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“Batem leve, levemente,
Como quem chama por mim…
Será chuva? Será gente?
Gente não é certamente
E a chuva não bate assim…”
O poeta Augusto Gil, o autor da conhecida “Balada da Neve” é, seguramente, uma das figuras mais conhecidas da galeria de guardenses ilustres. Hoje assinala-se o 96º aniversário da sua morte.
Augusto César Ferreira Gil nasceu na freguesia de Lordelo, Porto, a 30 de julho de 1870; berço fortuito devido à circunstância de sua mãe se encontrar ali, acidentalmente. A família era toda Beira: “o pai do Maçal do Chão, concelho de Celorico; a mãe nada e criada na própria sede do concelho. Desde a idade de três meses, Gil residiu na Guarda, que ele considerava, pelos laços de sangue e do coração, como sua terra natal”. Escreveu Ladislau Patrício, biógrafo e cunhado do poeta.
Gil passou a maior parte da sua vida na mais alta cidade de Portugal e aqui fez os primeiros estudos; frequentou, depois, o Colégio de S. Fiel, após o que regressou à Guarda, onde se encontrava em 1887. Tempo depois, ingressou como voluntário na vida militar que deixou com o início dos estudos na Escola Politécnica; estes seriam interrompidos, contudo, por motivo de doença. Em finais de 1889 foi autorizado a frequentar a Escola do Exército onde o aproveitamento letivo não foi exemplar; passados dois anos, em maio de 1891, ingressou no Regimento de Infantaria 4 e aí prestou serviço até ao mês de novembro.
De novo na Guarda, Augusto Gil fez nesta cidade, em 1892 e 1893, os exames do Liceu, rumando posteriormente para Coimbra, em cuja Universidade cursou Direito; na cidade do Mondego teve como companheiros Alexandre Braga, Teixeira de Pascoais, Egas Moniz e Fausto Guedes Teixeira, entre outros. Concluída a formatura, em 1898, Augusto Gil regressou à Guarda; neste período a vida não lhe correu de feição e foi confrontado com diversos problemas, de ordem profissional e de ordem económica; pretendeu exercer advocacia, mas não conseguiu “clientela que lhe desse ao menos para sustentar o vício do tabaco”; curiosamente, o poeta já tinha vaticinado estas dificuldades “na aldeia sertaneja, onde hei-de ser/o melhor poeta e o pior legista”.

Desejou ser professor provisório do Liceu, mas o conselho escolar dessa época não o considerou competente para reger a cadeira de português. Ao longo dos anos sucederam-se diversas contrariedades e episódios que deixaram traços indeléveis no percurso literário de Augusto Gil. Decidiu ir para Lisboa e foi trabalhar com Alexandre Braga; em 1909 regressou à Guarda, enredado em dificuldades financeiras.
Com a implantação da República, impulsionou o aparecimento do Centro Republicano da Guarda e fundou o semanário “A Actualidade”, que dirigiu entre 1910 e 1912. Embora este jornal tenha surgido com meio de promoção do ideário republicano, assumiu um pendor acentuadamente literário, contando com a colaboração do Pd. Álvares de Almeida, Ladislau Patrício, Amândio Paul e Afonso Gouveia, para além de outras personalidades.
No mês de novembro de 1911 - quando João Chagas fez parte, pela primeira vez, de um governo da República – Augusto Gil foi nomeado Comissário da Polícia de Emigração Clandestina, pelo que foi viver para Lisboa. No ano seguinte casou com Adelaide Sofia Patrício, irmã do segundo diretor do Sanatório Sousa Martins, o médico e escritor Ladislau Patrício.
Após ter exercido, durante escassos meses, o cargo de Governador Civil de Aveiro, voltou para a capital onde teve, em 1918, uma passagem pelo Ministério da Instrução Pública; no ano seguinte foi nomeado Diretor Geral das Belas Artes. Em Lisboa foi uma figura altamente conceituada nos meios intelectuais e sociais; assim não é de estranhara a homenagem de que foi alvo no Teatro Nacional, em 19 de junho de 1927. A comissão promotora dessa iniciativa integrou nomes como Júlio Dantas, José Viana da Mota, Henrique Lopes de Mendonça, Columbano Bordalo Pinheiro, Eduardo Schwalbach e Gustavo Matos Sequeira. Distinguido com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago de Espada e com a Ordem da Coroa da Bélgica Augusto Gil foi eleito, em 12 de abril de 1923, por unanimidade, sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.
O trabalho de Augusto Gil cruzou-se, frequentemente, com períodos de grande sofrimento, resultado da doença que o atormentava. “A doença que desde o primeiro quartel da existência o consumiu e as dificuldades materiais com que sempre mais ou menos lutou, encontram-se no fundo de toda a sua obra, e que sabe se até não a condicionaram”, observou Ladislau Patrício num apontamento biográfico sobre o poeta.
Nomeado Secretário-Geral do Ministério da Instrução Pública não chegou a tomar posse desse cargo pois morreu a 26 de fevereiro de 1929, numa casa situada na Rua Bartolomeu Dias, em Lisboa. O seu falecimento foi notícia destacada nos principais jornais do país e, naturalmente, pela imprensa da Guarda, em cujas páginas se sucederam as mais elogiosas referências ao homem e ao poeta.
O funeral de Augusto Gil (a 1 de março, na Guarda) constituiu, de acordo com os relatos jornalísticos da época, uma grande manifestação de pesar. “Tudo o que a Guarda tem de mais distinto acorreu a tomar parte na sentida homenagem” e participar no cortejo fúnebre que se “revestiu de desusada imponência”.
Os restos mortais de Augusto Gil repousam num jazigo localizado logo à entrada do cemitério municipal da Guarda, ostentando dois versos de “Alba Plena”: “E a pendida fronte, ainda mais pendeu.../E a sonhar com Deus, com Deus adormeceu...”
“Musa Cérula”, “Versos”, “Luar de Janeiro”, “O Canto da Cigarra”, “Gente de Palmo e Meio”, “Sombra de Fumo”, “Alba Plena”, “Craveiro da Janela”e “Avena Rústica” foram as principais produções literárias deste poeta, cujo trabalho evoluiu quase à margem de escolas ou correntes literárias. “Não é um romântico, nem parnasiano, nem simbolista: é ele – o Augusto Gil – nome que é um gracioso ritmo”, observou Bulhão Pato.
Sampaio Bruno considerava-o, numa missiva que lhe dirigiu em 1915, “um dos raros e grandes escritores” do país, pois “tem emoção e é poeta; tem correcção, e é artista. Ter emoção e ter correcção é a sua perfeição”. Muitos dos versos de Augusto Gil passaram para o cancioneiro popular, como sublinharam alguns estudiosos da sua obra, suportada num verso melodioso e num ritmo suave.
“Foi e é um dos poetas entre nós a quem o povo mais abriu o coração, e quando o povo abre o coração a um poeta, o seu amor repercutir-se-á pelo tempo além”, como anotou João Patrício. De facto, se Augusto Gil cultivou a poesia, as letras, cultivou também o seu amor pela Guarda onde escreveu uma grande parte dos seus melhores poemas; a cidade bem se pode orgulhar do seu “mais alto poeta” e recordá-lo é um dever de memória.
Helder Sequeira
O filme “Mãos da Terra”, com realização do guardense Luís Sequeira, conquistou o terceiro lugar do Prémio Sophia Estudante (2025), da Academia Portuguesa de Cinema, na categoria de melhor curta-metragem de documentário.
Este filme, rodada em Paradela do Rio (Montalegre), “é uma ode à criatividade, resiliência e à beleza que podemos encontrar nas formas mais simples da vida”, celebrando a obra História de Vida, da autoria de José Teixeira, e dando a conhecer “o legado eterno do artista e as raízes que deixou plantadas neste mundo”; uma vida contada através de peças de cerâmica.
O filme foi produzido no âmbito do curso de Cinema da Universidade da Beira Interior.

A jornalista Liliana Carona, diretora do Notícias de Gouveia, vai receber na próxima sexta-feira, em Zagreb (Croácia) o prémio internacional de Jornalismo e Literacia Mediática do Festival Vozes.
Este prémio de jornalismo é uma iniciativa da Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) em parceria com a Comissão Europeia. Liliana Carona é a única portuguesa premiada, na categoria “Resiliência Local”.
A atribuição deste prémio a Liliana Carona surge com a apresentação da reportagem intitulada “Violência doméstica no distrito: taxas elevadas preocupam agentes locais” e igualmente como resultado do trabalho desenvolvido enquanto mentora e criadora do programa In Press Cool, entre outras iniciativas – daquela jornalista – de promoção da literacia mediática em contexto escolar.

O Vozes é um evento pioneiro que visa reformular a relação com a informação; desde a abordagem da evolução do jornalismo num panorama mediático em rápida mutação até à capacitação dos cidadãos com as ferramentas para navegarem nestas mudanças, proporcionando três dias repletos de centenas de participantes, mais de 70 oradores, sessões com curadoria, workshops interativos, exposições e oportunidades de networking.
Os Prémios Vozes constituem um concurso internacional anual que recompensa ideias inovadoras e agentes de mudança em torno dos temas do jornalismo e da literacia mediática. Um evento itinerante cofinanciado pela Comissão Europeia para celebrar o jornalismo e a literacia mediática na Europa. Este Festival apresenta uma dupla abordagem, uma vez que se debruça sobre a evolução do papel do jornalismo no nosso panorama mediático em rápida mutação, apoiando simultaneamente os cidadãos a avaliarem criticamente a informação e a navegarem na tecnologia de forma significativa.
Os Prémios Vozes reconhecem os trabalhos de jornalistas, professores e defensores da literacia mediática que melhor transmitem os valores e objetivos do Festival Vozes e incluem cinco categorias distintas: Em ascensão: utilização inovadora e ética da Inteligência Artificial no jornalismo; Impacto: reportagem de investigação transfronteiriça; Resiliência local: reportagens locais para as comunidades europeias; Jovens notáveis: jornalistas promissores com menos de 30 anos e Talento emergente: o melhor do jornalismo sobre o clima.
Os prémios atribuídos correspondem às despesas de participação no Festival ‘Vozes’ a decorrer no Museu de Arte Contemporânea em Zagreb, de 28 de fevereiro a 1 de março de 2025. Os vencedores na área do jornalismo são Giacomo Zandonini (Itália), na categoria 'Impacto”; Liliana Carona (Portugal), na categoria “Resiliência local”; Ivana Milosavljević (Sérvia), na categoria “Juventude notável” e Jenny Tsiropoulou (Grécia), na categoria “Talento emergente”.
A propósito do Vozes é referido que “vivemos em um mundo onde a informação é abundante, mas notícias precisas nem sempre são fáceis de encontrar. O Vozes surge para aproximar cidadãos, jornalistas e profissionais dos media”, celebrando “os papéis fundamentais que o jornalismo e o público informado desempenham nas sociedades”, sem esquecer a necessidade de promoção do pensamento crítico em torno da desinformação.
Antes da Croácia, o Vozes começou em Florença em março de 2024; mais de 1.300 participantes assistiram a sessões abordando inteligência artificial e jornalismo, desinformação, segurança de jornalistas, desafios dentro dos modelos económicos dos media, alfabetização mediática, integridade das eleições, parentalidade digital e bem-estar digital, entre outros.
“O festival é uma iniciativa itinerante que percorre diferentes cidades europeias para interagir com diferentes comunidades, ao mesmo tempo que enfatiza a liberdade de imprensa e a cultura mediática como elementos essenciais para o funcionamento das nossas sociedades.” Refere a organização do Vozes.

No passado ano, a décima segunda edição do evento “Muralhas com História”, promovido em Sortelha pela Câmara Municipal do Sabugal, foi dedicado ao reinado de D. Dinis. A autarquia sabugalense sublinhou, então, que o sexto rei de Portugal “é um dos responsáveis pela criação da nossa identidade nacional e pelo alvor da consciência de Portugal enquanto estado-nação. Durante o seu reinado, ele procurou reorganizar a administração interna, elaborando um conjunto de leis baseadas na realidade política, económica e social do país, marcando de forma inequívoca e permanente este território de fronteira.”
O rei D. Dinis (cujo reinado foi o mais longo de todos os monarcas da primeira dinastia, 46 anos) nasceu em Lisboa a 9 de outubro de 1261; era o filho mais velho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela (sua segunda esposa), tendo sido aclamado rei (em Lisboa) no ano de 1279. Em 24 de junho de 1282 casou com Isabel de Aragão (a Rainha Santa Isabel), sendo o casamento celebrado em Trancoso; na cerimónia estiveram presentes o Bispo da Guarda, D. Fr. João Martins, Mestres de Ordens de Cavalaria e destacados elementos da nobreza de Portugal e Aragão.

O monarca, de que falamos, deu particular atenção às fortalezas destas terras raianas, valorizando-as e reforçando as suas funções defensivas. As terras de Riba Côa começaram por estar sob o domínio militar de D. Afonso Henriques e mais tarde foram ocupadas por Fernando II de Leão, constituindo um território onde as oscilações dos limites fronteiriços eram constantes. O Tratado de Alcanices, assinado a 12 de setembro de 1297 naquela localidade espanhola, é considerado “um dos suportes da identidade de Portugal”.
“E outro si eu El Rey Dom Fernando, entendendo, e conocendo, que vós aviades direito en aluns lugares dos Castellos, e Villas de Sabugal, e de Alfayates, e de Castel Rodrigo, e de Villa Mayor, e de Castel Boom, e de Almeida, e de Castel Melhor. e de Monforte, e dos outros Lugares de Riba Coa, que vós Rey Dom Diniz teendes agora en vossa mão, e por que me vós partades do direito, que aviedes en Vallença, e em Ferreira, e en no Sparagal, que agora tem a Ordem d’Alcantara asá maão, e que aviades en Ayamonte, e en outros Lugares dos Reinos de Leon e de Galiza”.
Assim era referido no texto daquele tratado, que estabeleceu a transferência para o domínio português dos castelos do Sabugal, Vilar Maior, Alfaiates, Castelo Rodrigo, Castelo Bom, Almeida e a localidade de San Felices de los Gallegos, além de Olivença, Ouguela e Campo Maior. O rei D. Dinis, de acordo com o estabelecido nesse tratado, desistia da posse de Aiamonte, Esparregal, Valência e Aracena. A conjuntura interna espanhola (nomeadamente as divergências profundas dos tutores do rei castelhano) não deixou de se refletir neste tratado, bem como a visão estratégica do monarca português.
San Felice de los Gallegos
Com o objetivo de serem acentuados os compromissos assumidos, firmou-se a promessa de casamento do rei espanhol, D. Fernando IV, com a filha de D. Dinis (a infanta D. Constança), enquanto D. Beatriz, infanta de Castela, foi prometida ao príncipe D. Afonso (filho de D. Dinis).
A importância do Tratado de Alcanices para a formação da nacionalidade portuguesa – voltamos a sublinhar – é inquestionável, evidenciando Portugal como o país europeu com fronteiras mais antigas; o Tratado fixou, de forma clara, a fronteiras portuguesas deste território de Riba Côa, limitado pelos rios Côa e Águeda e pela ribeira de Tourões. Era, como escreveu Pinharanda Gomes, uma “terra de ninguém”. O Rio Côa abandonou, na altura, o seu papel de fronteira física e sobre ele se lançaram novas pontes que favoreceram a circulação de pessoas e produtos; veja-se o caso do Porto de S. Miguel (assinalado no Foral de Castelo Mendo, de 1228, como Portum Mauriscum) ou de Rapoula do Côa.
Segundo Miguel Ladero Quesada, foi o espírito diplomático de D. Sancho IV “nos últimos anos do seu reinado, sobretudo, a sua morte prematura e a gravíssima crise política castelhana na menoridade de Fernando IV que permitiram a D. Dinis jogar, alternativamente, as cartadas da guerra e da aliança para conseguir mais territórios dos que havia esperado e fixar as fronteiras em limites muitos favoráveis aos seus interesses”.
Para aquele investigador, é de supor que “algumas cláusulas do tratado seriam inconcebíveis em circunstâncias normais para os reis castelhano-leoneses, como as que se verificaram até 1295”. Contundo, no quadro conjuntural da época D. Dinis terá tido a perceção de como era importante não deixar escapar a oportunidade de alargar o território português através de uma faixa em relação à qual Castela atribuía um interesse menor face às questões oriundas do reino de Aragão e da área peninsular sob domínio islâmico, a sul. Assim, Alcanices traduz, como muitos reconhecem, um protagonismo inteligente da diplomacia portuguesa, evidenciado mais tarde por vários historiógrafos, cuja interpretação relativamente à passagem de Riba Côa para a Coroa lusitana assentava não na conquista territorial mas na justa restituição de terras, onde se erguia – por exemplo – o Mosteiro de Santa Maria de Aguiar (junto à histórica localidade de Castelo Rodrigo). Por outro lado, e numa leitura dos discursos historiográficos e geográficos sobre Alcanices, Luís Carlos Amaral e João Carlos Garcia realçam que “a História precede a Geografia no debate do tema, mas é uma certa Geografia que fixa em imagem cartográfica Alcanices como marco final de um processo. Também nem todos os historiadores se preocuparam particularmente com este facto diplomático e político do reinado de D. Dinis”.
Este rei impulsionou a coesão nacional, reorganizou o exército e a marinha, incrementou a defesa da língua e da escrita, preocupou-se com o exercício e administração da justiça; manifestou uma grande preocupação pelo desenvolvimento da agricultura (o cognome de O Lavrador não surgiu por acaso), mas não esqueceu a importância das florestas e dos rios, bem como a necessidade de aumentar o povoamento das terras, de dinamizar as trocas comerciais (concedeu um elevado numero de cartas de feira e instituiu as primeiras feiras francas), desenvolvendo a economia.
A D. Dinis se deve a fundação do Estudo Geral, em Lisboa, instituição inicial da formação universitária em território português; é também com ele que os documentos régios passam a ser redigidos em português. Como escreveu Helena da Cruz Coelho, “no contexto dos reinos peninsulares, a monarquia portuguesa reconhecia-se, agora, também pela sua individualidade linguística, pelo português.”Dinis faleceu em Santarém, a 7 de janeiro de 1325. Como bem sintetizou a investigadora que acabámos de citar, “(…) delimitar, identificar, defender, povoar, valorizar, administrar parecem ter sido os princípios norteadores” da atividade deste rei.

No corrente ano assinala-se o sétimo centenário da morte de D. Dinis, de quem ultimamente muito se falou, a propósito da apresentação da reconstituição facial (em 3D), daquele monarca, fundamentada em dados arqueológicos, antropológicos e genéticos. Este estudo, inédito em Portugal, representa mais um eminente contributo para o conhecimento de um rei que deixou uma forte marca da sua atividade governativa e administrativa nesta região raiana.
Assim, era oportuna a realização de iniciativas que nos levassem a (re)visitar os territórios de Riba Côa, as localidades referenciadas no Tratado a que temos estado a aludir; incrementando o conhecimento da História, do papel desempenhado pelos monumentos de arquitetura militar desta região, fomentando novos roteiros turísticos, abrindo novas investigações e estudos, viabilizando um maior conhecimento da personalidade e do papel do Rei D. Dinis. Iniciativas que valorizem, promovam a região e reforcem a nossa identidade regional.
Hélder Sequeira
No próximo dia próximo dia 8 de março vai ser promovida, junto à barragem de Salgueirais, a ação "Plantar árvores, semear futuro", organizada pela Câmara Municipal de Celorico da Beira, em colaboração com colaboração com o Geopark Estrela e o ICNF.
Esta atividade é desenvolvida no âmbito da reflorestação do Parque Natural da Serra da Estrela, na sequência dos incêndios que devastaram aquela área.
As pessoas interessadas em participar podem fazer a inscrição (obrigatória) até 6 de março, presencialmente no Gabinete Técnico Florestal do município celoricense ou online em : info@ geoparkestrela.pt; gtf@cm-celoricodabeira.pt.
“O município de Celorico da Beira convida toda a população e garante o transporte aos participantes. Recomenda o uso de calçado e roupa adequada para atividades ao ar livre, bem como, o transporte de ferramentas para plantação.”
O ponto de encontro está agendado para as 9H00, junto à Câmara Municipal de Celorico da Beira.

Hoje é assinalado o Dia Mundial do Rádio.
Recorde-se que esta data foi proclamada em 2011 pelos Estados-membros da UNESCO e adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2012, como Dia Mundial da Rádio.

A UNESCO escolheu para celebração desta data o tema “O Rádio e as Alterações Climáticas”, considerando que numa “era marcada pela velocidade vertiginosa da inovação tecnológica o rádio está a entrar no segundo século de serviço como um dos meios de comunicação mais confiáveis e amplamente utilizados no mundo.”
Como todos sabemos, por todos os continentes se têm verificado inquestionáveis cenários de alterações climáticas, com as mais diversas e trágicas consequências. Os casos mais recentes confirmam esta afirmação e apontam, claramente, para uma preocupante realidade da qual não nos podemos alhear, coletiva e individualmente.
Neste dia, a UNESCO deixa o desafio para se dar maior enfâse aos factos que evidenciam as constantes manifestações das alterações climáticas, e também para uma reflexão e enriquecimento das fontes de informação sobre a temática.
É também pertinente a anotação que a UNESCO faz a propósito da definição, para as emissoras, de um plano de emergência climática. Esse plano “deve incluir mapeamento pré-preparado de áreas de risco; listas de contato de especialistas e autoridades para vários cenários de desastres; rotinas de resposta; instruções de segurança específicas para cada desastre natural”.
Acrescenta que ele também deve prever a manutenção de equipamentos necessárias para cenários de emergência para garantir fácil acesso a kits de sobrevivência e geradores para cortes de energia prolongados.
No texto divulgado sobre o Dia Mundial da Rádio, é reconhecido o papel essencial e o poder dos jornalistas e emissoras de exporem a desinformação climática, promoverem o diálogo informado e aumentarem a conscientização ambiental; através da produção de informações precisas e confiáveis.
Assinalar este dia e debater a temática proposta é assumirmos um verdadeiro compromisso com o futuro do nosso planeta, com o nosso futuro.
O Rádio não pode ficar indiferente.
Hélder Sequeira
Há quarenta e nove anos, neste mesmo décimo segundo dia do mês de fevereiro, a Guarda estava no centro das atenções informativas, nacionais e internacionais. A realização da Cimeira entre os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Espanha, respetivamente Melo Antunes e José Maria Areílza, fez convergir para a Guarda os mais importantes órgãos de comunicação social, dos dois países ibéricos.
“Recorde-se que a destruição [em 1975] da Embaixada espanhola em Lisboa, com valioso recheio, tornou delicadas as relações luso-espanholas. Neste contexto, o encontro da Guarda terá funcionado como uma tentativa para relançar as relações entre os países ibéricos. Os pontos acordados, constantes no comunicado conjunto, tiveram um significado secundário (...)”. Assim era referido na edição de 20 de fevereiro de 1976 da Revista FLAMA.
O ministro espanhol foi recebido, pelas 9h30, em Vilar Formoso pelo seu homólogo português, tendo os diplomatas viajado até à Guarda num helicóptero que aterrou parada do Regimento de Infantaria 12. O encontro na Guarda tinha sido mantido secreto até à meia-noite anterior; um dia antes nas duas capitais ibéricas constava que a reunião teria lugar em Estremoz.
D.R.
De acordo com o comunicado conjunto, divulgado após esta cimeira, “os dois ministros assinaram um acordo sobre a delimitação da plataforma continental, um acordo sobre a delimitação do mar territorial e da zona contínua, e, ainda, um Protocolo adicionado ao acordo sobre o aproveitamento do troço internacional do Rio Minho.
No decurso das conversações caracterizadas pelo espírito de amizade e boa vizinhança que os dois governos desejam dar às suas relações, foi passado em revista o estado das relações culturais entre os dois países (...). No domínio das questões fronteiriças, examinou-se, de modo especial o projeto de construção de uma ponte internacional sobre o Rio Guadiana entre Vila Real de Santo António e Ayamonte (...). Exprimiu-se o desejo mútuo de uma maior colaboração técnica e administrativa em matéria aduaneira, com o objectivo de facilitar o tráfego internacional entre os dois países (…)” .
Para César Oliveira, “o espírito da Guarda mais não foi do que o esforço luso-espanhol para ultrapassar as tensões e a carga de potenciais conflitos entre os dois Estados, na segurança de que em Espanha parecia ser irreversível o caminho para a democracia e de que em Portugal as tentações esquerdistas e radicais estavam duradouramente afastadas” .
A Guarda ficou, desta maneira, como um marco de referência no processo de normalização das relações luso-espanholas e marcou, indubitavelmente, o segundo ano do pós-25 de Abril.
Hélder Sequeira
Foto: CMG
Entre 26 de fevereiro e 4 de março vai decorrer nova edição da “GuardaFolia – Aqui há Galo”, organizada pelo município guardense.
“A iniciativa, de base comunitária e que conta com o envolvimento dos mundos rural e urbano, destaca a Guarda no mapa do Carnaval nacional pela genuinidade e tradição”, refere uma nota informativa divulgada pela autarquia.
“Este carnaval, genuinamente português, tem o ponto alto com o Desfile e Julgamento do Galo no domingo gordo de Carnaval, dia 2 de março, com início marcado para as 17h00. A sátira e o humor vão andar à solta pelas ruas do centro da cidade com o desfile das freguesias do concelho que sai da Alameda de Santo André em direção à Praça Luís de Camões (Praça Velha), onde o Galo voltará a ser julgado de todos os males acontecidos ao longo do ano e que é o principal ingrediente para a conceção do espetáculo final.”
Este ano o cortejo é dedicado ao tema “A Revolta das Carroças” e conta com a participação de 31 grupos. De referir que o espetáculo do Julgamento do Galo retoma o formato original, conjugando as tradições vividas nas aldeias de Famalicão da Serra (Enterro do Entrudo) e de Pousade (Julgamento do Galo) com uma componente musical mais urbana.

O espetáculo do Julgamento do Galo conta com a participação do projeto Beat na Montanha e do Teatro na Escola (projetos educativos a decorrer) e ainda com os convidados Capicua e Maze. O Julgamento e Morte do Galo tem a direção artística de Daniel Rocha, texto de Honorato Esteves e direção musical de Luís Sequeira. O galináceo será uma criação artística de Rui Sousa (Marionetas da Feira).
O programa da GuardaFolia integra ainda, no domingo 2 de março, a Fun Run, a partir das 10h30, com um percurso de cinco quilómetros; pode ser realizada individualmente ou em grupo, a andar ou a correr
No cartaz há ainda o teatro comédia Amigos da Treta no Teatro Municipal da Guarda (TMG) dia 26 de fevereiro, que dão nova vida ao fenómeno de popularidade criado em 1997 como 'Conversas da Treta' por António Feio e José Pedro Gomes.
No dia 28 de fevereiro, realiza-se o Desfile Infantil pelas ruas do centro da cidade, com a participação de 2300 crianças, de meia centena de escolas do 1.º ciclo e jardins de infância do concelho, da rede pública e privada. Sob o tema Tradições de Entrudo na Guarda, o cortejo, intitulado Cá do alto, cantas tu ou canto eu? inicia na Praça do Município às 14h30 e termina na Praça Luís de Camões, passando pelo Jardim José de Lemos, pela Rua Alves Roçadas, pelo Largo João de Almeida e Rua do Comércio.
Entretanto, de 28 de fevereiro a 3 de março regressam as Tabernas do Entrudo, na Alameda de Santo André; várias associações do concelho vão recriar neste espaço coberto o ambiente carnavalesco das diversas freguesias apresentando as iguarias e ementas caraterísticas da época. A iniciativa pretende proporcionar um ambiente de convívio e promover a cultura gastronómica da região.
O programa da GuardaFolia 2025 termina no dia de Carnaval, 4 de março, com o Enterro do Entrudo (a partir das 18 horas) na aldeia de Famalicão da Serra. Uma iniciativa repetida nas últimas décadas nesta freguesia rural do concelho.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.