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Na defesa da memória colectiva

por Correio da Guarda, em 13.08.08

 

Há alguns anos atrás, J. Pinharanda Gomes escrevia numa das suas obras, e a propósito desta região de Riba-Coa, que “somos uma terra que tem características de singularidade, e que demora a assumir o que lhe é próprio.”
Singularidade, desde logo, na seu rico e diversificado património construído, alvo, na generalidade, de uma progressiva degradação; isto no que diz respeito aos exemplos mais conhecidos; noutros, mais afastados dos tradicionais e frequentados circuitos rodoviários, ocorre a sua pura e simples destruição, sendo as suas pedras aproveitadas em construções várias ou mesmo vendidas para o estrangeiro; isto não é, infelizmente, nenhuma novidade.
Em termos de política de salvaguarda e defesa do nosso património monumental (e salvo raríssimas excepções) o que se tem visto é uma indiferença incompreensível, um afastamento completo da nossa realidade onde se amplia a descaracterização de muitas das nossas terras, sem que haja uma intervenção abrangente capaz de inverter esta evolução negativa.
Se a intervenção em localidades mais emblemáticas, e divulgadas pelos media, é apontada como argumento de obra feita ou preocupação em matéria de salvaguarda do nosso património, temos de convir que essa é uma obrigação para com a defesa da identidade histórica e cultural das nossas terras, e de toda uma região indissociável da História de Portugal.
Aliás, importa assegurar fluxos turísticos regulares e não apenas sazonais de forma que essas localidades não se transformem em monumentos silenciosos, isolados mas permitam uma descoberta dinâmica e permanente, a par de uma revitalização económica e social.
Para além disso, é imperioso olhar por muitas outras facetas do nosso património histórico-cultural, sob um acompanhamento regular de técnicos idóneos capazes de desencadearem os necessários mecanismos conducentes à sua defesa e salvaguarda, e encontrarem o imediato apoio ao nível dos departamentos governamentais competentes.
É indispensável a conservação da nossa singularidade, da nossa memória colectiva, como é urgente a disponibilização de condições e meios que permitam um mais profundo conhecimento e divulgação do nosso património, em todas as suas vertentes; mas urge, também, uma cada vez maior sensibilização que permita uma intervenção crítica e actuante em prol da defesa, real, desse mesmo património, sem o tornar bandeira conjuntural ou capa de estratégias de afirmação pessoal.
Como se tem observado nalguns casos...
 

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