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Veiga Simão aponta realidades e desafios

por Correio da Guarda, em 09.12.10

    

     “A crise económica e social vai atingir uma dimensão que põe em causa o modus vivendi de milhões de portugueses e vai ter efeitos desastrosos na classe média”, afirmou, na Guarda ,Veiga Simão.

     Este académico, que foi já responsável pelas pastas da Indústria e Energia e da Defesa, falava no decorrer da sessão solene de abertura do ano lectivo no IPG, onde abordou o tema “Universidades e Politécnicos: caminhos de liberdade e desenvolvimento”.

     Veiga Simão, aludiu à sua experiência enquanto responsável pela reforma educativa dos anos 70, “consagrada na lei de Bases do Sistema Educativo, que institucionalizou, inspirada em princípios da I República, o direito à educação, à democratização do ensino, à igualdade de oportunidades e ao acesso ao mérito”, recordando que nessa época o ensino superior se limitava, na prática, às Universidades de Coimbra, Lisboa, Técnica de Lisboa e Porto.

     Na sua perspectiva, o processo de Bolonha, “ausente de uma programação estratégica definida pelo Governo, ao contrário da vizinha Espanha, dando primazia a uma engenharia legislativa associada a uma engenharia estatística, dominada por critérios políticos que desequilibram o binómio quantidade-qualidade, veio criar graves e naturais problemas às instituições de ensino superior”. Estes, acrescentou, são “agravados por esquemas de financiamento questionáveis”.

     Daí resulta, referiu, que as instituições de ensino superior, “onde, apesar de tudo, se desenvolvem nichos de qualidade, são obrigadas a colocar em primeiro lugar a sua sobrevivência”. No interior estas instituições esta questão assume maior dimensão pois “não existe um modelo de desenvolvimento para o nosso País, que fortaleça o desenvolvimento regional e a coesão social entre portugueses”.

     Veiga Simão defendeu a necessidade de as instituições de ensino superior analisarem as “consequências de políticas sucessivas na desertificação do interior e se interrogarem sobre o seu futuro porquanto são pilares fundamentais do desenvolvimento do País.

    É necessário ter a coragem para enfrentar construtivamente o poder político em tempo útil, de modo a que este seja colocado perante as graves responsabilidades que assumirá se estas instituições se degradarem até à sua extinção”.

    Neste contexto, aquele académico e político, acentuou a urgência em serem discutidos “cenários alternativos para o modelo de desenvolvimento em vigor e analisar criticamente o seu impacto no desenvolvimento local e regional”, considerando, ainda, imperioso que as Universidades e Politécnicos, “geradores de pessoas livres e cultas, devem semear civilidade, o que não é fácil por ser um valor escasso na sociedade portuguesa”.

     O ex-ministro, evidenciou, por outro lado que decorridos 36 anos após o 25 de Abril, 24 depois da integração europeia e 11 anos após a data de adesão ao euro, o país se encontra “numa crise, mistura de erros próprios e de impactos de erros de outros. Todos estamos conscientes de que temos de recuperar mais de uma década perdida e não permitir a decadência de Portugal”.

     Veiga Simão defendeu, no decorrer da sua intervenção, que as universidades e politécnicos devem “emergir numa sociedade organizada para confrontar ou convergir com o Estado, na construção do futuro, capacitando os cidadãos para a invenção e para a construção” de organizações económicas “mais racionais e mais justas”, tudo isto numa “exacta medida das aspirações e necessidades dos seres humanos e não numa absoluta dependência de desígnios abstractos, como sejam o crescimento ilimitados, para alguns, da acumulação dos rendimentos e fluxos monetários”.

     Referindo-se à realidade distrital, o conferencista lançou o repto para o lançamento de um “Programa Estratégico de Desenvolvimento, no qual cooperem todas as entidades políticas, académicas e culturais e económicas da região da Guarda”.

    Veiga Simão concluiu dizendo que “o problema de hoje não é apenas a crise, é o nosso futuro” e alimentou a esperança do nascimento de novas elites “que por amor à democracia e as res publica rompam com o statu quo existente e iluminem vias de novo progresso”.

 

in Diário AS BEIRAS, 8/12/2010

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publicado às 14:52


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