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ALTITUDE : RÁDIO com história

por Correio da Guarda, em 29.07.11

 

     Património ímpar da região, a Rádio Altitude é uma das mais antigas estações emissoras portuguesas, emitindo há 63 anos a partir dos estúdios na cidade da Guarda.

 

     Embora o registo oficial das emissões tenha ocorrido a 29 de Julho de 1948, a actividade da Rádio Altitude surgiu, no seio do Sanatório Sousa Martins, cerca de 1946. Na altura, as rudimentares emissões circunscreviam-se ao pavilhão onde estava concentrado o grupo de doentes pioneiros deste projecto e só com a construção de novo emissor foi ganhando dimensão a aventura radiofónica.

Sabe-se que, no ano seguinte, o então director daquela unidade de saúde, o médico e escritor Ladislau Patrício (cunhado do poeta Augusto Gil) assinou o primeiro regulamento da referida estação emissora, onde estavam definidas orientações muito objectivas sobre a sua actividade.

 

  • Acção solidária

 

     Em finais de 1947 as emissões já eram escutadas na cidade que seguiu, com particular entusiasmo, o início oficial das emissões regulares assinalado, com alguma pompa e circunstância, a 29 de Julho de 1948; um ano depois foi atribuído o indicativo CSB 21 à Rádio Altitude.

     A propriedade do primeiro emissor pertenceu, inicialmente, à Caixa Recreativa do Internados no Sanatório Sousa Martins e, mais tarde, com a sua extinção, ao Centro Educacional e Recuperador da unidade hospitalar vocacionada para o tratamento da tuberculose.

     Com a criação do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins (CERISSM) pretendeu-se auxiliar os doentes, especialmente no que dizia respeito “à sua promoção social e ocupação dos tempos livres”.

     Aliás, foi no seio dos sanatórios que surgiram interessantes projectos radiofónicos – como seja a Rádio Pólo Norte, no Sanatório do Caramulo, e a Rádio Pinóquio, no Sanatório das Penhas da Saúde, Covilhã, para referirmos os mais próximos.

     O CERISSM foi uma autêntica instituição de solidariedade; para além de viabilizar a afirmação e implantação da Rádio Altitude desenvolveu uma vasta obra assistencial, sob o impulso do médico Martins de Queirós, o quarto e último director do Sanatório da Guarda.

     Em 1961, mediante autorização oficial, a RA passou a ter como suporte económico-financeiro as receitas publicitárias que em muito contribuiriam para o auxílio dos doentes mais carenciados. As emissões da emissora guardense evoluíram, ao longo das primeiras décadas em função das disponibilidades técnicas, dos recursos humanos e financeiros mas encontrando sempre no, crescente auditório, uma grande simpatia e um apoio incondicional.

 

  • Onda média e FM

 

    

 Foto: RA

 

    Até 1980 a Rádio Altitude emitiu na frequência de 1495 Khz, em onda média (abrangendo não só o distrito da Guarda mas igualmente os distritos de Viseu e Castelo Branco e algumas das suas áreas límitrofes), altura em que a sua sintonia passou a ser feita no quadrante dos 1584 khz. Após 1986, e com a liberalização do espectro radioeléctrico passou também a desenvolver as suas emissões em frequência modulada, no quadrante dos 107.7 Mhz, a qual foi alterada em 1991 para os 90.9 Mhz.

     Em 1998,e depois de ter sido determinada a extinção do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins, foi decidida a realização de uma consulta pública, com vista à “transmissão da universalidade designada Rádio Altitude”, considerada a “única estrutura em funcionamento do ex-CERISSM”.

    A estação emissora entrou assim, com a sua aquisição por parte da Radialtitude–Sociedade de Comunicação da Guarda, Lda num capítulo novo da sua existência, mantendo a ligação física ao antigo espaço sanatorial.

     Hoje, a actual equipa continua a afirmar a Rádio Altitude, inovando, acompanhando o ritmo da evolução tecnológica, respondendo às novas exigências do seu auditório, interagindo sempre com o seu público sem esquecer o seu rico historial.

 

     No dia em que comemora o 63º aniversário, o CG deixa, ao Director da RA e a todos os seus profissionais, sinceros parabéns!...

     

 

Helder Sequeira

 

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publicado às 09:26

Dois nomes, duas personalidades ...

por Correio da Guarda, em 25.05.09

 

A nossa cidade perdeu há seis anos atrás, no dia 23 de Maio, duas personalidades que, em nossa opinião, merecem um lugar de destaque na galeria das figuras ilustres da Guarda.
Os Drs João Gomes e Martins de Queirós, ainda que diferenciados na sua postura, actividade profissional e ideologia, souberam servir e dignificar a Guarda, tendo deixado fortes marcas da sua intervenção social.
O primeiro, figura incontornável na luta pela liberdade e democracia no distrito da Guarda, homem culto e socialista convicto, advogado brilhante, orador apreciado, tutelou uma enorme actividade política, bateu-se por princípios e ideias, esteve sempre na linha da frente dos interesses desta cidade, do distrito.
Mesmo quando exerceu as funções de Governador Civil do Distrito, João Gomes não hesitava em discordar – quando a sua consciência e o seu amor pela Guarda assim o exigiam – com as directrizes políticas ou opções estratégicas que na sua opinião não eram as melhores para a sua região.
Martins de Queirós, o quarto e último director do Sanatório Sousa Martins, deixou fortes traços da sua acção naquela conhecida (nacional e internacionalmente) estância de saúde, cujo 102º aniversário da inauguração ocorreu na passada segunda-feira, 18 de Maio; materializou a solidariedade com os doentes de fracos recursos económicos, através da afirmação do Centro Educacional e Recuperador dos Internados, associação que estabeleceu a ponte com a comunidade envolvente e outrossim com múltiplos percursos profissionais, dos quais, aliás, a própria cidade beneficiou.
A sua maior herança foi, talvez, a estação de radiodifusão sonora que, a partir de 1954, ajudou a robustecer e a projectar-se de forma inequívoca, na região e no país; estação que continua a emitir da Guarda, a honrar o seu largo historial e o esforço dos seus pioneiros.
Martins de Queirós por diversas vezes – nomeadamente na imprensa local – apresentou a sua ideia sobre o Parque da Saúde da Guarda; as conjunturas não foram, infelizmente, favoráveis à certificação da validade e oportunidade dos seus projectos.
A morte levou, na mesma data, dois homens com percursos distintos mas que convergiram na paixão pela Guarda, pelos “povos da Beira Serra”, como João Gomes, nas suas “Reflexões Políticas” (aos microfones da rádio que nasceu no Sanatório) gostava de denominar os destinatários das suas prelecções. Muitos, certamente, recordam ainda essas empolgadas quanto esclarecidas intervenções.
Honrar a memória destes dois homens passa por reflectir sobre o seu exemplo e pelo contributo que em planos diferentes – como já disse – deram à cidade onde viveram e trabalharam; cidade onde tarda uma mais que justa consagração na sua toponímia.
No confronto com alguns nomes atribuídos a artérias citadinas, resultantes da ligeireza da escolha, falta de imaginação ou da aconselhada e necessária ponderação para novas designações, João Gomes e Martins de Queirós têm uma vida, uma acção, um exemplo que falam por si sem necessidade de muita prosa para sustentar argumentos.
Em seis anos já houve tempo suficiente para perpetuar os seus nomes na toponímia guardense…
 
                                                                                     Helder Sequeira
                                                                                      in "O Interior", 21.05.09
 
 

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publicado às 21:49


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