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Sábado, 10 de Dezembro de 2016
Parcelas do nosso património cultural e regional

 

     O distrito da Guarda foi pioneiro na imprensa, tendo aqui surgido também alguns dos mais expressivos jornais religiosos e políticos. Com postura diferenciada, os jornais desta região tiveram um importante papel na promoção das ideias políticas, mormente do ideário republicano, constituindo a sua leitura um (re)encontro com a realidade de tempos e lugares.

    Como escreveu J. Pinharanda Gomes, o mundo da imprensa regional é “feito de insólitos achados, de experiências para nós, hoje, inimagináveis. Reflete ele o estado social e cultural de uma região num dado tempo. A progressão cronológica do aparecimento dos jornais, a tipologia diferenciada, as alternâncias ideológicas, são quadros vivos mesmo agora que, de muitos deles não temos senão raros exemplares (…)”. De facto, houve períodos em que não foi acautelada a preservação dos mais significativos títulos da imprensa regional e concelhia, resultando daí um hiato intransponível no acesso ao seu completo conhecimento.

    A história da imprensa distrital merece um aprofundado estudo, que dê sequência a alguns valiosos e meritórios trabalhos já existentes. Estaremos, com essa atitude, a honrar os esforços, o entusiasmo, o saber e o contributo de quantos editaram e mantiveram jornais locais e regionais, colocando-os ao serviço da democracia e da liberdade.

    Tendo ocorrido, recentemente, a passagem de mais um aniversário da implantação da República em Portugal, justifica-se e é enriquecedor, um olhar sobre a imprensa que serviu de meio de divulgação dos princípios republicanos, de forma a ficarmos elucidados sobre as conceções políticas defendidas, realidades sociais e económicas, o modo como foi recebido o novo regime, após o derrube da Monarquia; importa trazer ao conhecimento das gerações atuais os nomes de personalidades (esquecidas ou ignoradas, em tantos casos) que lutaram fervorosa e apaixonadamente pelos seus ideais políticos.

    Servir “dedicadamente a causa pública” era um propósito comum manifestado pelos redatores da imprensa republicana, e reafirmado, tantas vezes, após o 5 de Outubro de 1910. “Não temos hoje após a vitória (…) ambições que excedam as craveiras dos nossos apoucados méritos”, lia-se no jornal “A Fraternidade”, para cujo corpo diretivo e redatorial “a mais ardente aspiração” estava “satisfeita com a proclamação” da República”.

    “A imprensa ruge e canta”, escrevia José Augusto de Castro em “O Combate”, um dos mais expressivos títulos republicanos da Guarda, jornal que se batia “Pela Justiça. Pela Verdade. Pela Equidade”, sem baixar as armas, para não haver surpresas. “Conheço os homens, sei o que eles têm sido e são. Não me iludem atitudes. As adesões que para aí são feitas revelam ainda maior falta de carácter, de sentimento moral. As adesões representam baixeza e da baixeza há-de irromper o ódio não extinto mas apenas dominado, reprimido, por impotente”, alertava o jornalista e republicano guardense. Contudo, os avisos feitos a partir desta tribuna, como de outras, eram dirigidos igualmente para o interior das estruturas políticas. “Passada a hora da primeira vitória, entoado o primeiro cântico de triunfo, impõe-se-nos recomeçar a nossa acção em combate ao mal, à dor, à iniquidade. Proclamar a República não quer dizer extinguir a iniquidade, mas apenas avançar um passo no caminho que conduz à sua extinção. O mal existe em todas as formas de governo conhecidas, de modo que só depois de todas as formas de governo extintas se extinguirá o mal. O alto dever cívico, intelectual e moral do homem, o mais alto, consiste em trabalhar para que as formas de governo se vão aperfeiçoando, simplificando, resumindo, extinguindo”, sustentava “O Combate”.

    Nos jornais de matriz republicana, publicados antes e depois da data que marcou um novo ciclo na história política portuguesa, encontramos textos de grande lucidez e reflexões apaixonadas, a par de uma preciosa informação sobre o pulsar da vida local, sobre o papel interventivo de muitas personalidades, sobre as estratégias dos grupos que detinham ou pretendiam o poder, sobre as divergências pessoais ou de grupos.

    Da leitura e do estudo, crítico, destes jornais poderemos evoluir para um conhecimento mais completo de um período em que o mapa político e institucional do distrito da Guarda era palco de grande efervescência e outrossim de mudanças. Protagonizaram a intervenção republicana, cruzando argumentos e palavras na imprensa regional, as mais diversificadas figuras, oriundas de distintos meios sociais, culturais ou profissionais. Eram atores de uma interessante polivalência, como se pode deduzir através destes jornais.

    Até nomes tradicionalmente associados a áreas muito específicas foram agentes ativos na defesa da República; veja-se, a título de exemplo, Augusto Gil (que dirigiu A Actualidade), nome respeitado como poeta mas também como republicano.

    Os aguerridos e frontais “diálogos” entre títulos da imprensa regional, a criação e desaparecimento de outros, a linguagem e o desassombro de muitos dos textos publicados ou imaginação colocada para suprir lacunas editoriais ou vicissitudes relacionadas com a impressão constituem suficientes motivos para (re)lermos estes jornais, parcela ímpar do nosso património cultural e regional. (Helder Sequeira)

 

 

 



publicado por Helder Sequeira às 23:00
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Terça-feira, 21 de Outubro de 2014
Um jornal da República...

 

     O distrito da Guarda foi pioneiro da imprensa, aqui tendo surgido, também, alguns dos mais expressivos jornais de cariz religioso e político. Com postura diferenciada, os periódicos desta região tiveram um importante papel na promoção das ideias políticas – mormente do ideário republicano – constituindo a sua leitura um (re)encontro com a realidade de tempos e lugares.

     A história da imprensa distrital merece um aprofundado estudo, que dê sequência a alguns valiosos e meritórios trabalhos já existentes. Estaremos, com essa atitude, a honrar os esforços, o entusiasmo, o saber e o contributo de quantos editaram e mantiveram jornais locais e regionais, colocando-os ao serviço da democracia e da liberdade.

     Nos jornais de matriz republicana, publicados antes e depois da data que marcou um novo ciclo na história política portuguesa, encontramos textos de grande lucidez e reflexões apaixonadas, a par de uma preciosa informação sobre o pulsar da vida local, sobre o papel interventivo de muitas personalidades, sobre as estratégias dos grupos que detinham ou pretendiam o poder, sobre as divergências pessoais ou de grupos.

    Da leitura e do estudo, crítico, destes jornais poderemos evoluir para um conhecimento mais completo de um período em que o mapa político e institucional do distrito da Guarda era palco de grande agitação e outrossim de mudanças. “Uma grande responsabilidade pesa sobre os homens do governo de hoje. O país inteiro tem neles os olhos fitos. Se corresponderem a essa esperança fascinante de felicidade para Portugal, o regime realizar-se-á. Fomos condicionais monárquicos, isto é, colaborámos no velho regímen olhando sobre tudo para as venturas da Pátria. Hoje podemos ser republicanos, esperançados em que a República levante o país do estado a que o levaram os homens públicos do velho regime”. Assim se posicionava o “Districto da Guarda”, órgão do Centro Progressista.

     Protagonizaram a intervenção republicana, cruzando argumentos e palavras na imprensa regional, as mais diversificadas figuras, oriundas de distintos meios sociais, culturais ou profissionais. Eram atores de uma interessante polivalência, como se pode deduzir através destes jornais.

     Até nomes tradicionalmente associados a áreas muito específicas foram agentes ativos na defesa da República. É o caso de Augusto Gil – conhecido pela maioria dos nossos leitores como poeta – que fundou e dirigiu o jornal A Actualidade, entre 1910 e 1912.

     Embora este periódico tenha surgido com meio de promoção do ideário republicano, assumiu um pendor acentuadamente literário. Augusto Gil escreveu, nesse semanário, textos de inegável qualidade e reveladores da sua posição política, a par da manifestação das divergências frontalmente assumidas, relativamente aos comportamentos e desvios de personalidades de relevo local e nacional; uma das suas lutas foi dirigida contra o caciquismo, objeto de vários e longos artigos.

     “Além de um malefício nacional, o caciquismo é também uma feiíssima palavra. Se como democrata me provoca antipatia, como esteta tenho-lhe ódio. Não é pois para admirar que eu oiça de alegre aspecto o cerrado tiroteio que o alveja de toda a imprensa republicana e o clamor de vozearia que de jornal em jornal se vai repercutindo, como de monte em monte se reflecte, por estes ásperos contrafortes da Estrela, a berráta dos campónios no cerco ao lobo daninho. O pior é que a estrondeante assuada apenas conseguirá espavorir um pouco a fera e que as balas de papel mal hão-de chamuscar-lhe a pelagem…Se o caciquismo, pela devoradora gana, é comparável ao lobo, certo é também que pela rijeza do coiro é tal qual um hipopótamo. Os projécteis da República não têm, infelizmente, nem a penetração, nem a força dilaceradora suficiente para lhe darem a morte”.

     Atento aos rumos que a política portuguesa estava a seguir, Augusto Gil teceu frequentes críticas aos seus correligionários, expressando o sentimento que as populações iam ampliando cada vez mais; outro dos atrativos de A Actualidade era uma secção denominada a “Lanterna Mágica”, onde foram inseridas caricaturas de algumas conhecidas personalidades da Guarda.

    Decorrido 104 anos após a implantação da República, reencontrar Augusto Gil nas lides jornalísticas e políticas não deixa de ser uma agradável surpresa, em especial pela atualidade de muitos dos seus escritos...

     HS

     In  "O Interior", 16out2014

 

 

 



publicado por Helder Sequeira às 22:53
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Sábado, 9 de Agosto de 2014
Imprensa: memórias e percursos

 

     “Imprensa Regional da Beira Interior: memórias e percursos” é o tema do seminário que o Instituto Politécnico da Guarda vai promover no dia 6 de Novembro de 2014.

     “Esta iniciativa pretende ser o ponto de partida para um progressivo debate e investigação em torno da imprensa da nossa região, contribuindo para que são desapareça a memória e se continue a afirmar como uma valiosa fonte de informação sobre factos, épocas, realidades políticas, económicas e sociais”, como é explicado no sítio deste seminário, na internet.

    As inscrições para comunicações ou para participar podem ser feitas aqui.

 

 



publicado por Helder Sequeira às 12:20
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014
Imprensa da Beira Interior

 

     No Instituto Politécnico da Guarda vai realizar-se no dia 6 de Novembro de 2014 o Seminário “Imprensa Regional da Beira Interior: memórias e percursos”.

     “Esta iniciativa pretende ser o ponto de partida para um progressivo debate e investigação em torno da imprensa da nossa região, contribuindo para que são desapareça a memória e se continue a afirmar como uma valiosa fonte de informação sobre factos, épocas, realidades políticas, económicas e sociais”, como é explicado no sítio deste seminário, na internet.

    Por outro lado, é referido a propósito que a “região da Beira Interior tem um largo e rico historial de títulos de imprensa, aqui tendo nascido jornais cuja projeção ultrapassou as fronteiras desta zona e mesmo do país; conhecer melhor/divulgar os jornais, do passado e do presente, publicados nesta região e incrementar o seu estudo nas vertentes que lhe estão associadas”.

    As inscrições para comunicações ou para participar devem ser feitas aqui .

 



publicado por Helder Sequeira às 23:54
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Terça-feira, 20 de Maio de 2014
Seminário sobre Imprensa da Beira Interior

 

     No Instituto Politécnico da Guarda vai realizar-se, no dia 6 de Novembro de 2014, o Seminário “Imprensa Regional da Beira Interior: memórias e percursos”.

      "Esta iniciativa pretende ser o ponto de partida para um progressivo debate e investigação em torno da imprensa da nossa região, contribuindo para que são desapareça a memória e se continue a afirmar como uma valiosa fonte de informação sobre factos, épocas, realidades políticas, económicas e sociais”, como é explicado no sítio deste seminário, na internet.

    Por outro lado, é referido a propósito que a “região da Beira Interior tem um largo e rico historial de títulos de imprensa, aqui tendo nascido jornais cuja projeção ultrapassou as fronteiras desta zona e mesmo do país; conhecer melhor/divulgar os jornais, do passado e do presente, publicados nesta região e incrementar o seu estudo nas vertentes que lhe estão associadas”.

    As inscrições para comunicações ou para participar devem ser feitas em http://www.ipg.pt/sirbi/



publicado por Helder Sequeira às 23:48
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013
Ernesto Pereira: nome esquecido na toponímia guardense

 

     Na toponímia guardense continuam ausentes, incompreensivelmente, nomes que deixaram marcas indeléveis na cidade. É o caso de Ernesto Pereira.

     Jornalista, advogado e jurista, Ernesto Pereira – nascido na Guarda a 9 de Fevereiro de 1903 – deixou múltiplos, quanto dispersos, testemunhos das suas observações, análises, de uma inteligência lúcida e brilhante, de um trabalho determinado em prol do desenvolvimento da sua terra e região.

     Embora o seu trabalho escrito não seja vasto, legou-nos textos de excelente recorte literário, a par de outros onde emergem as suas convicções, a sua postura moral, uma personalidade forte, uma personalidade com cultura vasta.

     Licenciado em Direito, bem cedo sentiu a paixão pelo jornalismo a qual cresceu, progressivamente, e em paralelo, com a sua dedicação à causa da Guarda; no início de 1926, fundou o jornal Actualidade, projecto que prosseguiu um ano depois em Pinhel, onde se radicou por motivos de ordem profissional.

     Naquela cidade foi um grande dinamizador de ideias e instituições; integrou a Comissão Orientadora da Frente Única Republicana, empenhando-se, por outro lado, na revitalização da corporação dos Bombeiros Voluntários. Fundou o Colégio local, do qual não pôde ser Director porque o Ministério da tutela o considerava da oposição ao sistema político vigente.

     Como por várias vezes deixou claro, o causídico guardense não era pessoa para desistir perante as contrariedades. “Por mil vezes que a pedra se despenhe, voltarei, com muitos esforços, canseiras e sacrifícios, a empurrá-la. E nunca desistirei – porque nunca desiste o homem verdadeiramente digno desse nome”; uma predisposição que demonstrava também na barra do Tribunal, independentemente da complexidade dos processos, servindo-se das suas apreciadas qualidades oratórias, em tantas ocasiões postas ao serviço de casos que sabia, à partida, dificilmente seriam remunerados.

     Num processo julgado no Tribunal da Guarda, em que eram acusados alguns estudantes por desrespeito a um agente da autoridade, Ernesto Pereira assumiu a defesa dos jovens, sem indagar ou avaliar as possibilidades económicas dos mesmos; tendo-se, dirigindo ao Juiz, sustentou que “tão digna é a toga que V. Exª usa como a capa negra de um estudante”...

     Depois de intensa actividade ao nível da advocacia, e de uma passagem, profissional, pelo Porto voltou à Guarda onde, a partir de 1942, foi editor da Revista Altitude. Lutou pela criação do Museu da Guarda onde viria a assumir funções directivas.

     Empossado no cargo de Presidente da Câmara Municipal da Guarda em 1946, empenhou-se, desde logo, na construção do Hotel de Turismo, na linha dos argumentos que há muito vinha divulgando acerca da urgência de a cidade se desenvolver do ponto de vista turístico. Por certo seria a pensar nos potenciais visitantes que, junto da Direcção Geral da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, defendeu a “justa regalia de que a Guarda sempre gozou por poder dispor de uma carruagem directa Guarda/Lisboa”.

     Os problemas urbanísticos estiveram, igualmente, no rol das preocupações do edil guardense. A localização do Colégio Feminino, o novo Cine Teatro, a regularização do Bairro do Bonfim (e da entrada da cidade por esse lado), a abertura dos arruamentos de acesso à Sé, bem como a urbanização da Guarda-Gare foram assuntos devidamente equacionados junto das entidades por quem passava a sua resolução.

     No ano seguinte foi nomeado Governador Civil da Guarda, cargo no decorrer do qual procurou afirmar o distrito e incrementar o seu desenvolvimento através da articulação de eixos rodoviários e ferroviários; neste último plano, para além das atenções que dedicou às linhas da Beira Alta e Beira Baixa, defendeu a “necessidade urgente de prolongar até Barca de Alva a marcha do comboio diário que sai do Porto, cerca das 15.55 até ao Tua (...). Levar tal comboio até Barca de Alva representa um valioso benefício para as populações do Douro, tanto do lado da Beira e distrito da Guarda, como do lado de Trás-os-Montes e distrito de Bragança”...hoje voltam-se a ouvir reivindicações nesse sentido...

     Ao longo do período em que desempenhou as funções de Governador Civil, o relacionamento com as autoridades espanholas, da província de Salamanca inscreveu-se nas suas prioridades de actuação, procurando incrementar contactos oficiais e pessoais, certo de que seria um excelente fórmula para resolver muitas questões resultantes da convivência fronteiriça.

     Na cidade, o seu círculo íntimo de amigos integrava o Dr. João de Almeida e o Dr. João Gomes (advogado, democrata convicto, opositor ao regime e que foi, como é do domínio público, uma das mais prestigiadas e consideradas personalidades políticas no pós-25 de Abril).

     Em 1952, Ernesto Pereira deixou a Guarda para tomar posse como Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas, passando a residir em Lisboa, onde, com frequência, recebia os amigos mais chegados, como António Andrade, Ladislau Patrício, e José Domingues Paulo (uma das grandes amizades dos seus últimos anos).

    O seu irmão Abel Pereira (distinto e conhecido jornalista, ligado ao do Diário Popular) era outra das presenças, frequentes, na sua casa, onde viria a falecer em Julho de 1966.

     A figura deste guardense não se pode analisar fora do contexto da sua época, e desarticulada de um conjunto de condicionalismos pessoais e familiares. Ernesto Pereira é, sem dúvida, um nome grande da Guarda, cidade onde deixou obra feita ou definida; as relações com personalidades politicamente posicionadas não significaram, necessariamente, o partilhar de ideias e objectivos, pois tinha um rigoroso conceito de amizade e um espírito de permanente defesa da liberdade de expressão e pensamento.

     Ernesto Pereira era um homem que procurou sempre a verdade, “essa doce miragem que perpetuamente fascina”, como escreveu num dos seus trabalhos.

     A cidade de Pinhel tem o seu nome consagrado na toponímia local. A Guarda, por seu lado, continua a esquecer uma das suas figuras carismáticas do passado século (como advogado, como jornalista, como autarca, como Governador, como Juiz), um dos seus mais ilustres paladinos, como já tivemos o ensejo de sublinhar numa publicação editada há alguns anos atrás.

    Até quando se irá manter este esquecimento?...

 

Helder Sequeira

in jornal O Interior | 17-1-2013

 

 



publicado por Helder Sequeira às 00:01
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011
Na Guarda das artes gráficas

    

      A história dos equipamentos tipográficos cruza-se com a da cultura e da imprensa, pois em tantas situações foi acertado “o passo espiritual pela celeridade mecânica” que se reflectiu também noutros sectores da vida económica e social.
     Como tem acontecido com outras parcelas do nosso património, o esquecimento atingiu as velhas peças das antigas tipografias, elementos primordiais para o conhecimento da evolução operada no sector gráfico.
     Na Guarda existem, por enquanto, testemunhos desse percurso, de uma época em que as máquinas de impressão não tinham o auxílio da energia eléctrica, a composição era manual e as zincogravuras eram indispensáveis para ilustração dos textos.
     São realidades tão próximas e simultaneamente tão distantes; pequenos espaços onde se cruzam saberes, arte, experiências múltiplas, vidas, entusiasmos, dificuldades, vivências ímpares de que brotaram as mais diversas publicações ou trabalhos.
    No quotidiano guardense passamos ao lado de um património que corre o risco de ficar esquecido ou perdido irremediavelmente, face à marcha célere do progresso, da evolução da técnica, do redimensionamento dos mercados ou das novas exigências empresariais e comerciais.
    Na sociedade contemporânea, em especial no nosso país, urge desenvolver uma reflexão profunda, capaz de activar (mesmo em tempo de crise, que aguça a criatividade) estratégias e políticas eficazes em termos de salvaguarda, valorização, estudo e divulgação do nosso património.
    A criação, na Guarda, de um espaço museológico dedicado às Artes Gráficas poderá contribuir para salvaguarda, estudo e divulgação do espólio das tipografias de um distrito que foi rico em títulos de imprensa local, e de muitos outros.
    É fundamental uma forte acção de sensibilização das pessoas e entidades, para que não se percam os valores existentes, assegurando a sua transmissão e conhecimento às gerações futuras, facilitando e incentivando o conhecimento desta como de outras casas ligadas às artes gráficas.
   E pelos velhos cavaletes das várias tipografias passam múltiplas memórias que é urgente compor, com os tipos do presente, alinhados em mensagens claras sobre os nossos valores, o nosso património local.

 



publicado por Helder Sequeira às 10:34
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