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Beatriz Silva: espírito académico distingue a Guarda

por Correio da Guarda, em 08.06.21

 

Beatriz Silva é uma jovem açoriana, recém-licenciada em Comunicação e Relações Públicas, que veio estudar para a Guarda em 2017.

Dirigente associativa, na Associação Académica da Guarda, Beatriz Silva elogia a hospitalidade guardense e sustenta que esta cidade é particularmente atrativa para os jovens mercê do “espírito académico que se vive na cidade”.

Rendida à cidade mais alta de Portugal, trocou, para já, “a Serra pelo Mar”.

 

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Qual a sua opinião sobre a cidade da Guarda?

A cidade da Guarda, para mim, é uma cidade bastante acolhedora mesmo tendo um aspeto frio e uma arquitetura gótica.

Esta cidade tem grande potencial de crescimento e está na população potencializar esse crescimento.

 

Recorda as primeiras impressões que teve ao chegar a esta cidade? Do que gostou mais e menos?

Eu cheguei à cidade da Guarda na segunda semana de setembro de 2017 e na altura estranhei imenso o frio que se sentia à noite, sendo que ainda estávamos no verão e eu vinha de um clima tropical ameno (Açores).

No entanto fui muito bem acolhida, tanto pelas pessoas da cidade que foram muito acessíveis, sempre que eu e o meu pai tínhamos alguma questão, como no IPG aquando de efetuar a matrícula.

Achei uma cidade muito pacata e um pouco triste porque estava habituada a ter sempre animação nas ruas nas noites de verão, porém essa animação iniciou-se com o ano letivo e com os jovens estudantes a ocupar todas as ruas da cidade.

 

Em termos sociais e culturais que diferenças ou semelhanças encontrou comparativamente com Ponta Delgada / São Miguel?

A maior semelhança de Ponta Delgada e da Guarda é a afabilidade da população, contudo sendo ambas regiões relativamente de menor densidade populacional sinto que em termos culturais Ponta Delgada está um passo mais à frente que a Guarda.

Os açorianos em geral são festivos e como tal os municípios adaptam esse espírito e organizam variados eventos durante o ano, de forma a dinamizar a cidade.

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Como surgiu a sua ligação ao associativismo e que balanço faz do caminho até agora percorrido?

A vida associativa é parte de mim desde os meus 9 anos quando entrei na Associação de Escuteiros de Portugal, desde então e até vir para a cidade da Guarda fiz sempre parte de várias associações juvenis algumas mais viradas para programas de intercâmbio até.

Assim, no meu primeiro ano de estudos superiores essa vertente associativa estava-me em falta e fazia-me falta estar ativa. Quando surgiu a oportunidade e o convite para a Associação Académica da Guarda nem pensei duas vezes em aceitar. Contudo não é sempre um percurso fácil; é preciso ter “amor à camisola” para realizar o melhor trabalho que se consegue.

É um percurso em que se ganham vários ensinamentos, em variadas áreas, mas que nem sempre se satisfaz toda a gente porque as pessoas às vezes não têm a noção que isto é algo que fazemos de forma voluntária, que fazemos porque gostamos mas temos a mesma carga ocupacional de estudos como todos os restantes alunos e por vezes temos que deixar a nossa vida pessoal para trás para trabalhar para o bem dos alunos.

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A Guarda é atrativa para os jovens? O que pode ainda ser feito?

A Guarda torna-se atrativa para os jovens pelo espírito académico que se vive na cidade, caso contrário acho que a cidade não se torna assim tão atrativa e que tem muito que crescer.

Há que investir na cultura, na diversão noturna, no comércio que ainda está virado para um lado da população menos ativa.

 

Se tivesse que acompanhar familiares ou amigos numa visita à Guarda que locais lhes indicaria?

Eu ainda tenho muito por “desbravar” na Guarda como tal não seria a melhor guia, mas do que é do meu conhecimento e o que gostaria de lhes mostrar em primeira instância, sem dúvida que, seria a Sé Catedral.

É um edifício histórico e lindíssimo de se ver, posteriormente levaria à Torre de Menagem, ao jardim da cidade, às eólicas, à alameda de Santo André, ao parque da Saúde, ou seja, locais que facilmente se visita a pé e são diferentes dos Açores.

 

E na região?

Na região levá-los-ia a lugares como a Serra da Estrela, Sortelha; se fosse na altura do verão a Valhelhas, aos passadiços do Mondego, lugares sempre diferentes da realidade das ilhas.

 

Acha que os jovens oriundos de outras regiões, e que para aqui vêm estudar, ficariam aqui se houvesse possibilidades de emprego?

Tenho a certeza de que se houvesse mais oportunidades de emprego haveria mais jovens estudantes a ficarem pela Guarda porque muitos afeiçoam-se à cidade e aos seus costumes; no entanto, não há muitas oportunidades para ficar.

 

E no seu caso, pensa trocar a Guarda pelos Açores?

No meu caso tive a sorte de surgirem oportunidades para me manter pela Guarda e estou a tirar o Mestrado em Marketing e Comunicação; por isso já estou a trocar o mar pela serra.

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O que acha do conhecimento dos seus colegas, dos habitantes da Guarda que tem contactado, acerca dos Açores?

Por norma deparo-me com muita ignorância por parte da população, em termos geográficos.

Sinto-me por vezes uma professora da primária a fazer distinção entre a Madeira e os Açores e tenho que explicar que o arquipélago é constituído por 9 ilhas, é algo que por vezes torna-se muito aborrecido… (risos).

 

Considera que a pandemia pode ter contribuído, face às limitações ao nível das deslocações para o estrangeiro, a um melhor conhecimento das terras e gentes do nosso país?

Acredito que no passado ano de 2020 muitos portugueses decidiram passar as suas férias “cá dentro” e ainda bem que assim o foi.

A economia local precisava dos portugueses mais do que nunca e se não fosse a pandemia nem a economia iria precisar tanto dos portugueses nem os portugueses iriam sentir necessidade de conhecer melhor o seu próprio país e sair da sua zona de residência.

 

 

 

 

 

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publicado às 23:20

Serenata na Guarda

por Correio da Guarda, em 07.06.21

 

 

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Na Guarda vai ter lugar na próxima quarta-feira, 9 de junho, a tradicional serenata.

Considerando o atual estado de pandemia, e as orientações definidas pelas entidades competentes, este evento será transmitido em direto na página da Associação Académica da Guarda.

De referir que para os estudantes finalistas haverá a possibilidade de assistirem presencialmente, havendo um número limite e lugares. Os interessados (estudantes finalistas) devem a fazer a inscrição aqui

A Associação Académica da Guarda apela, entretanto, para que os restantes estudantes assistam à serenata nas suas casas, “um dos momentos mais marcantes da nossa academia”.

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publicado às 12:45

Janela...

por Correio da Guarda, em 07.06.21

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Guarda. Edifício do antigo Paço Episcopal. 

 

 

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publicado às 08:15

Fotoclube da Guarda: 9º aniversário

por Correio da Guarda, em 06.06.21

 

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O Fotoclube da Guarda (FCG) comemora hoje o nono aniversário.

O FCG é um grupo discreto, sem formalismos que em muito tem contribuído para a promoção desta cidade e, sobretudo, incrementado o gosto pela fotografia, em vários escalões etários.

Ao longo destes oito anos o Fotoclube da Guarda tem agido de forma pedagógica, colaborado com pessoas e instituições, partilhado o saber dos seus membros, captando colaborações, promovido interessantes iniciativas, fomentando um convívio que tempera e consolida a sua presença.

 

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publicado às 00:12

Simpósio Internacional de Arte Contemporânea

por Correio da Guarda, em 05.06.21

 

Na Guarda vai decorrer, entre 9 e 27 de junho, o Simpósio Internacional de Arte Contemporânea (SIAC).

Trata-se de uma iniciativa da Câmara Municipal da Guarda, através do seu Museu, que contará com o envolvimento de dezenas de artistas de vários países.

O SIAC tem por base, como habitualmente, exposições, produção de arte ao vivo e formação artística. O Simpósio Internacional de Arte Contemporânea foi criado em 2016 com o objetivo de incrementar a proximidade entre artistas e público, promovendo também o envolvimento especial da comunidade educativa.

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As atividades integradas no programa do SIAC vão ter lugar no Museu da Guarda, na Galeria de Arte do Teatro Municipal da Guarda, na Praça Luís de Camões, na Rua da Torre, na Torre de Menagem, no Quarteirão do Associativismo, entre outros espaços e lugares (da Torre de Menagem ao Torreão).

O programa abrange expressões criativas, exposições, residências artísticas, recitais de poesia, palestras, cinema, visitas guiadas, arte ao vivo, cursos de formação artística, arte urbana, música e dança contemporâneas, teatro e publicações.

Os interessados podem obter mais informações aqui.

 

 

 

 

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publicado às 10:00

Pela cidade...

por Correio da Guarda, em 04.06.21

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publicado às 22:51

Ciclo de Música Contemporânea

por Correio da Guarda, em 04.06.21

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publicado às 00:07

Prova de Enduro BTT em Cadafaz

por Correio da Guarda, em 03.06.21

 

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                                                                                                                                                                               Foto: ASC

A aldeia de Cadafaz, no concelho de Celorico da Beira, recebe nos próximos dias 5 e 6 de junho, a prova de Enduro BTT - Aldeias de Montanha, um evento desafiante com uma forte componente solidária e ambiental. Por cada participante, há uma árvore autóctone que vai nascer.

Este evento materializa o espírito solidário e comunitário dos habitantes de Cadafaz e Rapa que, através da Associação de Solidariedade do Cadafaz, promovem ações de limpeza nos trilhos e caminhos percorridos pela prova, atuando assim enquanto agentes de mitigação do risco de incêndio florestal e contribuindo para uma melhor mobilidade nos caminhos que servem os agricultores e pastores locais.

Para as entidades envolvidas, Associação de Solidariedade de Cadafaz, o Município de Celorico da Beira, União das Freguesia de Rapa e Cadafaz e Rede de Aldeias de Montanha, esta prova de Enduro BTT - Aldeias de Montanha deve ser mais de que um mero acontecimento desportivo, apenas se concretiza na sua plenitude se estiver verdadeiramente conectada com os valores ambientais presentes, respeitando a identidade da aldeia e a biodiversidade local.

Por esse motivo, a Rede de Aldeias de Montanha, numa iniciativa aberta à comunidade e aos participantes da prova, oriundos das diversas geografias nacionais, compromete-se a plantar nos baldios da freguesia, uma árvore da flora autóctone por cada participante.

Esta é uma iniciativa que visa envolver diretamente os participantes, uma vez que na próxima primavera, todos serão convidados a participar numa ação de reflorestação, que proporcionará um dia memorável numa Aldeia de Montanha em contacto com a natureza e as suas gentes.

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                                                                                                                                                                              Foto: ASC

A prova de Enduro BTT - Aldeias de Montanha, que integra o programa oficial da modalidade da Federação Portuguesa de Ciclismo, acontece no BIKEPARK Cadafaz -Rapa. Este compreende vários traçados off-road que, pela sua diversidade de trilhos, morfologia do terreno e altimetria, proporcionam uma experiência disruptiva e desafiante aos participantes. O traçado realça não só as qualidades técnicas e físicas do BTT / All-Mountain, mas também as arrebatadoras paisagens da Serra da Estrela.

Apostar num turismo regenerativo, capaz de transformar por via da interação do visitante no local, com impacto no território, é o propósito da Rede de Aldeias de Montanha e das entidades que, de forma integrada, definiram este verdadeiro Plano de Ação que tem como principal objetivo acrescentar valor ao território.

Esta ação integra o Plano de Animação da Rede de Aldeias de Montanha, no âmbito da Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE iNATURE, cofinanciado pelo Centro 2020.

 

 

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publicado às 09:30

 

 

Natural de Meda, onde nasceu em julho de 1945, o Coronel João Pais Trabulo tem um interessante percurso pessoal e profissional que se cruza com a vida militar, a rádio, a investigação histórica e a fotografia, entre outras facetas.

Cumprido o serviço militar obrigatório e tendo prestado serviço na Província Ultramarina da Guiné, fazendo parte da Companhia de Caçadores 2314, enveredou pela carreira militar; inicialmente, no Exército e depois na Guarda Nacional Republicana, onde se reformou com o posto de Coronel, em 2008. Atualmente, na situação de reforma, vive na cidade de Gouveia, desde 1984.

Nesta conversa com o CORREIO DA GUARDA, João Pais Trabulo fala-nos da sua paixão pelas terras beirãs, da atividade de divulgação que continua a fazer em simultâneo com oportunos e expressivos registos fotográficos de locais, paisagens, monumentos. O Regimento de Infantaria 12 é um marco incontornável na sua vida e considera que os atuais habitantes da Guarda “não sabem avaliar os fortes laços que existiram na vida quotidiana entre os militares e a população.” Uma memória que, na sua opinião, deve ser preservada.

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É natural da Meda. Quais as principais memórias que guarda da sua terra, da infância e adolescência?

Quero começar com a minha colaboração com um profundo sentimento de agradecimento pois não estava à espera deste desafio.

Como afirma sou natural da Meda onde nasci em 1945. Na realidade a maior vivência na minha terra natal foi na infância e na adolescência. Como um ‘caminheiro’, visitava-a assiduamente enquanto os meus pais foram vivos. Ainda hoje o faço, até porque estou estritamente ligado ao Núcleo de Combatentes de Meda que tive a honra de me empenhar num desafio do senhor Presidente da Liga dos Combatentes na sua reativação em colaboração com mais outros oito Combatentes e do qual sou mais um modesto elemento da Direção, o seu Presidente. Neste aspeto, ainda como principal mentor da criação do Núcleo de Combatentes de Gouveia do qual fui seu Presidente Fundador.

O que mais me marcou na infância foi ter frequentado desde os quatro anos até ao início da escola primária, o Instituto D. Maria do Carmo Lacerda Faria, mais conhecido por ‘Patronato’, onde comecei a aprender a ler, escrever e contar, e os princípios básicos de uma boa educação.

Quanto à adolescência recordo a frequência de aluno do Externato de Santo António até ao meu antigo quinto anos depois de uma passagem de quatro anos no Seminário de Resende, onde adquiri fortes conceitos que me serviram de orientação até ao dia de hoje.

 

Que personalidades marcantes tinha a Meda, nessa época?

Neste sentido não tenho qualquer dúvida que a personalidade marcante foi o Pároco. Padre José Maria de Lacerda, vulgarmente conhecido por ‘Vigário’, Arcipreste da Paróquia, um homem de bem em que quaisquer adjetivos são ínfimos para o classificar. Sobre ele, nada melhor como o apelidou o saudoso medense, Dr. Manuel Daniel: “o Pai dos pobres".

É evidente que não poderia deixar de reconhecer os meus pais, pessoas humildes que me criaram, educaram e me ensinaram os “princípios da vida”. A eles devo o que sou na vida…

 

Quando começou a sua vida militar?

Comecei a minha vida militar em janeiro de 1967 e, a partir daí fui sempre militar.

Cumpri o serviço militar como oficial miliciano com início na EPI (Escola Prática de Infantaria), em Mafra, com uma breve passagem pelo RI 12, desde junho a novembro de 1967, até que fui mobilizado para a Província da Guiné. Ali cumpri a minha “comissão de serviço” e cumpri com o meu dever para com a Pátria e os autóctones daquela região, desde janeiro de 1968 a novembro de 1969, data em que passei à disponibilidade como Alferes Miliciano.

Depois, no início de 1970, ofereci-me como “voluntário”, tendo passado pelo RI 5, Caldas da Rainha para em fevereiro de 1971, ter sido colocado no RI 12 na cidade da Guarda como Tenente Miliciano até novembro de 1973, data em que ingressei na Guarda Nacional Republicana onde atingi o posto de Coronel no qual me reformei.

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O que representou para si o RI 12?

O RI 12 marcou profundamente a minha vida militar e familiar. Isto porque, militarmente, foi praticamente o início da minha carreira profissional, onde, entre outras funções, destaco o ser Comandante da Companhia de Comando e Serviços.

No aspeto familiar foi aqui que que tive o privilégio de conhecer a minha esposa e ter nascido o primeiro filho. Gratas e incalculáveis são as recordações desta minha Unidade que nunca esqueci na minha vida.

Sobre o RI 12, muito haveria para dizer e escrever, muitas são as vivências que tive nesses três anos que permaneci naquele quartel.

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Que importância teve para a Guarda esta unidade militar?

Tudo se resume em poucas palavras, o RI 12 foi a “vida da cidade da Guarda” e com o seu encerramento a Guarda “perdeu a sua vida militar".

Foi um marco tão forte, que julgo, que a Guarda “recordará sempre o seu RI 12”.

 

Acha que as pessoas têm, no presente, noção da importância que teve o R12 e depois o Batalhão de Infantaria da Guarda?

Os habitantes atuais não sabem avaliar os fortes laços que existiram na vida quotidiana entre os militares e a população.

A população acarinhava sincera e espontaneamente os seus militares e adorava vê-los fardados nas ruas da cidade. Não posso esquecer que a maioria dos militares eram oriundos do Distrito, por isso, os laços de amizade eram tão estreitos e familiares que só podem ser avaliados por quem os viveu e sentiu.

A população sensibilizava-se com o içar da bandeira nacional aos domingos e feriados na parada do Quartel. Assistia às cerimónias militares do Dia da Unidade ou dos Juramentos de Bandeira. Acompanhava o terno de corneteiro, aos domingos, depois do render da guarda na sua ronda pelo Jardim José de Lemos. Parava na rua quando os militares armados se dirigiam para a carreira de tiro. Ouvia com atenção o seu programa ‘A voz do Doze" transmitido na Rádio Altitude todas as semanas.

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O que poderia ser feito para guardar a memória do RI 12 na matriz da cidade?

Muito e simples, senão vejamos. Após o encerramento do RI 12, constatámos que até o “relógio de sol” foi retirado do interior da Porta de Armas, onde permanecia desde o tempo dos frades franciscanos e descobriu-se que andou esquecido pelas arrecadações do Museu da Guarda.

A criação de um museu que poderia ter sido no Convento de São Francisco, onde as recordações do RI 12 mereciam ser salvaguardadas em local próprio e digno, bem como de outras Unidades militares que estiveram na cidade.

O seu espólio está disperso e o que teve como destino à Unidade que foi considerada como herdeira do RI 12, estava encaixotado há anos, como um dia o fui encontrar no Regimento de Infantaria 14, em Viseu. Sabe-se que outra parte foi com destino a Lisboa e algum já esteve exposto no Museu da Guarda. Ora esta situação irá certamente contribuir para que não se saiba por onde andam os pertences de uma Unidade considerada como a mais importante e estimada que teve a cidade da Guarda.

Em dois períodos o RI 12 foi da cidade. Já agora permitam-me recordar um pouco da sua história.

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O RI 12, entrou nas portas do Convento de São Francisco na Guarda pela primeira vez, em 1846, tendo sido extinto em 1931 e transferido para a cidade de Coimbra. Em 1939 é criado na Guarda o Batalhão de Caçadores nº. 7 que foi extinto em 1961. Em 31 de janeiro de 1966 regressa à Guarda o RI 12 que seria extinto em 31 de março de 1975, sendo criado o Destacamento da Guarda do Regimento de Infantaria de Viseu, para a 1 de janeiro de 1977 passar a Unidade Independente com a designação de Batalhão de Infantaria da Guarda (BIG), e, por sua vez, extinto em novembro de 1982.

Mas também a Guarda, ao longo dos tempos, teve outras unidades militares mais propriamente no antigo Seminário tais como o Batalhão de Infantaria n°. 34 e o 2°. Grupo de Metralhadoras, o Batalhão de Caçadores 7, por duas vezes e, bem como no tempo da Monarquia, o Batalhão de Caçadores 29, o Batalhão de Caçadores 4 e o Batalhão de Caçadores 1.

Os seus feitos nas batalhas de África e França de Neuve Chapelle, Fauquissart, Ferme du Bois, La Lys, e Mongoa, estão perpetuados no Monumentos aos Combatente da Grande Guerra no centro do Jardim José de Lemos, inaugurado a 31 de julho de 1940.

O RI 12 participou ativamente na Revolução de Abril com a ocupação da fronteira com Espanha, em Vilar Formoso.

 

A sua ligação à Rádio Altitude ocorreu quando estava no R 12. Como surgiu esta ligação, como evoluiu e o que significou para si?

A minha ligação à Rádio Altitude, poucas pessoas se podem orgulhar de ser igual ou, meramente, parecida à minha. Foi através do RA que, hoje, tenho o de melhor da minha vida.

Tudo começou por ser diretor, produtor e locutor do programa “A VOZ DO DOZE", desde março de 1971 a novembro de 1973.

Em tempos escrevi um texto com o título “A VOZ DO DOZE E O RÁDIO ALTITUDE” que desejo recordar como complemento.

“A 27 de setembro de 1967, pelas 10 horas e 30 minutos, passados 18 anos após a oficialização do Emissor CSB 21, o Rádio Altitude, da cidade da Guarda, colocava no "ar" um programa organizado pelo Centro Informativo do Regimento de Infantaria n°. 12, dedicado a todos os militares e ouvintes, denominado " A VOZ DO DOZE".

Assim, tinha início o segundo programa militar. O primeiro tinha sido "Momento Militar", da Escola Prática de Cavalaria de Santarém.

O Aspirante Miliciano Abel Simões Virgílio e o Furriel Miliciano Martinho saudavam os ouvintes, com a assistência técnica do oficial de transmissões, Aspirante Miliciano Vítor Santos e de Antunes Ferreira, técnico da Rádio Altitude, com montagem do soldado radiotelefonista Mota, enquanto se ouvia o "toque de Alvorada", seguido da célebre marcha militar americana "The Washington Post March".

A primeira saudação musical escolhida, foi "Tombe la nege" de Salvatore Adamo.

Pretendia-se que o programa fosse ‘um hino de homenagem a todos os briosos soldados beirões que cumpriam o sagrado dever para com a Pátria e uma mensagem de amizade e gratidão para a cidade da Guarda que acolhia no seu seio o RI 12’.

Como "nota de abertura", as palavras do Comandante do RI 12, coronel Jorge Pereira de Carvalho, uma entrevista com o cap. Artur Pita Alves, recém-regressado da Província da Guiné, seguida de palavras de agradecimento pela iniciativa e incentivo, do Governador Civil, Dr. Mário Bento Martins Soares, um poema do Asp. Mil. Paula Monteiro, "de mãos dadas", notícias do dia-a-dia do RI 12, uma referência ao jornal da Unidade, "Fronteiros da Beira" e ao lema "FIRMES COMO ROCHAS".

Este "elo de ligação" entre os militares e a população foi continuada durante quase sete anos por outros oficiais, sargentos e praças, tais como por "ordem do tempo": Joaquim Manuel da Fonseca, Farias da Silva, Carlos Monteiro, José Pinto, Pedro Tavares, Condesso Teixeira, António Pereira, João Manuel Pais Trabulo, Júlio Braz e não esquecendo quem datilografava o guião, o Albino Leitão, para ser aprovado pelo Comandante. Durante muitos anos, a locução do programa teve uma única voz feminina, da jovem locutora da Rádio Altitude, Maria José da Nave Barbas.

Para além de temas diversificados, históricos, militares, poesia, concursos, entrevistas, humor, o destaque ia sempre para a transmissão em direto do "Dia da Unidade, Juramentos de Bandeira, Cerimónias Militares" e a gravação das "Mensagens de Natal" dos "familiares para os militares" que cumpriam a sua "Comissão de Serviço no Ultramar".

Entre as diversas "rubricas", surgia a música tradicional popular, música portuguesa e de êxitos mundiais da canção, bem como, canções de cantores de "intervenção", tais como Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Padre Fanhais, José Mário Branco, Manuel Freire, Sérgio Godinho, etc., o que, muitas das vezes, levavam os senhores da DGS a dirigirem-se às instalações do Altitude na procura de "temas incómodos" que, por vezes, eram bem guardados no Centro Informativo do RI 12.

Segundo informação, o programa terá terminado nos primeiros meses de 1974.

Tudo isto, tendo sempre por objetivo: "É dever e direito de todo o cidadão contribuir no seu campo de acção para a Defesa da Integridade Portuguesa".

É aqui a minha modesta intervenção se proporcionou durante quase três anos.

É aqui que os laços de amizade se estabeleceram e estreitaram com a locutora do programa. Poucas pessoas o souberam e alguns certamente se recordam e que hoje publicamente o revelo.

 

A sua entrada para a GNR como surgiu?

Tinha cumprido a minha comissão de serviço na Guiné e ofereci-me como voluntário para continuar a servir a Pátria como militar. Esta condição poderia ter apenas a duração de cinco anos, pelo que nos finais de 1973, resolvi proceder ao meu ingresso na GNR.

 

Como era a realidade, de então, desta força de segurança e quais as principais dificuldades com que se deparava?

As realidades e dificuldades da GNR de então não são nos princípios básicos muito diferentes das de hoje, até porque a GNR sempre se pautou por ser uma Força Militar caracterizada sucintamente pelo que a orienta expresso no seu lema “Pela Lei e Pela Grei" e se isso for cumprido com “isenção e imparcialidade” é fácil ultrapassar as múltiplas dificuldades que possam existir no dia a dia do militar da Guarda. Contudo, é uma profissão de sacrifício, de riscos, de trabalho, de voluntariado e profissionalismo com a satisfação de contribuir para a segurança das pessoas e bens da nossa sociedade.

 

Como foi o seu percurso na GNR e quais as cidades onde exerceu funções?

Foram 35 anos ao serviço da sociedade, desde o Posto de Tenente Miliciano a Coronel, com dois momentos importantes e mais longos, durante 10 anos cada, como Comandante de Secção em Santa Comba Dão e Gouveia. Como adjunto do Comandante da Companhia de Aveiro, até a cidade de Coimbra, como oficial de Logística do Batalhão/Brigada Territorial de Coimbra, 2°. Comandante do Grupo Territorial da Guarda ou nos Serviços Sociais da GNR em Évora, como eu lhe chamei as minhas “Campanhas no Alentejo”, sobressaem ainda as funções de Chefe Administrativo no Centro Clínico da GNR, em Lisboa, onde tive as mais prestigiantes condições de ser prestável ao militar da Guarda até terminar o meu serviço na GNR em Lisboa, na Inspeção da GNR, como Coronel.

Quero aqui referir que os momentos mais difíceis foram passados no Comando da GNR em Santa Comba Dão, entre abril de 1975 e novembro de 1984, com a herança de um passado recente de controversas ideologias relativas ao Homem natural da terra e à sua estátua, agravadas pela ingenuidade e falta de decisão dos nossos governantes da época num jogo de empurra de competências. Sobre isto muito haveria para revelar.

De Santa Comba Dão, resta-me a consolação de nessa altura ter nascido o segundo filho e de ter sido o eleitor n°. 1 daquela localidade. Tudo o resto, foi o cumprimento de um dever profissional.

 

Como vê, na atualidade, o papel desta força de segurança e a formação dos seus elementos?

A Guarda tem evoluído bastante e com esmerado cuidado na formação dos seus militares para terem possibilidades de cumprirem exemplarmente ao serviço da nossa sociedade. Contudo, no meu entender, o antigo militar da Guarda era possuidor de outras caraterísticas que o destacavam como melhor agente da autoridade. Entretanto, as dificuldades e exigências prevalecem e amentaram com a chegada da democracia. Assim, podemos aqui recordar um velho slogan do Comando-Geral da GNR, Gen. Passos de Esmeriz na conduta do militar da Guarda: “Isenção, correção e imparcialidade”.

 

Este ano, e pela primeira vez, houve elementos no seio da GNR que chegaram ao posto de general. O que significa para a corporação esta mudança ao nível das mais altas chefias?

Este era um desejo que começou em meados do ano de 1973 com a criação própria dos oficiais da GNR que durou quase 17 anos para se aceder ao posto de Tenente-Coronel e, passado pouco tempo, ao de Coronel.

Com a situação de admissão de oficiais da Guarda serem através da Academia Militar a ascensão ao Posto de General ficou facilitada. O quadro de oficiais generais da Guarda que até agora era preenchido por generais do Exército, trará mais benefícios do que incertezas, facilmente de compreender e assegurar, pois, serão oficiais de carreira da GNR.

 

A longo dos últimos anos, e pelo que temos verificado, tem aumentado os seus apontamentos sobre a região, a sua história. Sobre o que gosta mais de escrever?

E com gosto e até como passatempo que me dedico a esta tarefa de observar, estudar e divulgar o nosso património cultural e natural, não só através da fotografia, mas essencialmente enriquecida por pesquisa de documentação escrita. É um valor inestimável revelarmos o que de histórico nos deixaram os nossos antepassados e dar a conhecer o que temos de bom e de valores, sobretudo das regiões por onde vou passando, principalmente, da nossa região.

Faço-o espontaneamente!

 

E para quando uma publicação que possa reunir o trabalho disperso?

Isso é mais complicado, mas tenho a esperança que um dia acontecerá, o que poderá surgir de um momento para o outro. Esse é um desejo que ao ser concretizado, me trará uma satisfação plena de ter contribuído para a divulgação e enriquecimento da nossa região.

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Tem vindo, sobretudo numa rede social, a divulgar fotos de várias terras, monumentos e paisagens do distrito. Quando começou o gosto pela fotografia?

Sou um perfeito amador, mas o gosto pela fotografia vem da à longa data, especificamente, desde 1968. Ao longo dos anos, tem aumentado desde a data em que me reformei. Procuro que as minhas modestas fotografias tenham voz e transmitam implicitamente uma mensagem para além de como vejo a captação de um motivo por mais insignificante que ele seja. O resto é produto da objetiva e de quem as observa.

 

Falando ainda de fotografia, as flores têm merecido a sua atenção. Recentemente fazia um apontamento sobre o acanto, uma espécie exótica em Portugal? Acha que esta é uma vertente a explorar de forma a sensibilizar as pessoas para as plantas da região?

Vejo que tem acompanhado as minhas atividades que agradeço. As flores são a expressão nítida e sincera do que nos vai na alma, mas a beleza da natureza possibilita-nos ainda realizar e adquirir conhecimentos com mais facilidade. Procuro enriquecer as minhas fotos acompanhadas de texto com o intuito de explicar o que vejo.

 

Sendo um profundo conhecedor da região, o que destaca como locais de maior interesse turístico, sítios e locais com potencialidades de maior rentabilização e circuitos turísticos a implementar?

São tantos e espetaculares que será um pouco difícil optar ou sugerir um deles. O nosso Distrito e o País são tão ricos em beleza e potencialidades, pelo que o melhor é percorrê-los ao sabor dos ventos e de improviso, e depois revê-los numa segunda oportunidade.

Deixo essa sugestão para quem tem o dever e a obrigação de os divulgar, as nossas Autarquias.

Cruzeiro - JP Trabulo .jpg

O património histórico-cultural no distrito tem sido devidamente valorizado e salvaguardado?

É merecedor de ser tratado e preservado com mais cuidado, entristece-me quando verifico que caiu num estado de abandono e ruína e o não se fazer nada, ficamos cada vez mais pobres.

 

Sendo utilizador regular das redes sociais que importância e virtualidades lhe atribui?

As redes sociais são muito perigosas, principalmente quando o seu utilizador não é responsável pelo que expressa ou divulga desde que não tenha um alto sentido de verdade e, isto a não acontecer, pode se tornar-se numa “faca de dois gumes” ou então o “boato é uma lâmina que fere ou mata".

Temos que ter muito cuidado em não especular ou transmitir fatores errados ou já ultrapassados para não induzir as pessoas em erro e alarmismos.

Trabulo.jpg

Está satisfeito com as reações feitas às suas publicações?

Claro que sim é essa a minha intenção de procurar contribuir com algo de bom por mais simples que seja, valorizando-o com a sua divulgação. É para isto que as posto.

 

Para concluirmos, o que significa para si a cidade da Guarda?

“É-me tudo na vida…” Foi por assim dizer o início da minha vida militar conjugada com o início da vida familiar, motivos fortes de sentimentos e apreço pelos quais nunca esquecerei esta cidade.

A Guarda é uma golfada de ar puro que nos dá força para viver. Aqui granjeie muitos amigos e aqui vivi momentos inesquecíveis da minha vida.

 

 

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Evocar o fotojornalista Carlos Gil

por Correio da Guarda, em 01.06.21

 

A Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo vai evocar hoje o fotojornalista Carlos Gil através de uma projeção.

Esta projeção terá lugar, a partir das 21 horas, na fachada do Ginásio Clube Figueirense, onde Carlos Gil expôs pela primeira vez (em Figueira de Castelo Rodrigo) algumas das suas fotos alusivas às crianças.

Foto de CARLOS GIL.jpg

Recorde-se que Carlos Gil nasceu em Mortágua, tendo passado parte da sua vida em Figueira de Castelo Rodrigo em 1937, tendo falecido a 1 de junho de 2001.

Esteve ligado ao Diário de Lisboa, Expresso, Diário de Notícias, Jornal das Letras, Flama, Tempo Livre; colaborou com a Paris-Match, Der Spiegel, Cambio 16, Veja e El Pais, entre outros órgãos de informação. Fez a cobertura de vários conflitos bélicos, em diferentes partes do mundo.

 

 

 

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publicado às 18:00


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