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(Re)visitar a Ponte de Sequeiros

por Correio da Guarda, em 04.07.21

Ponte de Sequeiros -jun2021GRD-HS.jpg

A Ponte de Sequeiros, localizada na área da União das freguesias de Seixo do Côa e Valongo do Côa (Sabugal) terá sido construída no século XIII e constituiu um marco de fronteira entre Castela e Leão e o reino português, antes da passagem das terras de Riba Côa para o domínio de Portugal, após o Tratado de Alcanices.

Trata-se de uma ponte medieval, de arco fortificada, “com tabuleiro rampante sobre arcos de volta perfeita, dois talhamares, pavimento lajeado, com continuidade em calçada, guardas em cantaria, e com torre de planta quadrada a Este rasgada por porta de vão em arco de volta perfeita. O tabuleiro assenta em três arcos de volta perfeita, sendo o central mais largo e alto, ladeados por talhamares e talhantes, estes últimos com zona superior sem função estrutural. Construída na área do mais importante centro do poder régio da zona sul do Côa, onde o rio fazia a fronteira entre três vilas leonesas e duas portuguesas, a ponte de Sequeiros, já com a sua estrutura incompleta, funcionava como marcação de portagem e, possivelmente, dispositivo militar.”

A ponte de Sequeiros, juntamente com a ponte de Ucanha constitui uma das pontes fortificadas existentes atualmente em Portugal.

Ponte de Sequeiros - Sab-junho2021 - HS.jpg

 

 

 

 

 

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publicado às 21:44

Janelas...

por Correio da Guarda, em 01.07.21

Janelas no centro histórico - HS.jpg

Guarda. Centro histórico.

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publicado às 16:44

Portas do Sol...

por Correio da Guarda, em 27.06.21

Guarda - Porta do Sol - HS.jpg

Guarda. Portas do Sol.

 

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publicado às 00:01

Revitalizar a tradição

por Correio da Guarda, em 18.06.21

 

Apesar dos conhecidos condicionalismos ainda existentes, há datas no calendário guardense que importa sublinhar de forma a não se perderem nas sombras do esquecimento…

Outrora, um dos cartazes de promoção da Guarda, durante largas décadas, foi a feira São João que desempenhava um eminente papel de dinamização económica e social, integrando um conjunto de certames com forte projeção regional.

A feira anual de São João, que ocorre no dia 24 de junho na Guarda, foi criada em 1255 por carta régia de D. Afonso III; este documento estabelecia, como assinalou a historiadora Virgínia Rau, que “devia começar oito dias antes da festa de S. João Baptista e durar quinze dias. Todos os que viessem à feira com as suas mercadorias estariam seguros e isentos de penhora durante trinta dias”.

No decorrer da segunda dinastia a feira de São João na Guarda continuava a registar grande importância e no século XV era costume os “criadores e lavradores de Castelo Branco e do seu termo levarem os gados da sua criação para venda na feira da Guarda”.

Será igualmente no decorrer desse século que se começa a desenhar uma evidente decadência das feiras no reino português, panorama a que não é estranho o novo mapa dos centros comerciais, no litoral, alimentados pelos descobrimentos; contudo, com maior ou menor impacto, elas sobreviveram; a feira de São João continuou a ser um destacado evento citadino.

Nos finais do século dezanove a cidade enchia-se, muitos dias antes de “grande quantidade de forasteiros”, e não faltavam, pelas principais artérias as “costumadas fogueiras com danças e cantos”.

O teatro, os concursos de gado e as touradas constituíam alguns dos pontos de atração do cartaz citadino, nesses dias de enorme agitação festiva e de muitas transações comerciais.

A viagem de comboio até à Guarda era incentivada com significativas reduções nos preços, oportunidade aproveitada por numerosas pessoas, que engrossavam a multidão de visitantes espalhados por todos os cantos da cidade.

Este quadro, festivo, comercial e religioso – componente que também não faltava – repetiu-se, com mais ou menos cambiantes, durante décadas, deixando um inquestionável impacto na vida da cidade.

Aliás, a própria Câmara Municipal da Guarda deliberou solicitar ao Governo, em julho de 1954, a “necessária autorização para considerar como feriado municipal do concelho da Guarda o dia 24 de junho de cada ano”.

Feira de São João na Guarda - Fot .jpg

O executivo municipal, de então, argumentava que os festejos de São João “desde tempos imemoriais atingem proporções de relevo”, sendo por isso considerado “dia festivo em toda a região”; por outro lado, a Câmara Municipal aduzia a realização da “importante feira anual de S. João, reputada a de maior expansão e amplitude da região por a ela acorrerem com os seus produtos e gados as populações de toda a região beirã e até transmontana”; as estas razões, acrescentava-se ainda a intenção de o dia passar a figurar no período das “futuras Festas da Cidade” da Guarda.

Caldo de Grão - Guarda  - Foto HS.jpg

Caldo de grão, um sabor tradicional muito apreciado

O médico e escritor Ladislau Patrício (o terceiro diretor do Sanatório Sousa Martins) anotava, numa das suas obras, que “nas vésperas do dia 24 de junho, noite e madrugada, é contínuo o formigueiro de feirantes, a pé, a cavalo, em carroças e em carros de bois, tropeçando nos calhaus soltos dos caminhos impérvios, ou batendo o macadame das estradas poeirentas e brancas”.

Ao longo das últimas décadas as tradicionais festividades, e animações, em homenagem a São João têm perdido o brilho e a movimentação de outrora, sobretudo em torno da feira que tem aquele santo popular como padroeiro.

Se é certo que na sociedade hodierna as motivações dos consumidores são de longe bem diferentes, mercê de múltiplos fatores, também é verdade que a Feira de São João (à semelhança de outras congéneres) poderia ter reconquistado uma nova afirmação no contexto regional, aplicadas que fossem as adequadas fórmulas e garantindo os apoios inerentes a uma realização com este perfil.

O contributo dado por atividades de recriação e animação da data referenciada devia ser repensado e retomado – logo que estejam dissipados este tempo de pandemia e de incerteza – com a devida a atempada preparação; iniciativas que podem e devem coexistir com o certame propriamente dito, proporcionando-lhe um espaço condigno e definitivo.

Salvaguardar certames que estão profundamente ligados às tradições citadinas, como é o caso da feira de São João, é evidenciar uma identidade – que não se fique apenas pelo tradicional e saboroso caldo de grão – e recuperar um cartaz que está ainda na memória de muitos; um cartaz a revitalizar num adequado equilíbrio de interesses de vendedores, consumidores e visitantes, articulando-o com novos projetos complementares e sequenciais no tempo, afirmando-o no conjunto de festividades/atividades que ocorrem habitualmente ao longo dos meses de junho e julho

Num quadro de diversidade e oferta de opções para quem nos procura ou visita está, certamente, uma das vias que podem abrir novos ciclos de desenvolvimento económico, social e turístico.

O futuro é já hoje. Ou seja, o seu planeamento é feito no presente, com objetivos claros e atitudes pragmáticas aferidas pelos interesses da comunidade. (Hélder Sequeira)

 

In O Interior, 17|junho|2021

 

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publicado às 21:19

Visitas encenadas a Castelo Rodrigo

por Correio da Guarda, em 10.06.21

Encontros com a História.jpg

 

 

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publicado às 09:00

 

 

Natural de Meda, onde nasceu em julho de 1945, o Coronel João Pais Trabulo tem um interessante percurso pessoal e profissional que se cruza com a vida militar, a rádio, a investigação histórica e a fotografia, entre outras facetas.

Cumprido o serviço militar obrigatório e tendo prestado serviço na Província Ultramarina da Guiné, fazendo parte da Companhia de Caçadores 2314, enveredou pela carreira militar; inicialmente, no Exército e depois na Guarda Nacional Republicana, onde se reformou com o posto de Coronel, em 2008. Atualmente, na situação de reforma, vive na cidade de Gouveia, desde 1984.

Nesta conversa com o CORREIO DA GUARDA, João Pais Trabulo fala-nos da sua paixão pelas terras beirãs, da atividade de divulgação que continua a fazer em simultâneo com oportunos e expressivos registos fotográficos de locais, paisagens, monumentos. O Regimento de Infantaria 12 é um marco incontornável na sua vida e considera que os atuais habitantes da Guarda “não sabem avaliar os fortes laços que existiram na vida quotidiana entre os militares e a população.” Uma memória que, na sua opinião, deve ser preservada.

João Trabulo.jpg

É natural da Meda. Quais as principais memórias que guarda da sua terra, da infância e adolescência?

Quero começar com a minha colaboração com um profundo sentimento de agradecimento pois não estava à espera deste desafio.

Como afirma sou natural da Meda onde nasci em 1945. Na realidade a maior vivência na minha terra natal foi na infância e na adolescência. Como um ‘caminheiro’, visitava-a assiduamente enquanto os meus pais foram vivos. Ainda hoje o faço, até porque estou estritamente ligado ao Núcleo de Combatentes de Meda que tive a honra de me empenhar num desafio do senhor Presidente da Liga dos Combatentes na sua reativação em colaboração com mais outros oito Combatentes e do qual sou mais um modesto elemento da Direção, o seu Presidente. Neste aspeto, ainda como principal mentor da criação do Núcleo de Combatentes de Gouveia do qual fui seu Presidente Fundador.

O que mais me marcou na infância foi ter frequentado desde os quatro anos até ao início da escola primária, o Instituto D. Maria do Carmo Lacerda Faria, mais conhecido por ‘Patronato’, onde comecei a aprender a ler, escrever e contar, e os princípios básicos de uma boa educação.

Quanto à adolescência recordo a frequência de aluno do Externato de Santo António até ao meu antigo quinto anos depois de uma passagem de quatro anos no Seminário de Resende, onde adquiri fortes conceitos que me serviram de orientação até ao dia de hoje.

 

Que personalidades marcantes tinha a Meda, nessa época?

Neste sentido não tenho qualquer dúvida que a personalidade marcante foi o Pároco. Padre José Maria de Lacerda, vulgarmente conhecido por ‘Vigário’, Arcipreste da Paróquia, um homem de bem em que quaisquer adjetivos são ínfimos para o classificar. Sobre ele, nada melhor como o apelidou o saudoso medense, Dr. Manuel Daniel: “o Pai dos pobres".

É evidente que não poderia deixar de reconhecer os meus pais, pessoas humildes que me criaram, educaram e me ensinaram os “princípios da vida”. A eles devo o que sou na vida…

 

Quando começou a sua vida militar?

Comecei a minha vida militar em janeiro de 1967 e, a partir daí fui sempre militar.

Cumpri o serviço militar como oficial miliciano com início na EPI (Escola Prática de Infantaria), em Mafra, com uma breve passagem pelo RI 12, desde junho a novembro de 1967, até que fui mobilizado para a Província da Guiné. Ali cumpri a minha “comissão de serviço” e cumpri com o meu dever para com a Pátria e os autóctones daquela região, desde janeiro de 1968 a novembro de 1969, data em que passei à disponibilidade como Alferes Miliciano.

Depois, no início de 1970, ofereci-me como “voluntário”, tendo passado pelo RI 5, Caldas da Rainha para em fevereiro de 1971, ter sido colocado no RI 12 na cidade da Guarda como Tenente Miliciano até novembro de 1973, data em que ingressei na Guarda Nacional Republicana onde atingi o posto de Coronel no qual me reformei.

João Trabulo - foto .jpg

O que representou para si o RI 12?

O RI 12 marcou profundamente a minha vida militar e familiar. Isto porque, militarmente, foi praticamente o início da minha carreira profissional, onde, entre outras funções, destaco o ser Comandante da Companhia de Comando e Serviços.

No aspeto familiar foi aqui que que tive o privilégio de conhecer a minha esposa e ter nascido o primeiro filho. Gratas e incalculáveis são as recordações desta minha Unidade que nunca esqueci na minha vida.

Sobre o RI 12, muito haveria para dizer e escrever, muitas são as vivências que tive nesses três anos que permaneci naquele quartel.

Soldados no R12 - foto JPTrabulo.jpg

Que importância teve para a Guarda esta unidade militar?

Tudo se resume em poucas palavras, o RI 12 foi a “vida da cidade da Guarda” e com o seu encerramento a Guarda “perdeu a sua vida militar".

Foi um marco tão forte, que julgo, que a Guarda “recordará sempre o seu RI 12”.

 

Acha que as pessoas têm, no presente, noção da importância que teve o R12 e depois o Batalhão de Infantaria da Guarda?

Os habitantes atuais não sabem avaliar os fortes laços que existiram na vida quotidiana entre os militares e a população.

A população acarinhava sincera e espontaneamente os seus militares e adorava vê-los fardados nas ruas da cidade. Não posso esquecer que a maioria dos militares eram oriundos do Distrito, por isso, os laços de amizade eram tão estreitos e familiares que só podem ser avaliados por quem os viveu e sentiu.

A população sensibilizava-se com o içar da bandeira nacional aos domingos e feriados na parada do Quartel. Assistia às cerimónias militares do Dia da Unidade ou dos Juramentos de Bandeira. Acompanhava o terno de corneteiro, aos domingos, depois do render da guarda na sua ronda pelo Jardim José de Lemos. Parava na rua quando os militares armados se dirigiam para a carreira de tiro. Ouvia com atenção o seu programa ‘A voz do Doze" transmitido na Rádio Altitude todas as semanas.

Oficiais R12 - .jpg

O que poderia ser feito para guardar a memória do RI 12 na matriz da cidade?

Muito e simples, senão vejamos. Após o encerramento do RI 12, constatámos que até o “relógio de sol” foi retirado do interior da Porta de Armas, onde permanecia desde o tempo dos frades franciscanos e descobriu-se que andou esquecido pelas arrecadações do Museu da Guarda.

A criação de um museu que poderia ter sido no Convento de São Francisco, onde as recordações do RI 12 mereciam ser salvaguardadas em local próprio e digno, bem como de outras Unidades militares que estiveram na cidade.

O seu espólio está disperso e o que teve como destino à Unidade que foi considerada como herdeira do RI 12, estava encaixotado há anos, como um dia o fui encontrar no Regimento de Infantaria 14, em Viseu. Sabe-se que outra parte foi com destino a Lisboa e algum já esteve exposto no Museu da Guarda. Ora esta situação irá certamente contribuir para que não se saiba por onde andam os pertences de uma Unidade considerada como a mais importante e estimada que teve a cidade da Guarda.

Em dois períodos o RI 12 foi da cidade. Já agora permitam-me recordar um pouco da sua história.

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O RI 12, entrou nas portas do Convento de São Francisco na Guarda pela primeira vez, em 1846, tendo sido extinto em 1931 e transferido para a cidade de Coimbra. Em 1939 é criado na Guarda o Batalhão de Caçadores nº. 7 que foi extinto em 1961. Em 31 de janeiro de 1966 regressa à Guarda o RI 12 que seria extinto em 31 de março de 1975, sendo criado o Destacamento da Guarda do Regimento de Infantaria de Viseu, para a 1 de janeiro de 1977 passar a Unidade Independente com a designação de Batalhão de Infantaria da Guarda (BIG), e, por sua vez, extinto em novembro de 1982.

Mas também a Guarda, ao longo dos tempos, teve outras unidades militares mais propriamente no antigo Seminário tais como o Batalhão de Infantaria n°. 34 e o 2°. Grupo de Metralhadoras, o Batalhão de Caçadores 7, por duas vezes e, bem como no tempo da Monarquia, o Batalhão de Caçadores 29, o Batalhão de Caçadores 4 e o Batalhão de Caçadores 1.

Os seus feitos nas batalhas de África e França de Neuve Chapelle, Fauquissart, Ferme du Bois, La Lys, e Mongoa, estão perpetuados no Monumentos aos Combatente da Grande Guerra no centro do Jardim José de Lemos, inaugurado a 31 de julho de 1940.

O RI 12 participou ativamente na Revolução de Abril com a ocupação da fronteira com Espanha, em Vilar Formoso.

 

A sua ligação à Rádio Altitude ocorreu quando estava no R 12. Como surgiu esta ligação, como evoluiu e o que significou para si?

A minha ligação à Rádio Altitude, poucas pessoas se podem orgulhar de ser igual ou, meramente, parecida à minha. Foi através do RA que, hoje, tenho o de melhor da minha vida.

Tudo começou por ser diretor, produtor e locutor do programa “A VOZ DO DOZE", desde março de 1971 a novembro de 1973.

Em tempos escrevi um texto com o título “A VOZ DO DOZE E O RÁDIO ALTITUDE” que desejo recordar como complemento.

“A 27 de setembro de 1967, pelas 10 horas e 30 minutos, passados 18 anos após a oficialização do Emissor CSB 21, o Rádio Altitude, da cidade da Guarda, colocava no "ar" um programa organizado pelo Centro Informativo do Regimento de Infantaria n°. 12, dedicado a todos os militares e ouvintes, denominado " A VOZ DO DOZE".

Assim, tinha início o segundo programa militar. O primeiro tinha sido "Momento Militar", da Escola Prática de Cavalaria de Santarém.

O Aspirante Miliciano Abel Simões Virgílio e o Furriel Miliciano Martinho saudavam os ouvintes, com a assistência técnica do oficial de transmissões, Aspirante Miliciano Vítor Santos e de Antunes Ferreira, técnico da Rádio Altitude, com montagem do soldado radiotelefonista Mota, enquanto se ouvia o "toque de Alvorada", seguido da célebre marcha militar americana "The Washington Post March".

A primeira saudação musical escolhida, foi "Tombe la nege" de Salvatore Adamo.

Pretendia-se que o programa fosse ‘um hino de homenagem a todos os briosos soldados beirões que cumpriam o sagrado dever para com a Pátria e uma mensagem de amizade e gratidão para a cidade da Guarda que acolhia no seu seio o RI 12’.

Como "nota de abertura", as palavras do Comandante do RI 12, coronel Jorge Pereira de Carvalho, uma entrevista com o cap. Artur Pita Alves, recém-regressado da Província da Guiné, seguida de palavras de agradecimento pela iniciativa e incentivo, do Governador Civil, Dr. Mário Bento Martins Soares, um poema do Asp. Mil. Paula Monteiro, "de mãos dadas", notícias do dia-a-dia do RI 12, uma referência ao jornal da Unidade, "Fronteiros da Beira" e ao lema "FIRMES COMO ROCHAS".

Este "elo de ligação" entre os militares e a população foi continuada durante quase sete anos por outros oficiais, sargentos e praças, tais como por "ordem do tempo": Joaquim Manuel da Fonseca, Farias da Silva, Carlos Monteiro, José Pinto, Pedro Tavares, Condesso Teixeira, António Pereira, João Manuel Pais Trabulo, Júlio Braz e não esquecendo quem datilografava o guião, o Albino Leitão, para ser aprovado pelo Comandante. Durante muitos anos, a locução do programa teve uma única voz feminina, da jovem locutora da Rádio Altitude, Maria José da Nave Barbas.

Para além de temas diversificados, históricos, militares, poesia, concursos, entrevistas, humor, o destaque ia sempre para a transmissão em direto do "Dia da Unidade, Juramentos de Bandeira, Cerimónias Militares" e a gravação das "Mensagens de Natal" dos "familiares para os militares" que cumpriam a sua "Comissão de Serviço no Ultramar".

Entre as diversas "rubricas", surgia a música tradicional popular, música portuguesa e de êxitos mundiais da canção, bem como, canções de cantores de "intervenção", tais como Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Padre Fanhais, José Mário Branco, Manuel Freire, Sérgio Godinho, etc., o que, muitas das vezes, levavam os senhores da DGS a dirigirem-se às instalações do Altitude na procura de "temas incómodos" que, por vezes, eram bem guardados no Centro Informativo do RI 12.

Segundo informação, o programa terá terminado nos primeiros meses de 1974.

Tudo isto, tendo sempre por objetivo: "É dever e direito de todo o cidadão contribuir no seu campo de acção para a Defesa da Integridade Portuguesa".

É aqui a minha modesta intervenção se proporcionou durante quase três anos.

É aqui que os laços de amizade se estabeleceram e estreitaram com a locutora do programa. Poucas pessoas o souberam e alguns certamente se recordam e que hoje publicamente o revelo.

 

A sua entrada para a GNR como surgiu?

Tinha cumprido a minha comissão de serviço na Guiné e ofereci-me como voluntário para continuar a servir a Pátria como militar. Esta condição poderia ter apenas a duração de cinco anos, pelo que nos finais de 1973, resolvi proceder ao meu ingresso na GNR.

 

Como era a realidade, de então, desta força de segurança e quais as principais dificuldades com que se deparava?

As realidades e dificuldades da GNR de então não são nos princípios básicos muito diferentes das de hoje, até porque a GNR sempre se pautou por ser uma Força Militar caracterizada sucintamente pelo que a orienta expresso no seu lema “Pela Lei e Pela Grei" e se isso for cumprido com “isenção e imparcialidade” é fácil ultrapassar as múltiplas dificuldades que possam existir no dia a dia do militar da Guarda. Contudo, é uma profissão de sacrifício, de riscos, de trabalho, de voluntariado e profissionalismo com a satisfação de contribuir para a segurança das pessoas e bens da nossa sociedade.

 

Como foi o seu percurso na GNR e quais as cidades onde exerceu funções?

Foram 35 anos ao serviço da sociedade, desde o Posto de Tenente Miliciano a Coronel, com dois momentos importantes e mais longos, durante 10 anos cada, como Comandante de Secção em Santa Comba Dão e Gouveia. Como adjunto do Comandante da Companhia de Aveiro, até a cidade de Coimbra, como oficial de Logística do Batalhão/Brigada Territorial de Coimbra, 2°. Comandante do Grupo Territorial da Guarda ou nos Serviços Sociais da GNR em Évora, como eu lhe chamei as minhas “Campanhas no Alentejo”, sobressaem ainda as funções de Chefe Administrativo no Centro Clínico da GNR, em Lisboa, onde tive as mais prestigiantes condições de ser prestável ao militar da Guarda até terminar o meu serviço na GNR em Lisboa, na Inspeção da GNR, como Coronel.

Quero aqui referir que os momentos mais difíceis foram passados no Comando da GNR em Santa Comba Dão, entre abril de 1975 e novembro de 1984, com a herança de um passado recente de controversas ideologias relativas ao Homem natural da terra e à sua estátua, agravadas pela ingenuidade e falta de decisão dos nossos governantes da época num jogo de empurra de competências. Sobre isto muito haveria para revelar.

De Santa Comba Dão, resta-me a consolação de nessa altura ter nascido o segundo filho e de ter sido o eleitor n°. 1 daquela localidade. Tudo o resto, foi o cumprimento de um dever profissional.

 

Como vê, na atualidade, o papel desta força de segurança e a formação dos seus elementos?

A Guarda tem evoluído bastante e com esmerado cuidado na formação dos seus militares para terem possibilidades de cumprirem exemplarmente ao serviço da nossa sociedade. Contudo, no meu entender, o antigo militar da Guarda era possuidor de outras caraterísticas que o destacavam como melhor agente da autoridade. Entretanto, as dificuldades e exigências prevalecem e amentaram com a chegada da democracia. Assim, podemos aqui recordar um velho slogan do Comando-Geral da GNR, Gen. Passos de Esmeriz na conduta do militar da Guarda: “Isenção, correção e imparcialidade”.

 

Este ano, e pela primeira vez, houve elementos no seio da GNR que chegaram ao posto de general. O que significa para a corporação esta mudança ao nível das mais altas chefias?

Este era um desejo que começou em meados do ano de 1973 com a criação própria dos oficiais da GNR que durou quase 17 anos para se aceder ao posto de Tenente-Coronel e, passado pouco tempo, ao de Coronel.

Com a situação de admissão de oficiais da Guarda serem através da Academia Militar a ascensão ao Posto de General ficou facilitada. O quadro de oficiais generais da Guarda que até agora era preenchido por generais do Exército, trará mais benefícios do que incertezas, facilmente de compreender e assegurar, pois, serão oficiais de carreira da GNR.

 

A longo dos últimos anos, e pelo que temos verificado, tem aumentado os seus apontamentos sobre a região, a sua história. Sobre o que gosta mais de escrever?

E com gosto e até como passatempo que me dedico a esta tarefa de observar, estudar e divulgar o nosso património cultural e natural, não só através da fotografia, mas essencialmente enriquecida por pesquisa de documentação escrita. É um valor inestimável revelarmos o que de histórico nos deixaram os nossos antepassados e dar a conhecer o que temos de bom e de valores, sobretudo das regiões por onde vou passando, principalmente, da nossa região.

Faço-o espontaneamente!

 

E para quando uma publicação que possa reunir o trabalho disperso?

Isso é mais complicado, mas tenho a esperança que um dia acontecerá, o que poderá surgir de um momento para o outro. Esse é um desejo que ao ser concretizado, me trará uma satisfação plena de ter contribuído para a divulgação e enriquecimento da nossa região.

Paisagem - JP Trabulo.jpg

Tem vindo, sobretudo numa rede social, a divulgar fotos de várias terras, monumentos e paisagens do distrito. Quando começou o gosto pela fotografia?

Sou um perfeito amador, mas o gosto pela fotografia vem da à longa data, especificamente, desde 1968. Ao longo dos anos, tem aumentado desde a data em que me reformei. Procuro que as minhas modestas fotografias tenham voz e transmitam implicitamente uma mensagem para além de como vejo a captação de um motivo por mais insignificante que ele seja. O resto é produto da objetiva e de quem as observa.

 

Falando ainda de fotografia, as flores têm merecido a sua atenção. Recentemente fazia um apontamento sobre o acanto, uma espécie exótica em Portugal? Acha que esta é uma vertente a explorar de forma a sensibilizar as pessoas para as plantas da região?

Vejo que tem acompanhado as minhas atividades que agradeço. As flores são a expressão nítida e sincera do que nos vai na alma, mas a beleza da natureza possibilita-nos ainda realizar e adquirir conhecimentos com mais facilidade. Procuro enriquecer as minhas fotos acompanhadas de texto com o intuito de explicar o que vejo.

 

Sendo um profundo conhecedor da região, o que destaca como locais de maior interesse turístico, sítios e locais com potencialidades de maior rentabilização e circuitos turísticos a implementar?

São tantos e espetaculares que será um pouco difícil optar ou sugerir um deles. O nosso Distrito e o País são tão ricos em beleza e potencialidades, pelo que o melhor é percorrê-los ao sabor dos ventos e de improviso, e depois revê-los numa segunda oportunidade.

Deixo essa sugestão para quem tem o dever e a obrigação de os divulgar, as nossas Autarquias.

Cruzeiro - JP Trabulo .jpg

O património histórico-cultural no distrito tem sido devidamente valorizado e salvaguardado?

É merecedor de ser tratado e preservado com mais cuidado, entristece-me quando verifico que caiu num estado de abandono e ruína e o não se fazer nada, ficamos cada vez mais pobres.

 

Sendo utilizador regular das redes sociais que importância e virtualidades lhe atribui?

As redes sociais são muito perigosas, principalmente quando o seu utilizador não é responsável pelo que expressa ou divulga desde que não tenha um alto sentido de verdade e, isto a não acontecer, pode se tornar-se numa “faca de dois gumes” ou então o “boato é uma lâmina que fere ou mata".

Temos que ter muito cuidado em não especular ou transmitir fatores errados ou já ultrapassados para não induzir as pessoas em erro e alarmismos.

Trabulo.jpg

Está satisfeito com as reações feitas às suas publicações?

Claro que sim é essa a minha intenção de procurar contribuir com algo de bom por mais simples que seja, valorizando-o com a sua divulgação. É para isto que as posto.

 

Para concluirmos, o que significa para si a cidade da Guarda?

“É-me tudo na vida…” Foi por assim dizer o início da minha vida militar conjugada com o início da vida familiar, motivos fortes de sentimentos e apreço pelos quais nunca esquecerei esta cidade.

A Guarda é uma golfada de ar puro que nos dá força para viver. Aqui granjeie muitos amigos e aqui vivi momentos inesquecíveis da minha vida.

 

 

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publicado às 00:05

(Re)visitar a Guarda...

por Correio da Guarda, em 23.05.21

Porta da ERVA - HS.jpg

 

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publicado às 22:38

Uma prolongada agonia…

por Correio da Guarda, em 20.05.21

 

O dia 18 de maio de 1907 constituiu uma das mais imponentes jornadas festivas da Guarda, marcada por um expressivo envolvimento coletivo que importa recordar a propósito da passagem (nesta última terça-feira), do 114º aniversário da inauguração do Sanatório Sousa Martins.

Nesse longínquo dia de 1907 abriu-se um novo período da história citadina; se, por um lado, a Guarda ficou dotada com um moderno Hospital, tutelado pela Misericórdia, por outro iniciou, através do Sanatório, uma eminente atividade médica e assistencial que colocou a cidade mais alta de Portugal nos roteiros internacionais das estruturas de saúde vocacionadas para o combate à tuberculose.

O fluxo de tuberculosos superou, largamente, as previsões, fazendo com que os edifícios do Sanatório Sousa Martins se tornassem insuficientes perante a procura; este era aconselhado a todos quantos sofriam de “tuberculose pulmonar, anemia, fraqueza organica, impaludismo, etc.”, como noticiava a imprensa local.

O impacto económico e cultural destas duas instituições (Sanatório Sousa Martins e do Hospital da Misericórdia da Guarda, a que seria atribuído o nome do então Provedor, Dr. Francisco dos Prazeres) fez-se sentir ao longo de várias décadas, como tem sido reconhecido e evidenciado em vários trabalhos.

Na cidade conjugaram-se, nessa época, uma série de fatores que viabilizaram a concretização do sonho de alguns, alicerçado numa sólida determinação e na multiplicidade de atos solidários, apesar dos circunstancialismos político-sociais do Portugal do início do século XX.

É interessante verificar o tácito entendimento entre representantes de diferentes posturas ideológicas em função do momento festivo que a cidade ia viver, tanto mais que o ato inaugural destas unidades de saúde era engrandecido com a presença do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia. A Guarda, como foi afirmado na imprensa local, não podia abdicar dos seus pergaminhos de cidade fidalga e hospitaleira.

A inauguração (inicialmente prevista para 28 de abril e depois para 11 de Maio) dos três pavilhões que integravam o Sanatório ocorreu a 18 de maio de 1907, com a presença do rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia que materializou nesta instituição de tratamento da tuberculose a homenagem a Sousa Martins, atribuindo-lhe o nome daquele clínico, cuja ação e dinamismo ela tinha já evocado numa intervenção pública, no seio da Associação Nacional aos Tuberculosos, realizada em 1889.

Aos dezoito dias do mês de Maio de mil novecentos e sete, num dos edifícios recentemente construídos no reduto da antiga Quinta do Chafariz, situada à beira da estrada número cinquenta e cinco, nos subúrbios da cidade da Guarda, estando presentes Sua Majestade a Rainha Senhora Dona Amélia (...), procedeu-se à solenidade da abertura da primeira parte dos edifícios do Sanatório Sousa Martins e da inauguração deste estabelecimento da Assistência Nacional aos Tuberculosos, fundada e presidida pela mesma Augusta Senhora (...)”. Assim ficou escrito no auto que certificou a cerimónia inaugural da referida estância de saúde.

O jornal A Guarda, num texto intitulado “A inauguração do Sanatório Souza Martins – impressões d’um forasteiro” relatou que D. António de Lencastre começou por ler “o seu relatório. Não se ouve quasi nada. Só se sabe que cita Hipocrates e elogia Souza Martins. O discurso tem todo o ar d’um relatório. Vê-se que está escrito à machina em quatro folhas de papel branco. Ha numeros à mistura (...) Vem depois Lopo de Carvalho, cuja voz também sumida não nos deixa ouvir bem” todo o seu discurso.

Nesse mesmo dia, cerca das 15 horas, o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia foram inaugurar o novo edifício do Hospital da Misericórdia da Guarda, na atual rua Dr. Francisco dos Prazeres. Na capela da nova unidade hospitalar, teve lugar a cerimónia da bênção do edifício, pelo Arcebispo-Bispo da Guarda, “seguindo os monarcas para a enfermaria dos homens onde o sr. Provedor na presença de numerosa assistencia leu um bem elaborado relatório sobre a construcção das obras do novo hospital”.

Sanatório - Pavilhão D. António de Lencastre -

Hoje, o estado de abandono e degradação dos antigos pavilhões do Sanatório Sousa Martins não dignifica uma cidade que se quer afirmar pela história e anseia ser capital europeia da Cultura. Tal como aconteceu da data festiva atrás referida, é urgente uma união de esforço e a procura dos melhores planos no sentido de serem recuperados, salvaguardados e utilizados esses edifícios seculares.

Anotar a passagem dos 114 anos após a inauguração do Sanatório Sousa Martins não é cair em exercício de memória ritualista, mas apelar – uma vez mais – para a preservação do património físico de uma instituição, indissociável da História da Medicina Portuguesa, da solidariedade social, da cultura (pelos projetos que criou e desenvolveu) e da radiodifusão sonora portuguesa (na Guarda continua a emitir a Rádio Altitude, a mais antiga emissora local no nosso país); serve também para recordar o historial de uma instituição que continua a ter no Hospital Sousa Martins uma sequência assistencial e referência evidente nestes tempos de pandemia

O Parque da Saúde da Guarda não pode continuar a ter no seu seio uma memória agonizante de um Sanatório que constitui um incontornável ex-libris da nossa cidade. (Hélder Sequeira)

 

In "O Interior", 20/5/2021

 

 

 

 

 

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publicado às 12:47

Para além do calendário...

por Correio da Guarda, em 25.04.21

 

O dia 25 de Abril está indelevelmente ligado à Liberdade e à Democracia. Entre estes marcos estão enquadradas importantes conquistas, valores e direitos que, durante décadas, estiveram submersos na prepotência de um regime totalitário.

Eleições livres, liberdade de expressão, poder local, liberdade de imprensa: toda uma terminologia que floresceu numa manhã de Abril, em 1974. Esta data representa um importante facto na História portuguesa contemporânea; a sua dimensão, contudo, não foi apreendida, por muitos, em toda a sua globalidade; noutros casos, as políticas e estratégias seguidas, os oportunismos registados contribuíram para um progressivo esmorecimento dos ideais proclamados, acentuarm um distanciamento de camadas sociais, traídas nas suas convicções e esquecidas nas suas realidades e anseios.

cravo.jpg

 

Consequentemente, o significado desta data foi-se afastando do pensamento e da prática quotidiana, pautada por outros padrões, comportamentos e atitudes; um quadro que não é original na história da nação...

Um facto histórico, complexo por natureza, desdobra-se em várias facetas, onde se entrelaçam aspetos políticos, económicos e sociais, refletindo a sua análise um cunho tanto mais acentuado quanto o seu enquadramento seja feito em termos de conjuntura ou estrutura.

Quarenta e sete anos após Abril de 1974, importa reter os ideais que animaram um movimento depressa convertido à escala nacional e abraçado por um sentir bem português, numa doação a que só a gente lusa se sabe entregar; sem se cristalizarem ideologias, dogmas ou extremismos. É fundamental que se apreenda o verdadeiro significado desta data, de forma a refleti-lo, a projetá-lo no presente, com o pensamento no futuro.

Abril foi o abrir de uma porta para o presente e para um Portugal europeu; interrogar o passado permitirá uma melhor compreensão do presente e permitirá aferir o rumo certo, as estratégias necessárias, as melhores soluções.  .

Evocarmos a data de 25 de Abril de 1974 é assumirmos, individual e coletivamente, os deveres que nos inspiram a democracia e a liberdade, sem nos circunscrevermos apenas a dias assinalados no calendário...

H.S.

 

 

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publicado às 12:25

A propósito de José Augusto de Castro

por Correio da Guarda, em 22.01.21

 

É como um Santuário, a Guarda. Vêm aí acolher-se milhares de crentes da Religião da Esperança, pedindo o restabelecimento da saúde e da vida; a volta do seu sonho interrompido”. Escrevia José Augusto de Castro, no início do século passado, a propósito desta cidade e do seu Sanatório, que foi uma referência nacional.

Evocamos esta figura guardense a propósito da passagem do 159º aniversário do seu nascimento, a 22 de janeiro. Natural do concelho da Meda, concretamente da freguesia da Prova, José Augusto de Castro nasceu em1862 e foi a uma das principais figuras republicanas da Guarda

Durante a meninice aprendeu com o seu progenitor o ofício de alfaiate, profissão que lhe granjeou o sustento, a par do apoio à família, quando – com apenas 14 anos – foi para o Porto. Nessa cidade, fruto dos contactos que manteve, e do ambiente político que se vivia, foi crescendo a sua simpatia e interesse pela causa republicana.

Em 1886 José Augusto de Castro voltou para junto da família, que residia, então, na aldeia do Vale (Meda), mas ali ficou por pouco tempo; decidiu partir para o Brasil, onde estava estabelecido o seu irmão mais velho. Os seus primeiros trabalhos jornalísticos são escritos na Baía, cidade onde singrou no ramo comercial.

Atingido pela tuberculose veio para a Guarda. “A crueldade do Destino não impediu que me envolvesse a bondade de amigos de nobilíssimo coração, a começar pelo Dr. Lopo de Carvalho, o ilustre médico, especialista da tuberculose, que tomou a peito arrancar-me da garra dilaceradora doença temerosa”. Grato ficou também ao Dr. Amândio Paul, segundo diretor do Sanatório Sousa Martins.

Este foi um período que o marcou profundamente, dele tendo ficado numerosas referências na sua produção literária. Na Guarda fundou, em 1904, “O Combate”; este jornal (que dirigiu até 1931) consubstancia a sua personalidade, o ideal republicano, o espírito combativo e a expressividade da sua escrita.

José Augusto de Castro - diretor de O Combate.jpg

Tendo desempenhado as funções de Secretário da Câmara Municipal da Guarda (a par de outras atividades nesta cidade), José Augusto de Castro, após deixar de dirigir aquela publicação periódica, foi viver mais tarde para Coimbra, onde morreu a 13 de maio de 1942. Os seus restos mortais foram transladados, em setembro do ano seguinte, para a Guarda, a cidade que ele sempre distinguiu. “Outras terras mais lindas há, de certo…/Porém nenhuma fica assim tão perto/ do puro azul do céu de Portugal”.

Anotando, assim, uma efeméride, concluiremos dizendo que mesmo em tempo de céu cinzento e de enormes preocupações não devemos perder a serenidade, capacidade reivindicativa e o sentido das nossas responsabilidades, consentâneas com a gratidão para quantos pensaram, executaram e fizeram da Guarda a cidade da saúde.

É importante a salvaguarda da memória dos profissionais de saúde que trabalharam no Sanatório Sousa Martins, mas também é justo honrar e homenagear – pensando o futuro, melhores condições, a preservação e o aproveitamento adequado das estruturas físicas – todos quantos hoje estão na linha da frente na atual luta contra a pandemia, trabalhando até à exaustão…

Hoje mais do que nunca é fundamental a cooperação de todos, para ultrapassarmos os problemas do presente, prepararmos (sem demagogia) o futuro da Guarda, recuperarmos o “sonho interrompido”. (Hélder Sequeira) 

 

 

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publicado às 12:50


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