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Recordar Augusto Gil

por Correio da Guarda, em 26.02.18

 

Augusto Gil.jpg

 

     Ocorre hoje, dia 26 de Fevereiro, a passagem do 89º aniversário da morte de Augusto Gil, o autor da conhecida “Balada da Neve”.

    Augusto César Ferreira Gil nasceu na freguesia de Lordelo, Porto, a 31 de Julho de 1870; berço fortuito devido à circunstância de sua mãe se encontrar ali, acidentalmente.

    Augusto Gil passou a maior parte da sua vida na mais alta cidade de Portugal e aqui fez os primeiros estudos; frequentou, depois, o Colégio de S. Fiel, após o que regressou à Guarda, onde se encontrava em 1887.

  Tempo depois, ingressou como voluntário na vida militar que deixou com o início dos estudos na Escola Politécnica; estes seriam interrompidos, contudo, por motivo de doença.

    Em finais de 1889 foi autorizado a frequentar a Escola do Exército onde o aproveitamento lectivo não foi exemplar; passados dois anos, em Maio de 1891, ingressou no Regimento de Infantaria 4 e aí prestou serviço até ao mês de Novembro. 

   De novo na Guarda, Augusto Gil fez nesta cidade, em 1892 e 1893, os exames do Liceu, rumando posteriormente para Coimbra, em cuja Universidade cursou Direito; na cidade do Mondego teve como companheiros Alexandre Braga, Teixeira de Pascoais, Egas Moniz e Fausto Guedes Teixeira, entre outros.

    Concluída a formatura, em 1898, Augusto Gil regressou à Guarda; neste período a vida não lhe correu de feição e foi confrontado com diversos problemas, de ordem profissional e de ordem económica; pretendeu exercer advocacia mas não conseguiu “clientela que lhe desse ao menos para sustentar o vício do tabaco”; curiosamente, o poeta já tinha vaticinado estas dificuldades “na aldeia sertaneja, onde hei-de ser/o melhor poeta e o pior legista”.

    Desejou ser professor provisório do Liceu mas o conselho escolar dessa época não o considerou competente para reger a cadeira de português. Ao longo dos anos sucederam-se diversas contrariedades e episódios que deixaram traços indeléveis no percurso literário de Augusto Gil.

    Decidiu ir para Lisboa e foi trabalhar com Alexandre Braga; em 1909 regressou à Guarda, enredado em dificuldades financeiras.

    Com a implantação da República, impulsionou o aparecimento do Centro Republicano da Guarda e fundou o semanário “A Actualidade”, que dirigiu entre 1910 e 1912.

    Embora este jornal tenha surgido com meio de promoção do ideário republicano, assumiu um pendor acentuadamente literário, contando com a colaboração do Pd. Álvares de Almeida, Ladislau Patrício, Amândio Paul e Afonso Gouveia, para além de outras personalidades.

    No mês de Novembro de 1911 - quando João Chagas fez parte, pela primeira vez, de um governo da República – Augusto Gil foi nomeado Comissário da Polícia de Emigração Clandestina, pelo que foi viver para Lisboa.

    Após ter exercido, durante escassos meses, o cargo de Governador Civil de Aveiro, voltou para a capital onde teve, em 1918, uma passagem pelo Ministério da Instrução Pública; no ano seguinte foi nomeado Director Geral das Belas Artes.

    Em Lisboa foi uma figura altamente conceituada nos meios intelectuais e sociais; assim não é de estranhara a homenagem de que foi alvo no Teatro Nacional, em 19 de Junho de 1927.

    A comissão promotora dessa iniciativa integrou nomes como Júlio Dantas, José Viana da Mota, Henrique Lopes de Mendonça, Columbano Bordalo Pinheiro, Eduardo Schwalbach e Gustavo Matos Sequeira.

     O trabalho de Augusto Gil cruzou-se, frequentemente, com períodos de grande sofrimento, resultado da doença que o atormentava. “A doença que desde o primeiro quartel da existência o consumiu e as dificuldades materiais com que sempre mais ou menos lutou, encontram-se no fundo de toda a sua obra, e que sabe se até não a condicionaram”, observou Ladislau Patrício num apontamento biográfico sobre o poeta.

    Nomeado Secretário-Geral do Ministério da Instrução Pública não chegou a tomar posse desse cargo pois morreu a 26 de Fevereiro de 1929, em Lisboa.

    O funeral de Augusto Gil (a 1 de Março, na Guarda) constituiu, de acordo com os relatos jornalísticos da época, uma grande manifestação de pesar. “Tudo o que a Guarda tem de mais distinto acorreu a tomar parte na sentida homenagem” e participar no cortejo fúnebre que se “revestiu de desusada imponência”.

     Os restos mortais de Augusto Gil repousam num jazigo localizado logo à entrada do cemitério municipal da Guarda, ostentando dois versos de “Alba Plena”: “E a pendida fronte, ainda mais pendeu.../E a sonhar com Deus, com Deus adormeceu...”

    “Musa Cérula”, “Versos”, “Luar de Janeiro”, “O Canto da Cigarra”, “Gente de Palmo e Meio”, “Sombra de Fumo”, “Alba Plena”, “Craveiro da Janela”e “Avena Rústica” foram as principais produções literárias deste poeta, cujo trabalho evoluiu quase à margem de escolas ou correntes literárias. “Não é um romântico, nem parnasiano, nem simbolista: é ele – o Augusto Gil – nome que é um gracioso ritmo”, observou Bulhão Pato.

     Muitos dos versos de Augusto Gil passaram para o cancioneiro popular, como sublinharam alguns estudiosos da sua obra, suportada num verso melodioso e num ritmo suave.

    “Foi e é um dos poetas entre nós a quem o povo mais abriu o coração, e quando o povo abre o coração a um poeta, o seu amor repercutir-se-á pelo tempo além”, como anotou João Patrício.

    De facto, se Augusto Gil cultivou a poesia, as letras, cultivou também o seu amor pela Guarda onde escreveu uma grande parte dos seus melhores poemas; a cidade bem se pode orgulhar do seu “mais alto poeta” e recordá-lo é um dever de memória.

 

    Helder Sequeira

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publicado às 23:47

Transversalidades – Fotografia sem Fronteiras

por Correio da Guarda, em 20.02.18

 

     O Centro de Estudos Ibéricos (CEI) tem aberto, até ao próximo dia 13 de Maio, o prazo para as candidaturas ao concurso de fotografia “Transversalidades – Fotografia sem Fronteiras”.

    Este concurso é realizado desde 2011 e tem como objetivos aproveitar “o valor estético, documental e pedagógico da fotografia para valorizar territórios com menos visibilidade e fomentar o diálogo entre territórios, pessoas e instituições de matriz ibérica”.

   As candidaturas podem ser efetuadas aqui.

CEI - fotografia.jpg

 

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publicado às 00:18

Culturas agrícolas diferenciadoras

por Correio da Guarda, em 19.02.18

 

     No âmbito da iniciativa “Museu à Noite”, promovida pela Câmara Municipal de Pinhel, terá lugar, no dia 22 de Fevereiro, uma tertúlia sobre “Culturas agrícolas diferenciadoras na Beira Interior Norte”.

   A tertúlia decorrerá, a partir das 21h, nas Casas do Juízo (na localidade de Juízo, freguesia de Vale do Côa), “um local também ele diferenciador, que além do turismo também tem privilegiado a inovação dos produtos de base agrícola.”

    O conferencista será Pedro Sequeira Pinheiro, jovem agricultor responsável por um projeto agrícola dedicado à produção de frutos vermelhos e frutos secos em modo biológico.

Museu à Noite.jpg

 

 

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publicado às 08:16

Castelo de Linhares da Beira

por Correio da Guarda, em 18.02.18

Castelo de Linhares - HS.jpg

 

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publicado às 23:00

Guarda...

por Correio da Guarda, em 17.02.18

Guarda - centro Histórico.JPG

 

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publicado às 22:05

Festival de Tunas na Guarda

por Correio da Guarda, em 16.02.18

Cartaz TUINA.jpg

 

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publicado às 12:46

CEI leva "Transversalidades" a Salamanca

por Correio da Guarda, em 15.02.18

Afetos - fot A. Bacelar Vilar.jpg

      "Afetos", Foto de António Jorge Feio Bacelar Vilar (Portugal)

 

     O Centro de Estudos Ibéricos (CEI) vai levar a mostra fotográfica que esteve até ao final de janeiro exposta na Galeria de Arte do TMG, no âmbito da iniciativa Transversalidades 2017, até Salamanca.

    A exposição vai estar patente entre 16 de fevereiro e 9 de março, na Universidade salamantina (USAL). A inauguração acontece às 12h00 na Faculdade de Geografia e História da USAL e contará com a presença de representantes do CEI, das Universidades de Coimbra e de Salamanca, do Instituto Politécnico da Guarda e da Câmara Municipal da Guarda. 

   As cerca de 350 candidaturas, provenientes de 27 países, submetidas ao Transversalidades 2017 – Fotografia sem Fronteiras "permitiram visionar perto de 2.000 imagens que mostram como continuam a ser um auxiliar importante para (des)escrever o mundo que nos rodeia, dar visibilidade a territórios e notoriedade a pessoas, de quebrar o isolamento das mais excluídas e integrar as mais marginalizadas. Os portefólios candidatos espelham as melhores práticas e tendências que percorrem a fotografia contemporânea."

 

 

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publicado às 07:10

Rui de Pina na BMEL

por Correio da Guarda, em 14.02.18

 

     "Rui de Pina: cronista-mor do reino" é o tema  da exposição que está patente, desde o passado dia 6 de Fevereiro até ao próximo dia 28, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, Guarda.

    De entre os antigos cronistas portugueses, Rui de Pina foi o que mais crónicas escreveu: de D. Sancho I, D. Afonso II, D. Sancho II, D. Afonso III, D. Dinis, D. Afonso IV, D. Duarte, D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I (início).

    Foi uma testemunha de factos importantes do seu tempo e teve um papel ativo, como burocrata, diplomata e cronista, na construção do reino de Portugal. (Fonte: BMEL)

Exposição.jpg

     Foto: BMEL

 

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publicado às 23:37

Dia Mundial do Rádio

por Correio da Guarda, em 13.02.18

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     O Dia Mundial do Rádio é hoje assinalado. Desde 2012 que esta data se constitui como oportunidade para assinalar a importância da radiodifusão sonora, quer como meio de informação, quer como agente de educação e cultura.

    Este ano, a UNESCO dedicou o Dia Mundial do Rádio ao tema da “radiodifusão desportiva. A rádio é um instrumento muito eficaz para transmitir o entusiasmo dos eventos desportivos. É também um meio para veicular valores de fair play, de trabalho de equipa, de igualdade no desporto”, escreveu a diretora geral, Audrey Azoula.

 

 

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publicado às 07:50

Cortejo

por Correio da Guarda, em 11.02.18

Cortejo - Guarda _ HS.JPG

 

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publicado às 17:23

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