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Feliz 2022

por Correio da Guarda, em 31.12.21

Ano Novo 2022 - correio.jpg

O CORREIO DA GUARDA deseja-lhe um Feliz 2022.

 

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publicado às 18:00

Presépio

por Correio da Guarda, em 28.12.21

Presépio na Guarda - 2021-HS.jpg

Guarda. Presépio no Paço da Cultura.

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publicado às 23:12

Sabugal: espetáculos pirotécnicos nas vilas medievais

por Correio da Guarda, em 27.12.21

A passagem de ano no concelho do Sabugal vai ser assinaladas com cinco espetáculos pirotécnicos, promovidos pela Câmara Municipal.

A autarquia sabugalense tem agendados para o final do dia 31 de dezembro a realização de fogo de artifício em Alfaiates, Sabugal, Sortelha, Vila do Touro e Vilar Maior, as antigas vilas medievais do território hoje pertencente ao concelho.

Vilas Medievais.jpg

 

 

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publicado às 21:50

Boas Festas

por Correio da Guarda, em 24.12.21

Correio da Guarda - Feliz Natal 2021.png

 

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publicado às 00:45

Sandra Ferreira: uma jornalista da Guarda em Timor

por Correio da Guarda, em 22.12.21

 

Sandra Ferreira iniciou bem cedo, na Guarda, a sua ligação à comunicação social. Como jornalista, o seu percurso profissional tem passado por vários órgãos de informação. Licenciada em Jornalismo pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, trabalhou na Rádio Altitude, Rádio F, Rádio Vaticano, jornal Público, JN-Jornal de Notícias.

Natural da Guarda, onde estudou e de onde saiu com 21 anos, Sandra Ferreira é, atualmente formadora de jornalismo em Díli, Timor-Leste. Apesar da distância não esquece a sua terra natal e diz-nos que gostaria de ver a Guarda “com menos complexos de interioridade”, acrescentando que “esse é um espírito que não ajuda a crescer, mas antes a realçar que se é pequeno e inconsequente”.

Ao CORREIO DA GUARDA esta jornalista guardense diz que os “portugueses são muito bem vistos e respeitados pelos timorenses”, referindo, por outro lado, ser “muito interessante perceber a cultura, que é muito diferente da nossa, apesar da forte e prolongada influência portuguesa”

Sandra Ferreira  - foto 1a.jpg

Como começou a sua ligação à comunicação social?

A minha ligação à comunicação social começou quando tinha cerca de 16 anos, na Rádio Altitude que, na altura, abriu um concurso para recrutar novas vozes e decidi concorrer.

Acabei por ser selecionada como animadora de emissão.

 

O que significou a sua passagem pela Rádio Altitude?

Foi na Rádio Altitude que dei os primeiros passos que me conduziriam à profissão de jornalista, embora nessa época tencionasse formar-me em Psicologia.

Comecei a despertar para a informação, após ter acompanhado, em termos informativos, uma comitiva de Aldeia Viçosa a uma localidade da Normandia, em França, com a qual a Junta de Freguesia tinha um acordo de geminação

 

Nos tempos iniciais o que mais a seduziu na atividade radiofónica?

Eu adorava música e a Rádio Altitude tinha à época uma discoteca impressionante, com mais de 20 mil discos.

Era muito interessante passar horas a descobrir êxitos de várias gerações, saber mais sobre os artistas e partilhá-los.

A rádio tinha aquele lado encantador de sermos identificados apenas pela voz, sem sites na internet a revelarem-nos o rosto. Por outro lado, era muito estimulante trabalhar junto de profissionais, como o histórico António Aragonês, com uma magnífica voz e um excelente contador de estórias.

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Após a sua saída da Guarda o que fez, em termos profissionais?

Antes de sair da Guarda, passei pela Rádio F e poucos meses depois, o dono, o Dr. Virgílio Ardérius, que tinha comprado a Rádio Noar, em Viseu, que estava encerrada, desafiou-me a fazer parte da equipa que a iria reativar.

Foi uma luta enorme, deu muito trabalho, mas foi uma grande escola e um sucesso até a frequência ter sido vendida, em 2011, à Rádio Renascença. 

Pelo meio, quando estava a tirar a licenciatura em Jornalismo, na Universidade de Coimbra, fiz uma interrupção e fui para a capital italiana, estudar na Universidade Roma Tre, no âmbito do programa Erasmus. Ao mesmo tempo, enviei o currículo para a rádio Vaticano, onde fui aceite para trabalhar na rádio que agrega quase 40 nacionalidades.

Fiz também algumas dobragens de documentários e filmes no estúdio Cine-Cità. Já depois de regressar a Portugal, trabalhei para o Jornal Público e para o Jornal de Notícias.

Atualmente sou formadora de jornalismo em Díli, Timor-Leste, no Consultório da Língua para Jornalistas.

 

E o que mais gostou de fazer?

Sempre gostei de vestir a camisola dos sítios por onde passei e para mim só faz sentido enquanto assim for.

É difícil dizer o que mais gostei porque cada projeto implicou desafios distintos, mas diria que o que algo em comum que sempre me agradou foi somar conhecimento com ótimos profissionais, refletir sobre o conhecimento que fui adquirindo e que hoje me permite partilhá-lo com quem quer seguir a profissão.

 

A sua preferência, hoje, vai mais para a Rádio ou para a Imprensa?

Nunca consegui fazer essa escolha, cada meio tem a sua especificidade.

Enquanto a rádio é muito desafiante por tudo o que consegue transmitir com som, por trabalhar para o ouvido, a imprensa explica e permite acrescentar detalhes, nem sempre possíveis em rádio.

 

SandraFerreira 2 (1).jpg

A Rádio ontem e hoje? Que diferenças? Hoje é mais fácil fazer rádio?

A rádio hoje já não é só som, também é imagem. Graças à internet também dá texto a ler, exibe vídeos e fotos nos respetivos sites e redes sociais.

Também já não é tão efémera porque, através dos podcasts, podemos ouvir programas quando e onde quisermos.

No entanto, não sei se é mais fácil fazer rádio nos dias que correm porque a pressão aumentou uma vez que este meio concorre diretamente com as plataformas online.

A internet e os telemóveis facilitam muito a chegada dos conteúdos aos ouvintes, fazer diretos, mas também é preciso ser muito mais veloz para não ser ultrapassado, o que também proporciona muitas falhas de rigor. Evitar essas falhas é hoje um dos maiores desafios do jornalismo em nome da sua credibilidade.

 

Atualmente está em Timor. O que está a fazer e como surgiu esta mudança na sua vida profissional?

Em abril deste ano, venci um concurso público lançado pela Secretaria de Estado da Comunicação Social de Timor-Leste, para formadora de jornalismo no Consultório da Língua para Jornalistas.

Aceitei o cargo, tive um mês para fazer as malas e todas as mudanças e mudar-me para Díli.

Na prática deixei de fazer jornalismo, mas passei a partilhar o conhecimento que adquiri ao longo dos anos.

 

Como é o seu dia a dia?

Este trabalho tem obrigado a um grande foco, de manhã à noite, por vezes até ao fim de semana.

Antes da formação de Jornalismo propriamente dita, foi necessário fazer um estudo sobre as necessidades formativas dos jornalistas de Timor-Leste, onde está quase tudo por fazer na área.

Tratou-se de um estudo inédito, que implicou analisar centenas de notícias à lupa de dezenas de critérios, realizar inquéritos junto dos formados, perceber onde sentiam dificuldades, entrevistar responsáveis pela comunicação social, observar o modo de atuação dos jornalistas. O relatório deste estudo, que já foi concluído, será publicado em livro. Identificadas as necessidades formativas traçou-se um plano de formação e elaboraram-se manuais destinados aos formandos.

Sandra Ferreira entrega relatório.jpg

Fora do trabalho, em Díli não há muito para fazer, mas quando há tempo gosto de aproveitar o mar com água muito quente ou conhecer outras zonas de Timor-Leste. Ainda não foi possível conhecer muito por causa da pandemia que colocou Díli sob cerca sanitária até há dois ou três meses.

 

O que mais lhe tem agradado em Timor?

Os timorenses são pessoas muito tímidas, mas muito afáveis.

Tem sido muito interessante perceber a cultura, que é muito diferente da nossa, apesar da forte e prolongada influência portuguesa.

É curioso perceber que está a surgir uma geração com um grande espírito crítico e a falta de massa crítica é um dos graves problemas do país.

 

A presença portuguesa como é vista hoje, em Timor?

Os portugueses são muito bem vistos e respeitados pelos timorenses.

Existem muitos projetos ligados ao ensino executado por centenas de professores portugueses, que exercem a profissão muitas vezes em condições muito difíceis, sobretudo nos municípios distantes da capital.

A educação é um dos problemas graves de Timor-Leste, pelo que os timorenses respeitam muito quem os quer ajudar nua educação melhor.

 

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Até quando vai ficar?

Esta fase do projeto do Consultório da Língua para Jornalistas tem uma duração de três anos, mas não sei quanto tempo irei ficar.

 

Quais são os seus projetos para o futuro?

Depois deste projeto está tudo em aberto, mas julgo que será sempre no âmbito do jornalismo e/ou na área da formação. Em Díli ou noutra parte do mundo.

 

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Continua a seguir o que se passa na Guarda?

Sim, continuo a seguir, dentro do tempo que tenho disponível.

 

O que representa para si a Guarda? Que memórias?

É onde nasci, é onde estão os meus pais e as minhas duas irmãs.

Foi onde vivi até aos 21 anos, por isso tenho na Guarda toda a minha infância e adolescência.

A maior memória que tenho da Guarda, além do frio, é de a cidade ter um grande espírito de acolhimento e convívio.

 

Como gostaria de ver a Guarda do futuro?

Gostava de ver a cidade com mais oportunidades de emprego, de a ver evoluir a todos os níveis e também com menos complexos de interioridade.

Julgo que esse é um espírito que não ajuda a crescer, mas antes a realçar que se é pequeno e inconsequente.

 

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publicado às 00:23

Cancelada a queima do madeiro de Natal

por Correio da Guarda, em 20.12.21

 

A queima do tradicional madeiro de Natal, na Guarda foi cancelada, tendo em conta que é “extremamente elevado” o risco de transmissão do Covid 19.

Queima do Madeiro - Natal - Guarda - HS.jpg

O Presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, determinou que não sejam emitidas licenças quer para a queima do madeiro de Natal, quer para o Magusto da Velha, em Aldeia Viçosa, “devendo ser tomadas as diligências tidas por convenientes para que, caso os madeiros estejam preparados, não sejam acesos ilegalmente por terceiros”.

O lançamento do fogo de artifício, na passagem de ano, será a única atividade que se vai realizar porque, como disse Sérgio Costa, “será visível por todas as pessoas a partir de sua casa”, sendo assinalada a entrada em 2022.

Recorde-se que Na Guarda tinha sido já declarado estado de alerta municipal e ativado o Plano Municipal de Emergência.

 

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publicado às 23:48

Vídeo Documental sobre o Jarmelo

por Correio da Guarda, em 19.12.21

 

O projeto Rostos da Aldeia acaba de lançar um vídeo documental sobre Jarmelo, no concelho da Guarda. Trata-se do quarto episódio de uma mini-série documental com a qual se pretende valorizar os chamados territórios de baixa densidade, promover o turismo em ambiente rural e estimular a fixação de gente nas aldeias portuguesas.

 

Mateus Miragaia.jpg

Foto: Filipe Morato Gomes

O projeto “Rostos da Aldeia”, uma plataforma onde se publicam histórias positivas de todos aqueles que contribuem para que o despovoamento não seja uma tendência inexorável, acaba de lançar o quarto episódio da sua mini-série documental, desta feita sobre Jarmelo (concelho da Guarda), da autoria do multipremiado videógrafo Tiago Cerveira, com banda sonora original do músico e compositor Daniel Pereira Cristo, amante confesso dos instrumentos tradicionais de raiz.

Luísa Pinto, jornalista há mais de 20 anos e mentora do Rostos da Aldeia, afirma que o que se pretende é “documentar a vida nos territórios do interior, com especial enfoque nos habitantes impulsionadores da mudança ou criadores da diferença.”

Pessoas como “Bárbara Moreira, que tem o sonho de criar aldeias sustentáveis e comunidades intergeracionais e interculturais; Mateus Miragaia, o último artesão do país a fazer tesouras para tosquiar de forma artesanal; ou o ex-autarca Agostinho Silva, apaixonado confesso pelo Jarmelo”.

Para além do vídeo documental, a equipa produziu ainda relatos na primeira pessoa que revelam o quotidiano, a rotina, o labor e o amor de que se faz a vida das suas gentes; e ainda um guia prático com o que fazer em Jarmelo, da autoria de Filipe Morato Gomes, o rosto por detrás do conceituado blogue de viagens Alma de Viajante, na esperança que possa servir de inspiração para motivar mais pessoas a visitar a região e a aumentar a duração média das estadas.

Com o objetivo de ter impacto real positivo, a plataforma dispõe também de uma montra online, a partir da qual se direcionam os visitantes para produtos regionais, incluindo os doces e chutneys artesanais criados na aldeia de Ima pela equipa do projeto LAR - Love & Respect e as tesouras para tosquiar feitas pelo ferreiro Mateus Miragaia na aldeia de Donfins.

Depois de Jarmelo, os autores continuarão a percorrer o país de lés a lés, em busca de histórias de pessoas inspiradoras que promovam a divulgação dos seus territórios e motivem novos visitantes e potenciais moradores, estando a próxima paragem marcada para a região do Douro Vinhateiro.

 

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publicado às 00:02

Sobre a "Praça Velha 41"

por Correio da Guarda, em 18.12.21

Apresentação da Praça Velha -.jpg

A Câmara Municipal da Guarda apresentou na passada quinta-feira, 16 de dezembro, um novo número da revista cultural Praça Velha. Trata-se da 41º edição desta publicação cultural editada semestralmente pela autarquia da Guarda, desde 1997.

Com este número a Revista criou uma nova organização e distribuição de conteúdos por dois volumes, a editar semestralmente.

Este quadragésimo primeiro volume da Revista Praça Velha desdobra-se em quatro áreas distintas: Património e História, Grande Entrevista, Portfólio e Súmula de Atividades.

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Na secção de “Património e História” podemos ler um artigo de Fernando Carvalho Rodrigues, que nos fala da medida de coesão para o nosso país e das questões da desertificação.

Como refere, “é tratando muito mais das autarquias de altíssima densidade e cuidando da baixa densidade que o todo se pode curar”.

Elsa Salzedas, apresenta um interessante e elucidativo artigo sobre a geologia guardense; destaca que é importante “valorizar a pedra a partir do conhecimento científico e destacar a sua enorme importância para a natureza e para a humanidade, porque a rocha local é um bem extremamente valioso, não só do ponto de vista científico, mas ainda arquitetónico, económico e histórico”.

A concluir, faz um apelo para que todos contribuam no sentido de se “proteger mais esta região, das mais exclusivas do país” e se sintam orgulhosos com o seu território.

A Cabeça em Pedra de Vale da Ribeira” é o título do artigo de António Marques e João Carlos Lobão.

Como referem, a identificação e estudo da cabeça em pedra encontrada em Vale da Ribeira “pretende contribuir, de algum modo, para um melhor conhecimento do que terá sido a ocupação humana no período proto-histórico do concelho de Celorico da Beira

Vítor Pereira, Alcina Camejo, Ana Leonor Pereira da Silva, e Tiago Ramos escreveram sobre a “Intervenção Arqueológica na Casa do Sineiro (Mileu/Guarda)”.

Refira-se que este local integra o espaço onde em 1951 foi feita a descoberta “de um dos sítios arqueológicos mais importantes e enigmáticos da Beira Interior: o sítio romano da Póvoa do Mileu”.

Face aos resultados dessa intervenção, e perante os dados conhecidos até hoje, os articulistas apontam que o contexto “funerário do Mileu se enquadra no século II depois de Cristo”. Concluem afirmando que é desejável a continuidade da intervenção arqueológica neste sítio, trabalho que poderá dar resposta a novas questões.

António Salvado Morgado, num excelente texto e documentalmente bem suportado, leva-nos a conhecer o guardense Francisco de Pina; personalidade central “de um notável encontro de línguas e de culturas no distante Oriente, no longínquo século XVII.”

Como sublinha, Francisco de Pina, “jesuíta, português, missionário e linguista” contribuiu para que a Guarda faça parte da história do atual Vietname.

Francisco de Pina que terá nascido entre março e setembro de 1586, faleceu em 15 de dezembro de 1625. Ou seja, passaram nesta semana 396 anos, após a sua morte.

Esquecido pela História, ele tem andado desaparecido por detrás da obra iniciada por ele há mais de quatro séculos e que culminou há mais de um século na língua oficial do Vietname (…) escrita e falada por milhões de pessoas”.  Escreveu, neste artigo, o Dr. António Salvado Morgado.

Manuel Luís dos Santos fala-nos, neste último número da Praça Velha, do Terreiro da Loiça, melhor dizendo do Largo do Governo Civil; ou, permitam-me a correção, do Largo Serpa Pinto, mais precisamente do Largo Frei Pedro da Guarda.

Com a clareza e factualidade histórica a que há muito nos habituou, o autor intitula o seu artigo “Da Toponímia da Guarda sobre o Largo Frei Pedro da Guarda”, onde não esquece a memória do Dr. Francisco dos Prazeres perpetuada naquele espaço central da cidade, aqui bem ao lado deste edifício onde nos encontramos.

Para se colocar o painel de Frei Pedro, foi necessário tirar a pedra com as armas da cidade, do século XVII, que foi recolhida no Museu da Guarda”; diz Manuel Luís dos Santos, para quem “a escolha do Largo Serpa Pinto para homenagear Frei Pedro da Guarda talvez não tenha sido a mais feliz, o virtuoso filho da Guarda poderia ter sido homenageado na zona de São Vicente, onde nasceu e onde viveu uma boa parte da sua vida”.

“Ladislau Patrício: quando os médicos são também escritores” é o título do artigo escrito por Anabela Matias e Dulce Helena Borges.

Para além do inquestionável interesse da abordagem que fazem das facetas do terceiro diretor do Sanatório Sousa Martins, mormente no plano da escrita, o artigo é muito oportuno; a sua publicação ocorre no mês em que se celebra o aniversário do nascimento e da morte deste ilustre clínico guardense. Nasceu a 7 de dezembro de 1883 e faleceu na noite de natal de 1967.

Como escrevem as autoras deste artigo, “Ladislau Patrício foi um médico que modernizou áreas emergentes da ciência, exerceu a sua atividade médica com grande rigor e competência.

Desenvolveu técnicas clínicas e profiláticas inovadoras que foram uma referência durante muito tempo na medicina. Além desta vertente, prestigiou o mundo da literatura, cultivando vários estilos de escrita tão distantes ontologicamente, mas que encontram um ponto de fusão”.

Francisco Manso e Ana Manso escrevem, neste último volume da Praça Velha, sobre aspetos da história local de uma aldeia do nosso concelho. Especificamente “Videmonte: Lei da Separação e a Propriedade dos Bens da Igreja Católica no século XX”.

Após o devido enquadramento e contextualização, concluem que “o processo de aplicação da Lei da Separação numa aldeia praticamente isolada e longe da sede do concelho decorreu de uma forma quase pacífica. Não se cumpriu a lei, não se constituíram cultuais, nenhuma igreja foi fechada, não houve sanções. O povo reclamou, mas acatou, e os tempos que se seguiram vieram repor quase tudo como estava antes.”

Uma nota para a foto da “Encomendação da Almas a São Francisco de Assis”, relativa à pintura mural de grandes dimensões existente na igreja matriz de Videmonte. Foi descoberto após a remoção de um altar, para restauro.

António Manuel Prata Coelho apresenta-nos o “Roteiro de Arte Déco na Guarda”.

Depois de lembrar que esta cidade, nos finais do século XIX e princípios do século XX, conheceu “uma substancial modernização urbanística” propõe “um percurso valorativo da arquitetura contemporânea, no que concerne ao gosto Arte Decó, patente nestas principais artérias urbanas (…)”.

Como acentua, a finalizar o seu artigo, “o percurso proposto pelas ruas onde permanecem esses edifícios, corresponde ao propósito de se inventariar um conjunto de estruturas próprias da Arte Déco que urge valorizar, promovendo a Guarda e o seu centro histórico”.

Aires Antunes Diniz escreve sobre as “Deficiências no fornecimento de energia elétrica à Guarda e seu concelho”, conduzindo-nos até à década de 30, do passado século. Reporta o descontentamento do comércio e indústria da cidade que “estavam a sofrer graves prejuízos por o fornecimento de eletricidade ser cada vez pior, provocando indignação geral”.

Apresenta, no decorrer do texto uma reclamação do Diretor do Sanatório (Ladislau Patrício) que se insurge contra o facto de “a Empresa de Luz Elétrica estar a “abusar constantemente da paciência inverosímil de uma cidade inteira”; acrescenta que privou de luz, com absoluta indiferença, uma casa de saúde onde se encontram dezenas de doentes em tratamento (…)”.

A Empresa de Luz Elétrica da Guarda acabaria por ser “incorporada na Companhia Elétrica das Beiras em 20 de abril de 1951.” Aliás, e como é dito neste artigo, a Empresa de Luz Elétrica da Guarda já em julho de 1938 tinha começado a utilizar a energia fornecida pela Empresa Hidroelétrica da Serra da Estrela.

José Quelhas Gaspar, publica neste volume, o texto “O património-histórico-arqueológico um recurso endógeno com valor económico e social”.

Alerta, no seu trabalho, para a identificação de “situações contraditórias e quase opostas relacionadas com o património arqueológico, ao mesmo tempo que verificamos a resistência que a administração pública continua a fazer à proteção efetiva do património histórico-arqueológico”.

Evidencia, depois, que não tem havido “capacidade para perceber a emergência de um novo olhar sobre a realidade e a necessidade do seu ajustamento a novas e variáveis funcionais, que sirvam as populações, enquanto promovem a continuidade e a salvaguarda de bens”.

A Coleção de Armas do Museu da Guarda – Conservação, Restauro e Musealização” é o tema do artigo de Inês Costa que começa por falar da génese dessa coleção.

Como escreveu, o “estudo desta coleção permite conhecer os principais centros de produção de armas da Europa entre o século XVI e XX (…)”.

A sua variedade e qualidade permite conhecer várias tipologias de armas utilizadas nos séculos referidos, assim como “algumas raridades e particularidades”.

Aludindo às limitações do espaço museológico, que não permitem expor um grande número de exemplares desta importantíssima coleção, está pensada, diz, “uma rotatividade desses exemplares para os dar a conhecer ao público”.

Antes da Grande entrevista temos ainda a possibilidade de ler um artigo subordinado ao tema “Retábulo-Mor da Sé da Guarda – intervenção de conservação e Restauro”, da autoria de Olga Santa Bárbara.

Com oportunas e exemplificativas ilustrações, o texto elucida que a intervenção realizada permitiu “restabelecer a unidade estética e de leitura do retábulo, respeitando a integridade física e valorizando a vertente conservativa”.

Por outro lado, chama a atenção para o facto de as condições ambientais no interior do edifício não serem propícias “a uma boa conservação, a médio prazo, pelo que deverá ser expectável o ressurgimento das patologias assinaladas, ou mesmo a formação de novas.”

Entre as páginas 267 e 274 está a grande entrevista conduzida por Thierry Santos; tem como convidado o antropólogo Paulo Lima, enquanto responsável pela elaboração da Carta de Paisagem do concelho da Guarda.

Recorde-se, e como se pode ler, que “com vista a valorizar o património identitário” deste concelho, a Câmara da Guarda lançou, no passado ano, “o projeto de um registo dos bens culturais imateriais presentes no território, que vai desde o cobertor de papa à cestaria de Gonçalo, passando pelas tradições e vivências locais das 43 freguesias do concelho”.

No decorrer da entrevista, António Lima afirma que o “inverno” demográfico é a maior das ameaças que impendem sobre o nosso território; acrescenta, depois, o envelhecimento da população. Ainda segundo ele, “o património e a paisagem resultam da presença de pessoas. Sem elas nada existe”.

Antes de concluirmos, façamos agora uma referência ao “Portfólio” que tem por tema “A Guarda pelos Olhos de pintores do século XIX ao século XXI: proposta de um itinerário pelos lugares mais representados da cidade altaneira – uma amostra da coleção do Museu da Guarda”, constituída por desenhos, aguarelas, óleos, acrílicos e uma serigrafia digital”.

Apresentação da Praça Velha - Guarda.jpg

Dos 24 trabalhos de iconografia guardense reproduzidos, dois são da autoria de Luís Rebello, a quem a presente edição prestou homenagem.

Nas últimas páginas da edição da Praça Velha, está a habitual Súmula de Atividades Culturais que decorreram no Concelho da Guarda em 2021 e 2022.

Hélder Sequeira

 

 

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publicado às 22:36

Castelo de Sortelha

por Correio da Guarda, em 17.12.21

Castelo Sortelha - fot Helder Sequeira.jpg

 

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publicado às 23:43

A doente do quarto 23

por Correio da Guarda, em 16.12.21

 

O tempo presente, os cenários da atual pandemia, a realidade hospitalar, o papel dos profissionais de saúde e a passagem do 138º aniversário de nascimento de Ladislau Patrício suscitaram a releitura de “A Doente do quarto 23”.

Uma peça de teatro onde, como sublinhou Antonieta Garcia, “perpassa um agudíssimo sentido do valor da vida humana, do absurdo da sua condição”, colocando o autor “do lado dos que não desistem, não se contentam, dos que questionam esperançadamente o tema da cura”. É certo que o terceiro diretor do Sanatório Sousa Martins enquadra esta obra no contexto da época, mas nem por isso deixa de ter ideias e verdades que estão ainda hoje válidas, atuais.

“A Doente do quarto 23” foi um dos mais divulgados trabalhos de Ladislau Patrício, tendo esta peça sido também representada em Goa. No panfleto de divulgação, este médico era apresentado como eminente tisiólogo português” e, após ser mencionado como diretor de um dos melhores sanatórios de Portugal, destacavam-no como “como cientista de nomeada, de fama internacional na sua especialidade”, assim como “figura prestigiosa no mundo das letras”; “A doente do quarto 23 é uma jovem meiga e formosa, atingida pela tuberculose na flor da idade. Filha e neta de tuberculosos, o implacável bacilo de Koch não a poupa por sua vez”.

Mas quem foi Ladislau Patrício? Um guardense ilustre, médico distinto, apreciado escritor, um acérrimo defensor da sua terra, das qualidades das suas gentes, das suas riquezas históricas e culturais.

Ladislau Fernando Patrício nasceu na Guarda, a 7 de dezembro de 1883. Após concluir os estudos nesta cidade foi para Coimbra, onde conviveu “fraternalmente com alunos das diversas Faculdades, alguns dos quais se distinguiram mais tarde, pela vida fora, no campo das ciências, das artes, das letras e da política”, nomeadamente António Sardinha, Alfredo Pimenta, Hipólito Raposo, Alfredo Monsaraz, Cândido Guerreiro, Ramada Curto, João de Barros, entre outros.

Antes de terminar a formação conducente à obtenção da licenciatura em Medicina, Ladislau Patrício prestava já cuidados médicos – como ele próprio revelou – tendo “praticado no Sanatório” em 1907, aquando da entrada em funcionamento desta unidade de tratamento da tuberculose. Em 1909 foi opositor a um concurso para exercer as funções de médico municipal em Loulé, cargo para o qual foi nomeado em 2 de setembro desse ano.

Com a implantação da República, este clínico teve uma fugaz passagem pela vida política; em 1910 aparece como Vice-Presidente da Comissão Executiva do Centro Republicano da Guarda, presidida por seu cunhado, o poeta Augusto Gil. Em 1911 esteve à frente dos destinos do município guardense, mas foi breve a sua permanência como autarca.

Augusto Gil, juntamente com o matemático Mira Fernandes (também cunhado de Ladislau Patrício), tentou convencer o médico guardense a fixar-se em Lisboa, para aí desenvolver a sua vida profissional; contudo nunca o conseguiu demover da ideia de permanecer na localidade que o viu nascer.

O registo biográfico de Ladislau Patrício inclui ainda a referência à passagem pelo Liceu Nacional da Guarda, onde lecionou a partir de 1911. Entre 1917 e 1919 dirigiu o Sanatório Militar de S. Fiel, em Louriçal do Campo (Castelo Branco), atividade da qual deixou interessantes indicações num relatório que publicou, em 1920, sob o título “A Assistência em Portugal aos feridos da guerra por tuberculose”.

Em 1922, a convite do médico Amândio Paul, passou a trabalhar (como subdiretor) no Sanatório Sousa Martins, dirigido nessa época por aquele clínico, a quem viria a suceder, em 1932; nessas funções permaneceu até 7 de dezembro de 1953. Os sanatórios constituíram, aliás como aconteceu com os Dispensários, um dos pilares essenciais da luta contra a tuberculose

Na vida de Ladislau Patrício sobressai, de facto, um “autêntico sacerdócio pela Guarda e pelos doentes do Sanatório”, onde, como é sabido, se encontravam doentes de todas as condições sociais e económicas; provenientes de das mais diversas origens geográficas. A sua atividade clínica estendeu-se igualmente ao Hospital Francisco dos Prazeres, tendo presidindo à Liga de Amigos daquela unidade de saúde; trabalhou ainda na Delegação de Saúde da Guarda e no Lactário desta cidade, após a morte do Dr. António Proença

No ano de 1939, Ladislau Patrício foi eleito vogal da Ordem dos Médicos, estrutura profissional que teve como primeiro bastonário o Prof. Elísio de Moura. Na sequência de uma proposta do médico guardense foi criada, no âmbito da Ordem, a especialidade de Tisiologia, “com o acordo unânime dos membros do Conselho Geral”. Especialidade cuja criação tivemos o ensejo de evocar, no passado ano, no Congresso Português de Pneumologia.

Ladislau PATRÍCIO - Médico .png

 

No Sanatório Sousa Martins sabemo-lo empenhado em apoiar, em finais da década de quarenta, a radiodifusão sonora; o primeiro regulamento da Rádio Altitude (1947), estação que nasceu naquele espaço sanatorial, tem a chancela de Ladislau Patrício,

Um dos seus principais sonhos concretizou-se em 31 de maio de 1953, com a inauguração do Pavilhão Novo do Sanatório Sousa Martins (paralelo à atual Avenida Rainha D. Amélia), um “edifício gigantesco com 250 metros de comprido e com 350 leitos destinados exclusivamente a doentes pobres”; meses depois completou 70 anos, “atingindo assim o limite de idade oficial como delegado de Saúde e diretor do Sanatório. Em finais de fevereiro de 1955 Ladislau Patrício foi viver para Lisboa; aí escolhido para Presidente do Conselho Regional da Casa das Beiras, função que viria mais tarde abandonar, a seu pedido.

Ladislau Patrício, que faleceu na noite de Natal de 1967, é um dos nomes consagrados na galeria de médicos-escritores, tendo manifestado bem cedo a sua faceta de homem de cultura. No Sanatório Sousa Martins apoiou projetos com indiscutível alcance cultural e social; veja-se o caso do jornal “Bola de Neve” e da Rádio Altitude.

O “Bacilo de Kock e o Homem” é uma das suas obras, de cariz científico mais divulgadas, a qual se integra na Biblioteca Cosmos, dirigida por Bento de Jesus Caraça; “Altitude: o espírito na Medicina” é outro dos mais significativos trabalhos de Ladislau Patrício, reunindo impressões, “vivas reações dum temperamento perante determinada série de factos”, onde o autor deixa vincado que o médico, para além das suas funções técnicas, “tem uma missão espiritual a cumprir. A sua atitude na vida, e sobretudo no tratamento dos doentes, deverá ser a do sábio que procura a verdade e a do artista que cultiva a ilusão”. Ladislau Patrício escreveu ainda “Teatro Sem Actores” “Casa Maldita” e “O Mundo das Pequenas Coisas”, para além da peça a que aludimos no início, merecedora de ser, de novo, levada à cena.

Lembrar o nome de Ladislau Patrício (que integra a toponímia da Guarda e de Lisboa) é um inquestionável ato de justiça, pelo seu exemplo, pela sua dedicação aos doentes, pela postura intransigente na defesa dos cuidados de saúde e do progresso da mais alta cidade de Portugal.

Hélder Sequeira

 

In "O Interior", 16/12/2021

 

 

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