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Quinta-feira, 24 de Março de 2016
A propósito do Dia Mundial da Tuberculose...

 

     O Dia Mundial da Tuberculose é hoje (24 de Março) assinalado, sob o tema “Unir para acabar com a Tuberculose”. Este dia comemora a data em que Robert Koch, no ano de 1882, anunciou a descoberta do Mycobacterium tuberculosis, o bacilo que causa a tuberculose (TB).

    Apesar de ser uma doença evitável e curável a TB “permanece como um importante problema de Saúde Pública, sendo considerada pela Organização Mundial da Saúde como uma emergência mundial”.

    Em 2014 foram notificados em Portugal 2264 casos de TB dos quais, 2080 eram casos novos; foi, contudo, registada, uma redução de cerca de 5% da taxa de notificação e de incidência entre 2013 e 2014. Um relatório da Direção Geral de Saúde, intitulado “Portugal – Infeção VIH, SIDA e Tuberculose em números – 2015” refere que “apesar da diminuição, o número de casos de tuberculose é ainda elevado. O rastreio de infeção latente nas populações de risco identificadas, particularmente contactos de doentes com tuberculose, populações infetadas por VIH, pessoas candidatas a terapêuticas biológicas, é fundamental para que se mantenha a redução de casos de doença no país”. Por outro lado, os autores desse documento, acentuam que a “sustentabilidade dos serviços de luta anti tuberculose é fundamental, garantindo o conhecimento dos seus profissionais, de forma a assegurar a contínua redução de casos, a melhoria do sucesso terapêutico, a redução das formas multirresistentes e o sucesso terapêutico destas formas de tuberculose mais complicadas”.

Radiografia - T.jpg

    Recorde-se que o Sanatório Sousa Martins, inaugurado na Guarda em 18 de Maio de 1907, foi uma das principais unidades de saúde de Portugal no combate contra a tuberculose.

    A designação de “Cidade da Saúde”, atribuída à Guarda, em muito se fica a dever a uma instituição que a marcou indelevelmente, ao longo de sete décadas, no século passado. Embora a situação geográfica e as especificidades climatéricas associadas tenham granjeado à Guarda esse epíteto, a construção do Sanatório Sousa Martins certificou e rentabilizou as condições naturais da cidade para o tratamento da tuberculose, doença que vitimou, em Portugal, largos milhares de pessoas.

   A Guarda foi, nessa época, uma das cidades mais procuradas de Portugal, afluência que deixou inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural. A apologia da Guarda como localidade “eficaz no tratamento da doença” foi feita por distintas figuras da época. Esta cidade começou a ser “a montanha mágica” junto à Serra, envolta ainda na bruma da atração e do desconhecido, palco frequente do magnífico cenário originado pela neve, que bem se podia transpor para o quadro descrito por Thomas Mann, no seu conhecido romance. Muitas pessoas vinham para a Guarda com o objetivo de usufruírem do clima de montanha, praticando, assim, uma cura livre, não sendo seguidas ou apoiadas em cuidados médicos. As deslocações para zonas propícias à terapêutica “de ares”, e consequente permanência, contribuíram para o aparecimento de hotéis e pensões, dado não haver, de início, as indispensáveis e adequadas unidades de tratamento.

    Esta situação desencadeou fortes preocupações nas entidades oficiais da época. Em 20 de Outubro de 1897, o Governador Civil da Guarda, José Osório de Gama e Castro, tornou público um Edital/Regulamento relativo às “Providências Prophiláticas contra o contágio da Tuberculose”. O referido regulamento ditava normas concretas para os “donos ou gerentes das hospedarias,” bem como para aos proprietários de casas alugadas, onde não podiam ser recolhidos “promiscuamente indivíduos sãos e doentes”.

    Em 1895, realizou-se o primeiro Congresso Português sobre Tuberculose, dirigido por Augusto Rocha. Nesse congresso, Lopo de Carvalho (que viria a ser o primeiro Director do Sanatório Sousa Martins), já uma eminente figura da Medicina, discursou sobre os processos profiláticos usados na Guarda. Lopo de Carvalho foi um dos mais fervorosos defensores da criação do Sanatório – de que, aliás, viria a ser o primeiro diretor – o que aconteceu por decisão da Rainha D. Amélia, Presidente da Assistência Nacional aos Tuberculosos (ANT), instituição criada em 26 de Dezembro de 1899.

    A história da luta contra a tuberculose, em Portugal, cruza-se, assim, com a história da Guarda; um registo que deixamos a propósito da comemoração do Dia Mundial da Tuberculose. (H.S.)

 

In O Interior, 24|3|2016

 

 



publicado por Helder Sequeira às 13:21
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Um eminente Tisiólogo

 

     Ocorre hoje, dia 6 de Julho, o aniversário da morte do médico Lopo José de Figueiredo de Carvalho que está indissociavelmente ligado à Guarda e ao Sanatório Sousa Martins, do qual foi o primeiro diretor. Justificam-se, pois, algumas anotações sobre este clínico a quem a cidade muito ficou a dever.

    Natural de localidade de Tojal (concelho do Satão), onde nasceu a 3 de Maio de 1857, Lopo de Carvalho frequentou a Universidade de Coimbra e licenciou-se em Medicina no ano de 1883. Aluno brilhante, no final do curso foi convidado, pela sua Faculdade, a iniciar o doutoramento, proposta que declinou.

    Nesse mesmo ano foi trabalhar para a Meda, como médico municipal; aí exerceu a sua atividade profissional, durante dois anos, prosseguida mais tarde na Guarda, passando ainda o seu percurso como clínico pelos Açores (Graciosa) e por Lisboa.

    Com a fixação na Guarda (onde residiu até à sua morte) passou também a exercer as funções de professor do Liceu, à semelhança do que aconteceu com outras conhecidas figuras guardenses da época; cedo se começou a dedicar à causa da luta contra a tuberculose e a empenhar-se, ativamente, na criação de estruturas vocacionadas para o tratamento daquela doença assim como no estabelecimento de normas e regulamentos sanitários.

    “A defesa contra a tuberculose está regulamentada convenientemente, há muito tempo, na cidade da Guarda e em todo o distrito; o essencial é cumprir-se a lei e isso é da exclusiva competência das autoridades (…). É esta cidade a única no país que regulamentou a sua defesa contra a tuberculose. Os primeiros aparelhos de Trillat (pelo formol sobre pressão), para a desinfecção das casas e das roupas, que vieram para o nosso país foram adquiridos pela Câmara da Guarda por proposta minha”, escreveu aquele médico na resposta a acusações que lhe foram dirigidas por alguns articulistas da imprensa local, cujo entendimento sobre a importância do Sanatório divergia das ideias de Lopo de Carvalho e de quantos o acompanhavam na afirmação e desenvolvimento daquela unidade de saúde.

Lopo de Carvalho - HS (15).jpg

     O primeiro diretor do Sanatório respondia aos seus críticos dizendo que “a higiene não se pode fazer somente em artigos de jornais e ofícios burocráticos. Para se fazer higiene é preciso gastar-se muita água e dinheiro”.

    A “Curabilidade da Tuberculose Pulmonar”, trabalho apresentado no Congresso de Medicina de Lisboa, foi uma das suas mais aplaudidas intervenções em reuniões científicas, na maioria das quais levantou a bandeira das potencialidades da Guarda como cidade da saúde. Aquando do “Congresso de Tuberculose” realizado em Londres, em 1901, foi convidado por Sir William Broadbent para a vice-presidência honorária daquele evento científico.

     Os seus esforços, conjugados com o apoio recebido da Assistência Nacional aos Tuberculosos, a que presidia a Rainha D. Amélia, conduziram à construção do Sanatório da Guarda, inaugurado em 18 de Maio de 1907. Lopo de Carvalho seria agraciado, pelo Rei D. Carlos, com a Comenda de S. Tiago. “É de todo o ponto merecida a distinção, que recai sobre um verdadeiro homem de ciência, tisiólogo eminente, que tem sido, no nosso país, um dos mais denodados combatentes contra a tuberculose”, noticiou o Diário Ilustrado.

    Redator do jornal “Estudos Médicos”, assim como de “Coimbra Médica”, Lopo de Carvalho colaborou também com as publicações “Movimento Médico”, “Revista de Medicina e Cirurgia” e “Medicina Contemporânea”.

     O seu consultório funcionou no edifício conhecido (na atual Rua Vasco da Gama) por Dispensário, o qual doou, em 1932, ao Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos. Na rua que ostenta o seu nome existe uma casa que Leopoldina Lopo de Carvalho (a esposa deste médico) doou à cidade, com finalidades específicas; destinado, inicialmente a Arquivo Distrital nela funcionou um Jardim Infantil com o nome da benemérita senhora; hoje, o edifício é uma pálida imagem daquilo que foi.

    Lopo José de Carvalho (pai de outro conceituado clínico e professor universitário, Fausto Lopo de Carvalho) faleceu na Guarda a 6 de Julho de 1922. O jornal Distrito da Guarda, a propósito do seu falecimento, escreveu que “o nome do Dr. Lopo de Carvalho não se perde no passado; o que se perde é a sua inteligência e os seus vastos conhecimentos científicos”.

    O mesmo periódico, passados alguns anos, destacava os serviços “prestados a esta terra” pelo referido clínico. “E no estrangeiro, onde foi por várias vezes, tomando parte de congressos, ou em viagens de estudo, conhecia-se o seu nome em todas as estâncias de cura de tuberculose. Conhecia-se e admirava-se porque, nesta especialidade, o médico distinto pairava muito acima do normal”.

   De entre os trabalhos publicados mencionamos “Seroterapia na Tuberculose Pulmonar”, “Uma Epidemia da Febre Tifóide”, “As causa da Febre Tifóide em Portugal” e “Tuberculosos Curados”, este em co-autoria com Amândio Paul, que lhe sucedeu na direção do Sanatório Sousa Martins.

 

    Helder Sequeira

 



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Segunda-feira, 18 de Maio de 2015
Um Sanatório abandonado...

Sanatório Guarda.jpg

     Hoje ocorre a passagem do 108º aniversário da inauguração do Sanatório Sousa Martins, na Guarda, durante décadas conhecida como “Cidade da Saúde”.

    Esta designação em muito se ficou a dever ao Sanatório que a marcou, indelevelmente, ao longo de décadas, no século passado.

   A Guarda foi uma das cidades mais procuradas de Portugal; a afluência de milhares de pessoas à cidade deixou inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural. A sua apologia como localidade “eficaz no tratamento da doença” foi feita por distintas figuras da época, pois era “a montanha mágica” junto à Serra.

    Muitas pessoas (provenientes de todo o país e mesmo do estrangeiro) subiam à cidade mais alta de Portugal com o objetivo de usufruírem do clima de montanha, praticando, assim, uma cura livre, não sendo seguidas ou apoiadas em cuidados médicos.

    As deslocações para zonas propícias à terapêutica “de ares”, e a consequente permanência, contribuíram para o aparecimento de hotéis e pensões, dado não haver, de início, as indispensáveis e adequadas unidades de tratamento; situação que desencadeou fortes preocupações nas entidades oficiais da época.

    Em 1881 a Sociedade de Geografia de Lisboa promoveu uma Expedição Científica à Serra da Estrela, sendo integrada, entre outros, pelo médico Sousa Martins Dessa expedição resultou a elaboração de relatórios das várias secções científicas.

Sousa MARTINS - foto Hs.JPG

      A iniciativa teve, igualmente, o mérito, e através dos esforços de Sousa Martins, de chamar a atenção dos meios científicos e clínicos de então para as condições que esta região oferecia para o tratamento da tuberculose.

     Quatro anos depois realizou-se o primeiro Congresso Português sobre Tuberculose onde Lopo de Carvalho (que viria a ser o primeiro Director do Sanatório Sousa Martins, e pai de outro conceituado clínico) discursou sobre os processos profiláticos usados na Guarda.

     Este médico foi um dos mais fervorosos defensores da criação do Sanatório que seria inaugurado a 18 de Maio de 1907, com a presença do rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia. A autoria do projeto dos edifícios pertence a Raul Lino.

Pavilhão D.jpg

      O fluxo de tuberculosos superou, largamente, as previsões, fazendo com que os pavilhões do Sanatório Sousa Martins se tornassem insuficientes perante a procura; o Pavilhão 1 (designado também de Lopo de Carvalho, e onde funciona atualmente a sede e administração da ULS da Guarda) teve de ser aumentado um ano depois, duplicando a sua capacidade.

     Um novo pavilhão, que se juntou aos três já existentes, foi inaugurado em 31 de Maio de 1953; com este novo edifício – onde funcionam a Medicina Interna, Obstetrícia, Cardiologia e Pediatria – o Sanatório Sousa Martins ganhou maior dimensão, assumindo-se, ainda mais, como uma “povoação” auto-suficiente, dentro da própria cidade. Este edifício – do qual foram já transferidos a maioria dos serviços, para o novo bloco hospitalar – assinala, no corrente ano, o seu 62º aniversário,

     Após o 25 de Abril de 1974, o Sanatório Sousa Martins entrou na fase final da sua existência. Em Novembro do ano seguinte aquele Sanatório foi integrado no Hospital Distrital da Guarda; após 68 anos de existência, esta instituição de saúde conclui a sua eminente função social.

    Recorde-se que o antigo Sanatório Sousa Martins, na Guarda, foi classificado como conjunto de interesse público, através de portaria da portaria 39/2014, do Secretário de Estado da Cultura; nela é referido que a classificação do antigo Sanatório reflete os critérios relativos ao “carácter matricial do bem, ao génio do respetivo criador, ao seu interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua conceção arquitetónica, urbanística e paisagística, à sua extensão e ao que nela se reflete do ponto de vista de memória coletiva, e às circunstâncias suscetíveis de acarretarem diminuição ou perda da perenidade ou da integridade do bem”.

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     Certo é que os antigos e emblemáticos pavilhões do Sanatório Sousa Martins são hoje elucidativa expressão de abandono e degradação.

Pavilhão D. António de Lencastre - foto Helder S

 

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Pavilhão A Lencastre - Sanatório-7-2014 (8).JPG

 

Pavilhão A Lencastre - Sanatório-7-2014 (31).JPG

 

     Esperemos que estas breves notas suscitem, nos responsáveis e decisores, um atenta reflexão, que reforce a necessária determinação em salvaguardar a memória e um património ímpar da cidade mais alta de Portugal. É lamentável este estado de abandono a que foi votada a estrutura física de uma das mais proeminentes instituições da Guarda do século XX. (Helder Sequeira)

 



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Segunda-feira, 24 de Março de 2014
Dia Mundia da Tuberculose

     O Dia Mundial da Tuberculose é hoje assinalado.

     A Direcção Geral de Saúde lembra que “quase 20 anos após a criação do Programa Nacional para a Tuberculose (PNT) e apesar de ser uma doença evitável e curável, a tuberculose (TB) permanece como um importante problema de Saúde Pública, sendo considerada pela Organização Mundial da Saúde como uma emergência mundial”.

     A tuberculose é uma doença curável, porém os esforços atuais para encontrar, tratar e curar todos os que ficam doentes não são suficientes, de acordo com a informação das estruturas e entidades ligadas ao tratamento da tuberculose.

     Dos nove milhões de pessoas por ano atingidas pela tuberculose, um terço delas são "perdidos" pelos sistemas de saúde.

     O Dia Mundial da Tuberculose comemora a data, em 1882, em que Robert Koch anunciou a descoberta do Mycobacterium tuberculosis, o bacilo que causa a TB.

     Recorde-se que o Sanatório Sousa Martins, inaugurado na Guarda em 18 de Maio de 1907, foi uma das principais unidades de saúde de Portugal no combate contra a tuberculose.

 



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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014
Sanatório Sousa Martins: conjunto de interesse público

     O antigo Sanatório Sousa Martins, na Guarda, foi classificado como conjunto de interesse público, através de portaria ontem publicada em Diário da República.

     A portaria 39/2014, do Secretário de Estado da Cultura refere que a classificação do antigo Sanatório reflete os critérios relativos ao “carácter matricial do bem, ao génio do respetivo criador, ao seu interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua conceção arquitetónica, urbanística e paisagística, à sua extensão e ao que nela se reflete do ponto de vista de memória coletiva, e às circunstâncias suscetíveis de acarretarem diminuição ou perda da perenidade ou da integridade do bem”.

     A designação de “Cidade da Saúde”, atribuída à Guarda, em muito se fica a dever ao Sanatório que a marcou indelevelmente, ao longo de décadas, no século passado.

     A Guarda foi, nessa época, uma das cidades mais procuradas de Portugal. A afluência de milhares de pessoas à cidade deixou inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural; a sua apologia como localidade “eficaz no tratamento da doença” foi feita por distintas figuras da época, pois era “a montanha mágica” junto à Serra.

     Muitas pessoas (provenientes de todo o país e mesmo do estrangeiro) subiam à cidade mais alta de Portugal com o objetivo de usufruírem do clima de montanha, praticando, assim, uma cura livre, não sendo seguidas ou apoiadas em cuidados médicos.

     As deslocações para zonas propícias à terapêutica “de ares”, e a consequente permanência, contribuíram para o aparecimento de hotéis e pensões, dado não haver, de início, as indispensáveis e adequadas unidades de tratamento; situação que desencadeou fortes preocupações nas entidades oficiais da época.

     Em 1881 a Sociedade de Geografia de Lisboa promoveu uma Expedição Científica à Serra da Estrela, sendo integrada, entre outros, pelo médico Sousa Martins Dessa expedição resultou a elaboração de relatórios das várias secções científicas. A iniciativa teve, igualmente, o mérito, e através dos esforços de Sousa Martins, de chamar a atenção dos meios científicos e clínicos de então para as condições que esta região oferecia para o tratamento da tuberculose.

     Quatro anos depois realizou-se o primeiro Congresso Português sobre Tuberculose onde Lopo de Carvalho (que viria a ser o primeiro Director do Sanatório Sousa Martins, e pai de outro conceituado clínico) discursou sobre os processos profiláticos usados na Guarda. Este médico foi um dos mais fervorosos defensores da criação do Sanatório que seria inaugurado a 18 de Maio de 1907, com a presença do rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia. A autoria do projeto dos edifícios pertence a Raul Lino.

    O fluxo de tuberculosos superou, largamente, as previsões, fazendo com que os pavilhões do Sanatório Sousa Martins se tornassem insuficientes perante a procura; o Pavilhão 1 (designado também de Lopo de Carvalho, e onde funciona atualmente a sede e administração da ULS da Guarda) teve de ser aumentado um ano depois, duplicando a sua capacidade.

    Um novo pavilhão, que se juntou aos três já existentes, foi inaugurado em 31 de Maio de 1953; com este novo edifício – onde funcionam os principais serviços da Unidade Local de Saúde da Guarda, Cardiologia, Pneumologia, Medicina Interna, Pediatria, etc. – o Sanatório Sousa Martins ganhou maior dimensão, assumindo-se, ainda mais, como uma “povoação” auto suficiente, dentro da própria cidade.

    Este edifício assinala, no corrente ano, o seu 61º aniversário.

    Após o 25 de Abril de 1974, o Sanatório Sousa Martins entrou na fase final da sua existência. Em Novembro do ano seguinte aquele Sanatório foi integrado no Hospital Distrital da Guarda; após 68 anos de existência, esta instituição de saúde conclui a sua eminente função social. (H.S.)

 



publicado por Helder Sequeira às 00:01
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Sábado, 21 de Dezembro de 2013
Bola de Neve

 

     O Sanatório Sousa Martins marcou a Guarda, indelevelmente, na primeira metade do século XX, cidade a que deu uma indiscutível projeção nacional e internacional.

     Nesta instituição, inaugurada a 18 de Maio de 1907, confluíram doentes portadores das mais diversas habilitações literárias; assim, não é de estranhar que surgissem vários projetos, de índole cultural e recreativa, orientados para o preenchimento do tempo livre entre os tratamentos.

     De entre as diversas iniciativas merece particular destaque o jornal Bola de Neve, tutelado pela Caixa Recreativa do Sanatório, uma associação de solidariedade cujos objetivos principais eram “facultar, especialmente aos doentes, as distrações compatíveis com o seu estado de saúde; manter e desenvolver a Biblioteca (…)”.

     A Caixa Recreativa, de cuja atividade há conhecimento até 1954 antecedeu a criação do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins (CERISSM), que, embora adaptado às exigências legais da época, manteve a mesma filosofia de apoio assistencial.

     A referida publicação periódica, definida inicialmente como boletim, surgiu a 1 de Fevereiro de 1948, sob o título Bola de Neve. O seu primeiro diretor foi o Engº Agrónomo Álvaro Martins da Silva; até ao mês de Junho desse ano o jornal, editado quinzenalmente, constituiu um dos meios de comunicação nascidos no interior do Sanatório. Neste projeto empenharam-se também outras pessoas, como Ladislau Patrício (o terceiro diretor do Sanatório) e Carlos Serra Pereira, que ajudaram a contornar os obstáculos, nomeadamente de ordem financeira, inerentes à atividade editorial, harmonizando-os com as exigências decorrentes das normas daquele estabelecimento de saúde.

    Amorim Girão, Miguel Torga, Damião Peres, Joaquim Veríssimo Serrão, Nuno de Montemor, Cândido Guerreiro, Gonçalo de Reparaz, Messias Gonçalves, Mendes Fernandes, Alberto Dinis da Fonseca, J. Romão Duarte, Otília de Bastos Couto, João de Almeida; Torquato Gomes, Jerónimo de Almeida, Moradas Ferreira, Martins de Carvalho, Gastão Sousa Dias, Alberto Seco de Oliveira e Garcia Sainz, entre outros, colaboraram neste periódico.

     O Bola de Neve é um expressivo exemplo de como a criatividade, o fenómeno cultural ou o desenvolvimento de projetos editoriais podem ocorrer nas periferias, longe dos centros tradicionais; basta que haja objetivos claros, empenho, trabalho e qualidade. Aspeto que é tanto mais de realçar quanto aludimos, neste breve apontamento, à feitura de um jornal nos finais da primeira metade do século passado, numa pequena cidade do interior, com todos os condicionalismos e dificuldades inerentes.

     Para além da importância como projeto editorial, o “Bola de Neve” constitui uma importante fonte para o conhecimento da evolução do Sanatório e dos seus vários sectores. Os primórdios da Rádio Altitude, a vivência de muitos dos internados; os aspetos históricos e etnográficos da região da Guarda foram igualmente retratados nas páginas deste interessante órgão de informação, editado por uma associação de beneficência, cuja atividade acompanhava de perto, como uma porta aberta e franca para a comunidade exterior.

     Simultaneamente, o BN é um salutar exemplo do aproveitamento do tempo livre dos internados no Sanatório Sousa Martins, fórmula feliz de aplicação das suas capacidades e habilitações, manifesto reconhecimento da faculdade de congregar eminentes colaboradores a partir de uma iniciativa que nasceu no alto da montanha, do Portugal interior.

     É importante que a Guarda não esqueça exemplos como este, de afirmação cultural, de criatividade e marca qualitativa. H.S.

     In "O Interior", 19|12|2013



publicado por Helder Sequeira às 20:44
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Quinta-feira, 27 de Junho de 2013
Pneumologia em debate na Guarda

 

     “O Pulmão no Centro” é o tema do Congresso que decorre hoje, e amanhã, na Guarda. “Pneumonias, da Epidemiologia à Prevenção”, “Ambiente e qualidade do ar”, “Dificuldades no Diagnóstico Pneumológico”, “Tabaco e Doença Respiratória”, “Reabilitação Respiratória” e “Novidades Oncológicas     Aplicadas à Prática Clínica” são algumas das comunicações que integram o programa.

     O congresso é uma organização conjunta da cadeira de Pneumologia da Faculdade de Medicina da Coimbra, Centro de Pneumologia da Faculdade de Medicina de Coimbra, Associação de Estudos Respiratórios, Serviço de Pneumologia do Hospital Sousa Martins da Guarda, Serviço de Pneumologia do Hospital Pero Covilhã, Serviço de Pneumologia do Hospital de Castelo Branco e Serviço de Pneumologia dos HUC.

     Este congresso decorre no TMG.

 



publicado por Helder Sequeira às 18:20
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Domingo, 23 de Dezembro de 2012
Turismo de saúde

 

 

     O Turismo de Saúde e Bem-Estar tem vindo a suscitar uma nova atenção por parte de empresários investigadores que reconhecem como necessária a rentabilização das potencialidades existentes no nosso país, e mormente nesta região do interior.

     Como tem sido sublinhado em encontros e debates sobre a referida temática, este é um mercado a desenvolver; aliás, em termos mundiais, estima-se que o sector atinja, no corrente ano, 100 biliões de dólares.

     Valorizar o posicionamento turístico do destino Portugal – considerado um dos países da Europa mais rico em águas termais – e promover a sua internacionalização são dois dos objetivos do Cluster do Turismo de Saúde e Bem-Estar de Portugal. A sua comissão instaladora, formalizada há alguns meses atrás (composta por docentes do ensino superior, investigadores e empresários) fez notar que nos principais destinos de turismo de saúde e bem-estar se destacam os segmentos de termalismo, talassoterapia, turismo médico e turismo estético.

     O documento que fundamentou a consolidação deste Cluster destaca importância do turismo da saúde e bem-estar na sociedade hodierna, bem como a diversidade das regiões turísticas de Portugal e a “saudável concorrência entre destinos turísticos às escalas regional e global”; por outro lado, alerta para a “indispensabilidade do enquadramento científico, designadamente ao nível de linhas de investigação por patologias e por terapias harmonizadas e validadas, que permitam assegurar a excelência dos tratamentos e a segurança dos utentes”.

    A evolução deste setor passa, também, por ministrar preparação adequada aos profissionais de saúde e turismo que trabalham ou pretendam vir a desenvolver a sua atividade neste segmento turístico; daí que seja defendido o incremento da formação e investigação no âmbito do turismo de saúde e bem-estar.

     Refira-se que em Portugal existem 36 estabelecimentos termais em atividade, 20 dos quais localizados na região centro, onde têm surgido iniciativas orientadas para a adesão de novos utentes, dentro dos vários escalões etários. Algumas estâncias termais lançaram já ações tendentes a fomentar o termalismo júnior, em especial para destinatários com problemas respiratórios, uma ação que procura preparar o futuro, com a criação de hábitos junto dos mais novos e potenciais utilizadores no futuro. As termas não proporcionam apenas tratamentos mas oferecem igualmente espaço de repouso e lazer, na generalidade dos casos rodeado de relaxante cenário natural e ambiental.

     Evidenciar o tratamento termal como alternativa ao uso de anti-inflamatórios e de outros tratamentos “globalmente mais vantajosa, sem efeitos nocivos secundários no organismo e que garante uma melhor qualidade de vida” foi o objetivo de algumas iniciativas que decorreram nos últimos dois anos, nomeadamente nas Termas de São Pedro do Sul.

     A diminuição do consumo de fármacos e dos dias de baixa por doença pode aplicar-se a várias patologias, como demonstram, inequivocamente, alguns estudos feitos em vários países.

    A oferta das termas portuguesas é variada, sendo indicadas para diferentes tipos de doenças, como, por exemplo, do foro osteoarticular, respiratório, digestivo e dermatológico. A composição específica das águas minerais naturais e a sua temperatura, em articulação com o ambiente termal e técnicas adequadas, respondem, com eficácia comprovada, a um vasto conjunto de situações, sempre sob orientação médica.

     Atendendo ao número de estâncias termais na nossa região, o turismo de saúde e bem-estar poderá assumir um eminente papel no desenvolvimento económico e social das localidades onde brotam “águas da saúde”. Esta rentabilização passa, necessariamente, e à semelhança do que se verifica noutros países, por um trabalho e cooperação interdisciplinar; por uma estratégia conjunta e pela definição, objetiva, de especificidades e complementaridades.

     E este é um desafio para ser assumido, de imediato. (H.S.)

 

       In O Interior, 20Dez2012

 



publicado por Helder Sequeira às 17:28
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Domingo, 27 de Maio de 2012
O Pavilhão Novo do Sanatório

 

     Na próxima quinta-feira, dia 31 de Maio, completam-se 59 anos após a inauguração do denominado Pavilhão Novo do Sanatório que constitui, por enquanto, o principal bloco do Hospital Sousa Martins.

     A inauguração, prevista inicialmente para 28 de Maio de 1953, ocorreu três dias depois, com a presença dos Ministros do Interior e das Obras Públicas. A imprensa da cidade deu especial relevo ao acato, apresentando o novo pavilhão como “um edifício gigantesco com 250 metros de comprido e com 350 leitos destinados exclusivamente a doentes pobres”.

     Com a construção deste novo pavilhão, o Sanatório Sousa Martins procurou aumentar a capacidade de resposta às crescentes solicitações das pessoas afectadas pela tuberculose, ampliando assim o seu papel na luta contra essa doença.

    É que o elevado número de doentes com fracos recursos há muito fazia sentir a necessidade de dotar esta conhecida estância sanatorial com novas instalações, pretensão que os responsáveis pelo Sanatório Sousa Martins tinham já manifestado ao Ministro das Obras Públicas, aquando da sua visita, à Guarda, em 1947. As obras do novo pavilhão foram iniciadas quatro anos depois.

     A entrada em funcionamento deste pavilhão era aguardada com compreensível expectativa, mormente por quem trabalhava no Sanatório Sousa Martins.

    O seu Director, Dr. Ladislau Patrício – que nesse mesmo ano deixaria essas funções, bem como a sua actividade clínica – definiu o edifício como “um novo e valioso instrumento na luta em defesa da saúde pública do país”.

     Na Guarda viveu-se mais um dia festivo. “Cerca do meio-dia, a estrada que conduz ao Sanatório tornara-se um rio de gente”, noticiou o jornal A Guarda. O Pavilhão Novo constitui, de facto, um marco importante na história do Sanatório Sousa Martins, instituição que não pode, de forma alguma, ser dissociada da Guarda do século XX.

    Ao recordarmos esta efeméride, para além de evocarmos um facto da história da Guarda, importa sublinhar quanto é fundamental a salvaguarda desta memória viva onde, no presente, prossegue a actividade hospitalar. Conciliar os rumos exigidos pelo progresso com a especificidade deste edifício será contribuir para o reencontro com décadas em que a Guarda conquistou, justamente, a designação de cidade da saúde.

 



publicado por Helder Sequeira às 21:14
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
E o museu do Sanatório Sousa Martins?...

 

Nos períodos eleitorais há questões que são ciclicamente retomadas, dada a sua incidência junto do cidadão comum. A saúde é uma delas e, a nível da Guarda, a principal estrutura do sector tem suscitado, ao longo dos anos, particular atenção.
Durante muito tempo o poder político foi protelando a decisão de concentrar na área outrora ocupada pelo Sanatório Sousa Martins os serviços hospitalares que funcionavam no bloco da Rua Dr. Francisco dos Prazeres, em instalações pertencentes à Misericórdia da Guarda.
Apesar de alguns responsáveis pelo sector da saúde terem reconhecido que esta cidade possuía um espaço ímpar para a actividade de um bom estabelecimento hospitalar, depressa essas palavras caíam no esquecimento e os projectos encetados tinham como destino uma qualquer gaveta das secretárias ministeriais.
Ao longo de vários anos teve lugar – como muitos devem ainda estar recordados – o penoso vaivém de doentes entre o centro da cidade e o actual Parque da Saúde; a dispersão de serviços fazia disparar as despesas do hospital e dificultava o aproveitamento racional de meios humanos e técnicos, com as consequências óbvias.
A concentração de serviços, finalmente materializada, não foi feita num quadro de previsões que contemplasse um mais vasto horizonte temporal, onde ficasse garantida a articulação com novas estruturas e espaços, assegurando a identidade de uma área que durante décadas constituiu uma autêntica cidade e projectou a Guarda, dentro e fora das fronteiras nacionais.
De hesitação em hesitação, com diferenciadas directrizes político-partidárias de permeio, a Guarda assistiu, impávida e serena – salvo uma ou outra tomada de posição pública, apesar de tudo inconsistente – à progressiva degradação dos pavilhões do ex-Sanatório (inegável e insubstituível património desta terra), ao desaparecimento de muitas memórias de uma época marcante desta secular cidade.
Apontados os erros e equacionadas as soluções, o Hospital da Guarda permaneceu, durante anos, nos caminhos da indecisão governamental e serviu de arma de arremesso nos confrontos político-partidários; perdeu-se demasiado tempo, enquanto noutras zonas se trabalhou com mais rapidez e união de esforços.
Actualmente, e pesem alguns contratempos de última hora – que este jornal noticiou na última edição – o início da obras de ampliação da principal unidade hospitalar está para breve; daí que, e face à dimensão e às implicações de trabalhos deste natureza, seja importante, urgente, tomar algumas precauções relativamente ao recheio de alguns edifícios ainda erguidos no Parque da Saúde. E porquê?
Há alguns anos atrás (concretamente em 2000) uma comissão mandatada pela Administração do Hospital da Guarda efectuou o levantamento do espólio que seria destinado a um futuro Museu do Sanatório Sousa Martins, o que seria, desde logo, instituição única, com estas características, a nível nacional.
O trabalho desenvolvido, nessa altura, nos edifícios da lavandaria, oficina de carpintaria, oficina de pintura, padaria (este junto à actual helipista e supostamente ainda a funcionar como local de guarda de muito material!..), pavilhão D. António de Lencastre, edifício do Raio X, pavilhão novo e em vários serviços localizados neste bloco permitiu identificar e inventariar muitos objectos e equipamentos que pertenceram ao antigo sanatório.
Como sejam aparelhos de Raio X, equipamentos de lavandaria, equipamento médico, objectos cirúrgicos, processos médicos, mesas, armários, roupeiros, camas de cura, toucadores, cómodas, mesas de jogo, armários louceiros, cadeiras, caixas para transporte de recolha de sangue, estantes, livros, máquina de projectar filmes, piano de cauda, bengaleiros, relógios, móveis de farmácia, equipamento de apoio hospitalar, peças de cerâmicas, móvel giratório para revistas, pinturas a óleo, microscópios, balanças, cómoda “arte nova”, aparelho de pneumotorax, mobiliário diversificado, candeeiros, escrivaninhas, bancos, mobiliário dos anos 50, cadeiras de várias tipologias.
A relação do material identificado, bem como as actas das reuniões da referida comissão foram oportunamente entregues à direcção da unidade hospitalar em referência.
Há quatro anos atrás, foi anunciada, na Guarda (em véspera de eleições, diga-se) a criação do Museu da Saúde, que teria um âmbito nacional; em Novembro do passado ano, em Lisboa, foi assinado um protocolo entre o Instituto Nacional de Saúde “Doutor Ricador Jorge” e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica com vista à implementação de um Museu da Saúde, cujo núcleo embrionário é formado – tal como foi então noticiado – por peças da colecção da Direcção Geral de Saúde “recebidas em parte dos antigos sanatórios da luta anti-tuberculose”...Recentemente foi retomada a ideia de um Museu da Saúde na Guarda.
Ou seja, corremos o risco de haver museus (da saúde, entenda-se...) a mais e peças a menos.
Neste contexto não será de acautelar, salvaguardar, o espólio existente (disperso pelos edifícios atrás mencionados) e pensar atempada e seriamente no Museu do Sanatório Sousa Martins?..
Antes que seja tarde...
                                                                                                   H.S.
(in O Interior, 16/7/2009)
 


publicado por Helder Sequeira às 23:37
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