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A propósito do Dia Mundial da Tuberculose

por Correio da Guarda, em 22.03.13

 

     No próximo domingo é assinalado o Dia Mundial da Tuberculose, data que se assume como alerta para uma realidade mundial e outrossim para a necessidade de reforço dos procedimentos adequados à eliminação desta doença.

     Apesar de os casos de tuberculose, a nível mundial, terem registado – desde 1990 – uma redução de 40%, a OMS lembra que persistem ainda muitos e sérios problemas.

    De acordo com a Organização Mundial de Saúde, calcula-se que em 2011 ocorreram 8,7 milhões de novos casos de tuberculose, tendo sido vitimadas, por esta doença, 1,4 milhões de pessoas; a tuberculose está entre as três principais causas de morte de mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 44 anos; em 2011 meio milhão de crianças foram atingidas por esta doença, registando-se 64 000 casos de morte.

    Como tem sido sublinhado em anos anteriores, é importante continuar a “inspirar a inovação na pesquisa e nos cuidados aos doentes, reforçando a atenção na vertente social, mediante um esforço organizacional entre todos os agentes da saúde e da sociedade civil centrado no doente e nas populações afetadas”.

    Em Portugal, e face aos dados disponíveis, a tuberculose continua a diminuir; contudo, constitui ainda um sério problema de saúde pública, em especial perante a ameaça da TB multirresistente.

    A data de 24 de Março recorda o dia do ano de 1882 em que Robert Koch anunciou à comunidade científica, da época, que havia descoberto a causa da tuberculose, o bacilo a que ficaria associado o seu nome; foi o primeiro passo para diagnosticar e curar a tuberculose.

    A nossa cidade viria a ser um dos principais centros de tratamento da tuberculose, em Portugal, ombreando com outras destacadas estâncias sanatoriais da Europa. A designação de “Cidade da Saúde”, atribuída à Guarda, em muito se fica a dever a uma instituição que a marcou indelevelmente, ao longo de sete décadas, no século passado.

     Embora a situação geográfica e as especificidades climatéricas associadas tenham granjeado à cidade esse epíteto, a construção do Sanatório Sousa Martins certificou e rentabilizou as condições naturais da cidade para o tratamento da tuberculose, doença que vitimou, em Portugal, largos milhares de pessoas.

     A Guarda foi, nessa época, uma das cidades mais procuradas de Portugal, afluência que deixou inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural; a sua apologia como localidade “eficaz no tratamento da doença” foi feita por distintas figuras da época, pois era “a montanha mágica” junto à Serra.

     A poucos dias da comemoração do Dia Mundial da Tuberculose, será oportuno recordar que a Guarda é um expressivo capítulo da história da luta e tratamento da tuberculose em Portugal. E é fundamental que não se apague a memória, sobretudo quando está em risco o desaparecimento dos antigos pavilhões do Sanatório e a completa descaracterização de um espaço onde sobrevivem árvores centenárias; algumas consideradas mesmo das mais altas do país.

    Embora o diagnóstico há muito esteja feito, tarda o tratamento da “doença” que vai minando um original ex-libris da Cidade da Saúde.

    Um dia talvez seja tarde demais...

 

    Helder Sequeira

 

     in "O Interior", 21-3-2013

 

 

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publicado às 18:50

O Pavilhão Novo do Sanatório

por Correio da Guarda, em 27.05.12

 

     Na próxima quinta-feira, dia 31 de Maio, completam-se 59 anos após a inauguração do denominado Pavilhão Novo do Sanatório que constitui, por enquanto, o principal bloco do Hospital Sousa Martins.

     A inauguração, prevista inicialmente para 28 de Maio de 1953, ocorreu três dias depois, com a presença dos Ministros do Interior e das Obras Públicas. A imprensa da cidade deu especial relevo ao acato, apresentando o novo pavilhão como “um edifício gigantesco com 250 metros de comprido e com 350 leitos destinados exclusivamente a doentes pobres”.

     Com a construção deste novo pavilhão, o Sanatório Sousa Martins procurou aumentar a capacidade de resposta às crescentes solicitações das pessoas afectadas pela tuberculose, ampliando assim o seu papel na luta contra essa doença.

    É que o elevado número de doentes com fracos recursos há muito fazia sentir a necessidade de dotar esta conhecida estância sanatorial com novas instalações, pretensão que os responsáveis pelo Sanatório Sousa Martins tinham já manifestado ao Ministro das Obras Públicas, aquando da sua visita, à Guarda, em 1947. As obras do novo pavilhão foram iniciadas quatro anos depois.

     A entrada em funcionamento deste pavilhão era aguardada com compreensível expectativa, mormente por quem trabalhava no Sanatório Sousa Martins.

    O seu Director, Dr. Ladislau Patrício – que nesse mesmo ano deixaria essas funções, bem como a sua actividade clínica – definiu o edifício como “um novo e valioso instrumento na luta em defesa da saúde pública do país”.

     Na Guarda viveu-se mais um dia festivo. “Cerca do meio-dia, a estrada que conduz ao Sanatório tornara-se um rio de gente”, noticiou o jornal A Guarda. O Pavilhão Novo constitui, de facto, um marco importante na história do Sanatório Sousa Martins, instituição que não pode, de forma alguma, ser dissociada da Guarda do século XX.

    Ao recordarmos esta efeméride, para além de evocarmos um facto da história da Guarda, importa sublinhar quanto é fundamental a salvaguarda desta memória viva onde, no presente, prossegue a actividade hospitalar. Conciliar os rumos exigidos pelo progresso com a especificidade deste edifício será contribuir para o reencontro com décadas em que a Guarda conquistou, justamente, a designação de cidade da saúde.

 

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publicado às 21:14

Expedição Científica - recriação

por Correio da Guarda, em 24.04.12

 

 

 

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publicado às 07:55

ALTITUDE : RÁDIO com história

por Correio da Guarda, em 29.07.11

 

     Património ímpar da região, a Rádio Altitude é uma das mais antigas estações emissoras portuguesas, emitindo há 63 anos a partir dos estúdios na cidade da Guarda.

 

     Embora o registo oficial das emissões tenha ocorrido a 29 de Julho de 1948, a actividade da Rádio Altitude surgiu, no seio do Sanatório Sousa Martins, cerca de 1946. Na altura, as rudimentares emissões circunscreviam-se ao pavilhão onde estava concentrado o grupo de doentes pioneiros deste projecto e só com a construção de novo emissor foi ganhando dimensão a aventura radiofónica.

Sabe-se que, no ano seguinte, o então director daquela unidade de saúde, o médico e escritor Ladislau Patrício (cunhado do poeta Augusto Gil) assinou o primeiro regulamento da referida estação emissora, onde estavam definidas orientações muito objectivas sobre a sua actividade.

 

  • Acção solidária

 

     Em finais de 1947 as emissões já eram escutadas na cidade que seguiu, com particular entusiasmo, o início oficial das emissões regulares assinalado, com alguma pompa e circunstância, a 29 de Julho de 1948; um ano depois foi atribuído o indicativo CSB 21 à Rádio Altitude.

     A propriedade do primeiro emissor pertenceu, inicialmente, à Caixa Recreativa do Internados no Sanatório Sousa Martins e, mais tarde, com a sua extinção, ao Centro Educacional e Recuperador da unidade hospitalar vocacionada para o tratamento da tuberculose.

     Com a criação do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins (CERISSM) pretendeu-se auxiliar os doentes, especialmente no que dizia respeito “à sua promoção social e ocupação dos tempos livres”.

     Aliás, foi no seio dos sanatórios que surgiram interessantes projectos radiofónicos – como seja a Rádio Pólo Norte, no Sanatório do Caramulo, e a Rádio Pinóquio, no Sanatório das Penhas da Saúde, Covilhã, para referirmos os mais próximos.

     O CERISSM foi uma autêntica instituição de solidariedade; para além de viabilizar a afirmação e implantação da Rádio Altitude desenvolveu uma vasta obra assistencial, sob o impulso do médico Martins de Queirós, o quarto e último director do Sanatório da Guarda.

     Em 1961, mediante autorização oficial, a RA passou a ter como suporte económico-financeiro as receitas publicitárias que em muito contribuiriam para o auxílio dos doentes mais carenciados. As emissões da emissora guardense evoluíram, ao longo das primeiras décadas em função das disponibilidades técnicas, dos recursos humanos e financeiros mas encontrando sempre no, crescente auditório, uma grande simpatia e um apoio incondicional.

 

  • Onda média e FM

 

    

 Foto: RA

 

    Até 1980 a Rádio Altitude emitiu na frequência de 1495 Khz, em onda média (abrangendo não só o distrito da Guarda mas igualmente os distritos de Viseu e Castelo Branco e algumas das suas áreas límitrofes), altura em que a sua sintonia passou a ser feita no quadrante dos 1584 khz. Após 1986, e com a liberalização do espectro radioeléctrico passou também a desenvolver as suas emissões em frequência modulada, no quadrante dos 107.7 Mhz, a qual foi alterada em 1991 para os 90.9 Mhz.

     Em 1998,e depois de ter sido determinada a extinção do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins, foi decidida a realização de uma consulta pública, com vista à “transmissão da universalidade designada Rádio Altitude”, considerada a “única estrutura em funcionamento do ex-CERISSM”.

    A estação emissora entrou assim, com a sua aquisição por parte da Radialtitude–Sociedade de Comunicação da Guarda, Lda num capítulo novo da sua existência, mantendo a ligação física ao antigo espaço sanatorial.

     Hoje, a actual equipa continua a afirmar a Rádio Altitude, inovando, acompanhando o ritmo da evolução tecnológica, respondendo às novas exigências do seu auditório, interagindo sempre com o seu público sem esquecer o seu rico historial.

 

     No dia em que comemora o 63º aniversário, o CG deixa, ao Director da RA e a todos os seus profissionais, sinceros parabéns!...

     

 

Helder Sequeira

 

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publicado às 09:26

Sanatório Sousa Martins inaugurado há 104 anos

por Correio da Guarda, em 18.05.11

 

     Hoje, 18 de Maio, ocorre a passagem do 104º aniversário da inauguração do Sanatório Sousa Martins. Os guardenses têm hoje uma pálida imagem daquilo que foi uma das principais instituições de combate e tratamento da tuberculose, em Portugal.

     A designação de “Cidade da Saúde”, atribuída à Guarda, em muito se fica a dever a uma instituição que a marcou indelevelmente, ao longo de sete décadas, no século passado.

     Embora a situação geográfica e as especificidades climatéricas associadas tenham granjeado a esta cidade esse epíteto, a construção do Sanatório Sousa Martins certificou e rentabilizou as condições naturais da cidade para o tratamento da tuberculose, doença que vitimou, em Portugal, largos milhares de pessoas.

    

     A Guarda foi, nessa época, uma das cidades mais procuradas de Portugal, afluência que deixou inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural; a sua apologia como localidade “eficaz no tratamento da doença” foi feita por distintas figuras da época, pois era “a montanha mágica” junto à Serra.

     Muitas pessoas (provenientes de todo o país e mesmo do estrangeiro) subiam à cidade mais alta de Portugal com o objectivo de usufruírem do clima de montanha, praticando, assim, uma cura livre, não sendo seguidas ou apoiadas em cuidados médicos. As deslocações para zonas propícias à terapêutica “de ares”, e a consequente permanência, contribuíram para o aparecimento de hotéis e pensões, dado não haver, de início, as indispensáveis e adequadas unidades de tratamento; situação que desencadeou fortes preocupações nas entidades oficiais da época.

     Actualmente, os mais emblemáticos pavilhões encontram-se numa situação lamentável.

 

 

 

   

 

   

Hoje, embora o diagnóstico esteja feito, tarda o tratamento da doença que vai minando aquilo que resta do ex-libris da Cidade da Saúde.

 

Helder Sequeira

 

 

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publicado às 00:55

Ainda o Museu do Sanatório Sousa Martins...

por Correio da Guarda, em 27.07.09

            

           Em anterior post alertámos para o perigo de desaparecimento de peças e material diverso que pertenceu ao antigo Sanatório Sousa Martins. As obras em curso no Parque da Saúde implicam a necessidade de destruir espaços que, até agora, serviam de “arrecadação” de muito desse espólio, onde, naturalmente, haveria algum recheio sem interesse.

Contudo, e fazendo fé naquilo que o semanário “O Interior” noticiava na sua última edição, muito do recheio quer da antiga padaria (onde se guardava diversificado material e que foi já derrubada por exigência das obras de ampliação da ULS), quer de alguns pavilhões foi já vendido a …sucateiros. Houve a garantia, do responsável máximo pela Unidade Local de Saúde “que tudo o que tem interesse museológico será salvaguardado”…Quem aferiu esse interesse?...
E o material da antiga lavandaria (com peças já raras ao nível dos equipamentos existentes em serviços desta natureza) vai ser alienado também com a justificação de falta de espaço?... Não haveria, na cidade ou arredores, espaço que albergasse temporariamente o material agora vendido de forma a poder haver uma selecção criteriosa do seu potencial interesse museológico e documental? Foi feito algum registo fotográfico?
A salvaguarda da memória citadina não é, de forma alguma, incompatível com o progresso e com a desejada modernização da principal unidade de saúde do distrito; e esta não é uma posição apenas de hoje; tem sido defendida ao longo dos anos…
Ainda a propósito deste assunto, registamos, a oportuna (mais uma!) referência que Américo Rodrigues fez no seu Café Mondego, e que aqui deixamos com (como é usual dizer-se) a devida vénia.
 Perante a convicção, quase desarmante, de Fernando Girão, de que a sucata que a Unidade Local de Saúde está a vender, embora proveniente do antigo Sanatório, não tem valor museológico, cabe perguntar:
 - qual é o técnico de museologia que acompanha o processo?
 – no caso de não haver técnico -o mais provável- tem Fernando Girão a noção de que pode ele considerar sucata - coisas sem importância e, até, lixo- peças de alto valor museológico???
- sabe Fernando Girão classificar os objectos que encontra (museológico versus lixo) e determinar o seu valor, por exemplo, documental?
Finalmente, para além do valor museológico (uma obsessão, talvez porque já se perderam coisas em demasia) há outros valores. Os processos dos internados, por exemplo, podem dar origem a trabalhos de cariz sociológico. E um punhado de radiografias pode ser -outro exemplo- o pretexto para uma instalação artística (…)”.
In “Café Mondego”
26 de Julho 2009

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publicado às 23:55

E o museu do Sanatório Sousa Martins?...

por Correio da Guarda, em 16.07.09

 

Nos períodos eleitorais há questões que são ciclicamente retomadas, dada a sua incidência junto do cidadão comum. A saúde é uma delas e, a nível da Guarda, a principal estrutura do sector tem suscitado, ao longo dos anos, particular atenção.
Durante muito tempo o poder político foi protelando a decisão de concentrar na área outrora ocupada pelo Sanatório Sousa Martins os serviços hospitalares que funcionavam no bloco da Rua Dr. Francisco dos Prazeres, em instalações pertencentes à Misericórdia da Guarda.
Apesar de alguns responsáveis pelo sector da saúde terem reconhecido que esta cidade possuía um espaço ímpar para a actividade de um bom estabelecimento hospitalar, depressa essas palavras caíam no esquecimento e os projectos encetados tinham como destino uma qualquer gaveta das secretárias ministeriais.
Ao longo de vários anos teve lugar – como muitos devem ainda estar recordados – o penoso vaivém de doentes entre o centro da cidade e o actual Parque da Saúde; a dispersão de serviços fazia disparar as despesas do hospital e dificultava o aproveitamento racional de meios humanos e técnicos, com as consequências óbvias.
A concentração de serviços, finalmente materializada, não foi feita num quadro de previsões que contemplasse um mais vasto horizonte temporal, onde ficasse garantida a articulação com novas estruturas e espaços, assegurando a identidade de uma área que durante décadas constituiu uma autêntica cidade e projectou a Guarda, dentro e fora das fronteiras nacionais.
De hesitação em hesitação, com diferenciadas directrizes político-partidárias de permeio, a Guarda assistiu, impávida e serena – salvo uma ou outra tomada de posição pública, apesar de tudo inconsistente – à progressiva degradação dos pavilhões do ex-Sanatório (inegável e insubstituível património desta terra), ao desaparecimento de muitas memórias de uma época marcante desta secular cidade.
Apontados os erros e equacionadas as soluções, o Hospital da Guarda permaneceu, durante anos, nos caminhos da indecisão governamental e serviu de arma de arremesso nos confrontos político-partidários; perdeu-se demasiado tempo, enquanto noutras zonas se trabalhou com mais rapidez e união de esforços.
Actualmente, e pesem alguns contratempos de última hora – que este jornal noticiou na última edição – o início da obras de ampliação da principal unidade hospitalar está para breve; daí que, e face à dimensão e às implicações de trabalhos deste natureza, seja importante, urgente, tomar algumas precauções relativamente ao recheio de alguns edifícios ainda erguidos no Parque da Saúde. E porquê?
Há alguns anos atrás (concretamente em 2000) uma comissão mandatada pela Administração do Hospital da Guarda efectuou o levantamento do espólio que seria destinado a um futuro Museu do Sanatório Sousa Martins, o que seria, desde logo, instituição única, com estas características, a nível nacional.
O trabalho desenvolvido, nessa altura, nos edifícios da lavandaria, oficina de carpintaria, oficina de pintura, padaria (este junto à actual helipista e supostamente ainda a funcionar como local de guarda de muito material!..), pavilhão D. António de Lencastre, edifício do Raio X, pavilhão novo e em vários serviços localizados neste bloco permitiu identificar e inventariar muitos objectos e equipamentos que pertenceram ao antigo sanatório.
Como sejam aparelhos de Raio X, equipamentos de lavandaria, equipamento médico, objectos cirúrgicos, processos médicos, mesas, armários, roupeiros, camas de cura, toucadores, cómodas, mesas de jogo, armários louceiros, cadeiras, caixas para transporte de recolha de sangue, estantes, livros, máquina de projectar filmes, piano de cauda, bengaleiros, relógios, móveis de farmácia, equipamento de apoio hospitalar, peças de cerâmicas, móvel giratório para revistas, pinturas a óleo, microscópios, balanças, cómoda “arte nova”, aparelho de pneumotorax, mobiliário diversificado, candeeiros, escrivaninhas, bancos, mobiliário dos anos 50, cadeiras de várias tipologias.
A relação do material identificado, bem como as actas das reuniões da referida comissão foram oportunamente entregues à direcção da unidade hospitalar em referência.
Há quatro anos atrás, foi anunciada, na Guarda (em véspera de eleições, diga-se) a criação do Museu da Saúde, que teria um âmbito nacional; em Novembro do passado ano, em Lisboa, foi assinado um protocolo entre o Instituto Nacional de Saúde “Doutor Ricador Jorge” e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica com vista à implementação de um Museu da Saúde, cujo núcleo embrionário é formado – tal como foi então noticiado – por peças da colecção da Direcção Geral de Saúde “recebidas em parte dos antigos sanatórios da luta anti-tuberculose”...Recentemente foi retomada a ideia de um Museu da Saúde na Guarda.
Ou seja, corremos o risco de haver museus (da saúde, entenda-se...) a mais e peças a menos.
Neste contexto não será de acautelar, salvaguardar, o espólio existente (disperso pelos edifícios atrás mencionados) e pensar atempada e seriamente no Museu do Sanatório Sousa Martins?..
Antes que seja tarde...
                                                                                                   H.S.
(in O Interior, 16/7/2009)
 

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publicado às 23:37

Rádio Altitude

por Correio da Guarda, em 06.01.09

 

Os utilizadores do podcast da Rádio Altitude (Guarda) descarregaram, em 2008, um total de 12.024 ficheiros, do conjunto dos dois arquivos disponíveis, de acordo com a informação divulgada por aquela estação emissora.
O podcast Altitude: Rádio (www.altitude.mypodcast.com) foi tornado público em finais de Fevereiro de 2008, com a actualização diária de programas, crónicas e rubricas, tendo atingido, rapidamente, uma média mensal próxima dos mil downloads, tendo totalizado 10.551 até 31 de Dezembro de 2008.
Em Abril de 2008 foi lançado o podcast Altitude: Memória (www.altitudememoria.mypodcast.com), reunindo uma vasta selecção de programas emitidos entre 2004 e 2007, num total de mais 120 horas de arquivo.
No Altitude: Rádio o arquivo disponibilizado em cada semana é de cerca de 11 horas, correspondendo a 20 novas edições de programas e rubricas, emitidas na Rádio entre Segunda-feira e Domingo.
Assim, ao longo de 2008 – até ao final da anterior Temporada da Programação, a 30 de Junho, e a partir na Nova Temporada, que teve início a 3 de Novembro – o total do arquivo sonoro acessível ao público ultrapassou as 470 horas, ou seja, o equivalente a 20 dias consecutivos.
É o maior acervo sonoro informativo da Região e um dos maiores do País. E foi acedido, ao longo de 2008, de todas as regiões de Portugal (com especial concentração nas zonas de Lisboa, Setúbal, Porto, Coimbra, Braga, Aveiro, Viseu e Leiria; além dos eixos Celorico da Beira-Gouveia-Seia-Oliveira do Hospital e Belmonte-Covilhã-Fundão-Castelo Branco), incluindo os arquipélagos dos Açores e da Madeira, e de praticamente todos os continentes.
No topo dos países a partir de onde são feitos descarregamentos de programas do arquivo da Rádio da Guarda destaca-se o Brasil, seguido de França, EUA, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Suíça e Espanha. Ao longo do ano também se registaram downloads a partir de Cabo Verde, Angola, Moçambique, África do Sul, Canadá, Colômbia, Venezuela, Argentina, Holanda, Áustria, Itália, Liechtenstein,Grécia, Turquia e Macau.
A Rádio Altitude inaugurou as suas emissões oficiais em 29 de Julho de 1948, quando ainda estava instalada num exíguo espaço de um dos pavilhões do Sanatório Sousa Martins.
 
 

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publicado às 09:28

A propósito de Sousa Martins

por Correio da Guarda, em 18.08.08

 

O 111º aniversário da morte do médico Sousa Martins é hoje assinalado. O nome de Sousa Martins está associado à Guarda desde o início do século passado, mercê da estrutura sanatorial que existiu nesta cidade. A toponímia guardense consagra, igualmente, a memória deste vulto da medicina portuguesa, numa das ruas do moderno Bairro da Senhora dos Remédios.
José Tomás de Sousa Martins nasceu em Alhandra, a 7 de Março de 1843, no seio de uma família com escassos recursos económicos. Orfão de pai, aos sete anos, foi com a idade de doze trabalhar como praticante para a Farmácia Ultramarina, em Lisboa, propriedade de um tio seu, Lázaro Joaquim de Sousa Pereira.
Frequentou o Liceu Nacional de Lisboa e a Escola Politécnica; com aulas de manhã, trabalhava de tarde na farmácia e à noite dava explicações de forma a conseguir receitas para as despesas inerentes à sua formação académica. Concluído o curso de farmácia, em 1864, continuou a frequentar a Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, terminando o curso de medicina aos 23 anos, em 1866; foi sempre um aluno distinto.
Sousa Martins defendeu a implantação de Casas de Saúde nesta zona serrana, impulsionando a fundação, em 1888, do “Club Herminio”, uma associação de carácter humanitário que se manteve durante cerca de quatro anos; o conceituado tisiologista foi aclamado, pelos membros fundadores, sócio honorário e presidente perpétuo desta instituição de solidariedade. O “Club Herminio” tinha por finalidades promover directa e indirectamente “o melhoramento das condições naturaes da Serra da Estrella, considerada como estação sanitária” através do estabelecimento de casas de saúde sob direcção médica”, o socorro aos doentes mais necessitados do ponto de vista financeiro, e o exercício de “policia hygienica em todos os pontos da Serra e nas habitações”.
Ainda em 1888, e correspondendo aos argumentos de Sousa Martins e de Guilherme Teles de Meneses, o médico Basílio Freire, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, instalou-se na Serra da Estrela, no Verão desse ano, onde assegurou consultas gratuitas aos doentes que o procuravam.
Os esforços que Sousa Martins desenvolveu, fortalecidos pelas suas esclarecidas convicções, em muito contribuíram para a construção do Sanatório que viria a ter o seu nome, perenemente ligado à mais alta cidade de Portugal; para a Guarda vieram milhares de doentes que procuravam aqui a cura desta doença infecto-contagiosa provocada pela micro-bactéria conhecida por “bacilo de Koch”.
A Rainha D. Amélia materializou no sanatório guardense (o primeiro a ser construído pela ANT, inaugurado a 18 de Maio de 1907) a homenagem a Sousa Martins, atribuindo a esta instituição o nome daquele clínico, cuja acção e dinamismo ela tinha já evocado numa intervenção pública da Associação Nacional aos Tuberculosos, realizada em 1889. Sousa Martins, refira-se, tinha falecido dois anos antes, em Alhandra, no dia 18 de Agosto de 1897, depois de ter sido atingido pela tuberculose.
Na Guarda não têm faltado pessoas que apontam Sousa Martins como o autor de autênticos milagres, na linha de uma devoção popular que se manifesta, objectivamente, em Lisboa (no Campo de Santana) ou em Allhandra. O singelo monumento que se ergue dentro dos muros do ex-Sanatório da Guarda continua, diariamente, a ser alvo de preces e agradecimentos, apresentando-se quase sempre emoldurado de flores e envolvido em manifestações materiais de agradecimentos.
 
 

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publicado às 12:31


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