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Distinção internacional para azeite da Faia

por Correio da Guarda, em 30.09.25

 

O azeite Quinta da Calçada, produzido na freguesia da Faia, Guarda, foi distinguido no concurso internacional Great Taste Awards entre 14 340 produtos agroalimentares.

Este concurso possuiu um júri específico para a fileira do azeite. O “Quinta da Calçada” recebeu uma estrela, o correspondente a uma medalha de bronze

“Este prémio enche-nos de orgulho e é, no nosso entendimento, mais uma forma de valorizar os excelentes produtos endógenos da Guarda”. Disse-nos Ludovina Margarido, produtora daquele azeite, naquela freguesia do Vale do Mondego.

AZEITE

“Apesar de não poder ser considerado biológico pois estamos ainda no período de conversão obrigatório por lei, o azeite apresenta um sabor e uma qualidade ímpares devido ao terroir específico da região e das variedades centenárias de oliveiras aí existentes, com uma acidez muito baixa e níveis de peróxidos extremamente baixos, valores que provam a sua qualidade extra e um garante de ser um alimento de alta qualidade para a saúde dos consumidores.” Acrescentou a propósito do galardão agora recebido.

A cor amarela viva, o sabor delicado e com um ligeiro travo a amêndoas e sem amargor foram as características que mais impressionaram o júri do Reino Unido.

 

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publicado às 12:06

CEI promove Imagem e Território

por Correio da Guarda, em 29.09.25

 

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O Centro de Estudos Ibéricos (CEI) vai promover de 24 a 26 de outubro, na Guarda, a VIII edição dos Encontros Imagem & Território [I&T ’25] na Guarda em 24, 25 e 26 de outubro.

Este projeto, que emana do “Transversalidades. Fotografia sem Fronteiras” tem por objetivos promover um diálogo transdisciplinar entre diversas valências científicas e artísticas focadas na Imagem enquanto elemento importante para uma compreensão mais holística do território; mobilizar a comunidade científica e artística local, das duas regiões transfronteiriças (Centro e Castilla y Léon), e de outros profissionais que operam a nível nacional, para reforçar o eixo científico e cultural formado pelas cidades de Coimbra – Guarda – Salamanca, e respetivas instituições de ensino superior público.

O Encontro desdobra-se numa programação ampla e diversificada que acolhe exposições, debates, mostras e o lançamento de edições. Mais informação aqui.

 

 

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publicado às 12:30

Ex-libris de vinha centenária destruída pelo fogo

por Correio da Guarda, em 27.09.25

 

Um dos anos mais devastadores em termos de incêndios florestais, no nosso país, ditou o adeus forçado a uma vinha centenária localizada na Mêda.

Vinha queimada em Mêda 

Esta vinha dava origem ao Permitido Branco de Centenária, um vinho ímpar no portefólio do grupo Márcio Lopes Winemaker. Apesar dos esforços imediatos, a perda é irreversível.

Uma das últimas colheitas já está a chegar ao mercado, em número limitado de garrafas; altas pontuações de críticos internacionais motivam o enólogo português.

Entretanto, o trabalho de recuperação da vinha já está em curso, no rescaldo dos incêndios de agosto, mas fica para a história a singularidade do Permitido Branco de Centenária, criado a partir de 15 castas de vinhas plantadas a 800 metros de altitude, em solo puramente granítico, no final do século XIX.

A colheita de 2022 já está a chegar ao mercado, antecedendo as derradeiras colheitas - de 2023 e 2024 -, todas em número muito limitado de garrafas, permitindo aos apreciadores guardar as últimas memórias deste vinho excecional.

“É uma notícia muito triste. O Permitido Branco de Centenária foi um vinho extraordinariamente bem-recebido pela crítica. Apesar da perda, compensámos o viticultor face à longa ligação que mantém com o nosso projeto, respeitando o nosso compromisso de fairtrade. Já estamos a trabalhar na recuperação, permanecendo vivas as memórias deste vinho e, com elas, a certeza de que iremos escrever novas histórias”, salienta Márcio Lopes.

Marcio Lopes Winemaker 

Apesar deste revés, o verão de 2025 trouxe resultados positivos e confirmações importantes, com altas pontuações de críticos nacionais e internacionais para várias referências do produtor experimentalista.

O espírito inovador e a motivação de Márcio Lopes, um dos maiores especialistas portugueses em vinhas velhas, permanecem inalterados.

O projeto Márcio Lopes Winemaker surgiu em 2010, com a missão de “fazer vinhos especiais que façam sobressair o melhor que a natureza tem para dar”. O produtor detém atualmente a Adega Pequenos Rebentos em Melgaço (na região dos Vinhos Verdes), a Quinta do Pombal em Vila Nova de Foz Côa e a Quinta do Malhô em São João da Pesqueira (ambas na região do Douro), exportando vinhos para mais de 20 países.

O CEO e enólogo do grupo trabalha igualmente com as uvas de viticultores selecionados, focando-se em preservar vinhas velhas com respeito pelos sistemas antigos de vinha e maioritariamente sem o uso de herbicidas e pesticidas. Na adega, recorre normalmente a leveduras indígenas e usa baixos aditivos de sulfuroso.

 

 

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publicado às 10:00

CineEco com novidades

por Correio da Guarda, em 26.09.25

 

A trigésima edição do CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela traz, este ano – além da competição oficial com mais de 80 filmes de 31 países – uma programação extracompetição.

Esta programação, de acorda com a organização do CineEco, reforça o papel do cinema também como espaço de reflexão e debate intergeracional. “Revisitar momentos da nossa memória coletiva, redimensionar a ideia de paisagem, desconstruir a visão antropocêntrica da vida na Terra, refletir sobre a relação com os recursos hídricos, as nossas economias ‘de afeto’, a identidade cultural e a herança de uma região são algumas das temáticas afloradas nas sessões especiais e de cinema clássico, que decorrem nos dias 13, 15, 16 e 17 de outubro, na Casa Municipal de Cultura em Seia.” É referido a propósito desta nova edição.

Assim, quatro documentários integram o ciclo Cinema em Debate, sessões especiais que irão contar com a participação de jovens alunos de várias escolas de Seia e que terão a oportunidade de refletir e abordar diferentes visões que existem sobre a paisagem - seja esta selvagem, a hídrica, energética ou até cultural.

Côa Mais Selvagem (Wilder Côa), de João Cosme - Um retrato exuberante da vida animal e vegetal no Grande Vale do Côa, que desafia a visão antropocêntrica da vida na Terra. Um filme que leva a conhecer as paisagens naturais, a biodiversidade local, as espécies silvestres e os esforços existentes na restauração ecológica como a reintrodução de espécies autóctones, a adaptação dessas espécies, coexistência entre as comunidades locais; para ver no dia 13 de outubro, às 11H00, no auditório da Casa Municipal de Cultura de Seia, debate com convidados especiais

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Até à Última Gota (Up To The Last Drop), de Ricardo Guerreiro - Com o contribuo do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, este documentário, conduzido pela atriz Carla Chambel acompanhada pela jornalista Flávia Brito, questiona o modelo de consumo e gestão da água em Portugal. Uma reflexão premente e atual sobre o regadio intensivo e alternativas sustentáveis. O filme estreou em fevereiro de 2025 na Fundação Calouste Gulbenkian; para ver a 15 de outubro, às 11H00, no auditório da Casa Municipal de Cultura de Seia, debate com realizador e a atriz Carla Chambel.

Filhos do Vosso Amor (Children Of Your Love), de Rui Pedro Lamy - Um olhar sobre as tradições no território de Melgaço, em específico em Gave, e a ligação profunda das comunidades à terra e às suas tradições e práticas ancestrais. Uma narrativa sobre o esforço de perpetuar histórias, rituais e partilhas como a transumância, o brandeiro e o inverneiro. O filme conquistou, em agosto último, os prémios de Melhor Curta ou Média Metragem e Melhor Documentário Português no MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço; é exibido a 16 de outubro, 11H00, no auditório da Casa Municipal de Cultura de Seia, com a presença do realizador.

Vidas Irrenovables. Naturaleza o Miseria (Unrenewable Lives. Nature or Misery) de Francisco J. Vaquero Robustillo – Um documentário alerta vindo de Espanha sobre o impacto negativo da proliferação descontrolada dos equipamentos de energia renovável em ecossistemas comunidades locais. Este filme convida à reflexão sobre a transição ecológica/energética e não descura o olhar crítico sobre um conceito que tem sido aflorado – “colonialismo energético” – sobre a forma como as energias renováveis estão a ser implementadas nos territórios, causando danos aos ecossistemas, ao setor primário e às comunidades locais. Vaquero Robustillo, realizador de “Ganado o Desierto”, foi premiado no CineEco 2022; a 17 de outubro, 11H00, no auditório da Casa Municipal de Cultura de Seia, com a presença do realizador

 

Cinema clássico

 

O CineEco irá evocar ainda os 50 anos da Reforma Agrária em Portugal com uma dupla sessão de cinema clássico que revisita momentos marcantes da memória coletiva nacional.

A 17 de outubro, à tarde, o auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia recebe dose dupla com dois documentários rodados no Alentejo e no Ribatejo e que refletem as dinâmicas populares e o processo criativo do cinema no período pós-revolucionário.

Terra de Pão, Terra de Luta (1977), de José Nascimento (exibição às 14H30) - Um documento histórico sobre as convulsões sociais do Alentejo no pós-25 de Abril, agora exibido em cópia digital restaurada pela Cinemateca Portuguesa. Esta longa-metragem foca de forma incisiva o movimento político da Reforma Agrária, partindo da ideia da palavra de ordem com o qual este movimento se identificou, e que passou a referenciá-la historicamente: “a terra a quem trabalha”.

Linha Vermelha (2011), de José Filipe Costa (exibição às 16H30) - Um olhar contemporâneo sobre Torre Bela (1975), de Thomas Harlan, que registou a ocupação de uma herdade no Ribatejo e as várias etapas de formação de uma nova comunidade agrícola em Portugal. “De que maneira Harlan interveio nos acontecimentos que parecem desenrolar-se naturalmente frente à câmara? Qual foi o impacto do filme na vida dos ocupantes e na memória sobre esse período?”,

De recordar que a edição de 2025 do CineEco decorrerá de 10 a 18 de outubro em Seia. Este ano, o festival apresenta uma seleção oficial de 81 longas, médias e curtas-metragens internacionais e em língua portuguesa de 31 países, propondo um mosaico cinematográfico rico e diversificado sobre os desafios ambientais contemporâneos. Na Seleção Internacional de Longas-metragens é de realçar um conjunto de dez obras em estreia absoluta em Portugal onde o fator humano é sempre determinante na investigação, observação ou vivência de uma dimensão da crise climática.

O CineEco é organizado pelo Município de Seia e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e do Departamento de Ambiente das Nações Unidas. Conta ainda com o apoio financeiro da DGArtes.

 

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publicado às 15:25

Memórias escondidas da Guarda

por Correio da Guarda, em 23.09.25

 

No espaço ExpoEcclesia está patente desde o passado sábado, 20 de setembro, a exposição “Arqueologia de um lugar Sagrado - memórias escondidas da Guarda".

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                foto CMG 

Esta mostra resulta da parceria entre o Museu da Guarda e a Diocese da Guarda, pretendendo dar a conhecer a escavação arqueológica realizada, entre 1997 e 1999, na Capela do Antigo Seminário e Paço Episcopal da Guarda.

Assim são expostos, pela primeira vez, os materiais exumados das escavações. O visitante poderá observar nesta exposição espécimes de cerâmica, vidro e metal das Épocas Medieval, Moderna e Contemporânea.

 

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publicado às 15:15

Património musical guardense

por Correio da Guarda, em 18.09.25

 

"Capela de Música da Sé da Guarda (Séc. XVI – Séc. XIX). Algumas Obras (Séc. XVIII)" é o título do livro, da autoria do Padre José Pinto Geada, que vai ser apresentado hoje nesta cidade.

A apresentação terá lugar no espaço diocesano ExpoEcclesia (Rua Alves Roçadas), pelas 18 horas.

A obra, fruto de um aprofundado trabalho de investigação, reúne um conjunto de composições musicais do século XVIII associadas à vida litúrgica e cultural da Sé da Guarda, testemunhando a riqueza patrimonial e espiritual da Catedral e da própria Diocese.

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Com esta edição, promovida pela Câmara Municipal da Guarda, pretende-se valorizar e dar a conhecer uma parte importante do património musical guardense, preservando a memória e contribuindo para novas leituras e interpretações no campo da música sacra.

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publicado às 17:30

Sortelha: Muralhas com história

por Correio da Guarda, em 18.09.25

 

Em Sortelha (Sabugal) vai ter lugar, a partir de amanhã e até domingo ( 21 de setembro), a décima terceira edição do evento “Muralhas com História”.

Este ano serão evocadas as vivências do reinado de D. Afonso IV (1325-1357”, cognominado de “O Bravo”.

Trata-se de uma organização da Câmara Municipal do Sabugal que pretende proporcionar uma “viagem ao quotidiano medieval”, complementada com recriação histórica, mercado medieval, acampamento militar, ofícios e vivências, cetraria e animais da quinta, ritmos medievais, artes circenses, torneios de armas a pé e a cavalo, jogos medievais e  animação infantil.

Mais informação aqui.

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publicado às 16:13

Tratado de Alcanices: 728º aniversário

por Correio da Guarda, em 12.09.25

 

Hoje assinala-se o 728º aniversário da assinatura do Tratado de Alcanices, ocorrida 12 de Setembro de 1297 naquela localidade espanhola.  O Tratado de Alcanices é considerado “um dos suportes da identidade de Portugal”, assumindo um particular significado para a região raiana de Riba Côa.

Com a assinatura deste importante documento passaram para o domínio português os castelos do Sabugal, Vilar Maior, Alfaiates, Castelo Rodrigo, Castelo Bom, Almeida e a localidade de San Felice de los Galegos – na zona de Riba Côa – além de Olivença, Ouguela e Campo Maior.

O rei D. Dinis, de acordo com o estabelecido nesse tratado, desistia da posse de Aiamonte, Esparregal, Valência e Aracena. A conjuntura interna espanhola (nomeadamente as divergências profundas dos tutores do rei castelhano) não deixou de se reflectir neste tratado, bem como a visão estratégica do monarca português.

De forma a acentuar os compromissos assumidos, firmou-se a promessa de casamento do rei espanhol, D. Fernando IV, com a filha de D. Dinis (a infanta D. Constança), enquanto D. Beatriz, infanta de Castela, foi prometida ao príncipe D. Afonso (filho de D. Dinis).

As terras de Riba Côa começaram por estar sob o domínio militar de D. Afonso Henriques e mais tarde foram ocupadas por Fernando II de Leão, constituindo um território onde as oscilações dos limites fronteiriços eram constantes.

Alcanices - foto Helder Sequeira.jpeg

      Alcanices

 

O Tratado fixou, de forma clara, a fronteiras portuguesas deste território limitado pelos rios Côa e Águeda e pela ribeira de Tourões. Era, como escreveu Pinharanda Gomes, uma “terra de ninguém” que se converteu no “último pedaço da Hispânia a perder a independência, por diplomacia do senhor rei D. Diniz; cantão no coração da Hispânia, com os municípios de Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo e Sabugal, além de vários outros, hoje extintos mas reais”.

O Côa abandonou o seu papel de fronteira física e sobre ele lançaram-se novas pontes que favoreceram a circulação de pessoas e produtos; veja-se o caso do Porto de S. Miguel (assinalado no Foral de Castelo Mendo, de 1228, como Portum Mauriscum) ou da Rapoula do Côa.

Se na perspectiva portuguesa este acordo veio definir, definitivamente o território português, do ponto de vista castelhano ele foi entendido como aliança com vista à salvaguarda da paz, fundamental para a resolução dos conflitos internos existentes.

Segundo Miguel Ladero Quesada, foi o espírito diplomático de D. Sancho IV “nos últimos anos do seu reinado, sobretudo, a sua morte prematura e a gravíssima crise política castelhana na menoridade de Fernando IV que permitiram a D. Dinis jogar, alternativamente, as cartadas da guerra e da aliança para conseguir mais territórios dos que havia esperado e fixar as fronteiras em limites muitos favoráveis aos seus interesses”.

Para aquele investigador  é de supor que “algumas cláusulas do tratado seriam inconcebíveis em circunstâncias normais para os reis castelhano-leoneses, como as que se verificaram até 1295”.

Contundo, no quadro conjuntural da época D. Dinis terá tido a percepção de como era importante não deixar escapar a oportunidade de alargar o território português através de uma faixa em relação à qual Castela atribuía um interesse menor face às questões oriundas do reino de Aragão e da área peninsular sob domínio islâmico, a sul.

Assim, Alcanices traduz, como muitos reconhecem, um protagonismo inteligente da diplomacia portuguesa, evidenciado mais tarde por vários historiógrafos, cuja interpretação relativamente à passagem de Riba Côa para a Coroa lusitana assentava não na conquista territorial mas na justa restituição de terras, onde se erguia – por exemplo – o Mosteiro de Santa Maria de Aguiar (junto à histórica localidade de Castelo Rodrigo).

Por outro lado, e numa leitura dos discursos historiográficos e geográficos sobre Alcanices, Luis Carlos Amaral e João Carlos Garcia realçam que “a História precede a Geografia no debate do tema, mas é uma certa Geografia que fixa em imagem cartográfica Alcanices como marco final de um processo. Também nem todos os historiadores se preocuparam particularmente com este facto diplomático e político do reinado de D. Dinis”.

Aquando da passagem dos 700 anos da assinatura do Tratado de Acanices realizou-se um Congresso Luso-Espanhol nas vilas de Riba Côa, cujo programa, para além dos diversos estudos apresentados, incluiu várias exposições que reuniram pela primeira vez um valioso acervo das peças mais representativas do património histórico e artístico desta região; uma iniciativa que veio lançar novos olhares e interesses sobre este destacado momento do processo histórico português.

Como salientou o historiador Veríssimo Serrão no decorrer desse congresso, “As grandes vantagens do Tratado de Alcanices resultavam da fixação da fronteira portuguesa que, com excepção de Olivença, ocupada pela Espanha em 1801, correspondia então ao seu traçado actual. A província da Beira constituía a zona nevrálgica do reino de Portugal, por ser esse o local corrente das invasões castelhanas. D. Dinis tratou de imediato da fortificação dos lugares de Riba-Côa, com os seus pontos mais salientes em Castelo Rodrigo e no Sabugal, tendo a defendê-las o castelo da Guarda. Tal foi a base do acordo luso-castelhano”.

 A importância deste Tratado para a formação da nacionalidade portuguesa é inquestionável; ele evidencia Portugal, decorridos todos estes séculos, como o país europeu com fronteiras mais antigas.

 

Hélder Sequeira

 

 

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publicado às 21:41

Festival do Cobertor de Papa

por Correio da Guarda, em 12.09.25

 

Na localidade de Maçainhas (Guarda) vai decorrer, amanhã e domingo, o Festival do Cobertor de Papa.

O programa integra diversas atividades, nomeadamente um percurso pelas ruas de Maçainhas designado “À descoberta do Cobertor de Papa”, um concerto de concertinas, a apresentação do documentário “Guarda, Tradições, Cultura e Arte” e uma sessão/debate subordinada ao tema “Unidos por um fio – reflexão: a importância da preservação do património e identidade territorial”. O programa completo deste festival pode ser consultado aqui.

Esta iniciativa representa mais um alerta para o risco de extinção de um ecossistema enraizado nestas terras beirãs.

O cobertor de papa é uma manta tradicional da zona da Serra da Estrela, produzida – há vários séculos – a partir da lã churra (mais macia) que é retirada de ovelhas autóctones (ovelha mondegueira).

Após o necessário tratamento, a lã é tecida em teares artesanais e de acordo com métodos tradicionais, associando cores e desenhos com perfil diferenciador. O processo termina com o esticar dos cobertores nas “râmbolas” onde secam, ao ar livre, e adquirem o seu aspeto final.

Cobertor de Papa_Céu Reis_

Existem o cobertor branco com três listas castanhas, a manta barrenta ou manta do pastor, a manta lobeira ou manta espanhola, o cobertor branco, o cobertor bordado à mão e o cobertor de papa em várias cores (com o seu conhecido pelo comprido).

O seu uso não se fica apenas pela utilização como elemento de conforto térmico (na cama o seu pelo denso e pesado facilita a transpiração durante o sono e puxa a humidade para a superfície exterior do cobertor), mas passa também por distinto complemento de decoração de interiores.

A Associação Genuíno Cobertor da Papa, sediada naquela localidade, tem nos seus objetivos a produção daquele autêntico produto e a garantia da sua autenticidade, estando atualmente empenhada em alcançar a certificação daquele cobertor.

O declínio da indústria da lã e o surgimento de fibras sintéticas originaram um cenário onde quase se desenhou a sua extinção.

Elisa Pinheiro, que desenvolveu trabalhos de pesquisa sobre o cobertor de papa, assinalou-o como “produto final de um longo processo que plasma uma densidade de memórias, sejam elas as dos homens que os produziram, sejam daqueles que, ao longo dos tempos, os consumiram, uns e outros unidos pelos fios de lã que os teceram, num tempo longo da nossa história dos lanifícios”, sublinhando o seu enquadramento “em práticas ancestrais que importa salvaguardar”. Deste modo, é urgente preservá-lo, defender a sua autenticidade, a par de permanentes ações de valorização e promoção.

Este não é um trabalho simples, pois há que equacionar múltiplas realidades e condicionantes, como sejam a necessidade da existência de mais rebanhos de ovelhas autóctones – o que implica olhar com objetividade para a realidade agrícola, para as dificuldades relacionadas com a criação e alimentação dos animais, para o número de pessoas que se dedicam ao pastoreio e ao ciclo da produção de queijo, para as consequências das alterações climáticas que têm condicionado as áreas de pastagens e aumentado as dificuldades ao nível económico/financeiro) – , mais gente a trabalhar no campo e a saber valorizar/rentabilizar as potencialidades endógenas, uma maior consciencialização de todos no que concerne à qualidade e valor dos nossos produtos regionais, optando pela sua compra e incrementando a economia local/regional.

O incentivo e apoio a projetos (como este da revitalização do genuíno cobertor de papa, cuja produção é feita, naturalmente, numa escala consentânea com a dimensão dos recursos atuais, e em função da evolução do número de encomendas) não devem ficar apenas pelas amáveis palavras de circunstância, pelas manifestações de simpatia nas redes sociais ou pela presença (também importante, claro) em ações de sensibilização ou divulgação.

É fundamental o apoio das entidades em cuja área de competência ou influência se pode inscrever a ajuda necessária (e justa), a ação dos media na informação e divulgação dos produtos genuinamente regionais, a necessária transmissão aos mais jovens do saber fazer, o envolvimento da investigação académica, uma atitude ativa dos consumidores na preferência daquilo que tem alta qualidade e matriz tradicional e portuguesa.

 

Hélder Sequeira

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publicado às 15:52

Livro sobre a Capela de Música da Sé da Guarda

por Correio da Guarda, em 11.09.25

 

"Capela de Música da Sé da Guarda (Séc. XVI – Séc. XIX). Algumas Obras (Séc. XVIII)" é o título do livro, da autoria do Padre José Pinto Geada, que vai ser apresentado nesta cidade, no próximo dia 18 de setembro.

A apresentação terá lugar no espaço diocesano ExpoEcclesia (Rua Alves Roçadas), pelas 18 horas.

A obra, fruto de um aprofundado trabalho de investigação, reúne um conjunto de composições musicais do século XVIII associadas à vida litúrgica e cultural da Sé da Guarda, testemunhando a riqueza patrimonial e espiritual da Catedral e da própria Diocese.

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Com esta edição, promovida pela Câmara Municipal da Guarda, pretende-se valorizar e dar a conhecer uma parte importante do património musical guardense, preservando a memória e contribuindo para novas leituras e interpretações no campo da música sacra.

O evento é de entrada livre.

 

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publicado às 23:51

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