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"Suspiro" no Museu da Eletricidade

por Correio da Guarda, em 11.08.21

 

A Companhia de Espetáculos “VOZES EM ½ PONTA” apresentará no Museu Natural da Eletricidade (Seia), no próximo sábado, 14 de agosto, a performance “Suspiro”. A atuação, que terá lugar a partir das 18 horas, marca o regresso dos artistas da Companhia aos palcos e insere-se no programa “Verão em Seia”, promovido pelo Município de Seia.

Com produção, encenação e coreografia de Vanessa Silva, “Suspiro” inspira-se em sentimentos de nostalgia, tristeza e saudade, numa homenagem à comunidade emigrante da região.

As vivências de quem está fora e anseia voltar às origens servem, assim, de mote a uma interpretação repleta de alma e emoção, que engloba elementos de dança, música e teatro.

Vanessa Silva, coordenadora da Companhia de Espetáculos VOZES EM ½ PONTA, explica que “esta é uma performance muito especial, pois marca não só o nosso regresso aos palcos, mas também o regresso de muitos emigrantes ao concelho de Seia, neste mês de agosto. O “Suspiro” é o tempo que nos traz de volta e nos faz retomar, e estamos muito felizes por poder partilhar este momento com a comunidade local, especialmente os emigrantes que voltam agora a casa”.

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Com composições musicais exclusivamente em português, dos Madredeus, Mariza e Pedro Abrunhosa, a performance promete envolver o público num emocionante regresso às origens.

O icónico Museu Natural da Eletricidade, na Senhora do Desterro, em São Romão, servirá de cenário à atuação, que é aberta ao público, com entrada gratuita.

“Verão em Seia” é uma iniciativa da Câmara Municipal de Seia, que oferece à comunidade do concelho um programa cultural e artístico, em vários pontos históricos e emblemáticos da cidade, durante todo o mês de agosto.

 

Sobre a Companhia

 

Fundada a 3 de dezembro de 2019, em São Romão, Seia, a Companhia de Espetáculos VOZES EM ½ PONTA surgiu com o intuito de organizar e produzir Musicais de cariz profissional, promovendo a partilha cultural e artística junto da comunidade.

O projeto veio responder à procura de novos estímulos e profissionalização do quadro de alunos de VOZES EM ½ PONTA e potenciais candidatos, resgatando e desenvolvendo as competências dos melhores talentos da região.

Com coordenação de Vanessa Silva, fundadora e mentora da Companhia, conta atualmente com 14 artistas, que desenvolvem a sua formação em Teatro Musical, através das componentes de canto, dança e representação.

 

 

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publicado às 22:02

Circo e dança contemporânea ao interior

por Correio da Guarda, em 29.06.21

 

 

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A Rede Interior vai levar a cena dezenas de espetáculos itinerantes ao ar livre onde a poesia visual está em destaque com o novo circo e a dança contemporânea.

No cruzamento da palavra, da ligação do novo circo com a dança contemporânea e as novas linguagens artísticas "existe um projeto que unifica todo o conceito de itinerância e descentralização cultural em espaços de elevado valor patrimonial e histórico", no interior de Portugal. Os 14 espetáculos que integram a Rede Interior começam a entrar em cena no início de julho.

A identidade com o território no âmbito do qual cada espetáculo é levado a cena, reflete o objetivo central da Rede Interior - desenvolver uma programação artística e cultural perfeitamente integrada num território abrangente constituído pelos Municípios de Belmonte, Covilhã, Fornos de Algodres, Fundão, Gouveia, Manteigas e Seia. Promover e valorizar o património histórico-cultural e sensibilizar a comunidade a participar ativamente na afirmação destes territórios através da Cultura é o principal objetivo.

Será entre castelos, anfiteatros ao ar livre, jardins, praças, largos e mercados que a companhia profissional da Covilhã – ASTA, numa coprodução com a Erva Daninha, companhia portuguesa, e mais 3 companhias de Espanha e uma de Itália, leva a cena e ao ar livre vários espetáculos itinerantes de novo circo, dança contemporânea, teatro, acrobacia, ilusionismo e equilibrismo. Entre os meses de julho e agosto será possível assistir a um vasto corpo artístico pautado por espetáculos verdadeiramente identificativos da cultura e tradições de cada local, por forma a que o público e as gentes da terra se sintam representados.

O primeiro espetáculo integrado na Rede Interior, “Cântico Negro”, acontece já a 1 de julho (quinta-feira) no mercado municipal da Covilhã, pelas 21h30. Trata-se de uma coprodução da ASTA com o TeatrUBI, que se inscreve na linha de cruzamentos artísticos entre a dança contemporânea e o teatro numa dramaturgia que nos inquieta. Fala-nos do amor e das relações, do que se (não) sente. A mesma peça segue em itinerância pela cobertura da praça municipal de Manteigas (17 de julho, às 22h); pelo largo da Câmara de Seia (24 de julho às 22h), pelo largo da Misericórdia de Fornos de Algodres (31 de julho às 21h30) e pelo Castelo de Belmonte (20 de agosto às 22h).

“Dolce Salto” da companhia italiana Circo Carpa Diem apresenta-se com uma linguagem de clown misturada com acrobacias aéreas em mastro chinês e monociclo e, tem como pano de fundo uma tradição há muito arreigada no território – o fabrico tradicional do pão tão identitário das aldeias e das populações que se reúnem em torno dos fornos comunitários. “Dolce Salto” segue em itinerância pela Praça do Município da Covilhã (3 de julho às 21h) e pelo Parque Verde do Fundão (13 agosto às 22h).

A 10 de Julho, é em plena ambiência mágica e intimista do anfiteatro da Cerca em Gouveia que acontece o espetáculo “Los Viajes de Bowa” da companhia espanhola La Gata Japonesa. Magia, equilibrismo, dança aérea, humor e poesia é assim que se pode definir a natureza deste espetáculo que nos remete para o imaginário infantil e nos leva pela obsessão de uma menina-mulher nómada que teima em descobrir o que afinal existe por trás das mensagens encerradas nas garrafas que são atiradas ao mar. Esta peça ruma para Manteigas (16 de julho às 22h) e Fornos de Algodres (30 de julho, às 21h30).

“Oyun” (jogo, em turco) estreia no Anfiteatro da Cerca em Gouveia dia 11 de julho. O espetáculo de circo contemporâneo da autoria do argentino Federico Menini (Companhia espanhola, El Fedito) acontece num espaço cénico único em que é montada uma cozinha tradicional. Malabarismo de tachos, panelas, canecas e outros utensílios facilmente identificativos de uma cozinha beirã, há um encontro e uma busca pela perfeição num espetáculo inovador, humorado, que consegue cruzar disciplinas artísticas tão diversas como a escultura, o desenho, a poesia visual, a música, o circo e o teatro.

“Por Um Fio” chega ao largo da Câmara Municipal de Seia a 23 de julho, às 22h00, e a 21 de agosto ruma à Praça das Descobertas em Belmonte, às 19h00. Trata-se de um espetáculo de novo circo da companhia Erva Daninha, em que dois intérpretes utilizam a acrobacia aérea como técnica para procurarem continuamente o equilíbrio entre dois corpos, num jogo constante de encontros e desencontros.

A 14 de agosto, será a vez do Parque Verde no Fundão receber pelas 22h o espetáculo de equilibrismo “La Madeja” de Irene de Paz, com forte reminiscência na narrativa da lã e da herança têxtil tão identitária do território das Beiras e Serra da Estrela.

Tem como objetivo desenvolver uma programação artística e cultural integrada no território constituído pelos Municípios de Belmonte, Covilhã, Fornos de Algodres, Fundão, Gouveia, Manteigas e Seia, com o intuito de promover e valorizar o património histórico-cultural e sensibilizar a comunidade a participar ativamente na afirmação destes territórios.

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Divulgar o património histórico-cultural e natural da região das Beiras e Serra da Estrela, potenciando o turismo e combatendo as assimetrias regionais no que concerne à realização de eventos de cariz contemporâneo no interior do país. A coordenação é da companhia ASTA – Teatro e Outras Artes, e os projetos artísticos vão ao encontro da identidade, da cultura e da história do território “Rede Interior”, demonstrando o que une e o que diferencia os 7 Municípios desta rede cultural. 3

O Projeto Rede Interior tem como entidade líder executora a ASTA – Teatro e Outras Artes, e como entidades parceiras não executoras, os Municípios de Belmonte, Covilhã, Fornos de Algodres, Fundão, Gouveia, Manteigas e Seia. Projeto cofinanciado pelo Centro2020, Portugal 2020 e União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

 

 

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publicado às 08:15

Abel Virgílio: a Guarda é uma cidade inesquecível

por Correio da Guarda, em 24.05.21

 

 

Natural de Pinhel, Abel Virgílio viveu vários anos na Guarda, cidade que considera “com forte apego, ao longo dos séculos, ao nobre sentimento da nossa portugalidade”. A vida militar, o jornalismo e a rádio são páginas de uma vida plenamente assumida, onde a sua atividade principal e vocacional – como disse ao CORREIO DA GUARDA – foi sempre o ensino. Lecionou alunos dos vários graus de ensino desde, 1963 até 1978, ano em que passou a exercer funções pedagógico-administrativas na coordenação do ensino da Embaixada de Portugal em França. Ingressou em 1989 na Inspeção-Geral da Educação, onde manteve, até à sua aposentação, “uma atividade inspetiva a escolas e instituições públicas e privadas de todos os graus do ensino.”

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O que representa para si a Guarda?

A Guarda representa no meu espírito e na minha cultura uma cidade do interior do país com vasta história e imenso património artístico, no qual se salienta o seu ex-libris: a sé catedral, cabeça duma diocese multisecular.

Foi e é uma cidade altaneira, de montanha, granítica, com uma grande identidade das suas gentes e daqueles, como eu, que por lá viveram, na defesa dos seus valores e património ancestrais e na sua divulgação na diáspora, no estrangeiro.

Foi e é uma cidade, - honra lhe seja, - com forte apego, ao longo dos séculos, ao nobre sentimento da nossa portugalidade, mesmo se situada às portas de Castela-Leão.

Foi e é uma cidade da simbiose afetiva perfeita entre a sua academia, os militares do seu aquartelamento, os seus clérigos, as suas forças vivas, o seu bom povo.

Enfim, a Guarda deixou em nós todos uma forte ligação e empatia, porque nela vivemos respirando um espírito de tolerância, hospitalidade e compreensão.

Foi uma cidade inesquecível no meu itinerário de vida: lá namorei, lá casei, lá nasceram os meus dois filhos e lá estão sepultados os meus sogros.

 

Quando é que veio para a Guarda?

A primeira vez que subi à Guarda, ido da minha terra natal (Pinhel), foi no distante ano de 1954 para, no Liceu, prestar provas do exame de admissão. Recordo que fiquei alojado numa casa da rua dos Cavaleiros, ali bem perto da Sé e do Liceu, e pude deslumbrar-me com a imponência dos dois.

A partir dali passei a ir bastas vezes à Guarda, mas fixei-me em agosto de 1961, iniciando a preparação para o acesso à Escola do Magistério Primário, uma das mais conceituadas do país, que frequentei até finais de julho de 1963.

Mais tarde, em julho de 1967, regressei como oficial miliciano instalando-me no Regimento de Infantaria 12 onde permaneci até abril de 1970. Neste ano casei com uma guardense e por lá continuámos até ao início de novembro de 1975.

 

Como carateriza a cidade e a juventude dessa época?

Nesses tempos, a Guarda era o farol cultural das Beiras: tinha um ensino liceal público completo, uma escola do magistério muito prestigiada, uma escola comercial e industrial com cursos diversificados, um seminário maior com bastantes seminaristas e dois colégios católicos (um masculino e um feminino).

Neste âmbito rivalizava com as cidades vizinhas (a Covilhã, por exemplo, só possuía cinco anos do ensino público liceal).

Nesse tempo, a juventude da Guarda, saída de meios familiares relativamente pobres, era feliz e idealizava sonhos e realizava projetos para o futuro. Mas, a marca fundamental que ficou em nós todos foi a da amizade, da fraternidade e da solidariedade que nos continua a ligar ao longo da vida, decorridos já tantos anos.

 

O que tinha, então, a Guarda para oferecer aos jovens?

A Guarda oferecia aos jovens uma hospitalidade invulgar. As casas/pensões que nos acolhiam tratavam-nos como sendo da família. Num dos anos letivos eu estive alojado, no chamado largo João de Deus ou dos Correios, na casa da D. Cândida Mota (onde também esteve o antigo procurador-geral Pinto Monteiro e outros) e no seguinte, ao lado, na casa dos pais do saudoso companheiro Pedro Evangelista. Mas, fosse nos cafés, que nos tiravam do frio nas noites de inverno, fosse nas sessões do cine-teatro, fosse nas ruas geladas da cidade, tínhamos sempre o sorriso generoso e bom dos guardenses com uma saudação amiga para a “estudantada”.

Além disso, a academia da Guarda, com o uso coimbrão da capa e batina, tinha a particularidade de “oferecer” os seus caloiros uma praxe, ritual que os praxados não esqueceram nunca mais.

Ah! O que também a Guarda oferecia aos jovens eram a neve, o sincelo e o vento cieiro nos dias do inverno, imagens de marca de um tempo que nunca esqueci.

 

Quais as personalidades mais marcantes dessa época?

Nessa época a Guarda beneficiava do facto de ter em Lisboa, personalidades bairristas de relevo: o dr. João de Almeida, o dr. Soares da Fonseca, o professor dr. Veiga Simão (que viria a ser ministro da Educação no consulado de Marcelo Caetano), o dr. Augusto César de Carvalho, Prof. Dr. Fernando Carvalho Rodrigues e muitos mais.

Mas na Guarda, no meu tempo, as figuras mais marcantes eram os bispos da diocese, os governadores civis, os presidentes do Município, os professores dos estabelecimentos de ensino e os altos quadros do regimento, da medicina, da justiça, da indústria e dos serviços públicos.

Não poderei deixar de mencionar os bispos dos meus tempos da Guarda: D. Domingos Gonçalves, D. Policarpo da Costa Vaz, e mais recentemente essa eminente figura da igreja, o cardeal Saraiva Martins. E oradores sagrados de grande renome e prestígio, tais como o dr. Vitor Feytor Pinto e Afonso Sanches de Carvalho. Como governadores civis recordo os drs. Augusto César de Carvalho, Santos Júnior, Luis de Almeida, Mário Bento e Andrade Pereira. Como autarcas os drs. Lopes Quadrado e Aristides Prata. Como militares comandantes do R.I.12 os coronéis José Maria Vieira Abrunhosa, Jorge Inglês P. de Carvalho e Jorge Pereira de Carvalho. Como causídicos os drs. João Gomes, Francisco Bigote, Celínio Antunes, Andrade Pereira, Pires da Fonseca. Como médicos os drs. Martins Queirós, Silvano Marques, António Júlio, Alberto Garcia, Sardo, Martins das Neves, Pereira da Silva, Afonso Paiva, Orlindo Teles, Baeta de Campos, etc. Os professores que impulsionaram a nossa juventude para a vida ativa, e que se distinguiram até a nível nacional, tais como os drs. Abílio Bonito Perfeito, Costa Ramalho, Manuel Jorge Proença, Armando Saraiva de Melo, cónego Álvaro Quintalo, Beatriz Salvador, Maria Alice Quintela, Fernanda Cardinal, etc. etc. No tecido empresarial surgiam à cabeça Manuel Conde, a família Tavares, Lúcio Romão, e outros.

 

Como começou a sua ligação à imprensa regional e nacional? E que tipo de colaboração desenvolveu?

A minha ligação à imprensa regional iniciou-se em 1959, com apenas 15 anos.

Ao verificar que o campo de futebol municipal Astolfo da Costa, em Pinhel, servia simultaneamente para o desporto local e para a realização de feiras de gado, insurgi-me com tal atropelo sanitário e escrevi um artigo crítico que entreguei ao meu saudoso amigo Madeira Grilo, que então era, conjuntamente com Virgílio Afonso, um dos chefes da redação do semanário “Correio da Beira”.

O artigo foi publicado, e no seguimento dele tive o convite desses dois amigos para ser o correspondente do Jornal em Pinhel. Simultaneamente, também o abade de Pinhel, diretor do “Pinhel Falcão” me convidou para ser colunista neste mensário católico da cidade.

Mais tarde, em 1967, passei a ser correspondente em Pinhel do “Diário de Coimbra” e, depois, na Guarda do “Jornal de Notícias”. Pela mão do cónego Sanches de Carvalho passei a ser, além do correspondente do Jornal “A Guarda” em Pinhel, também seu editor da página desportiva e revisor de todo o Jornal antes de ser impresso. Logo que passei a colaborar no Jornal “A Guarda” abandonei a correspondência com o “Correio da Beira”.

Durante o serviço militar no R.I.12 recriei e editei o jornal regimental chamado “Fronteiros da Beira”. Mantive a colaboração com a imprensa escrita até à minha partida para França, em finais de 1975. Depois do meu regresso, em 1989, apenas continuei como colunista permanente no jornal “Pinhel Falcão”, publicando sob o pseudónimo de Eneida Beirão, até pouco depois do falecimento em 2015, do meu saudoso amigo e seu diretor Maia Caetano.

 

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E a ligação à Rádio e quais os companheiros que recorda?

Em 1967, quando cheguei ao quartel da Guarda, fui convidado pelo meu amigo Emílio Aragonez para com ele editar na Rádio Altitude um programa desportivo designado “Desporto Regional”, logo após a saída do programa dos saudosos amigos Madeira Grilo, Luís Coito e Luís Coutinho.

Acompanhávamos o desporto regional nos três distritos da Beira interior, mas com maior incidência no da Guarda. Dessa participação benévola mas dedicada recordo com imensa saudade o nosso diretor, dr. Martins Queirós, o nosso administrador A. Carvalhinho, e os companheiros inesquecíveis nessa genuína escola da rádio e alfobre de amizades: Antunes Ferreira, Vaz Júnior, Joaquim Pinheiro, Emílio Aragonez, António José Teixeira (atual diretor de informação da RTP), Joaquim Fonseca, Luís Coutinho, Luís Coito, Alcina Coito, Madeira Grilo, Lopes Craveiro, Helder Sequeira, Virgílio Ardérius, Maria José Trabulo, Fernando Bento, Vítor Santos, Luís Celínio, Rebelo de Oliveira, Francisco Carvalho, e tantos mais que contribuíram como uma família radialista para a dignificação, expansão e prestígio da mais antiga radio portuguesa. Alguns, infelizmente, já nos deixaram.

Além de inúmeras reportagens de exteriores de índole regionalista, política, social, cultural e religiosa que assegurei para a Rádio Altitude, também criei e dirigi, com os meus camaradas João Trabulo e Joaquim Fonseca, um programa semanal do Regimento militar “A voz do Doze”.

 

Tem na memória algum episódio, na Rádio, que gostasse de recordar?

Poderia aqui evocar os mais diversos episódios ocorridos nas transmissões que assegurávamos de vários pontos da região e do país, nuns tempos em que o sinal era levado aos estúdios através dos imponderáveis das linhas telefónicas dos CTT. Mas os episódios que me marcaram foram os relatos de futebol transmitidos a partir dos estádios de cidades como Portalegre, Castelo Branco, Covilhã, Viseu, Coimbra, Figueira da Foz, Gouveia, Seia, Lamego, Pinhel, Aveiro, Espinho, etc., etc.

Recordo que, quando fazíamos os relatos de futebol junto aos relvados dos estádios de algumas destas localidades, os espetadores da bola, que não sabiam como se faziam os relatos desportivos, cercavam-nos estupefactos e surpreendidos durante toda a emissão.

Também guardo memória das gravações que se faziam nas sedes dos concelhos, na época que antecedia o Natal, para se registarem as mensagens dos familiares dos militares que nesse tempo combatiam nas antigas colónias. Guardo a imagem de tanta gente anónima sénior que, de lágrimas nos olhos e saudades no coração, deixava no final das mensagens sempre a esperança num sentido “até ao teu regresso!”

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E as memórias sobre o R.I.12? A cidade perdeu muito com a extinção dessa unidade militar?

Tive o orgulho patriótico de durante cerca de três anos prestar serviço como oficial miliciano no velho R.I.12, aquartelado na Guarda. Apelido-o de “velho” porquanto foi descendente do terço de Chaves (1706) e herdeiro das tradições militares de unidades de grande prestígio no nosso país, por ações de resistência às invasões napoleónicas dos exércitos franceses no início do séc. XIX e por campanhas em África, na II guerra mundial e, depois, na guerra colonial.

O cumprimento do meu serviço militar obrigatório no R.I. 12 deixou-me algumas boas memórias, mormente na camaradagem e na amizade que construímos sob o lema do regimento “Firmes como rochas”.

A extinção da unidade militar deixou um vazio social e económico na cidade. Lembremos que o R.I. 12 proporcionava quatro turnos anuais de formação aos recrutas, e cada turno absorvia mais de 600 recrutas, provenientes na sua maioria da região norte do país.

Além desses, o pessoal do quadro permanente e milicianos somavam cerca de cem militares. Portanto, é fácil inferir o vultuoso investimento que a logística da unidade militar fazia no tecido empresarial da cidade e região, bem como os gastos que todos os militares, sem exceção, deixavam na habitação, no comércio e nos serviços locais.

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Acha que falta fazer a história do R.I.12?

Seria importante escrever em pormenor a história do R.I. 12, e, sobretudo, a história dos regimentos aquartelados na Guarda ao longo dos tempos: R. I. 34 e 2º Grupo de Metralhadoras (1911-26), Batalhão de Caçadores 7 (1814-16, depois 1939-61), Batalhão de Caçadores 29 (1840-42), Batalhão de Caçadores 4 (1842-43), Batalhão de Caçadores 1 (1844), e, finalmente o R.I. 12 (1846-1939 e, depois, de 1966 até à sua extinção.

Durante parte do tempo em que servi no R.I. 12, por decisão do então comandante coronel Jorge Inglês, fui incumbido de escrever dois opúsculos intitulados “Pequena história dum velho Regimento – O R.I.12” e “Relação dos comandantes efetivos do R.I. 12 (1706-1967)”. A pequena história resume sucintamente as unidades que precederam o R.I. 12, as suas origens, divisas e condecorações.

 

Qual foi o percurso da sua atividade profissional e o que gostou mais de fazer?

A minha atividade principal e vocacional foi sempre o ensino. Lecionei alunos dos vários graus de ensino desde 1963 até 1978.

A partir desse ano letivo passei a exercer funções pedagógico-administrativas na coordenação do ensino da Embaixada de Portugal em França, sob a tutela do Ministério da Educação e da conselheira cultural da Embaixada, em Paris.

Entre 1978 e 1989, no exercício dessas funções, percorri todo o território francês para diligenciar junto das várias Academias a criação de cursos de língua e cultura portuguesa.

Em 1989, quando regressei a Portugal, ficaram em França cerca de 550 professores a lecionar Português para mais de 55 mil alunos em escolas de toda a França. 

No ano letivo de 1989/90 ingressei na Inspeção-Geral da Educação, onde mantive, até à minha aposentação, uma atividade inspetiva a escolas e instituições públicas e privadas de todos os graus do ensino. 

Senti-me realizado no desempenho de todas as tarefas que envolveram alunos e colegas professores e inspetores, mas um dos momentos altos da minha carreira profissional ocorreu no dia de Portugal de 1981 quando me foi atribuída pelo presidente Ramalho Eanes, sob proposta do ministro da Educação Vítor Crespo, a condecoração do grau de oficial da instrução pública.

 

Acompanha o que se passa atualmente na Guarda?

Sim. Pelas razões atrás aduzidas acompanho à distância as atividades e eventos da Guarda através da comunicação social e dos relatos e comentários de familiares e amigos residentes.

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Como vê o estado atual da cidade?

Da Guarda da minha meninice e juventude até à atual cidade há um progresso enorme.

As auto estradas A 23, A 25 e IP2 desencravaram a região e ligaram-na mais facilmente ao litoral e aos grandes centros. A ferrovia, com as duas linhas (da Beira Alta e Baixa) em funcionamento pleno podem, no futuro, abrir mais perspetivas de desenvolvimento na Beira interior.

O Instituto Politécnico (que não existia no meu tempo) veio ser a locomotiva que fazia falta à juventude, tanto nacional como estrangeira, para sonhar e realizar projetos de vida e de futuro. O crescente número de alunos estrangeiros que procuram o I.P.G. para prosseguimento dos estudos revela bem o prestígio dos seus cursos superiores.

O turismo também é a mola impulsionadora da região serrana e mais será quando, além dos seus magníficos ares, dos seus monumentos e gastronomia, a Guarda lhes oferecer belas praias fluviais e passadiços na montanha. Na minha ótica, o porto seco na Guarda alavancará no futuro a indústria, o comércio e os transportes. Tudo isto é bom para melhorar o estado atual da Guarda.

 

E a candidatura da Guarda a capital europeia da cultura em 2027?

Aplaudo entusiasticamente a candidatura da Guarda a capital europeia da cultura 2027. Formulo votos para que a comissão, os municípios da região envolvidos, a comunicação social e as forças vivas trabalhem unidas nesse objetivo, que a ser conseguido, levará a Guarda para um patamar futuro de desenvolvimento e de imagem externa importantíssimos e duradoiros. Força Guarda!

 

 

 

 

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publicado às 00:36

Exposição na Rua do Comércio

por Correio da Guarda, em 15.05.21
 
O Dia Internacional dos Museus será assinalado, na próxima terça-feira, pelo Museu da Guarda através de  uma exposição  que envolverá diversas lojas instaladas na Rua do Comércio.
De acordo com a informação divulgada, a mostra intitula-se “O Museu sai à Rua do Comercio” e ficará patente entre 18 e 21 de maio.

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Nesta exposição vão estar em destaque algumas obras selecionadas do acervo do Museu, constituindo uma forma diferente de mostrar o património daquela instituição museológica guardense, promovendo outros caminhos de reflexão e observação de bens culturais, obras pictóricas e escultóricas.  A iniciativa terá uma sessão inaugural simbólica na terça, dia 18, às 15h00.
A edição de 2021 do  Dia Internacional dos Museus tem como tema “O futuro dos museus: recuperar e reimaginar”. 
 
 

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publicado às 12:00

Concerto do Dia da Europa na Guarda

por Correio da Guarda, em 08.05.21

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O primeiro concerto “Concerto do Dia da Europa” acontecerá amanhã, 9 de maio, na Sé Catedral da Guarda (pelas 16h30) com a Orquestra Filarmónica Portuguesa conduzida pelo maestro Osvaldo Ferreira e com a soprano Raquel Camarinha.

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Raquel Camarinha

Até novembro, os 15 municípios da Serra da Estrela e ainda os municípios de Foz Côa e Aguiar da Beira recebem vários concertos e músicos, entre os quais Júlio Resende, Rui Massena, Valéria Carvalho e IAN (finalistas do festival da canção RTP). Vão ainda estrear no CIMfonia as obras das compositoras Fátima Fonte e Ana Seara.

O CIMfonia é o primeiro grande evento de 2021 integrado nos projetos "Festival Cultural da Serra da Estrela, das Beiras e da Raia Histórica", que visam promover a itinerância cultural no território, dando assim continuidade à iniciativa “Cultura em Rede das Beiras e Serra da Estrela”, criada entre 15 municípios e a Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE).

Serão vários os músicos e artistas convidados a atuarem nos 15 municípios que compõem a CIM-BSE e nos dois municípios convidados, Vila Nova de Foz Côa e Aguiar da Beira.

De destacar as obras de Fátima Fonte e Ana Seara, encomendadas para o CIMfonia, e também a criação de obras que resultam da interação entre os artistas Rui Massena, IAN, Filipe Raposo, Júlio Resende e jovens músicos da bandas filarmónicas e escolas de música da região. Os artistas, a população local e as associações “são decisivos para criarmos uma primeira edição de sucesso do CIMfonia esperamos assim que esta e outras iniciativas estimulem novas ideias e a desejada transformação para as futuras gerações”, justifica o maestro e curador do CIMfonia, Osvaldo Ferreira.

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Osvaldo Ferreira

Sob a égide do “apelo do interior”, esta iniciativa pretende “através das artes, criar laços orgânicos com a terra, com o passado, na tentativa de proporcionar a melhoria da qualidade de vida nesta região”, concretiza Osvaldo Ferreira.

O CIMfonia está diretamente associado à candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura em 2027  e ao compromisso conjunto assumido por 18 parceiros: a CIM-BSE, os 15 Municípios da região das Beiras e Serra da Estrela e ainda os Municípios de Vila Nova de Foz Côa e de Aguiar da Beira na implementação de uma estratégia e plano de ação que contribua para fortalecer o posicionamento da candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura.

 

 

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publicado às 12:25

Américo Rodrigues tem novo livro de poesia

por Correio da Guarda, em 19.04.21

 

Américo Rodrigues tem editado um novo livro de poesia, intitulado “desmoronamento”, com a chancela das Edições Sr. Teste.

Esta obra, que reúne poemas recentes do autor, inclui desenhos de Maria Lino. De referir que foi feita também uma edição especial do livro que inclui, em cada exemplar, um desenho original da pintora e escultora.

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A coletânea de poemas de Américo Rodrigues integra-se na coleção “Fulgor Quotidiano”, em que estão representados autores como Kafka, Artaud, Hannah Arendt, Octavio Paz, Walter Benjamin, Bataille, Michaux, entre outros. Américo Rodrigues é o primeiro poeta vivo editado por aquela editora, que acaba também de lançar um livro de E.M. de Melo Castro, de quem o autor guardense era admirador.

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Face aos condicionalismos resultantes da atual pandemia a apresentação será feita no decorrer de uma conversa através da plataforma digital Zoom, hoje a partir das 19h30, com a participação dos editores, Américo Rodrigues, Eugénia Melo e Castro e Rui Torres.

Américo Rodrigues, atual diretor-geral das Artes, nasceu em 1961, tendo sido diretor do Teatro Municipal da Guarda (2005-2013) e coordenador da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (2005-2018)

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Actor, poeta sonoro e performer, Américo Rodrigues é autor de várias obras de poesia, crónica, teatro e literatura para crianças. “Na nuca”(1982), ”Lá fora: o segredo” (1986) “A estreia de outro gesto” (1989), “Património de afectos” (1995), “Vir ao nascedoiro e outras histórias (1996), “Instante exacto” (1997), “Despertar do funâmbulo” (2000), “O mundo dos outros”(2000), ”Até o anjo é da Guarda” (2000),“Panfleto contra a Guarda” (2002), “Uma pedra na mão” (2002), “Obra  completa – revista e aumentada” (2002), “O mal – a incrível estória do homem-macaco-português” (2003), “A tremenda importância do kazoo na evolução da consciência humana” (2003), ”Escatologia” (2003), “Os nomes da terra” (2003), “A fábrica de sais de rádio do Barracão (2005),  “Aorta Tocante” (2005), “O céu da boca” (2008),  “Escrevo-Risco” (2009) e “Cicatriz:ando” (2009) são alguns dos seus trabalhos. O seu último livro de poesia publicado foi "Arquivo Morto" (2017).

Coordenou os cadernos de poesia “Aquilo”, do boletim/revista “Oppidana”, foi co-diretor da revista “Boca de Incêndio”, coordenador da revista cultural “Praça Velha” e da coleção de cadernos “O fio da memória”. Fundou o Teatro Aquilo e também o Projéc~.

Colunista de vários jornais, recebeu o Prémio Gazeta de Jornalismo Regional e também o Prémio Nacional de Jornalismo Regional.

Em 2010 recebeu a medalha de mérito cultural atribuída pelo Ministério da Cultura.

Foi animador cultural na Casa de Cultura da Juventude da Guarda/FAOJ (desde 1979 até 1989) e na Câmara Municipal da Guarda (desde 1989), onde coordenou o Núcleo de Animação Cultural.

 

 

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Mostra de arte digital no TMG

por Correio da Guarda, em 13.04.21
 
 
O Teatro Municipal da Guarda (TMG) deverá reiniciar a sua atividade presencial no próximo dia 19 de abril, caso se concretize a terceira fase de desconfinamento.
A iniciativa que marca a reabertura é a mostra de arte digital: aMostra_v.0.1.
Esta atividade decorrerá de 22 a 28 de abril, reunindo  o trabalho de dez artistas locais, nacionais e internacionais e tem a curadoria de VJ ManuHell e Pushkhy, ambos com raízes artísticas na Guarda.
Devido às restrições impostas pelo estado de emergência, aMostra_v.0.1 está sujeita a marcações prévias para as sessões diárias: às 19h00 e às 20h30.
As visitas serão realizadas em pequenos grupos de 10 pessoas e têm a duração de 70 minutos. A entrada é gratuita. 

TMG . atividade.jpg

 

 

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Novo número da revista Praça Velha

por Correio da Guarda, em 11.12.20

 

No Auditório do Paço da Cultura/ Museu da Guarda terá lugar no dia 15 de dezembro, pelas 18 horas, o lançamento de mais um número da revista cultural “Praça Velha”.

O nº40 da revista, com a coordenação do Museu da Guarda, assinala os 150 anos do nascimento do escritor Augusto Gil. À sua vida e obra é dedicado o núcleo temático principal, que conta com as colaborações de Hélder Sequeira, Anabela Matias, Ana Margarida Fonseca, Luísa Antunes Paolinelli, Martim Ramos Vasco, Helena Rebelo e Victor Afonso.

pracavelha40.jpg

De acordo coma informação divulgada, "neste número especial, agregou-se ao bloco temático não só a grande entrevista a Ernesto Rodrigues, sobre o “Contexto histórico-cultural da geração de Augusto Gil”, como também, o Portfolio subordinado ao tópico “Memórias e evocações iconográficas de Augusto Gil”.

A secção Património e História reúne artigos de Ana Cristina Trindade, Augusto Moutinho Borges, José Eduardo Franco e José Maria Silva Rosa, António Marques, José António Quelhas Gaspar, Manuel Luiz Fernandes dos Santos, Francisco Manso, Aires Diniz, Salete Pinto e, finalmente, José P. da Cruz.

Além da inserção de um conto de Augusto Gil, o apartado Escrita Literária oferece uma narrativa de João Esteves Pinto e versos de Cristino Cortes, Carlos d’Abreu, Daniel Rocha e Carlos Adaixo. As recensões críticas de livros incluem as colaborações de Sara Teixeira, José Maria dos Santos Coelho, José Luís Lima Garcia, Agostinho Ferreira, Fernando Carmino Marques, António Oliveira, Júlio Salvador, Natércia Monteiro, Miguel de Gouveia Rebocho Esperança Pina, José Valbom, Manuel Ferreira, António José Dias de Almeida, Helena Rebelo, Gabriel Neto, Inês Costa e Tatiana Guedes da Fonseca.

 

Fonte: CMG

 

 

 

 

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publicado às 18:01

Morreu Eduardo Lourenço

por Correio da Guarda, em 01.12.20

 

Eduardo Lourenço faleceu esta manhã, em Lisboa. Filósofo, ensaísta e escritor nasceu em 23 de maio de 1923 em São Pedro do Rio Seco, Almeida.

Eduardo Lourenço - foto Helder Sequeira -.jpg

No seu percurso académico passou pelo Liceu Nacional da Guarda, cidade onde viria a gizar, em 1999, a criação do Centro de Estudos Ibéricos (CEI).

À Biblioteca Municipal, inaugurada a 27 de novembro de 2008, viria a ser atribuído o nome deste grande vulto da cultura portuguesa

A Câmara Municipal da Guarda, que manifesto “o seu profundo pesar pelo falecimento de Eduardo Lourenço de Faria” decretou um dia de luto municipal, o qual será cumprido amanhã, “com correspondente colocação da Bandeira do Município a meia haste” gesto que “simbolicamente visa enaltecer um dos ilustres nomes da nossa Cidade”.

O Primeiro-Ministro, António Costa, tinha também anunciado, durante a manhã de hoje, o cumprimento de um dia de luto nacional, quarta-feira.

O Presidente da República, num texto publicado no sítio da Presidência, referi que “Eduardo Lourenço foi, desde o início da segunda metade do século passado, o nosso mais importante ensaísta e crítico, o nosso mais destacado intelectual público.”

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “devemos-lhe algumas das leituras mais decisivas de Pessoa, que marcam um antes e um depois, e um envolvimento, muitas vezes heterodoxo, nas questões religiosas, filosóficas e ideológicas contemporâneas, do existencialismo ao cristianismo conciliar e à Revolução”.

Por outro lado, e citando o texto publicado, o Presidente da República acrescenta que “ninguém entre nós pensou a Europa e Portugal em conjunto, sem excecionalismos nem deslumbramentos, numa linha de fidelidade ao humanismo crítico de um dos seus mestres, Montaigne. E entre todos os intelectuais portugueses da sua envergadura, nenhum outro foi tão alheio à altivez, à autossatisfação, ao desdém intelectual, ao desinteresse pelas gerações seguintes.”

A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, classificou Eduardo Lourenço como “uma das mentes mais brilhantes deste país”.

Jorge Sampaio, ex-Presidente da República, definiu Eduardo Lourenço como “pensador das profundidades do ser e da existência, o cultor insigne das letras, das artes e da cultura, um grande humanista da contemporaneidade, para quem ser português era indissociável do ser europeu e vice-versa".

O Centro de Estudos Ibéricos, em nota publicada hoje, lamenta a perda do seu Diretor Honorífico e endereça sentidas condolências à família, perpetuando a memória deste intérprete maior da cultura ibérica e universal que marca o século XX português.”

Acrescenta ainda, que “expoente máximo do ensaísmo literário e cultural contemporâneo, Eduardo Lourenço foi unanimemente reconhecido no meio universitário com quatro Doutoramentos Honoris Causa e no meio cultural e social com a atribuição de vários prémios nacionais e internacionais, para além de condecorações do Estado Português, Francês e Espanhol, e de inúmeras homenagens.

Eduardo Lourenço e foto de Unamuno - foto Helder                                             Eduardo Lourenço, na Câmara da Guarda, vendo uma foto de Unamuno (foto HS)

 

Através do desafio da criação, na Guarda, em 1999, de um Instituto da Civilização Ibérica que unisse as duas Universidades mais antigas da Península (Coimbra e Salamanca), Eduardo Lourenço retornou simbolicamente à sua cidade como Diretor Honorífico do Centro de Estudos Ibéricos e como patrono da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, inaugurada em 2008 e que conta com grande parte do seu acervo literário.

O Centro de Estudos Ibéricos instituiu, em 2004, o Prémio Eduardo Lourenço, em homenagem ao seu mentor, patrono e Diretor Honorífico, destinado a galardoar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e cooperação ibéricas.”

 

 

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publicado às 17:28

Centro Cultural da Guarda: 58 anos

por Correio da Guarda, em 20.11.20

 

O Centro Cultural da Guarda completou, esta terça-feira (dia 17 de novembro), 58 anos. No atual contexto de emergência sanitária os atos comemorativos não podem ter a desejada expressão festiva, mas as palavras podem e devem assumir uma justa homenagem e evidenciar o orgulho que a cidade bem pode manifestar perante a existência e o historial desta instituição.

Centro Cultural da Guarda - foto Helder Sequeira.j

Evocando o passado, e para fazermos a ponte com o presente, recordemos – em breves notas – que na primeira metade do século XX o panorama cultural da Guarda passou por distintas fases, nas quais se evidenciaram o teatro e a música. Nesta última área sobressaíram os Orfeões Egitaniense e o Egitânia, bem como a Banda do Regimento de Infantaria 12 que animava as tardes de domingo na Praça Velha (Praça Luís de Camões) e, depois, no jardim José de Lemos, conhecido por Campo.

Em 1956 nasceu na Guarda uma delegação do Movimento Pró-Arte (organização lisboeta dedicada, essencialmente, à música) que despertou muito interesse nos meios intelectuais, propondo-se oferecer música de qualidade. O Montepio Egitaniense acolheu esta delegação, tendo sido criado um curso de música, destinado a todos os interessados.

Nessa altura, começou a germinar a ideia de uma nova estrutura vocacionada para a cultura. Como foi realçado, “a criação do Centro Cultural da Guarda foi um sonho lindo, tornado realidade por um grupo de guardenses apaixonados pela música, presididos e orientados pelo Dr. Mendes Fernandes e galvanizados pelo entusiasmo e persistência do Dr. Virgílio de Carvalho”.

Foi este grupo que, sensibilizando a direção do Montepio Egitaniense, passou a dispor de um salão onde promoveu audições musicais, abertas ao público, empenhando-se, igualmente, no desenvolvimento de uma ação formativa. A atividade da delegação da Pró-Arte não teve a continuidade desejada e surgiram alguns interregnos. Após um período de estagnação, em termos de atividade, os dinamizadores do referido núcleo cultural concluíram pela necessidade de uma estrutura que funcionasse como plataforma impulsionadora de projetos e incrementasse a formação musical. O Dr. Virgílio de Carvalho presidiu à Comissão Promotora do Centro Cultural.

Os estatutos do Centro Cultural da Guarda (CCG) foram apresentados, para a devida aprovação ministerial, em 17 de novembro de 1962; o despacho de aprovação foi exarado em 29 de janeiro de 1963, pelo Subsecretário de Estado da Educação Nacional.

A partir de 9 de Fevereiro, desse ano, foi iniciado o processo de inscrição de novos sócios, e distribuídos os inerentes formulários no Café Monteneve, Café Mondego, Leitaria Cristal e Pires & Casimiro, onde os interessados de deviam indicar o grupo ou seção em que pretendessem ingressar: grupo coral misto, grupo instrumental (seções de banda, orquestra ligeira e tuna), grupo cénico, grupo cultural e recreativo (seção de biblioteca, discoteca e cinema) e grupo folclórico.

A primeira assembleia geral da coletividade teve lugar a 2 de março de 1963 no salão nobre dos Paços do Concelho da Guarda; compareceram cinquenta e um associados, de um total de cerca de duzentos, já inscritos. “A noite não convidava a sair de casa mas os futuros sócios do Centro Cultural, jovens na maioria, e possuídos de entusiamo não condicionável pelo estado do tempo, cônscios dos deveres a cujo cumprimento se obrigaram no acto da inscrição, lá foram ao Salão Nobre dos Paços do Concelho reunir-se para eleição dos primeiros corpos gerentes, fixação da quota e breve troca de impressões. A reunião decorreu no melhor dos ambientes, dedicado inteiramente ao objectivo que lhe havia sido determinado”. Assim noticiou o semanário A Guarda.

No decorrer dessa assembleia foram eleitos os primeiros corpos gerentes, a partir de uma lista apresentada pela Comissão Promotora, da qual faziam parte o Pd. António Mendes Fernandes (que presidiu a esta reunião), Virgílio José Melo de Carvalho, Pd. Vitor Xavier Feytor Pinto, Manuel Valentim Dias Júnior, António Coelho Evangelista, José de Sousa Nunes da Fonseca, António Ferreira da Silva Milheiro, José de Campos de Carvalho e Alfeu Gonçalves Marques. O primeiro presidente da Assembleia Geral foi o Dr. José Afonso Sanches de Carvalho.

Aprovada a referida eleição, os corpos sociais do Centro Cultural da Guarda foram empossados em 24 de maio de 1963, no salão nobre do edifício dos Paços do Concelho.

A história do Centro Cultural é o somatório da ação e empenho de muitas personalidades e outrossim dos contributos dos seus associados, em especial daqueles que intervieram, ativa e diretamente, nas atividades das várias secções.

A identidade do Centro Cultural tem sido, ao longo destes 58 anos, balizada pelo lema que o CCG adotou desde o seu nascimento: “Pela Guarda, pela Arte, pela Cultura”. O seu percurso assenta numa convergência de esforços, mas muito deve a personalidades que, com a sua cultura, saber, entusiamo, capacidade de realização souberam manter e revitalizar um projeto de eminente alcance cultural e social; pessoas que tiveram uma consciência clara das dificuldades, mas nunca desistiram, nem perderam a esperança. Determinação que não falta também aos atuais dirigentes.

Parabéns ao Centro Cultural da Guarda!

                                                                                                                 Hélder Sequeira

 

in "O Interior", 19|out|2020

 

 

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