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“O Natal traz um novo olhar e uma nova possibilidade às questões da imigração, das polarizações sociais e políticas, da fraternidade nas relações”, afirma o Bispo da Guarda, D. José Miguel Pereira, na sua mensagem natalícia.
“Como acontece ciclicamente, nesta altura do ano estamos a viver a quadra natalícia. Sucedem-se as luzes de Natal, os jantares de Natal, os concertos de Natal; surgem as promoções comerciais de Natal, e as campanhas solidárias de Natal; multiplicam-se os encontros familiares, os votos de boas festas, os sentimentos de solidariedade, harmonia, justiça, paz e bem. E repetem-se os desejos, mesmo que pouco convictos, de que tudo isto se prolongasse por todo o ano porque, no dizer de muitos, “o Natal é quando o Homem quiser”.
O Bispo da Guarda interroga depois: “então, porque não saímos deste “eterno retorno” que parece manter o Natal confinado a esta fase final do ano e transição para o Ano Novo? Talvez porque nos tenhamos esquecido do que é o Natal, e da sua força transformadora e recriadora para o mundo.”

D. José Miguel Pereira acrescenta depois que “assistimos, impotentes, às vezes anestesiados, à perpetuação de conflitos e guerras, de perseguições religiosas (como na Nigéria), de intensificação de uma dialética maniqueísta dos maus contra os bons, onde se desqualifica o outro para o cancelar, se escala o conflito, se difunde o discurso condenatório, e com ódio se acusa o outro de discurso de ódio.”
Segundo o prelado egitaniense, “o Natal oferece outra possibilidade de relações, fundadas numa autoridade diferente: a força da aliança e da paz sobre a inimizade e o ódio; o direito e a justiça como promoção do bem comum sobre a lógica de fação ou de grupo; os horizontes do que é duradouro sobre o imediato; o discernimento como abertura à luz do Bem e da Verdade absolutas e universais que resgatam da autossuficiência e do aparente bem, relativo e contingente.”
O Bispo da Guarda acrescenta , na sua mensagem, que “face à lógica que só reconhece quem domina, quem tem cobertura mediática, quem se enquadra na cultura dominante, quem tem acesso aos corredores dos poderes, o Natal mostra que as respostas têm de articular os centros principais e as periferias, a resposta local e todo o povo. Seja nas grandes questões como a paz e o clima, como nas mais imediatas como o desenvolvimento regional, a organização territorial, a floresta e o fogo.”
José Miguel Pereira apela ainda para que não se esvazie o Natal de forma que ele “possa impulsionar e abrir, de novo, os caminhos que o mundo necessita para os desafios que enfrenta.”
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