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À descoberta das levadas

por Correio da Guarda, em 12.07.12

 

     Na aldeia de Cabeça (Seia) vai realizar-se, no próximo sábado, uma caminhada pelas Levadas da Cabeça, uma iniciativa que apela ao encontro com a natureza e com a identidade da comunidade local, estando associada ao plano de animação da Rede de Aldeias de Montanha.

     Num percurso de 7,5 km, e ao longo de três horas, propõe-se aos caminhantes que partam à descoberta das paisagens que circundam a aldeia, ladeando a ribeira de Loriga e depois ao longo daquela que é a maior levada comunitária do concelho.

     Partindo do largo da Malhada, pelas 9:00h, por entre as ruas estreitas da aldeia com o seu casario de xisto, desce-se o vale, numa caminhada até ao poço da broca do Serapitel, na direção de Loriga, onde os participantes são convidados para uma “bucha e pinga”, uma oferta da junta de freguesia local.

    Seguindo o itinerário, sempre pela levada comunitária e ao som da água que corre funda na ribeira, é visível a paisagem entrecortada por courelas, palheiras, cortes para o gado e velhos moinhos, testemunhos que refletem a imagem duma comunidade solidária, vergada a uma agricultura de subsistência com séculos de história.

    De regresso à aldeia, os aventureiros poderão deliciar-se com uma refeição de feijocas, tradição daquela localidade.

 

    Fonte: CMS

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publicado às 22:52

Recuperação de Moinhos de Água

por Correio da Guarda, em 16.02.09

 

A Câmara Municipal de Celorico da Beira está implementar a recuperação de alguns moinhos de água na freguesia da Rapa, com o objectivo de serem preservadas as memórias colectivas.
Estes equipamentos irão ficar, em breve, à disposição de todos os visitantes e vão integrar os circuitos turísticos do Concelho.
Ao longo das margens da Ribeira da Cabeça Alta encontram-se várias ruínas do que outrora foram moinhos de água, símbolos de uma economia de subsistência que perdurou, na nossa região, até às décadas de 60/70 do século XX.
Trata-se da recuperação e preservação de um elemento cultural que preencheu e humanizou no concelho de Celorico da Beira, durante anos as margens das principais ribeiras e do rio Mondego, de acordo com a informação divulgada pela Câmara Municipal de Celorico da Beira.
O moinho era um dos mais importantes instrumentos na economia de subsistência, e num período de fraca circulação monetária, o pagamento pela moagem dos cereais era feito com uma percentagem da farinha obtida, quantidade que normalmente oscilava entre os 5 e 10%.
Na década de 60, do século XX, existiriam, em Portugal, cerca de 10 000 moinhos em laboração, sendo que, 7000 seriam moinhos de água e 3000 moinhos de vento. O número de moinhos em actividade evidenciava a importância económica que esta estrutura detinha na economia portuguesa nesse período, e mais concretamente no Mundo Rural, pois, nas cidades, desde meados do século XIX, se haviam instalado as grandes fábricas de moagem e superado o papel desempenhado pelos moinhos de água.
Historicamente a introdução do moinho de água na Península Ibérica, enquanto inovação tecnológica, deve-se à ocupação romana, todavia a sua difusão e expansão ocorreu durante a Idade Média. No actual território Português são diversas as alusões à presença de moinhos na documentação medieval. O moinho era um importante pilar da economia de subsistência.
Durante a vigência do sistema monárquico, terá permanecido nas mãos da Coroa ou pertencido aos grandes senhores rurais que, além de possuírem a grande maioria das terras, controlavam também outros importantes instrumentos da economia, neste caso os moinhos.
Associada ao moinho está a actividade de moleiro, que, podia ser proprietário ou então um trabalhador assalariado que trabalhava para o proprietário do moinho, normalmente um grande proprietário rural.
Quando proprietário do moinho, a actividade de moleiro, normalmente desempenhada por homens, acabava por ocupar o restante núcleo familiar, mulher e filhos, nomeadamente nos meses de maior azáfama, compreendido entre os meses de Maio e Julho, período em que nos campos se procedia a recolha dos cereais.
A actividade económica do moleiro era complementada por outras actividades, pois, este conciliava o trabalho no moinho com o cultivo de pequenas parcelas agrícolas ou, quando os moinhos se localizavam nas margens de grandes cursos de água dedicava-se também a pesca como meio de subsistência. A actividade laboral, num moinho de água, possuía alguns períodos "mortos", pois, a falta de água, durante o período estival, ou o seu excesso durante o Inverno (cheias) podiam levar o moinho a cessar a actividade temporariamente.
Os moinhos eram, também, centros de confluência e de convívio social. Os agricultores transportavam para o moinho em sacas os cereais, fruto do seu árduo trabalho. Estes eram transportados no dorso de burros e/ou em carros puxados a juntas de bois. E o tempo que distava entre a moagem do cereal e a sua transformação em farinha era aproveitado pelos utilizadores dos moinhos para conviverem.
À chegada ao moinho, o cereal era conferido pelo moleiro na presença dos fregueses, primeiramente eram utilizadas as medidas para verificar as quantidades, posteriormente, as medidas foram sendo substituídas pela pesagem dos cereais. Após a contagem, posteriormente, procedia-se à retirada do lucro que o moleiro obtinha pela moagem daquela quantidade de cereal. A percentagem de farinha que cabia ao moleiro, pela moagem dos cereais, destinava-se ao consumo próprio e do seu agregado familiar, sendo que, os excedentes eram vendidos no moinho ou nas povoações mais próximas.
Presumivelmente, também o Moinho de Água da Rapa conheceu, outrora, essas vivências. Hoje, pretende-se com a recuperação deste espaço, oferecer à população um local aprazível, onde é possível conhecer o funcionamento de um moinho, e simultaneamente, pretende-se criar um espaço onde é possível encontrar os melhores produtos regionais.
 

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publicado às 12:50


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