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Avelãs de Ambom: no mapa dos produtos biológicos

por Correio da Guarda, em 11.04.21

 

Em Avelãs de Ambom (uma localidade a poucos quilómetros da cidade da Guarda) surgiu em 2015 uma marca de produção de frutos vermelhos e frutos de casca rija.

A Ambombagas é uma micro-empresa de base familiar onde Pedro Pinheiro, empresário em nome individual, é o responsável por toda a sua estrutura. Apostando na produção de produtos biológicos em modo sustentável, o principal objetivo da Ambombagas é a comercialização de frutos vermelhos de qualidade, de compotas e fermentados destes frutos.

Ao CORREIO DA GUARDA, Pedro Pinheiro afirma que cada projeto que se desenvolve nas nossas aldeias é um impulsionador para outros, que seguindo o exemplo, possam criar uma ideia de querer fazer igual ou melhor”

ambom bagas 09.jpg

Como surgiu a Ambombagas?

A Ambombagas surge depois da criação de um projeto de produção de frutos vermelhos e frutos de casca rija, como uma marca de produtos biológicos, na aldeia de Avelãs de Ambom, no concelho da Guarda.

 

Quais foram as principais dificuldades?

Inicialmente a falta de mercados para colocação dos produtos, a falta de experiência no campo para este tipo de culturas e a falta de mão-de-obra local, foram as principais dificuldades.

IMG_20190626_204201.jpg

As apostas iniciais foram em que produtos?

A primeira aposta foi na venda dos frutos vermelhos frescos (mirtilos, amoras, framboesas e groselhas), que se mantém e é a nossa principal fonte de rendimento neste projeto.

Depois surgiram as compotas e licores para aposta em feiras e pequenas lojas, de modo a divulgar a marca.

 

Como foi a aceitação por parte do público consumidor?

A aceitação foi muito positiva. A fruta fresca tem desde o início certificação biológica, que marca a diferença na qualidade, no sabor e na sustentabilidade.

Estes fatores revelaram-se determinantes para o público-alvo que sempre quisemos atingir, que valorize o que é do nosso concelho, que aposte na qualidade e em produtos benéficos para a saúde.

ambom bagas 06 (1).jpg

Quais são os principais destinos de venda?

O principal destino é o mercado local e de proximidade. Fazemos entregas de fruta fresca em casa, no trabalho de cada um dos nossos clientes particulares.

Temos também um importante número de clientes de diferentes locais do país, enviamos a fruta por transportadora que chega no dia seguinte à colheita. Temos ainda um parceiro que coloca os nossos produtos em lojas de produtos biológicos desde o Porto até ao Algarve.

 

Que produtos se seguiram e como foram recebidos?

Uma das criações da Ambombagas foram cabazes prenda personalizados (caixinhas de madeira), com decorações naturais, que têm sido enviadas para muitos locais em Portugal e no estrangeiro. Fizemos também uma aposta em geleias de frutos vermelhos com vinho espumante embaladas em bisnagas.

Mais recentemente surgiu a ideia de fermentar os frutos surgindo assim um produto inovador: uma bebida fermentada de amoras e framboesas que podemos equiparar a um vinho, com um sabor único.

 

Quantas pessoas estão envolvidas na produção, embalagem e comercialização?

A nossa pequena empresa é uma empresa familiar. Por ser sazonal, o trabalho que envolve mais pessoas é a colheita, durante cerca de 2 meses e meio. Poderemos ter nessa altura cerca de 15 pessoas, sendo quase exclusivamente familiares e amigos que trabalham/ajudam nessa tarefa. Durante o resto do ano são solicitados alguns trabalhadores locais para a poda e manutenção das estufas e do terreno.

 

Qual o principal canal que tem sido utilizado para a divulgação dos produtos da Ambombagas?

O principal canal de divulgação é na internet, nas redes sociais e a apresentação dos nossos produtos em feiras locais.

ambom bagas 01.jpg

Qual o impacto que provocou a pandemia no trabalho que vinha sendo desenvolvido?

Com a suspensão de feiras e o isolamento adiou alguns investimentos e ideias para desenvolver novos produtos.

 

Consideras que este pode ser um exemplo para outras iniciativas, diferenciadas, por parte de jovens no interior?

Penso que devemos olhar sempre como um bom exemplo todas a atividades que levem pessoas a fixar-se no interior, em aldeias cada vez mais ausentes de pessoas. Cada projeto que se desenvolve nas nossas aldeias é um impulsionador para outros, que seguindo o exemplo, possam criar uma ideia de querer fazer igual ou melhor.

 

A pandemia obrigou a repensar os jovens ao nível do empreendedorismo no interior?

Penso que a pandemia impulsionou muitos jovens a olhar para o interior com outros olhos.

O interior como um local onde a vida se vive de uma forma mais intensa, mais saudável mais sustentável, sinónimo de qualidade de vida.

Quem vive no interior tem uma janela de oportunidades, pois há disponibilidade de terrenos, de casas para recuperar, de locais únicos para descobrir.

 

Que apoios deveriam ser dados para a afirmação de projetos como a Ambombagas?

Os apoios deveriam ser dados pelo governo e pelas estruturas de poder local no sentido de os nossos produtos, sempre que disponíveis, serem adquiridos para serem consumidos nos organismos do estado (escolas, hospitais…).

Ambombagas - Guarda.jpg

Estava prevista uma loja física ou a entrega das encomendas continuará a ser pessoal e por transportadoras?

Já passou pela ideia ter um espaço físico, mas sendo a principal aposta na comercialização da frusta fresca, durante 2 meses e meio, não se justifica a abertura de um espaço comercial. Vamos continuar a aposta de entrega em mão e do envio por transportadora dos nossos produtos.

 

Novos projetos ou produtos para curto prazo?

Os novos projetos passam melhoria de infraestruturas para melhoria dos produtos já criados.

 

+info aqui.

 

 

 

 

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publicado às 21:33

Confinamento em dia de chuva...

por Correio da Guarda, em 10.04.21

Rolas na Tília - hs.jpg

 

 

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publicado às 23:01

João Pena: o saber na recuperação de fotos

por Correio da Guarda, em 09.04.21

 

João Pena é um exemplo de determinação e empenho profissional, abraçando a vida com uma dedicação plena à fotografia, sobretudo à arte da recuperação de antigas imagens, o que faz com inquestionável mestria.

“Nos últimos tempos, além de restaurar gosto de colorir as fotografias que valem essa atenção, mas nenhuma fotografia colorida pode substituir a imagem original a preto e branco. A cor oferece uma nova perspetiva de como pode ser apreciada, ajudando as pessoas de hoje a aproximarem-se da realidade do passado.” Afirmou ao Correio da Guarda.

Nesta cidade gostaria de ver criada uma Fototeca, que lhe permitisse “revisitar” a cidade no passado. “Uma fototeca seria um trabalho de sonho pois sei que existe muita coisa ‘’em gaveta’’ e merecia ser trabalhada e colocada aos olhos de todos.” E a Guarda tem de contar com gente válida como o nosso entrevistado de hoje.

João Pena Fonseca, nasceu na Covilhã a 2 de junho de 1971. Reside na Guarda desde os 6 anos de idade, possuindo formação em design de moda, área em que nunca chegou a trabalhar.

Trabalhou na Rádio F como comercial, foi sócio proprietário do Escocês Bar, gerente do Bar Aqui Jazz, técnico de farmácia na Farmácia Rêgo.

A sua vida fica marcada por um acidente de mota em que ficou tetraplégico, mas nunca deixou de ter vida social e profissional pela sua condição de mobilidade reduzida.

Iniciou em 2002, o trabalho em edição de fotografia como empresário em nome individual, atividade que desenvolve “com muito gosto” procurando servir da melhor forma “a quem lhe confia as suas imagens para guardar com a qualidade que merecem ter”.

João Pena Fonseca - Correio da Guarda.jpg

Quando surgiu o interesse pela fotografia?

O gosto pela fotografia surgiu na adolescência, sempre que surgia oportunidade lá estava eu a pegar na máquina lá de casa para registar qualquer coisa, sempre que me deixavam, pois as máquinas na época eram com rolo e tinha que se ter cuidado para não perder o momento certo para ‘gastar’ uma fotografia.

Aos 16 anos com o dinheiro de um trabalho temporário de férias de verão, foi para a primeira máquina fotográfica e a partir daí foi sempre minha companheira para qualquer coisa que valesse ficar registado.

Em 1999 depois de um acidente de mota, no qual fiquei tetraplégico, e após muitos tratamentos e estabilizar, tinha que arranjar maneira de ter uma vida profissional útil, então foi aí que vi como meio a informática aliada á fotografia, a solução era uma coisa que gostava e podia fazer sem limitações.

 

O facto de o seu irmão Jorge se dedicar à fotografia teve alguma influência ou acentuou o seu interesse?

O meu irmão Jorge também tinha já o gosto pela fotografia e na altura era o designer gráfico da Optimus, aí sim foi muito útil pois foi quem me deu as primeiras dicas de como usar o Photoshop que me acompanha até hoje em dia como ferramenta de trabalho.

 

Quando começou a dedicar-se à recuperação de fotografias antigas?

Desde que iniciei como profissional em 2002, foi a editar e restaurar fotografias que arranjei os primeiros trabalhos.

O restauro de fotografias antigas surgiu por acaso e foi muito rápido que ganhei o gosto em especial nessa área, pois cada fotografia era um desafio que ainda hoje se mantém em deixar nos meus trabalhos a melhor perfeição possível.

 

Qual o tipo de fotos que mais tem recuperado? Retratos, fotos de monumentos?

Aparece um pouco de tudo, mas as fotografias de família para clientes particulares é o mais comum, para empresas e instituições mais fotografias das cidades e sua gente. Também faço trabalhos para revistas jornais, etc., a retocar fotografias de todos os géneros.

João Pena - restauração.jpg

Quais são as mais difíceis de trabalhar”?

As que apresentam maior desafio logicamente que são as mais estragadas, rasgadas, com manchas, riscos, tudo o que não devia ali estar pois está a perturbar o quereremos ver.

Nos últimos tempos, além de restaurar gosto de colorir as fotografias que valem essa atenção, mas nenhuma fotografia colorida pode substituir a imagem original a preto e branco. A cor oferece uma nova perspetiva de como pode ser apreciada, ajudando as pessoas de hoje a aproximarem-se da realidade do passado.

 

Acha que recuperar uma foto é um trabalho de grande responsabilidade?

Sim, sempre, pois cada cliente quer e merece o melhor resultado.

Em cada trabalho que entrego tento sempre ficar à frente das expectativas das pessoas, pois muitas vezes não sabem o que hoje em dia é possível fazer e por vezes é possível fazer nas fotografias; coisas que as pessoas nem imaginam.

 

Quando encontra trabalhos mais difíceis, face ao elevado estado de degradação das fotos, quais os procedimentos que implementa face à preocupação de salvaguardar a verdade” da fotografia?

A verdade da fotografia é o que procuro deixar no final de cada trabalho, o meu objetivo é deixar o que está na fotografia e tirar tudo o que não interessa e considerar que valoriza a fotografia.

Para tal, o cliente tem de aceitar melhorar o registo original.

 

Considera que o seu trabalho é um contributo – face ao acervo documental que facilita – para um melhor conhecimento e estudo da Guarda e da região?

É o que mais gosto de fazer são as fotografias da Guarda, recuperá-las e saber a sua história pois cada fotografia regista um momento do passado e deixar perfeitas as imagens para serem vistas e apreciadas como merecem é o que mais gosto.

 

Considera que a Guarda devia ter uma Fototeca, com toda a necessária estrutura humana e técnica?

Era o meu maior gosto poder ter em mãos e tratar da melhor maneira o espólio que o Museu da Guarda e outras instituições locais devem ter, que precisa ser tratado e catalogado como deve e merece ser.

Uma fototeca seria um trabalho de sonho pois sei que existe muita coisa ‘’em gaveta’’ e merecia ser trabalhada e colocada aos olhos de todos.

 

Os seus clientes são maioritariamente originários da Guarda ou de vários pontos do país?

A maior parte da Guarda sem dúvida, mas já fiz trabalhos para todos os cantos do país e do mundo.

Por vezes é lá fora que somos mais bem reconhecidos pela qualidade do trabalho; não procuro isso mas sabe sempre bem ser reconhecido pelo que fazemos.

Rancho quadrazais a cavalo - João Pena.jpg

Em média quanto tempo demora a recuperar uma foto?

Depende sempre do mau estado em que está e o objetivo a que se destina, mas o estado da fotografia é o fator principal para o tempo que leva a recuperar, alguns trabalhos que parecem difíceis resolvem-se num par de horas; outras sim demoram muito, tenho fotografias com mais de uma semana para ficar como merecem.

 

Quais os comentários que tem recebido após a entrega dos seus trabalhos?

Felizmente bons, alguns já se sabe o que vai dali sair, mas muitos por vezes torna-se até engraçado ver a reação das pessoas ao ver o trabalho terminado, pois há coisas que a tecnologia e a técnica permitem fazer que surpreende as pessoas.

 

Há algum que o tenha sensibilizado mais?

Talvez o restauro do portfólio de António Correia, da Foto Hermínios, pois deixou em quantidade e qualidade um enorme número de fotografias que guardam o testemunho durante muito tempo, dos costumes, das pessoas e dos eventos da cidade em meados do século passado; como nenhum outro fotografo que eu conheça fez.

Ficou o meu trabalho em livro ‘’Manifesto de Uma Paixão’’ em edição do Museu da Guarda.

 

Tem sido convidado a colaborar, ao nível do tratamento de fotos, na edição de publicações?

Sim tenho alguns trabalhos a esse nível mais para fora da Guarda e através de agências que depois sai em livros, revistas etc.

Guarda - Praça Luiz de Camões.jpg

Pensou já numa exposição sobre os trabalhos que já fez e que possam ser mais elucidativos sobre o seu labor?

Não é fácil pois o sigilo profissional que faço questão de preservar não me permite mostrar ao público muita coisa do melhor que sei fazer com as fotografias.

Talvez um dia reúna alguns trabalhos e mostre mais em pormenor o que se pode fazer com as fotografias.

 

Como pode ser contactado pelas pessoas interessadas na recuperação ou tratamento de fotos?

Atualmente as pessoas preferem as redes sociais onde tenho partilhado algum do meu trabalho e onde podem ver o meu contacto no Facebook e Instagram e numa página web nova que estou a terminar para promover o meu trabalho.

 

+info aqui.

 

 

 

 

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publicado às 22:45

Museu da Guarda

por Correio da Guarda, em 08.04.21

Museu da Guarda - foto Helder Sequeira.jpg

 

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publicado às 22:10

"O Tempo das Mulheres" na Guarda

por Correio da Guarda, em 07.04.21

 

Na Galeria de Arte do Teatro Municipal da Guarda vai ser inaugurada no próximo dia 9 de abril, pelas 18 horas, a exposição fotográfica "O Tempo das Mulheres", de Alfredo Cunha.

Esta mostra assinala os 50 anos de carreira do Fotógrafo Alfredo Cunha que celebra a condição feminina através de imagens captadas em vários contextos, relevando a beleza, a sensibilidade e a importância das mulheres nas sociedades.

O tempo das Mulheres.jpg

 

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publicado às 23:24

AVC e Enfarte. Como distinguir e prevenir.

por Correio da Guarda, em 06.04.21

 

“AVC e Enfarte. Como distinguir e prevenir!” é o tema do webinar que terá lugar amanhã, dia 7 de abril, entre as 14h00 e as 15h00, organizado pela A Portugal AVC – União de Sobreviventes, Familiares e Amigos, a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) e o Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).

Cartaz.png

A iniciativa surge no âmbito do Dia Mundial da Saúde, que se assinala a 7 de abril, com o objetivo de consciencializar a população para as diferenças e semelhanças entre o AVC e o Enfarte, duas das principais doenças responsáveis pelo elevado número de mortes, no nosso país. 

“Com cerca de 25 mil episódios de internamento por ano, o AVC é a maior causa de incapacidade no nosso país. Pode atingir qualquer pessoa, independentemente do género ou da idade, deixando múltiplas sequelas físicas e motoras, sendo estas as mais visíveis. Contudo, também perduram as consequências na capacidade de comunicação, no campo cognitivo, psicológico, de visão, entre outros”, acrescenta Ana Paiva Nunes, vice-presidente da Portugal AVC, coordenadora da Unidade Cerebrovascular do Hospital S. José, e coordenadora adjunta do Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da SPMI.

João Brum Silveira, presidente da APIC e responsável pelo Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de Santo António - Centro Hospitalar Universitário do Porto, explica que “o AVC (no cérebro) e o Enfarte Agudo do Miocárdio (no coração) estão associados a episódios vasculares, o que significa que envolvem os vasos sanguíneos e as artérias, em particular.  Contudo, é fundamental que as pessoas compreendam que os sintomas e os fatores de risco até podem ser semelhantes, mas são dois problemas médicos distintos. Com esta iniciativa, esperamos contribuir para a prevenção destas duas doenças, bem como para a redução das suas consequências.”

No caso do enfarte, que ocorre quando uma das artérias que transporta oxigénio e nutrientes ao coração fica obstruída, as pessoas devem estar atentas a sintomas como dor no peito, suores, náuseas, vómitos, falta de ar e ansiedade. Já no caso do AVC, que ocorre quando uma das artérias que transporta oxigénio e nutrientes ao cérebro fica obstruída (AVC isquémico) ou quando uma artéria do cérebro rompe (AVC hemorrágico), a pessoa pode sentir a face ficar assimétrica de uma forma súbita, parecendo um “canto da boca” ou uma das pálpebras estarem descaídas; falta de força num braço ou numa perna subitamente; fala estranha ou incompreensível; perda súbita de visão, de um ou de ambos os olhos, e forte dor de cabeça, sem causa aparente.

Esta iniciativa irá promover uma conversa informal entre os profissionais de saúde, os testemunhos de sobreviventes de AVC e Enfarte e os participantes. A participação nesta iniciativa é gratuita, mediante inscrição aqui.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 08:30

 

 

 

Norberto Rodrigues encontrou na fotografia o caminho para novos desafios e projetos. Natural da Guarda, este sociólogo considera que a fotografia é “hoje, talvez, a maior forma de intervenção social”.

Ao CORREIO DA GUARDA, Norberto Rodrigues afirma que o seu maior desafio, é “estruturar novos projetos e encontrar novas formas de comunicar com os amantes da fotografia, nomeadamente da chamada fotografia de rua”.

António Norberto Perestrello Rodrigues nasceu no Barracão, Guarda em 1953, onde viveu até aos vinte anos. Sociólogo, desempenhou vários cargos dirigentes na Administração Pública. Professor Universitário nas áreas da Sociologia, Recursos Humanos e Comportamento Organizacional.

Foi Presidente da Associação de Profissionais em Sociologia Industrial das Organizações e do Trabalho APSIOT). Autor do livro de fotografia Trajectos, Blurb, 2014, do livro de contos E dos fracos rezam as histórias, 2014, do romance de ficção À Procura do Homem Prefeito, 2018 e, em memória de Patxi Andion, Gorka Rúbio, o Louco que queria agarrar a morte, caderno, edição Calafrio, 2020. Várias exposições fotográficas, nomeadamente na Colorfoto, Lisboa e no Calafrio, Guarda.

Norberto Rodrigues - 1.JPG

Quando começou o gosto pela fotografia?

Sempre gostei de fotografia, mas só consegui condições, nomeadamente de tempo, há cerca de 11 anos, quando comprei a minha primeira máquina, que ainda tenho, com modo manual, uma Sony a230

 

O que é para si a fotografia?

A fotografia é uma arte que nos dá várias representações da realidade. Como digo sempre, a realidade não existe, existe só o nosso olhar.

A fotografia regista esses olhares, diversos e complementares. Constrói memórias que ajudam a construir identidades e culturas. É, também, hoje, talvez, a maior forma de intervenção social. Há fotografias de situações e de fenómenos sociais que muito têm ajudado a perceber “realidades” e a mudar valores e comportamentos.

 

Porquê a preferência pelo “preto e branco”?

O preto e branco dá-nos a essência da fotografia. Ilumina os contrastes, tornando nítida a mensagem da composição.

O nosso olhar tende a valorizar o conjunto e não o pormenor mais vistoso da imagem. Evidentemente que há excelentes fotografias a cores e áreas da fotografia onde a cor é mais apelativa, como nas fotografias de paisagens. É uma opção do fotógrafo. No tipo de fotografia que faço – Street Photography – o preto e branco é, para mim, mais forte, mais dramático, mais profundo.

Norberto Rodrigues 2.JPG

 

Quais os temas que mais gosta de fotografar?

Os temas vão mudando, acompanhando o nosso crescimento e os contextos que nos rodeiam. Na fotografia de rua, o fotógrafo reage ao momento, à situação que está à sua frente, seja ela enquadrável no tema x ou y, é a rua que comanda a máquina. Isto não quer dizer que o fotógrafo de rua não tenha um rumo, um objetivo.

Quando sai de casa para fotografar, ele sabe para onde vai e o que pode encontrar. É nessa escolha que ele se aproxima dos temas que o preocupam.

No meu caso, regularmente, eu caminho para os meus santuários – a sede da CGD, o Museu de Arquitectura, a Fundação Champalimaud e as Estações de Metro de Lisboa. As estruturas são as mesmas, mas as fotografias são sempre diferentes, porque eu não fotografo as estruturas enquanto tal mas a interação entre elas e as pessoas que as utilizam. Todas as minhas fotos têm pessoas!

Face ao exposto, tenho dois temas estruturais que vão dando sentido às minhas fotografias – A Humanização da Arquitectura e a Iluminação da Escuridão

 

Quantas horas dedica, por dia, à fotografia?

Antes da pandemia fotografava, em média, duas vezes por semana, durante quatro ou cinco horas. Depois é preciso editar as fotografias e fazer as nossas escolhas.

A minha edição limita-se ao básico, não gosto de alterar as fotografias. Com recurso ao Photo Gallery faço pequenos acertos – mais escuras, ou mais claras e aqui ali uma pequena alteração do contraste ou endireitar a fotografia. Não gosto de alterações estruturais da fotografia porque o resultado não é fotografia mas outra arte qualquer. Não critico quem o faz e, às vezes, até gosto do resultado final, mas não é a minha opção.

Se juntarmos a estas ações o tempo da gestão do meu grupo e o resultante das partilhas das minhas fotos em vários grupos ou comunidades, diria, respondendo à pergunta, que gasto cerca de 2/3 horas por dia nas tarefas da fotografia.

 

Qual foi o objetivo da criação da página “Norberto Rodrigues – fotografia”? A resposta a essa página foi a esperada?

Quando partilhava alguma fotografia no facebook constatava que muitos dos meus amigos reagiam gostando ou comentando a mesma.

Percebi que havia um público interessado na arte da fotografia. Decidi oferecer um espaço de apresentação regular de fotografias. Decidi, também, que o grupo não deveria ser apenas uma montra de fotografias, mas também um espaço onde todos, cumprindo regras mínimas, podiam partilhar as suas fotos. Não havia barreiras e receios de críticas negativas vindas de “sábios” do assunto. Por outro lado, a criação do grupo era uma forma de disciplinar a gestão das minhas fotos e, até, uma ajuda à escolha das melhores fotos.

Até à pandemia, sem promoções e sem convites personalizados, o grupo estava a crescer e o número de partilhas a aumentar de uma forma consistente, depois, com a escassez de fotos, o grupo continua a crescer, mas muito lentamente. Esperemos melhores dias para a fotografia poder sair à rua.

 

As suas fotos têm sido destacadas em vários “sites” e merecido elogios. Isto implica novas responsabilidades no seu trabalho ao nível da fotografia?

É verdade. Até há pouco tempo partilhava esporadicamente uma ou outra foto em um ou dois grupos de fotografia.

Há dois ou três meses decidi publicar em várias comunidades fotográficas ligadas a fotógrafos reconhecidos ou mais diversas e abertas. O resultado ultrapassou em muito as minhas melhores expectativas. Um conjunto significativo das fotos que partilhei foram reconhecidas e destacadas na grande maioria dos grupos, comunidades com origens muito diversas, Portugal, Brasil, Itália, Turquia, Japão, Espanha, Peru, Inglaterra, etc e com membros de vários pontos do mundo – uma enorme diversidade cultural e social, com valores estéticos muito diferentes e centrados em diferentes áreas da fotografia

Relevante, também, a seleção de algumas das minhas fotos para publicação em revistas da especialidade. A capa do número 1 da Revista Photographers Magazine é uma fotografia minha, curiosamente, tirada na Guarda, na Torre dos Ferreiros. Nesse número estão mais três fotos da minha autoria. Na mesma Revista, no número 2, sou o autor do mês, com 23 fotografias. No número 4, a sair brevemente, está, também, uma outra foto minha. A revista EYE Photo Magazine publicou, também, em março de 2021, uma foto da minha autoria.

Estas boas avaliações das minhas fotografias são, em primeiro lugar, um incentivo ao meu trabalho, empurrando-me para o desenvolvimento de projetos mais dirigidos e mais específicos, em algumas temáticas onde tenho trabalhado.

É o meu desafio agora, estruturar novos projetos e encontrar novas formas de comunicar com os amantes da fotografia, nomeadamente da chamada fotografia de rua.

 

O digital veio dar novo impulso à fotografia?

Claro. O digital veio democratizar a fotografia, tornando-a acessível a todos. O aparente excesso de fotografias é responsável pelo desenvolvimento técnico da indústria da fotografia e pelo crescimento da arte de tirar fotos. Boas máquinas, excelentes formações técnicas e experiência têm criado diferentes níveis de qualidade na fotografia.

Evidentemente que nem tudo é bom com este desenvolvimento da fotografia. As imagens são hoje centrais na nossa sociedade, cada vez se lê e se escreve menos, com as consequências sociais, culturais e políticas inerentes. Muitos falam – esta fotografia diz tudo! Mas a fotografia não diz nada, diz, apenas, o que o nosso olhar quer que ela diga.  

Noberto Rodrigues 3.JPG

Que fotógrafos destaca em Portugal?

Aqueles que mais me sensibilizaram para a fotografia, a preto e branco, foram Cresson e Sebastião Salgado, dois mestres reconhecidos por todos os fotógrafos.

Atualmente, há muitas áreas da fotografia e em cada uma delas muito bons fotógrafos. Seria difícil estar aqui a escolher.

Na minha área, Street Photography, para mim o melhor é, sem dúvida, o meu amigo Rui Palha. O seu olhar é geométrico e surpreendente. Vale a pena percorrer as suas fotografias.

 

Para quando um trabalho de apresentação (livro, exposição, catálogo) das suas fotografias ao grande público, na Guarda?

Já fiz vários trabalhos, nomeadamente duas exposições, uma na Colorfoto, em Lisboa e outra aí, na sede do Calafrio.

Este ano gostava de mostrar o meu trabalho, vamos ver se as condições se reúnem para que tal seja possível.

 

Fotos: Norberto Rodrigues | +info aqui.

 

 

 

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publicado às 13:05

Domingo de Páscoa

por Correio da Guarda, em 04.04.21

Páscoa 2021.jpg

 

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publicado às 00:02

Exposição de Agostinho Santos

por Correio da Guarda, em 03.04.21

 

Na Guarda vai estar patente, a partir do próximo dia 8 de abril, a exposição "Bruto", de Agostinho Santos.

Esta mostra, que conta com a curadoria de Valter Hugo Mãe, pode ser apreciada em vários espaços expositivos da cidade, nomeadamente no Museu, no Paço da Cultura, na BMEL, na Capela do Solar dos Póvoas e no Café Concerto do Teatro Municipal.

Exposição de Agostinho Santos.jpg

 

 

 

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publicado às 19:25

Semana Santa

por Correio da Guarda, em 02.04.21

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publicado às 23:51


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