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Roteiro pela saúde

por Correio da Guarda, em 18.08.21

 

 

A realização de alguns roteiros citadinos, que têm tido como referência figuras da nossa literatura, merece ser aplaudida e evidenciada como atividade a prosseguir. Por outro lado, este tipo de iniciativas lembra-nos que a Guarda oferece outras áreas temáticas, a rentabilizar em prol da valorização citadina, alargando os motivos de interesse.

Desde logo o caso da saúde, cuja história passa, inquestionavelmente, por esta cidade, à qual o nome do médico Sousa Martins está associado mercê da estrutura de luta contra a tuberculose aqui edificada.

A sugestão do tema  vem a propósito da passagem do aniversário da morte de Sousa Martins, no dia de hoje (18 de agosto). A cidade lembra este vulto da medicina portuguesa não só no atual Parque da Saúde, mas também numa das ruas do Bairro da Senhora dos Remédios.

Sousa Martins.JPG

José Tomás de Sousa Martins nasceu em Alhandra, a 7 de março de 1843, no seio de uma família com escassos recursos económicos. Órfão de pai, aos sete anos, foi com a idade de doze trabalhar como praticante para a Farmácia Ultramarina, em Lisboa, propriedade de um tio seu, Lázaro Joaquim de Sousa Pereira.

Frequentou o Liceu Nacional de Lisboa e a Escola Politécnica; com aulas de manhã, trabalhava de tarde na farmácia e à noite dava explicações de forma a conseguir receitas para as despesas inerentes à sua formação académica. Concluído o curso de farmácia, em 1864, continuou a frequentar a Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, terminando o curso de medicina aos 23 anos, em 1866; foi sempre um aluno distinto.

Eleito, em 1868, sócio da Sociedade de Ciências Médicas, em 1872 Sousa Martins lecionava já na Escola Médico-Cirúrgica, onde viria a reger as cátedras de Patologia Geral, Semiologia e História da Medicina; exerceu atividade clínica no Hospital de S. José, em Lisboa, numa época em que a tuberculose ceifava anualmente milhares de vidas.

Sousa Martins, num relatório datado de 1880, fez a caracterização da tuberculose, nessa época, acentuando a importância da criação de sanatórios na zona da Serra da Estrela. Em 1881 a Sociedade de Geografia de Lisboa promoveu uma Expedição Científica à Serra da Estrela, a qual foi integrada, entre outros, por Sousa Martins. Dessa iniciativa resultou a elaboração de relatórios das várias secções científicas, que aparecem compilados num volume intitulado “Expedição Científica à Serra da Estrela” e, dois anos depois, o livro “Quatro Dias na Serra da Estrela”, da autoria de Emídio Navarro. Esta expedição teve o mérito (e sobretudo através da determinação de Sousa Martins), de chamar a atenção dos meios científicos e clínicos para as condições que a região oferecia no tratamento da tuberculose.

Sousa Martins defendeu a implantação de Casas de Saúde nesta zona, impulsionando a fundação, em 1888, do “Club Herminio”, uma associação de carácter humanitário que se manteve durante cerca de quatro anos; o conceituado tisiologista foi aclamado, pelos membros fundadores, sócio honorário e presidente perpétuo desta instituição de solidariedade.

Ainda em 1888, e correspondendo aos argumentos de Sousa Martins e de Guilherme Teles de Meneses, o médico Basílio Freire, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, instalou-se na Serra da Estrela, no Verão desse ano, onde assegurou consultas gratuitas aos doentes que o procuravam.

Os esforços que Sousa Martins desenvolveu, fortalecidos pelas suas esclarecidas convicções, em muito contribuíram para a construção do Sanatório que viria a ter o seu nome, perenemente ligado à mais alta cidade de Portugal; para a Guarda vieram milhares de doentes que procuravam aqui a cura desta doença infectocontagiosa provocada pela microbactéria conhecida por “bacilo de Koch”.

Sanatório da Guarda - Pavilhão D. Amélia.JPG

Pavilhão Rainha D. Amélia. Saantório Sousa Martins (Guarda)

 

A Rainha D. Amélia materializou no sanatório guardense (o primeiro a ser construído pela ANT, inaugurado a 18 de maio de 1907) a homenagem a Sousa Martins, atribuindo a esta instituição o nome daquele clínico, cuja ação e dinamismo ela tinha já evocado numa intervenção pública da Associação Nacional aos Tuberculosos, realizada em 1889. Sousa Martins tinha falecido dois anos antes, em Alhandra, no dia 18 de agosto de 1897, depois de ter sido atingido pela tuberculose.

O Rei D. Carlos comentaria que se tinha apagado “a mais brilhante luz” do seu reinado. Guerra Junqueiro, referindo-se à personalidade de Sousa Martins, escreveu que ele se deu “como o Sol dá a luz, aos miseráveis, aos tristes, aos sonhadores. Foi o amigo carinhoso e cândido, dos pobres e dos poetas. A sua mão guiou, a sua boca perdoou, os seus olhos choraram. Teve sorrisos para a graça, enlevos para a arte, lágrimas para a dor”.

Na Guarda não têm faltado pessoas que apontam Sousa Martins como o autor de autênticos milagres, na linha de uma devoção popular que se manifesta, objetivamente, em Lisboa (no Campo de Santana) ou em Alhandra. O singelo monumento que se ergue dentro dos muros do ex-Sanatório da Guarda continua, diariamente, a ser alvo de preces e agradecimentos.

Agradecimentos a  Sousa Martins.JPG

Apesar de não ter legado muitas publicações, Sousa Martins deixou atrás de si várias gerações de médicos, uma Escola Clínica e, sobretudo, um verdadeiro exemplo de doação à sociedade e à Medicina. A Guarda não esquece, na sua toponímia, o homem, o médico e o cientista cujo nome foi dado a um dos mais destacados sanatórios de altitude, que projetou esta cidade no país e no estrangeiro.

E aqui está uma personalidade que pode balizar locais e pontos de visita num futuro roteiro temático sobre a saúde (figuras, estruturas, etc.) na Guarda. Fica a sugestão.

 

Hélder Sequeira

 

 

 

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publicado às 23:52

ULS: surpresa com o número de vagas de médicos

por Correio da Guarda, em 06.07.21

 

Hospital Sousa Martins -Guarda - foto HS.jpg

O Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Guarda (ULS) manifestou-se “surpreendido com o número de vagas” de médicos que foi atribuido à ULS.

Em nota divulgada pelo referido Conselho de Administração, é referido que este “manifestou a seu tempo o reporte das necessidades desta unidade de saúde às entidades competentes, identificando as áreas carenciadas”.

No passado mês de maio a Unidade Local de Saúde da Guarda viu reconhecidas dez vagas para especialidades carenciadas na área hospitalar, das 13 identificadas pelo Conselho de Administração para esta instituição. “Não tendo estas vagas sido ocupadas mantiveram-se as mesmas carenciadas”, acentua a nota divulgada pela ULS.

Acrescenta que no dia 2 de julho com a publicação de dois despachos, “foram identicadas 7 vagas para recutamentos de médicos para áreas hospitalares e 3 vagas para Cuidados de Saúde Primários, respectivamente”.

O Conselho de Administração da ULS da Guarda adianta que “está a envidar todos os esforços junto das entidades competentes no sentido de mitigar os efeitos desta decisão pouco equitativa” para a sua área de abrangência.

 

 

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publicado às 19:32

Recordar Carolina Beatriz Ângelo...

por Correio da Guarda, em 30.05.21

 

Fundadora da Associação da Propaganda Feminina, Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a exercer, em Portugal, o direito de voto, posicionando-se também num lugar de destaque no quadro europeu, ao nível da intervenção cívica.

Nascida na Guarda, a 20 de Maio de 1877, aqui frequentou o Liceu, a partir de 1891, antes de rumar para Lisboa onde estudou na Escola Politécnica e, dois anos depois, na Escola Médico-Cirúrgica, concluindo o curso de Medicina em 1902. Nesse mesmo ano casou com o médico Januário Barreto, natural de Aldeia do Souto (Covilhã).

Carolina Beatriz Ângelo, para além do facto que a tem envolvido em singularidade e distinção, é conhecida igualmente por ter sido a primeira mulher portuguesa a desenvolver actividade cirúrgica, no Hospital de São José, em Lisboa; naquela cidade teve consultório na Rua do Almada.

Carolina Beatriz Angelo -.jpg

Tendo abraçado desde cedo a causa feminista, onde pontuaram nomes como Maria do Carmo Lopes, Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório e Domitila de Carvalho, entre outras, Carolina Ângelo viria a aderir à Maçonaria; fundadora, e elemento activo, da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas afastou-se, por divergência de princípios com outras dirigentes, e empenhou-se na criação da Associação de Propaganda Feminista, a que, aliás, presidiu.

Foi um período de grande envolvimento na reivindicação do sufrágio feminino e na exigência do reconhecimento dos direitos das mulheres. Em 1911, no mês de Fevereiro, subscreve, juntamente com outras destacadas figuras feministas, um documento – entregue a Teófilo Braga – em que solicita o direito de voto para a mulher, com reconhecida independência económica. Recorde-se que a primeira lei eleitoral da República Portuguesa condicionava o direito de voto aos cidadãos “com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família”.

Em Tribunal argumentou, em favor do exercício do seu direito de voto, com o facto de ser viúva (o marido falecera em Junho de 1910) e “chefe de família”. Em 28 de Abril de 1911, o juiz João Baptista de Castro, considerando que excluir a mulher “é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e da justiça proclamada pelo partido republicano”, sentenciou que “a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral em preparação no lugar e com os requisitos precisos”.

Nesse mesmo ano, a 28 de Maio, e nas eleições para a Assembleia Constituinte, protagonizou o primeiro voto por parte da mulher portuguesa; acto que teve lugar na assembleia eleitoral de S. Jorge de Arroios (Lisboa).

Quando do seu papel de liderança e da sua combatividade em prol dos ideais feministas e republicanos muito havia a esperar, a notícia da morte – a 3 de Outubro de 1911 – de Carolina Ângelo colheu de surpresa mais diversos meios políticos, intelectuais e sociais.

Como escreveu Antonieta Garcia, no seu excelente trabalho “Carolina Beatriz Ângelo – Guarda(Dora) da Liberdade”, a médica guardense “na luta pelo direito ao sufrágio, pela educação feminina, pela emancipação, ergueu a voz, envolveu-se na regeneração do país, na utopia republicana”. Afirmando-se como “mulher de um tempo em devir, moderna, audaz, com talento, com coragem, sabedoria, intuiu que o feminismo não podia ter pressa mas, tacitamente, interveio cultural e politicamente nas res publica, abraçando a causa da igualdade entre os géneros”.

Pioneira do sufrágio feminino, em Portugal, o nome de Carolina Beatriz Ângelo faz parte da toponímia da Guarda e de outros centros urbanos, como Lisboa, Porto, Tavira ou Almada, e foi atribuído também à unidade hospitalar de Loures/Odivelas. A Guarda, contudo, é indissociável desta personalidade que “internacionalizou o feminismo português”.

 A toponímia guardense tem registado (há cerca de duas décadas)  o seu nome numa das ruas da zona outrora pertencente à Quinta do Pinheiro. (H.Sequeira)

 

 

 

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publicado às 23:05

Pavilhão Lopo de Carvalho.jpg

Hoje, 18 de maio, ocorre a passagem do 114º aniversário da inauguração do Sanatório Sousa Martins. Os guardenses têm hoje uma pálida imagem daquilo que foi uma das principais instituições de combate e tratamento da tuberculose, em Portugal.

A designação de “Cidade da Saúde”, atribuída à Guarda, em muito se fica a dever a uma instituição que a marcou indelevelmente, ao longo de sete décadas, no século passado.

Embora a situação geográfica e as especificidades climatéricas associadas tenham granjeado a esta cidade esse epíteto, a construção do Sanatório Sousa Martins certificou e rentabilizou as condições naturais da cidade para o tratamento da tuberculose, doença que vitimou, em Portugal, largos milhares de pessoas.

A Guarda foi, nessa época, uma das cidades mais procuradas de Portugal, afluência que deixou inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural; a sua apologia como localidade “eficaz no tratamento da doença” foi feita por distintas figuras da época, pois era “a montanha mágica” junto à Serra.

Muitas pessoas (provenientes de todo o país e mesmo do estrangeiro) subiam à cidade mais alta de Portugal com o objetivo de usufruírem do clima de montanha, praticando, assim, uma cura livre, não sendo seguidas ou apoiadas em cuidados médicos.

As deslocações para zonas propícias à terapêutica “de ares”, e a consequente permanência, contribuíram para o aparecimento de hotéis e pensões, dado não haver, de início, as indispensáveis e adequadas unidades de tratamento; situação que desencadeou fortes preocupações nas entidades oficiais da época.

A inauguração (inicialmente prevista para 28 de abril e depois para 11 de maio) dos três pavilhões que integravam o Sanatório ocorreu a 18 de maio de 1907, com a presença do rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia.

Aos dezoito dias do mês de Maio de mil novecentos e sete, num dos edifícios recentemente construídos no reduto da antiga Quinta do Chafariz, situada à beira da estrada número cinquenta e cinco, nos subúrbios da cidade da Guarda, estando presentes Sua Majestade a Rainha Senhora Dona Amélia (...), procedeu-se à solenidade da abertura da primeira parte dos edifícios do Sanatório Sousa Martins e da inauguração deste estabelecimento da Assistência Nacional aos Tuberculosos, fundada e presidida pela mesma Augusta Senhora (...)”. Assim ficou escrito no auto que certificou a cerimónia inaugural da referida estância de saúde.

Cerimónia que foi recriada, precisamente nesta cidade, aquando da comemoração do centenário da inauguração, suscitando o interesse de largas centenas de pessoas. Deixamos aqui algumas imagens da comemoração do 100º aniversário.

Recriação Inauguração Sanatório -2 - hs.jpg

Recriação Sanatório - HS.jpg

Reis e Comitiva.jpg

Recriação inaug do Sanatório - HS.jpg

Recriação Sanatório da Guarda - HS.jpg

Hoje, o estado de abandono e degradação dos antigos pavilhões do Sanatório Sousa Martins não dignifica uma cidade que se quer afirmar pela história e anseia ser capital europeia da Cultura. É urgente uma união de esforço e a procura dos melhores planos no sentido de serem recuperados, salvaguardados e utilizados esses edifícios seculares.

Sanatório - Pavilhão D. António de Lencastre -

Imagem da degradação dos pavihões - Fot HS-2.jp

Anotar a passagem dos 114 anos após a inauguração do Sanatório Sousa Martins não é cair em exercício de memória ritualista, mas apelar – uma vez mais – para a preservação do património físico de uma instituição, indissociável da História da Medicina Portuguesa, da solidariedade social, da cultura (pelos projetos que criou e desenvolveu).

Embora o diagnóstico esteja feito, tarda o tratamento da doença que vai minando aquilo que resta do ex-libris da Cidade da Saúde.

 

Helder Sequeira

 

 

 

 

 

 

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publicado às 00:13

Ladislau Patrício evocado no Congresso da SPP

por Correio da Guarda, em 14.11.20

 

Ladislau Patrício, o médico guardense que foi o terceiro diretor do Sanatório Sousa Martins, foi hoje evocado no 36º Congresso da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), a decorrer desde quinta-feira em Albufeira.

No painel dedicado ao tema “A Pneumologia ao longo da História”, Hélder Sequeira apresentou uma comunicação subordinada ao tema “Ladislau Patrício: pioneiro da especialidade de pneumotisiologia em Portugal”.

Congresso da Sociedade Portuguesa de Pneumologia .

Num contexto particularmente difícil, tal como o que foi registado nas primeiras décadas do século passado, o conferencista sublinhou as palavras do próprio Ladislau Patrício, quando observava que “(…) nenhuma vida se presta talvez como a de médico para revelar o valor moral do homem, porque não há outra de certo em que uma alma bem formada encontre mais ocasiões e pretextos para fazer o bem.”

Depois de aludir à sua biografia e à atividade na Guarda, em particular no Sanatório Sousa Martins – onde foi também um visionário do papel da comunicação em saúde e da importância da radiodifusão sonora, materializada nas emissões da Rádio Altitude – concluiu que Ladislau Patrício “deve ser recordado e estudado, enquanto médico, paladino da luta contra a tuberculose, pioneiro da especialidade de pneumotisiologia, como escritor e como cidadão.”

Ladislau Fernando Patrício nasceu na Guarda, a 7 de dezembro de 1883, e faleceu em Lisboa a 24 de dezembro de 1967. Com a implantação da República, este clínico teve uma fugaz passagem pela vida política; em 1910 aparece como Vice-Presidente da Comissão Executiva do Centro Republicano da Guarda e em 1911 esteve à frente dos destinos do município guardense.

Em 1922, a convite do médico Amândio Paul, passou a trabalhar (como subdiretor) no Sanatório Sousa Martins, dirigido nessa época por aquele clínico, a quem viria a suceder, em 1932; nessas funções permaneceu até 7 de dezembro de 1953.

Na sequência de uma proposta do médico guardense foi criada, no âmbito da Ordem dos Médicos, a especialidade de Tisiologia,

“Ladislau Patrício – como foi referido nessa comunicação -  é um dos nomes consagrados na galeria de médicos-escritores, tendo manifestado bem cedo a sua faceta de homem de cultura. No Sanatório Sousa Martins apoiou projetos com indiscutível alcance cultural e social; veja-se o caso do jornal “Bola de Neve” e da Rádio Altitude”. O “Bacilo de Kock e o Homem” é uma das suas obras, de cariz científico mais divulgadas, sendo “Altitude: o espírito na Medicina” outro dos mais significativos trabalhos de Ladislau Patrício.

 

 

 

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publicado às 23:53

Hospital Sousa Martins assegurou visitas virtuais

por Correio da Guarda, em 26.05.20

 

O Serviço de Medicina (Setor B) do Hospital Sousa Martins, na Guarda, estabeleceu no último mês e meio 108 visitas virtuais aos doentes internados e que devido à pandemia se viram privados das visitas presenciais dos familiares e amigos.

ULS da Guarda.jpg

Com as vídeo chamadas foi assim possível encurtar distâncias e apoiar psicológica e emocionalmente os  doentes ali internados, como foi sublinado numa nota informativa da ULS da Guarda.
Desde meados de abril até esta semana foram efetuadas mais de uma centena de chamadas, com uma média diária de três videochamada, tendo ocorrido o número mais elevado no período da Páscoa, onde foram concretizadas 9 videochamadas num só dia.
De salientar que a maioria (66%) foram efetuadas por WhatsApp e as restantes 34% através da rede social Facebook.
Como foi divulgado, o Serviço de Medicina do Hospital Sousa Martins pretende dar continuidade a estas visitas virtuais e incentivar cada vez mais famílias a participarem nestas visitas virtuais. "Relembramos que o apoio psicológico e emocional da família e dos amigos é um coadjuvante importante na recuperação dos doentes". É destacado na nota distribuída pela ULS da Guarda.

 

 

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publicado às 08:25

Encontro Ibérico de Medicina Preventiva

por Correio da Guarda, em 14.11.19

 

Na Guarda vai decorrer, a 29 e 30 de novembro, o I Encontro Ibérico de Medicina Preventiva, organizado pela ULS da Guarda.

Subordinado ao tema “Promover o Futuro”, este encontro vai decorrer no Teatro Municipal da Guarda (TMG).

Inscrições aqui.

Encontro .jpg

 

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publicado às 12:58

Intervenção cirúrgica inovadora

por Correio da Guarda, em 08.08.18

     Joana Rei, uma jovem médica guardense, integrou a equipa que ontem, no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, procedeu a uma intervenção cirúrgica inovadora no panorama nacional.

Centro Hospitalar Gaia Espinho.jpg

     (Foto: Centro Hospitalar Gaia / Espinho)

 

    Tratou-se de uma "sleeve" lobectomia com reimplantação brônquica por Cirurgia Toracoscópica Uniportal, “num doente com neoplasia pulmonar central, após dois ciclos de quimioterapia neoadjuvante”.

    Como foi referido na página do Facebook daquela unidade hospitalar, esta operação ocorreu “exatamente 70 anos após a primeira Cirurgia Torácica realizada nesta Instituição, à época Sanatório Dom Manuel II, no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia”.

    Ainda de acordo com a informação veiculada na referida página, “ao fim de quatro anos e meio de prática de Cirurgia Toracoscópica Uniportal com ressecções anatómicas, demos mais um passo inovador a nível nacional, ao realizar a primeira reimplantação brônquica por toracoscopia, evitando desta forma uma possível Pneumectomia (remoção total do pulmão) ou realizar essa mesma reimplantação por via aberta, numa toracotomia póstero-lateral clássica, incisão da coluna ao esterno. A incisão nesta cirurgia foi de apenas 4 centímetros”.

 

 

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publicado às 17:41

ULS da Guarda recebe estudantes americanas

por Correio da Guarda, em 11.06.18

 

     A Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda recebeu esta segunda-feira o primeiro grupo de alunos americanos, para a realização de um programa observacional hospitalar.

    Esta iniciativa surge no âmbito de um programa designado Atlantis, formalizado com o Saint Mary’s Institute for Educational Excellence, com sede em Washington, nos Estados Unidos da América. Este grupo, de acordo com a informação divulgada pela ULS da Guarda, tem apenas três alunas, que foram distribuídas por diferentes serviços do Hospital Sousa Martins.

    A parceria da ULSG com a Atlantis, coordenada por uma equipa de educadores e técnicos de programas internacionais, estará vigente por cinco anos. A ULS da Guarda é a primeira instituição do interior do país a receber estudantes universitários estrangeiros de medicina, de saúde e graduados recentes, para a realização de programas deste âmbito.

    A Atlantis, fundada em 2007, tem como missão proporcionar aos futuros profissionais de medicina e de saúde o fortalecimento das ligações com outros profissionais internacionais, com a dinamização de programas de observação hospitalar. O projeto Atlantis já está presente em onze países e colabora com mais de sessenta hospitais.

 

    Fonte: ULS da Guarda

 

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publicado às 23:22

Memória de um Sanatório...

por Correio da Guarda, em 18.05.17

 

    “O passado passou. O presente agoniza.” Estas palavras de Miguel Torga são uma legenda adequada para a imagem atual de dois dos emblemáticos pavilhões do antigo Sanatório Sousa Martins.

Sanatório - Pavilhão D. António de Lencastre -

     Neste contexto de elevação da língua e música portuguesa, e após um fim de semana de alegrias e emoções lusas, justifica-se uma breve nota sobre a importância da preservação da memória, e do património, de uma cidade que foi uma eminente âncora de esperança e futuro, na vanguarda da luta pela saúde.

    “A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado”, dizia o historiador Marc Bloch: daí que, uma vez mais, anotemos uma efeméride e a importância de salvaguardarmos e rentabilizarmos os edifícios de uma instituição que teve projeção nacional e internacional, associando ao facto a mais alta cidade do país.

    Hoje, 18 de Maio, ocorre a passagem do 110º aniversário da inauguração do Sanatório Sousa Martins, que foi uma das principais instituições de combate e tratamento da tuberculose, em Portugal. A designação de “Cidade da Saúde”, atribuída à Guarda, em muito se fica a dever a uma instituição que a marcou indelevelmente, ao longo de sete décadas, no século passado.

   A Guarda foi, nessa época, uma das cidades mais procuradas de Portugal, afluência que deixou inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural; a sua apologia como localidade “eficaz no tratamento da doença” foi feita por distintas figuras da época, pois era “a montanha mágica” junto à Serra.

   Muitas pessoas (provenientes de todo o país e mesmo do estrangeiro) subiam à cidade mais alta de Portugal com o objetivo de usufruírem do clima de montanha, praticando, assim, uma cura livre, não sendo seguidas ou apoiadas em cuidados médicos. As deslocações para zonas propícias à terapêutica “de ares”, e a consequente permanência, contribuíram para o aparecimento de hotéis e pensões, dado não haver, de início, as indispensáveis e adequadas unidades de tratamento; situação que desencadeou fortes preocupações nas entidades oficiais da época.

    Já no primeiro Congresso Português sobre Tuberculose, Lopo de Carvalho (que viria a ser o primeiro Director do Sanatório Sousa Martins, e pai de outro conceituado clínico) destacou os processos profiláticos usados na Guarda; este médico foi um dos mais fervorosos defensores da criação do Sanatório que seria inaugurado a 18 de Maio de 1907 – completam-se hoje 110 anos – com a presença do rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia.

   O fluxo de tuberculosos superou, largamente, as previsões, fazendo com que os pavilhões do Sanatório Sousa Martins (a autoria do projeto dos edifícios pertence a Raul Lino) se tornassem insuficientes perante a procura; o Pavilhão 1 (designado também de Lopo de Carvalho, onde está atualmente instalada a administração da ULS da Guarda) teve de ser aumentado um ano depois, duplicando a sua capacidade.

    Um novo pavilhão, que se juntou aos três já existentes, foi inaugurado em 31 de Maio de 1953; com este novo edifício (que ladeia a atual Avenida Rainha D. Amélia) o Sanatório Sousa Martins ganhou maior dimensão e capacidade de tratamento dos doentes.

    Anotar a passagem dos 110 anos após a inauguração do Sanatório Sousa Martins não é cair em exercício de memória ritualista mas sublinhar o estado em que se encontra o património físico de uma instituição, indissociável da História da Medicina Portuguesa, da solidariedade social, da cultura (pelos projetos que criou e desenvolveu) e da radiodifusão sonora portuguesa.

    É já tempo de novo tempo para ações concretas em prol da reabilitação e aproveitamento desta memória, agonizante, da Guarda do século passado...

 

                                                                                                                Hélder Sequeira

 

    (in O Interior, 18 Maio 2017)

 

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publicado às 07:45


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