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O terceiro director do Sanatório da Guarda

por Correio da Guarda, em 04.09.14

 

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publicado às 23:59

Livro

por Correio da Guarda, em 31.08.14

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publicado às 23:26

Antes que seja tarde...

por Correio da Guarda, em 18.07.14

 

     Nos períodos eleitorais das últimas décadas tem havido questões ciclicamente reeditadas, dada a sua incidência junto do cidadão comum; a saúde tem sido uma delas e, a nível da Guarda, a principal estrutura do sector motivou, ao longo dos anos, particular atenção.

    Durante muito tempo, e como alguns devem estar recordados, o poder político foi protelando a decisão de concentrar na área outrora ocupada pelo Sanatório Sousa Martins os serviços hospitalares que funcionavam no bloco da Rua Dr. Francisco dos Prazeres, em instalações pertencentes à Misericórdia da Guarda.

    Apesar de alguns responsáveis pelo sector da saúde terem reconhecido que esta cidade possuía um espaço ímpar para a atividade de um bom estabelecimento hospitalar, depressa essas palavras caíam no esquecimento e os projetos encetados tinham como destino uma qualquer gaveta das secretárias ministeriais.

    Ao longo de vários anos teve lugar – haja memória – o penoso vaivém de doentes entre o centro da cidade e o atual Parque da Saúde; a dispersão de serviços fazia disparar as despesas do hospital e dificultava o aproveitamento racional de meios humanos e técnicos, com as consequências óbvias. A concentração de serviços, mais tarde concretizada, não foi feita num quadro de previsões que contemplasse um mais vasto horizonte temporal, onde ficasse garantida a progressiva e adequada articulação com novas estruturas e espaços, assegurando a identidade de uma área que durante décadas constituiu uma autêntica cidade e projetou a Guarda, dentro e fora das fronteiras nacionais.

    De hesitação em hesitação, com diferenciadas diretrizes político-partidárias de permeio, a Guarda assistiu, impávida e serena – salvo uma ou outra tomada de posição pública, apesar de tudo inconsistente – à progressiva degradação dos pavilhões do ex-Sanatório (inegável e insubstituível património desta terra), ao desaparecimento de muitas memórias de uma época marcante desta secular cidade.

    Apontados os erros e equacionadas as soluções, o Hospital da Guarda permaneceu, durante anos, nos caminhos da indecisão governamental e serviu de arma de arremesso nos confrontos político-partidários; perdeu-se demasiado tempo, enquanto noutras zonas se trabalhou com mais rapidez e união de esforços.

    Hoje, e já perante a existência de um novo bloco hospitalar (que tardou em abrir...) colocam-se redobradas incertezas, pesem as declarações de responsáveis pelo setor, quanto aos restantes edifícios do Parque da Saúde; há alguns anos atrás, escrevíamos que era, face às obras em curso, importante/urgente, tomar algumas precauções relativamente ao recheio de alguns edifícios ainda erguidos no Parque da Saúde. E porquê?

    No ano 2000, uma comissão mandatada pela Administração do Hospital da Guarda efetuou o levantamento do espólio que seria destinado a um futuro Museu do Sanatório Sousa Martins, o que seria, desde logo, instituição única, com estas características, a nível nacional.

    O trabalho desenvolvido, nessa altura, nos edifícios da lavandaria, oficina de carpintaria, oficina de pintura, padaria (este existiu junto à atual helipista e funcionava como “armazém” de diverso material!..), pavilhão D. António de Lencastre, edifício do Raio X, pavilhão novo e em vários serviços localizados naquele bloco permitiu identificar e inventariar muitos objetos e equipamentos que pertenceram ao antigo Sanatório.

    Como sejam aparelhos de Raio X, equipamentos de lavandaria, equipamento médico, objetos cirúrgicos, processos médicos, mesas, armários, roupeiros, camas de cura, toucadores, cómodas, mesas de jogo, armários louceiros, cadeiras, caixas para transporte de recolha de sangue, estantes, livros, máquina de projetar filmes, piano de cauda, bengaleiros, relógios, móveis de farmácia, equipamento de apoio hospitalar, peças de cerâmicas, móvel giratório para revistas, pinturas a óleo, microscópios, balanças, cómoda “arte nova”, aparelho de pneumotorax, mobiliário diversificado, candeeiros, escrivaninhas, bancos, mobiliário dos anos 50, cadeiras de várias tipologias.

    A relação do material identificado, bem como as atas das reuniões da referida comissão foram oportunamente entregues à direção da unidade hospitalar em referência.

    Há anos atrás, chegou a ser anunciada, na Guarda (em véspera de eleições, diga-se) a criação do Museu da Saúde, que teria um âmbito nacional; tempo depois, em Lisboa, foi assinado um protocolo entre o Instituto Nacional de Saúde “Doutor Ricardo Jorge” e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica com vista à implementação de um Museu da Saúde, cujo núcleo embrionário é formado – tal como foi então noticiado – por peças da coleção da Direcção Geral de Saúde “recebidas em parte dos antigos sanatórios da luta anti-tuberculose”... desconhecemos o desenvolvimento deste projeto...

   Contudo, e face às mudanças físicas e estruturais entretanto operadas na ULS  da Guarda não será importante acautelar, salvaguardar, o espólio ainda existente (e julgamos que ainda disperso) e pensar, atempada, séria e responsavelmente, num espaço museológico condizente?

    Antes que seja tarde e para que não se perca mais uma memória citadina...numa Guarda de referência!

    H.S.

    In O Interior, 17/7/2014

 

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publicado às 00:28

Guarda: património em perigo (3)

por Correio da Guarda, em 19.03.14

 

 

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publicado às 22:59

Guarda: património em perigo (2)

por Correio da Guarda, em 16.03.14

 

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publicado às 23:22

Guarda: património em perigo

por Correio da Guarda, em 15.03.14

     Guarda. Pavilhão D. António de Lencastre | Ex-Sanatório Sousa Martins

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publicado às 22:00

     O antigo Sanatório Sousa Martins, na Guarda, foi classificado como conjunto de interesse público, através de portaria ontem publicada em Diário da República.

     A portaria 39/2014, do Secretário de Estado da Cultura refere que a classificação do antigo Sanatório reflete os critérios relativos ao “carácter matricial do bem, ao génio do respetivo criador, ao seu interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua conceção arquitetónica, urbanística e paisagística, à sua extensão e ao que nela se reflete do ponto de vista de memória coletiva, e às circunstâncias suscetíveis de acarretarem diminuição ou perda da perenidade ou da integridade do bem”.

     A designação de “Cidade da Saúde”, atribuída à Guarda, em muito se fica a dever ao Sanatório que a marcou indelevelmente, ao longo de décadas, no século passado.

     A Guarda foi, nessa época, uma das cidades mais procuradas de Portugal. A afluência de milhares de pessoas à cidade deixou inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural; a sua apologia como localidade “eficaz no tratamento da doença” foi feita por distintas figuras da época, pois era “a montanha mágica” junto à Serra.

     Muitas pessoas (provenientes de todo o país e mesmo do estrangeiro) subiam à cidade mais alta de Portugal com o objetivo de usufruírem do clima de montanha, praticando, assim, uma cura livre, não sendo seguidas ou apoiadas em cuidados médicos.

     As deslocações para zonas propícias à terapêutica “de ares”, e a consequente permanência, contribuíram para o aparecimento de hotéis e pensões, dado não haver, de início, as indispensáveis e adequadas unidades de tratamento; situação que desencadeou fortes preocupações nas entidades oficiais da época.

     Em 1881 a Sociedade de Geografia de Lisboa promoveu uma Expedição Científica à Serra da Estrela, sendo integrada, entre outros, pelo médico Sousa Martins Dessa expedição resultou a elaboração de relatórios das várias secções científicas. A iniciativa teve, igualmente, o mérito, e através dos esforços de Sousa Martins, de chamar a atenção dos meios científicos e clínicos de então para as condições que esta região oferecia para o tratamento da tuberculose.

     Quatro anos depois realizou-se o primeiro Congresso Português sobre Tuberculose onde Lopo de Carvalho (que viria a ser o primeiro Director do Sanatório Sousa Martins, e pai de outro conceituado clínico) discursou sobre os processos profiláticos usados na Guarda. Este médico foi um dos mais fervorosos defensores da criação do Sanatório que seria inaugurado a 18 de Maio de 1907, com a presença do rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia. A autoria do projeto dos edifícios pertence a Raul Lino.

    O fluxo de tuberculosos superou, largamente, as previsões, fazendo com que os pavilhões do Sanatório Sousa Martins se tornassem insuficientes perante a procura; o Pavilhão 1 (designado também de Lopo de Carvalho, e onde funciona atualmente a sede e administração da ULS da Guarda) teve de ser aumentado um ano depois, duplicando a sua capacidade.

    Um novo pavilhão, que se juntou aos três já existentes, foi inaugurado em 31 de Maio de 1953; com este novo edifício – onde funcionam os principais serviços da Unidade Local de Saúde da Guarda, Cardiologia, Pneumologia, Medicina Interna, Pediatria, etc. – o Sanatório Sousa Martins ganhou maior dimensão, assumindo-se, ainda mais, como uma “povoação” auto suficiente, dentro da própria cidade.

    Este edifício assinala, no corrente ano, o seu 61º aniversário.

    Após o 25 de Abril de 1974, o Sanatório Sousa Martins entrou na fase final da sua existência. Em Novembro do ano seguinte aquele Sanatório foi integrado no Hospital Distrital da Guarda; após 68 anos de existência, esta instituição de saúde conclui a sua eminente função social. (H.S.)

 

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publicado às 00:01

Lopo de Carvalho

por Correio da Guarda, em 20.01.14

     Lopo José de Figueiredo Carvalho (1857-1922), primeiro director do Sanatório Sousa Martins, Guarda. Busto existente no interior do Parque da Saúde.

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publicado às 23:13

Bola de Neve

por Correio da Guarda, em 21.12.13

 

     O Sanatório Sousa Martins marcou a Guarda, indelevelmente, na primeira metade do século XX, cidade a que deu uma indiscutível projeção nacional e internacional.

     Nesta instituição, inaugurada a 18 de Maio de 1907, confluíram doentes portadores das mais diversas habilitações literárias; assim, não é de estranhar que surgissem vários projetos, de índole cultural e recreativa, orientados para o preenchimento do tempo livre entre os tratamentos.

     De entre as diversas iniciativas merece particular destaque o jornal Bola de Neve, tutelado pela Caixa Recreativa do Sanatório, uma associação de solidariedade cujos objetivos principais eram “facultar, especialmente aos doentes, as distrações compatíveis com o seu estado de saúde; manter e desenvolver a Biblioteca (…)”.

     A Caixa Recreativa, de cuja atividade há conhecimento até 1954 antecedeu a criação do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins (CERISSM), que, embora adaptado às exigências legais da época, manteve a mesma filosofia de apoio assistencial.

     A referida publicação periódica, definida inicialmente como boletim, surgiu a 1 de Fevereiro de 1948, sob o título Bola de Neve. O seu primeiro diretor foi o Engº Agrónomo Álvaro Martins da Silva; até ao mês de Junho desse ano o jornal, editado quinzenalmente, constituiu um dos meios de comunicação nascidos no interior do Sanatório. Neste projeto empenharam-se também outras pessoas, como Ladislau Patrício (o terceiro diretor do Sanatório) e Carlos Serra Pereira, que ajudaram a contornar os obstáculos, nomeadamente de ordem financeira, inerentes à atividade editorial, harmonizando-os com as exigências decorrentes das normas daquele estabelecimento de saúde.

    Amorim Girão, Miguel Torga, Damião Peres, Joaquim Veríssimo Serrão, Nuno de Montemor, Cândido Guerreiro, Gonçalo de Reparaz, Messias Gonçalves, Mendes Fernandes, Alberto Dinis da Fonseca, J. Romão Duarte, Otília de Bastos Couto, João de Almeida; Torquato Gomes, Jerónimo de Almeida, Moradas Ferreira, Martins de Carvalho, Gastão Sousa Dias, Alberto Seco de Oliveira e Garcia Sainz, entre outros, colaboraram neste periódico.

     O Bola de Neve é um expressivo exemplo de como a criatividade, o fenómeno cultural ou o desenvolvimento de projetos editoriais podem ocorrer nas periferias, longe dos centros tradicionais; basta que haja objetivos claros, empenho, trabalho e qualidade. Aspeto que é tanto mais de realçar quanto aludimos, neste breve apontamento, à feitura de um jornal nos finais da primeira metade do século passado, numa pequena cidade do interior, com todos os condicionalismos e dificuldades inerentes.

     Para além da importância como projeto editorial, o “Bola de Neve” constitui uma importante fonte para o conhecimento da evolução do Sanatório e dos seus vários sectores. Os primórdios da Rádio Altitude, a vivência de muitos dos internados; os aspetos históricos e etnográficos da região da Guarda foram igualmente retratados nas páginas deste interessante órgão de informação, editado por uma associação de beneficência, cuja atividade acompanhava de perto, como uma porta aberta e franca para a comunidade exterior.

     Simultaneamente, o BN é um salutar exemplo do aproveitamento do tempo livre dos internados no Sanatório Sousa Martins, fórmula feliz de aplicação das suas capacidades e habilitações, manifesto reconhecimento da faculdade de congregar eminentes colaboradores a partir de uma iniciativa que nasceu no alto da montanha, do Portugal interior.

     É importante que a Guarda não esqueça exemplos como este, de afirmação cultural, de criatividade e marca qualitativa. H.S.

     In "O Interior", 19|12|2013

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publicado às 20:44

Uma Rádio no Sanatório da montanha

por Correio da Guarda, em 06.08.13

 

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publicado às 12:30


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