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Sexta-feira, 29 de Julho de 2016
O dia da Rádio Altitude...

Rádio AL.jpg

     Hoje é dia da Rádio, da Rádio Altitude, de uma estação emissora muito particular originada no seio das experiências radiofónicas que ocorreram no Sanatório Sousa Martins, cerca de 1946. Nessa altura, as rudimentares emissões circunscreviam-se ao pavilhão onde estava concentrado o grupo de doentes pioneiros deste projeto; apenas com a construção de novo emissor foi ganhando dimensão a aventura radiofónica.

    No ano seguinte, Ladislau Patrício (cunhado do poeta Augusto Gil), diretor do Sanatório, assinou, a 21 de Outubro, o primeiro regulamento desta emissora, onde estavam definidas orientações muito objetivas sobre o seu funcionamento. Em finais de 1947 as suas emissões já eram escutadas na malha urbana da Guarda, que seguiu, com particular entusiasmo, o início oficial das emissões regulares, assinalado a 29 de Julho de 1948; um ano depois foi-lhe atribuído o indicativo CSB 21, identidade difundida por várias décadas, a partir do alto da serra, “eterna como o sol que alumia o mundo”,  na expressão Nuno de Montemor. Este escritor, diga-se, fez parte do grupo inicial de ouvintes da rádio. Sobre a rádio deixou, aliás, as suas impressões nas páginas de outro pilar informativo do Sanatório: o jornal Bola de Neve.

    A propriedade do primeiro emissor pertenceu, inicialmente, à Caixa Recreativa do Internados no Sanatório Sousa Martins e, mais tarde, com a sua extinção, ao Centro Educacional e Recuperador da unidade hospitalar vocacionada para o tratamento da tuberculose. Com a criação do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins (CERISSM) pretendeu-se auxiliar os doentes, especialmente no que dizia respeito “à sua promoção social e ocupação dos tempos livres”.

   Aliás, foi no seio dos sanatórios que surgiram interessantes projetos radiofónicos – como seja a Rádio Pólo Norte, no Sanatório do Caramulo, e a Rádio Pinóquio, no Sanatório das Penhas da Saúde, Covilhã, para referirmos os mais próximos.

    O CERISSM foi uma autêntica instituição de solidariedade; para além de viabilizar a afirmação e implantação da Rádio Altitude desenvolveu uma vasta obra assistencial, sob o impulso do médico Martins de Queirós, o quarto e último diretor do Sanatório da Guarda.

     Em 1961, mediante autorização oficial, o RA passou a ter como suporte económico-financeiro as receitas publicitárias que em muito contribuiriam para o auxílio dos doentes mais carenciados. As emissões evoluíram, ao longo das primeiras décadas em função das disponibilidades técnicas, dos recursos humanos e financeiros mas encontrando sempre no, crescente auditório, uma grande simpatia e um apoio incondicional.

    Até 1980 o Rádio Altitude emitiu na frequência de 1495 Khz, em onda média (abrangendo não só o distrito da Guarda mas igualmente os distritos de Viseu e Castelo Branco e algumas das suas áreas limítrofes), altura em que a sua sintonia passou a ser feita no quadrante dos 1584 khz.

Edifício da RA - década de 80.JPG

      Após 1986, e com a liberalização do espectro radioelétrico passou também a desenvolver as suas emissões em frequência modulada, em 107.7 Mhz, a qual foi alterada, em 1991, para os 90.9 Mhz.

     Em 1998,e depois de ter sido determinada a extinção do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins, foi decidida a realização de uma consulta pública, com vista à “transmissão da universalidade designada Rádio Altitude”, considerada a “única estrutura em funcionamento do ex-CERISSM”.

    A estação emissora entrou assim, com a sua aquisição por parte da Radialtitude–Sociedade de Comunicação da Guarda, num capítulo novo da sua existência, mantendo a ligação física ao antigo espaço sanatorial.

Helder.jpg

      Como dissemos, esta é uma rádio muito particular, de afetos, de memórias, vivências, amizades, dedicação, de serviço público, de criatividade, de formação, do interior das Beiras, hoje rádio global, de futuro.

    Parabéns, Rádio Altitude! Parabéns a todos quantos fizeram e fazem a Rádio! 

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publicado por Helder Sequeira às 09:28
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2016
O Dever da Memória

Capa do DEVER DA MEMÓRIA.jpg

 



publicado por Helder Sequeira às 08:05
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Domingo, 5 de Junho de 2016
Memória de sons

Rádio - Hs.jpg

 



publicado por Helder Sequeira às 19:51
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016
Até sempre, Luís Coutinho...

 

 

Luis Coutinho.JPG

      Luís Coutinho figurará na história da Rádio Altitude como um dos seus eminentes pioneiros e dedicado obreiro do conteúdo programático – mormente desportivo – de algumas décadas…

    Surgem estas palavras a propósito da sua morte, hoje na Guarda, na cidade onde se afirmou profissionalmente, onde desempenhou funções autárquicas, onde viveu de forma empenhada a Rádio, o desporto, a Amizade…

   Luís Coutinho captava facilmente a estima de todos quantos com ele contactavam, era uma personalidade afável, atenta, subtil…até nas observações certeiras que não criavam atritos antes estabeleciam pontes, geravam laços de aproximação, desafiavam a uma cooperação, incentivavam projetos…

    Foi assim na sua vida, foi assim na Rádio onde nos conhecemos…e já lá vão uns anos…perdurou, ao longo do tempo, uma estima profunda e a Amizade…Não esqueço o seu sorriso sincero e as palavras do nosso último encontro. O Luís Coutinho era assim: sincero, amigo, atento, dialogante.

    Para além do Desporto, que Luís Coutinho privilegiou na atividade radiofónica, recordo sobretudo os “Programas da Noite” (que começaram a ser emitidos, entre as 20 e as 23 horas, e mais tarde até às 24 horas, na Rádio Altitude), os quais constituíram interessantes experiências radiofónicas e, mercê do horário, registavam uma enorme audição, variando as suas características em função das respetivas equipas de produção; esta diferenciação, contrariamente ao que seria de supor, não afastava o auditório mas, pelo contrário, estimulava, o interesse, mesmo dos responsáveis pelos outros programas emitidos, constituindo, com frequência, motivo de interessantes comentários e diálogos, sempre com a preocupação de cada um chamar a si um maior número de ouvintes.

    Foi um tempo de grande azáfama e camaradagem, que muitos dos protagonistas deste período podem confirmar; as décadas de setenta e oitenta (do século passado…) foram, aliás, ricas em termos da variedade de programas, desde os culturais, informativos, desportivos ou musicais e recreativos.

    Luís Coutinho, ao lidar com os mais jovens colaboradores, sabia ter a palavra certa na hora certa e conquistá-los para a Rádio e os seus desafios quotidianos. Daí o apreço de todos, e certamente, neste momento triste, o profundo pesar pela sua partida…contudo a sua imagem, a sua forma de estar e ser não se apagará da nossa memória e outrossim de de companheiros e ouvintes da Rádio F, onde também colaborou.

    Até sempre, Luís Coutinho!...         

   Helder Sequeira

 

Luis Coutinho - Foto Helder Sequeira.jpg

 



publicado por Helder Sequeira às 23:46
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2016
Dia Mundial do Rádio

 

     Hoje é comemorado o Dia Mundial do Rádio.

    Desde 2012 que esta data se constitui como oportunidade para assinalar a importância da rádio, quer como meio de informação, quer como agente de educação e cultura, que ainda como elo de aproximação com pessoas em situação de vulnerabilidade.

    Aliás, o tema proposto pela UNESCO, para este ano, é precisamente “A rádio em tempos de emergência e desastres”.

Dia Mundial da Rádio 2016- v.png

      No atual contexto mundial, e sob o cenário da crise de refugiados empurrados para o êxodo pela guerra, fome ou desastres climáticos, a rádio continua a ser o meio de comunicação que atinge o maior número de pessoas em todo o mundo, no menor espaço de tempo; facto que a torna fundamental nestes contextos.

    Criado pela UNESCO, o Dia Mundial da Rádio evoca a primeira emissão, em 1946, da United Nations Radio.

 

 

 



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Domingo, 24 de Janeiro de 2016
B.Riddim apresenta novo trabalho no TMG

briddim_press1 (1).jpg

     No auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG) vai ser apresentado no próximo dia 29 de Janeiro, pelas 21h30, o último trabalho de Luís Sequeira, conhecido no universo musical pelo nome artístico de B.Riddim.

    “Bubble Clocks" é o seu terceiro vinil, sucedendo a "(In)Theory" e "Magic My Ear", uma vez mais com selo da editora londrina Third-Ear. O anterior EP contou com o apoio de Pearson Sound, Ellen Allien, Emika ou Benji B e este seu último trabalho já teve especial destaque, por exemplo, na Deep House Amsterdam, revista dedicada à música electrónica, para a qual gravou um Live Set exclusivo, disponível em podcast.

    B.Riddim continua “a mostrar o seu talento e linhagem musical, num brilhante EP baseado na sua imagem de marca: tridimensionalidade no "beat" com uma linha de baixo bem rica e demarcada em torno de synths com uma sonoridade intrínseca e autêntica.”

    Evidenciado por destacados artistas internacionais, “Bubble Clocks" tem como ponto alto "Talking Proud", tema construído em torno de “uma das melhores vozes de sempre do universo jazz: Nina Simone."

   Luis Sequeira (B.Riddim), produtor/compositor e MC, nasceu na Guarda onde estudou e residiu (aqui impulsionou o projeto G-Ward) até iniciar, em Madrid, a sua formação na área de engenharia de som. A capital espanhola foi, aliás, o ponto de partida para novos rumos. A sua experiência passa, além de Portugal, por países como Espanha, Canadá, México e Reino Unido, onde reside.

   Atualmente, e para além da música, Luís Sequeira está também ligado à atividade radiofónica (relação que vem já desde a infância), produzindo, semanalmente (a partir de Londres para a Rádio Altitude) o programa Rewind It.

    Os bilhetes para o espetáculo do próximo dia 29, sexta-feira, podem ser comprados aqui.

    www.briddim.com

 

 

 



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Domingo, 2 de Agosto de 2015
Telefonia

 

Receptor de RÀDIO.JPG

 



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Quarta-feira, 29 de Julho de 2015
Rádio Altitude: 67º aniversário

 

     “Altitude não significa apenas uma certa posição física – situação de um ponto acima do nível do mar; traduz também uma posição moral – elevação da alma acima do comum, acima do charco lodoso ou da planíce raza, onde pululam a grosseria e a mediocridade”. Estas palavras de Ladislau Patrício foram escritas, em 1938, a propósito do seu livro “Altitude – O espírito na Medicina”.

    Na década seguinte Altitude seria o nome dado a esta rádio; emissora cuja atividade do surgiu, como é do domínio público, no seio do Sanatório Sousa Martins, cerca de 1946. Nessa altura, as rudimentares emissões circunscreviam-se ao pavilhão onde estava concentrado o grupo de doentes pioneiros deste projeto; apenas com a construção de novo emissor foi ganhando dimensão a aventura radiofónica.

    Sabe-se que, no ano seguinte, Ladislau Patrício diretor do Sanatório, assinou, a 21 de Outubro, o primeiro regulamento desta emissora, onde estavam definidas orientações muito objetivas sobre o seu funcionamento.

    Em finais de 1947 as suas emissões já eram escutadas na malha urbana da Guarda, que seguiu, com particular entusiasmo, o início oficial das emissões regulares, assinalado a 29 de Julho de 1948.

     Comemora-se pois, neste ano, o sexagésimo sétimo aniversário da rádio a quem, um ano depois foi atribuído o indicativo CSB 21; identidade difundida por várias décadas, a partir do alto da serra, “eterna como o sol que alumia o mundo”; para citar Nuno de Montemor; este escritor, diga-se, fez parte do grupo inicial de ouvintes da rádio. Sobre a rádio deixou, aliás, as suas impressões nas páginas de outro pilar informativo do Sanatório: o jornal Bola de Neve.

Rádio Altitude - símbolo da primeiras décadas -

     A propriedade do primeiro emissor pertenceu, inicialmente, à Caixa Recreativa do Internados no Sanatório Sousa Martins e, mais tarde, com a sua extinção, ao Centro Educacional e Recuperador da unidade hospitalar vocacionada para o tratamento da tuberculose. Com a criação do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins (CERISSM) pretendeu-se auxiliar os doentes, especialmente no que dizia respeito “à sua promoção social e ocupação dos tempos livres”.

     Aliás, foi no seio dos sanatórios que surgiram interessantes projetos radiofónicos – como seja a Rádio Pólo Norte, no Sanatório do Caramulo, e a Rádio Pinóquio, no Sanatório das Penhas da Saúde, Covilhã, para referirmos os mais próximos.

    O CERISSM foi uma autêntica instituição de solidariedade; para além de viabilizar a afirmação e implantação da Rádio Altitude desenvolveu uma vasta obra assistencial, sob o impulso do médico Martins de Queirós, o quarto e último diretor do Sanatório da Guarda.

    Em 1961, mediante autorização oficial, o RA passou a ter como suporte económico-financeiro as receitas publicitárias que em muito contribuiriam para o auxílio dos doentes mais carenciados. As emissões evoluíram, ao longo das primeiras décadas em função das disponibilidades técnicas, dos recursos humanos e financeiros mas encontrando sempre no, crescente auditório, uma grande simpatia e um apoio incondicional.

    Até 1980 o Rádio Altitude emitiu na frequência de 1495 Khz, em onda média (abrangendo não só o distrito da Guarda mas igualmente os distritos de Viseu e Castelo Branco e algumas das suas áreas limítrofes), altura em que a sua sintonia passou a ser feita no quadrante dos 1584 khz. Após 1986, e com a liberalização do espectro radioelétrico passou também a desenvolver as suas emissões em frequência modulada, em 107.7 Mhz, a qual foi alterada, em 1991, para os 90.9 Mhz.

    Em 1998,e depois de ter sido determinada a extinção do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins, foi decidida a realização de uma consulta pública, com vista à “transmissão da universalidade designada Rádio Altitude”, considerada a “única estrutura em funcionamento do ex-CERISSM”.

    A estação emissora entrou assim, com a sua aquisição por parte da Radialtitude–Sociedade de Comunicação da Guarda, num capítulo novo da sua existência, mantendo a ligação física ao antigo espaço sanatorial.

RA de HS.jpg    O Rádio Altitude – que assinala hoje o seu 67º aniversário – possui um historial ímpar que importa reter, e divulgar, contribuindo, assim, para aumentar a cadeia de afetos, originada em finais da década de quarenta do passado século.

    O passado e o património do Rádio Altitude fazem parte das múltiplas memórias da Guarda, assumindo-se como elos indissociáveis da história da Cidade da Saúde. Valorizar o presente, refletir sobre a importância social desta emissora, será um bom incentivo para quantos ali trabalham e dão continuidade a uma matriz radiofónica, de inquestionável originalidade e longevidade.

estúdio ra.jpg

   Parabéns e votos de boa Rádio!

 



publicado por Helder Sequeira às 00:30
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Sábado, 4 de Julho de 2015
Rádio com história

Capa do DEVER DA MEMÓRIA.jpg

 



publicado por Helder Sequeira às 00:06
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Domingo, 28 de Junho de 2015
Emílio Aragonez: livro de uma Vida

Emílio ARAGONEZ.jpg

     "A minha vida dá um livro" é o nome de um ciclo regular que leva à Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (Guarda) convidados cuja história de vida é repleta de emoções e aventuras.

     O próximo convidado é Emílio Aragonez, “um homem que dedicou toda a sua vida à rádio; uma voz conhecida e reconhecida; uma figura que marcou a comunicação social na Guarda”. A sessão com Emílio Aragonez terá lugar na próxima terça-feira, 30 de Junho, às 18 horas. A entrada é livre.

 

     Durante décadas, Emílio Aragonez foi uma das vozes mais populares das emissões radiofónicas feitas, em onda média, a partir da cidade mais alta de Portugal.

     Aragonez, figura com profundas ligações à Rádio Altitude, nasceu em 1934, a 22 de Setembro, em Portalegre; para a Guarda veio com cinco anos. Posteriormente, face às contingências resultantes da atividade profissional do pai, foi viver para Cascais, Pinhel, Peniche e Seia, após o que ocorreu o regresso definitivo à Guarda.

     Com onze anos começou a trabalhar na Ourivesaria Correia, nesta cidade; as aulas no Liceu ficaram para trás, pois os horários não eram compatíveis com o trabalho; o estudo circunscreveu-se ao período da noite. Emílio Aragonez frequentou o Colégio de S. José, a Escola Comercial e Industrial e a Escola dos Gaiatos, nesta cidade.

     Aos dezoito anos abriu o seu primeiro estabelecimento comercial, na Rua 31 de Janeiro. Três anos depois mudou-se para a Rua do Campo, instalando-se no antigo espaço da Espingardaria Sport, que pertencera a um antigo chefe da Polícia; iniciava-se um ciclo de atividades na área da relojoaria e ótica; contudo, circunstâncias diversas contribuíram, muitos anos depois, para o abandono da vida comercial e empresarial. Ficou, deste modo, aberto o caminho para uma dedicação total ao jornalismo e à rádio.

Emílio Aragonez -FOTO - DR.jpg

      Desde os dezanove anos que mantinha, aliás, uma permanente paixão pela Rádio Altitude, onde começou a colaborar no início da década de cinquenta. “Foi aberto concurso para pessoas externas ao Sanatório, concorri e fui admitido. Para mim era um desafio. Trabalhava durante o dia e à noite ia para a Rádio, a apresentar discos pedidos, que eram imensos. Contudo isto representava o início da concretização de um sonho, de estar ligado à rádio e à informação”.

     Nessa época, as emissões da Rádio Altitude eram à noite, tendo depois passado a existir um espaço na hora do almoço. Predominavam os programas de discos pedidos, os quais registavam uma permanente avalanche de solicitações, cujo atendimento se ia prolongando por semanas sucessivas. “Eram tantos os pedidos e o espaço tão reduzido que era colocado um disco num dia e outros em programas posteriores. Por vez para se ouvirem quatro dedicatórias tinha de se esperar um mês”, lembra Emílio Aragonez, mais tarde rendido ao fascínio das reportagens.

     Nesse período, e anos subsequentes, havia regras rígidas relativamente às emissões radiofónicas e, como aconteceu até ao 25 de Abril de 1974, a polícia política estava sempre atenta, e atuante. Mesmo assim, Emílio Aragonez desvaloriza essa interferência. “As notícias que eram transmitidas, nos primeiros tempos, eram baseadas nos jornais e estes já tinham passado pela censura”. O que não impediu diversas chamadas de atenção por parte do Administrador ou Diretor da Rádio, e a deslocação, por duas vezes, às instalações de P.I.D.E., contudo sem quaisquer consequências.

    Pessoa de improviso fácil, e anotações rápidas, Emílio Aragonez assegurava os diretos da rádio de uma forma atrativa, suscitando o interesse informativo, curiosidade e audição atenta. A Rádio foi, sem reservas, uma grande afeição da sua vida, feita de trabalhos, desencontros, incompreensões silêncios, amarguras e felicidade; vida simultaneamente enraizada em convicções e em princípios, passando ao lado, de eventuais críticas ou atitudes injustificadas.

    Ao longo de décadas, deu voz à notícia, trouxe à luz da ribalta questões tantas vezes ignoradas; desencadeou o confronto de opiniões, denunciou injustiças, foi porta-voz de múltiplas aspirações de terras e gentes. Emílio Aragonez assumiu o jornalismo e a rádio sem nunca esquecer a função social subjacente; o que, aliás, foi sempre reconhecido pelos ouvintes, a quem nunca negou a sua presença, e voz, mesmo em situações nas quais motivos de ordem pessoal, o cansaço ou a doença aconselhavam repouso.

    Sempre atento ao quotidiano, na sua memória circulam, volvidos estes anos, muitas imagens e sons que pertencem aos bastidores da rádio; fora do estúdio de emissão havia lugar a dramas individuais, sofrimentos, dificuldades a superar, batalhas contra o tempo, necessidade de discernir e graduar com rapidez aquilo que era matéria informativa e não mero adereço de projeções institucionais ou pessoais; ocorriam confrontos marcantes no percurso individual e profissional; impressões muitas vezes gravadas de maneira indelével, que não pactuam com o esquecimento.

    O nascimento de Emílio Aragonez para a rádio, e a projeção que alcançou através desta popular emissora, ocorreu na época das emissões em onda média, quando a frequência modulada estava longe de ser uma realidade na estação CSB-21, o indicativo atribuído à Rádio da mais alta cidade portuguesa. A sua voz aquecia as noites guardenses, esbatia a solidão, aumentava progressivamente o auditório, despertando incontidas manifestações de simpatia. “Diziam-me que a minha voz era agradável e depois, também pelo que me é dito, tinha uma maneira muito peculiar de falar. Isto começou, realmente, nos programas da noite, quando a cidade precisava de companhia e a companhia era a rádio. Foram anos, anos e anos com a minha voz a entrar pela casa das pessoas”.

   A Rádio Altitude representa para Emílio Aragonez “praticamente uma vida toda. Uma pessoa que entra para ali aos 19 anos e fica lá até aos 68 obviamente que representa tudo”.

   Emílio Aragonez é um memória viva da Guarda e da sua emblemática estação emissora – das suas estórias e tradições – igual a si próprio, referência de um tempo cúmplice das ondas hertzianas, quais laços de solidariedade com a cidade e uma vasta região.

     Helder Sequeira

 

 



publicado por Helder Sequeira às 17:05
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