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O castanheiro de Guilhafonso

por Correio da Guarda, em 15.11.09

 

 
"A povoação de Guilhafonso, a poucos quilómetros da cidade da Guarda, possui o maior castanheiro da Europa. A impressionante árvore é motivo de curiosidade em qualquer período do ano mas na época das castanhas o seu porte majestoso suscita redobrado interesse.
 
O castanheiro de Guilhafonso, como é usualmente conhecido, é um inquestionável património florestal da região, aliás já classificado com “interesse público”.
Localizado a escassas centenas de metros da estrada nacional que liga a Guarda a Pinhel, este exemplar de uma espécie que se distribui por esta zona beirã deverá ter mais de 400 anos.
Para abraçar o seu tronco “são necessárias sete ou oito pessoas”, disse-nos Celeste Pereira, natural de Guilhafonso e ex-professora do ensino primário. “Dizia-se, antigamente, que esta árvore resultou da junção de dois castanheiros, cujos troncos, por estarem muito juntos, se envolveram um no outro” referiu ao Diário AS BEIRAS.
O secular castanheiro continua a ser o principal cartaz da povoação perto da qual está também a conhecida anta de Pêra do Moço. “As pessoas quando vêm ver o castanheiro quase sempre aproveitam para visitar a anta, ali pertinho, do outro lado da estrada”, acrescenta Celeste Pereira.
Durante largos anos a falta de limpeza do terreno causou fortes apreensões e justificados receios de o castanheiro ser destruído pelos incêndios. Adquirido o espaço envolvente, pela Junta de Freguesia de Pêra do Moço, desvaneceram-se essas preocupações, pois a autarquia procedeu à lavra do mesmo, reforçando assim a salvaguarda da mencionada árvore que em finais da década de 90 tinha sido atingido por um raio.
Particularmente atingida foi a “pernada principal” e os danos pareciam ditar uma recuperação difícil. Contudo, com o decorrer dos anos, e mercê da atenção que lhe foi dedicada, o castanheiro de Guilhafonso revitalizou-se para gáudio das gentes locais, “não pelas castanhas” mas pela sua singularidade.
Para além das visitas individuais, ou de grupos enquadrados em actividades escolares, este emblemático espécime é, com frequência, ponto de referência em passeios de todo-o-terreno, ampliando progressivamente a sua divulgação e o interesse das pessoas.
“Nos últimos anos acho que está a ter mais atenção. Antes estava rodeado de mato e agora tem o terreno lavrado e está assinalado”, comentou-nos Celeste Pereira que recorda “ter chegado cá, há cerca de 30 anos, um madeireiro para o cortar”. Mas as árvores morrem de pé e o ex-libris da aldeia de Guilhafonso continua a desafiar o tempo e as intempéries, com os seus quase 20 metros de altura e uma copa cujo diâmetro ronda os 26 metros.
Se este caso concreto assume uma particular importância para a área onde está localizado e é referenciado, em termos europeus pela sua dimensão, não se pode esquecer que o castanheiro e a castanha estão profundamente ligados às culturas tradicionais desta zona do interior beirão.
Aliás, é do domínio público que as variedades portuguesas do castanheiro são responsáveis pela produção das melhores castanhas, apreciadas a nível mundial e cada vez mais associadas à gastronomia.
O impacto da castanha e do castanheiro está bem vincado, nesta região, não só em termos económicos como também na própria designação de muitos lugares e povoações, basta, para tanto, ver o mapa toponímico regional.
O castanheiro de Guilhafonso é, assim, motivo de orgulho das gentes locais e símbolo de um património florestal que importa valorizar e salvaguardar. HS"
 
                                                                    in Diário AS BEIRAS
                                                                   11 Novembro 2009
 

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