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Natural de Meda, onde nasceu em julho de 1945, o Coronel João Pais Trabulo tem um interessante percurso pessoal e profissional que se cruza com a vida militar, a rádio, a investigação histórica e a fotografia, entre outras facetas.

Cumprido o serviço militar obrigatório e tendo prestado serviço na Província Ultramarina da Guiné, fazendo parte da Companhia de Caçadores 2314, enveredou pela carreira militar; inicialmente, no Exército e depois na Guarda Nacional Republicana, onde se reformou com o posto de Coronel, em 2008. Atualmente, na situação de reforma, vive na cidade de Gouveia, desde 1984.

Nesta conversa com o CORREIO DA GUARDA, João Pais Trabulo fala-nos da sua paixão pelas terras beirãs, da atividade de divulgação que continua a fazer em simultâneo com oportunos e expressivos registos fotográficos de locais, paisagens, monumentos. O Regimento de Infantaria 12 é um marco incontornável na sua vida e considera que os atuais habitantes da Guarda “não sabem avaliar os fortes laços que existiram na vida quotidiana entre os militares e a população.” Uma memória que, na sua opinião, deve ser preservada.

João Trabulo.jpg

É natural da Meda. Quais as principais memórias que guarda da sua terra, da infância e adolescência?

Quero começar com a minha colaboração com um profundo sentimento de agradecimento pois não estava à espera deste desafio.

Como afirma sou natural da Meda onde nasci em 1945. Na realidade a maior vivência na minha terra natal foi na infância e na adolescência. Como um ‘caminheiro’, visitava-a assiduamente enquanto os meus pais foram vivos. Ainda hoje o faço, até porque estou estritamente ligado ao Núcleo de Combatentes de Meda que tive a honra de me empenhar num desafio do senhor Presidente da Liga dos Combatentes na sua reativação em colaboração com mais outros oito Combatentes e do qual sou mais um modesto elemento da Direção, o seu Presidente. Neste aspeto, ainda como principal mentor da criação do Núcleo de Combatentes de Gouveia do qual fui seu Presidente Fundador.

O que mais me marcou na infância foi ter frequentado desde os quatro anos até ao início da escola primária, o Instituto D. Maria do Carmo Lacerda Faria, mais conhecido por ‘Patronato’, onde comecei a aprender a ler, escrever e contar, e os princípios básicos de uma boa educação.

Quanto à adolescência recordo a frequência de aluno do Externato de Santo António até ao meu antigo quinto anos depois de uma passagem de quatro anos no Seminário de Resende, onde adquiri fortes conceitos que me serviram de orientação até ao dia de hoje.

 

Que personalidades marcantes tinha a Meda, nessa época?

Neste sentido não tenho qualquer dúvida que a personalidade marcante foi o Pároco. Padre José Maria de Lacerda, vulgarmente conhecido por ‘Vigário’, Arcipreste da Paróquia, um homem de bem em que quaisquer adjetivos são ínfimos para o classificar. Sobre ele, nada melhor como o apelidou o saudoso medense, Dr. Manuel Daniel: “o Pai dos pobres".

É evidente que não poderia deixar de reconhecer os meus pais, pessoas humildes que me criaram, educaram e me ensinaram os “princípios da vida”. A eles devo o que sou na vida…

 

Quando começou a sua vida militar?

Comecei a minha vida militar em janeiro de 1967 e, a partir daí fui sempre militar.

Cumpri o serviço militar como oficial miliciano com início na EPI (Escola Prática de Infantaria), em Mafra, com uma breve passagem pelo RI 12, desde junho a novembro de 1967, até que fui mobilizado para a Província da Guiné. Ali cumpri a minha “comissão de serviço” e cumpri com o meu dever para com a Pátria e os autóctones daquela região, desde janeiro de 1968 a novembro de 1969, data em que passei à disponibilidade como Alferes Miliciano.

Depois, no início de 1970, ofereci-me como “voluntário”, tendo passado pelo RI 5, Caldas da Rainha para em fevereiro de 1971, ter sido colocado no RI 12 na cidade da Guarda como Tenente Miliciano até novembro de 1973, data em que ingressei na Guarda Nacional Republicana onde atingi o posto de Coronel no qual me reformei.

João Trabulo - foto .jpg

O que representou para si o RI 12?

O RI 12 marcou profundamente a minha vida militar e familiar. Isto porque, militarmente, foi praticamente o início da minha carreira profissional, onde, entre outras funções, destaco o ser Comandante da Companhia de Comando e Serviços.

No aspeto familiar foi aqui que que tive o privilégio de conhecer a minha esposa e ter nascido o primeiro filho. Gratas e incalculáveis são as recordações desta minha Unidade que nunca esqueci na minha vida.

Sobre o RI 12, muito haveria para dizer e escrever, muitas são as vivências que tive nesses três anos que permaneci naquele quartel.

Soldados no R12 - foto JPTrabulo.jpg

Que importância teve para a Guarda esta unidade militar?

Tudo se resume em poucas palavras, o RI 12 foi a “vida da cidade da Guarda” e com o seu encerramento a Guarda “perdeu a sua vida militar".

Foi um marco tão forte, que julgo, que a Guarda “recordará sempre o seu RI 12”.

 

Acha que as pessoas têm, no presente, noção da importância que teve o R12 e depois o Batalhão de Infantaria da Guarda?

Os habitantes atuais não sabem avaliar os fortes laços que existiram na vida quotidiana entre os militares e a população.

A população acarinhava sincera e espontaneamente os seus militares e adorava vê-los fardados nas ruas da cidade. Não posso esquecer que a maioria dos militares eram oriundos do Distrito, por isso, os laços de amizade eram tão estreitos e familiares que só podem ser avaliados por quem os viveu e sentiu.

A população sensibilizava-se com o içar da bandeira nacional aos domingos e feriados na parada do Quartel. Assistia às cerimónias militares do Dia da Unidade ou dos Juramentos de Bandeira. Acompanhava o terno de corneteiro, aos domingos, depois do render da guarda na sua ronda pelo Jardim José de Lemos. Parava na rua quando os militares armados se dirigiam para a carreira de tiro. Ouvia com atenção o seu programa ‘A voz do Doze" transmitido na Rádio Altitude todas as semanas.

Oficiais R12 - .jpg

O que poderia ser feito para guardar a memória do RI 12 na matriz da cidade?

Muito e simples, senão vejamos. Após o encerramento do RI 12, constatámos que até o “relógio de sol” foi retirado do interior da Porta de Armas, onde permanecia desde o tempo dos frades franciscanos e descobriu-se que andou esquecido pelas arrecadações do Museu da Guarda.

A criação de um museu que poderia ter sido no Convento de São Francisco, onde as recordações do RI 12 mereciam ser salvaguardadas em local próprio e digno, bem como de outras Unidades militares que estiveram na cidade.

O seu espólio está disperso e o que teve como destino à Unidade que foi considerada como herdeira do RI 12, estava encaixotado há anos, como um dia o fui encontrar no Regimento de Infantaria 14, em Viseu. Sabe-se que outra parte foi com destino a Lisboa e algum já esteve exposto no Museu da Guarda. Ora esta situação irá certamente contribuir para que não se saiba por onde andam os pertences de uma Unidade considerada como a mais importante e estimada que teve a cidade da Guarda.

Em dois períodos o RI 12 foi da cidade. Já agora permitam-me recordar um pouco da sua história.

6.jpg

O RI 12, entrou nas portas do Convento de São Francisco na Guarda pela primeira vez, em 1846, tendo sido extinto em 1931 e transferido para a cidade de Coimbra. Em 1939 é criado na Guarda o Batalhão de Caçadores nº. 7 que foi extinto em 1961. Em 31 de janeiro de 1966 regressa à Guarda o RI 12 que seria extinto em 31 de março de 1975, sendo criado o Destacamento da Guarda do Regimento de Infantaria de Viseu, para a 1 de janeiro de 1977 passar a Unidade Independente com a designação de Batalhão de Infantaria da Guarda (BIG), e, por sua vez, extinto em novembro de 1982.

Mas também a Guarda, ao longo dos tempos, teve outras unidades militares mais propriamente no antigo Seminário tais como o Batalhão de Infantaria n°. 34 e o 2°. Grupo de Metralhadoras, o Batalhão de Caçadores 7, por duas vezes e, bem como no tempo da Monarquia, o Batalhão de Caçadores 29, o Batalhão de Caçadores 4 e o Batalhão de Caçadores 1.

Os seus feitos nas batalhas de África e França de Neuve Chapelle, Fauquissart, Ferme du Bois, La Lys, e Mongoa, estão perpetuados no Monumentos aos Combatente da Grande Guerra no centro do Jardim José de Lemos, inaugurado a 31 de julho de 1940.

O RI 12 participou ativamente na Revolução de Abril com a ocupação da fronteira com Espanha, em Vilar Formoso.

 

A sua ligação à Rádio Altitude ocorreu quando estava no R 12. Como surgiu esta ligação, como evoluiu e o que significou para si?

A minha ligação à Rádio Altitude, poucas pessoas se podem orgulhar de ser igual ou, meramente, parecida à minha. Foi através do RA que, hoje, tenho o de melhor da minha vida.

Tudo começou por ser diretor, produtor e locutor do programa “A VOZ DO DOZE", desde março de 1971 a novembro de 1973.

Em tempos escrevi um texto com o título “A VOZ DO DOZE E O RÁDIO ALTITUDE” que desejo recordar como complemento.

“A 27 de setembro de 1967, pelas 10 horas e 30 minutos, passados 18 anos após a oficialização do Emissor CSB 21, o Rádio Altitude, da cidade da Guarda, colocava no "ar" um programa organizado pelo Centro Informativo do Regimento de Infantaria n°. 12, dedicado a todos os militares e ouvintes, denominado " A VOZ DO DOZE".

Assim, tinha início o segundo programa militar. O primeiro tinha sido "Momento Militar", da Escola Prática de Cavalaria de Santarém.

O Aspirante Miliciano Abel Simões Virgílio e o Furriel Miliciano Martinho saudavam os ouvintes, com a assistência técnica do oficial de transmissões, Aspirante Miliciano Vítor Santos e de Antunes Ferreira, técnico da Rádio Altitude, com montagem do soldado radiotelefonista Mota, enquanto se ouvia o "toque de Alvorada", seguido da célebre marcha militar americana "The Washington Post March".

A primeira saudação musical escolhida, foi "Tombe la nege" de Salvatore Adamo.

Pretendia-se que o programa fosse ‘um hino de homenagem a todos os briosos soldados beirões que cumpriam o sagrado dever para com a Pátria e uma mensagem de amizade e gratidão para a cidade da Guarda que acolhia no seu seio o RI 12’.

Como "nota de abertura", as palavras do Comandante do RI 12, coronel Jorge Pereira de Carvalho, uma entrevista com o cap. Artur Pita Alves, recém-regressado da Província da Guiné, seguida de palavras de agradecimento pela iniciativa e incentivo, do Governador Civil, Dr. Mário Bento Martins Soares, um poema do Asp. Mil. Paula Monteiro, "de mãos dadas", notícias do dia-a-dia do RI 12, uma referência ao jornal da Unidade, "Fronteiros da Beira" e ao lema "FIRMES COMO ROCHAS".

Este "elo de ligação" entre os militares e a população foi continuada durante quase sete anos por outros oficiais, sargentos e praças, tais como por "ordem do tempo": Joaquim Manuel da Fonseca, Farias da Silva, Carlos Monteiro, José Pinto, Pedro Tavares, Condesso Teixeira, António Pereira, João Manuel Pais Trabulo, Júlio Braz e não esquecendo quem datilografava o guião, o Albino Leitão, para ser aprovado pelo Comandante. Durante muitos anos, a locução do programa teve uma única voz feminina, da jovem locutora da Rádio Altitude, Maria José da Nave Barbas.

Para além de temas diversificados, históricos, militares, poesia, concursos, entrevistas, humor, o destaque ia sempre para a transmissão em direto do "Dia da Unidade, Juramentos de Bandeira, Cerimónias Militares" e a gravação das "Mensagens de Natal" dos "familiares para os militares" que cumpriam a sua "Comissão de Serviço no Ultramar".

Entre as diversas "rubricas", surgia a música tradicional popular, música portuguesa e de êxitos mundiais da canção, bem como, canções de cantores de "intervenção", tais como Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Padre Fanhais, José Mário Branco, Manuel Freire, Sérgio Godinho, etc., o que, muitas das vezes, levavam os senhores da DGS a dirigirem-se às instalações do Altitude na procura de "temas incómodos" que, por vezes, eram bem guardados no Centro Informativo do RI 12.

Segundo informação, o programa terá terminado nos primeiros meses de 1974.

Tudo isto, tendo sempre por objetivo: "É dever e direito de todo o cidadão contribuir no seu campo de acção para a Defesa da Integridade Portuguesa".

É aqui a minha modesta intervenção se proporcionou durante quase três anos.

É aqui que os laços de amizade se estabeleceram e estreitaram com a locutora do programa. Poucas pessoas o souberam e alguns certamente se recordam e que hoje publicamente o revelo.

 

A sua entrada para a GNR como surgiu?

Tinha cumprido a minha comissão de serviço na Guiné e ofereci-me como voluntário para continuar a servir a Pátria como militar. Esta condição poderia ter apenas a duração de cinco anos, pelo que nos finais de 1973, resolvi proceder ao meu ingresso na GNR.

 

Como era a realidade, de então, desta força de segurança e quais as principais dificuldades com que se deparava?

As realidades e dificuldades da GNR de então não são nos princípios básicos muito diferentes das de hoje, até porque a GNR sempre se pautou por ser uma Força Militar caracterizada sucintamente pelo que a orienta expresso no seu lema “Pela Lei e Pela Grei" e se isso for cumprido com “isenção e imparcialidade” é fácil ultrapassar as múltiplas dificuldades que possam existir no dia a dia do militar da Guarda. Contudo, é uma profissão de sacrifício, de riscos, de trabalho, de voluntariado e profissionalismo com a satisfação de contribuir para a segurança das pessoas e bens da nossa sociedade.

 

Como foi o seu percurso na GNR e quais as cidades onde exerceu funções?

Foram 35 anos ao serviço da sociedade, desde o Posto de Tenente Miliciano a Coronel, com dois momentos importantes e mais longos, durante 10 anos cada, como Comandante de Secção em Santa Comba Dão e Gouveia. Como adjunto do Comandante da Companhia de Aveiro, até a cidade de Coimbra, como oficial de Logística do Batalhão/Brigada Territorial de Coimbra, 2°. Comandante do Grupo Territorial da Guarda ou nos Serviços Sociais da GNR em Évora, como eu lhe chamei as minhas “Campanhas no Alentejo”, sobressaem ainda as funções de Chefe Administrativo no Centro Clínico da GNR, em Lisboa, onde tive as mais prestigiantes condições de ser prestável ao militar da Guarda até terminar o meu serviço na GNR em Lisboa, na Inspeção da GNR, como Coronel.

Quero aqui referir que os momentos mais difíceis foram passados no Comando da GNR em Santa Comba Dão, entre abril de 1975 e novembro de 1984, com a herança de um passado recente de controversas ideologias relativas ao Homem natural da terra e à sua estátua, agravadas pela ingenuidade e falta de decisão dos nossos governantes da época num jogo de empurra de competências. Sobre isto muito haveria para revelar.

De Santa Comba Dão, resta-me a consolação de nessa altura ter nascido o segundo filho e de ter sido o eleitor n°. 1 daquela localidade. Tudo o resto, foi o cumprimento de um dever profissional.

 

Como vê, na atualidade, o papel desta força de segurança e a formação dos seus elementos?

A Guarda tem evoluído bastante e com esmerado cuidado na formação dos seus militares para terem possibilidades de cumprirem exemplarmente ao serviço da nossa sociedade. Contudo, no meu entender, o antigo militar da Guarda era possuidor de outras caraterísticas que o destacavam como melhor agente da autoridade. Entretanto, as dificuldades e exigências prevalecem e amentaram com a chegada da democracia. Assim, podemos aqui recordar um velho slogan do Comando-Geral da GNR, Gen. Passos de Esmeriz na conduta do militar da Guarda: “Isenção, correção e imparcialidade”.

 

Este ano, e pela primeira vez, houve elementos no seio da GNR que chegaram ao posto de general. O que significa para a corporação esta mudança ao nível das mais altas chefias?

Este era um desejo que começou em meados do ano de 1973 com a criação própria dos oficiais da GNR que durou quase 17 anos para se aceder ao posto de Tenente-Coronel e, passado pouco tempo, ao de Coronel.

Com a situação de admissão de oficiais da Guarda serem através da Academia Militar a ascensão ao Posto de General ficou facilitada. O quadro de oficiais generais da Guarda que até agora era preenchido por generais do Exército, trará mais benefícios do que incertezas, facilmente de compreender e assegurar, pois, serão oficiais de carreira da GNR.

 

A longo dos últimos anos, e pelo que temos verificado, tem aumentado os seus apontamentos sobre a região, a sua história. Sobre o que gosta mais de escrever?

E com gosto e até como passatempo que me dedico a esta tarefa de observar, estudar e divulgar o nosso património cultural e natural, não só através da fotografia, mas essencialmente enriquecida por pesquisa de documentação escrita. É um valor inestimável revelarmos o que de histórico nos deixaram os nossos antepassados e dar a conhecer o que temos de bom e de valores, sobretudo das regiões por onde vou passando, principalmente, da nossa região.

Faço-o espontaneamente!

 

E para quando uma publicação que possa reunir o trabalho disperso?

Isso é mais complicado, mas tenho a esperança que um dia acontecerá, o que poderá surgir de um momento para o outro. Esse é um desejo que ao ser concretizado, me trará uma satisfação plena de ter contribuído para a divulgação e enriquecimento da nossa região.

Paisagem - JP Trabulo.jpg

Tem vindo, sobretudo numa rede social, a divulgar fotos de várias terras, monumentos e paisagens do distrito. Quando começou o gosto pela fotografia?

Sou um perfeito amador, mas o gosto pela fotografia vem da à longa data, especificamente, desde 1968. Ao longo dos anos, tem aumentado desde a data em que me reformei. Procuro que as minhas modestas fotografias tenham voz e transmitam implicitamente uma mensagem para além de como vejo a captação de um motivo por mais insignificante que ele seja. O resto é produto da objetiva e de quem as observa.

 

Falando ainda de fotografia, as flores têm merecido a sua atenção. Recentemente fazia um apontamento sobre o acanto, uma espécie exótica em Portugal? Acha que esta é uma vertente a explorar de forma a sensibilizar as pessoas para as plantas da região?

Vejo que tem acompanhado as minhas atividades que agradeço. As flores são a expressão nítida e sincera do que nos vai na alma, mas a beleza da natureza possibilita-nos ainda realizar e adquirir conhecimentos com mais facilidade. Procuro enriquecer as minhas fotos acompanhadas de texto com o intuito de explicar o que vejo.

 

Sendo um profundo conhecedor da região, o que destaca como locais de maior interesse turístico, sítios e locais com potencialidades de maior rentabilização e circuitos turísticos a implementar?

São tantos e espetaculares que será um pouco difícil optar ou sugerir um deles. O nosso Distrito e o País são tão ricos em beleza e potencialidades, pelo que o melhor é percorrê-los ao sabor dos ventos e de improviso, e depois revê-los numa segunda oportunidade.

Deixo essa sugestão para quem tem o dever e a obrigação de os divulgar, as nossas Autarquias.

Cruzeiro - JP Trabulo .jpg

O património histórico-cultural no distrito tem sido devidamente valorizado e salvaguardado?

É merecedor de ser tratado e preservado com mais cuidado, entristece-me quando verifico que caiu num estado de abandono e ruína e o não se fazer nada, ficamos cada vez mais pobres.

 

Sendo utilizador regular das redes sociais que importância e virtualidades lhe atribui?

As redes sociais são muito perigosas, principalmente quando o seu utilizador não é responsável pelo que expressa ou divulga desde que não tenha um alto sentido de verdade e, isto a não acontecer, pode se tornar-se numa “faca de dois gumes” ou então o “boato é uma lâmina que fere ou mata".

Temos que ter muito cuidado em não especular ou transmitir fatores errados ou já ultrapassados para não induzir as pessoas em erro e alarmismos.

Trabulo.jpg

Está satisfeito com as reações feitas às suas publicações?

Claro que sim é essa a minha intenção de procurar contribuir com algo de bom por mais simples que seja, valorizando-o com a sua divulgação. É para isto que as posto.

 

Para concluirmos, o que significa para si a cidade da Guarda?

“É-me tudo na vida…” Foi por assim dizer o início da minha vida militar conjugada com o início da vida familiar, motivos fortes de sentimentos e apreço pelos quais nunca esquecerei esta cidade.

A Guarda é uma golfada de ar puro que nos dá força para viver. Aqui granjeie muitos amigos e aqui vivi momentos inesquecíveis da minha vida.

 

 

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publicado às 00:05

Igreja

por Correio da Guarda, em 15.08.20

Meda - Igreja Matriz - Hs.jpg

Meda.Igreja Matriz

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publicado às 22:59

Mercado medieval em Marialva

por Correio da Guarda, em 17.03.19

 

     De 17 a 19 de Maio vai decorrer na aldeia histórica de Marialva um mercado medieval.

    Segundo  informação da Câmara Municipal da Meda está a decorrer o prazo das inscrições para a participação neste evento.

    Os interessados podem obter mais informações aqui.

Mercado de Marialva.jpg

 



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publicado às 23:50

José Augusto de Castro

por Correio da Guarda, em 22.01.18

 

     Na toponímia da Guarda não faltam referências a personalidades que, mercê da sua ação, deixaram um marca profunda na cidade associando o seu nome a conjunturas e épocas.

    Evocar essas pessoas não é exercitar o saudosismo ou olharmos embevecidos o passado; representa, antes de mais, um compromisso com a memória e afirmação de uma consciência crítica sobre o papel que desempenharam e do legado (cultural, científico, político, moral, etc.) transmitido. A cidade não pode alienar a sua história, a sua memória e identidade construída ao longo de séculos nem olvidar os exemplos de figuras que com o seu esforço, clarividência, saber, combatividade e cultura deram um inequívoco contributo para o desenvolvimento ou projeção da Guarda.

   Pela proximidade temporal de uma efeméride, relembramos, hoje, José Augusto de Castro, um combativo republicano.

  Natural do concelho da Meda, concretamente da freguesia da Prova, José Augusto de Castro nasceu a 22 de Janeiro de 1862. Durante a meninice, num ambiente marcadamente rural, aprendeu com o seu progenitor o ofício de alfaiate, profissão que lhe granjeou o sustento, a par do apoio à família, quando – com apenas 14 anos – foi para o Porto. Nessa cidade, fruto dos contactos que manteve, e do ambiente político que se vivia, foi crescendo a sua simpatia e interesse pela causa republicana.

    Em 1886 José Augusto de Castro voltou para junto da família, que residia, então, na aldeia do Vale (Meda) mas ali ficou por pouco tempo, tendo decido partir para o Brasil, onde estava estabelecido o seu irmão mais velho.

    Os seus primeiros trabalhos jornalísticos são escritos na Baía, cidade onde singrou no ramo comercial. Ainda em terras brasileiras “tomou parte activa na questão da escravatura”; nesse país estava em Novembro de 1889, aquando da proclamação da República Federativa.

    Atingido pela tuberculose veio para a Guarda. “A crueldade do Destino não impediu que me envolvesse a bondade de amigos de nobilíssimo coração, a começar pelo Dr. Lopo de Carvalho, o ilustre médico, especialista da tuberculose, que tomou a peito arrancar-me da garra dilaceradora doença temerosa”. Grato ficou também ao Dr. Amândio Paul, o segundo diretor do Sanatório Sousa Martins.

    Este foi um período que o marcou profundamente, dele tendo ficado numerosas referências na sua produção literária. Na Guarda fundou, em 1904, “O Combate”, jornal que consubstancia a sua personalidade, espírito combativo e no qual foram publicados textos de grande valor. A sua intervenção e análise política não se limitou à realidade local e regional. Assim não é de estranhar que a implantação da República tenha sido assinalada, em O Combate, com grande e justificado entusiasmo, com o desejo de erguer “a Pátria das trevas onde há muito agonizava, acordando-a do pesadelo que a oprimia”.

    Tendo desempenhado as funções de Secretário da Câmara Municipal da Guarda (a par de outras actividades nesta cidade), José Augusto de Castro dirigiu o referido jornal até Novembro de 1931. Posteriormente foi viver para Coimbra, onde faleceu a 13 de Maio de 1942. Os seus restos mortais foram transladados em Setembro do ano seguinte para a Guarda, a cidade que ele sempre distinguiu.

   Para além do seu exemplo ímpar de republicano íntegro, de “idealista rebelde”, jornalista combativo e de autor de admiráveis textos publicados na imprensa, deixou obras como Terra Sagrada, Árvore em Flor, Os Rebeldes, O Bispo, O Inimigo e Labaredas.

    Um registo que deixamos, a par de um convite a um melhor conhecimento desta personalidade que viveu a Guarda e os ideais republicanos... (HS).

 

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publicado às 21:48

Relógio...

por Correio da Guarda, em 30.01.16

Relógio HS.jpg

 

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publicado às 00:45

Toponímia...

por Correio da Guarda, em 24.09.15

Rua da Corredoura - HS.jpg

 

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publicado às 14:15

Meda

por Correio da Guarda, em 30.08.15

 

Meda - vista parcial HS.jpg

 

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publicado às 22:05

500 anos foral de Longroiva

por Correio da Guarda, em 18.09.10

     O quinto centenário da atribuição do foral manuelino de Longroiva (concelho da Meda) vai ser assinalado amanhã naquela localidade.

     O programa comemorativo inicia-se pelas 11 horas, com uma missa na Igreja Matriz, onde estarão presentes elementos da Ordem dos Templários; seguir-se-á uma visita pelo centro histórico de Longroiva.

 

    

      No período da tarde, a partir das 14 horas, terá lugar na Casa Municipal da Cultura da Meda o lançamento da publicação fac-similada do foral atribuído por D. Manuel I, em 1 de Junho de 1510. Este acto antecede, no mesmo espaço, de um colóquio que terá como tema "Longroiva: 1510-2010" e o Prof. Adriano Vasco Rodrigues como o principal orador.

     Pelas 17 horas, em Longroiva, iniciar-se-á a recriação histórica da atribuição do foral, efeméride que os CTT vão também evidenciar através da edição de um selo comemorativo.

     Até ao final do ano via estar patente, no Arquivo Municipal da Meda, exposição documental sobre a carta de foral atribuída pelo Rei D. Manuel I.

     Aquela povoação do concelho da Meda tem origens remotas, havendo indícios que o local registou já povoamento nos períodos do Paleolítico e Neolítico.

 

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publicado às 01:45

Palestra de Seabra Santos na Meda

por Correio da Guarda, em 06.07.10

    

     “Universidade Portuguesa: Evolução histórica” é o tema da palestra que Seabra Santos, Reitor da Universidade de Coimbra, vai proferir na Meda, no próximo dia 16 de Julho.

     Esta iniciativa, promovida pelo Governo Civil da Guarda, integra-se nas comemorações distritais do Centenário da República.

     A referida palestra terá lugar, a partir das 21h30, no Auditório da Casa da Cultura de Meda.

 

 

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publicado às 00:21

Meda recebe Concurso Nacional de Leitura

por Correio da Guarda, em 04.02.09

 

A Biblioteca Municipal de Meda vai acolher no próximo dia 27 de Março, pela primeira vez, a segunda fase do Concurso Nacional de Leitura, iniciativa do Plano Nacional de Leitura e Direcção-Geral do Livro e das Biblioteca.
As obras seleccionadas para esta segunda fase são “O Alcaide de Santarém, A Dama do Pé de Cabra”, de Alexandre Herculano, “Era Uma Vez Um Rei que Teve um Sonho” de Leonoreta Leitão), “O Corcunda de Notre Damme”, Víctor Hugo (no que diz respeito ao terceiro ciclo do ensino básico); “Felizmente há Luar”, de Luis Sttau Monteiro, “Pérola”, de John Steinbeck e “A Vida Num Sopro”, de José Rodrigues dos Santos (relativamente ao secundário).
As provas realizam-se na Biblioteca Municipal de Meda.
 

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publicado às 08:48


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