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Sanches de Carvalho evocado na Guarda

por Correio da Guarda, em 22.05.24

 

 

O Secretariado Diocesano da Cultura e Comunicação (SDCC) assinalou, no passado dia 15 de maio, o 120º aniversário do jornal A Guarda. “120 anos de homens e letras - A Guarda e os seus construtores” foi o tema do seminário que decorreu Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, Guarda.

O programa integrou uma intervenção do Bispo da Diocese da Guarda, D. Manuel Felício, tendo depois sido feita a contextualização da iniciativa por Dulce Helena Borges, coordenadora do Secretariado Diocesano da Cultura e Comunicação (SDCC). “Ao longo dos anos, a cidade da Guarda, por ser capital de diocese, promoveu o aparecimento de um avultado número de publicações católicas, de que o jornal A Guarda foi mentor e o timoneiro, tendo-se imposto como matriz de referência e como orientador da imprensa católica e dos órgãos oficiais de diversas dioceses do País”, afirmou Dulce Borges.

“É impossível escrever sobre a história da Guarda sem recorrer à consulta deste jornal. É inegável a importância e o contributo que, este órgão de comunicação, tem dado para a construção da história da cidade e da região nos últimos 120 anos”. Acrescentou a Coordenadora do SDCC. “Porque um jornal vive da dinâmica imprensa por personalidades carismáticas entendeu o Secretariado Diocesano da Cultura e Comunicação recordar o Cónego Sanches de Carvalho diretor e redator principal, durante décadas, do jornal A Guarda. Homem de cultura, com vasta obra publicada e grande envolvimento na estrutura da Igreja não teve até hoje a merecida reflexão em torno da sua importante obra. É este, pois, o propósito desta atividade”, esclareceu Dulce Borges, aludindo ao Seminário “120 anos de homens e letras - A Guarda e os seus construtores”.

SEminário DPCT 3.jpg 

Henrique Santos, Anabela Matias, Hélder Sequeira, Liliana Carona, Dulce Borges, D. Manuel Felício (da esq. para a direita)

 

“A imprensa religiosa em Portugal” foi o tema da comunicação apresentada por Fernando Sousa que traçou a evolução da Imprensa Católica em Portugal desde a década de 1880 até ao presente. Fernando Sousa chamou a atenção para os principais jornais publicados e seu enquadramento político-social, distinguindo três períodos: 1872-1926, de combate e defesa da Igreja; 1926-1976, de afirmação do movimento católico e recristianização da população; e de 1976 ao presente, de plena liberdade, atingindo um múltiplo e vasto universo.

Neste seminário, Anabela Matias interveio com uma apresentação intitulada “Sanches de Carvalho, um humanista para o nosso tempo". “Homem de muitas habilidades, dedicou toda a vida ao ensino, à comunidade da Guarda e ao jornal A Guarda”, referiu Anabela Matias, para quem “será, talvez, na área da comunicação que a sua presença [Sanches de Carvalho] mais se fará notar: a 27 de maio de 1957 assume funções de Chefe de Redação do Jornal A Guarda e em 31 de maio de 1974 o cargo de diretor, que manterá até 2006. Foi editor e diretor da revista cultural do Seminário da Guarda, Horizonte.”

No decorrer da sua intervenção, Anabela Matias disse ainda que Sanches de Carvalho, além das funções desempenhadas no jornal A Guarda, “tem uma profícua produção literária centrada em temas religiosos”, tendo ainda estado “na fundação do Centro Cultural da Guarda e na génese do Rancho Folclórico da Guarda. Sem dúvida, um humanista e com uma visão bastante eclética da cultura.”

Henrique Santos apresentou uma comunicação subordinada ao tema “A revista Horizonte, fonte de cultura ao tempo de Sanches de Carvalho”. Uma personalidade que foi definida como “um homem sempre muito vocacionado e preocupado com a divulgação do conhecimento e um apaixonado pelo jornalismo. Deixa-nos um grande legado, que é necessário investigar. Exemplo disso são também os dois volumes de sua autoria sobre a vida e obra de D. João de Oliveira Matos, fundador da Liga dos Servos de Jesus, que também tive o privilégio de trabalhar a propósito de uma investigação que realizei sobre esta Diocese.” Anotou Henrique Santos na comunicação que apresentou neste seminário. “Parece estarmos diante de uma publicação de promoção e divulgação de cultura, mas com cariz tradicional e conservador e de inspiração humanista e religiosa, com denúncias ao modernismo ateu, é o que acabamos por concluir destas páginas de síntese sobre este projeto”, como referiu o conferencista para quem “seria interessante fazer um estudo das publicações na sua totalidade e dar a conhecer o seu conteúdo de forma completa e os diferentes sectores existentes, especialmente, os científicos, históricos, filosóficos, biográficos, religiosos e de arte.”

“O papel das mulheres num jornal centenário: o caso do jornal A Guarda” foi o título da intervenção de Liliana Carona. “Não foram apenas homens nos 120 anos do jornal A Guarda” afirmou esta jornalista que demonstrou não serem “apenas 120 anos de homens e letras”, mas sim, 120 anos “feitos com o contributo de muitas mulheres, na revisão de provas, na introdução das novas tecnologias na redação, enquanto repórteres, e até como fotojornalistas, não esquecendo o papel de algumas mulheres na coordenação e chefia editorial, apesar da ocultação e esquecimento dos seus nomes (nem sempre as fichas técnicas as identificavam).”

Liliana Carona sublinhou, no decorrer da sua intervenção, que “a mulher sempre esteve presente no jornal ‘A Guarda’, desde os seus primórdios, com artigos internacionais, traduzidos por mulheres, mas também com notícias e reportagens escritas por elas. Ainda que alguns artigos fossem assinados por pseudónimos, elas sempre contribuíram para a sobrevivência deste jornal centenário.” Tendo já consultado outros arquivos de jornais centenários, esta investigadora considerou que o jornal A Guarda “revela uma surpreendente participação de mulheres nas suas páginas, nomeadamente quando se observa a primeira década de publicação”.

 

 

 

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