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Toponímia guardense

por Correio da Guarda, em 18.05.12

 

     A toponímia guardense mereceu já referências nestas colunas quer realçando a justiça da atribuição de alguns nomes, quer pela alusão à despropositada e incompreensível designação – ou ausência dela – de várias artérias da Guarda.

     Pelo que se tem verificado, os responsáveis autárquicos pouco têm ligado a estas questões, de somenos importância face às preocupações e canseiras da governação... as folhas do calendário continuam a cair, bem como as intenções de esta realidade ser alterada.

     Contudo, hoje gostaríamos de anotar o despropósito e os inconvenientes resultantes das alterações toponímicas operadas nas últimas décadas, em função de interesses conjunturais ou políticos, na maioria dos casos sem qualquer fundamente válido.

     Pinharanda Gomes, numa das suas obras, alertava já para o facto de que “a conservação dos toponímicos incólumes constitui um ato de prudência e de sapiência porque, ao mudar-se o nome de um lugar, atribuindo-lhe outro nome, porventura aleatório, é como se o nome antigo fosse arquivado e lançado ao esquecimento, pelo que a mudança de nomes censura a memória e perturba os roteiros orientativos”, considerando assim a “restituição da toponímia” um ato “de honestidade cultural, de devolução do património à comunidade”.

     Na passada quinta-feira, na Guarda, este ensaísta e filósofo aludiu, de novo, a esta temática a propósito da evocação de Virgílio Afonso, curiosamente o autor da “Toponímia Guardense”, o único livro até agora publicado sobre esta matéria.

     Se percorrermos o roteiro citadino encontramos os mais variados exemplos de mudanças que romperam com a memória do passado, avolumando as dificuldades da investigação para quem, no presente, procure indagar a evolução urbana ou outros aspetos que se prendam com a identidade desta centenária urbe.

    Estas alterações levantam outros problemas, normalmente desapercebidos ao cidadão comum, que passam, por exemplo, pelo confronto exigido na confrontação do registo de propriedades urbanas.

    Várias obras que têm sido editadas nos últimos anos, e sobretudo pela autarquia, evidenciam muitas das mudanças toponímicas registas na cidade; se nalguns casos seja aceitável a atual designação, será sempre importante o conveniente registo do anterior toponímico, num quadro de uniformidade dos suportes físicos.

     Estes pormenores contribuem para a valorização de uma cidade e transmitem, ao visitante, um sinal da preocupação em se guardarem as memórias urbanas.

     Guardemos, pois, a memória da nossa cidade...

 

     in "O Interior", 17|5|2012

 

 

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publicado às 18:55


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