Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Abril, para além do calendário

por Correio da Guarda, em 25.04.13

     O dia 25 de Abril está indelevelmente ligado à Liberdade e à Democracia. Entre estes marcos estão enquadradas importantes conquistas, valores e direitos que, durante décadas, estiveram submersos na prepotência de um regime totalitário.

    Eleições livres, liberdade de expressão, poder local, liberdade de imprensa: toda uma terminologia que floresceu numa manhã de Abril, em 1974.

    Esta data representa um importante facto na História portuguesa contemporânea; a sua dimensão, contudo, não foi apreendida, por muitos, em toda a sua globalidade; noutros casos as políticas e estratégias seguidas, os oportunismos registados contribuíram para um progressivo esmorecimento dos ideais proclamados, para um distanciamento de camadas sociais, traídas nas suas convicções e esquecidas nas suas realidades e anseios.

    Consequentemente, o significado desta data foi-se afastando do pensamento e da prática quotidiana, pautada por outros padrões, comportamentos e atitudes; um quadro que não é original na história da nação...

    Um facto histórico, complexo por natureza, desdobra-se em várias facetas, onde se entrelaçam aspetos políticos, económicos e sociais, refletindo a sua análise um cunho tanto mais acentuado quanto o seu enquadramento seja feito em termos de conjuntura ou estrutura.

    Trinta e nove anos após Abril de 1974, importa reter os ideais que animaram um movimento depressa convertido à escala nacional e abraçado por um sentir bem português, numa doação a que só a gente lusa se sabe entregar; sem se cristalizarem ideologias, dogmas ou extremismos. É fundamental que se apreenda o verdadeiro significado desta data, de forma a refleti-lo, a projetá-lo no presente, com o pensamento no futuro.

    É que Abril foi o abrir de uma porta para o presente e para um Portugal europeu; interrogar o passado permitirá uma melhor compreensão do presente e permitirá aferir o rumo certo, as estratégias necessárias, as melhores soluções.

    Daí que, neste contexto, seja crucial o papel do ensino e dos media pois, como há alguns anos escrevia Mário Mesquita, não há cerimónia pública que substitua o seu papel no conhecimento da História imediata, na transmissão e na reflexão crítica acerca do passado recente.

    Neste contexto há um importante trabalho que pode e dever ser feito, pois será de grande relevo para a preparação do futuro; informando, motivando, refletindo, aproximando...

    Evocarmos a data de 25 de Abril de 1974 é assumirmos, individual e coletivamente, os deveres que nos inspiram a democracia e a liberdade, sem nos circunscrevermos apenas a dias assinalados no calendário...

 

   In, "O Interior", 18-Abr -2013

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:56

Rádios: uma importante função social

por Correio da Guarda, em 16.09.08

 

 

O panorama actual das rádios portuguesas é, substancialmente, diferente daquele quer era vivido há cerca de uma década atrás.
Houve uma selecção natural das estações nascidas sob o alvor da regulamentação do espectro radioeléctrico face a condicionalismos de vária ordem, mormente da necessidade de serem afirmados projectos aferidos pelo profissionalismo e por um esclarecido entendimento da função social da rádio.
O suporte económico-financeiro não deixou de ser um dado importante, sobretudo em zonas onde o tecido comercial é tradicionalmente fraco, com reflexos na pobreza do mercado publicitário.
Por mais boa vontade com que seja apregoada a denominada publicidade institucional, os projectos ao nível radiofónico não evoluem se não for garantida outra sustentabilidade e criadas dinâmicas capazes de ampliarem audiências, reforçarem a qualidade dos conteúdos programáticos, aproximarem o meio rádio dos seus destinatários e interlocutores mais válidos.
Muitas estações (diga-se responsáveis) esquecem que nos fins genéricos da actividade de radiodifusão, “no quadro dos princípios constitucionais vigentes” se inscreve a obrigação de contribuir para a informação do público, garantindo aos cidadãos o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações.
Por outro lado, a lei estabelece que às rádios compete contribuir para a valorização cultural da população, assegurando a possibilidade de expressão e o confronto das diversas correntes de opinião, através do estímulo à criação e à livre expressão do pensamento e dos valores culturais que traduzem a identidade nacional; tudo isto para além da sua obrigação emdefenderem e promoverem a língua portuguesa.
Sublinhe-se que outra das finalidades, inscritas na Lei da Rádio, aponta para a necessidade de favorecer o conhecimento mútuo, o intercâmbio de ideias e o exercício da liberdade crítica entre os Portugueses e, igualmente, a criação de hábitos de convivência cívica própria de um Estado democrático…o que nem sempre acontece, pois muitas rádios demitem-se dessa função.
 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:04


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

Contacto:

correiodaguarda@sapo.pt correio.da.guarda@gmail.com



Google +