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O Rádio

por Correio da Guarda, em 06.01.09

 

A preocupação em defendermos, no quotidiano, a nossa língua deve ser um imperativo e uma preocupação constante de todos quantos têm responsabilidades no funcionamento das estações de rádio.
Estas, pela sua proximidade e capacidade de intervenção nos mais recônditos lugares podem desempenhar uma acção eminente na defesa da nossa língua, das nossas tradições culturais e históricas, o mesmo é dizer da nossa identidade.
Deste modo, é fundamental que haja permanente consciencialização de todos quantos, numa estação emissora, se sentam ao microfone.
E ao discorrer sobre esta temática, recordo aquilo que o escritor João de Araújo Correia deixou numa das suas crónicas, partindo da repulsa pessoal por alguns alimentos.
“ O que se dá com este pitéu e outros pitéus de igual teor pepináceo dá-se também com algumas palavras e palavrinhas, expressões e expressõezinhas, que toda a gente usa, principalmente pessoas de bom tom. Sou incapaz de as proferir (…).
Uma das tais locuçõezinhas é esse modo de dizer a Rádio. A Rádio! Na língua maternal, que bebi com o leite; na fala do povo, relicário da índole do nosso idioma; nos livros clássicos de mim mais lidos; em nenhuma página e em nenhuma glote portuguesa lídima, jamais existiu expressão semelhante. Hei-de jurar que não há em dicionário luso um só substantivo feminino terminado em ádio. Os poucos que existem com a terminação ádio são masculinos, v. g. estádio e gládio. A Rádio é aleijão linguístico. Pode a Filologia justificá-lo, considerando-o redução de radiotelefonia, radiofonia ou radiodifusão. Pouco importa. O aleijão subsiste. Para que a nossa língua o aceite, é indispensável torná-lo masculino. Melhor dizendo é indispensável respeitar-lhe o género com que nasceu. Rádio, elemento de radiofonia, é masculino. Considere-se isto, e então se dirá, tomando o elemento pelo todo, com toda a naturalidade, o Rádio (…)”.
Por cá poucos assumem o género do Rádio; contudo há honrosas excepções, como temos lido/ouvido no “Café Mondego”, gerido (e bem) pelo Américo Rodrigues (http://cafe-mondego.blogspot.com/).              H.S.
 

 

 

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