, aqui e agora, o apoio sempre prestado pela Câmara Municipal da Guarda, presidida por Abílio Curto. Depois nada ou praticamente nada se fez sendo apenas de realçar a sinalização dos cruciformes das casas da antiga Judiaria particularmente e elaboração do respetivo catálogo de autoria da malograda professora da Universidade de Évora, Carmen Ballesteros. E a Guarda foi e contínua a serem ultrapassada nesta área.

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As geminações da guarda com cidades israelitas tiveram a tua intervenção. O que representa para ti essa aproximação entre Portugal e Israel? Esses contactos foram frutíferos?

Para mim significa um reencontro. Os Judeus tiveram um papel importante desde o nascimento de Portugal onde já viviam e coabitavam com os muçulmanos. O primeiro Rabi-mor de Portugal e do Rei Afonso Henriques foi Yahia Ben Yahia que lutou vão lado do rei e teve papel importante na conquista de Lisboa e Santarém 

Os Judeus e mais tarde os cristãos-novos foram dinamizadores da economia, artes e ofícios, ciências, política, literatura e artes, imprensa etc. Os Judeus já estavam na Guarda quando em 1199 lhe foi atribuído o Foral. Vejam- se os "Costumes da Guarda" tão referenciados por historiadores entre os quais Alexandre Herculano.

Mas também em outras cidades e vilas da região e do país. A Inquisição ou Santo Ofício que de "santo" só tinha o nome provocou uma fuga elevada e o abandono da terra natal e os Judeus batizados á força passaram a ser conhecidos por cristãos-novos. Cidades como a Guarda ou Pinhel por exemplo nunca mais recuperam. As perseguições inquisitoriais motivaram essa fuga, frequentemente com novas identidades já que os nomes judeus não vieram permitidos.

E foram construir outras pátrias "com seus saberes e cabedais" no dizer do padre António Vieira, ele também perseguido. Foi o caso do território do hoje Israel, sobretudo na Galileia onde se situa Safed. Ora essas geminações tiveram resultados sobretudo no Turismo Cultural Judaico.

Houve contactos comerciais na Guarda com a empresa Menitrade sobre painéis solares de que Israel é expoente máximo e os primeiros painéis instalados na Guarda eram israelitas. Mas foi o turismo o principal beneficiado com as geminações e um pouco também a cultura. Estive também envolvido na geminação com a cidade espanhola de Béjar, onde existiu uma importante Comunidade Judaica ligada aos têxteis e lanifícios.

 

Achas que a presença judaica na Guarda devia ser mais estudada e divulgada? Esse legado é suficientemente conhecido?

Creio que sim apesar de existirem já alguns estudos. A presença Judaica na Guarda primeiro deveria ser conhecida pelos guardenses para que valorizassem o seu património.

Era importante que não se fizessem aberrações e não se cobrissem inscrições com cimento ou cabos elétricos ou de telefone.

Considero que esse legado é já um pouco conhecido. Vários grupos, famílias, individuais, vêm a Guarda em busca desse património, mas considero que deveria ser mais divulgado. Não há um panfleto ou desdobrável sobre a Judiaria que eu sinalizei em 1980 no sítio das "Quatro Quinas" com uma placa feita por Alberto Carreto. Mas, francamente, o estado em que se encontra a zona da Judiaria que não é só a zona adjacente à Igreja de São Vicente, é reprovável. Não é cativante. Mas há lugares que deveriam ser transformados bem Centro de Interpretação Judaica como é o caso da antiga Sinagoga ou Sinagogas. Neste particular a Guarda foi ultrapassada por outras terras.

Eu que sou da Guarda reconheço que todos sabem de tudo e depois choram sobre o leite derramado. É o caso das Casas de Memória Judaica ou Centros Interpretativos ou museus que surgiram em Belmonte (as peças expostas no Museu Judaico foram depositadas por Adriano Vasco Rodrigues e pelo José Domingos, aquando da sua abertura em 2005), Trancoso (onde fui o ideólogo com o ex-Presidente da Câmara de Trancoso, Júlio Sarmento e para onde ofereci vários objetos de família, livros religiosos , candelabros), Sabugal, recentemente Gouveia mas também Castelo Branco, Torre de Moncorvo, Bragança, Carção, Vila Nova de Paiva e, imponente, Vilar Formoso.

E a Guarda? Os outros lucram com as visitas e iniciativas culturais relativas a presença Judaica, dos cristãos-novos e mais recentemente, em 1940, os refugiados Judeus quer por aqui passaram depois de entrarem em Vilar Formoso, sobretudo os salvos por Aristides de Sousa Mendes, Cônsul de Portugal em Bordéus (França) em plena Segunda Guerra Mundial. E na Guarda?

Ainda foi assinado no tempo do ex-Presidente do Município da Guarda, Joaquim Valente, com pompa, um protocolo para ser instalado no Solar Teles Vasconcelos um memorial sobre e dedicado a esses refugiados assim como a obra do Cônsul Aristides de Sousa Mendes. Houve lanche e tudo, discursos que apenas por aí se ficaram.

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O que tens feito nos últimos anos em termos de preservação desse património?

Acabei de doar peças minhas, pessoais, para integrarem o Centro de Estudos Judaicos Adriano Vasco Rodrigues e Maria da Assunção Carqueija, meus primos, em Torre de Moncorvo. 

Estou também a desenvolver estudos sobre a presença Judaica em Torres Novas, fiz com o Dr Alberto Martinho um estudo e levantamento das marcas judaicas, entenda-se cruciformes, no Concelho de Seia depois editado em livro que já esgotou a primeira edição patrocinada pelo Município senense. Estou  apostado no estudo da presença Judaica em Viseu e Meda. Queria fazer também uma publicação na Guarda que espero concretizar, generalista sobre os Judeus no Concelho da Guarda.

Desde que se registe, estude, publique, divulgue os resultados vem a seguir de certeza. 

 

Quais os centros ou locais que aconselhas no interior para uma visita ao património ou tradições judaicas?

Desde logo a Guarda, Trancoso (que na minha opinião tem das mais belas judiarias a par de Castelo Branco Belmonte, Gouveia, Santa Marinha-Seia, Covilhã, Foz Côa, Torre de Moncorvo, Penamacor, Castelo Rodrigo, Linhares da Beira, Monsanto, Pinhel, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, a norte Bragança, Vilarinho dos Galegos, Carção, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta, Lagoaça, Vila Flor, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Vimioso, entre outras e a sul sobretudo Castelo de Vide, Marvão, Tomar, Extremoz

 

A pandemia interrompeu os circuitos turísticos que estavam a ser implementados com a presença de visitantes israelitas?

Sim, a pandemia interrompeu praticamente e numa percentagem elevada que estimo em mais de 95 por cento, a vinda de visitantes israelitas e não só, porque a Herança Judaica é já procurada por muitos brasileiros, franceses, espanhóis, argentinos, norte-americanos, e outras nacionalidades.

 

Que papel atribuis às autarquias na dinamização e divulgação do património histórico-cultural e preservação dos sinais da presença judaica?

As Autarquias e seus quadros técnicos ou os gabinetes que contratam são os mais importantes na preservação da Herança Judaica. Deveria haver sensibilidade idêntica a Trancoso ou Castelo de Vide na preservação e divulgação das Judiarias.

Confesso que me considero pioneiro neste domínio a partir da Guarda. Valorizar significa reabilitar e reabilitar significa conservar e não construir aberrações ou intervenções torpes justificadas com a "marca" do nosso tempo. Se temos casas do século XVI ou XVII ou XVIII foi porque foram preservadas, conservadas. Preservar também significa dar vida ao espaço

A divulgação deve ser também uma das prioridades. Existe ou existia, sei lá, a Rede de Judiarias de Portugal que tinha esse propósito. Não se ouve falar sequer dela.

 

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Que projetos tens em curso? E para o futuro? 

Como atrás disse, realizar os estudos e investigação sobre Judeus e cristãos-novos em algumas localidades e publicar o livro sobre personalidades judaicas ou cristãs-novas sobre rostos pouco conhecidos como Antonio Carvajal, judeu do Fundão que recebeu de Cromwell a permissão para que os judeus se fixassem em Londres e construíssem a sua Sinagoga; comunidade esta que é das mais importantes e representativas do mundo.

Gostaria de ver vê impulsionar a construção de um Centro de Interpretação da Cultura Judaica na Guarda. Não sou de desistir.

 

Como vês hoje a guarda e o distrito? E o que desejas para esta região?

A Guarda de hoje é completamente diferente da cidadezinha do passado. Cresceu urbanisticamente, de forma desordenada, projetou-se no Mundo como um centro de cultura a que se deve muito a alguns dos seus naturais, entre os quais Américo Rodrigues, pela sua centralidade e infraestruturas viárias, rodo e ferroviárias, um local ótimo para o investimento nas áreas da logística e empreendedorismo, um centro de saber e fazer através do Instituto Politécnico nas suas valências de escolas superiores de Educação, Tecnologia e Gestão e de Saúde.

Tem potencialidades para de facto ser uma Cidade da Saúde em vez de assistirmos por vezes a esvaziamentos e guerrinhas.

A Guarda deve afirmar-se pela diferença positiva apesar de ser uma cidade de serviços e comercio essencialmente.

O seu tecido empresarial deve apostar nas pequenas e medias empresas e naturalmente nas de maior dimensão se bem que, como foi no caso vida Delphi, quando fechou arrastou o desemprego, existe esse perigo, mas são riscos da atual economia.

Acredito no Interior e na região e sua dinamização. Mas isto se houver cooperação efetiva das autarquias em projetos conjuntos de desenvolvimento e não haver políticas de capelinhas.

O Governo deve olhar para o interior com outros olhos e outros objetivos. O interior tem mais potencialidades do que o Lítio. A discriminação positiva deve favorecer o investimento. As portagens, o preço da energia, os transportes, os fatores de produção e até a água são caros.

O interior e a região da Guarda têm potencialidades únicas nos domínios da Cultura, Desporto, Localização empresarial, Ambiente, Turismo de qualidade. Aqui se situam as Aldeias Históricas de Portugal, há magníficos Centros Históricos, paisagens únicas, gastronomia tradicional rica, o vinho Generoso ou Fino que depois é em Gaia vem tornar-se em Vinho do Porto, Estâncias Termais, tradições singulares como a Capeia Raiana.

Temos a Serra-mãe, a Estrela bela com ou sem neve, mas também a Marofa, a Malcata, os vales do Mondego, Zêzere, Côa, Alva, a norte o Douro Vinhateiro e, a sul, a Estrela e seu afamado queijo, produtos agropecuários e vinhos de qualidade que ombreiam com os melhores do Mundo, ali ao lado fica a Espanha, mas...falta gente! É necessário e urgente a captação de pessoas, sobretudo jovens que desenvolvam com suas ideias e obra essas potencialidades onde a saúde é um dos vetores principais.

Acredito no Interior e na região da Guarda.

 

CORREIO DA GUARDA

 

 

 

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publicado às 18:30

Feliz 2022

por Correio da Guarda, em 31.12.21

Ano Novo 2022 - correio.jpg

O CORREIO DA GUARDA deseja-lhe um Feliz 2022.

 

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publicado às 18:00

António Arede: a Rádio é uma paixão

por Correio da Guarda, em 12.10.21

 

António Arede nasceu para a rádio (por quem continua a nutrir uma grande paixão) na Guarda; precisamente na estação emissora que em 1948 começou a emitir oficialmente na cidade mais alta de Portugal.

A sua atividade radiofónica começou em 1973/74 na Rádio Altitude, tendo passado depois pela Rádio Renascença entre 1975 e 1990. No tempo das rádios-piratas iniciou a colaboração no RCI desde a sua criação, projeto que acompanhou nas diversas fases de expansão até à passagem para as instalações atuais.

Respeitado no meio rádio e do jornalismo pela sua larga experiência e pela sua exigência em termos de rigor e qualidade dos trabalhos que produz, António Arede é igual a si próprio, com inquestionável competência e saber, elevado sentido de humanidade e grande cordialidade.

Do seu percurso profissional destaca-se ainda a passagem pela RDP/Centro (Antena 1) e, mais recentemente pelo grupo Media Capital Rádios - Rádio Clube Português, Rádio Clube e pela M80 Rádio.

Com 65 anos, António Arede continua a fazer e a viver a rádio, sempre com a mesma entrega e paixão, abrindo igualmente porta para outra atividade que o tem entusiasmado, de que fala ao CORREIO DA GUARDA. “Hoje passo música dos anos 80 em todo o lado. Cada noite é um sucesso!...”

António Arede - estúdio da Rádio Altitude .jpg

Quem é o António Arede?

Jornalista, 65 anos de idade, apaixonado pela rádio e comunicação, tendo também a atividade de Dj como complemento.

 

És um apaixonado pela rádio e pelo jornalismo. Quando começou essa vocação?

Em finais de 1973, então pela mão do correspondente da RTP em Viseu, José Ayres, que pelos seus conhecimentos no meio conseguiu a minha entrada como colaborador da Rádio Altitude para a área da animação, na altura locução.

 

Nos tempos do liceu o som e a música envolveram-te em atividades. Que recordações gostarias de deixar aqui?

A criação, em 1973, de um núcleo de rádio no liceu, que transmitia música nos intervalos das aulas, através de um sistema interno de som, com colunas instaladas nos recreios e sala dos professores.

Tratava-se do grupo Geração de 60, que também implementou no liceu um grupo de Teatro e um jornal com o mesmo nome (Geração de 60), que na época era impresso em tipografia.

Ainda fiz parte do grupo de Teatro como ator e mais tarde como sonoplasta, uma vez que sentia queda para essa área.

 

Nessa época a inclinação era mais para a Rádio ou para o Jornalismo?

Na época a inclinação era mais para a área da rádio (animação), visto que o conceito de jornalista de rádio ainda não estava criado, as notícias eram lidas de recortes de jornais por alguém que tivesse a melhor voz.

 

A imprensa não suscitou tanto a tua atenção? Porquê?

Na altura não sentia interessa pela imprensa escrita, também porque nunca pensei vir a ser jornalista, e mesmo como jornalista sempre privilegiei o sector rádio, tirando uma pequena experiência na imprensa (jornal Notícias da Tarde, do Grupo JN) e a Agência de Noticias ANOP.

 

Desde cedo tiveste o teu próprio estúdio, com equipamento diversificado, e já distinto na época. Fala-nos dessa época e do trabalho que foi desenvolvido.

Em 1973 estava mais virado para a locução em rádio…era um mundo para mim; depois com o avançar dos anos, em 1975/76, tornei-me correspondente da Rádio Altitude em Viseu.

Foi a partir daí que desenvolvi as minhas próprias instalações criando um sistema para envio do som para a rádio via telefone com mais qualidade, facto que veio a evidenciar-se mais tarde também com a minha entrada para a Rádio Renascença, em 1976; estação que viria a abraçar através da influência do Antunes Ferreira (da Rádio Altitude) e do José Ayres de Viseu.

António Arede - na Rádio Altitude .jpg

Há algum equipamento, adquirido, que te tenha deixado um entusiamo especial? Gravadores de bobines…?

Tenho ainda alguns gravadores de cassetes da época… uns funcionam, outros não; um pequeno OB (como se chamava na altura) para tratamento do som no envio pelo telefone e uma máquina de bobines, que pouco usava na altura, tirando a TANDBERG de fita, portátil, da Rádio Altitude ou a UHER da Rádio Renascença.

 

Recordas-te dos teus primeiros vinis? Quais eram os cantores ou grupos preferidos?

Tudo o que tocava na altura. Eu comprava muita música de vinil, singles e Lps…todo o dinheiro que os meus pais me davam eu investia em música…ainda hoje possuo uma discoteca de milhares de exemplares em vinil e também agora em Cds

Quanto aos grupos preferidos da época, não posso deixar de referenciar os Beatles, os Rolling Stones, Creedence Clearwater Revival, Led Zeepllin, Pink Floyd,entre outros .

 

 

Ainda conservas os teus primeiros vinis? E cassetes?

Conservo tanto os vinis como as cassetes. Aliás no estúdio de radiodifusão que possuo atualmente, embora seja um estúdio moderno já com equipamento digital, também tem gravadores de cassetes a funcionarem, de onde destaco os velhinhos Marantz profissionais portáteis PM222.

Estúdio de António AREDE.jpg

Por essa altura acompanhavas, com frequência o José Ayres (que além de distinto fotógrafo trabalhava para a RTP). Qual foi a influência dele na tua atividade no campo da comunicação social?

Teve toda a influência. Aliás foi através dele que entrei no mundo da rádio e da comunicação…Foi a sua influência que conseguiu a abertura de portas na Rádio Altitude, a minha porta de entrada na Comunicação Social.

Outro homem muito importante para a minha integração foi o Antunes Ferreira que, desde o primeiro momento, me deu a mão e me ensinou bastante, tendo sido a influência para a minha entrada na Rádio Renascença.

AREDE RADIO RENASCENÇA.jpg

 

Como surgiu, e quando, a tua ligação com a Rádio Altitude?

Como já expliquei a minha ligação com a Rádio Altitude surge em finais de 1973 princípios de 1974… recordo-me que o meu programa que era gravado, começou ainda no tempo da censura.

Na altura a RA tinha dois administradores, o Antunes Ferreira e o Carvalhinho que era quem censurava os textos dos programas, e as notícias que iam ao microfone, pela voz do Vaz Júnior

 

Quais foram os teus primeiros trabalhos informativos para a Rádio Altitude?

Não me recorda já bem do ano, mas talvez em 1976. Eu ficava fascinado com a forma como se trabalhava... as gravações dos RMs (registos magnéticos) na “Ferrograph” (máquina profissional de fita magnética), onde se inseriam sem qualquer critério de importância de alinhamento as gravações a incluir nos noticiários do RA.

FERROGRAPH - foto.jpg

Foi reformada a redação talvez pelo ano de 1977/78 e foi criada uma redação em Viseu. Na altura tomávamos conta das notícias o Helder Sequeira, o Francisco Carvalho, o Emílio Aragonez, o António Jose Teixeira e eu.

Viseu enviava um pequeno noticiário com notícias da região que era inserido no noticiário das 12h30. Como a Rádio emitia em Onda Média, ouvia-se bem na região de Viseu, o que justificou a criação de uma segunda redação.

Eu gravava em minha casa as intervenções dos correspondentes da região de Viseu e inseria nos noticiários da Guarda, com outras noticias de Viseu ....depois a redação da Guarda prosseguia o noticiário

radio altitude - edifício .jpg

Asseguravas a cobertura informativa, quase diária, para os noticiários da Rádio Altitude. Como tinhas estruturada a tua rede de correspondentes e as tuas fontes de informação?

Criei então uma rede, que contemplava um correspondente em cada concelho, embora na prática só intervinham com a sua voz gravada os correspondentes de zonas onde a rádio entrava e era ouvida.

Os correspondentes eram a minha fonte de informação...depois havia a imprensa regional da época e os contactos na polícia e no hospital…tudo era tido em conta.

 

Que equipamentos utilizavas e como era feito o envio para os estúdios na Guarda?

O envio era feito pelo telefone através de um OB, muito rudimentar, construído por mim, embora mais tarde utilizasse o Shure da Rádio Renascença, uma vez que estava a trabalhar também com eles na área da informação.

Aquilo era uma pequena caixinha que se ligava através de duas pinças à caixa do telefone…depois punha-se o gravador em formato de gravação para amplificar a voz e o som lá saia com qualidade, muito diferente do som normal de telefone…(também servia para gravar os correspondentes) porque recebia e enviava pelo mesmo modo …mais tarde vieram os híbridos telefónicos e tudo ficou mais simples

 

Asseguravas também a cobertura do desporto?

Penso também que sim, embora só as notícias…que eram depois escrutinadas pela equipa do desporto do RA, mas não fazia relatos

 

Em Viseu a tua atividade dinamizou várias iniciativas, que tiveram como palco o Rossio e a Feira de São Mateus. O que recordas desse período?

O aniversario do meu programa de rádio no Altitude…o “Tempo de Juventude” que era gravado em Viseu nos estúdios da Electro Carmo, que a empresa criou para eu poder gravar em Viseu as emissões.

Na festa da aniversário que decorreu no Pavilhão da Feira de S Mateus foram envolvidas várias associações de Viseu e contou com teatro, folclore e grupos musicais.

A Rádio Altitude decidiu, então, vir a Viseu nesse dia com o Antunes Ferreira e o Luís Coito para me entregarem pessoalmente nesse espetáculo a medalha dos 25 anos do RA.

 

Quais os/as colegas que recordas dessa época, em Viseu e na Guarda?

Na Guarda o Abel Vergílio, o Vaz Júnior, o António Pinheiro, o Emílio Aragonez, o Antunes Ferreira, o Luís Coito, o Luís Coutinho, o Padre Vergílio Arderius, o Francisco Carvalho e o Helder Sequeira, entre outros.

 

As pessoas identificavam-no no exterior, reconheciam a tua voz? Como era a reação das pessoas?

Tinha uma voz que era agradável, e as pessoas identificam-me pela voz …eu era o magrinho da voz forte

 

O teu percurso na Rádio passa também pela Guarda onde tiveste funções diretivas no Altitude. Era a época das novas estações de rádio e de novos desafios. O que significou para ti esse tempo?

Foi uma grande experiência para mim ter vindo da RDP para a direção da Rádio Altitude, a convite da então Governadora Civil da Guarda, Marília Raimundo e do Helder Sequeira… Na altura ainda funcionava a onda média, mas já tinham o FM, e eu criei duas programações distintas, uma para FM outra para Onda Média.

Vim também a dirigir a informação da rádio, criando uma agenda de serviços para cobertura de acontecimentos, mas os tempos eram outros… havia outras ferramentas…surgiram os primeiros computadores então oferecidos pela Governadora Civil que vieram facilitar em muito a missão.

Os jornalistas escreviam as notícias à mão, mais tarde na máquina de escrever e por fim nos computadores onde se podia guardar tudo…foi a revolução; na técnica também deixamos de gravar em fita para passar a gravar em computador o que simplificou as coisas.

 

Como vias a relação entre a Rádio e a Cidade/Região? Há algum episódio que te tenha marcado?

 

A Rádio Altitude tinha muito prestígio na cidade e na região. A voz do Altitude era respeitada por todos.

As pessoas ligavam para a rádio para dar a conhecer este ou aquele acontecimento…até nos acidentes era para nós que as vezes ligavam primeiro.

 

Para além do Altitude há também uma ligação profissional a outras estações, nomeadamente à Rádio Renascença? Fala-nos dessa atividade e das estações onde ocorreu o teu trabalho como jornalista.

 

Como já referi anteriormente a minha ligação à RR passa pelo Altitude…fui indicado pelo Antunes Ferreira, quando a RR criou a equipa nacional de correspondentes distritais.

A RA era o correspondente na Guarda da Rádio Renascença e eu era o Correspondente de Viseu.

 

Até agora qual foi a tua experiência mais positiva na rádio?

A mais positiva foi o ter de assegurar a direção geral de uma rádio em Viseu (Rádio No Ar) e reformatar toda a programação, criando tipologias de programas de acordo com o publico alvo /ouvintes do segmento rádio.

Ao organizar a equipa, consegui aperceber-me das vocações de cada um e todos foram colocados no lugar certo, executando as funções para as quais estavam vocacionados (animação, jornalismo/noticiários/ reportagem de rua, e entrevista em estúdio), pelo que o resultado final foi fabuloso. A rádio subiu as audiências e começou a faturar em publicidade.

António AREDE no estúdio .jpg

A rádio do passado e do presente: diferenças, semelhanças, desafios?

Eu penso que no meio rádio no passado havia mais criatividade.

Os programas eram de autor, pensados e idealizados com muito cuidado. Escolhia-se criteriosamente a música a passar e os textos para complementar a produção dos conteúdos. Hoje as rádios passaram a ser playlists musicais...e são quase todas iguais nos conteúdos, o que é mau…faltam os programas de autor

 

Hoje é mais fácil o acesso à produção de programas de rádio?

É tudo mais fácil, devido às ferramentas existentes… as novas tecnologias. Hoje pode fazer-se rádio na Web a partir de casa, com pouco equipamento e muita qualidade. A informática veio revolucionar o meio rádio.

 

Atualmente, e sem perderes a tua ligação à música dos anos da tua geração, tens também trabalhado como DJ. Como surge esta faceta?

A atividade de DJ surge numa altura em que entro para o Grupo Media capital rádios, - Rádio Clube Português – Rádio Clube (projeto de rádio informativa) e M80 Rádio. Foi aqui que despertei a vocação de DJ ao ver os colegas de Lisboa a passarem música em festas da Rádio.

Aproveitei a minha passagem por Lisboa e tirei lá o curso de Dj no Centro de Formação para DJs da Pioneer (i4DJ). Tirei dois cursos e hoje passo música dos anos 80 em todo o lado. Cada noite é um sucesso!... Sou requisitado para muitas atuações, tendo os meses quase sempre fechados com datas para tocar, aos fins de semana.

DJ AREDE FOTO.jpg

É um trabalho que gostas de fazer?

Adoro pelo contacto com as pessoas, …depois é o tipo de música que faz mexer toda a gente.

 

Que outras coisas gostas de fazer nos teus tempos livres?

Oiço muito rádios estrangeiras temáticas, para ver as tendências e os estilos, gosto muito de ler, procuro estar ao par das inovações tecnológicas do meio rádio, e ver televisão, noticias, filmes e música. 

 

Como vês hoje a Guarda? Acompanhas o que se passa aqui?

Não estou muito a par do que passa na Guarda atualmente, mas devo confessar que gosto muito das pessoas da Guarda… sempre me trataram muito bem e souberam respeitar o meu valor.

 

Achas que as cidades da Guarda e Viseu estão mais próximas?

Acho que sim, mas no campo político a aproximação devia traduzir-se em cooperações mais alargadas que fomentassem mais valias para ambas as cidades.

 

H.S.

 

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publicado às 23:07

Uma data significativa...

por Correio da Guarda, em 29.07.21

ANIV.jpg

Uma simples nota para assinalar 13 anos de edição deste blogue. Continuam presentes os objetivos iniciais e são desenhadas, agora, novas ideias. Bem hajam pela vossa leitura...

 

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publicado às 11:05

Descodificar a realidade...

por Correio da Guarda, em 20.03.20

 

Estamos a viver um tempo de incerteza, angústia e de novas experiências, mas também de afirmação de valores solidários face a uma ameaça real, inquietante, mortífera.

Há algumas semanas atrás, enquanto a presença do Covid 19 não se manifestava ainda em território nacional, alguns meios de comunicação enveredaram por um lamentável histerismo e ânsia de registo de casos, em vez de optarem por uma atitude pedagógica que servisse de alerta para os previsíveis cenários, suscitasse uma análise atenta das medidas a implementar, reduzisse a propagação do alarmismo.

Essa exagerada obsessão conduziu, desde logo, a uma inflamação noticiosa, arrastada, consequentemente, para as redes sociais; nestas, cresceu, diariamente, o número de especialistas em coisa nenhuma, debitando alarvidade e protagonizando dúbios e inconfessáveis aproveitamentos de uma realidade que merece uma abordagem diferenciada, serena, adequada.

A sensatez, o rigor e o equilíbrio informativo são fundamentais nesta como noutras situações de instabilidade, ameaça e perigo em que a credibilidade e objetividade das notícias devem constituir uma permanente preocupação de quem está nos media com verdadeiro sentido ético, deontológico e profissional.

Atitude que estabeleça uma fronteira precisa das falsas notícias veiculadas pelas redes sociais onde se ampliam a mesquinhez, a má formação, os ódios, a insolência, a preocupante falta de formação moral e cultural de muitas pessoas, tantas vezes escondidas atrás de um perfil falso; claro que há igualmente (e até em maior percentagem) posturas corretas, indicações insuspeitas, exemplos louváveis, iniciativas oportunas às quais, perante a quantidade de informação e comentários nem sempre é dada a atenção devida.

Redes Sociais -.jpg

Neste contexto de proliferação de falsas notícias é fundamental que os tradicionais meios de comunicação sublinhem a sua importante social e assumam, também nessas plataformas digitais, o seu papel de forma que o público os veja como referência informativa, credível.

É justo referir que no contexto local e regional tem existido essa preocupação, reconhecida pelo público mais atento aos textos produzidos. Contudo, as fake news, não sendo um fenómeno novo, nunca assumiram, como hoje, um contágio tão devastador que atinge mesmos os grandes e conceituados meios de comunicação; a natural tendência em dar em “primeira mão” uma notícia, antecipando-se à sua concorrência mais direta, leva à difusão de informação errónea…

Não é por acaso que tem vindo a aumentar por parte de instituições de ensino a preocupação em desenvolverem iniciativas destinadas a um melhor conhecimento dos mecanismos de informação e desinformação nas plataformas digitais, assim como a permitirem o uso de aplicações que viabilizam a validação da informação e descodificação das notícias falsas.

Assim, em situações como a que estamos a atravessar, com consequências ainda imprevisíveis, os media tradicionais lidam com dificuldades e responsabilidades acrescidas, tanto mais quanto por parte das estruturas/entidades nacionais nem sempre a gestão da comunicação tem sido a melhor, de forma a facilitar a recolha de dados precisos.

Sendo certo que a atual pandemia deve ser objeto de fundamentada preocupação, e suscitar as medidas e cuidados que exige, o alarmismo social deverá ser evitado. A comunicação social tem um papel importante a desempenhar, servindo esta experiência para se reformularem procedimentos e estratégias. (Hélder Sequeira)

in O Interior, 19|03|2020

 

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publicado às 21:55

Incrementar a cooperação

por Correio da Guarda, em 17.01.20

 

Ao longo do ano são múltiplos, e diversificados no perfil, os eventos que ocorrem nesta região do interior; iniciativas que incrementam, sem dúvida, fluxos de visitantes e contribuem para animação e desenvolvimento da economia regional.

Contudo, e tendo em conta, os indicadores das últimas décadas, a marca deixada por estas realizações poderia ser mais ampla se tivessem referenciada uma estratégia global, pensada a partir de um entendimento sério das organizações com vista a um trabalho em rede, objetiva e empenhadamente delineado.

A conjugação de esforços e de sinergias, as cedências necessárias para um planeamento consensual, a rentabilização de recursos humanos e financeiros, a rotatividade de algumas iniciativas, a promoção conjunta do território, a afirmação da matriz regional, a predisposição em pensar a construção do futuro, entre outras atitudes, permitiria um cenário substancialmente diferente; ao nível da procura da região, cativando novos visitantes, incentivando a sua permanência nas nossas terras por um período mais longo; assegurando argumentos sólidos e persuasivos…

Por várias vezes, e também aqui neste jornal, sublinhámos que continua a subsistir a tendência para pensar no imediato, circunscrevendo-o a áreas limitadas e numa lógica centrípeta de interesses pessoais, locais ou concelhios, teimosamente enfeudada no desconhecimento do que se passa nos territórios circunvizinhos; é certo que há alguns exemplos de boas práticas de cooperação mas, infelizmente, são raros e por vezes a sua desejada continuidade é interrompida.

Sem colocar em causa a prevalência de eventos que constituem cartazes dos centros urbanos onde são realizados, os quais têm demonstrado um contínuo crescimento e inequívoca adesão dos públicos a quem se destinam, será de equacionar um entendimento ao nível da calendarização, de forma a permitir uma maior abrangência dos projetos e realizações.

Todos os anos, e nomeadamente em épocas perfeitamente identificadas (o ciclo das feiras do queijo da serra pode ser um exemplo), se verifica uma pulverização de iniciativas, coincidindo com frequência nas mesmas datas e muito próximas geograficamente.

A implementação de uma agenda regional bilingue – alcançado que fosse o entendimento imprescindível para um equilibrado e eficaz planeamento – reunindo o máximo de contributos institucionais, associativos, pessoais resultaria num eficaz contributo para uma publicação onde estivesse, em cada ano, uma informação o mais completa possível dos eventos culturais, desportivos, económicos, sociais, científicos; a par de uma indicação clara de roteiros turísticos, locais a visitar, sabores a apreciar, unidades hoteleiras ao dispor, livros sobre a região/escritores ligados a esta zona, órgãos de comunicação existentes, museus, artesanato local, praias fluviais, tradições, coletividades, etc…

Embora o suporte tradicional – agenda impressa – seja adequado à distribuição em pontos estratégicos, nos eixos de circulação de visitantes nacionais ou estrangeiros, postos de turismo, unidades hoteleiras, feiras de promoção turística, o atual contexto tecnológico permite outras formas de consulta e disponibilização, mormente através de uma aplicação pensada para o telemóvel. A reunião e simplificação da informação facilitará a procura por parte dos vários escalões etários.

Nos tempos de hoje, a velha máxima de que “a união faz a força” tem mais sentido e o interior deve, urgentemente, acentuar a coesão se quiser superar os desafios do presente, reivindicar medidas de apoio, combater a ausências e o abandono de terras e lugares, onde prevalecem memórias, uma vasta riqueza patrimonial, cultural e paisagística.

É preciso passar, sem delongas, dos discursos retóricos sobre a importância da cooperação para compromissos sólidos e medidas práticas; visíveis e consequentes.

Naturalmente que neste processo de valorização do nosso território deverá estar, sempre, presente, a participação do cidadão, numa demonstração clara do seu empenho em intervir na promoção e desenvolvimento; não adianta ter manifestações enérgicas e palavras críticas nas redes sociais (como se elas fossem a solução…) e quando desafiado a colaborar remete-se à indiferença, ao afastamento, ao derrotismo…

Desejamos que 2020 seja um período de novos e profícuos entendimentos, da abertura de novos caminhos para a cooperação, para o desenvolvimento global e sustentado de uma região com muitas potencialidades por explorar. (Hélder Sequeira)

 

In "O Interior", 16/1/2020

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publicado às 13:00

Feliz Ano Novo

por Correio da Guarda, em 30.12.19

ANO 2020 Correio.jpg

 

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publicado às 00:01

Promover uma boa imagem...

por Correio da Guarda, em 19.09.19

 

O Cinema e a Fotografia vão estar em destaque na nossa região, nos próximos meses, denotando um interesse crescente e uma nova atitude em relação ao papel da imagem.

A consolidação de projetos nesta área, a sua continuidade e enriquecimento programático, a adesão de novos públicos, o empenho de pessoas e instituições contribuem, inquestionavelmente, para uma ativa vivência cultural com a consequente projeção dentro e fora das fronteiras nacionais.

Em Seia decorrerá de 12 a 19 de outubro de 2019 mais uma edição do CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela.

Recordamos que se trata do único festival de cinema em Portugal, dedicado à temática ambiental, “no seu sentido mais abrangente”; um festival, solidamente afirmado e consagrado, que desde 1995, e sem hiatos temporais, se realiza anualmente naquela cidade, organizado pelo município local.

Este certame, que decorrerá na Casa Municipal da Cultura de Seia e no Centro de Interpretação da Serra da Estrela, há muito conquistou um merecido prestígio internacional, recebendo, nas suas edições, centenas de obras a concurso, provenientes de diversos países.

Por outro lado, em Manteigas terá lugar, de 22 a 24 de novembro o VI Festival de Fotografia de Paisagem. Uma aposta da Câmara Municipal de Manteigas na promoção e valorização do património paisagístico, que ganha agora maior significado com a aprovação da candidatura da região da Serra da Estrela a Geopark Mundial da UNESCO; um processo que aguarda apenas o parecer do Conselho Executivo da agência das Nações Unidas.

Na Guarda, e como é do domínio público, o Centro de Estudos Ibéricos (CEI), promove, desde 2011, o projeto “Transversalidades - Fotografias sem fronteiras”. Tendo como objetivo promover, através da imagem, a cooperação entre pessoas e instituições, bem como a inclusão de territórios, sobretudo os mais votados “a processos de exclusão ou esquecidos pelos media que deixam em branco vastas áreas do planeta”, o Transversalidades suscitou, uma vez mais o interesse de fotógrafos de todo o mundo.

Recentemente foram divulgados os premiados nas categorias a concurso, distribuídas por: património natural, paisagens e biodiversidade; espaços rurais, agricultura e povoamento; cidade e processos de urbanização; cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social. Como acontece habitualmente, o início do mês de dezembro está no calendário e agenda da exposição do trabalhos premiados e consequente distinção dos autores das fotografias.

Em agenda estão também as III Jornadas de Fotografia da Guarda – uma organização do Instituto Politécnico da Guarda e do Fotoclube da Guarda – marcadas para o próximo dia 12 de outubro, nesta cidade. Com um programa tematicamente diversificado, no campo da fotografia, estas jornadas vão ter como intervenientes, entre outros, Alfredo Cunha, Luís Quinta e Leonel de Castro.

Cartaz Jornadas fotografia- 01-JPEG.jpg

Alfredo Cunha (natural de Celorico da Beira) iniciou a sua atividade de fotojornalista em 1971, tendo colaborado com o Jornal "O Século" e "O Século Ilustrado" a Agência de Notícias Português - ANOP e as agências de Notícias de Portugal e Lusa Foi fotógrafo oficial dos Presidentes da República, Ramalho Eanes e Mário Sores. Trabalhou no Jornal "Público" como fotógrafo e editor-chefe e foi fotógrafo e editor-chefe do "Jornal de Notícias", tendo sido também foi diretor fotográfico da "Global Imagens". Atualmente trabalha como freelancer desenvolvendo projetos editoriais. Do seu percurso destacam-se as emblemáticas séries de fotografias dedicadas ao 25 de Abril de 1974 e à descolonização portuguesa em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, S. Tomé, Timor-Leste e Cabo Verde. Tem publicados diversos livros de fotografia

Luís Quinta multipremiado fotógrafo é colaborador regular da National Geographic Magazine e da revista Visão. Publicou mais de um milhar de artigos e reportagens na imprensa nacional. Formador na área da fotografia, integrou o "Dream Team" do maior projecto fotográfico sobre natureza na Europa - "Wild Wonders of Europe” financiado pela National Geographic.

Muitas das imagens de Luís Quinta têm sido usadas por universidades e museus para várias publicações científicas e suporte pedagógico.

Leonel de Castro, desde sempre ligado ao fotojornalismo no Jornal de Notícias e no grupo onde se insere (Notícias Magazine, Volta ao Mundo, Evasões, Diário de Notícias e o Jogo), tem conquistado diversos prémios e distinções ao longo da carreira profissional.

Os seus trabalhos têm também dado corpo a várias exposições, quer individuais quer coletivas. A par do fotojornalismo, tem-se dedicado também à docência, no Instituto Português de Fotografia, na Escola Superior Artística do Porto e no Mestrado de Comunicação da Universidade do Minho.

Estes três nomes são, por si, um excelente cartaz destas III Jornadas de Fotografia que, à semelhança das iniciativas atrás mencionados, podem desenhar uma nova dinâmica, não só no plano formativo mas também ao nível da atratividade de participantes da região e de outros pontos do país.

A continuidade desta rede de eventos é extremamente importante e deve merecer a devida atenção e apoio por parte das comunidades locais e outrossim das entidades/organismos com responsabilidade na área cultural e social. (Hélder Sequeira)

 

 

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publicado às 13:01

O Dia da Rádio Altitude

por Correio da Guarda, em 29.07.19

Edifício RA -1990.JPG

     (Foto de Arquivo. 1990)

 

     Hoje é o dia da Rádio. De uma emissora muito especial não só pela sua génese solidária mas também pela sua longevidade, percurso ímpar, matriz beirã.

    A Rádio Altitude, que assinala hoje 71 anos de emissões regulares, tem sido uma lídima voz da região que na primeira metade do século passado foi procurada por milhares de pessoas, na procura de tratamentos para a doença que atingiu uma elevada percentagem da população; esta referência teria de ser feita para não se olvidar a profunda ligação a uma dos mais emblemáticos Sanatórios de Portugal.

   Neste contexto nasceu a Rádio que rapidamente alargou a sua área de influência, cativou colaborações, ultrapassou dificuldades, assumiu desafios, protagonizou criatividade, inovou e afirmou decisivas linhas de intervenção formativa e cultural.

    Da sua história já falamos, aqui, várias vezes. Daí que, nestas breves notas, seja de sublinhar o pioneirismo da estação emissora CSB 21 e os caminhos abertos através da onda média, inicialmente, depois em FM e hoje também nas plataformas digitais e redes sociais.

   Foram múltiplos os contributos pessoais (Jesué Pinharanda Gomes, falecido sábado, colaborou na RA) e coletivos que guindaram a Rádio Altitude a uma posição de destaque no panorama radiofónico português e, diria, mesmo europeu (pelas décadas de emissões contínuas, pela sua originalidade, subsistência e consciência da sua função social). Assinalar este 71º aniversário é evocar todas essas colaborações e apoios, imprescindíveis para uma evolução permanente, que se deseja continue no futuro.

RÁDIO ALTITUDE - Helder S.jpg

    A Rádio Altitude é uma marca informativa e cultural desta região que não a deve esquecer, antes valorizar pela sua história, pelo seu papel, pela sua presença quotidiana.

 

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publicado às 12:46

Identificação de aves

por Correio da Guarda, em 19.06.19

 

     No concelho de Fornos de Algodres, vai ter lugar, nos próximos dias 20 e 21 de junho, nos dias uma ação de formação a todos que querem conhecer as nossas aves selvagens e contribuir para projetos de ciência-cidadã.

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publicado às 08:56


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