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"Sermão do bom ladrão" no Ciclo Contradizer

por Correio da Guarda, em 21.09.15

 

     Na Guarda prossegue, no próximo dia 29 de Dezembro, o Ciclo Contradizer, iniciativa de Calafrio-Associação Cultural.

     A nova sessão, agendada para a Igreja de São Vicente, pelas 21h30, tem como tema o "Sermão do bom ladrão" do padre António Veira, apresentado por Vasco Queiroz, Daniel Rocha e Américo Rodrigues.

     A introdução à obra de Vieira será feita por José Manuel Romana, realizando-se também um pequeno recital de órgão por José Luís Farinha.

    Recorde-se que em 1655 o Padre António Vieira proferiu na Igreja da Misericórdia de Lisboa, perante D. João IV e a sua corte, o Sermão do Bom Ladrão, ataque explícito à prática da Administração Pública.

    O texto ganha hoje uma grande atualidade e surpreende pela coragem de Vieira ao intervir do púlpito com violenta condenação, nomeadamente contra o abuso dos impostos.

Pde_Antonio_Vieira.jpg

     "Suponho finalmente que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este género de vida, porque a mesma sua miséria, ou escusa, ou alivia o seu pecado, como diz Salomão: Non grandis est culpa, cum quis furatus fuerit: juratur enim ut esurientem impleat animam. O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao Inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera (...) Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. - Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: - Lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos. - Ditosa Grécia, que tinha tal pregador!" (Padre António Vieira - Sermão do Bom Ladrão, 1655.

    Na nota distribuída por Calafrio/Associação Cultural é também feita alusão à Igreja de São Vicente, localizada no centro histórico da Guarda, num dos eixos principais (Rua Direita) da cidade que fazia a ligação entre duas das portas da antiga muralha, a Porta d´El Rei e a Porta da Erva.

    Com fundação medieval, a Igreja de São Vicente que vemos atualmente corresponde a uma reconstrução efetuada no séc. XVIII, iniciada em 1790, por iniciativa de D. Jerónimo Rogado de Carvalhal e Silva, bispo da Guarda entre 1772 e 1797. O risco deve-se a António Fernandes Rodrigues, de formação italiana, nomeado professor de desenho da Casa Pia em 1781. Na igreja, de nave única, destaca-se o programa iconográfico do revestimento azulejar, atribuído ao artista conimbricense Sousa Carvalho.

    Os painéis historiados representam temas fundamentais da doutrina cristã, entre os quais se destaca a Anunciação, a Torre de David, a Visitação, a Adoração dos Magos, a Fuga para o Egipto e a Paixão de Cristo. A capela-mor, virada simbolicamente para Oriente, foi construída num plano mais elevado ao da nave, sendo antecedida por degraus. Este facto e a iluminação escolhida fazem parte de uma cenografia característica do barroco.

 

     Fonte: Calafrio

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