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Sandra Ferreira: uma jornalista da Guarda em Timor

por Correio da Guarda, em 22.12.21

 

Sandra Ferreira iniciou bem cedo, na Guarda, a sua ligação à comunicação social. Como jornalista, o seu percurso profissional tem passado por vários órgãos de informação. Licenciada em Jornalismo pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, trabalhou na Rádio Altitude, Rádio F, Rádio Vaticano, jornal Público, JN-Jornal de Notícias.

Natural da Guarda, onde estudou e de onde saiu com 21 anos, Sandra Ferreira é, atualmente formadora de jornalismo em Díli, Timor-Leste. Apesar da distância não esquece a sua terra natal e diz-nos que gostaria de ver a Guarda “com menos complexos de interioridade”, acrescentando que “esse é um espírito que não ajuda a crescer, mas antes a realçar que se é pequeno e inconsequente”.

Ao CORREIO DA GUARDA esta jornalista guardense diz que os “portugueses são muito bem vistos e respeitados pelos timorenses”, referindo, por outro lado, ser “muito interessante perceber a cultura, que é muito diferente da nossa, apesar da forte e prolongada influência portuguesa”

Sandra Ferreira  - foto 1a.jpg

Como começou a sua ligação à comunicação social?

A minha ligação à comunicação social começou quando tinha cerca de 16 anos, na Rádio Altitude que, na altura, abriu um concurso para recrutar novas vozes e decidi concorrer.

Acabei por ser selecionada como animadora de emissão.

 

O que significou a sua passagem pela Rádio Altitude?

Foi na Rádio Altitude que dei os primeiros passos que me conduziriam à profissão de jornalista, embora nessa época tencionasse formar-me em Psicologia.

Comecei a despertar para a informação, após ter acompanhado, em termos informativos, uma comitiva de Aldeia Viçosa a uma localidade da Normandia, em França, com a qual a Junta de Freguesia tinha um acordo de geminação

 

Nos tempos iniciais o que mais a seduziu na atividade radiofónica?

Eu adorava música e a Rádio Altitude tinha à época uma discoteca impressionante, com mais de 20 mil discos.

Era muito interessante passar horas a descobrir êxitos de várias gerações, saber mais sobre os artistas e partilhá-los.

A rádio tinha aquele lado encantador de sermos identificados apenas pela voz, sem sites na internet a revelarem-nos o rosto. Por outro lado, era muito estimulante trabalhar junto de profissionais, como o histórico António Aragonês, com uma magnífica voz e um excelente contador de estórias.

Sandra Ferreira 1.jpg

 

Após a sua saída da Guarda o que fez, em termos profissionais?

Antes de sair da Guarda, passei pela Rádio F e poucos meses depois, o dono, o Dr. Virgílio Ardérius, que tinha comprado a Rádio Noar, em Viseu, que estava encerrada, desafiou-me a fazer parte da equipa que a iria reativar.

Foi uma luta enorme, deu muito trabalho, mas foi uma grande escola e um sucesso até a frequência ter sido vendida, em 2011, à Rádio Renascença. 

Pelo meio, quando estava a tirar a licenciatura em Jornalismo, na Universidade de Coimbra, fiz uma interrupção e fui para a capital italiana, estudar na Universidade Roma Tre, no âmbito do programa Erasmus. Ao mesmo tempo, enviei o currículo para a rádio Vaticano, onde fui aceite para trabalhar na rádio que agrega quase 40 nacionalidades.

Fiz também algumas dobragens de documentários e filmes no estúdio Cine-Cità. Já depois de regressar a Portugal, trabalhei para o Jornal Público e para o Jornal de Notícias.

Atualmente sou formadora de jornalismo em Díli, Timor-Leste, no Consultório da Língua para Jornalistas.

 

E o que mais gostou de fazer?

Sempre gostei de vestir a camisola dos sítios por onde passei e para mim só faz sentido enquanto assim for.

É difícil dizer o que mais gostei porque cada projeto implicou desafios distintos, mas diria que o que algo em comum que sempre me agradou foi somar conhecimento com ótimos profissionais, refletir sobre o conhecimento que fui adquirindo e que hoje me permite partilhá-lo com quem quer seguir a profissão.

 

A sua preferência, hoje, vai mais para a Rádio ou para a Imprensa?

Nunca consegui fazer essa escolha, cada meio tem a sua especificidade.

Enquanto a rádio é muito desafiante por tudo o que consegue transmitir com som, por trabalhar para o ouvido, a imprensa explica e permite acrescentar detalhes, nem sempre possíveis em rádio.

 

SandraFerreira 2 (1).jpg

A Rádio ontem e hoje? Que diferenças? Hoje é mais fácil fazer rádio?

A rádio hoje já não é só som, também é imagem. Graças à internet também dá texto a ler, exibe vídeos e fotos nos respetivos sites e redes sociais.

Também já não é tão efémera porque, através dos podcasts, podemos ouvir programas quando e onde quisermos.

No entanto, não sei se é mais fácil fazer rádio nos dias que correm porque a pressão aumentou uma vez que este meio concorre diretamente com as plataformas online.

A internet e os telemóveis facilitam muito a chegada dos conteúdos aos ouvintes, fazer diretos, mas também é preciso ser muito mais veloz para não ser ultrapassado, o que também proporciona muitas falhas de rigor. Evitar essas falhas é hoje um dos maiores desafios do jornalismo em nome da sua credibilidade.

 

Atualmente está em Timor. O que está a fazer e como surgiu esta mudança na sua vida profissional?

Em abril deste ano, venci um concurso público lançado pela Secretaria de Estado da Comunicação Social de Timor-Leste, para formadora de jornalismo no Consultório da Língua para Jornalistas.

Aceitei o cargo, tive um mês para fazer as malas e todas as mudanças e mudar-me para Díli.

Na prática deixei de fazer jornalismo, mas passei a partilhar o conhecimento que adquiri ao longo dos anos.

 

Como é o seu dia a dia?

Este trabalho tem obrigado a um grande foco, de manhã à noite, por vezes até ao fim de semana.

Antes da formação de Jornalismo propriamente dita, foi necessário fazer um estudo sobre as necessidades formativas dos jornalistas de Timor-Leste, onde está quase tudo por fazer na área.

Tratou-se de um estudo inédito, que implicou analisar centenas de notícias à lupa de dezenas de critérios, realizar inquéritos junto dos formados, perceber onde sentiam dificuldades, entrevistar responsáveis pela comunicação social, observar o modo de atuação dos jornalistas. O relatório deste estudo, que já foi concluído, será publicado em livro. Identificadas as necessidades formativas traçou-se um plano de formação e elaboraram-se manuais destinados aos formandos.

Sandra Ferreira entrega relatório.jpg

Fora do trabalho, em Díli não há muito para fazer, mas quando há tempo gosto de aproveitar o mar com água muito quente ou conhecer outras zonas de Timor-Leste. Ainda não foi possível conhecer muito por causa da pandemia que colocou Díli sob cerca sanitária até há dois ou três meses.

 

O que mais lhe tem agradado em Timor?

Os timorenses são pessoas muito tímidas, mas muito afáveis.

Tem sido muito interessante perceber a cultura, que é muito diferente da nossa, apesar da forte e prolongada influência portuguesa.

É curioso perceber que está a surgir uma geração com um grande espírito crítico e a falta de massa crítica é um dos graves problemas do país.

 

A presença portuguesa como é vista hoje, em Timor?

Os portugueses são muito bem vistos e respeitados pelos timorenses.

Existem muitos projetos ligados ao ensino executado por centenas de professores portugueses, que exercem a profissão muitas vezes em condições muito difíceis, sobretudo nos municípios distantes da capital.

A educação é um dos problemas graves de Timor-Leste, pelo que os timorenses respeitam muito quem os quer ajudar nua educação melhor.

 

Sandra Ferreira 8.jpg

Até quando vai ficar?

Esta fase do projeto do Consultório da Língua para Jornalistas tem uma duração de três anos, mas não sei quanto tempo irei ficar.

 

Quais são os seus projetos para o futuro?

Depois deste projeto está tudo em aberto, mas julgo que será sempre no âmbito do jornalismo e/ou na área da formação. Em Díli ou noutra parte do mundo.

 

Sandra Ferreira 5.jpg

 

Continua a seguir o que se passa na Guarda?

Sim, continuo a seguir, dentro do tempo que tenho disponível.

 

O que representa para si a Guarda? Que memórias?

É onde nasci, é onde estão os meus pais e as minhas duas irmãs.

Foi onde vivi até aos 21 anos, por isso tenho na Guarda toda a minha infância e adolescência.

A maior memória que tenho da Guarda, além do frio, é de a cidade ter um grande espírito de acolhimento e convívio.

 

Como gostaria de ver a Guarda do futuro?

Gostava de ver a cidade com mais oportunidades de emprego, de a ver evoluir a todos os níveis e também com menos complexos de interioridade.

Julgo que esse é um espírito que não ajuda a crescer, mas antes a realçar que se é pequeno e inconsequente.

 

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publicado às 00:23

Sete dias com os Media

por Correio da Guarda, em 29.04.21

 

Entre 3 e 9 de maio terá lugar a operação 7 Dias com os Media. Trata-se de uma semana de incentivo à educação para os media e a melhores níveis de literacia mediática, organizada pelo Grupo Informal sobre Literacia Mediática (GILM).

Esta iniciativa, que começou em 2013, é subordinada, este ano, ao tema “Participar faz a diferença!”, mantendo-se o  objetivo que tradicionalmente caracteriza esta ação: incentivar o acesso, a compreensão, a análise crítica e esclarecida dos media, bem como a produção, através da partilha de atividades e projetos registados pelos participantes  aqui

Pelo contexto provocado pela pandemia de COVID-19, para a edição de 2021 o GILM sugere alguns temas que poderão inspirar a realização de atividades/ projetos: os media em tempos de pandemia, a infodemia e a desinformação, as desigualdades sociais e digitais que se tornaram mais visíveis neste tempo.

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Continua a ser possível a partilha de materiais e atividades sobre outras temáticas, desde que relacionadas com os objetivos da iniciativa, nos formatos e suportes que os participantes escolherem (desenho, fotografia, cartaz, notícia, vídeo, podcast…)!

Tal como nas edições anteriores, esta iniciativa dirigida à sociedade em geral pretende contar com a participação de todos os interessados em desenvolver projetos/atividades, desde que alinhados com os objetivos propostos.

As edições anteriores revelaram participantes muito diversos: escolas, associações, bibliotecas, clubes, meios de comunicação social, universidades, famílias… sendo que outra meta passa por manter e, se possível, aumentar essa diversidade de participações.

Quem quiser participar deverá fazer o registo da(s) atividade(s) e projeto(s) através de formulário de registo disponível na própria plataforma da iniciativa, o qual será apreciado pelo GILM e transformado numa ficha de registo da iniciativa que ficará publicada e visível no site.

Os participantes que quiserem partilhar resultados/evidências das suas atividades/projetos poderão enviar os materiais para o endereço 7diasmedia@gmail.com, para que os mesmos possam ser associados e partilhados com a respetiva ficha de inscrição.

 

 

 

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publicado às 08:22

Descodificar a realidade...

por Correio da Guarda, em 20.03.20

 

Estamos a viver um tempo de incerteza, angústia e de novas experiências, mas também de afirmação de valores solidários face a uma ameaça real, inquietante, mortífera.

Há algumas semanas atrás, enquanto a presença do Covid 19 não se manifestava ainda em território nacional, alguns meios de comunicação enveredaram por um lamentável histerismo e ânsia de registo de casos, em vez de optarem por uma atitude pedagógica que servisse de alerta para os previsíveis cenários, suscitasse uma análise atenta das medidas a implementar, reduzisse a propagação do alarmismo.

Essa exagerada obsessão conduziu, desde logo, a uma inflamação noticiosa, arrastada, consequentemente, para as redes sociais; nestas, cresceu, diariamente, o número de especialistas em coisa nenhuma, debitando alarvidade e protagonizando dúbios e inconfessáveis aproveitamentos de uma realidade que merece uma abordagem diferenciada, serena, adequada.

A sensatez, o rigor e o equilíbrio informativo são fundamentais nesta como noutras situações de instabilidade, ameaça e perigo em que a credibilidade e objetividade das notícias devem constituir uma permanente preocupação de quem está nos media com verdadeiro sentido ético, deontológico e profissional.

Atitude que estabeleça uma fronteira precisa das falsas notícias veiculadas pelas redes sociais onde se ampliam a mesquinhez, a má formação, os ódios, a insolência, a preocupante falta de formação moral e cultural de muitas pessoas, tantas vezes escondidas atrás de um perfil falso; claro que há igualmente (e até em maior percentagem) posturas corretas, indicações insuspeitas, exemplos louváveis, iniciativas oportunas às quais, perante a quantidade de informação e comentários nem sempre é dada a atenção devida.

Redes Sociais -.jpg

Neste contexto de proliferação de falsas notícias é fundamental que os tradicionais meios de comunicação sublinhem a sua importante social e assumam, também nessas plataformas digitais, o seu papel de forma que o público os veja como referência informativa, credível.

É justo referir que no contexto local e regional tem existido essa preocupação, reconhecida pelo público mais atento aos textos produzidos. Contudo, as fake news, não sendo um fenómeno novo, nunca assumiram, como hoje, um contágio tão devastador que atinge mesmos os grandes e conceituados meios de comunicação; a natural tendência em dar em “primeira mão” uma notícia, antecipando-se à sua concorrência mais direta, leva à difusão de informação errónea…

Não é por acaso que tem vindo a aumentar por parte de instituições de ensino a preocupação em desenvolverem iniciativas destinadas a um melhor conhecimento dos mecanismos de informação e desinformação nas plataformas digitais, assim como a permitirem o uso de aplicações que viabilizam a validação da informação e descodificação das notícias falsas.

Assim, em situações como a que estamos a atravessar, com consequências ainda imprevisíveis, os media tradicionais lidam com dificuldades e responsabilidades acrescidas, tanto mais quanto por parte das estruturas/entidades nacionais nem sempre a gestão da comunicação tem sido a melhor, de forma a facilitar a recolha de dados precisos.

Sendo certo que a atual pandemia deve ser objeto de fundamentada preocupação, e suscitar as medidas e cuidados que exige, o alarmismo social deverá ser evitado. A comunicação social tem um papel importante a desempenhar, servindo esta experiência para se reformularem procedimentos e estratégias. (Hélder Sequeira)

in O Interior, 19|03|2020

 

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publicado às 21:55

Novo número da Revista Praça Velha

por Correio da Guarda, em 26.06.12

 

 

     O volume XXXI da Revista Praça Velha, editada pela Câmara Municipal da Guarda, vai ser apresentado na próxima quinta-feira, 28 de Junho, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, pelas 18h00.

     Este volume é dedicado ao tema "Comunicação Social na Guarda no Século XX" e conta com as colaborações de Adriano Vasco Rodrigues, Jesué Pinharanda Gomes, Victor Manuel S. Amaral, Aires Antunes Diniz, Manuel Leal Freire, António José Dias de Almeida, Joaquim Igreja, José Luís Lima Garcia e Luís Vieira Rente.

     A Grande Entrevista, a António José Teixeira (Director da SIC Notícias), é conduzida por Helder Sequeira.

     A secção de Poesia conta com a participação de Cristino Cortes; o Portfolio é da responsabilidade de Ricardo Marta.

     Nesse mesmo dia decorrerá o lançamento dos números 105 ao 109 da Colecção “O Fio da Memória”. “João Nunes Velho - Vida em Poesia” de António Sá Rodrigues; “Julgamento e Morte do Galo do EntrudoI2012 - Textos” de Daniel Rocha; “Vela - O Teatro num Lugar” de António Manuel Gomes e João Neca; “Na sua mão direita - Manuel de Vasconcelos curador do sofrimento humano” de Manuel Poppe e “O dia em que a terra desabou”, de Gabriela Marujo, são os temas destes novos opúsculos.

 

 

     fonte: CMG

 

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publicado às 00:12


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