Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Votos de Bom Ano Novo

por Correio da Guarda, em 31.12.25

Feliz 2026_CG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:30

Feira das Tradições em Pinhel

por Correio da Guarda, em 30.12.25

 

A trigésima primeira edição da Feira das Tradições vai decorrer em Pinhel de 13 a 15 de fevereiro de 2026.

Este ano, aquele certame tem como tema “Caminhos da Saudade: a Emigração Pinhelense pelo Mundo”.

Este evento “tem vindo a crescer e a afirmar-se pela qualidade com que brinda os milhares de visitantes que anualmente passam pelo recinto daquele que é já considerado o maior certame de inverno da Beira Interior.” Refere uma nota informativa divulgada pelo município de Pinhel.

A Feira das Tradições terá lugar no Centro Logístico de Pinhel. Até ao próximo dia 28 de janeiro estão abertas as inscrições para expositores. Outras informações estão disponíveis aqui.

Banner-INSTA-Inscricoes-31aFTAE-Pinhel-2026-1024x820

Siga-nos também aqui.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:48

O desprezo pelo património…

por Correio da Guarda, em 28.12.25

 

Carlos Caetano, historiador e investigador na área de História da Arte, comentou-nos que “o património tem sido vítima da indiferença de quase todos (autoridades civis e eclesiásticas incluídas) mas também do snobismo cultural de muitos eruditos, que só têm tido olhos para as chamadas obras-primas”.

Acrescentava, depois que “o património é um lastro urbanístico e construtivo (e imaterial também) que tem que ser visto na sua globalidade, o que nunca foi feito – nem na Guarda nem, entre nós, praticamente em lado nenhum, infelizmente”.

Natural de Trancoso, Carlos Caetano conhece muito bem a realidade distrital, onde tem desenvolvido uma variada e meticulosa investigação que lhe confirma a evidência. “O distrito e a diocese da Guarda detêm um património de uma valia inestimável, que se manifesta em obras de todo o tipo e em muito grande parte desconhecidas e ignoradas ou então desvalorizadas pelos historiadores”. Aludindo ao “extraordinário património religioso, militar e civil que o passado nos legou”, confessa que é difícil fazer escolhas ou distinções, mas lembra todo um “património urbanístico sensacional de cidades, vilas e aldeias do distrito, constituído por inúmeros conjuntos urbanos fabulosos e sempre esquecidos – conjuntos urbanos cuja valia urge reconhecer e conservar na sua dignidade e na sua harmonia tão ferida ou ameaçada, às vezes por intervenções feitas com as melhores intenções…”.

A ação urgente e pragmática das entidades que tutelam o património é um dos sublinhados que faz nessa entrevista, onde defende que “a curto, médio e longo prazo, há que intervir também a nível educativo, de uma forma informal ou sistemática, visando uma efetiva educação artística com uma forte componente patrimonial – um desígnio pedagógico dos mais prementes e dos mais difíceis de alcançar.”

No decorrer das investigações efetuadas, na nossa zona, tem tido várias surpresas, face a importantes peças do nosso património, de “uma valia inestimável, que se manifesta em obras de todo o tipo e em muito grande parte desconhecidas e ignoradas ou então desvalorizadas pelos historiadores e até por alguns eruditos locais. Destaquem-se os fragmentos de marcos miliários reciclados para novas funções: para poiais dos cântaros no chafariz de Cavadoude ou para servir de pia de água benta na igreja do Codesseiro. Surpresa absoluta, as magníficas traves mudéjares de início do século XVI que sobreviveram do forro quinhentista (hoje perdido) desta mesma igreja. Outra surpresa absoluta foi o conjunto extraordinário de igrejas leonesas que sobrevivem na Raia (Castelo Rodrigo, Escarigo, Mata de Lobos…), com características morfológicas únicas.”

Outra surpresa, destacou ainda, prende-se com “a abundância e a valia extraordinária de escultura pré-barroca, manifestada em relevos e em imagens de vulto, alguma dela atribuída a mestres alemães e sobretudo flamengos quinhentistas, alguns já identificados”; outrossim os dois “chafarizes extraordinários da Vela, presentemente remontados no terreiro fronteiro ao Lar da Misericórdia local, que faziam parte do conjunto que integrava o chafariz de Santo André, colocado na Alameda homónima da Guarda ainda na primeira metade do século passado. Ora, todo este conjunto de chafarizes, verdadeiramente monumental, fazia parte de um jardim barroco que há-de ter sido sumptuoso e que integrava mesmo uma extraordinária e raríssima “casa de fresco” que chegou até nós e que é a única que conhecemos na Beira Alta. Quanto às esculturas dos chafarizes da Vela, pela erudição, pelas pretensões, pela singularidade da sua iconografia e pelo refinamento da factura, parece poderem ser atribuídas aos grandes mestres que criaram e modelaram o Escadório do Bom Jesus de Braga, como espero mostrar em lugar próprio.”

O nosso património não pode ser arrumado para um canto, esperando melhores momentos ou aguardando predisposições pessoais e políticas, sob a oportunidade de agendas eleitorais, sempre com argumentos financeiros subjacentes no contraponto com outras necessidades prioritárias.

Claro que resolver problemas equacionados como prioridade para a comunidade regional não significa haver impedimento de, paralelamente, as entidades ou instituições responsáveis se empenharem na procura das melhores soluções e da sua concretização. Veja-se, a título de exemplo, o que tem sucedido com o património construído do Sanatório Sousa Martins; um progressivo, constrangedor e reprovável adiamento da salvaguarda dos antigos e emblemáticos pavilhões que integravam aquela reputada unidade de tratamento da tuberculose. E sim, o Sanatório Sousa Martins foi um ex-libris da Guarda, e não os seus pavilhões individualmente considerados, como ouvíamos recentemente pela voz de quem tem obrigação de conhecer, minimamente, a história do Sanatório da Guarda…

Pavilhão António Lencastre_Sanatório_foto HS_

Ao longo das últimas cinco décadas houve muitas propostas e soluções apresentadas; assim não é por falta de diagnóstico, mas de tratamento, que a “saúde” dos pavilhões Rainha D. Amélia e D. António de Lencastre (já temos ouvido falar em D. Leonor de Lencastre…) não mereceu a mais que justa, premente e justificada atenção.

É contra esta indiferença que temos de agir, sem tibiezas, em prol da salvaguarda e promoção do nosso património, globalmente entendido; numa atuação inequívoca, assente num espírito de diálogo crítico e construtivo, recusando o anonimato, mas privilegiando a frontalidade e seriedade. É fundamental que deixemos de ser “socialmente, uma coletividade pacífica de revoltados” nas expressivas palavras de Miguel Torga.

Saibamos valorizar o nosso património, conhecer o passado para melhor compreendermos e vivermos o presente, garantindo o seu legado para o futuro!...

 

Siga-nos também aqui.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:01

Madeiro de Natal vai arder na Guarda

por Correio da Guarda, em 23.12.25

Madeiro_2023_HS

Na Praça Luís de Camões, na Guarda, terá lugar amanhã a habitual queima do Madeiro de Natal, com início agendado para as 16 horas.

Como tem acontecido em anos anteriores, a queima do Madeiro de Natal dá o mote para um brinde natalício e desejos de Boas Festas, por parte de quem se associar a esta iniciativa integrada no programa da Cidade Natal.

Na referida praça - para onde têm convergido muitos visitantes nacionais e estrangeiros -  haverá animação musical, bebidas e doces regionais típicos desta quadra natalícia.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:30

Feliz Natal

por Correio da Guarda, em 22.12.25

FELIZ NATAL _CG_2025

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:27

A leitura do interior...

por Correio da Guarda, em 20.12.25

 

Uma sociedade sem imprensa” era o título do último editorial do semanário "O Interior", assinado pelo seu diretor, que escreveu a propósito da possível supressão da distribuição de jornais e revistas em territórios do interior. Referia, a determinada altura, que “a ausência de imprensa é apenas mais um marco neste processo de abandono estrutural que nenhum discurso político consegue disfarçar”.

Nesse texto, Luís Baptista-Martins alertava ainda para o facto de que “sem um despertar para o apoio aos jornais e rádios locais, a imprensa regional vai acabar em breve (…)”. Este é um cenário que nos deve preocupar a todos, tanto mais que a denominada imprensa regional tem, no nosso país, uma expressão muito particular.

No passado século, ao longo do território nacional existiram (outros persistem ainda, felizmente) os mais variados títulos que deram voz a múltiplas posturas e cuja influência deixou traços indeléveis na historiografia regional. Muitos desses jornais evoluíram, como se sabe, em função das conjunturas políticas, sociais e económicas. Os seus exemplares constituem, inquestionavelmente, importantes documentos para o estudo do perfil de cada região, das mentalidades, das instituições e das vivências.

A imprensa regional tem, por mérito próprio, um lugar de destaque na cultura portuguesa. Além disso, a imprensa regional tem sido um baluarte da forma de estar e de ser, das nossas gentes, das nossas terras. Trabalhar, com seriedade e profissionalismo, neste setor não se pode dizer que, nos dias de hoje, seja tarefa fácil; só quem vive e sente os problemas dos periódicos regionais, e o entusiasmo do ciclo do nascer e morrer de cada edição, pode apreender a vivência e a sensação que tornam estes jornais barómetros permanentes dos factos e das conjunturas das zonas em que são editados; outrossim, um catalisador constante de energias e esperanças.

A imprensa regional tem sabido enfrentar as suas vicissitudes, alimentando o direito à informação, rompendo o isolamento, desempenhando a sua função social, ainda que (por vezes) com alguns erros ou desvios no percurso.

Jornais_foto HS_

A imprensa regional viveu, durante largo tempo sem um enquadramento legal consentâneo com as modificações sociais, políticas e tecnológicas; daí que tenha sido reconhecida a necessidade em dotá-la de um estatuto próprio. Em 31 de Março de 1988 foi publicado o Estatuto de Imprensa Regional, que proporcionou o indispensável enquadramento legal dos jornais regionais e definiu os direitos e deveres dos jornalistas da imprensa regional, reconhecendo, como escrevemos então, a “relevância da sua função”. Mesmo assim, subsistiram questões em relação às quais foram apontadas, as adequadas soluções, proteladas ao longo dos anos.

Ainda no passado século, foram várias as iniciativas que chamaram a atenção para os problemas e as necessidades da imprensa regional do interior. Em 11 e 12 de abril de 1981, promovido pela Rádio Altitude, realizou-se o I Encontro de Comunicação Social da Beira Interior; o objetivo foi “chamar a atenção para os problemas e anseios dos media da nossa região e outrossim destacar a sua importância no desenvolvimento sociocultural desta”.

Da análise das diversas intervenções, como dos debates realizados, ressaltava (entre as várias conclusões) a necessidade de “uma distribuidora nacional que supere as dificuldades atuais de distribuição, impõe-se, tal como o fomento da leitura junto das populações para tal desmotivadas”. Isto era afirmado em 1981…

Algumas dessas necessidades foram reafirmadas, mais tarde no decorrer das I Jornadas Luso-Espanholas de Imprensa Regional, promovidas (pelo jornal Notícias da Guarda) em 18 e 19 de maio de 1985; em 16 de janeiro de 1988 num colóquio subordinado ao tema “Imprensa Regional e Poder Local” (que o mesmo jornal promoveu em Vila Nova de Foz Coa) acentuámos que “o desencanto comum, e recíproco, de algumas autarquias e jornais resulta, fundamentalmente, da falta de uma reflexão acerca do seu papel junto da comunidade em que se inserem ou de uma visão estreita e dogmática face a conceitos como democracia, liberdade de consciência e de expressão. Afirmar que de um relacionamento correto entre autarquias e jornais resultam mais benefícios do que prejuízos (e o cenário é a comunidade regional onde se inserem) não representa, de maneira alguma, uma novidade. Estes dois poderes devem estar, como já referimos, vocacionados para um serviço em prol das regiões(...)”. Nas conclusões desse colóquio era evidenciado que a imprensa regional se devia “afirmar como um interlocutor privilegiado no diálogo entre os munícipes e as autarquias, sobre as quais deve existir uma ação crítica e objetiva”.

Naturalmente que neste contexto, a que temos estado a aludir, não devemos esquecer a importância da Rádio, tanto mais que este distrito foi, pioneiro em termos radiofónicos, como é do domínio público; bastaria, para tanto, falarmos da Rádio Altitude, com as emissões oficiais foram iniciadas em 1948. As rádios locais continuam a desempenhar um destacado papel informativo.

Os constrangimentos, as necessidades dos media regionais, as suas reivindicações não dizem respeito à conjuntura atual, como anotámos atrás. O trágico desaparecimento de jornais e rádios é bem conhecido. Assim, que importam medidas anunciadas se elas não têm uma aplicação prática e célere?...

O interior do país precisa de uma comunicação social de proximidade, com condições para ser capaz de exercer autónoma e independente a sua função informativa e social, com rigor e pluralismo. E precisa, igualmente, de poder aceder, como acontece nas outras regiões, às publicações de circulação nacional.

Aqui também é Portugal!...

 

Hélder Sequeira

in "O Interior", 17 dezembro 2025

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:14

Presépio

por Correio da Guarda, em 17.12.25

Presépio Paço da Cultura_HS_ 9-2 

Guarda. Presépio no Paço da Cultura.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:08

Bispo da Guarda: Natal é força recriadora

por Correio da Guarda, em 13.12.25

 

“O Natal traz um novo olhar e uma nova possibilidade às questões da imigração, das polarizações sociais e políticas, da fraternidade nas relações”, afirma o Bispo da Guarda, D. José Miguel Pereira, na sua mensagem natalícia.

“Como acontece ciclicamente, nesta altura do ano estamos a viver a quadra natalícia. Sucedem-se as luzes de Natal, os jantares de Natal, os concertos de Natal; surgem as promoções comerciais de Natal, e as campanhas solidárias de Natal; multiplicam-se os encontros familiares, os votos de boas festas, os sentimentos de solidariedade, harmonia, justiça, paz e bem. E repetem-se os desejos, mesmo que pouco convictos, de que tudo isto se prolongasse por todo o ano porque, no dizer de muitos, “o Natal é quando o Homem quiser”.

O Bispo da Guarda interroga depois: “então, porque não saímos deste “eterno retorno” que parece manter o Natal confinado a esta fase final do ano e transição para o Ano Novo? Talvez porque nos tenhamos esquecido do que é o Natal, e da sua força transformadora e recriadora para o mundo.”

BISPO DA GUARDA_fot Diocese da Guarda

D. José Miguel Pereira acrescenta depois que “assistimos, impotentes, às vezes anestesiados, à perpetuação de conflitos e guerras, de perseguições religiosas (como na Nigéria), de intensificação de uma dialética maniqueísta dos maus contra os bons, onde se desqualifica o outro para o cancelar, se escala o conflito, se difunde o discurso condenatório, e com ódio se acusa o outro de discurso de ódio.”

Segundo o prelado egitaniense, “o Natal oferece outra possibilidade de relações, fundadas numa autoridade diferente: a força da aliança e da paz sobre a inimizade e o ódio; o direito e a justiça como promoção do bem comum sobre a lógica de fação ou de grupo; os horizontes do que é duradouro sobre o imediato; o discernimento como abertura à luz do Bem e da Verdade absolutas e universais que resgatam da autossuficiência e do aparente bem, relativo e contingente.”

O Bispo da Guarda acrescenta , na sua mensagem, que “face à lógica que só reconhece quem domina, quem tem cobertura mediática, quem se enquadra na cultura dominante, quem tem acesso aos corredores dos poderes, o Natal mostra que as respostas têm de articular os centros principais e as periferias, a resposta local e todo o povo. Seja nas grandes questões como a paz e o clima, como nas mais imediatas como o desenvolvimento regional, a organização territorial, a floresta e o fogo.”

José Miguel Pereira apela ainda para que não se esvazie o Natal de forma que ele “possa impulsionar e abrir, de novo, os caminhos que o mundo necessita para os desafios que enfrenta.”

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:00

Instalação artística "Anjos da Guarda"

por Correio da Guarda, em 11.12.25

 

No Pátio do Museu da Guarda está patente até ao próximo mês de janeiro a instalação artística “Anjos da Guarda”.

Trata-se de um projeto das guardenses Adriana Almeida e Beatriz Vieira da Silva e é composta por estruturas cúbicas iluminadas, com imagens alusivas à quadra natalícia com o tema Anjo da Guarda.

Estas imagens foram concebidas no âmbito de uma residência artística protagonizada por jovens artistas guardenses. A iniciativa integra o programa da “Guarda, Cidade Natal”.

Anjos da Guarda 

Foto: CMG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:35

Rui de Pina na (re)descoberta da cidade…

por Correio da Guarda, em 04.12.25

 

Rui de Pina é uma das personalidades que estão ligadas à história da Guarda, estando o seu nome perpetuado numa das ruas do centro histórico da mais alta cidade de Portugal.

Cronista-Mor do Reino, funções que começou a exercer em 1497, por nomeação de D. Manuel I, Rui de Pina foi também guarda-mor da Torre do Tombo e da Livraria Régia; sete anos antes já D. João II o tinha encarregue de “escrever e assentar os feitos famosos assim como de nossos reinos”.

Este cronista terá nascido cerca de 1440, na Guarda; contudo, e à semelhança do que acontece com outras figuras da nossa história e da nossa literatura, há quem questione a sua naturalidade; neste caso é assinalada uma possível ligação a Montemor-o-Velho, onde casou e viveu o seu pai, Lopo Fernandes de Pina.

Certezas, relativamente aos laços que prendem Rui de Pina (oriundo de família nobre) à Guarda, existem quanto ao seu casamento nesta cidade, à sua residência aqui e ao nascimento do seu filho, Fernão de Pina, nesta secular urbe, a quem destinou alguns dos seus bens; tendo sido um homem abastado, o nosso cronista protagonizou uma enorme influência social na sua época.

Print

Rui de Pina integrou o círculo mais restrito do rei D. João II que o encarregou de várias missões diplomáticas ao Vaticano e a Espanha, nomeadamente na defesa dos interesses de Portugal após a viagem e a descoberta de Cristóvão Colombo; um trabalho que deixa transparecer as preocupações com os limites territoriais que seriam definidos, mais tarde, pelo célebre Tratado de Tordesilhas.

Rui de Pina morreu na Guarda em 1522, provavelmente na sua Quinta de Santiago, localizada na zona onde está o Chafariz d’El Rei, nas proximidades do atual quartel dos Bombeiros Voluntários Egitanienses.

Virgílio Afonso, na “Toponímia Histórica da Guarda”, faz alusão aos vestígios da sepultura do cronista, encontrados na antiga Igreja de Nossa Senhora do Mercado, nesta cidade, que se localizou na extremidade (poente) da hoje denominada Rua Augusto Gil.

Após a sua morte, as funções de Rui Pina seriam prosseguidas pelo seu filho Fernão (natural da Guarda, como atrás se disse), o qual assumiu em 1523 os cargos de guarda-mor da Torre do Tombo e de cronista régio.

Como escreveu José Mota da Romana na sua “Antologia de Escritores da Guarda (século XII a XX)”, o valor “historiográfico deste nosso conterrâneo é polémico e até muito contestado, já desde o século XVI”, havendo ainda quem o acuse de ter utilizado textos de Fernão Lopes. Contudo, como bem sublinha, “o conceito de originalidade ou até de plágio era bem diferente do que temos nos nossos dias com a evolução das teorias literárias”.

Rui de Pina redigiu as Crónicas de D. Sancho I, D. Sancho II, D. Afonso II, D. Afonso III, D. Dinis, D. Afonso V e D. João II.

Através destas duas últimas, sobretudo, o cronista régio que é recordado na toponímia guardense legou-nos um inquestionável contributo para a historiografia da expansão portuguesa e outrossim para o conhecimento do quotidiano do século XV, sustentado num estilo que enquadra a sobriedade e, não raro, uma expressiva dinâmica narrativa.

E as ruas da nossa cidade podem, também elas, conduzir-nos a múltiplas e interessantes narrativas, associadas e figuras e factos…

 

Hélder Sequeira 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:10


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2014
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2013
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2012
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2011
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2010
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2009
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2008
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D

Contacto:

correio.da.guarda@gmail.com